
{1}1{/}

T\u00cdTULO{/}

{I}1_{/}Palavras de 
Co\u00e9let, filho de David, 
rei de Jerusal\u00e9m.
I. INTRODU\u00c7\u00c3O{/}

A VIDA \u00c9 PASSAGEIRA{/}

{I}2_{/}\u00d3 suprema 
fugacidade, diz co\u00e9let, \u00f3 
suprema fugacidade! tudo 
\u00e9 fugaz! {I}3_{/}Que proveito 
tira o homem de todo o 
trabalho com que se 
afadiga debaixo do sol?
A REPETI\u00c7\u00c3O PRODUZ T\u00c9DIO{/}

{I}4_{/}Gera\u00e7\u00e3o vai, 
gera\u00e7\u00e3o vem, e a Terra 
permanece sempre a mesma. 
{I}5_{/}O Sol levanta-se, o 
Sol p\u00f5e-se, voltando 
depressa para o lugar de 
onde novamente se 
levantar\u00e1. {I}6_{/}O vento 
sopra para o Sul, depois 
gira para o Norte e, 
girando e girando, vai 
dando as suas voltas. 
{I}7_{/}Todos os rios correm 
para o mar, e o mar nunca 
transborda; embora 
cheguem ao fim do seu 
percurso, os rios 
continuam sempre a 
correr. {I}8_{/}Toda a 
explica\u00e7\u00e3o fica a meio, 
pois o homem n\u00e3o consegue 
termin\u00e1-la. O olho n\u00e3o se 
farta de ver, nem o 
ouvido se farta de ouvir. 
{I}9_{/}O que aconteceu, de 
novo acontecer\u00e1; e o que 
se fez, de novo ser\u00e1 
feito: debaixo do Sol n\u00e3o 
h\u00e1 nenhuma novidade. 
{I}10_{/}\u00c0s vezes, ouvimos 
dizer: \u00abVede, aqui est\u00e1 
uma coisa nova!\u00bb Mas ela 
j\u00e1 existiu em outros 
tempos, muito antes de 
n\u00f3s. {I}11_{/}Ningu\u00e9m se 
lembra dos antigos, e 
aqueles que existem n\u00e3o 
ser\u00e3o lembrados pelos que 
vir\u00e3o depois deles.
II. ONDE EST\u00c1 A 
FELICIDADE?{/}

O CONHECIMENTO N\u00c3O 
RESOLVE{/}

{I}12_{/}Eu, Co\u00e9let, fui 
rei de Israel em 
Jerusal\u00e9m. {I}13_{/}Resolvi 
pesquisar e investigar 
com sabedoria tudo o que 
acontece debaixo do c\u00e9u. 
Esta \u00e9 uma tarefa penosa 
que Deus entregou aos 
homens, para com ela 
ficarem ocupados. 
{I}14_{/}Ent\u00e3o examinei as 
coisas que se fazem 
debaixo do Sol, e cheguei 
\u00e0 conclus\u00e3o de que tudo \u00e9 
fugaz, uma corrida atr\u00e1s 
do vento: {I}15_{/}o que \u00e9 
torto, n\u00e3o se pode 
endireitar; e o que falta 
n\u00e3o se consegue contar.
{I}16_{/}Pensei e disse a mim 
mesmo: \u00abFiquei maior e 
mais s\u00e1bio do que todos 
os que reinaram em 
Jerusal\u00e9m antes de mim, e 
a minha mente adquiriu 
muita sabedoria e 
ci\u00eancia!\u00bb {I}17_{/}Decidi 
ent\u00e3o conhe-cer a 
sabedoria e a ci\u00eancia, 
assim como a tolice e a 
loucura. E compreendi que 
tamb\u00e9m isso \u00e9 correr 
atr\u00e1s do vento, 
{I}18_{/}porque, onde h\u00e1 
muita sabedoria, h\u00e1 
tamb\u00e9m muita tristeza, e 
onde h\u00e1 mais 
conhecimento, h\u00e1 tamb\u00e9m 
mais sofrimento.
{1}2{/}

O SUCESSO RESOLVE?{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o 
pensei:\u00abVamos! Vou fazer-
te experimentar a alegria 
e conhecer o prazer!\u00bb Mas 
conclu\u00ed que tamb\u00e9m isso \u00e9 
fugaz. {I}2_{/}Do riso, eu 
disse: \u00abTolice!\u00bb E da 
alegria: \u00abPara que 
serve?\u00bb
{I}3_{/}Ent\u00e3o decidi 
entregar-me \u00e0 bebida, 
nessa minha busca da 
sabedoria, e entregar-me 
\u00e0 insensatez, para 
descobrir o que conv\u00e9m ao 
homem fazer debaixo do 
c\u00e9u, no curto tempo da 
vida.
{I}4_{/}Realizei grandes 
obras: constru\u00ed pal\u00e1cios 
para mim, plantei vinhas, 
{I}5_{/}fiz jardins e pomares 
com toda a esp\u00e9cie de 
\u00e1rvores, {I}6_{/}e constru\u00ed 
reservat\u00f3rios de \u00e1gua 
para regar as \u00e1rvores do 
pomar. {I}7_{/}Comprei 
escravos e escravas, e 
tive muitos criados 
nascidos na minha casa. 
Possu\u00ed muito gado, vacas 
e ovelhas, mais do que 
todos os que reinaram em 
Jerusal\u00e9m antes de mim. 
{I}8_{/}Acumulei prata e 
ouro, e tesouros de reis 
e prov\u00edncias. Arranjei 
cantores e cantoras e - 
del\u00edcia dos homens - 
princesas em grande 
n\u00famero.
{I}9_{/}Desta forma, fiquei 
maior e mais poderoso do 
que todos os que reinaram 
em Jerusal\u00e9m antes de 
mim, conservando sempre a 
minha sabedoria. {I}10_{/}N\u00e3o 
recusei nada do que os 
meus olhos pediam, e 
nunca privei o meu 
cora\u00e7\u00e3o de nenhum prazer. 
Sabia desfrutar de todo o 
meu trabalho, e em todo o 
meu trabalho foi esta a 
minha por\u00e7\u00e3o.
{I}11_{/}Ent\u00e3o examinei todas 
as obras que havia feito 
e o trabalho que me 
tinham custado. E conclu\u00ed 
que tudo \u00e9 fugaz e uma 
corrida atr\u00e1s do vento, e 
que n\u00e3o h\u00e1 nada de 
permanente debaixo do 
Sol. {I}12_{/}Depois examinei 
a sabedoria, a tolice e a 
insensatez, pensando: 
\u00abQue far\u00e1 o rei que vir\u00e1 
depois de mim?\u00bb Far\u00e1 o 
que j\u00e1 foi feito. 
{I}13_{/}Ent\u00e3o percebi que a 
vantagem da sabedoria 
sobre a insensatez \u00e9 a 
vantagem da luz sobre as 
trevas. {I}14_{/}O s\u00e1bio tem 
os olhos abertos, e o 
insensato caminha na 
escurid\u00e3o. Mas logo notei 
que ambos t\u00eam o mesmo 
destino.
{I}15_{/}Ent\u00e3o pensei: \u00abVou 
ter o mesmo destino que o 
insensato! Para que me 
tornei s\u00e1bio?\u00bb E conclu\u00ed 
que tamb\u00e9m isto \u00e9 fugaz. 
{I}16_{/}De facto, a 
lembran\u00e7a do s\u00e1bio 
desaparece para sempre, 
como a do insensato. Bem 
depressa tudo ficar\u00e1 
esquecido: o s\u00e1bio morre 
da mesma forma que o 
insensato. 
TRABALHAR PARA QUEM N\u00c3O 
TRABALHA?{/}

{I}17_{/}Fiquei com \u00f3dio 
da vida, porque tudo o 
que se faz debaixo do sol 
me desagradou. Tudo \u00e9 
fugaz, uma corrida atr\u00e1s 
do vento. {I}18_{/}Detesto 
todo o trabalho com que 
me afadigo debaixo do 
Sol, porque devo deixar 
tudo para o homem que 
vir\u00e1 depois de mim. 
{I}19_{/}E quem sabe se ser\u00e1 
s\u00e1bio ou insensato? De 
qualquer modo, ele ser\u00e1 
dono de tudo o que eu fiz 
debaixo do Sol com a 
minha fadiga e sabedoria. 
Tamb\u00e9m isto \u00e9 fugaz. 
{I}20_{/}Ent\u00e3o fiquei com o 
cora\u00e7\u00e3o desesperado por 
causa de todo o trabalho 
com que me afadiguei 
debaixo do Sol. {I}21_{/}De 
facto, h\u00e1 quem trabalhe 
com sabedoria, 
conhecimento e sucesso. E 
depois tem que deixar os 
seus bens para outro que 
com nada se afadigou. 
Tamb\u00e9m isto \u00e9 coisa fugaz 
e grande mal.
{I}22_{/}Ent\u00e3o, que proveito 
resta ao homem de todo o 
trabalho e esfor\u00e7o mental 
com que se afadigou 
debaixo do Sol? {I}23_{/}Sim, 
todos os seus dias s\u00e3o 
dolorosos, a sua tarefa \u00e9 
penosa, e nem de noite 
ele pode repousar. Tamb\u00e9m 
isso \u00e9 fugaz!
A FELICIDADE \u00c9 USUFRUIR 
DO FRUTO DO PR\u00d3PRIO 
TRABALHO{/}

{I}24_{/}Vede: a 
felicidade do homem est\u00e1 
em comer e beber, 
desfrutando o produto do 
seu trabalho. Contudo, 
notei que tamb\u00e9m isto vem 
das m\u00e3os de Deus. {I}25_{/}De 
facto, quem pode comer e 
beber, sem que isto lhe 
venha de Deus? {I}26_{/}A 
quem Lhe agrada, Deus 
concede sabedoria, 
conhecimento e alegria. 
Mas ao pecador Deus imp\u00f5e 
a pena de juntar e 
acumular para quem agrada 
a Deus. Mas tamb\u00e9m isto \u00e9 
fugaz e uma corrida atr\u00e1s 
do vento. 
{1}3{/}

SABER DISCERNIR OS 
MOMENTOS{/}

{I}1_{/}Debaixo do c\u00e9u h\u00e1 
momentos para tudo, e 
tempo certo para cada 
coisa: {I}2_{/}Tempo para 
nascer e tempo para 
morrer. Tempo para 
plantar e tempo para 
arrancar as plantas. 
{I}3_{/}Tempo para matar e 
tempo para curar. Tempo 
para destruir e tempo 
para construir. {I}4_{/}Tempo 
para chorar e tempo para 
rir. Tempo para gemer e 
tempo para bailar. 
{I}5_{/}Tempo para atirar 
pedras e tempo para 
apanhar pedras. Tempo 
para abra\u00e7ar e tempo para 
se separar. {I}6_{/}Tempo 
para ganhar e tempo para 
per-der. Tempo para 
guardar e tempo para 
deitar fora. {I}7_{/}Tempo 
para rasgar e tempo para 
coser. Tempo para calar e 
tempo para falar. 
{I}8_{/}Tempo para amar e 
tempo para odiar. Tempo 
para a guerra e tempo 
para a paz.
VIVER O MOMENTO PRESENTE{/}

{I}9_{/}Que tira o homem de 
toda a sua fadiga? 
{I}10_{/}Observei a tarefa 
que Deus entregou aos 
homens, para com ela se 
ocuparem: {I}11_{/}tudo o que 
Ele fez \u00e9 apropriado para 
cada tempo. Tamb\u00e9m 
colocou o senso da 
eternidade no cora\u00e7\u00e3o do 
homem, mas sem que o 
homem possa compreender a 
obra que Deus realiza 
desde o come\u00e7o at\u00e9 ao 
fim. {I}12_{/}Ent\u00e3o 
compreendi que n\u00e3o existe 
para o homem nada melhor 
do que alegrar-se e agir 
bem durante a vida. 
{I}13_{/}E compreendi tamb\u00e9m 
que \u00e9 dom de Deus que o 
homem possa comer e 
beber, desfrutando do 
produto de todo o seu 
trabalho. {I}14_{/}Compreendi 
que tudo o que Deus fez 
dura para sempre. A isso 
nada se pode acrescentar, 
e disso nada se pode 
tirar. Deus fez assim 
para ser temido. {I}15_{/}O 
que existe, j\u00e1 existia; o 
que existir\u00e1, tamb\u00e9m j\u00e1 
existiu. Deus faz voltar 
de novo aquilo que j\u00e1 
passou.
A REALIZA\u00c7\u00c3O NO MEIO DAS 
INCERTEZAS{/}

{I}16_{/}Observei outra 
coisa debaixo do Sol: Em 
lugar do direito, 
encontra-se a injusti\u00e7a; 
e, em lugar do justo, 
encontra-se o injusto. 
{I}17_{/}E conclu\u00ed que o 
justo e o injusto est\u00e3o 
sob o julgamento de Deus, 
porque existe um tempo 
para cada coisa e um 
julgamento para cada 
ac\u00e7\u00e3o. {I}18_{/}Quanto aos 
homens, penso assim: Deus 
p\u00f5e-los \u00e0 prova, para 
mostrar que, em si 
mesmos, s\u00e3o como animais. 
{I}19_{/}De facto, o destino 
do homem e do animal s\u00e3o 
id\u00eanticos: do mesmo modo 
que morrem estes, morrem 
tamb\u00e9m aqueles. Uns e 
outros t\u00eam o mesmo sopro 
vital, sem que o homem 
tenha vantagem nenhuma 
sobre o animal, porque 
tudo \u00e9 fugaz. {I}20_{/}Uns e 
outros v\u00e3o para o mesmo 
lugar: v\u00eam do p\u00f3, e 
voltam para o p\u00f3. 
{I}21_{/}Quem pode saber se o 
sopro vital do homem sobe 
para o alto, e o do 
animal desce para debaixo 
da terra? {I}22_{/}Percebo 
que n\u00e3o h\u00e1 nada melhor 
para o homem do que 
alegrar-se com as suas 
obras, porque esta \u00e9 a 
por\u00e7\u00e3o que lhe cabe. De 
facto, ningu\u00e9m lhe far\u00e1 
ver o que acontecer\u00e1 
depois dele. 
{1}4{/}

A OPRESS\u00c3O NEGA A VIDA{/}

{I}1_{/}Examinei tamb\u00e9m 
todas as opress\u00f5es que se 
cometem debaixo do Sol. 
H\u00e1 o choro dos oprimidos, 
e n\u00e3o h\u00e1 quem os console; 
ningu\u00e9m os apoia contra a 
viol\u00eancia dos seus 
opressores. {I}2_{/}Ent\u00e3o 
proclamei os mortos, os 
que j\u00e1 morreram, mais 
felizes do que os vivos, 
os que ainda vivem. 
{I}3_{/}Mais feliz que ambos 
\u00e9 quem n\u00e3o nasceu ainda, 
pois n\u00e3o v\u00ea todo o mal 
que se pratica debaixo do 
Sol.
A COMPETI\u00c7\u00c3O \u00c9 DESUMANA{/}

{I}4_{/}Vi tamb\u00e9m que 
todo o trabalho e todo o 
empenho que o homem p\u00f5e 
nas suas obras \u00e9 fruto de 
competi\u00e7\u00e3o rec\u00edproca. 
Isto tamb\u00e9m \u00e9 fugaz e uma 
corrida atr\u00e1s do vento. 
{I}5_{/}O insensato cruza os 
bra\u00e7os e consome-se. 
{I}6_{/}Mais vale uma s\u00f3 m\u00e3o 
cheia com lazer, do que 
as duas m\u00e3os cheias com 
fadiga, correndo atr\u00e1s do 
vento.
A UNI\u00c3O FAZ A FOR\u00c7A{/}

{I}7_{/}Vi ainda outra 
coisa vazia debaixo do 
Sol: {I}8_{/}um homem 
sozinho, que n\u00e3o tem 
ningu\u00e9m, nem filhos, nem 
irm\u00e3os. Apesar disso, n\u00e3o 
deixa de se afadigar, nem 
de se fartar com 
riquezas. Para quem se 
afadiga ele e se priva da 
felicidade? Isto tamb\u00e9m \u00e9 
fugaz e trabalho in\u00fatil. 
{I}9_{/}Mais vale estar a 
dois do que estar 
sozinho, porque dois 
tirar\u00e3o maior proveito do 
seu trabalho. {I}10_{/}De 
facto, se um cai, poder\u00e1 
ser levantado pelo 
companheiro. Azar, por\u00e9m, 
de quem est\u00e1 sozinho: se 
cair, n\u00e3o ter\u00e1 ningu\u00e9m 
para o levantar. {I}11_{/}Se 
dois se deitam juntos, um 
poder\u00e1 aquecer o outro; 
mas como poder\u00e1 algu\u00e9m 
aquecer-se sozinho? 
{I}12_{/}Se um deles for 
agredido, os dois poder\u00e3o 
resistir, e uma corda 
tripla n\u00e3o rebenta 
facilmente.
O VAIV\u00c9M DA POL\u00cdTICA{/}

{I}13_{/}Mais vale um 
jovem pobre e s\u00e1bio do 
que um rei velho e 
insensato, que j\u00e1 n\u00e3o 
aceita conselho, 
{I}14_{/}mesmo que o jovem 
tenha sa\u00eddo da pris\u00e3o 
para reinar, e ainda que 
tenha nascido mendigo no 
reino. {I}15_{/}Eu vi todos 
os que se movem debaixo 
do Sol ficarem com o 
jovem que sucedeu ao 
velho rei, {I}16_{/}e que 
passou a chefiar imensa 
multid\u00e3o. Contudo, 
aqueles que vierem depois 
n\u00e3o ficar\u00e3o contentes com 
ele. Tamb\u00e9m isto \u00e9 fugaz 
e uma corrida atr\u00e1s do 
vento.
COM DEUS N\u00c3O SE BRINCA{/}

{I}17_{/}Quando fores ao 
Templo, est\u00e1 bem atento a 
ti mesmo: \u00e9 melhor ter 
\u00e2nimo disposto para 
obedecer, do que oferecer 
sacrif\u00edcios com os 
insensatos, que n\u00e3o 
percebem o mal que est\u00e3o 
a fazer.
{1}5{/}

{I}1_{/}Quando falares com 
Deus, n\u00e3o sejas 
precipitado, e o teu 
cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se apresse a 
falar, porque Deus est\u00e1 
no C\u00e9u, e tu est\u00e1s na 
Terra. Por isso, fala 
pouco. {I}2_{/}De facto, o 
sonho vem das muitas 
ocupa\u00e7\u00f5es, e do muito 
falar nasce a voz do 
insensato. {I}3_{/}Por isso, 
quando fizeres uma 
promessa a Deus, n\u00e3o 
tardes em cumpri-la, 
porque Ele n\u00e3o \u00e9 ben\u00e9volo 
com os insensatos. Cumpre 
o que prometeste. {I}4_{/}\u00c9 
melhor n\u00e3o fazer uma 
promessa, do que faz\u00ea-la 
e n\u00e3o cumpri-la. {I}5_{/}N\u00e3o 
deixes que a tua boca te 
leve ao pecado, nem digas 
ao representante de Deus 
que foi sem pensar. Deus 
ficaria irritado contra o 
que prometeste, e 
arruinaria o trabalho das 
tuas m\u00e3os. {I}6_{/}Quando se 
multiplicam sonhos e 
coisas passageiras, ali 
se multiplicam as 
palavras. Quanto a ti, 
teme a Deus.
A PIR\u00c2MIDE DA INJUSTI\u00c7A{/}

{I}7_{/}Se v\u00eas num Estado 
a opress\u00e3o do pobre, o 
direito e a justi\u00e7a 
violados, n\u00e3o te espantes 
com isso, pois quem est\u00e1 
no alto tem sempre outro 
mais alto que o vigia. E, 
sobre os dois, h\u00e1 outros 
mais altos ainda. {I}8_{/}O 
interesse do pa\u00eds deve 
ser considerado no 
conjunto, e at\u00e9 o rei 
depende da agricultura.
A ACUMULA\u00c7\u00c3O TRAZ 
DESGRA\u00c7A{/}

{I}9_{/}Quem gosta de 
dinheiro, nunca se sacia 
de dinheiro. Quem \u00e9 
apegado \u00e0s riquezas, 
nunca se farta com o 
rendimento. Isto tamb\u00e9m \u00e9 
fugaz. {I}10_{/}Quando as 
riquezas aumentam, 
crescem tamb\u00e9m aqueles 
que as devoram. Que 
vantagem tem o 
propriet\u00e1rio, al\u00e9m de 
saber que \u00e9 rico? 
{I}11_{/}Coma muito ou coma 
pouco, o sono do 
trabalhador \u00e9 agrad\u00e1vel, 
enquanto a fartura do 
rico n\u00e3o o deixa dormir. 
{I}12_{/}H\u00e1 outro mal 
doloroso que vejo debaixo 
do Sol: riquezas que o 
propriet\u00e1rio acumula para 
a sua pr\u00f3pria desgra\u00e7a. 
{I}13_{/}Num mau neg\u00f3cio, ele 
perde o patrim\u00f3nio, e o 
seu filho fica de m\u00e3os 
vazias. {I}14_{/}Nu saiu do 
ventre de sua m\u00e3e, e 
assim voltar\u00e1; e das suas 
fadigas n\u00e3o ganhar\u00e1 nada 
para levar consigo. 
{I}15_{/}Tamb\u00e9m isto \u00e9 um mal 
doloroso. Ele vai-se 
embora da mesma forma que 
veio. Que proveito tirou 
em se ter afadigado por 
nada? {I}16_{/}Ele consumiu 
os seus dias em trevas, 
entre afli\u00e7\u00f5es, 
abatimentos e irrita\u00e7\u00f5es.
A ETERNIDADE \u00c9 
INTENSIDADE DE VIDA{/}

{I}17_{/}Conclu\u00ed que a 
felicidade para o homem \u00e9 
comer e beber, usufruindo 
de toda a fadiga que ele 
realiza debaixo do Sol, 
durante os dias de vida 
que Deus lhe concede. 
Essa \u00e9 a sua por\u00e7\u00e3o. 
{I}18_{/}Todo o homem que 
recebe de Deus riquezas e 
bens para que possa 
sustentar-se, ter a sua 
por\u00e7\u00e3o e desfrutar do seu 
trabalho, considere isto 
um dom de Deus. 
{I}19_{/}Deste modo, o homem 
n\u00e3o se preo-cupa 
demasiado com a sua vida 
fugaz, porque Deus o 
mant\u00e9m ocupado na alegria 
do cora\u00e7\u00e3o. 
{1}6{/}

PIOR QUE UM ABORTO{/}

{I}1_{/}Existe outro mal 
que observei debaixo do 
Sol, e \u00e9 grave para o 
homem: {I}2_{/}A um, Deus 
concede riquezas, 
recursos e honras, e nada 
lhe falta de tudo o que 
poderia desejar. Deus, 
por\u00e9m, n\u00e3o lhe permite 
desfrutar essas coisas, 
porque um estrangeiro \u00e9 
que vai desfrut\u00e1-las. 
Isto \u00e9 coisa fugaz e 
sofrimento cruel. 
{I}3_{/}Mesmo que tivesse 
tido cem filhos e vivido 
muitos anos, se n\u00e3o 
encontrou satisfa\u00e7\u00e3o nos 
bens que possu\u00eda e nem 
sequer teve um t\u00famulo, 
garanto que um aborto \u00e9 
mais feliz do que ele. 
{I}4_{/}De facto, o aborto 
veio inutilmente e foi-se 
para as trevas, e as 
trevas sepultaram o seu 
nome. {I}5_{/}N\u00e3o viu o Sol 
nem o conheceu, mas a sua 
sorte \u00e9 sempre melhor do 
que a do outro. {I}6_{/}E 
mesmo que o outro pudesse 
viver dois mil anos, mas 
sem poder usufruir dos 
bens, n\u00e3o iria para o 
mesmo lugar que o aborto?
{I}7_{/}Todo o trabalho do 
homem \u00e9 para comer e, no 
entanto, o seu apetite 
nunca fica satisfeito. 
{I}8_{/}Que vantagem tem o 
s\u00e1bio a mais que o 
insensato? Que vantagem 
tem o pobre em saber 
comportar-se bem na 
sociedade? {I}9_{/}\u00c9 melhor 
ver com os pr\u00f3prios olhos 
do que agitar-se em 
desejos. Isto tamb\u00e9m \u00e9 
fugaz e uma corrida atr\u00e1s 
do vento. 
CONCLUS\u00c3O: O HOMEM 
PERANTE O MIST\u00c9RIO{/}

{I}10_{/}O que existe, j\u00e1 
recebeu um nome h\u00e1 muito 
tempo, e sabemos o que \u00e9 
um homem: n\u00e3o pode lutar 
com quem \u00e9 mais forte do 
que ele. {I}11_{/}Muitas 
palavras aumentam a 
desilus\u00e3o. E que vantagem 
tira o homem disso? 
{I}12_{/}Quem sabe o que 
conv\u00e9m ao homem durante a 
vida, nos breves dias da 
sua vida passageira, na 
qual ele passa como 
sombra? Quem poder\u00e1 dizer 
ao homem o que vai 
acontecer depois dele 
debaixo do Sol?
III. EM BUSCA DE 
EQUIL\u00cdBRIO{/}

{1}7{/}

DISCERNIR E RESISTIR{/}

{I}1_{/}Mais vale a 
honradez do que um bom 
perfume, e o dia da morte 
\u00e9 melhor que o dia do 
nascimento. {I}2_{/}\u00c9 melhor 
ir a uma casa onde h\u00e1 
luto do que ir a uma casa 
onde se faz festa, pois 
aquele \u00e9 o fim de todo o 
homem e faz, desse modo, 
reflectir os vivos. {I}3_{/}\u00c9 
melhor a tristeza do que 
o riso, porque, debaixo 
de um rosto triste, o 
cora\u00e7\u00e3o pode estar 
alegre. {I}4_{/}O pensamento 
do s\u00e1bio est\u00e1 na casa 
onde h\u00e1 luto, mas o 
pensamento do insensato 
est\u00e1 na casa onde se faz 
festa. {I}5_{/}\u00c9 melhor ouvir 
a repreens\u00e3o do s\u00e1bio do 
que o elogio dos 
insensatos, {I}6_{/}porque 
assim como crepita o fogo 
debaixo da caldeira, tal 
\u00e9 o riso do insensato. 
Isto tamb\u00e9m \u00e9 fugaz, 
{I}7_{/}porque a extors\u00e3o 
torna insensato o s\u00e1bio, 
e o suborno corrompe-lhe 
o discernimento.
O FUTURO PERTENCE A DEUS{/}

{I}8_{/}Mais vale o fim 
de uma coisa do que o seu 
come\u00e7o, e a paci\u00eancia \u00e9 
melhor do que a 
pretens\u00e3o. {I}9_{/}N\u00e3o te 
irrites facilmente, 
porque a irrita\u00e7\u00e3o 
abriga-se no peito dos 
insensatos. {I}10_{/}N\u00e3o 
digas: \u00abPorque \u00e9 que os 
tempos passados eram 
melhores que os de hoje?\u00bb 
N\u00e3o \u00e9 a sabedoria que te 
faz levantar essa 
quest\u00e3o. {I}11_{/}A sabedoria 
\u00e9 boa como uma heran\u00e7a, e 
\u00fatil para aqueles que 
v\u00eaem o Sol, {I}12_{/}pois 
vive-se \u00e0 sombra da 
sabedoria como se vive \u00e0 
sombra do dinheiro. Mas a 
sabedoria \u00e9 mais 
vantajosa, porque faz 
viver quem a possui.
{I}13_{/}Procura compreender 
a obra de Deus, porque 
ningu\u00e9m endireita o que 
Ele encurvou. {I}14_{/}S\u00ea 
alegre no dia feliz, e no 
dia da desgra\u00e7a procura 
reflectir, porque um e 
outro foram feitos por 
Deus, para que o homem 
nunca possa descobrir 
nada do seu pr\u00f3prio 
futuro.
S\u00d3 DEUS \u00c9 \u00cdNTEGRO E 
JUSTO{/}

{I}15_{/}J\u00e1 vi de tudo 
nos dias da minha 
exist\u00eancia fugaz. Vi o 
justo perecer apesar da 
sua justi\u00e7a, e o injusto 
viver longamente apesar 
da sua injusti\u00e7a. 
{I}16_{/}N\u00e3o sejas 
demasiadamente justo, nem 
te tornes s\u00e1bio de mais. 
Para qu\u00ea arruinares-te? 
{I}17_{/}N\u00e3o sejas 
demasiadamente injusto, 
nem te tornes insensato. 
Para qu\u00ea irias morrer 
antes do tempo? {I}18_{/}\u00c9 
bom que te apegues a uma 
coisa, sem abandonar a 
outra: o importante \u00e9 que 
temas a Deus, e sair-te-
\u00e1s bem numa e noutra 
coisa.
{I}19_{/}A sabedoria torna o 
s\u00e1bio mais forte do que 
dez chefes numa cidade. 
{I}20_{/}N\u00e3o existe na Terra 
homem t\u00e3o justo que fa\u00e7a 
o bem sem nunca pecar. 
{I}21_{/}Al\u00e9m disso, n\u00e3o d\u00eas 
aten\u00e7\u00e3o a tudo o que se 
diz, e assim n\u00e3o ouvir\u00e1s 
o teu servo falar mal de 
ti. {I}22_{/}De facto, a tua 
pr\u00f3pria consci\u00eancia sabe 
que muitas vezes tamb\u00e9m 
falaste mal dos outros.
{I}23_{/}Examinei tudo isto 
com sabedoria, e pensei: 
\u00abVou tornar-me s\u00e1bio\u00bb. 
Mas a sabedoria estava 
longe de mim. {I}24_{/}A 
realidade est\u00e1 longe e \u00e9 
extremamente profunda. 
Quem poder\u00e1 atingi-la?
DEUS FEZ O HOMEM RECTO{/}

{I}25_{/}Apliquei-me de 
novo a conhecer, a 
raciocinar e a pesquisar 
a sabedoria e a 
interpreta\u00e7\u00e3o das coisas, 
fazendo experi\u00eancia do 
mal, da insensatez, da 
tolice e da lou-cura. 
{I}26_{/}Ent\u00e3o descobri que a 
mulher \u00e9 mais amarga do 
que a morte, porque \u00e9 uma 
armadilha, o seu cora\u00e7\u00e3o 
\u00e9 uma rede e os seus 
bra\u00e7os s\u00e3o cadeias. Quem 
agrada a Deus, conseguir\u00e1 
fugir dela, mas o pecador 
ser\u00e1 apanhado por ela. 
{I}27_{/}Eis o que encontrei, 
diz Co\u00e9let, depois de ter 
comparado uma coisa com 
outra, at\u00e9 chegar a uma 
conclus\u00e3o: {I}28_{/}Pesquisei 
muito, e nada conclu\u00ed. 
Entre mil, consegui 
encontrar um homem, mas 
entre as mulheres n\u00e3o 
encontrei nenhuma. {I}29_{/}E 
cheguei \u00e0 seguinte 
conclus\u00e3o: Deus fez o 
homem recto, mas o homem 
inventa muitas 
complica\u00e7\u00f5es. 
{1}8{/}

SABEDORIA \u00c9 
DISCERNIMENTO{/}

{I}1_{/}Quem \u00e9 como o 
s\u00e1bio? Quem conhece a 
interpreta\u00e7\u00e3o das coisas 
como ele? A sabedoria do 
homem alegra-lhe o rosto 
e abranda-lhe a dureza da 
face.
O LIMITE DA AUTORIDADE{/}

{I}2_{/}Obedece \u00e0s ordens 
do rei e, por causa do 
juramento feito a Deus, 
{I}3_{/}n\u00e3o te apresses em te 
afastar dele, nem 
persistas no mal, porque 
o rei pode fazer o que 
quer. {I}4_{/}De facto, a 
palavra do rei \u00e9 
soberana, e ningu\u00e9m lhe 
pode perguntar: \u00abQue 
fazes tu?\u00bb {I}5_{/}Quem 
obedece \u00e0s ordens, n\u00e3o 
incorre em pena alguma. A 
mente do s\u00e1bio conhece o 
tempo e o julgamento, 
{I}6_{/}porque para cada 
coisa h\u00e1 um tempo e um 
julgamento. Sobre o homem 
pesa um grande mal: 
{I}7_{/}ningu\u00e9m sabe qual 
ser\u00e1 o seu futuro. De 
facto, quem pode saber o 
que vai acontecer?
{I}8_{/}Ningu\u00e9m \u00e9 capaz de 
dominar a sua pr\u00f3pria 
respira\u00e7\u00e3o: o dia da 
morte est\u00e1 fora do nosso 
dom\u00ednio. Da luta na vida 
ningu\u00e9m pode fugir; nem a 
maldade salva aquele que 
a comete.
{I}9_{/}Vi tudo isto, e 
reflecti sobre todas as 
coisas que se fazem 
debaixo do Sol, num tempo 
em que um homem domina 
outro homem para o 
arruinar.
VALE A PENA SER JUSTO?{/}

{I}10_{/}Vi tamb\u00e9m os 
injustos receberem 
sepultura e entrarem no 
repouso, enquanto que os 
frequentadores do lugar 
santo ficavam esquecidos 
na cidade, onde tinham 
feito o bem. Isso tamb\u00e9m 
\u00e9 fugaz.
{I}11_{/}Por n\u00e3o se executar 
imediatamente a senten\u00e7a 
contra quem praticou o 
mal, o cora\u00e7\u00e3o dos homens 
est\u00e1 sempre inclinado a 
praticar o mal. {I}12_{/}O 
pecador sobrevive, mesmo 
que cometa cem vezes o 
mal. Mas eu sei tamb\u00e9m 
que a felicidade \u00e9 para 
os que temem a Deus e se 
enchem de respeito na sua 
presen\u00e7a. {I}13_{/}N\u00e3o haver\u00e1 
nenhuma felicidade para o 
injusto e ele n\u00e3o poder\u00e1 
alongar os dias como a 
sombra, porque n\u00e3o teme a 
Deus.
{I}14_{/}Existe ainda outra 
desilus\u00e3o: justos que s\u00e3o 
tratados como se fossem 
injustos, e injustos que 
s\u00e3o tratados como se 
fossem justos. Penso que 
tamb\u00e9m isto \u00e9 coisa 
fugaz.
{I}15_{/}Por isso eu exalto a 
alegria, porque n\u00e3o 
existe felicidade para o 
homem debaixo do sol, 
al\u00e9m do comer, beber e 
alegrar-se. Esta \u00e9 a 
\u00fanica coisa que lhe serve 
de companhia na fadiga, 
nos dias de vida que Deus 
lhe concede debaixo do 
Sol. 
O LIMITE DA SABEDORIA 
HUMANA{/}

{I}16_{/}Apliquei-me a 
conhecer a sabedoria e a 
considerar a fadiga que 
se realiza sobre a Terra, 
pois o homem n\u00e3o conhece 
repouso, nem de dia, nem 
de noite. {I}17_{/}Observei o 
conjunto da obra de Deus 
e percebi que o homem n\u00e3o 
consegue descobrir tudo o 
que acontece debaixo do 
Sol. Por mais que o homem 
se afadigue em pesquisar, 
n\u00e3o chega a compreend\u00ea-
la. E mesmo que o s\u00e1bio 
diga que a conhece, nem 
por isso \u00e9 capaz de a 
entender.
{1}9{/}

APESAR DE TUDO, VALE A 
PENA VIVER{/}

{I}1_{/}Reflecti sobre 
tudo isto e compreendi 
que os justos, os s\u00e1bios 
e suas ac\u00e7\u00f5es est\u00e3o nas 
m\u00e3os de Deus. O homem n\u00e3o 
conhece nem sequer o amor 
e o \u00f3dio, embora tudo 
isto se desenvolva diante 
dele.
{I}2_{/}Todos t\u00eam o mesmo 
destino, tanto o justo 
como o injusto, o bom e o 
mau, o puro e o impuro, 
quem sacrifica e quem n\u00e3o 
sacrifica. O bom \u00e9 tal 
qual o pecador, e quem 
jura \u00e9 igual a quem evita 
o juramento. {I}3_{/}O mal 
que existe em tudo o que 
se faz debaixo do Sol \u00e9 o 
facto de todos terem o 
mesmo destino. Al\u00e9m 
disso, o cora\u00e7\u00e3o dos 
homens est\u00e1 cheio de 
maldade, e a insensatez 
abriga-se no seu cora\u00e7\u00e3o 
durante todo o tempo que 
vivem. Depois v\u00e3o para a 
habita\u00e7\u00e3o dos mortos.
{I}4_{/}Enquanto algu\u00e9m est\u00e1 
vivo, ainda h\u00e1 esperan\u00e7a, 
porque \u00e9 melhor um c\u00e3o 
vivo do que um le\u00e3o 
morto. {I}5_{/}Os vivos sabem 
que devem morrer, mas os 
mortos n\u00e3o sabem nada, 
nem ter\u00e3o recompensa, 
porque a sua lembran\u00e7a 
cair\u00e1 no esquecimento. 
{I}6_{/}O seu amor, \u00f3dio e 
ci\u00fame desaparecem 
juntamente com eles e 
nunca mais participar\u00e3o 
em nada do que se faz 
debaixo do Sol.
VIVER O PRESENTE E AMAR{/}

{I}7_{/}Portanto, vai, 
come o teu p\u00e3o com 
alegria e bebe o teu 
vinho com satisfa\u00e7\u00e3o, 
porque com isso Deus j\u00e1 
foi bondoso para contigo. 
{I}8_{/}Que as tuas vestes 
sejam sempre brancas, e 
nunca falte perfume na 
tua cabe\u00e7a. {I}9_{/}Goza a 
vida com a esposa que 
amas, durante todos os 
dias da vida fugaz que 
Deus te concede debaixo 
do Sol. Esta \u00e9 a por\u00e7\u00e3o 
que te cabe na vida e no 
trabalho com que te 
afadigas debaixo do Sol. 
{I}10_{/}Tudo o que puderes 
fazer, f\u00e1-lo enquanto 
tens for\u00e7as, porque no 
mundo dos mortos, para 
onde vais, n\u00e3o existe 
ac\u00e7\u00e3o, nem pensamento, 
nem ci\u00eancia, nem 
sabedoria.
{I}11_{/}Observei outra coisa 
debaixo do Sol: N\u00e3o \u00e9 o 
mais veloz que ganha a 
corrida, nem \u00e9 o mais 
forte que vence na 
batalha. O p\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para 
os mais s\u00e1bios, nem as 
riquezas para os mais 
inteligentes, nem o favor 
para os mais cultos, 
porque tudo depende do 
tempo e do acaso. 
{I}12_{/}Al\u00e9m disso, o homem 
n\u00e3o conhece o dia da 
pr\u00f3pria morte: ele \u00e9 como 
os peixes, que s\u00e3o 
apanhados na rede, ou 
como os p\u00e1ssaros que caem 
na armadilha. Da mesma 
forma, o homem \u00e9 
surpreendido pela 
desgra\u00e7a que cai sobre 
ele de improviso.
A SABEDORIA DERROTA AS 
ARMAS{/}

{I}13_{/}Tamb\u00e9m vi 
debaixo do Sol este 
exemplo de sabedoria que 
me pareceu muito 
importante: {I}14_{/}Havia 
uma pequena cidade com 
poucos habitantes. Um 
grande rei foi contra 
ela, cercou-a, e levantou 
contra ela m\u00e1quinas de 
guerra. {I}15_{/}Nela 
encontrou-se um homem, de 
origem pobre, mas s\u00e1bio. 
Com a sua sabedoria ele 
salvou a cidade. Contudo, 
ningu\u00e9m mais se lembrou 
desse homem pobre. 
{I}16_{/}Por isso, concluo 
que a sabedoria vale mais 
do que a for\u00e7a, por\u00e9m a 
sabedoria do pobre \u00e9 
desprezada, e ningu\u00e9m d\u00e1 
ouvidos \u00e0s suas palavras. 
{I}17_{/}As palavras calmas 
de s\u00e1bios s\u00e3o mais 
ouvidas do que os gritos 
de um poderoso, que fala 
no meio dos insensatos. 
{I}18_{/}Mais vale a 
sabedoria do que os 
instrumentos de guerra, 
mas um s\u00f3 erro pode 
anular muita coisa boa.
{1}10{/}

A INFLU\u00caNCIA DO 
INSENSATO{/}

{I}1_{/}Uma mosca morta 
estraga um frasco de 
perfume, e um pouco de 
insensatez pesa mais do 
que a sabedoria e a 
honra. {I}2_{/}O s\u00e1bio 
orienta-se bem, mas o 
insensato perde-se. 
{I}3_{/}Quando o insensato 
anda pelo caminho, falta-
lhe intelig\u00eancia e pensa 
que os outros tamb\u00e9m s\u00e3o 
insensatos.
CALMA E DISCERNIMENTO{/}

{I}4_{/}Se a ira de um 
poderoso se levanta 
contra ti, n\u00e3o saias do 
lugar, porque a calma 
aplaca grandes erros. 
{I}5_{/}Vi outro mal debaixo 
do Sol, um erro cometido 
pelo soberano: {I}6_{/}o 
insensato ocupa os mais 
altos cargos e os homens 
de valor est\u00e3o colocados 
em postos inferiores. 
{I}7_{/}Vi escravos a cavalo, 
e pr\u00edncipes andarem a p\u00e9, 
como se fossem escravos.
SABEDORIA E PRUD\u00caNCIA{/}

{I}8_{/}Quem abre uma 
cova, nela cair\u00e1. Quem 
derruba um muro, uma 
cobra o morder\u00e1. {I}9_{/}Quem 
transporta pedras, com 
elas se magoar\u00e1, e quem 
racha lenha, corre 
perigo. {I}10_{/}Se o machado 
est\u00e1 rombo e n\u00e3o for 
afiado, ser\u00e1 preciso 
muita for\u00e7a; \u00e9 mais 
vantajoso usar a 
sabedoria. {I}11_{/}Se a 
cobra n\u00e3o encantada morde 
o encantador, este n\u00e3o 
ganha nada.
O S\u00c1BIO FALA POUCO{/}

{I}12_{/}As palavras do 
s\u00e1bio favorecem-no, mas 
as palavras do insensato 
provocam a sua pr\u00f3pria 
ru\u00edna. {I}13_{/}Se o in\u00edcio 
das palavras do insensato 
j\u00e1 \u00e9 insensatez, o fim do 
seu discurso ser\u00e1 tolice 
perversa. {I}14_{/}O 
insensato multiplica as 
palavras, embora o homem 
n\u00e3o saiba o que vai 
suceder, porque ningu\u00e9m 
lhe pode dizer o que vai 
acontecer no futuro. 
{I}15_{/}O trabalho do 
insensato causa-lhe 
fadiga, pois nem sabe ir 
\u00e0 cidade.
TENTA\u00c7\u00c3O DOS GOVERNANTES{/}

{I}16_{/}Ai de ti, pa\u00eds 
governado por um jovem, e 
cujos pr\u00edncipes se 
banqueteiam desde o 
amanhecer. {I}17_{/}Feliz de 
ti, pa\u00eds governado por um 
rei nobre, e cujos 
pr\u00edncipes comem \u00e0 hora 
conveniente para se 
refazerem, e n\u00e3o para se 
banquetearem. {I}18_{/}Pela 
pregui\u00e7a das m\u00e3os, o 
tecto desaba; e por causa 
de bra\u00e7os frouxos, chove 
em casa. {I}19_{/}Para se 
divertirem, fazem 
banquetes, e o vinho 
alegra a vida: o dinheiro 
providencia tudo. 
{I}20_{/}N\u00e3o digas mal do 
rei, nem mesmo em 
pensamento, e n\u00e3o digas 
mal do poderoso, nem 
dentro do teu pr\u00f3prio 
quarto: um passarinho 
poder\u00e1 ouvir, e um ser 
alado qualquer poderia 
contar o que disseste.
{1}11{/}

PRUD\u00caNCIA E RISCO{/}

{I}1_{/}Atira o teu p\u00e3o 
para a \u00e1gua, porque dias 
depois o encontrar\u00e1s. 
{I}2_{/}Reparte com sete e 
at\u00e9 mesmo com oito, pois 
n\u00e3o sabes que desgra\u00e7as 
te poder\u00e3o acontecer na 
Terra.
{I}3_{/}Quando as nuvens 
est\u00e3o cheias, derramam 
chuva sobre a Terra. Se 
uma \u00e1rvore cai, seja para 
o Sul, seja para o Norte, 
no lugar onde cair, a\u00ed 
ficar\u00e1. {I}4_{/}Quem fica a 
olhar para o vento, nunca 
semear\u00e1; quem fica a 
olhar para as nuvens, 
jamais colher\u00e1.
{I}5_{/}Assim como ignoras o 
caminho por onde o sopro 
de vida entra nos ossos, 
dentro do ventre da 
mulher gr\u00e1vida, assim 
tamb\u00e9m ignoras a obra de 
Deus, que fez todas as 
coisas.
{I}6_{/}De manh\u00e3, semeia a 
tua semente, e de tarde 
n\u00e3o d\u00eas descanso \u00e0 tua 
m\u00e3o, porque n\u00e3o sabes 
qual das sementes ir\u00e1 
brotar, se esta ou 
aquela, ou se ambas ser\u00e3o 
boas.
VIVER ENQUANTO \u00c9 TEMPO{/}

{I}7_{/}Doce \u00e9 a luz, e 
agrad\u00e1vel para os olhos 
ver o sol. {I}8_{/}Se um 
homem viver muitos anos, 
procure desfrutar de 
todos eles; mas lembre-se 
dos dias sombrios, que 
ser\u00e3o muitos, pois tudo o 
que acontece \u00e9 fugaz.
{I}9_{/}Jovem, alegra-te na 
tua juventude e s\u00ea feliz 
nos dias da mocidade. 
Segue os impulsos do teu 
cora\u00e7\u00e3o e os desejos dos 
olhos. Contudo, sabe que 
Deus te vai pedir contas 
de todas estas coisas. 
{I}10_{/}Expulsa a melancolia 
do teu cora\u00e7\u00e3o e afasta 
do teu corpo a dor, 
porque a juventude e os 
cabelos negros s\u00e3o 
fugazes.
{1}12{/}

{I}1_{/}Lembra-te do teu 
Criador, nos dias da 
mocidade, antes que 
venham os dias tristes e 
cheguem os anos em que 
dir\u00e1s: \u00abJ\u00e1 n\u00e3o sinto 
prazer em nada\u00bb; 
{I}2_{/}antes que se 
escure\u00e7am o Sol e a luz, 
a Lua e as estrelas, e 
antes que voltem as 
nuvens depois da chuva; 
{I}3_{/}no dia em que os 
guardas da casa tremerem 
e os homens fortes se 
curvarem, quando as 
mulheres, uma a uma, 
deixarem de moer, e cair 
a escurid\u00e3o sobre aquelas 
que olham pelas janelas; 
{I}4_{/}quando se fechar a 
porta da rua e diminuir o 
barulho do moinho; quando 
se acordar com o canto 
dos passarinhos, e todas 
as can\u00e7\u00f5es emudecerem; 
{I}5_{/}quando se ficar com 
medo das alturas, e se 
apanhar sustos pelo 
caminho. Quando a 
amendoeira estiver em 
flor, o gafanhoto ficar 
pesado, e o tempero 
perder o sabor: \u00e9 porque 
o homem j\u00e1 est\u00e1 a caminho 
da sua morada eterna, e 
os que choram a sua morte 
j\u00e1 come\u00e7am a percorrer as 
ruas. {I}6_{/}Antes que o fio 
de prata se rompa e a 
ta\u00e7a de ouro se parta, 
antes que a bilha se 
quebre na fonte e a 
roldana rebente no po\u00e7o. 
{I}7_{/}Ent\u00e3o o p\u00f3 volta para 
a terra de onde veio, e o 
sopro vital retorna para 
Deus que o concedeu. 
{I}8_{/}\u00d3 suprema fugacidade, 
diz Co\u00e9let, tudo \u00e9 fugaz.
CONCLUS\u00c3O: TEMER A DEUS{/}

{I}9_{/}Al\u00e9m de s\u00e1bio, 
Co\u00e9let tamb\u00e9m ensinou a 
ci\u00eancia ao povo. Ele 
ponderou, examinou e 
corrigiu muitos 
prov\u00e9rbios. {I}10_{/}Co\u00e9let 
procurou encontrar 
palavras agrad\u00e1veis, e 
escrever com propriedade 
palavras verdadeiras. 
{I}11_{/}As palavras dos 
s\u00e1bios s\u00e3o como ferr\u00f5es, 
e as senten\u00e7as reunidas 
s\u00e3o como estacas 
fincadas. Umas e outras 
prov\u00eam do mesmo pastor. 
{I}12_{/}Al\u00e9m disso, meu 
filho, presta aten\u00e7\u00e3o: 
escrever livros \u00e9 um 
trabalho sem fim, e muito 
estudo cansa o corpo.
{I}13_{/}Fim do discurso. De 
tudo o que se ouviu o 
resumo \u00e9 este: Teme a 
Deus e observa os seus 
mandamentos, porque esse 
\u00e9 o dever de todo o 
homem. {I}14_{/}Deus julgar\u00e1 
toda a obra, at\u00e9 mesmo a 
que estiver escondida, 
quer seja boa, quer seja 
m\u00e1.
