
I.  FIEL  AT\u00c9  NA  
MIS\u00c9RIA{/}

{1}1{/}

RETRATO DE UM HOMEM 
FELIZ{/}

{I}1_{/}Era uma vez um 
homem chamado Job, que 
vivia no pa\u00eds de Hus. Era 
um homem \u00edntegro e recto, 
que temia a Deus e 
evitava o mal. {I}2_{/}Tinha 
sete filhos e tr\u00eas 
filhas. {I}3_{/}Possu\u00eda 
tamb\u00e9m sete mil ovelhas, 
tr\u00eas mil camelos, 
quinhentas juntas de 
bois, quinhentas mulas e 
grande n\u00famero de 
empregados. Job era o 
mais rico dos homens do 
Oriente.
{I}4_{/}Os filhos de Job 
costumavam fazer 
banquetes, um dia na casa 
de cada um, e convidavam 
as tr\u00eas irm\u00e3s para comer 
e beber com eles. 
{I}5_{/}Quando terminavam 
esses dias de festa, Job 
mandava-os chamar, para 
os purificar. Ele 
madrugava e oferecia um 
holocausto por cada um 
deles, pensando: \u00abTalvez 
os meus filhos tenham 
pecado, ofendendo a Deus 
no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb. E Job 
fazia assim todas as 
vezes.
EXISTE UMA RELIGI\u00c3O 
GRATUITA?{/}

{I}6_{/}Certo dia, os 
anjos apresentaram-se a 
Jav\u00e9 e, entre eles, foi 
tamb\u00e9m Sat\u00e3. {I}7_{/}Ent\u00e3o 
Jav\u00e9 perguntou a Sat\u00e3: 
\u00abDe onde vens?\u00bb Sat\u00e3 
respondeu: \u00abFui dar uma 
volta pela Terra\u00bb. 
{I}8_{/}Jav\u00e9 disse-lhe: 
\u00abReparaste no meu servo 
Job? Na Terra n\u00e3o existe 
nenhum outro como ele: \u00e9 
um homem \u00edntegro e recto, 
que teme a Deus e evita o 
mal\u00bb. {I}9_{/}Sat\u00e3 respondeu 
a Jav\u00e9: \u00abE \u00e9 a troco de 
nada que Job teme a Deus? 
{I}10_{/}Tu mesmo puseste um 
muro de protec\u00e7\u00e3o ao 
redor dele, da sua casa e 
de todos os seus bens. 
Aben\u00e7oaste os seus 
trabalhos, e os seus 
rebanhos cobrem toda a 
regi\u00e3o. {I}11_{/}Estende, 
por\u00e9m, a m\u00e3o e mexe no 
que ele possui. Garanto-
Te que ele Te amaldi\u00e7oar\u00e1 
na face!\u00bb {I}12_{/}Ent\u00e3o Jav\u00e9 
disse a Sat\u00e3: \u00abPois bem! 
Faz o que quiseres ao que 
ele possui, mas n\u00e3o 
estendas a m\u00e3o contra 
ele\u00bb. E Sat\u00e3 saiu da 
presen\u00e7a de Jav\u00e9.
A FIDELIDADE DO POBRE{/}

{I}13_{/}Certo dia, os 
filhos e filhas de Job 
comiam e bebiam na casa 
do irm\u00e3o mais velho. 
{I}14_{/}Um mensageiro chegou 
\u00e0 casa de Job e disse-
lhe: \u00abOs bois estavam a 
lavrar e as mulas 
pastavam perto deles. 
{I}15_{/}Os sabeus ca\u00edram 
sobre eles, mataram os 
empregados a fio de 
espada e levaram o 
rebanho. S\u00f3 eu escapei 
para te contar o que 
aconteceu\u00bb.
{I}16_{/}Mal acabara de 
falar, quando chegou 
outro e disse: \u00abCaiu um 
raio do c\u00e9u e queimou e 
consumiu as tuas ovelhas 
e pastores. S\u00f3 eu escapei 
para te contar o que 
aconteceu\u00bb.
{I}17_{/}Mal acabara de 
falar, quando chegou 
outro e disse: \u00abUm bando 
de caldeus, dividido em 
tr\u00eas grupos, caiu sobre 
os camelos e levou-os 
embora, depois de matar 
os empregados a fio de 
espada. S\u00f3 eu escapei 
para te contar o que 
aconteceu\u00bb. 
{I}18_{/}Mal acabara de 
falar, quando chegou 
outro e disse: \u00abOs teus 
filhos e filhas estavam a 
comer e a beber na casa 
do irm\u00e3o mais velho, 
{I}19_{/}quando um furac\u00e3o 
veio do deserto, 
atingindo a casa pelos 
quatro lados, e ela 
desabou sobre os jovens e 
matou-os. S\u00f3 eu escapei 
para te contar o que 
aconteceu\u00bb.
{I}20_{/}Ent\u00e3o Job levantou-
se, rasgou as vestes, 
rapou a cabe\u00e7a, caiu por 
terra, {I}21_{/}e disse: \u00abNu 
sa\u00ed do ventre de minha 
m\u00e3e, e nu para ele 
voltarei. Jav\u00e9 tudo me 
deu e Jav\u00e9 tudo me tirou. 
Bendito seja o nome de 
Jav\u00e9!\u00bb
{I}22_{/}E, apesar de tudo, 
Job n\u00e3o pecou e n\u00e3o 
acusou Deus de ter feito 
alguma coisa injusta.
{1}2{/}

AT\u00c9 ONDE O POBRE \u00c9 FIEL?{/}

{I}1_{/}Certo dia, os 
anjos apresentaram-se a 
Jav\u00e9 e, entre eles, foi 
tamb\u00e9m Sat\u00e3. {I}2_{/}Ent\u00e3o 
Jav\u00e9 perguntou a Sat\u00e3: 
\u00abDe onde vens?\u00bb Sat\u00e3 
respondeu: \u00abFui dar uma 
volta pela Terra\u00bb. 
{I}3_{/}Jav\u00e9 disse-lhe: 
\u00abReparaste no meu servo 
Job? Na Terra n\u00e3o existe 
nenhum outro como ele: \u00e9 
um homem \u00edntegro e recto, 
que teme a Deus e evita o 
mal. Ele continua firme 
na sua integridade. E tu, 
a troco de nada, 
lan\u00e7aste-Me contra ele 
para o aniquilar\u00bb. 
{I}4_{/}Sat\u00e3 respondeu a 
Jav\u00e9: \u00abPele por pele! O 
homem d\u00e1 tudo o que tem 
para manter a vida. 
{I}5_{/}Estende, por\u00e9m, a m\u00e3o 
e atinge-o na carne e nos 
ossos. Garanto-Te que ele 
Te amaldi\u00e7oar\u00e1 na cara!\u00bb 
{I}6_{/}Ent\u00e3o Jav\u00e9 disse a 
Sat\u00e3: \u00abFaz dele o que 
quiseres, mas poupa-lhe a 
vida\u00bb. {I}7_{/}E Sat\u00e3 
saiu da presen\u00e7a de Jav\u00e9.
FIDELIDADE AT\u00c9 AO FIM{/}

Sat\u00e3 feriu Job com 
feridas graves, desde a 
planta do p\u00e9 at\u00e9 \u00e0 
cabe\u00e7a. {I}8_{/}Ent\u00e3o Job 
pegou num caco de telha 
para se co\u00e7ar,sentado no 
meio da cinza. {I}9_{/}A sua 
mulher disse-lhe: \u00abE tu 
ainda continuas na tua 
integridade? Amaldi\u00e7oa a 
Deus e morre de uma vez!\u00bb 
{I}10_{/}Job respondeu: \u00abTu 
est\u00e1s a falar como louca! 
Se aceitamos de Deus os 
bens, n\u00e3o devemos tamb\u00e9m 
aceitar os males?\u00bb
E, apesar de tudo isso, 
Job n\u00e3o ofendeu a Deus 
com palavras.
OS AMIGOS: SOLIDARIEDADE 
OU ACUSA\u00c7\u00c3O?{/}

{I}11_{/}Nesse meio 
tempo, tr\u00eas amigos de Job 
ficaram a saber de todas 
as desgra\u00e7as que o tinham 
atingido. Eram eles: 
Elifaz de Tem\u00e3, Baldad de 
Su\u00e1s e Sofar de Naamat. 
Cada um partiu da sua 
terra e encontraram-se 
para com-partilhar a dor 
de Job e consol\u00e1-lo. 
{I}12_{/}Quando o viram de 
longe, n\u00e3o o 
reconheceram, e come\u00e7aram 
a chorar. Rasgaram as 
vestes e lan\u00e7aram p\u00f3 
sobre a cabe\u00e7a. 
{I}13_{/}Depois sentaram-se 
no ch\u00e3o ao lado dele, 
durante sete dias e sete 
noites. Vendo o enorme 
sofrimento de Job, n\u00e3o 
lhe disseram nenhuma 
palavra.
II. QUEM EST\u00c1 ERRADO?{/}

1.PRIMEIRO DEBATE{/}

DESESPERO DE JOB{/}

{1}3{/}

MELHOR N\u00c3O TER NASCIDO{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Job abriu a 
boca e amaldi\u00e7oou o dia 
do seu nascimento, 
{I}2_{/}dizendo: {I}3_{/}\u00abMorra o 
dia em que nasci e a 
noite em que se disse: 
"Um menino foi 
concebido". {I}4_{/}Que esse 
dia se transforme em 
trevas; que Deus, do 
alto, n\u00e3o cuide dele e 
sobre ele n\u00e3o brilhe a 
luz. {I}5_{/}Que as trevas e 
as sombras o reclamem 
para si, que uma nuvem o 
cubra e um eclipse o 
torne pavoroso. {I}6_{/}Que a 
escurid\u00e3o se apodere 
desse dia, que ele n\u00e3o se 
some aos dias do ano e 
n\u00e3o entre na conta dos 
meses. {I}7_{/}Que essa noite 
fique est\u00e9ril e fechada 
aos gritos de alegria. 
{I}8_{/}Que a maldigam os que 
maldizem o dia, os que 
sabem despertar Leviat\u00e3. 
{I}9_{/}Que as estrelas da 
sua aurora escure\u00e7am, que 
espere a luz que n\u00e3o vem, 
e n\u00e3o veja as p\u00e1lpebras 
da alvorada. {I}10_{/}Pois 
essa noite n\u00e3o fechou as 
portas do ventre para 
mim, e n\u00e3o escondeu da 
minha vista tanta 
mis\u00e9ria.
MELHOR TER SIDO UM 
ABORTO{/}

{I}11_{/}Porque n\u00e3o morri 
ao sair do ventre de 
minha m\u00e3e, ou n\u00e3o pereci 
ao sair das suas 
entranhas? {I}12_{/}Porque \u00e9 
que dois joelhos me 
receberam, e dois peitos 
me amamentaram? 
{I}13_{/}Agora eu repousaria 
tranquilo e dormiria em 
paz, {I}14_{/}juntamente com 
os reis e governantes da 
terra, que constru\u00edram 
t\u00famulos sumptuosos para 
si, {I}15_{/}ou com os nobres 
que possu\u00edram ouro e 
encheram de prata os seus 
mausol\u00e9us. {I}16_{/}Agora eu 
seria um aborto 
enterrado, uma criatura 
que n\u00e3o chegou a ver a 
luz. {I}17_{/}L\u00e1 em baixo 
acaba o tumulto dos 
injustos, e a\u00ed repousam 
os que est\u00e3o esgotados. 
{I}18_{/}Com eles descansam 
os prisioneiros, e j\u00e1 n\u00e3o 
ouvem a voz do capataz. 
{I}19_{/}L\u00e1 em baixo os 
pequenos confundem-se com 
os grandes, e o escravo 
fica liberto do seu 
patr\u00e3o.
MELHOR MORRER DO QUE 
VIVER ASSIM{/}

{I}20_{/}Para qu\u00ea dar luz 
a um infeliz, e vida a 
quem vai viver na 
amargura? {I}21_{/}Para qu\u00ea 
dar luz a quem anseia 
pela morte que n\u00e3o chega, 
e que a procura mais do 
que a um tesouro? 
{I}22_{/}Para qu\u00ea dar luz a 
quem se alegra diante de 
um t\u00famulo e exulta diante 
da sepultura? {I}23_{/}Para 
qu\u00ea dar luz a um homem 
que n\u00e3o encontra caminho, 
porque Deus o cercou de 
todos os lados? {I}24_{/}Os 
solu\u00e7os s\u00e3o o meu 
alimento, e os meus 
gemidos transbordam como 
\u00e1gua. {I}25_{/}O que eu mais 
temia aconteceu-me, e o 
que mais me apavorava 
atingiu-me. {I}26_{/}Vivo sem 
paz, sem tranquilidade e 
sem descanso, em cont\u00ednuo 
sobressalto\u00bb. 
INTERVEN\u00c7\u00c3O DE ELIFAZ{/}

{1}4{/}

DEUS CASTIGA O INOCENTE?{/}

{I}1_{/}Elifaz de Tem\u00e3 
tomou a palavra e disse: 
{I}2_{/}\u00abN\u00e3o sei se tu te 
aguentarias se algu\u00e9m 
falasse contigo. Contudo, 
quem poderia permanecer 
calado? {I}3_{/}V\u00ea! Ins-
tru\u00edste pessoas e 
fortaleceste bra\u00e7os 
enfraquecidos. {I}4_{/}Com as 
tuas palavras, levantaste 
quem vacilava, e 
sustentaste joelhos que 
se dobravam. {I}5_{/}Pois 
bem! Hoje \u00e9 a tua vez. 
N\u00e3o aguentas? Perturbas-
te hoje, quando tudo 
desaba sobre ti? {I}6_{/}O 
temor de Deus n\u00e3o era a 
tua confian\u00e7a, e a tua 
esperan\u00e7a n\u00e3o era um 
comportamento \u00edntegro? 
{I}7_{/}Lembra-te bem: Quando 
\u00e9 que um inocente 
pereceu, e quando \u00e9 que 
os homens rectos foram 
destru\u00eddos? {I}8_{/}Pelo que 
eu sei, os que cultivam 
injusti\u00e7a e semeiam 
mis\u00e9ria, s\u00e3o esses que as 
colhem. {I}9_{/}Deus sopra, e 
eles perecem; o sopro da 
sua ira os consome. 
{I}10_{/}Embora o le\u00e3o ruja e 
o leopardo tamb\u00e9m, os 
dentes das crias s\u00e3o 
quebrados: {I}11_{/}sem a 
presa, o le\u00e3o acaba por 
morrer, e as crias da 
leoa debandam.
QUEM PODE TER RAZ\u00c3O 
DIANTE DE DEUS?{/}

{I}12_{/}Escutei uma 
palavra fugidia, o meu 
ouvido percebeu o seu 
leve sussurro: {I}13_{/}numa 
vis\u00e3o nocturna de 
pesadelo, quando o torpor 
cai sobre os homens, 
{I}14_{/}fui tomado por um 
calafrio de terror, e 
todos os meus ossos 
estremeceram. {I}15_{/}Um 
vento passou pelo meu 
rosto e provocou-me 
arrepios por todo o 
corpo. {I}16_{/}Eu estava de 
p\u00e9, mas n\u00e3o vi quem era. 
Uma figura apareceu 
diante de mim, houve um 
sil\u00eancio, e depois ouvi 
uma voz: {I}17_{/}"Pode o 
homem ter raz\u00e3o diante de 
Deus? Ou pode um mortal 
ser puro diante do seu 
Criador? {I}18_{/}Ele 
desconfia at\u00e9 dos seus 
servos, e mesmo nos seus 
anjos descobre defeitos. 
{I}19_{/}Quanto mais nesses 
que moram em casas de 
barro e que t\u00eam alicerces 
sobre a poeira! Ser\u00e3o 
esmagados mais depressa 
do que a tra\u00e7a, 
{I}20_{/}aniquilados entre o 
amanhecer e a tarde. Eles 
perecem para sempre, pois 
ningu\u00e9m os far\u00e1 voltar. 
{I}21_{/}As cordas da sua 
tenda s\u00e3o arrancadas, e 
eles morrem sem ter 
aprendido a li\u00e7\u00e3o".
{1}5{/}

DE ONDE VEM A DESGRA\u00c7A?{/}

{I}1_{/}Grita, para veres 
se algu\u00e9m te responde. A 
que anjo vais recorrer? 
{I}2_{/}Porque o despeito 
mata o insensato, e a 
inveja causa a morte do 
imbecil. {I}3_{/}Vi um 
insensato lan\u00e7ar ra\u00edzes, 
e num momento a sua casa 
foi amaldi\u00e7oada. {I}4_{/}Os 
seus filhos est\u00e3o longe 
de prosperar, s\u00e3o 
esmagados sem defesa no 
tribunal. {I}5_{/}O faminto 
devorou-lhe as colheitas, 
e o sedento sugou-lhe os 
bens. {I}6_{/}A mis\u00e9ria n\u00e3o 
nasce do p\u00f3, e a fadiga 
n\u00e3o brota da terra. {I}7_{/}E 
o homem gera o seu 
pr\u00f3prio sofrimento, como 
as fa\u00falhas sobem para o 
alto.
RECORRER A DEUS{/}

{I}8_{/}Em teu lugar, eu 
recorreria a Deus, e 
poria a minha causa nas 
suas m\u00e3os. {I}9_{/}Ele faz 
coisas grandiosas e 
incompreens\u00edveis, e 
maravilhas sem conta: 
{I}10_{/}d\u00e1 chuva \u00e0 terra, e 
rega os campos; 
{I}11_{/}levanta os humildes, 
e concede prosperidade 
aos abatidos; 
{I}12_{/}malogra os planos do 
astuto, para que as 
manobras deste fracassem; 
{I}13_{/}apanha os espertos 
na ast\u00facia deles, e 
desmonta as tramas do 
velhaco. {I}14_{/}Em pleno 
dia, todos esses caem nas 
trevas, e ao meio-dia 
tacteiam como se fosse 
noite. {I}15_{/}\u00c9 assim que 
Deus salva da l\u00edngua 
afiada o pobre, e da m\u00e3o 
do poderoso o 
necessitado. {I}16_{/}Deste 
modo, o fraco tem 
esperan\u00e7a, e a injusti\u00e7a 
fecha a boca. {I}17_{/}Feliz 
o homem a quem Deus 
corrige. Portanto, n\u00e3o 
desprezes a li\u00e7\u00e3o do 
Todo-poderoso.
{I}18_{/}\u00c9 Deus quem fere e 
cura a ferida, quem 
golpeia e cura com a sua 
pr\u00f3pria m\u00e3o. {I}19_{/}Ele \u00e9 
quem te liberta de seis 
perigos, e no s\u00e9timo o 
mal n\u00e3o mais te atingir\u00e1. 
{I}20_{/}Em tempo de fome, 
salvar-te-\u00e1 da morte, e 
na guerra proteger-te-\u00e1 
do golpe da espada. 
{I}21_{/}Ficar\u00e1s a salvo do 
flagelo da l\u00edngua, e n\u00e3o 
temer\u00e1s quando a ru\u00edna 
chegar. {I}22_{/}Rir\u00e1s do 
desastre e da fome, e n\u00e3o 
temer\u00e1s os animais 
selvagens. {I}23_{/}Far\u00e1s 
alian\u00e7a com os esp\u00edritos 
do campo, e viver\u00e1s em 
paz com as feras. 
{I}24_{/}Ter\u00e1s prosperidade 
na tua tenda e, visitando 
a tua propriedade, ver\u00e1s 
que nada falta. 
{I}25_{/}Ter\u00e1s descend\u00eancia 
numerosa, e teus filhos 
ser\u00e3o como a erva do 
campo. {I}26_{/}Descer\u00e1s ao 
t\u00famulo em avan\u00e7ada 
velhice, como feixe de 
trigo ceifado no devido 
tempo.
{I}27_{/}V\u00ea bem! Observamos 
tudo isso, e \u00e9 coisa 
certa. Escuta bem, e bom 
proveito fa\u00e7as\u00bb. 
RESPOSTA DE JOB{/}

{1}6{/}

S\u00d3 SABE QUEM SOFRE{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Job 
respondeu: {I}2_{/}\u00abSe se 
pudesse pesar a minha 
afli\u00e7\u00e3o, e colocar na 
balan\u00e7a a minha desgra\u00e7a, 
{I}3_{/}seriam mais pesadas 
que a areia do mar! Por 
isso, as minhas palavras 
s\u00e3o confusas. {I}4_{/}Trago, 
cravadas em mim, as 
flechas do Todo-poderoso, 
e o meu esp\u00edrito bebe o 
veneno delas; os terrores 
de Deus enfileiram-se 
contra mim.
{I}5_{/}Acaso o asno selvagem 
relincha diante do feno? 
Ou muge o boi diante da 
forragem? {I}6_{/}Algu\u00e9m come 
sem sal algo que n\u00e3o tem 
gosto? Que sabor tem a 
clara do ovo? {I}7_{/}O que 
antes me causava nojo ao 
tocar, agora tornou-se a 
minha comida repugnante.
MORRER PARA N\u00c3O SE 
REVOLTAR{/}

{I}8_{/}Oxal\u00e1 se cumpra o 
que eu pedi, e Deus me 
conceda o que espero: 
{I}9_{/}que Ele Se digne 
esmagar-me, e solte a sua 
m\u00e3o para acabar comigo! 
{I}10_{/}Para mim, seria um 
consolo e, mesmo 
torturado sem piedade, eu 
daria saltos de alegria, 
por n\u00e3o ter renegado os 
decretos do Santo! 
{I}11_{/}Que for\u00e7as me restam 
para aguentar? E aonde 
espero chegar, para 
continuar a viver? 
{I}12_{/}Terei eu a firmeza 
da pedra? Porventura sou 
de ferro? {I}13_{/}J\u00e1 n\u00e3o 
encontro apoio em mim 
mesmo, e todos os 
recursos me abandonam.
O DEVER DO AMIGO \u00c9 
SOLIDARIZAR-SE{/}

{I}14_{/}A pessoa 
desesperada tem direito \u00e0 
solidariedade do amigo, 
mesmo que tivesse 
abandonado o temor do 
Todo-poderoso. {I}15_{/}Mas 
os meus irm\u00e3os 
desiludiram-me como rios 
tempor\u00e1rios, como 
ribeiros que desaparecem 
do seu leito: {I}16_{/}no 
tempo do degelo, 
transbordam, e enchem-se 
quando a neve se 
dissolve; {I}17_{/}mas no 
tempo do Ver\u00e3o evaporam-
se e, chegando o calor, 
desaparecem de seus 
leitos. {I}18_{/}Por causa 
deles, as caravanas mudam 
a rota, entram pelo 
deserto e extraviam-se. 
{I}19_{/}As caravanas de Tem\u00e3 
procuram-nos, e os 
mercadores de Sab\u00e1 contam 
com eles. {I}20_{/}Mas a sua 
esperan\u00e7a \u00e9 frustrada e, 
ao chegar a esse lugar, 
ficam desiludidos. 
{I}21_{/}Assim sois v\u00f3s. 
Tornastes-vos um nada 
para mim, pois estais a 
ver algo terr\u00edvel, e 
sentis medo.
EM QUE FOI QUE ERREI?{/}

{I}22_{/}Acaso pedi que 
me d\u00e9sseis alguma coisa? 
Ou que oferec\u00easseis 
suborno do vosso bolso? 
{I}23_{/}Ou que me livr\u00e1sseis 
do meu advers\u00e1rio? Ou que 
me resgat\u00e1sseis do poder 
de algum tirano? 
{I}24_{/}Explicai-mo, e eu 
ficarei em sil\u00eancio. 
Fazei-me ver em que \u00e9 que 
eu errei. {I}25_{/}Como seria 
bom ouvir palavras 
justas! Mas o que \u00e9 que 
provam as vossas provas? 
{I}26_{/}Pretendeis criticar 
as minhas palavras? As 
palavras do desesperado 
dirigem-se ao vento! 
{I}27_{/}V\u00f3s ser\u00edeis capazes 
de sortear um \u00f3rf\u00e3o e de 
vender o vosso pr\u00f3prio 
amigo. {I}28_{/}Pois bem! 
Olhai atentamente para 
mim: juro que n\u00e3o vou 
mentir diante de v\u00f3s. 
{I}29_{/}Voltai atr\u00e1s e n\u00e3o 
sejais injustos. Voltai 
atr\u00e1s, pois a minha 
inoc\u00eancia est\u00e1 em jogo. 
{I}30_{/}Acaso existe 
falsidade nos meus 
l\u00e1bios? Ou a minha boca 
n\u00e3o distingue j\u00e1 a 
desgra\u00e7a?
{1}7{/}

O TEMPO N\u00c3O PASSA...{/}

{I}1_{/}O homem vive na 
Terra cumprindo um 
servi\u00e7o militar, e os 
seus dias s\u00e3o como os do 
assalariado: {I}2_{/}tal e 
qual um escravo, ele 
suspira pela sombra e, 
como o assalariado, 
espera pelo seu sal\u00e1rio. 
{I}3_{/}Assim, a minha 
heran\u00e7a s\u00e3o meses de 
ilus\u00e3o, e couberam-me 
noites de fadiga. {I}4_{/}Ao 
deitar-me, fico pensando: 
"Quando me levantarei?" A 
noite \u00e9 muito longa, e 
canso-me de me voltar na 
cama at\u00e9 \u00e0 aurora. {I}5_{/}A 
minha carne est\u00e1 cheia de 
vermes e feridas, e a 
minha pele rompe-se e 
supura.
E A VIDA \u00c9 UM SOPRO{/}

{I}6_{/}Os meus dias 
correm velozes como a 
lan\u00e7adeira, e consomem-se 
sem qualquer esperan\u00e7a. 
{I}7_{/}Lembra-te! A minha 
vida \u00e9 um sopro, e os 
meus olhos nunca mais 
ver\u00e3o a felicidade. 
{I}8_{/}Os olhos de quem me 
v\u00ea, nunca mais me ver\u00e3o. 
Os teus olhos procurar-
me-\u00e3o, mas eu j\u00e1 n\u00e3o 
existirei. {I}9_{/}Como nuvem 
que passa e se desfaz, 
quem desce ao t\u00famulo, 
nunca mais subir\u00e1; 
{I}10_{/}nunca mais voltar\u00e1 \u00e0 
sua casa, e a sua morada 
nunca mais o rever\u00e1.
{I}11_{/}Por isso, n\u00e3o 
ficarei calado; o meu 
esp\u00edrito angustiado 
falar\u00e1 e a minha alma 
entristecida queixar-se-
\u00e1. {I}12_{/}Porventura sou o 
Mar ou o Drag\u00e3o, para me 
colocares morda\u00e7a? 
{I}13_{/}Quando penso que o 
leito me aliviar\u00e1 e a 
minha cama abrandar\u00e1 os 
meus gemidos, {I}14_{/}ent\u00e3o 
espantas-me com sonhos e 
aterrorizas-me com 
pesadelos. {I}15_{/}Eu 
preferiria morrer 
sufocado. Antes a morte 
do que estas dores! 
{I}16_{/}Eu n\u00e3o vou viver 
para sempre! Deixa-me, 
pois os meus dias s\u00e3o 
apenas um sopro.
N\u00c3O \u00c9 MELHOR PERDOAR?{/}

{I}17_{/}O que \u00e9 o homem, 
para fazeres tanto caso 
dele, para fixares a tua 
aten\u00e7\u00e3o sobre ele, {I}18_{/}a 
ponto de o examinares 
cada manh\u00e3 e o testares a 
cada momento? {I}19_{/}Porque 
n\u00e3o paras de me espiar, 
deixando-me ao menos 
engolir a saliva? 
{I}20_{/}Caso eu tenha 
pecado, o que foi que eu 
Te fiz? Espi\u00e3o da 
humanidade, porque me 
tomaste como alvo, e me 
transformaste em peso 
para Ti? {I}21_{/}Porque n\u00e3o 
perdoas o meu pecado, e 
n\u00e3o afastas de mim a 
minha culpa? Olha! Eu 
logo me deitarei no p\u00f3: 
Tu me procurar\u00e1s 
tacteando, e eu j\u00e1 n\u00e3o 
existirei\u00bb.
INTERVEN\u00c7\u00c3O DE BALDAD{/}

{1}8{/}

DEUS \u00c9 JUSTO{/}

{I}1_{/}Baldad de Su\u00e1s 
tomou a palavra e disse: 
{I}2_{/}\u00abAt\u00e9 quando vais 
falar dessa maneira? As 
tuas palavras s\u00e3o como um 
furac\u00e3o. {I}3_{/}Pode Deus 
torcer o direito? Pode o 
Todo-poderoso perverter a 
justi\u00e7a? {I}4_{/}Se os teus 
filhos pecaram contra 
Deus, Ele j\u00e1 os entregou 
ao poder dos pr\u00f3prios 
crimes. {I}5_{/}Mas, se 
procurares a Deus, se 
suplicares ao Todo-
poderoso, {I}6_{/}e te 
conservares puro e recto, 
Ele cuidar\u00e1 de ti e te 
restaurar\u00e1 na tua 
leg\u00edtima prosperidade. 
{I}7_{/}A tua situa\u00e7\u00e3o 
anterior parecer\u00e1 coisa 
pequena em compara\u00e7\u00e3o com 
a grandeza do teu futuro.
OS INJUSTOS S\u00c3O 
CASTIGADOS{/}

{I}8_{/}Consulta as 
gera\u00e7\u00f5es passadas e 
observa a experi\u00eancia dos 
nossos antepassados. 
{I}9_{/}N\u00f3s nascemos ontem e 
n\u00e3o sabemos nada. Os 
nossos dias s\u00e3o como 
sombra que passa. {I}10_{/}Os 
nossos antepassados, no 
entanto, v\u00e3o instruir-te 
e falar-te com palavras 
tiradas da sua 
experi\u00eancia. 
{I}11_{/}Porventura brota o 
papiro fora do p\u00e2ntano? 
Ou pode o junco crescer 
sem \u00e1gua? {I}12_{/}Ainda 
verde para ser colhido, 
ele seca antes de todas 
as ervas. {I}13_{/}Tal \u00e9 o 
destino de quem se 
esquece de Deus, e assim 
desaparece a esperan\u00e7a do 
injusto. {I}14_{/}A confian\u00e7a 
do injusto \u00e9 um fio 
fr\u00e1gil, e a sua seguran\u00e7a 
\u00e9 uma teia de aranha: 
{I}15_{/}se algu\u00e9m nela se 
apoia, ela n\u00e3o aguenta; 
se algu\u00e9m a ela se 
agarra, ela n\u00e3o o 
sustenta. {I}16_{/}Cheia de 
seiva ao sol, a \u00e1rvore 
estende os ramos por todo 
o jardim, {I}17_{/}lan\u00e7a 
ra\u00edzes entre as pedras e 
vive no meio das rochas, 
{I}18_{/}mas se for arrancada 
do seu lugar, este 
renega-a, dizendo: "Nunca 
te vi". {I}19_{/}Assim 
termina a sua alegre 
hist\u00f3ria, e outras 
plantas brotam do mesmo 
ch\u00e3o.
{I}20_{/}Nota bem: Deus n\u00e3o 
rejeita o homem \u00edntegro, 
nem faz alian\u00e7a com 
malfeitores. {I}21_{/}Ele 
encher\u00e1 de novo a tua 
boca de sorrisos e os 
seus l\u00e1bios com gritos de 
alegria. {I}22_{/}Os teus 
inimigos ficar\u00e3o cobertos 
de vergonha, e a tenda 
dos injustos 
desaparecer\u00e1\u00bb.
RESPOSTA DE JOB{/}

{1}9{/}

QUEM PODE DISPUTAR COM 
DEUS?{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Job 
respondeu: {I}2_{/}\u00abEu sei 
muito bem que \u00e9 assim. 
Como pode um homem ter 
raz\u00e3o diante de Deus? 
{I}3_{/}Se algu\u00e9m quisesse 
disputar com Deus, n\u00e3o 
Lhe responderia sequer 
uma s\u00f3 vez entre mil. 
{I}4_{/}Qual o s\u00e1bio ou forte 
que se Lhe op\u00f4s, e saiu 
ileso? {I}5_{/}Ele desloca as 
montanhas sem que elas 
percebam e, na sua ira, 
arranca-as do lugar. 
{I}6_{/}Ele abala os 
alicerces da terra, e as 
suas colunas estremecem. 
{I}7_{/}Ordena ao Sol que se 
n\u00e3o levante e esconde as 
estrelas. {I}8_{/}Ele sozinho 
estende o c\u00e9u, e caminha 
sobre as ondas do mar. 
{I}9_{/}Criou a Ursa e o 
Orion, as Pl\u00eaiades e as 
constela\u00e7\u00f5es do Sul. 
{I}10_{/}Faz prod\u00edgios 
insond\u00e1veis e maravilhas 
sem conta.
{I}11_{/}Passa junto a mim, e 
n\u00e3o O vejo. Ro\u00e7a em mim, 
e nem O sinto. {I}12_{/}Se 
apanha uma presa, quem 
Lha tirar\u00e1? Quem poder\u00e1 
dizer-Lhe: "Que fazes?" 
{I}13_{/}Deus n\u00e3o reprime a 
sua pr\u00f3pria ira, e 
debaixo d'Ele se curvam 
as legi\u00f5es de Raab.
DEUS \u00c9 ARBITR\u00c1RIO?{/}

{I}14_{/}Muito menos Lhe 
poderei responder, ou 
escolher argumentos 
contra Ele. {I}15_{/}Mesmo 
que eu tivesse raz\u00e3o, n\u00e3o 
receberia resposta, e 
teria que implorar 
miseric\u00f3rdia ao meu juiz. 
{I}16_{/}Mesmo que eu O 
chamasse e Ele me 
respondesse, n\u00e3o creio 
que me desse aten\u00e7\u00e3o. 
{I}17_{/}Pelo contr\u00e1rio: 
esmagar-me-ia no furac\u00e3o, 
e sem motivo 
multiplicaria as minhas 
feridas; {I}18_{/}nem sequer 
me deixaria tomar f\u00f4lego, 
e encher-me-ia de 
amargura.
{I}19_{/}Recorrer \u00e0 for\u00e7a? 
Ele \u00e9 o mais forte! 
Recorrer ao tribunal? 
Quem O convocar\u00e1? 
{I}20_{/}Mesmo que eu fosse 
inocente, a sua boca 
condenar-me-ia; mesmo que 
eu fosse inocente, Ele 
declarar-me-ia culpado. 
{I}21_{/}Ser\u00e1 que sou 
inocente? J\u00e1 nem sei! 
Desprezo a vida. 
{I}22_{/}Garanto-vos que \u00e9 
tudo a mesma coisa: Ele 
extermina tanto o 
inocente como o injusto. 
{I}23_{/}Se uma cat\u00e1strofe 
semeia morte repentina, 
Ele zomba da desgra\u00e7a do 
inocente. {I}24_{/}Ele 
entrega o pa\u00eds na m\u00e3o do 
injusto e fecha os olhos 
dos seus ju\u00edzes: se n\u00e3o 
for Ele, quem \u00e9 que o 
faz?
SE HOUVESSE UM \u00c1RBITRO 
ENTRE DEUS E O HOMEM!{/}

{I}25_{/}Os meus dias 
correm mais depressa que 
um atleta, e fogem sem 
ter provado a felicidade; 
{I}26_{/}deslizam como barcas 
de papiro, como \u00e1guia que 
cai em cima da presa. 
{I}27_{/}Se penso: "Vou 
esquecer o meu sofrimento 
e ficar de rosto alegre", 
{I}28_{/}fico com medo de 
toda a esp\u00e9cie de 
desgra\u00e7a, pois eu sei que 
Ele n\u00e3o me absolver\u00e1. 
{I}29_{/}E se sou culpado, 
para qu\u00ea cansar-me \u00e0 toa? 
{I}30_{/}Ainda que eu me 
esfregasse com sab\u00e3o, e 
lavasse as minhas m\u00e3os 
com soda, {I}31_{/}Tu me 
atirarias \u00e0 lama, e as 
minhas vestes teriam nojo 
de mim. {I}32_{/}\u00c9 que Deus 
n\u00e3o \u00e9 um homem como eu, 
para que eu possa dizer-
Lhe: "Vamos comparecer 
juntos no tribunal". 
{I}33_{/}Se houvesse entre 
n\u00f3s um \u00e1rbitro, que 
pusesse as m\u00e3os sobre n\u00f3s 
dois! {I}34_{/}Ele afastaria 
de mim a vara de Deus, 
para que eu n\u00e3o 
enlouquecesse com o seu 
terror. {I}35_{/}Ent\u00e3o eu 
poderia falar sem medo; 
de contr\u00e1rio, n\u00e3o sou 
dono de mim mesmo.
{1}10{/}

COMO ENTENDER ISTO?{/}

{I}1_{/}Estou cansado da 
minha vida! Vou entregar-
me \u00e0s queixas, falando 
com toda a amargura do 
meu cora\u00e7\u00e3o. {I}2_{/}Vou 
pedir a Deus: "N\u00e3o me 
condenes! Diz-me o que 
tens contra mim". 
{I}3_{/}Ser\u00e1 que Te divertes 
em me oprimir, 
desprezando a obra das 
tuas m\u00e3os para favorecer 
os projectos dos 
injustos? {I}4_{/}Acaso tens 
olhos de carne, e v\u00eas 
apenas como o homem? 
{I}5_{/}Porventura os teus 
dias s\u00e3o como os dias de 
um mortal, e os teus anos 
como os anos de um ser 
humano, {I}6_{/}para sondares 
a minha culpa e 
investigares o meu 
pecado, {I}7_{/}mesmo sabendo 
que n\u00e3o sou culpado, e 
que ningu\u00e9m me pode 
livrar da tua m\u00e3o?
SER\u00c1 QUE DEUS \u00c9 S\u00c1DICO?{/}

{I}8_{/}As tuas m\u00e3os 
formaram e modelaram todo 
o meu ser. E agora 
voltas-Te contra mim, 
para me aniquilar? 
{I}9_{/}Lembra-Te de que me 
fizeste do barro. Queres 
agora fazer-me voltar ao 
p\u00f3? {I}10_{/}N\u00e3o me 
derramaste como leite e 
me coalhaste como queijo? 
{I}11_{/}Revestiste-me de 
pele e carne, e teceste-
me de ossos e nervos. 
{I}12_{/}Concedeste-me vida e 
favor, e a tua 
provid\u00eancia conservou a 
minha respira\u00e7\u00e3o. 
{I}13_{/}Contudo, alguma 
coisa Tu guardavas 
escondida. Agora sei que 
tinhas esta inten\u00e7\u00e3o: 
{I}14_{/}Se eu pecasse, Tu me 
surpreenderias em 
flagrante, e n\u00e3o 
deixarias a minha culpa 
sem castigo. {I}15_{/}Se 
fosse culpado, ai de mim! 
Se fosse inocente, n\u00e3o 
poderia levantar a 
cabe\u00e7a, pois estou cheio 
de vergonha e embriagado 
de mis\u00e9ria. {I}16_{/}Se 
levanto a cabe\u00e7a, Tu 
ca\u00e7as-me, altivo como 
le\u00e3o, e multiplicas as 
tuas proezas contra mim. 
{I}17_{/}Repetes os teus 
assaltos contra mim, 
contra mim redobras a tua 
ira, contra mim lan\u00e7as 
tropas descansadas.
DEIXA-ME, E EU VIVEREI UM 
POUCO{/}

{I}18_{/}Porque me 
tiraste do ventre 
materno? Eu poderia ter 
morrido, e ningu\u00e9m me 
teria visto. {I}19_{/}Eu 
seria como algu\u00e9m que 
nunca existiu, levado do 
ventre para o t\u00famulo. 
{I}20_{/}Como s\u00e3o poucos os 
dias da minha vida! 
Deixa-me, para que eu 
possa respirar um pouco, 
{I}21_{/}antes que me v\u00e1 para 
nunca mais voltar, para o 
pa\u00eds das trevas e das 
sombras da morte, 
{I}22_{/}para o pa\u00eds onde a 
aurora \u00e9 noite escura, 
onde a sombra da morte 
cobre a confus\u00e3o, e onde 
a claridade \u00e9 escurid\u00e3o\u00bb.
INTERVEN\u00c7\u00c3O DE SOFAR{/}

{1}11{/}

DEUS CONHECE AS PESSOAS 
FALSAS{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Sofar de 
Naamat tomou a palavra e 
disse: {I}2_{/}\u00abSer\u00e1 que esse 
palavreado vai ficar sem 
resposta? O charlat\u00e3o 
acabar\u00e1 por ter raz\u00e3o? 
{I}3_{/}O teu palavreado vai 
calar os outros? Vais 
zombar, sem que ningu\u00e9m 
te repreenda? {I}4_{/}Tu 
disseste: "O meu 
comportamento \u00e9 limpo. 
Sou puro diante dos teus 
olhos". {I}5_{/}Ah, se Deus 
quisesse falar, e abrir a 
boca contra ti! {I}6_{/}Se te 
ensinasse os segredos da 
sabedoria, que s\u00e3o t\u00e3o 
dif\u00edceis de entender, 
ent\u00e3o saberias que Deus 
perdoa parte da tua 
culpa.
{I}7_{/}Acaso pretendes 
sondar o \u00edntimo de Deus, 
ou penetrar na perfei\u00e7\u00e3o 
do Todo-poderoso? {I}8_{/}Ela 
\u00e9 mais alta do que o c\u00e9u. 
O que podes tu fazer? Ela 
\u00e9 mais profunda que o 
abismo. O que podes tu 
saber? {I}9_{/}Ela \u00e9 maior 
que a Terra e maior que o 
mar. {I}10_{/}Se Ele vier 
para te prender e levar a 
tribunal, quem O poder\u00e1 
impedir? {I}11_{/}Ele conhece 
as pessoas falsas, e sem 
fazer esfor\u00e7o descobre o 
crime. {I}12_{/}\u00c9 mais f\u00e1cil 
um asno selvagem ser 
domesticado, do que um 
idiota criar ju\u00edzo.
O REM\u00c9DIO \u00c9 CONVERTER-SE{/}

{I}13_{/}Se dirigires o 
teu cora\u00e7\u00e3o para Deus, e 
para Ele estenderes as 
m\u00e3os; {I}14_{/}se te 
afastares da maldade, e 
n\u00e3o hospedares a 
injusti\u00e7a na tua tenda, 
{I}15_{/}ent\u00e3o poder\u00e1s 
levantar o rosto sem 
mancha, e n\u00e3o ter\u00e1s medo 
nas dificuldades. 
{I}16_{/}Esquecer\u00e1s as tuas 
desgra\u00e7as, ou lembrar-te-
\u00e1s delas como \u00e1guas 
passadas. {I}17_{/}A tua vida 
brilhar\u00e1 como o sol do 
meio-dia e a escurid\u00e3o 
ser\u00e1 para ti como a 
aurora. {I}18_{/}Ter\u00e1s 
tranquilidade na 
esperan\u00e7a e, olhando ao 
redor, deitar-te-\u00e1s 
tranquilo. {I}19_{/}Dormir\u00e1s 
sem sobressaltos, e 
muitos procurar\u00e3o os teus 
favores. {I}20_{/}Quanto aos 
injustos, os seus olhos 
ficar\u00e3o cegos, e n\u00e3o 
encontrar\u00e3o escapat\u00f3ria. 
A sua esperan\u00e7a ser\u00e1 o 
\u00faltimo suspiro\u00bb.
RESPOSTA DE JOB{/}

{1}12{/}

DEUS DESORIENTA OS 
S\u00c1BIOS{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Job 
respondeu: 
{I}2_{/}\u00abComo sois 
importantes! A sabedoria 
vai morrer convosco! 
{I}3_{/}Todavia, eu tamb\u00e9m 
tenho intelig\u00eancia, e n\u00e3o 
sou inferior a v\u00f3s. Quem 
\u00e9 que n\u00e3o sabe tudo isso? 
{I}4_{/}Eu tornei-me motivo 
de zombaria para os meus 
amigos, eu que gritava a 
Deus para ter uma 
resposta. Zombam de mim, 
que sou inocente e 
\u00edntegro. {I}5_{/}Os que est\u00e3o 
satisfeitos dizem: 
"Desprezo para o infeliz, 
empurr\u00e3o para quem est\u00e1 a 
escorregar". {I}6_{/}No 
entanto h\u00e1 paz na tenda 
dos ladr\u00f5es e aqueles que 
desafiam a Deus vivem 
tranquilos, pensando que 
O t\u00eam na palma da m\u00e3o.
{I}7_{/}Pergunta aos animais, 
que eles te instruir\u00e3o. 
Pergunta \u00e0s aves do c\u00e9u, 
que elas te informar\u00e3o. 
{I}8_{/}Pergunta aos r\u00e9pteis 
da terra, que eles te 
dar\u00e3o li\u00e7\u00f5es. Os peixes 
do mar dir-te-\u00e3o tudo 
isso. {I}9_{/}Entre todos 
esses seres, quem n\u00e3o 
sabe que foi a m\u00e3o de 
Jav\u00e9 que fez tudo isso? 
{I}10_{/}Nas suas m\u00e3os est\u00e1 a 
vida de todos os viventes 
e a respira\u00e7\u00e3o de todo o 
ser humano. {I}11_{/}N\u00e3o \u00e9 o 
ouvido que distingue as 
palavras, e o paladar que 
saboreia os alimentos? 
{I}12_{/}Acaso os anci\u00e3os n\u00e3o 
est\u00e3o destinados a ter 
sabedoria, e os velhos a 
ter prud\u00eancia?
{I}13_{/}Em Deus est\u00e3o a 
sabedoria e a for\u00e7a, a 
Ele pertencem a 
perspic\u00e1cia e a 
intelig\u00eancia. {I}14_{/}O que 
Ele destr\u00f3i, ningu\u00e9m o 
reconstr\u00f3i; se Ele 
aprisiona, ningu\u00e9m Lhe 
escapa. {I}15_{/}Se ret\u00e9m a 
chuva, tudo seca; se a 
manda, a terra inunda-se. 
{I}16_{/}Ele possui a for\u00e7a e 
a efic\u00e1cia, e d'Ele 
dependem tanto o enganado 
como o enganador. 
{I}17_{/}Torna est\u00fapidos os 
intelectuais, e 
enlouquece os ju\u00edzes. 
{I}18_{/}Despoja os reis das 
suas ins\u00edgnias, e amarra-
os pela cintura com uma 
corda. {I}19_{/}Faz andar 
descal\u00e7os os sacerdotes e 
transtorna os poderosos. 
{I}20_{/}Tira a palavra aos 
oradores, e priva de 
sensatez os anci\u00e3os. 
{I}21_{/}Espalha desprezo 
sobre os aristocratas, e 
afrouxa o cintur\u00e3o dos 
militares. {I}22_{/}Arranca 
das trevas os segredos, e 
traz \u00e0 luz as coisas 
obscuras. {I}23_{/}Engrandece 
as na\u00e7\u00f5es, e depois 
arru\u00edna-as; desenvolve as 
na\u00e7\u00f5es, e abandona-as. 
{I}24_{/}Torna loucos os 
Chefes de Estado, e 
extravia-os numa confus\u00e3o 
sem sa\u00edda. {I}25_{/}Eles 
caminham \u00e0s apalpadelas 
numa escurid\u00e3o l\u00fagubre, 
cambaleando como b\u00eabados.
{1}13{/}

CALAI-VOS! VOU PROTESTAR 
CONTRA DEUS{/}

{I}1_{/}Eu vi tudo isto 
com os meus pr\u00f3prios 
olhos, ouvi-o com os meus 
pr\u00f3prios ouvidos e 
compreendi: {I}2_{/}o que v\u00f3s 
sabeis, tamb\u00e9m eu o sei. 
N\u00e3o sou inferior a v\u00f3s. 
{I}3_{/}Contudo, eu quero 
acusar o Todo-poderoso, 
desejo discutir com Deus. 
{I}4_{/}V\u00f3s sois apenas 
manipuladores de 
mentiras, sois todos uns 
aut\u00eanticos charlat\u00e3es. 
{I}5_{/}Quem me dera 
fic\u00e1sseis calados! Seria 
o melhor acto de 
sabedoria! {I}6_{/}Ouvi agora 
a minha defesa, prestai 
aten\u00e7\u00e3o aos meus 
argumentos. {I}7_{/}Ou ser\u00e1 
que pretendeis defender 
Deus com mentiras e 
injusti\u00e7as? {I}8_{/}Quereis 
tomar o partido de Deus e 
tornar-vos seus 
advogados? {I}9_{/}E se Ele 
vos examinasse? Ser\u00e1 que 
O enganar\u00edeis como se 
engana um homem? {I}10_{/}Se 
secretamente fordes 
parciais, Ele reprovar-
vos-\u00e1 com severidade. 
{I}11_{/}A sua majestade n\u00e3o 
vos atemoriza? O seu 
terror n\u00e3o cai sobre v\u00f3s? 
{I}12_{/}As li\u00e7\u00f5es que 
aprendestes s\u00e3o como a 
cinza, e as vossas 
defesas s\u00e3o como o barro.
{I}13_{/}Calai-vos, que agora 
sou eu que vou falar. 
Agora eu vou falar, 
aconte\u00e7a o que acontecer. 
{I}14_{/}Vou arriscar tudo, 
vou arriscar a minha 
pr\u00f3pria vida. {I}15_{/}Mesmo 
que Ele me queira matar, 
n\u00e3o me importo; diante 
d'Ele vou defender o meu 
comportamento. {I}16_{/}Para 
mim isso j\u00e1 seria uma 
vit\u00f3ria, porque nenhum 
hip\u00f3crita pode 
apresentar-se diante 
d'Ele.
EU SEI QUE SOU INOCENTE{/}

{I}17_{/}Escutai bem as 
minhas palavras, prestai 
aten\u00e7\u00e3o ao que vou 
declarar: {I}18_{/}Eu 
preparei a minha defesa, 
e sei que sou inocente. 
{I}19_{/}Algu\u00e9m quer discutir 
comigo? Calar-me agora, 
seria morrer. {I}20_{/}\u00d3 
Deus, assegura-me apenas 
duas coisas e n\u00e3o me 
esconderei da tua 
presen\u00e7a: {I}21_{/}afasta de 
mim a tua m\u00e3o e n\u00e3o me 
amedrontes com o teu 
terror. {I}22_{/}Depois podes 
acusar-me e eu Te 
responderei. Ou ent\u00e3o 
falarei eu primeiro, e Tu 
responder-me-\u00e1s depois. 
{I}23_{/}Quantas s\u00e3o as 
minhas culpas e os meus 
pecados? Mostra-me as 
minhas transgress\u00f5es e os 
meus pecados. {I}24_{/}Porque 
escondes o teu rosto, e 
me tratas como teu 
inimigo? {I}25_{/}Porque 
assustas uma folha que o 
vento leva, e persegues 
uma palha seca? 
{I}26_{/}Porque rediges 
contra mim senten\u00e7as 
amargas e me obrigas a 
assumir os erros da minha 
juventude? {I}27_{/}Porque 
colocas os meus p\u00e9s no 
cepo, vigias todos os 
meus passos e examinas 
todas as minhas pegadas?
A CONDI\u00c7\u00c3O HUMANA \u00c9 
FR\u00c1GIL{/}

{I}28_{/}Como odre e como 
veste ro\u00edda pela tra\u00e7a, 
se desgasta 
{1}14{/}

{I}1_{/}o homem nascido de 
mulher: tem vida curta e 
cheia de inquieta\u00e7\u00e3o. 
{I}2_{/}Ele abre-se como 
flor, e logo murcha; foge 
como a sombra, sem parar. 
{I}3_{/}E \u00e9 num tal ser que 
fixas os teus olhos e o 
chamas ao teu tribunal? 
{I}4_{/}Mas quem pode tirar o 
puro do impuro? Ningu\u00e9m. 
{I}5_{/}Se os dias do homem 
j\u00e1 est\u00e3o contados e Tu 
sabes o n\u00famero dos seus 
meses; se lhe fixaste um 
limite intranspon\u00edvel, 
{I}6_{/}afasta dele o teu 
olhar e deixa-o em paz, 
de modo que ele possa 
usufruir do seu sal\u00e1rio 
como um empregado.
{I}7_{/}Uma \u00e1rvore tem 
esperan\u00e7a: mesmo que a 
cortem, volta a rebentar 
e os seus ramos continuam 
a crescer. {I}8_{/}Mesmo que 
as suas ra\u00edzes envelhe\u00e7am 
na terra e o seu tronco 
esteja amortecido no 
solo, {I}9_{/}ao cheiro da 
\u00e1gua ela rebenta e produz 
folhagem como uma planta 
nova. {I}10_{/}O homem, 
por\u00e9m, morre e fica 
inerte. Para onde vai o 
homem quando expira? 
{I}11_{/}As \u00e1guas do mar 
podem acabar, os rios 
podem baixar e secar, 
{I}12_{/}mas o homem que jaz, 
n\u00e3o se levantar\u00e1. O c\u00e9u 
passar\u00e1, e o homem n\u00e3o 
vai despertar, nem 
acordar do seu sono.
DEUS SENTE SAUDADE DO 
HOMEM?{/}

{I}13_{/}Oxal\u00e1 me 
guardasses escondido no 
t\u00famulo, at\u00e9 a tua ira 
passar e marcares um 
prazo para Te lembrares 
de mim! {I}14_{/}Acaso 
voltar\u00e1 a viver um homem 
que j\u00e1 tenha morrido? Eu 
esperaria todos os dias 
do meu servi\u00e7o, at\u00e9 que 
chegasse a hora da 
mudan\u00e7a de turno; 
{I}15_{/}com saudade da obra 
das tuas m\u00e3os, Tu me 
chamarias e eu 
responderia. {I}16_{/}Ent\u00e3o 
deixarias de controlar os 
meus passos e n\u00e3o 
vigiarias os meus 
pecados. {I}17_{/}Fecharias 
num saco os meus erros e 
apagarias as minhas 
culpas.
{I}18_{/}A montanha inclina-
se e cai, a rocha move-se 
do seu lugar, {I}19_{/}a \u00e1gua 
corre e desgasta as 
pedras, a enxurrada 
arrasta as terras, e Tu 
destr\u00f3is a esperan\u00e7a do 
homem! {I}20_{/}Tu o abates e 
ele desaparece para 
sempre. Desfiguras-lhe o 
rosto e o expulsas. 
{I}21_{/}Ele n\u00e3o sabe se os 
seus filhos ser\u00e3o 
felizes; desconhece se os 
seus filhos se v\u00e3o 
arruinar. {I}22_{/}Ele s\u00f3 
sente o tormento da 
pr\u00f3pria carne, sente o 
sofrimento da sua pr\u00f3pria 
alma\u00bb.
2.SEGUNDO DEBATE{/}

INTERVEN\u00c7\u00c3O DE ELIFAZ{/}

{1}15{/}

TU EST\u00c1S A DESTRUIR A 
RELIGI\u00c3O!{/}

{I}1_{/}Elifaz de Tem\u00e3 
tomou a palavra e disse: 
{I}2_{/}\u00abAcaso um s\u00e1bio 
responde com doutrinas 
falsas, ou se incha com o 
vento Leste, 
{I}3_{/}argumentando com 
raz\u00f5es inconsistentes ou 
palavras sem sentido? 
{I}4_{/}Tu est\u00e1s a destruir a 
religi\u00e3o e a eliminar a 
ora\u00e7\u00e3o!{I}5_{/}As tuas culpas 
inspiram as tuas 
palavras, e usas a 
linguagem dos astutos. 
{I}6_{/}\u00c9 a tua pr\u00f3pria boca 
que te condena e n\u00e3o eu; 
as tuas palavras \u00e9 que 
testemunham contra ti.
{I}7_{/}Foste, porventura, o 
primeiro homem a nascer? 
Ser\u00e1 que vieste ao mundo 
antes das colinas? 
{I}8_{/}Acaso foste admitido 
no conselho secreto de 
Deus e te apropriaste da 
sabedoria? {I}9_{/}O que \u00e9 
que tu sabes e n\u00f3s n\u00e3o 
sabemos? O que \u00e9 que tu 
entendes e n\u00f3s n\u00e3o 
entendemos? {I}10_{/}Entre 
n\u00f3s h\u00e1 anci\u00e3os de cabelos 
brancos, e alguns de n\u00f3s 
s\u00e3o mais velhos que o teu 
pai. {I}11_{/}N\u00e3o estar\u00e1s a 
fazer pouco caso das 
consola\u00e7\u00f5es divinas e das 
palavras equilibradas que 
te dirigimos? {I}12_{/}Para 
onde te arrasta o teu 
cora\u00e7\u00e3o e como cintilam 
os teus olhos {I}13_{/}quando 
te encolerizas contra 
Deus e a tua boca solta 
tais protestos! {I}14_{/}Como 
pode o homem ser puro, 
como pode ser inocente 
quem nasceu de mulher? 
{I}15_{/}Deus n\u00e3o confia nem 
mesmo nos seus anjos, nem 
o c\u00e9u \u00e9 puro aos seus 
olhos. {I}16_{/}Quanto menos 
o homem detest\u00e1vel e 
corrompido, que bebe a 
injusti\u00e7a como \u00e1gua!
O INJUSTO ACABA SEMPRE 
MAL{/}

{I}17_{/}Ou-ve-me, que 
vou instruir-te. Vou 
contar-te aquilo que vi, 
{I}18_{/}aquilo que os s\u00e1bios 
transmitiram sem nada 
ocultar, conforme o 
receberam dos seus 
antepassados, {I}19_{/}a quem 
foi dado o pa\u00eds, sem que 
nenhum estrangeiro se 
instalasse no meio deles.
{I}20_{/}O injusto vive em 
cont\u00ednuo tormento, e 
poucos s\u00e3o os anos 
reservados ao tirano. 
{I}21_{/}Gritos de terror 
ressoam nos seus ouvidos 
e, quando est\u00e1 em paz, \u00e9 
assaltado pelo 
destruidor. {I}22_{/}N\u00e3o tem 
esperan\u00e7a de voltar das 
trevas, porque est\u00e1 
destinado ao fio da 
espada; {I}23_{/}\u00e9 deitado, 
como pasto, aos abutres, 
e sabe que a sua ru\u00edna \u00e9 
iminente. O dia tenebroso 
{I}24_{/}apavora-o, a 
ang\u00fastia e a inquieta\u00e7\u00e3o 
assaltam-no, como um rei 
pronto para o ataque. 
{I}25_{/}Porque ele estendeu 
a m\u00e3o contra Deus e 
desafiou o Todo-poderoso. 
{I}26_{/}Investiu contra Ele 
de cabe\u00e7a baixa, 
protegido por um escudo 
blindado, {I}27_{/}com o 
rosto untado de gordura e 
os m\u00fasculos dos rins bem 
ungidos. {I}28_{/}Ele 
habitar\u00e1 cidades 
abandonadas, casas 
desabitadas que amea\u00e7am 
ruir. {I}29_{/}N\u00e3o 
enriquecer\u00e1, e a sua 
fortuna n\u00e3o vai durar, 
nem poder\u00e1 levar os seus 
bens para o t\u00famulo, 
{I}30_{/}nem escapar\u00e1 \u00e0s 
trevas. A chama queimar\u00e1 
os seus ramos e o vento 
arrancar\u00e1 as suas flores.
{I}31_{/}Que ele n\u00e3o confie 
na ilus\u00e3o que engana, 
porque a ilus\u00e3o ser\u00e1 a 
sua recompensa. {I}32_{/}As 
suas folhas murchar\u00e3o 
antes do tempo e os seus 
ramos nunca mais ficar\u00e3o 
verdes. {I}33_{/}Ser\u00e1 como 
videira que \u00e9 despojada 
das suas uvas ainda 
verdes, como a oliveira 
deixar\u00e1 cair a sua flor. 
{I}34_{/}A descend\u00eancia dos 
injustos \u00e9 est\u00e9ril, e o 
fogo devorar\u00e1 a tenda do 
homem enganador. 
{I}35_{/}Quem concebe a 
maldade, d\u00e1 \u00e0 luz a 
desgra\u00e7a, e gera no 
ventre a desilus\u00e3o\u00bb.
RESPOSTA DE JOB{/}

{1}16{/}

FALAR \u00c9 F\u00c1CIL{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Job 
respondeu: {I}2_{/}\u00abJ\u00e1 ouvi 
mil discursos 
semelhantes. V\u00f3s sois 
consoladores importunos! 
{I}3_{/}V\u00f3s dizeis-me: "Ser\u00e1 
que n\u00e3o h\u00e1 limite para 
discursos vazios? O que \u00e9 
que te leva a responder 
assim?" {I}4_{/}Eu tamb\u00e9m 
poderia falar como v\u00f3s, 
se estiv\u00e9sseis no meu 
lugar. Eu afogar-vos-ia 
com palavras, meneando a 
cabe\u00e7a contra v\u00f3s. 
{I}5_{/}Confortar-vos-ia com 
a minha boca, ou os meus 
l\u00e1bios exprimiriam a 
minha compaix\u00e3o? {I}6_{/}Mas 
ainda que fale, a minha 
dor n\u00e3o desaparece; ainda 
que me cale, ela n\u00e3o se 
afasta de mim.
DEUS LEVANTA-SE CONTRA 
MIM{/}

{I}7_{/}Agora, por\u00e9m, 
Deus esgotou-me e 
destruiu toda a minha 
fam\u00edlia. {I}8_{/}Ele levanta-
Se como testemunha contra 
mim e o meu caluniador 
acusa-me directamente. 
{I}9_{/}A sua ira ataca-me e 
dilacera-me, range os 
dentes contra mim. Os 
meus inimigos cravam em 
mim os seus olhos hostis. 
{I}10_{/}Abrem a boca para me 
devorar e esbofeteiam-me 
para me ultrajar, todos 
em massa se revoltam 
contra mim. {I}11_{/}Deus 
entregou-me como presa 
aos perversos, e deixou-
me \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos 
malvados. {I}12_{/}Eu vivia 
tranquilo, e Ele esmagou-
me. Agarrou-me pela nuca 
e triturou-me, fazendo de 
mim o seu alvo. 
{I}13_{/}Cercou-me com os 
seus archeiros, 
atravessou-me os rins sem 
piedade, e espalhou sobre 
a terra o meu fel. 
{I}14_{/}Abriu mil brechas na 
minha carne e como 
guerreiro me assaltou.
TENHO UMA TESTEMUNHA DE 
DEFESA{/}

{I}15_{/}Costurei um pano 
de saco, a fim de cobrir 
a minha pele, e mergulhei 
o meu rosto no p\u00f3. {I}16_{/}A 
minha face est\u00e1 vermelha 
de tanto chorar, e a 
sombra rodeia as minhas 
p\u00e1lpebras, {I}17_{/}embora 
n\u00e3o haja viol\u00eancia nas 
minhas m\u00e3os, e a minha 
ora\u00e7\u00e3o seja sincera.
{I}18_{/}\u00d3 terra, n\u00e3o cubras 
o meu sangue, nem o meu 
clamor seja abafado. 
{I}19_{/}Desde agora tenho 
uma testemunha no c\u00e9u, e 
o meu defensor est\u00e1 l\u00e1 em 
cima. {I}20_{/}Ele 
interpretar\u00e1 as minhas 
queixas diante de Deus, 
enquanto diante de Deus 
os meus olhos derramam 
l\u00e1grimas. {I}21_{/}Que ele 
julgue entre o homem e 
Deus, como se costuma 
fazer entre as pessoas, 
{I}22_{/}porque o n\u00famero 
limitado dos meus anos 
passar\u00e1, e farei a viagem 
que n\u00e3o tem retorno.
{1}17{/}

ONDE EST\u00c1 A MINHA 
ESPERAN\u00c7A?{/}

{I}1_{/}A minha 
respira\u00e7\u00e3o perturba-se, 
os meus dias apagam-se, e 
o sepulcro espera-me. 
{I}2_{/}Estou cercado de 
zombarias e farto de 
provoca\u00e7\u00f5es. {I}3_{/}S\u00ea Tu o 
meu fiador diante de Ti 
mesmo, pois nenhum outro 
se empenharia em ser meu 
fiador. {I}4_{/}Tu fechaste-
lhes a mente para o 
racioc\u00ednio e por isso n\u00e3o 
poder\u00e3o triunfar. {I}5_{/}S\u00e3o 
como algu\u00e9m que convida 
os amigos para um 
banquete, enquanto os 
seus pr\u00f3prios filhos 
morrem de fome.
{I}6_{/}Eu tornei-me motivo 
de esc\u00e1rnio no meio dos 
povos, e os homens 
cospem-me no rosto. 
{I}7_{/}Os meus olhos s\u00e3o 
consumidos pela tristeza, 
e os meus membros 
definham como a sombra. 
{I}8_{/}Ao ver isto os justos 
espantam-se, e o inocente 
indigna-se contra o 
injusto. {I}9_{/}Mas o justo 
persiste no seu caminho, 
e quem tem m\u00e3os puras 
redobra a coragem. 
{I}10_{/}Voltai todos e 
vinde, pois entre v\u00f3s n\u00e3o 
encontrarei nenhum s\u00e1bio. 
{I}11_{/}Os meus dias passam, 
e fracassam os meus 
projectos e os desejos do 
meu cora\u00e7\u00e3o. 
{I}12_{/}Transformam a noite 
em dia, e dizem que a luz 
est\u00e1 perto, quando j\u00e1 se 
aproximam as trevas. 
{I}13_{/}N\u00e3o espero mais 
nada. O t\u00famulo ser\u00e1 a 
minha casa, e nas trevas 
farei a minha cama. 
{I}14_{/}Eu digo ao t\u00famulo: 
"Tu \u00e9s meu pai". E digo 
aos vermes: "V\u00f3s sois a 
minha m\u00e3e e a minha 
irm\u00e3". {I}15_{/}Onde est\u00e1 a 
minha esperan\u00e7a? Algu\u00e9m 
viu por a\u00ed a minha 
esperan\u00e7a? {I}16_{/}Ela 
descer\u00e1 comigo ao t\u00famulo, 
quando juntos nos 
afundarmos no p\u00f3\u00bb.
INTERVEN\u00c7\u00c3O DE BALDAD{/}

{1}18{/}

O DESTINO DO INJUSTO{/}

{I}1_{/}Baldad de Su\u00e1s 
tomou a palavra e disse: 
{I}2_{/}\u00abQuando \u00e9 que acabas 
com esse palavreado? 
Pensa bem, e depois 
conversaremos. {I}3_{/}Porque 
\u00e9 que nos consideras como 
animais e pensas que 
somos idiotas? 
{I}4_{/}Dilaceras-te com a 
tua pr\u00f3pria raiva. Ser\u00e1 
que a Terra vai ficar 
desabitada por tua causa? 
Ou ser\u00e1 que as rochas v\u00e3o 
mudar de lugar?
{I}5_{/}A luz do injusto 
apagar-se-\u00e1, e o fogo do 
seu lar n\u00e3o brilhar\u00e1 
mais. {I}6_{/}A luz da sua 
tenda escurecer-se-\u00e1, e a 
l\u00e2mpada que est\u00e1 sobre 
ele apagar-se-\u00e1. {I}7_{/}Os 
seus passos vigorosos 
ficar\u00e3o curtos, e os seus 
pr\u00f3prios projectos 
derrub\u00e1-lo-\u00e3o. {I}8_{/}Com os 
seus pr\u00f3prios p\u00e9s cai 
numa rede e caminha sobre 
uma armadilha. {I}9_{/}Um 
la\u00e7o o prende pelo 
calcanhar, e o segura 
firme. {I}10_{/}A corda est\u00e1 
escondida no ch\u00e3o, e a 
armadilha no seu caminho. 
{I}11_{/}Os terrores rodeiam-
no e amedrontam-no, 
perseguindo-o a cada 
passo. {I}12_{/}A sua 
prosperidade transformar-
se-\u00e1 em carestia, e a 
desgra\u00e7a estar\u00e1 de p\u00e9 a 
seu lado. {I}13_{/}A doen\u00e7a 
devora a sua pele, e a 
peste r\u00f3i os seus 
membros. {I}14_{/}Ser\u00e1 
arrancado da sua tenda na 
qual confiava e ser\u00e1 
arrastado \u00e0 presen\u00e7a do 
rei dos terrores. 
{I}15_{/}Outros habitar\u00e3o na 
tenda que j\u00e1 n\u00e3o lhe 
pertence, e cair\u00e1 enxofre 
sobre a sua moradia. 
{I}16_{/}Em baixo, as suas 
ra\u00edzes secar\u00e3o e, no 
alto, os seus ramos ser\u00e3o 
cortados. {I}17_{/}A sua 
lembran\u00e7a desaparecer\u00e1 da 
Terra, e o seu nome ser\u00e1 
esquecido na vizinhan\u00e7a. 
{I}18_{/}Ser\u00e1 expulso da luz 
para as trevas, e exilado 
para fora do mundo. 
{I}19_{/}N\u00e3o ter\u00e1 fam\u00edlia nem 
filhos entre o seu povo, 
e n\u00e3o deixar\u00e1 
sobreviventes no seu 
territ\u00f3rio. {I}20_{/}O 
Ocidente espantar-se-\u00e1 
com o destino dele, e o 
Oriente ficar\u00e1 
horrorizado. {I}21_{/}Este \u00e9 
o destino do injusto, a 
situa\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o 
reconhece a Deus\u00bb.
RESPOSTA DE JOB{/}

{1}19{/}

A SOLIDARIEDADE PRODUZ 
COMPREENS\u00c3O{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Job 
respondeu: {I}2_{/}\u00abAt\u00e9 
quando continuareis a 
afligir-me e a magoar-me 
com as vossas palavras? 
{I}3_{/}J\u00e1 dez vezes me 
insultastes, e n\u00e3o vos 
envergonhais de zombar de 
mim. {I}4_{/}Se eu tivesse 
errado, o erro seria 
problema meu. {I}5_{/}Quereis 
cantar vit\u00f3ria, lan\u00e7ando-
me na cara a minha 
vergonha? {I}6_{/}Ficai 
sabendo que foi Deus quem 
violou o meu direito e me 
envolveu em suas redes.
{I}7_{/}Eu grito: 
"Viol\u00eancia!" E ningu\u00e9m me 
responde. Pe\u00e7o socorro, e 
n\u00e3o me fazem justi\u00e7a. 
{I}8_{/}Deus cercou o meu 
caminho, e n\u00e3o tenho 
sa\u00edda; Ele encheu de 
trevas a minha estrada. 
{I}9_{/}Despojou-me da minha 
honra, e tirou-me a coroa 
da cabe\u00e7a. {I}10_{/}Destruiu 
tudo ao meu redor, e 
tenho de me ir embora; 
arrancou a \u00e1rvore da 
minha esperan\u00e7a. {I}11_{/}A 
sua ira inflama-se contra 
mim, e Ele trata-me como 
a um seu inimigo. {I}12_{/}Os 
seus esquadr\u00f5es chegam em 
massa, abrem caminho at\u00e9 
mim, e fazem um cerco ao 
redor da minha tenda.
{I}13_{/}Os meus irm\u00e3os 
abandonam-me, e os meus 
parentes tratam-me como a 
um estranho. {I}14_{/}Os 
vizinhos e conhecidos 
desapareceram, e os meus 
familiares esqueceram-me. 
{I}15_{/}As minhas empregadas 
tratam-me como a um 
estranho, como se eu 
fosse um desconhecido. 
{I}16_{/}Chamo o meu 
empregado, e ele n\u00e3o me 
responde, mesmo que eu 
lhe implore. {I}17_{/}A minha 
mulher tem nojo do meu 
h\u00e1lito, e os meus irm\u00e3os 
t\u00eam nojo do meu cheiro. 
{I}18_{/}At\u00e9 as crian\u00e7as me 
desprezam e, quando tento 
levantar-me, elas cobrem-
me de insultos. {I}19_{/}As 
pessoas mais \u00edntimas t\u00eam 
horror de mim, e contra 
mim se voltam os amigos 
mais pr\u00f3ximos. {I}20_{/}A 
minha carne apodrece por 
baixo da pele, e os meus 
ossos desnudam-se como 
dentes.
{I}21_{/}Tende piedade, meus 
amigos, tende piedade de 
mim, porque a m\u00e3o de Deus 
me feriu. {I}22_{/}Porque me 
perseguis como Deus, e 
n\u00e3o vos cansais de me 
torturar?
O MEU REDENTOR EST\u00c1 VIVO{/}

{I}23_{/}Oxal\u00e1 
escrevessem estas minhas 
palavras e as gravassem 
numa placa, {I}24_{/}e com 
cinzel de ferro e 
estilete fossem escritas 
para sempre na rocha: 
{I}25_{/}"Eu sei que o meu 
redentor est\u00e1 vivo e que 
no fim Se levantar\u00e1 acima 
do p\u00f3. {I}26_{/}Mesmo com a 
pele aos peda\u00e7os e em 
carne viva, eu verei a 
Deus. {I}27_{/}Eu mesmo O 
verei, e n\u00e3o outro; eu O 
verei com os meus 
pr\u00f3prios olhos". As 
minhas entranhas queimam 
dentro de mim.
{I}28_{/}E se v\u00f3s disserdes: 
"Como vamos persegui-lo? 
Que pretexto 
encontraremos para o 
acusarmos?", {I}29_{/}temei a 
espada, pois a espada 
pune a injusti\u00e7a, e v\u00f3s 
reconhecereis que existe 
um juiz\u00bb.
INTERVEN\u00c7\u00c3O DE SOFAR{/}

{1}20{/}

O TRIUNFO DOS INJUSTOS \u00c9 
PASSAGEIRO{/}

{I}1_{/}Sofar de Naamat 
tomou a palavra e disse: 
{I}2_{/}\u00abOs meus pensamentos 
obrigam-me a responder, 
pois me sinto inquieto. 
{I}3_{/}Acabo de ouvir uma 
li\u00e7\u00e3o insolente, e por 
isso a minha raz\u00e3o me 
leva a replicar. {I}4_{/}Tu 
n\u00e3o sabes que desde 
sempre, desde quando o 
homem foi colocado sobre 
a terra, {I}5_{/}o triunfo 
dos injustos \u00e9 passageiro 
e a alegria do perverso 
dura apenas um instante? 
{I}6_{/}Embora a sua ambi\u00e7\u00e3o 
se eleve at\u00e9 ao c\u00e9u e 
toque com a sua cabe\u00e7a as 
nuvens, {I}7_{/}ele perecer\u00e1 
para sempre como esterco, 
e os que o viam agora 
perguntam: "Onde est\u00e1 
ele?" {I}8_{/}Ele desfaz-se 
como um sonho, e n\u00e3o o 
encontram; ele desaparece 
como vis\u00e3o nocturna. 
{I}9_{/}Os olhos que o viam, 
n\u00e3o o ver\u00e3o mais, e a sua 
morada n\u00e3o mais o 
reconhecer\u00e1. {I}10_{/}Os seus 
filhos ter\u00e3o que 
indemnizar os pobres; as 
suas pr\u00f3prias m\u00e3os 
devolver\u00e3o as suas 
riquezas. {I}11_{/}Os seus 
membros ainda cheios de 
juventude deitar-se-\u00e3o 
com ele no p\u00f3. {I}12_{/}O mal 
era doce na sua boca, e 
ele escondia-o debaixo da 
l\u00edngua; {I}13_{/}ele 
saboreava-o sem o 
engolir, segurando-o no 
c\u00e9u da boca. {I}14_{/}Pois 
bem! Esse alimento 
apodrecer\u00e1 no seu ventre 
e transformar-se-\u00e1 em 
veneno de cobra. 
{I}15_{/}Vomitar\u00e1 as riquezas 
que engoliu, porque Deus 
lhas arranca do ventre. 
{I}16_{/}Sugar\u00e1 veneno de 
serpente, e as presas da 
v\u00edbora o matar\u00e3o. 
{I}17_{/}Nunca mais ver\u00e1 as 
fontes de azeite, nem os 
rios de leite e mel. 
{I}18_{/}Ter\u00e1 que devolver, 
sem os usar, os frutos do 
seu trabalho, e n\u00e3o 
desfrutar\u00e1 o que ganhou 
no com\u00e9rcio. {I}19_{/}Porque 
explorou e desamparou os 
pobres, e roubou casas 
que n\u00e3o tinha constru\u00eddo. 
{I}20_{/}Porque n\u00e3o soube 
acalmar a sua cobi\u00e7a, n\u00e3o 
salvar\u00e1 nenhum dos seus 
tesouros. {I}21_{/}Nada 
escapava da sua 
voracidade e, por isso, a 
sua prosperidade n\u00e3o 
durar\u00e1. {I}22_{/}Da 
abund\u00e2ncia cair\u00e1 na 
mis\u00e9ria, e os golpes da 
desgra\u00e7a cair\u00e3o sobre 
ele. {I}23_{/}Para lhe encher 
o ventre, Deus enviar-
lhe-\u00e1 o inc\u00eandio da sua 
ira, e sobre ele far\u00e1 
chover as suas flechas. 
{I}24_{/}Caso escape das 
armas de ferro, uma 
flecha de bronze o 
atravessar\u00e1; {I}25_{/}a ponta 
da flecha sai brilhando 
das suas costas, depois 
de ter atravessado o 
f\u00edgado, enchendo-o de 
pavor. {I}26_{/}Todas as 
trevas ser\u00e3o reservadas 
para ele, e um fogo n\u00e3o 
aceso por homens devor\u00e1-
lo-\u00e1, consumindo tudo o 
que resta da sua tenda. 
{I}27_{/}O c\u00e9u revelar\u00e1 a 
injusti\u00e7a dele e contra 
ele a terra se erguer\u00e1. 
{I}28_{/}Um dil\u00favio arrastar\u00e1 
a sua casa, como as 
cataratas no dia da ira 
de Deus. {I}29_{/}Esta \u00e9 a 
parte que Deus reserva 
para o injusto, esta \u00e9 a 
heran\u00e7a que Deus lhe 
prepara\u00bb.
RESPOSTA DE JOB{/}

{1}21{/}

O SOFREDOR QUER SER 
OUVIDO{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Job 
respondeu: {I}2_{/}\u00abEscutai 
com aten\u00e7\u00e3o as minhas 
palavras. Dai-me pelo 
menos esse conforto. 
{I}3_{/}Tende paci\u00eancia 
enquanto falo. E, quando 
eu terminar, podereis 
zombar de mim. {I}4_{/}Estou 
a queixar-me de algum 
homem? Estou a perder a 
paci\u00eancia sem motivo? 
{I}5_{/}Estai atentos, e 
ficareis espantados e 
colocareis a m\u00e3o na boca. 
{I}6_{/}S\u00f3 de pensar nisso, 
fico perturbado, e o meu 
corpo se enche de 
arrepios.
OS INJUSTOS VIVEM BEM{/}

{I}7_{/}Porque \u00e9 que os 
injustos continuam vivos, 
e envelhecem cada vez 
mais ricos? {I}8_{/}A sua 
descend\u00eancia est\u00e1 segura 
na companhia deles, e 
eles v\u00eaem os seus filhos 
crescer. {I}9_{/}As suas 
casas s\u00e3o tranquilas e 
sem temor; o bast\u00e3o de 
Deus n\u00e3o os atinge. 
{I}10_{/}Os seus touros 
reproduzem sem falhar, e 
as suas vacas geram crias 
sem abortar. {I}11_{/}Eles 
deixam correr as suas 
crian\u00e7as como cabritos, e 
os seus pequenos saltam 
alegremente. {I}12_{/}Cantam 
ao som de c\u00edtaras e 
pandeiros, e divertem-se 
ao som da flauta. {I}13_{/}As 
suas vidas transcorrem 
docemente, e eles descem 
tranquilos \u00e0 sepultura. 
VIVEM BEM PORQUE REJEITAM 
DEUS E O SEU PROJECTO{/}

{I}14_{/}Eles diziam a 
Deus: "Passa longe de 
n\u00f3s, pois n\u00e3o nos 
interessa conhecer os 
teus caminhos. {I}15_{/}Quem 
\u00e9 o Todo-poderoso para 
que O sirvamos? O que \u00e9 
que ganhamos rezando-
Lhe?" {I}16_{/}Pois bem! Eles 
t\u00eam na m\u00e3o a felicidade, 
e os projectos do injusto 
est\u00e3o longe de Deus. 
{I}17_{/}Quantas vezes a 
l\u00e2mpada dos injustos se 
apaga, ou a desgra\u00e7a cai 
sobre eles, ou a ira de 
Deus os castiga com 
sofrimentos? 
{I}18_{/}Porventura, eles 
tornam-se como folha seca 
ao vento, ou como palha 
levada pelo furac\u00e3o? 
{I}19_{/}Dizem que Deus 
castiga os filhos do 
injusto! Ora, Ele que 
fa\u00e7a com que o injusto 
mesmo pague e aprenda: 
{I}20_{/}que veja com os seus 
pr\u00f3prios olhos a 
desgra\u00e7a, e beba a ira do 
Todo-poderoso. {I}21_{/}Pois, 
o que lhe importa a sua 
fam\u00edlia depois de morto, 
quando o tempo da sua 
vida tiver chegado ao 
fim?
OS INJUSTOS T\u00caM VANTAGEM 
AT\u00c9 NA MORTE{/}

{I}22_{/}Acaso poder-se-\u00e1 
ensinar a ci\u00eancia a Deus? 
Deus governa no c\u00e9u. 
{I}23_{/}Uma pessoa chega \u00e0 
morte em pleno vigor, 
sempre tranquila e 
pr\u00f3spera, {I}24_{/}com as 
ancas cobertas de gordura 
e com a medula dos ossos 
cheia de energia. 
{I}25_{/}Outra pessoa morre 
cheia de amargura, sem 
nunca ter provado a 
felicidade. {I}26_{/}Ambos se 
deitam juntos no p\u00f3, 
cobertos de vermes. 
{I}27_{/}Eu sei muito bem o 
que estais a pensar, e 
conhe\u00e7o os maus 
pensamentos que remoeis 
contra mim. {I}28_{/}Eu sei 
que v\u00f3s dizeis: "Onde 
est\u00e1 a casa do poderoso, 
onde est\u00e1 a moradia dos 
injustos?" {I}29_{/}Porque \u00e9 
que n\u00e3o fazeis perguntas 
aos viajantes e n\u00e3o 
acreditais no que eles 
dizem? {I}30_{/}O perverso \u00e9 
poupado no dia da 
cat\u00e1strofe, e no dia da 
ira consegue escapar. 
{I}31_{/}Quem vai reprovar a 
sua conduta? Quem lhe vai 
pedir contas do que ele 
fez? {I}32_{/}Ele ser\u00e1 
solenemente acompanhado \u00e0 
sepultura, montar\u00e3o 
guarda ao seu t\u00famulo, 
{I}33_{/}e a terra ser\u00e1 leve 
para ele. Todos os homens 
o acompanham e uma 
incont\u00e1vel multid\u00e3o vai \u00e0 
frente dele. {I}34_{/}E v\u00f3s 
quereis consolar-me com 
banalidades? As vossas 
respostas s\u00e3o pura 
dissimula\u00e7\u00e3o\u00bb.
3.TERCEIRO DEBATE{/}

INTERVEN\u00c7\u00c3O DE ELIFAZ{/}

{1}22{/}

O CASTIGO SUP\u00d5E CULPA{/}

{I}1_{/}Elifaz de Tem\u00e3 
tomou a palavra e disse: 
{I}2_{/}\u00abAcaso pode o homem 
ser \u00fatil a Deus, uma vez 
que o s\u00e1bio s\u00f3 pode no 
m\u00e1ximo ajudar-se a si 
pr\u00f3prio? {I}3_{/}O que \u00e9 que 
importa ao Todo-poderoso 
se tu \u00e9s justo? O que \u00e9 
que Ele ganha, se \u00e9s 
\u00edntegro? {I}4_{/}Ser\u00e1 que \u00e9 
por causa da tua 
fidelidade que Ele te 
reprova, ou te convoca 
para o julgamento? 
{I}5_{/}N\u00e3o ser\u00e1 antes pela 
tua grande maldade e 
pelas tuas incont\u00e1veis 
culpas? {I}6_{/}De facto, tu 
penhoravas os bens dos 
teus irm\u00e3os e despojavas 
os outros at\u00e9 os deixares 
nus. {I}7_{/}Tu n\u00e3o oferecias 
\u00e1gua ao sedento, e 
negavas p\u00e3o ao faminto. 
{I}8_{/}Entregavas a terra 
aos poderosos, e nela se 
instalavam os 
privilegiados. 
{I}9_{/}Despedias as vi\u00favas 
de m\u00e3os vazias, e 
violavas o direito dos 
\u00f3rf\u00e3os. {I}10_{/}\u00c9 por isso 
que est\u00e1s preso nos la\u00e7os 
e perturbado por terrores 
fulminantes. {I}11_{/}A 
escurid\u00e3o n\u00e3o te deixa 
ver; e tu est\u00e1s coberto 
pela enchente das \u00e1guas.
OS INJUSTOS S\u00c3O 
CASTIGADOS{/}

{I}12_{/}Ser\u00e1 que Deus 
n\u00e3o est\u00e1 no mais alto do 
c\u00e9u? V\u00ea bem como \u00e9 alto o 
arco do c\u00e9u estrelado! 
{I}13_{/}E tu ainda dizes: "O 
que \u00e9 que Deus sabe? Ser\u00e1 
que Ele \u00e9 capaz de 
distinguir atrav\u00e9s das 
nuvens escuras? {I}14_{/}As 
nuvens s\u00e3o como v\u00e9u e 
impedem-n'O de ver, 
enquanto Ele passeia pelo 
firmamento do c\u00e9u". 
{I}15_{/}Acaso queres seguir 
o antigo caminho por onde 
andaram os homens 
perversos, 
{I}16_{/}arrastados antes do 
tempo, quando a enchente 
de um rio lhes desmoronou 
os alicerces? {I}17_{/}Eles 
diziam a Deus: "Afasta-Te 
de n\u00f3s. Que pode o Todo-
poderoso fazer contra 
n\u00f3s?" {I}18_{/}Deus tinha-
lhes enchido a casa de 
riquezas, e eles 
exclu\u00edam-n'O dos seus 
projectos perversos. 
{I}19_{/}Os justos agora v\u00eaem 
e alegram-se, e os 
inocentes zombam deles: 
{I}20_{/}"Acabaram-se as suas 
riquezas. O fogo devorou 
o que haviam ganhado!" 
CONVERTE-TE, E SER\u00c1S 
FELIZ{/}

{I}21_{/}Vamos, 
reconcilia-te e faz as 
pazes com Deus. E ser\u00e1s 
novamente feliz. 
{I}22_{/}Aceita a instru\u00e7\u00e3o 
da boca de Deus e guarda 
no cora\u00e7\u00e3o as suas 
palavras. {I}23_{/}Se 
voltares para o Todo-
poderoso, Ele te 
restabelecer\u00e1. Afasta a 
injusti\u00e7a da tua tenda, 
{I}24_{/}lan\u00e7a o teu ouro ao 
p\u00f3, e o ouro de Ofir 
entre as pedras do rio. 
{I}25_{/}Ent\u00e3o o Todo-
poderoso ser\u00e1 o teu ouro, 
e tamb\u00e9m prata aos 
montes. {I}26_{/}Ent\u00e3o te 
alegrar\u00e1s com o Todo-
poderoso, e erguer\u00e1s o 
rosto para Deus. {I}27_{/}Ele 
ouvir\u00e1 as tuas s\u00faplicas, 
e cumprir\u00e1s o que havias 
prometido. {I}28_{/}Far\u00e1s um 
projecto, que se 
realizar\u00e1, e a luz 
brilhar\u00e1 no teu caminho. 
{I}29_{/}Porque Ele humilha 
os arrogantes e salva os 
que se humilham. {I}30_{/}Ele 
liberta o homem inocente, 
e tu ser\u00e1s salvo pela 
pureza das tuas pr\u00f3prias 
m\u00e3os\u00bb.
RESPOSTA DE JOB{/}

{1}23{/}

SE EU SOUBESSE COMO 
ENCONTRAR A DEUS!{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Job 
respondeu: {I}2_{/}\u00abAinda 
hoje me queixo e me 
revolto, porque a m\u00e3o de 
Deus agrava os meus 
gemidos. {I}3_{/}Oxal\u00e1 eu 
soubesse como encontr\u00e1-
l'O, como chegar at\u00e9 ao 
seu tribunal! {I}4_{/}Diante 
d'Ele eu apresentaria a 
minha causa, com a boca 
cheia de argumentos. 
{I}5_{/}Eu saberia finalmente 
com que palavras Ele me 
replica, e compreenderia 
o que Ele me diz. 
{I}6_{/}Ser\u00e1 que Ele usaria 
de viol\u00eancia comigo? N\u00e3o 
importa. Ele ao menos 
teria que me escutar. 
{I}7_{/}Ent\u00e3o eu discutiria 
lealmente com Ele, e 
definitivamente ganharia 
a minha causa. {I}8_{/}Mas, 
se vou para o Oriente, 
Ele n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1. Se vou 
para o Ocidente, n\u00e3o O 
distingo. {I}9_{/}Procuro no 
Norte, e n\u00e3o O descubro. 
Volto-me para o Sul, e 
n\u00e3o O vejo.
DEUS FAZ TUDO O QUE QUER{/}

{I}10_{/}Ele, por\u00e9m, 
conhece o meu 
comportamento. Pode 
colocar-me \u00e0 prova, e eu 
sairei puro como ouro. 
{I}11_{/}Os meus p\u00e9s seguiram 
as suas pegadas, andei 
pelo seu caminho e n\u00e3o me 
desviei. {I}12_{/}N\u00e3o me 
afastei dos seus 
mandamentos, e guardei as 
suas palavras no meu 
peito.
{I}13_{/}Ele toma uma decis\u00e3o 
e ningu\u00e9m pode faz\u00ea-l'O 
mudar. Ele faz tudo o que 
quer. {I}14_{/}Ele executar\u00e1 
a minha senten\u00e7a, e 
outras coisas que tem na 
mente. {I}15_{/}Por isso, 
fico perturbado na sua 
presen\u00e7a, e sinto medo s\u00f3 
de pensar, {I}16_{/}porque 
Deus me intimidou, o 
Todo-poderoso 
aterrorizou-me. 
{I}17_{/}Oxal\u00e1 eu 
desaparecesse nas trevas, 
e a escurid\u00e3o cobrisse o 
meu rosto.
{1}24{/}

PORQUE \u00c9 QUE DEUS N\u00c3O 
ESCUTA OSOPRIMIDOS?{/}

{I}1_{/}Porque \u00e9 que o 
Todo-poderoso n\u00e3o marca 
tempos de julgamento, 
para que os seus fi\u00e9is 
possam presenciar as suas 
interven\u00e7\u00f5es?
{I}2_{/}Os injustos mudam os 
marcos, roubam rebanhos e 
levam-nos a pastar. 
{I}3_{/}Apoderam-se do 
jumento que pertence ao 
\u00f3rf\u00e3o, e penhoram o boi 
que \u00e9 da vi\u00fava. 
{I}4_{/}Empurram os 
indigentes para fora do 
caminho, e os pobres da 
terra t\u00eam que se 
esconder. {I}5_{/}Como asnos 
do deserto, saem para 
trabalhar: desde a 
madrugada v\u00e3o em busca de 
alimentos, e at\u00e9 \u00e0 tarde 
procuram o p\u00e3o para seus 
filhos. {I}6_{/}Fazem 
colheita em campo alheio, 
e rebuscam os restos na 
vinha do injusto. 
{I}7_{/}Passam a noite nus, 
sem roupa para se 
protegerem do frio. 
{I}8_{/}Ensopados com as 
chuvas das montanhas, sem 
abrigo, eles apertam-se 
entre as rochas. {I}9_{/}Os 
injustos arrancam o \u00f3rf\u00e3o 
do peito materno, e 
penhoram a roupa do 
pobre. {I}10_{/}Estes andam 
nus por falta de roupa, e 
famintos carregam feixes. 
{I}11_{/}Espremem azeite no 
lagar e, sedentos, pisam 
a uva nos tanques. 
{I}12_{/}Na cidade, os 
moribundos gemem, e os 
feridos pedem socorro. E 
Deus n\u00e3o faz caso da 
s\u00faplica deles.
{I}13_{/}Outros s\u00e3o rebeldes 
\u00e0 luz, n\u00e3o conhecem os 
caminhos de Deus, nem 
frequentam as suas 
estradas. {I}14_{/}De 
madrugada, o assassino 
levanta-se para matar o 
pobre e o indigente. 
Durante a noite, o ladr\u00e3o 
ronda, cobrindo o rosto 
com uma m\u00e1scara. {I}15_{/}O 
olho do ad\u00faltero aguarda 
o anoitecer, pensando: 
"Ningu\u00e9m me ver\u00e1". 
{I}16_{/}Na escurid\u00e3o, eles 
arrombam as casas, 
enquanto de dia se 
escondem aqueles que n\u00e3o 
querem nada com a luz. 
{I}17_{/}O amanhecer \u00e9 escuro 
para eles, pois est\u00e3o 
acostumados com o medo 
das trevas\u00bb.
INTERVEN\u00c7\u00c3O DE SOFAR{/}

O DESAFIO DO PECADOR{/}

{I}18_{/}\u00abOs injustos 
fogem da luz do dia. A 
sua propriedade na terra 
\u00e9 amaldi\u00e7oada, e ningu\u00e9m 
mais passa pela sua 
vinha. {I}19_{/}Como o calor 
do Ver\u00e3o suga a \u00e1gua da 
neve, tamb\u00e9m a morada dos 
mortos suga o pecador. 
{I}20_{/}O ventre materno 
esquece-se dele, e os 
vermes adoram-no. A sua 
mem\u00f3ria acaba, e a 
injusti\u00e7a \u00e9 cortada como 
se corta uma \u00e1rvore. 
{I}21_{/}Isto porque ele 
maltratou a est\u00e9ril sem 
filhos e n\u00e3o socorreu a 
vi\u00fava. {I}22_{/}Mas Aquele 
que com a sua for\u00e7a 
derruba os tiranos, 
aparece e tira-lhe a 
certeza da vida. 
{I}23_{/}Deus deixava-o 
apoiar-se numa seguran\u00e7a 
falsa, por\u00e9m os olhos de 
Deus observavam os seus 
caminhos. {I}24_{/}Exaltado 
por breve tempo, ele 
deixa de existir. Cai 
como a erva que se colhe, 
e murcha como as espigas. 
{I}25_{/}As coisas n\u00e3o s\u00e3o 
assim? Quem me poder\u00e1 
desmentir, ou reduzir a 
nada os meus argumentos?\u00bb
INTERVEN\u00c7\u00c3O DE BALDAD{/}

{1}25{/}

O HOMEM \u00c9 UM VERME{/}

{I}1_{/}Baldadde Su\u00e1s 
tomou a palavra e disse: 
{I}2_{/}\u00abDeus tem um poder 
terr\u00edvel e mant\u00e9m a paz 
no alto do c\u00e9u. 
{I}3_{/}Poder-se-\u00e1 contar o 
n\u00famero das suas tropas? 
Sobre quem n\u00e3o se levanta 
a sua luz? {I}4_{/}Pode o 
homem ter raz\u00e3o diante de 
Deus? Como pode ser puro 
quem nasceu de mulher? 
{I}5_{/}Se nem sequer a lua \u00e9 
brilhante, nem as 
estrelas s\u00e3o puras, aos 
olhos d'Ele, {I}6_{/}quanto 
menos o homem, esse 
verme; o ser humano, essa 
larva!\u00bb
RESPOSTA DE JOB{/}

{1}26{/}

CONVERSA IN\u00daTIL{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Job 
respondeu: {I}2_{/}\u00abComo 
sabes sustentar o fraco e 
socorrer um bra\u00e7o sem 
for\u00e7a! {I}3_{/}Como sabes 
aconselhar o ignorante e 
dar mostras de profundo 
conhecimento! {I}4_{/}A quem 
dirigiste a palavra? De 
onde vem a inspira\u00e7\u00e3o que 
sai de ti?\u00bb
INTERVEN\u00c7\u00c3O DE BALDAD{/}

A GRANDEZA DE DEUS{/}

{I}5_{/}\u00abOs mortos 
estremecem debaixo do mar 
e os seus habitantes. 
{I}6_{/}A morada dos mortos 
est\u00e1 nua aos seus olhos, 
e o reino da morte est\u00e1 
sem v\u00e9u. {I}7_{/}Deus 
estendeu o c\u00e9u sobre o 
vazio e suspendeu a terra 
sobre o nada. {I}8_{/}Ele 
prende as \u00e1guas nas 
nuvens, sem que estas se 
rasguem com o peso. 
{I}9_{/}Ele encobre a face da 
lua cheia, estendendo a 
sua nuvem sobre ela. 
{I}10_{/}Tra\u00e7ou um c\u00edrculo 
sobre a superf\u00edcie do 
mar, onde a luz faz 
fronteira com as trevas. 
{I}11_{/}As colunas do c\u00e9u 
abalam-se, assustadas com 
a amea\u00e7a d'Ele. {I}12_{/}Com 
o seu poder, Ele acalmou 
o mar e, com a sua 
destreza, domou Raab. 
{I}13_{/}O seu sopro clareou 
os c\u00e9us, e a sua m\u00e3o 
trespassou a serpente 
fugitiva. {I}14_{/}Tudo isso 
n\u00e3o \u00e9 mais do que a 
margem das suas obras! 
Delas, n\u00f3s s\u00f3 percebemos 
um eco fr\u00e1gil! Quem 
poderia compreender o 
estrondo do seu poder?\u00bb
RESPOSTA DE JOB{/}

{1}27{/}

VOU AGARRAR-ME \u00c0 MINHA 
JUSTI\u00c7A{/}

{I}1_{/}Job continuou a 
dizer: {I}2_{/}\u00abPelo Deus 
vivo, que me nega 
justi\u00e7a, pelo Todo-
poderoso, que me enche de 
amargura, {I}3_{/}enquanto eu 
puder respirar e o sopro 
de Deus estiver nas 
minhas narinas, {I}4_{/}os 
meus l\u00e1bios n\u00e3o dir\u00e3o 
falsidades e a minha 
l\u00edngua n\u00e3o pronunciar\u00e1 
mentiras.
{I}5_{/}Longe de mim dar-vos 
raz\u00e3o! Vou declarar-me 
inocente at\u00e9 ao meu 
\u00faltimo suspiro. {I}6_{/}Vou-
me agarrar \u00e0 minha 
justi\u00e7a, e n\u00e3o vou ceder. 
A minha consci\u00eancia n\u00e3o 
reprova nenhum dos meus 
dias. {I}7_{/}Que o meu 
inimigo seja tratado como 
injusto, e o meu 
advers\u00e1rio como 
malfeitor. {I}8_{/}V\u00f3s 
dizeis: Que esperan\u00e7a 
pode ter o injusto, se 
Deus lhe vai tirar a 
vida? {I}9_{/}Ser\u00e1 que Deus 
lhe vai ouvir o grito, 
quando sobre ele cair a 
desgra\u00e7a? {I}10_{/}Se ele se 
tivesse alegrado com o 
Todo-poderoso, ser\u00e1 que 
poderia invocar a Deus a 
qualquer momento? 
{I}11_{/}Vou explicar-vos o 
poder de Deus, e n\u00e3o vos 
esconderei os projectos 
do Todo-poderoso. {I}12_{/}Se 
v\u00f3s todos j\u00e1 observastes, 
porque \u00e9 que ainda vos 
perdeis em banalidades?\u00bb
INTERVEN\u00c7\u00c3O DE SOFAR{/}

O destino do injusto{/}

{I}13_{/}\u00abEsta \u00e9 a sorte 
que Deus reserva ao 
injusto, a heran\u00e7a que os 
opressores recebem do 
Todo-
-poderoso: {I}14_{/}se 
tiverem muitos filhos, 
todos morrer\u00e3o pela 
espada, e os seus 
descendentes n\u00e3o ter\u00e3o 
que comer. {I}15_{/}Os 
sobreviventes ser\u00e3o 
sepultados pela peste, e 
as suas vi\u00favas n\u00e3o 
chorar\u00e3o por eles. {I}16_{/}O 
justo acumula prata como 
terra e amontoa roupas 
como barro. {I}17_{/}Pode 
amontoar! \u00c9 o justo quem 
as vestir\u00e1, e a prata \u00e9 o 
inocente quem a herdar\u00e1. 
{I}18_{/}A casa por ele 
constru\u00edda ser\u00e1 como teia 
de aranha, como a 
choupana de um guarda. 
{I}19_{/}Ele deita-se rico, 
mas \u00e9 pela \u00faltima vez, 
pois ao abrir os olhos 
n\u00e3o ter\u00e1 mais nada. 
{I}20_{/}De dia, os terrores 
assaltam-no, e de noite, 
o furac\u00e3o arrebata-o. 
{I}21_{/}O vento Leste 
arrasta-o para longe, 
arrancando-o da sua 
resid\u00eancia; {I}22_{/}o vento 
arrasta-o sem piedade, e 
ele tenta fugir do seu 
poder. {I}23_{/}Todos 
aplaudem a sua ru\u00edna, e 
por onde ele passa todos 
assobiam\u00bb.
O MIST\u00c9RIO INSOND\u00c1VEL DA 
SABEDORIA{/}

{1}28{/}

O LIMITE DA TECNOLOGIA{/}

{I}1_{/}A prata tem as 
suas minas, e o ouro tem 
o lugar onde \u00e9 refinado. 
{I}2_{/}O ferro \u00e9 extra\u00eddo da 
terra, e ao fundir-se a 
pedra, dela sai o bronze. 
{I}3_{/}O homem p\u00f5e limite \u00e0s 
trevas, e explora at\u00e9 ao 
extremo limite as grutas 
mais sombrias. {I}4_{/}Abre 
po\u00e7os em lugares 
inacess\u00edveis, sem apoio 
para os p\u00e9s, balan\u00e7ando 
suspenso longe dos 
homens. {I}5_{/}A terra que 
d\u00e1 o p\u00e3o, por baixo \u00e9 
devorada pelo fogo; 
{I}6_{/}as suas pedras s\u00e3o 
incrustadas de safiras, e 
os seus torr\u00f5es cont\u00eam 
pepitas de ouro.
{I}7_{/}O abutre n\u00e3o conhece 
esse caminho, e o olho do 
falc\u00e3o n\u00e3o consegue 
avist\u00e1-lo; {I}8_{/}as feras 
n\u00e3o o trilham, nem o le\u00e3o 
o atravessa. {I}9_{/}O homem 
estende a m\u00e3o contra a 
rocha, e revira as 
montanhas pela raiz; 
{I}10_{/}abre galerias na 
pedra, atento a tudo o 
que \u00e9 preciso; 
{I}11_{/}explora as nascentes 
dos rios, e traz \u00e0 luz o 
que est\u00e1 escondido.
{I}12_{/}A sabedoria, por\u00e9m, 
de onde \u00e9 tirada? Onde 
est\u00e1 a jazida da 
intelig\u00eancia? {I}13_{/}O 
homem n\u00e3o conhece o 
caminho para ela, pois 
ela n\u00e3o se encontra na 
terra dos vivos.
COMO COMPRAR A SABEDORIA{/}

{I}14_{/}O abismo diz: 
\u00abEla n\u00e3o est\u00e1 em mim\u00bb. E 
o mar responde: \u00abEla n\u00e3o 
est\u00e1 comigo\u00bb. {I}15_{/}Ela 
n\u00e3o pode ser comprada com 
o ouro mais fino, nem 
adquirida a peso de 
prata; {I}16_{/}n\u00e3o pode ser 
paga com ouro de Ofir, 
nem com \u00f3nix precioso ou 
safira. {I}17_{/}O ouro e o 
cristal n\u00e3o se igualam a 
ela, que n\u00e3o pode ser 
paga com vasos de ouro 
fino. {I}18_{/}Os corais e as 
p\u00e9rolas, ent\u00e3o, nem se 
fala; \u00e9 melhor pescar a 
sabedoria do que as 
p\u00e9rolas. {I}19_{/}O top\u00e1zio 
de Cuch n\u00e3o se iguala a 
ela, nem pode ser 
comprada com o ouro mais 
puro.
{I}20_{/}De onde vem a 
sabedoria? Onde est\u00e1 a 
jazida da intelig\u00eancia? 
{I}21_{/}Ela est\u00e1 oculta aos 
olhos dos seres vivos, e 
escondida \u00e0s aves do c\u00e9u. 
{I}22_{/}O abismo e a morte 
confessam: \u00abA sua fama 
chegou aos nossos 
ouvidos\u00bb.
S\u00d3 DEUS TEM ACESSO \u00c0 
SABEDORIA{/}

{I}23_{/}S\u00f3 Deus conhece 
o caminho para a 
sabedoria, s\u00f3 Ele sabe 
onde ela se encontra, 
{I}24_{/}pois Ele contempla 
os confins do Universo e 
v\u00ea tudo o que existe 
debaixo do c\u00e9u. 
{I}25_{/}Quando fixou um peso 
para o vento e definiu a 
medida das \u00e1guas, 
{I}26_{/}quando deu uma lei 
para a chuva e uma rota 
para o rel\u00e2mpago e o 
trov\u00e3o, {I}27_{/}ent\u00e3o Ele 
observou-a e avaliou-a, 
sondou-a e estabeleceu-a. 
{I}28_{/}E disse ao homem: \u00abA 
sabedoria consiste em 
temer o Senhor, e a 
intelig\u00eancia est\u00e1 em 
afastar-se do mal\u00bb.
JOB APELA PARA DEUS{/}

{1}29{/}

UMA VIDA DIGNA DE 
RECOMPENSA{/}

{I}1_{/}Job continuou a 
dizer: {I}2_{/}\u00abQuem me dera 
voltar aos tempos de 
outrora, aos dias em que 
Deus me protegia, 
{I}3_{/}quando a sua l\u00e2mpada 
brilhava sobre a minha 
cabe\u00e7a, e com a sua luz 
eu caminhava no meio das 
trevas! {I}4_{/}Pudesse eu 
reviver os dias do meu 
Outono, quando Deus era 
\u00edntimo na minha tenda, 
{I}5_{/}quando o Todo-
poderoso estava comigo, e 
os meus filhos me 
rodeavam!
{I}6_{/}Nesse tempo, eu 
banhava os p\u00e9s no leite, 
e a rocha dava-me rios de 
azeite. {I}7_{/}Quando eu me 
dirigia \u00e0 porta da 
cidade, e me sentava na 
pra\u00e7a. {I}8_{/}ao verem-me, 
os jovens escondiam-se, 
os anci\u00e3os levantavam-se 
e ficavam de p\u00e9, {I}9_{/}os 
chefes deixavam de falar 
e tapavam a boca com a 
m\u00e3o, {I}10_{/}os pol\u00edticos 
emudeciam, e a sua l\u00edngua 
ficava colada ao c\u00e9u da 
boca.
{I}11_{/}Todos os que me 
ouviam elogiavam-me, e 
com os olhos aprovavam, 
{I}12_{/}porque eu libertava 
o pobre que pedia socorro 
e o \u00f3rf\u00e3o indefeso. 
{I}13_{/}Eu recebia a b\u00ean\u00e7\u00e3o 
do moribundo, e alegrava 
o cora\u00e7\u00e3o da vi\u00fava. 
{I}14_{/}Eu vestia a justi\u00e7a 
como t\u00fanica, e o direito 
era o meu manto e o meu 
turbante. {I}15_{/}Eu era os 
olhos do cego e os p\u00e9s do 
coxo. {I}16_{/}Eu era o pai 
dos pobres, e empenhava-
me pela causa de um 
desconhecido. {I}17_{/}Eu 
quebrava o queixo do 
injusto e arrancava a 
presa dos seus dentes. 
{I}18_{/}Eu imaginava ent\u00e3o: 
"Morrerei dentro do meu 
ninho, e como a f\u00e9nix 
multiplicarei os meus 
dias. {I}19_{/}As minhas 
ra\u00edzes chegar\u00e3o at\u00e9 \u00e0 
\u00e1gua, e o orvalho pousar\u00e1 
nos meus ramos. {I}20_{/}A 
minha honra sempre se 
renovar\u00e1, e o meu arco 
refor\u00e7ar-se-\u00e1 na minha 
m\u00e3o".
{I}21_{/}Todos me ouviam com 
aten\u00e7\u00e3o e, em sil\u00eancio, 
esperavam os meus 
conselhos. {I}22_{/}Depois de 
eu falar, ningu\u00e9m me 
replicava. As minhas 
palavras gotejavam sobre 
eles, {I}23_{/}que esperavam 
por elas como chuvisco, e 
bebiam-nas como chuva da 
Primavera. {I}24_{/}Se eu 
brincava, n\u00e3o 
acreditavam, e n\u00e3o 
perdiam nenhuma express\u00e3o 
do meu rosto. 
{I}25_{/}Sentado como chefe, 
eu indicava-lhes o 
caminho, como rei 
entronizado no meio da 
sua escolta. Eu guiava-
os, e eles deixavam-se 
conduzir.
{1}30{/}

JUSTI\u00c7A PREMIADA COM 
MIS\u00c9RIA{/}

{I}1_{/}Agora, por\u00e9m, 
zombam de mim pessoas 
mais jovens que eu, cujos 
pais eu n\u00e3o deixaria 
entre os c\u00e3es do meu 
rebanho. {I}2_{/}Para que me 
serviriam os seus bra\u00e7os, 
sem for\u00e7as como estavam? 
{I}3_{/}Consumidos pela fome 
e mis\u00e9ria, eles ruminavam 
as ra\u00edzes do deserto, em 
sombria e desolada 
solid\u00e3o. {I}4_{/}Apanhavam 
ervas amargas entre os 
arbustos, alimentando-se 
com ra\u00edzes de plantas. 
{I}5_{/}Expulsos da sociedade 
aos gritos, como se 
fossem ladr\u00f5es, 
{I}6_{/}moravam em barrancos 
escarpados, em cavernas e 
grutas do rochedo, 
{I}7_{/}rugindo entre as 
moitas, agachados debaixo 
dos espinheiros. 
{I}8_{/}Gente vil, homens sem 
nome, expulsos do pa\u00eds!
{I}9_{/}Pois bem! Agora eu 
tornei-me alvo das suas 
zombarias e tema das suas 
piadas! {I}10_{/}Eles 
desprezam-me e afastam-
se, e at\u00e9 se atrevem a 
cuspir-me no rosto. 
{I}11_{/}Deus soltou a corda 
do meu arco e humilhou-me 
e eles desenfreiam-se 
contra mim. {I}12_{/}\u00c0 minha 
direita, os patifes 
levantam-se, observam se 
estou tranquilo e 
preparam-me o caminho da 
destrui\u00e7\u00e3o. {I}13_{/}Desfazem 
o meu caminho, e 
trabalham juntos para a 
minha ru\u00edna, e ningu\u00e9m os 
det\u00e9m. {I}14_{/}Penetram por 
uma larga brecha e 
irrompem como tempestade. 
{I}15_{/}Os terrores caem 
sobre mim, a minha 
dignidade dissipa-se como 
o vento, e a minha 
felicidade desfaz-se como 
a nuvem.
DEUS TRANSFORMOU-SE EM 
ADVERS\u00c1RIO{/}

{I}16_{/}Agora quero 
desafogar-me. Os dias de 
tristeza oprimem-me. 
{I}17_{/}De noite, um mal 
penetra nos meus ossos, 
pois as chagas que me 
corroem n\u00e3o me deixam 
dormir. {I}18_{/}Deus agarra-
me com viol\u00eancia pelas 
vestes e segura-me pela 
gola da t\u00fanica, 
{I}19_{/}atira-me para o meio 
da lama, e eu fico 
misturado com o p\u00f3 e a 
cinza.
{I}20_{/}Clamo a Ti, e Tu n\u00e3o 
me respondes. Eu insisto, 
e Tu n\u00e3o Te importas 
comigo. {I}21_{/}Tu 
transformaste-Te em meu 
carrasco, e atacas-me com 
o teu bra\u00e7o musculoso. 
{I}22_{/}Tu levantas-me e 
fazes-me cavalgar o 
vento, sacudindo-me no 
furac\u00e3o. {I}23_{/}Eu sei 
muito bem que Tu me 
conduzes para a morte, 
para o lugar onde todos 
os seres vivos se 
encontram.

E TUDO SEM MOTIVO{/}

{I}24_{/}Quem n\u00e3o estende 
os bra\u00e7os quando se 
afunda? No desastre, quem 
n\u00e3o grita por socorro? 
{I}25_{/}N\u00e3o chorei com o 
oprimido? N\u00e3o tive 
compaix\u00e3o do indigente? 
{I}26_{/}Eu esperava a 
felicidade, mas veio a 
desgra\u00e7a; eu esperava a 
luz, mas veio a 
escurid\u00e3o. {I}27_{/}As minhas 
entranhas fervem e n\u00e3o se 
acalmam, dias de afli\u00e7\u00e3o 
me assaltam. {I}28_{/}Eu 
caminho no luto, longe do 
sol, e levanto-me na 
assembleia para pedir 
aux\u00edlio. {I}29_{/}Tornei-me 
irm\u00e3o dos chacais e 
companheiro dos 
avestruzes. {I}30_{/}A minha 
pele escurece e cai, os 
meus ossos s\u00e3o consumidos 
pela febre. {I}31_{/}A minha 
c\u00edtara acompanha o luto, 
e a minha flauta 
acompanha o pranto.
{1}31{/}

PROTESTO DE INTEGRIDADE 
PESSOAL{/}

{I}1_{/}Eu tinha feito um 
pacto com os meus olhos: 
jamais fixar o olhar nas 
jovens. {I}2_{/}E, em troca, 
que sorte Deus me reserva 
l\u00e1 do alto? Que heran\u00e7a o 
Todo-poderoso me destina 
l\u00e1 do C\u00e9u? {I}3_{/}Ser\u00e1 que a 
desgra\u00e7a n\u00e3o \u00e9 para o 
criminoso, e o fracasso 
para o malfeitor? {I}4_{/}N\u00e3o 
v\u00ea Deus os meus caminhos 
e n\u00e3o conta todos os meus 
passos? {I}5_{/}Acaso 
caminhei com a mentira? 
Ser\u00e1 que os meus p\u00e9s 
correram atr\u00e1s da fraude? 
{I}6_{/}Deus pode pesar-me na 
balan\u00e7a da justi\u00e7a, e 
ent\u00e3o reconhecer\u00e1 a minha 
integridade. {I}7_{/}Se os 
meus passos se desviaram 
do caminho, se o meu 
cora\u00e7\u00e3o seguiu o capricho 
dos olhos, e se qualquer 
mancha se apegou \u00e0s 
minhas m\u00e3os, {I}8_{/}ent\u00e3o 
que outro coma o que 
semeei e arranquem tudo o 
que plantei. {I}9_{/}Se o meu 
cora\u00e7\u00e3o se deixou seduzir 
por mulher e se espiei 
pela porta do meu 
vizinho, {I}10_{/}que a minha 
mulher gire o moinho para 
um estranho e que outros 
se deitem com ela. 
{I}11_{/}Isso, de facto, 
seria um esc\u00e2ndalo, um 
crime digno de castigo. 
{I}12_{/}Seria um fogo que 
devora e consome, 
destruindo todos os meus 
bens.
PROTESTO DE INTEGRIDADE 
SOCIAL{/}

{I}13_{/}Se violei o 
direito do meu empregado 
ou da minha empregada, 
quando moviam processo 
contra mim, {I}14_{/}que 
farei, quando Deus Se 
levantar? Que 
responderei, quando Ele 
me interrogar? {I}15_{/}Quem 
me formou no ventre 
materno, n\u00e3o os formou 
tamb\u00e9m a eles? Foi o 
mesmo Deus que nos formou 
no seio materno.
{I}16_{/}Porventura neguei o 
que o fraco desejava, ou 
deixei a vi\u00fava consumir-
se em pranto? {I}17_{/}Comi 
sozinho o meu peda\u00e7o de 
p\u00e3o, sem o repartir com o 
\u00f3rf\u00e3o? - {I}18_{/}Desde a 
minha inf\u00e2ncia Ele me 
criou como pai, e desde o 
seio materno me guiou. - 
{I}19_{/}Acaso vi um 
miser\u00e1vel sem roupa e 
algum indigente sem 
cobertor, {I}20_{/}sem que as 
suas costas me 
agradecessem, aquecidas 
com a l\u00e3 das minhas 
ovelhas? {I}21_{/}Se levantei 
a m\u00e3o contra o \u00f3rf\u00e3o, 
quando eu tinha 
influ\u00eancia no tribunal, 
{I}22_{/}que o meu ombro se 
desprenda do corpo e o 
meu bra\u00e7o se quebre no 
cotovelo. {I}23_{/}Porque o 
terror de Deus cairia 
sobre mim, e eu n\u00e3o 
aguentaria diante da sua 
majestade.
PROTESTO DE INTEGRIDADE 
RELIGIOSA{/}

{I}24_{/}Coloquei a minha 
confian\u00e7a no ouro, ou a 
minha seguran\u00e7a no metal 
precioso? {I}25_{/}Alegrei-me 
com as minhas grandes 
riquezas ou com a fortuna 
acumulada pelas minhas 
m\u00e3os? {I}26_{/}Ao ver o sol 
resplandecente e a lua 
clara caminhar, {I}27_{/}o 
meu cora\u00e7\u00e3o deixou-se 
secretamente seduzir e 
enviei-lhes um beijo com 
a m\u00e3o? {I}28_{/}Isso seria um 
crime digno de castigo, 
pois eu teria renegado o 
Deus do alto.
{I}29_{/}Alegrei-me com a 
desgra\u00e7a do meu inimigo e 
exultei com a sua 
infelicidade? {I}30_{/}Ou 
permiti que a minha boca 
pecasse, desejando-lhe a 
morte com maldi\u00e7\u00f5es? 
{I}31_{/}As pessoas da minha 
tenda disseram: "Quem n\u00e3o 
se fartou na mesa dele?" 
{I}32_{/}O imigrante nunca 
teve que dormir na rua, 
porque eu abria as minhas 
portas ao viajante. 
{I}33_{/}N\u00e3o ocultei o meu 
delito como fazem outros 
homens, nem escondi no 
peito a minha culpa, 
{I}34_{/}por temor dos 
coment\u00e1rios da multid\u00e3o 
ou por temer o desprezo 
dos parentes, a ponto de 
me manter calado e 
fechado dentro de casa.
QUE DEUS ME RESPONDA!{/}

{I}35_{/}Oxal\u00e1 houvesse 
algu\u00e9m para me escutar! 
Esta \u00e9 a minha \u00faltima 
palavra. Que o Todo-
poderoso me responda. Que 
o meu advers\u00e1rio escreva 
a acusa\u00e7\u00e3o. {I}36_{/}Eu a 
levarei sobre os meus 
ombros e a usarei como se 
fosse coroa. {I}37_{/}Eu Lhe 
prestaria contas de todos 
os meus passos e me 
apresentaria a Ele como 
um pr\u00edncipe.
{I}38_{/}Se a minha terra 
gritou contra mim e os 
seus sulcos choraram com 
ela; {I}39_{/}se comi o seu 
produto sem ter pago por 
ele, reduzindo \u00e0 fome 
aqueles que a cultivaram, 
{I}40_{/}que nas\u00e7am espinhos 
em vez de trigo e urtigas 
em vez de cevada\u00bb. 
Fim do protesto de Job.

III. DEUS EDUCA ATRAV\u00c9S 
DO SOFRIMENTO{/}

INTERVEN\u00c7\u00c3O DE ELI\u00da{/}

1.DEUS FALA ATRAV\u00c9S DO 
SOFRIMENTO{/}

{1}32{/}

\u00c9 PRECISO DAR UMA 
RESPOSTA NOVA{/}

{I}1_{/}Os tr\u00eas homens 
n\u00e3o disseram mais nada a 
Job, porque ele se 
considerava inocente. 
{I}2_{/}Todavia, Eli\u00fa, filho 
de Baraquel, natural de 
Buz, da fam\u00edlia de Ram, 
ficou indignado contra 
Job, porque este 
pretendia ter raz\u00e3o 
contra Deus. {I}3_{/}Tamb\u00e9m 
se indignou contra os 
tr\u00eas amigos, porque n\u00e3o 
acharam resposta e 
deixaram Deus em situa\u00e7\u00e3o 
de culpado. {I}4_{/}Eli\u00fa 
tinha ficado \u00e0 espera, 
enquanto eles falavam com 
Job, porque eram mais 
velhos. {I}5_{/}Vendo, por\u00e9m, 
que nenhum dos tr\u00eas tinha 
mais respostas, ficou 
indignado.
{I}6_{/}Ent\u00e3o Eli\u00fa, filho de 
Baraquel, natural de Buz, 
come\u00e7ou a falar: \u00abEu sou 
jovem, e v\u00f3s sois 
anci\u00e3os. Por isso, eu 
estava intimidado e n\u00e3o 
me atrevia a expor-vos o 
meu conhecimento. {I}7_{/}Eu 
fiquei a pensar: "Que 
falem os anos, e a idade 
madura ensine a 
sabedoria". {I}8_{/}Mas quem 
d\u00e1 intelig\u00eancia \u00e9 um 
esp\u00edrito no homem, o 
sopro do Todo-poderoso. 
{I}9_{/}N\u00e3o \u00e9 a idade 
avan\u00e7ada que d\u00e1 
sabedoria, nem \u00e9 a 
velhice que produz o 
discernimento do que \u00e9 
justo. {I}10_{/}Por isso, 
pe\u00e7o que me escuteis, e 
eu tamb\u00e9m vou mostrar o 
que sei. {I}11_{/}Enquanto 
v\u00f3s fal\u00e1veis, eu esperei, 
e enquanto convers\u00e1veis 
prestei aten\u00e7\u00e3o aos 
vossos argumentos. 
{I}12_{/}Contudo, por mais 
que eu prestasse aten\u00e7\u00e3o, 
percebi que nenhum de v\u00f3s 
conseguiu refutar Job e 
responder aos seus 
argumentos. {I}13_{/}N\u00e3o 
digais que encontrastes 
uma sabedoria que, al\u00e9m 
de Deus, ningu\u00e9m pode 
refutar. {I}14_{/}Job ainda 
n\u00e3o discutiu comigo, e eu 
n\u00e3o vou responder-lhe com 
os vossos argumentos.
{I}15_{/}Est\u00e3o desconcertados 
e nada respondem, porque 
lhes faltam argumentos. 
{I}16_{/}Ser\u00e1 que devo ficar 
\u00e0 espera, j\u00e1 que eles n\u00e3o 
falam e n\u00e3o sabem o que 
responder? {I}17_{/}Pois bem! 
Quero tomar parte na 
discuss\u00e3o. Tamb\u00e9m eu vou 
mostrar o que sei, 
{I}18_{/}porque tenho muitas 
coisas a dizer, e elas 
pressionam-me por dentro. 
{I}19_{/}As minhas entranhas 
est\u00e3o como barris novos 
que o vinho rebenta ao 
fermentar. {I}20_{/}Vou falar 
e desafogar-me, abrindo 
os l\u00e1bios para responder. 
{I}21_{/}N\u00e3o vou tomar 
partido, nem adular 
ningu\u00e9m, {I}22_{/}porque n\u00e3o 
sei adular e porque o meu 
Criador me eliminaria.
{1}33{/}

DEUS \u00c9 MAIOR DO QUE O 
HOMEM{/}

{I}1_{/}E agora, Job, 
ouve as minhas palavras, 
presta aten\u00e7\u00e3o ao que vou 
dizer. {I}2_{/}Vou abrir a 
minha boca, e a minha 
l\u00edngua formar\u00e1 palavras 
com o c\u00e9u da boca. 
{I}3_{/}Falo de cora\u00e7\u00e3o 
sincero, e os meus l\u00e1bios 
falar\u00e3o claramente. 
{I}4_{/}Foi o sopro de Deus 
que me criou, o alento do 
Todo-poderoso me deu 
vida. {I}5_{/}Se puderes, 
responde-me; prepara-te, 
e argumenta contra mim. 
{I}6_{/}V\u00ea! Diante de Deus, 
eu sou igual a ti: tamb\u00e9m 
eu fui tirado do barro. 
{I}7_{/}N\u00e3o tenhas medo de 
mim, pois a minha 
autoridade n\u00e3o inibir\u00e1.
{I}8_{/}Disseste e repetiste 
aos meus ouvidos, e ainda 
escuto o som das tuas 
palavras: {I}9_{/}"Eu sou 
puro, e n\u00e3o tenho culpa! 
Sou inocente e n\u00e3o cometi 
nenhum pecado! {I}10_{/}Deus, 
por\u00e9m, inventa pretextos 
contra mim e trata-me 
como inimigo. {I}11_{/}Ele 
coloca os meus p\u00e9s no 
cepo e vigia todos os 
meus passos". {I}12_{/}Nisso 
eu digo que tu n\u00e3o tens 
raz\u00e3o, pois Deus \u00e9 maior 
do que o homem.
DEUS FALA DE V\u00c1RIOS 
MODOS{/}

{I}13_{/}Como \u00e9 que te 
atreves a levantar um 
processo contra Ele, 
dizendo que Ele n\u00e3o 
responde a nenhuma das 
tuas acusa\u00e7\u00f5es? {I}14_{/}Deus 
fala, ora de um modo, ora 
de outro, mas as pessoas 
n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o. 
{I}15_{/}Ele fala em sonhos 
ou em vis\u00f5es nocturnas, 
quando o torpor cai sobre 
o homem adormecido no 
leito. {I}16_{/}Ent\u00e3o abre o 
ouvido do ser humano, 
segredando-lhe as suas 
advert\u00eancias, {I}17_{/}para o 
afastar do mal e evitar 
que se encha de orgulho. 
{I}18_{/}Desta forma, impede 
que o homem des\u00e7a ao 
t\u00famulo e ultrapasse a 
fronteira da morte.
{I}19_{/}\u00c0s vezes, Deus 
tamb\u00e9m corrige o homem 
com o sofrimento na cama, 
quando o corpo treme sem 
parar, {I}20_{/}e a pessoa 
recusa comer, com nojo 
at\u00e9 do seu alimento 
preferido; {I}21_{/}quando a 
pessoa emagrece a olhos 
vistos e os seus ossos 
come\u00e7am a aparecer. 
{I}22_{/}Ent\u00e3o ela aproxima-
se do t\u00famulo, e a sua 
vida \u00e9 entregue \u00e0 morada 
dos mortos. {I}23_{/}Contudo, 
se a pessoa encontra um 
anjo favor\u00e1vel, um 
intercessor, entre outros 
mil, que lhe mostre o seu 
dever, {I}24_{/}que tenha 
compaix\u00e3o dele e diga a 
Deus: "Livra-o de baixar 
\u00e0 sepultura, pois 
encontrei um resgate para 
ele", {I}25_{/}ent\u00e3o o seu 
corpo de novo se tornar\u00e1 
jovem, e ele voltar\u00e1 aos 
dias da sua mocidade. 
{I}26_{/}Ent\u00e3o suplicar\u00e1 a 
Deus, que o atender\u00e1. 
Deus mostrar-lhe-\u00e1 
alegremente a sua face, 
fazendo com que o homem 
se torne justo. {I}27_{/}Esse 
homem contar\u00e1 aos outros: 
"Eu pequei e violei a 
justi\u00e7a, mas Deus n\u00e3o me 
castigou como eu merecia. 
{I}28_{/}Livrou-me de cair na 
sepultura, e agora a 
minha vida pode 
contemplar a luz".
{I}29_{/}Vede como Deus faz 
tudo isto duas e at\u00e9 tr\u00eas 
vezes em favor do homem, 
{I}30_{/}a fim de o tirar 
vivo do t\u00famulo e o 
iluminar com a luz da 
vida. {I}31_{/}Presta 
aten\u00e7\u00e3o, Job, escuta-me, 
fica em sil\u00eancio enquanto 
eu falo. {I}32_{/}Se tens 
algo a dizer, responde-
me. Podes falar, estou 
disposto a dar-te raz\u00e3o. 
{I}33_{/}Se n\u00e3o tens nada 
para dizer, ent\u00e3o escuta-
me, cala-te, e ensinar-
te-ei a sabedoria\u00bb.
2.DEUS \u00c9 JUSTO{/}

{1}34{/}

{I}1_{/}Eli\u00fa continuou, 
dizendo: {I}2_{/}\u00abS\u00e1bios, 
escutai as minhas 
palavras, e v\u00f3s, 
doutores, prestai 
aten\u00e7\u00e3o. {I}3_{/}Assim como o 
ouvido distingue as 
palavras e o paladar 
saboreia os alimentos, 
{I}4_{/}tamb\u00e9m n\u00f3s podemos 
discernir o que \u00e9 justo e 
reconhecer o que \u00e9 bom. 
{I}5_{/}Job afirmou: "Estou 
inocente, mas Deus nega-
Se a fazer-me justi\u00e7a. 
{I}6_{/}Embora esteja no meu 
direito, passo por 
mentiroso e, embora n\u00e3o 
tenha pecado, uma flecha 
me feriu mortalmente".
{I}7_{/}Quem \u00e9 grande como 
Job? Ele bebe sarcasmo 
como \u00e1gua, {I}8_{/}junta-se 
aos malfeitores e anda na 
companhia dos injustos. 
{I}9_{/}Ele afirma: "O homem 
n\u00e3o ganha nada em 
satisfazer a Deus".
{I}10_{/}Escutai-me, homens 
sensatos. Longe de Deus 
praticar o mal, longe do 
Todo-poderoso praticar a 
injusti\u00e7a! {I}11_{/}Deus paga 
ao homem conforme as suas 
obras e retribui a cada 
um conforme a sua 
conduta. {I}12_{/}Deus, na 
verdade, n\u00e3o age de modo 
injusto. O Todo-poderoso 
nunca viola o direito. 
{I}13_{/}Quem Lhe confiou o 
governo da Terra? Quem 
Lhe entregou o mundo 
inteiro? {I}14_{/}Se Ele 
pensasse apenas em Si 
mesmo e retirasse o seu 
esp\u00edrito e o seu corpo, 
{I}15_{/}todas as criaturas 
morreriam no mesmo 
instante, e o homem 
voltaria ao p\u00f3. {I}16_{/}Se 
\u00e9s inteligente, escuta-
me, presta aten\u00e7\u00e3o ao que 
vou dizer. {I}17_{/}Quem \u00e9 
inimigo do direito 
conseguiria governar? 
Atreves-te a condenar o 
Supremo Justo? {I}18_{/}Ele \u00e9 
capaz de dizer a um rei: 
"\u00c9s um homem vil". E a um 
pr\u00edncipe: "\u00c9s um homem 
injusto". {I}19_{/}Deus n\u00e3o \u00e9 
parcial a favor dos 
poderosos, nem favorece o 
rico contra o pobre, 
porque todos s\u00e3o obras 
das suas m\u00e3os. {I}20_{/}Eles 
morrem de repente no meio 
da noite, os grandes 
perecem e desaparecem, e 
o poderoso \u00e9 derrubado 
sem esfor\u00e7o humano. 
{I}21_{/}Porque os olhos de 
Deus v\u00eaem a conduta do 
homem e vigiam todos os 
seus passos. {I}22_{/}N\u00e3o h\u00e1 
trevas nem sombras onde 
os malfeitores possam 
esconder-se. {I}23_{/}N\u00e3o 
cabe ao homem marcar 
prazo para comparecer 
perante o tribunal de 
Deus. {I}24_{/}Ele aniquila 
os poderosos sem muitos 
inqu\u00e9ritos e, para o 
lugar deles, nomeia 
outros. {I}25_{/}Deus conhece 
a fundo as suas ac\u00e7\u00f5es. 
Ele derruba-os numa 
noite, e s\u00e3o destru\u00eddos. 
{I}26_{/}Ele a\u00e7oita-os como 
criminosos, e prende-os 
em p\u00fablico, {I}27_{/}porque 
se afastaram d'Ele, e n\u00e3o 
seguiram os seus 
caminhos, {I}28_{/}fazendo 
com que o clamor dos 
fracos chegasse at\u00e9 Deus, 
e Ele ouvisse o clamor 
dos pobres. {I}29_{/}Se Deus 
n\u00e3o interv\u00e9m, quem poder\u00e1 
conden\u00e1-l'O? Se Ele 
esconde o rosto, quem 
poder\u00e1 v\u00ea-l'O? Todavia 
Ele cuida dos povos e das 
pessoas, {I}30_{/}para que 
n\u00e3o reine o perverso nem 
algu\u00e9m que engane o povo.
{I}31_{/}Diz apenas isto a 
Deus: "Enganei-me, nunca 
mais volto a fazer o mal. 
{I}32_{/}Ensina-me aquilo que 
eu n\u00e3o vejo. Se pratiquei 
o mal, n\u00e3o voltarei a 
faz\u00ea-lo". {I}33_{/}Ser\u00e1 que 
Ele deveria retribuir-te 
segundo as tuas ideias, 
uma vez que rejeitas o 
seu julgamento? Quem deve 
escolher \u00e9s tu e n\u00e3o eu. 
Vamos, diz o que sabes. 
{I}34_{/}Os homens sensatos e 
os s\u00e1bios que me escutam 
confessar\u00e3o: {I}35_{/}"Job 
n\u00e3o sabe o que diz. As 
suas palavras n\u00e3o t\u00eam 
sentido!"
{I}36_{/}Quero que Job seja 
examinado at\u00e9 ao fim por 
causa das suas respostas, 
dignas de um descrente, 
{I}37_{/}porque ao pecado 
junta a revolta. Ele 
semeia a d\u00favida entre n\u00f3s 
e multiplica os seus 
protestos contra Deus\u00bb.
3.DEUS N\u00c3O ATENDE OS 
ORGULHOSOS{/}

{1}35{/}

{I}1_{/}Eli\u00fa continuou, 
dizendo: {I}2_{/}\u00abSer\u00e1 que 
pretendes ter raz\u00e3o, 
quando dizes: "Sou mais 
justo do que Deus?" 
{I}3_{/}Ou quando dizes: "De 
que me serviu, e o que \u00e9 
que eu ganhei em n\u00e3o 
pecar?" {I}4_{/}Vou 
responder-te a ti e aos 
teus amigos. {I}5_{/}Olha 
atentamente para o c\u00e9u e 
observa as nuvens que 
est\u00e3o por cima de ti. 
{I}6_{/}Se pecares, que mal 
fazes a Deus? Se amontoas 
crimes, que danos Lhe 
causas? {I}7_{/}E se \u00e9s 
justo, o que \u00e9 que Lhe 
est\u00e1s a dar? O que \u00e9 que 
Ele recebe da tua m\u00e3o? 
{I}8_{/}A tua maldade s\u00f3 pode 
afectar um homem igual a 
ti. A tua justi\u00e7a s\u00f3 
atinge um outro ser 
humano como tu.
{I}9_{/}As pessoas gemem sob 
o peso da opress\u00e3o, e 
pedem socorro contra os 
poderosos. {I}10_{/}Mas 
ningu\u00e9m diz: "Onde est\u00e1 o 
nosso Deus criador, que 
restaura as nossas for\u00e7as 
durante a noite, {I}11_{/}que 
nos instrui mais do que 
aos animais da terra e 
nos torna mais s\u00e1bios do 
que as aves do c\u00e9u?" 
{I}12_{/}Alguns clamam, por\u00e9m 
Deus n\u00e3o responde ao 
orgulho dos injustos. 
{I}13_{/}Deus n\u00e3o ouve a 
falsidade, e o Todo-
poderoso n\u00e3o presta 
aten\u00e7\u00e3o a isso. {I}14_{/}E tu 
ainda te atreves a dizer 
que n\u00e3o O v\u00eas, que Lhe 
entregaste a tua causa, 
que Ele n\u00e3o interv\u00e9m com 
a sua ira,{I}15_{/}que Ele 
ignora o pecado. {I}16_{/}Job 
abriu a boca para dizer 
palavras sem sentido\u00bb.
4.JUSTI\u00c7A E GRANDEZA DE 
DEUS{/}

{1}36{/}

DEUS EDUCA PARA A 
JUSTI\u00c7A{/}

{I}1_{/}Eli\u00fa continuou, 
dizendo: {I}2_{/}\u00abEspera um 
pouco e eu te instruirei, 
porque ainda existem 
outros argumentos para a 
defesa de Deus. {I}3_{/}Irei 
longe para buscar a minha 
ci\u00eancia, a fim de dar 
raz\u00e3o ao meu Criador. 
{I}4_{/}Os meus argumentos 
n\u00e3o s\u00e3o falsos; tens 
diante de ti um s\u00e1bio 
consumado.
{I}5_{/}Sim, Deus \u00e9 poderoso 
e n\u00e3o despreza o cora\u00e7\u00e3o 
sincero. {I}6_{/}Ele n\u00e3o 
deixa viver o \u00edmpio e faz 
justi\u00e7a aos pobres. 
{I}7_{/}N\u00e3o afasta os seus 
olhos dos justos. Pelo 
contr\u00e1rio, f\u00e1-los sentar 
em tronos reais e exalta-
os para sempre. 
{I}8_{/}Quando os prende com 
correntes e os amarra com 
os la\u00e7os da afli\u00e7\u00e3o, 
{I}9_{/}\u00e9 porque Ele s\u00f3 quer 
denunciar-lhes as ac\u00e7\u00f5es 
e pecados causados pelo 
orgulho. {I}10_{/}E assim, 
Deus abre-lhes os ouvidos 
para a correc\u00e7\u00e3o e 
aconselha-os a 
abandonarem a injusti\u00e7a. 
{I}11_{/}Se eles Lhe derem 
aten\u00e7\u00e3o e se submeterem, 
terminar\u00e3o os seus dias 
na prosperidade e os seus 
anos no bem-estar. 
{I}12_{/}Se n\u00e3o obedecerem, 
atravessar\u00e3o a fronteira 
da morte e morrer\u00e3o sem 
dar por isso. {I}13_{/}Os 
injustos, quando Deus os 
aflige, acumulam rancor 
em vez de pedirem 
aux\u00edlio. {I}14_{/}Perdem a 
vida em plena juventude e 
morrem entre os infames. 
{I}15_{/}Deus, por\u00e9m, salva o 
pobre atrav\u00e9s da afli\u00e7\u00e3o 
e abre-lhe os ouvidos por 
meio do sofrimento.
{I}16_{/}Ele tamb\u00e9m te quer 
arrancar da ang\u00fastia e 
levar-te para um lugar 
espa\u00e7oso e aberto, para 
te servir com mesa farta. 
{I}17_{/}Tu, por\u00e9m, n\u00e3o fazes 
justi\u00e7a contra o injusto, 
nem defendes o direito do 
\u00f3rf\u00e3o. {I}18_{/}N\u00e3o te deixes 
seduzir com presentes, 
nem perverter com ricos 
subornos. 
{I}19_{/}Porventura, no 
perigo, as tuas riquezas 
e posses valer\u00e3o alguma 
coisa diante de Deus? 
{I}20_{/}N\u00e3o esmagues pessoas 
estranhas, para colocar 
os teus parentes no lugar 
delas. {I}21_{/}N\u00e3o te voltes 
para a injusti\u00e7a, porque 
foi por causa dela que 
foste provado atrav\u00e9s da 
afli\u00e7\u00e3o.
{I}22_{/}V\u00ea como Deus \u00e9 
sublime no seu poder! Que 
mestre pode comparar-se a 
Ele? {I}23_{/}Quem \u00e9 que Lhe 
ensina o caminho, ou pode 
acus\u00e1-l'O de injusti\u00e7a? 
{I}24_{/}Lembra-te de 
celebrar as suas obras, 
que a humanidade cantou. 
{I}25_{/}Todos os homens as 
contemplam, todos os 
mortais as admiram de 
longe.
O SENHOR DO OUTONO{/}

{I}26_{/}A grandeza de 
Deus supera todo o 
conhecimento, e o n\u00famero 
dos seus anos \u00e9 
incalcul\u00e1vel. {I}27_{/}Ele 
faz subir as gotas de 
\u00e1gua, e transforma os 
seus vapores em 
chuva.{I}28_{/}As nuvens 
destilam e derramam a 
chuva que cai abundante 
sobre a terra. {I}29_{/}Quem 
poder\u00e1 calcular a 
extens\u00e3o das nuvens e a 
altura da sua tenda 
celeste? {I}30_{/}Ele espalha 
diante de Si a neblina 
que cobre a crista das 
montanhas. {I}31_{/}Com a 
chuva, alimenta os povos, 
dando-lhes comida 
abundante. {I}32_{/}Enche as 
m\u00e3os com raios e atira-os 
contra um alvo certo. 
{I}33_{/}O trov\u00e3o anuncia a 
sua chegada, e a sua ira 
acende-se contra a 
injusti\u00e7a.
{1}37{/}

{I}1_{/}Ao ver tudo isto, o 
meu cora\u00e7\u00e3o treme e 
enche-se de espanto. 
{I}2_{/}Aten\u00e7\u00e3o! Ouvi o 
trov\u00e3o da sua voz e o 
estrondo que sai da sua 
boca. {I}3_{/}O seu rel\u00e2mpago 
brilha no c\u00e9u e atinge a 
extremidade da Terra. 
{I}4_{/}Depois dele ressoa o 
trov\u00e3o. Troveja com o seu 
fragor e ningu\u00e9m pode 
deter os seus raios, 
quando se ouve o seu 
trov\u00e3o. {I}5_{/}Deus troveja 
com uma voz prodigiosa e 
realiza maravilhas que 
n\u00e3o compreendemos.
O SENHOR DO INVERNO{/}

{I}6_{/}Deus ordena \u00e0 
neve: "Cai sobre a 
terra". E \u00e0 chuva 
torrencial: "Desce com 
viol\u00eancia". {I}7_{/}Ele 
interrompe a actividade 
dos homens, para que 
todos reconhe\u00e7am a sua 
obra. {I}8_{/}As feras entram 
nos seus esconderijos e 
permanecem nas suas 
tocas. {I}9_{/}O furac\u00e3o 
avan\u00e7a do Sul, e do Norte 
aproxima-se o frio. 
{I}10_{/}Ao sopro de Deus 
forma-se o gelo, e gela a 
superf\u00edcie das \u00e1guas. 
{I}11_{/}Ele enche as nuvens 
de raios e as nuvens 
espalham os seus 
rel\u00e2mpagos. {I}12_{/}Estas, 
guiadas por Ele, giram e 
circulam, para cumprir 
todas as suas ordens no 
mundo inteiro. {I}13_{/}Ele 
envia-as aos povos da 
Terra para os castigar ou 
para os beneficiar.
O SENHOR DO VER\u00c3O{/}

{I}14_{/}Ouve bem, Job. 
P\u00e1ra, e considera as 
maravilhas de Deus! {I}15_{/} 
Sabes como Deus dirige os 
rel\u00e2mpagos e os faz 
brilhar no meio das 
nuvens? {I}16_{/}Sabes como \u00e9 
que Ele equilibra as 
nuvens, maravilhas de 
sabedoria consumada? 
{I}17_{/}Sabes porque se 
aquecem as tuas vestes, 
quando a terra desfalece 
por causa do vento sul? 
{I}18_{/}Porventura saber\u00e1s 
estender como Ele o 
firmamento e torn\u00e1-lo 
s\u00f3lido como espelho de 
metal fundido? 
{I}19_{/}Ensina-nos o que 
devemos dizer a Deus, 
pois n\u00e3o podemos 
argumentar \u00e0s escuras. 
{I}20_{/}Ser\u00e1 preciso avis\u00e1-
l'O de que pretendo 
falar? Ser\u00e1 que Ele \u00e9 
informado quando um homem 
fala? {I}21_{/}Agora, 
escurecida pelas nuvens, 
j\u00e1 se n\u00e3o v\u00ea a luz que 
resplandece no c\u00e9u. No 
entanto, o vento soprar\u00e1 
e varrer\u00e1 as nuvens. 
{I}22_{/}Do Norte chega um 
clar\u00e3o dourado, Deus 
envolve-Se de majestade 
terr\u00edvel. {I}23_{/}N\u00e3o 
podemos alcan\u00e7ar o Todo-
poderoso. Ele \u00e9 sublime 
em poder, rico de 
justi\u00e7a, e n\u00e3o oprime 
ningu\u00e9m. {I}24_{/}Por isso, 
todos os homens O temem, 
e Ele n\u00e3o leva em conta 
aqueles que se consideram 
s\u00e1bios\u00bb.
IV. O DESAFIO DE DEUS{/}

1.DEUS \u00c9 O SENHOR DA 
VIDA{/}

{1}38{/}

JAV\u00c9 FALA POR DENTRO DO 
SOFRIMENTO HUMANO{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Jav\u00e9, do 
meio da tempestade, 
respondeu a Job e disse: 
{I}2_{/}\u00abQuem \u00e9 aquele que 
obscurece o meu projecto 
com palavras sem sentido? 
{I}3_{/}Se \u00e9s homem, prepara-
te: vou interrogar-te e 
tu responder-Me-\u00e1s.
O SENHOR DA NATUREZA{/}

{I}4_{/}Onde \u00e9 que tu 
estavas quando Eu lancei 
os fundamentos da Terra? 
Diz-mo, se \u00e9 que tens 
intelig\u00eancia para isso! 
{I}5_{/}Sabes quem fixou as 
dimens\u00f5es da Terra? Quem 
a mediu com a r\u00e9gua? 
{I}6_{/}Onde se encaixam as 
suas bases, ou quem foi 
que assentou a sua pedra 
angular, {I}7_{/}enquanto os 
astros da manh\u00e3 aclamavam 
e todos os filhos de Deus 
aplaudiam?
{I}8_{/}Quem p\u00f4s diques ao 
mar, quando ele irrompeu, 
jorrando do seio materno, 
{I}9_{/}quando lhe dava as 
nuvens como roupas e o 
enfaixava com espessas 
nuvens? {I}10_{/}Quando lhe 
coloquei limites com 
portas e trancas, {I}11_{/}e 
lhe disse: "Vais chegar 
at\u00e9 aqui, e n\u00e3o passar\u00e1s. 
Aqui se quebrar\u00e1 a 
soberba das tuas ondas"?
{I}12_{/}Alguma vez na tua 
vida deste ordens ao 
amanhecer, ou marcaste um 
lugar \u00e0 aurora, {I}13_{/}para 
ela agarrar as bordas da 
Terra e sacudir os 
injustos? {I}14_{/}Acaso 
deste ordens \u00e0 Terra para 
ela se moldar como a 
argila debaixo do sinete 
e tingir-se como um 
vestido, {I}15_{/}recusando a 
luz aos injustos e 
quebrando o bra\u00e7o dos 
soberbos? {I}16_{/}J\u00e1 
desceste \u00e0s fontes do 
mar, ou passeaste pelas 
profundezas do oceano? 
{I}17_{/}J\u00e1 te mostraram as 
portas da morte, ou j\u00e1 
viste os portais das 
sombras? {I}18_{/}J\u00e1 
examinaste a extens\u00e3o da 
Terra? Diz-me, se sabes 
tudo isso!
{I}19_{/}Por onde se vai \u00e0 
casa da luz, e onde \u00e9 o 
lugar das trevas, 
{I}20_{/}para que as leves 
para o seu territ\u00f3rio e 
lhes ensines o caminho 
para casa? 
{I}21_{/}Certamente deverias 
saber tudo isto, pois j\u00e1 
tinhas nascido e j\u00e1 
viveste muit\u00edssimos anos. 
{I}22_{/}J\u00e1 entraste nos 
reservat\u00f3rios da neve e 
observaste os dep\u00f3sitos 
do granizo, {I}23_{/}que Eu 
reservo para os tempos de 
calamidade, para os dias 
de guerra e batalha? 
{I}24_{/}Por onde se espalha 
o calor, e se difunde 
sobre a Terra o vento 
Leste? {I}25_{/}Quem abriu o 
caminho aos aguaceiros, e 
as rotas aos rel\u00e2mpagos e 
aos trov\u00f5es, {I}26_{/}para 
chover em terras 
despovoadas e no deserto, 
onde os homens n\u00e3o 
habitam, {I}27_{/}para que as 
regi\u00f5es desoladas se 
saciem, e fa\u00e7am germinar 
e brotar a erva? 
{I}28_{/}Ter\u00e1 a chuva um pai? 
Quem gera as gotas do 
orvalho? {I}29_{/}De que seio 
vem o gelo, e quem d\u00e1 \u00e0 
luz a geada do c\u00e9u? 
{I}30_{/}As \u00e1guas endurecem 
como pedra, e a 
superf\u00edcie do lago 
congela-se.
{I}31_{/}\u00c9s tu que amarras os 
la\u00e7os das Pl\u00eaiades, ou 
desatas as liga\u00e7\u00f5es de 
\u00d3rion? {I}32_{/}\u00c9s tu que 
fazes aparecer as 
constela\u00e7\u00f5es do zod\u00edaco 
na sua esta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, 
ou guias a Ursa Maior com 
os seus filhos? 
{I}33_{/}Conheces as leis do 
c\u00e9u, ou determinas as 
suas fun\u00e7\u00f5es sobre a 
Terra? {I}34_{/}\u00c9s capaz de 
levantar a voz at\u00e9 \u00e0s 
nuvens, para que te 
cubram de abundantes 
\u00e1guas? {I}35_{/}Porventura a 
tua voz faz surgir os 
rel\u00e2mpagos, que te 
respondem: "Aqui 
estamos"? {I}36_{/}Quem p\u00f4s a 
sabedoria nas nuvens ou 
quem deu intelig\u00eancia aos 
meteoros? {I}37_{/}Quem est\u00e1 
em grau de contar 
exactamente as nuvens, e 
quem entorna os c\u00e2ntaros 
do c\u00e9u, {I}38_{/}quando o p\u00f3 
da terra se transforma em 
barro e os torr\u00f5es se 
amontoam?
O SENHOR DOS ANIMAIS{/}

{I}39_{/}Acaso \u00e9s tu que 
ca\u00e7as a presa para a leoa 
ou sacias a fome dos 
le\u00f5ezinhos, {I}40_{/}quando 
eles se recolhem nas 
tocas ou ficam de 
emboscada nas moitas? 
{I}41_{/}\u00c9s tu que d\u00e1s 
alimento ao corvo, quando 
os seus filhotes gritam a 
Deus e se agitam por 
falta de comida?
{1}39{/}

{I}1_{/}Sabes quando \u00e9 que as 
camur\u00e7as t\u00eam cria? J\u00e1 
assististe ao parto das 
cor\u00e7as? {I}2_{/}Contaste os 
meses da sua gravidez ou 
conheces o momento do 
parto? {I}3_{/}Elas abaixam-
se, d\u00e3o \u00e0 luz as suas 
crias e livram-se das 
dores. {I}4_{/}Os seus 
filhotes crescem e ficam 
fortes, crescem nos 
campos, afastam-se delas 
e nunca mais voltam.
{I}5_{/}Quem solta as r\u00e9deas 
e d\u00e1 liberdade ao burro 
selvagem, {I}6_{/}ao qual dei 
o deserto como habita\u00e7\u00e3o 
e a plan\u00edcie salgada como 
moradia? {I}7_{/}Ele ri-se do 
barulho da cidade e n\u00e3o 
d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o aos gritos de 
quem o arreia. {I}8_{/}Ele 
explora as montanhas em 
busca de pasto, \u00e0 procura 
de lugares verdes.
{I}9_{/}Ser\u00e1 que o b\u00fafalo 
aceita servir-te e passar 
a noite no teu est\u00e1bulo? 
{I}10_{/}Poder\u00e1s colocar nele 
uma canga, para que lavre 
a terra dos teus campos? 
{I}11_{/}Ele \u00e9 forte. Mas 
ser\u00e1 que podes confiar 
nele para fazer o teu 
trabalho? {I}12_{/}Podes 
contar com ele, para 
recolher o teu trigo e 
encher a tua eira?
{I}13_{/}A avestruz bate 
alegremente as asas, como 
se tivesse penas e plumas 
de cegonha. {I}14_{/}Deixa os 
ovos no ch\u00e3o, para os 
chocar na areia, {I}15_{/}sem 
pensar que algum p\u00e9 
poder\u00e1 quebr\u00e1-los ou 
serem pisados por alguma 
fera. {I}16_{/}\u00c9 cruel com os 
filhotes, trata-os como 
se n\u00e3o fossem seus, e n\u00e3o 
se importa com a sua 
in\u00fatil fadiga, 
{I}17_{/}porque Deus a privou 
de sabedoria e n\u00e3o lhe 
concedeu intelig\u00eancia. 
{I}18_{/}Contudo, quando se 
levanta batendo os 
flancos, ri-se do cavalo 
e do seu cavaleiro.
{I}19_{/}\u00c9s tu que d\u00e1s for\u00e7a 
ao cavalo e revestes de 
crina o seu pesco\u00e7o? 
{I}20_{/}\u00c9s tu que o ensinas 
a saltar como um 
gafanhoto e a relinchar 
com majestade e terror? 
{I}21_{/}Cheio de for\u00e7a, 
escava o ch\u00e3o com a pata 
e lan\u00e7a-se ao encontro 
das armas. {I}22_{/}Ele ri-se 
do medo, n\u00e3o se assusta e 
n\u00e3o recua diante da 
espada. {I}23_{/}Sobre ele 
ressoa o barulho do 
escudo, a lan\u00e7a faiscante 
e o dardo. {I}24_{/}Com 
\u00edmpeto e estrondo, devora 
a dist\u00e2ncia e n\u00e3o p\u00e1ra, 
mesmo que soe o clarim. 
{I}25_{/}Ao toque da 
trombeta, ele relincha; 
fareja de longe a 
batalha, as ordens de 
comando e os gritos de 
guerra.
{I}26_{/}Ser\u00e1 pela tua 
sabedoria que o falc\u00e3o 
levanta voo, estendendo 
as asas para o Sul? 
{I}27_{/}Acaso \u00e9 sob a tua 
ordem que a \u00e1guia levanta 
voo e constr\u00f3i o seu 
ninho nas alturas? 
{I}28_{/}Ela mora nos 
rochedos, e ali pernoita 
numa fortaleza de rocha 
inating\u00edvel. {I}29_{/}Do alto 
ela espia a sua presa; os 
seus olhos descobrem-na 
de longe. {I}30_{/}Os seus 
filhotes chupam o sangue, 
e onde h\u00e1 cad\u00e1veres ela 
l\u00e1 est\u00e1\u00bb.
{1}40{/}

{I}1_{/}Jav\u00e9 continuou a 
dirigir-se a Job,e 
perguntou: 
{I}2_{/}\u00abO advers\u00e1rio vai 
querer continuar a 
discutir com o Todo-
poderoso? Quem critica a 
Deus ir\u00e1 responder?\u00bb
PRIMEIRA RESPOSTA DE JOB 
A DEUS{/}

SIL\u00caNCIO DIANTE DO 
MIST\u00c9RIO{/}

{I}3_{/}Ent\u00e3o Job 
respondeu a Jav\u00e9: 
{I}4_{/}\u00abSinto-me arrasado. 
Que posso eu replicar? 
Vou tapar a boca com a 
m\u00e3o. {I}5_{/}Falei uma vez e 
n\u00e3o insistirei; falei 
duas vezes, e n\u00e3o vou 
acrescentar mais nada\u00bb.
2.DEUS TRIUNFA SOBRE O 
MAL{/}

O GRANDE DESAFIO: DEUS \u00c9 
DEUS, E O HOMEM N\u00c3O \u00c9 
DEUS{/}

{I}6_{/}Do meio da 
tempestade, Jav\u00e9 replicou 
a Job: {I}7_{/}\u00abSe \u00e9s homem, 
prepara-te: vou 
interrogar-te e 
responder-me-\u00e1s. 
{I}8_{/}Atreves-te a anular a 
minha justi\u00e7a e a 
condenar-Me, para te 
justificares a ti mesmo? 
{I}9_{/}Tens um bra\u00e7o 
semelhante ao bra\u00e7o de 
Deus? A tua voz troveja 
como a voz de Deus? 
{I}10_{/}Ent\u00e3o reveste-te de 
majestade e grandeza, e 
cobre-te de esplendor e 
gl\u00f3ria! {I}11_{/}Espalha o 
ardor da tua ira e, com 
um s\u00f3 olhar, rebaixa 
todos os orgulhosos. 
{I}12_{/}Humilha com o teu 
olhar o arrogante, e 
esmaga os injustos onde 
quer que se encontrem. 
{I}13_{/}Enterra-os todos 
juntos debaixo da terra, 
e amarra-os todos juntos 
na pris\u00e3o. {I}14_{/}Ent\u00e3o 
tamb\u00e9m Eu te louvarei, 
porque conseguiste a 
vit\u00f3ria com a tua pr\u00f3pria 
m\u00e3o direita.
DEUS DOMINA A FOR\u00c7A 
BRUTA{/}

{I}15_{/}V\u00ea o hipop\u00f3tamo 
que Eu criei como te 
criei a ti. Ele alimenta-
se de erva como o boi. 
{I}16_{/}A sua for\u00e7a est\u00e1 nos 
seus rins, e o seu vigor 
nos m\u00fasculos do ventre. 
{I}17_{/}Ergue a cauda como 
um cedro e entrela\u00e7a os 
tend\u00f5es das coxas. 
{I}18_{/}Os seus ossos s\u00e3o 
como tubos de bronze, e a 
sua carca\u00e7a parece feita 
de barras de ferro. 
{I}19_{/}Ele \u00e9 a obra-prima 
de Deus, e s\u00f3 o seu 
Criador o pode amea\u00e7ar 
com a espada. {I}20_{/}Deus 
pro\u00edbe-lhe a regi\u00e3o das 
montanhas, onde as feras 
se divertem. {I}21_{/}Ele 
deita-se debaixo do 
l\u00f3tus, e esconde-se entre 
os juncos do p\u00e2ntano. 
{I}22_{/}Cobre-o com a sombra 
o l\u00f3tus, e envolvem-no os 
salgueiros da torrente. 
{I}23_{/}Ainda que o rio 
transborde, ele n\u00e3o se 
assusta. Pelo contr\u00e1rio, 
fica tranquilo, mesmo que 
o Jord\u00e3o transborde at\u00e9 \u00e0 
sua boca. {I}24_{/}Quem 
poder\u00e1 agarr\u00e1-lo pela 
frente ou perfurar-lhe as 
narinas para lhes aplicar 
argolas?
DEUS DOMINA O MAL QUE 
AMEA\u00c7A O HOMEM{/}

{I}25_{/}\u00c9s capaz de 
pescar o Leviat\u00e3 com 
anzol e amarrar-lhe a 
l\u00edngua com uma corda? 
{I}26_{/}\u00c9s capaz de lhe 
furar as narinas com 
junco e de lhe perfurar a 
mand\u00edbula com gancho? 
{I}27_{/}Ser\u00e1 que ele viria 
ter contigo com muitas 
s\u00faplicas ou te falaria 
com ternura? {I}28_{/}Ser\u00e1 
que faria uma alian\u00e7a 
contigo, para fazeres 
dele o teu criado 
perp\u00e9tuo? {I}29_{/}Brincar\u00e1s 
com ele como se fosse um 
p\u00e1ssaro, ou amarr\u00e1-lo-\u00e1s 
para as tuas filhas? 
{I}30_{/}Ser\u00e1 que os 
pescadores o negociar\u00e3o, 
ou os negociantes o 
dividir\u00e3o entre si? 
{I}31_{/}Poder\u00e1s crivar a sua 
pele com dardos ou a 
cabe\u00e7a com arp\u00e3o de 
pesca? {I}32_{/}Experimenta 
colocar a m\u00e3o em cima 
dele: lembrar-te-\u00e1s da 
luta, e nunca mais 
repetir\u00e1s isso!
{1}41{/}

{I}1_{/}V\u00ea! Diante dele, toda 
a seguran\u00e7a \u00e9 apenas 
ilus\u00e3o, pois basta algu\u00e9m 
v\u00ea-lo para ficar com 
medo. {I}2_{/}Ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o 
corajoso que o provoque. 
Quem poderia enfrent\u00e1-lo 
cara a cara? {I}3_{/}Quem se 
atreveu a desafi\u00e1-lo, e 
saiu ileso? Ningu\u00e9m 
debaixo de todo o c\u00e9u.
{I}4_{/}N\u00e3o deixarei de 
descrever os seus 
membros, e a sua for\u00e7a 
incompar\u00e1vel. {I}5_{/}Quem 
lhe abriu a coura\u00e7a e 
penetrou pela sua dupla 
armadura? {I}6_{/}Quem abriu 
as duas portas da sua 
boca, rodeadas de dentes 
terr\u00edveis? {I}7_{/}As suas 
costas s\u00e3o fileiras de 
escudos, estreitamente 
ligados; {I}8_{/}s\u00e3o t\u00e3o 
unidos uns com os outros, 
que nem o ar passa entre 
eles; {I}9_{/}cada um \u00e9 t\u00e3o 
ligado com o outro, que 
ficam travados e n\u00e3o se 
podem separar. {I}10_{/}Os 
seus espirros lan\u00e7am 
fa\u00edscas, e os seus olhos 
s\u00e3o como a cor rosa da 
aurora. {I}11_{/}Da sua boca 
irrompem tochas acesas e 
saltam centelhas de fogo. 
{I}12_{/}Das suas narinas 
jorra fumo, como de 
caldeira que ferve ao 
fogo. {I}13_{/}O seu bafo 
queima como brasa, e a 
sua boca lan\u00e7a chamas. 
{I}14_{/}No seu pesco\u00e7o 
reside a for\u00e7a, e diante 
dele dan\u00e7a o terror. 
{I}15_{/}Os m\u00fasculos do seu 
corpo s\u00e3o compactos, 
s\u00f3lidos e im\u00f3veis. {I}16_{/}O 
seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 duro como 
rocha e s\u00f3lido como pedra 
de moinho. {I}17_{/}Quando 
ele se ergue, os her\u00f3is 
tremem e fogem 
apavorados. {I}18_{/}A espada 
que o atinge n\u00e3o penetra, 
nem a lan\u00e7a, nem o dardo, 
nem o arp\u00e3o. {I}19_{/}Para 
ele o ferro \u00e9 como palha, 
e o bronze como madeira 
podre. {I}20_{/}A flecha n\u00e3o 
o afugenta, e as pedras 
da funda transformam-se 
em palha para ele. {I}21_{/}A 
ma\u00e7a \u00e9 para ele como 
estopa, e ele zomba dos 
dardos que assobiam. 
{I}22_{/}O seu ventre, 
coberto de escamas 
pontiagudas, \u00e9 uma grade 
de ferro que se arrasta 
sobre o lodo. {I}23_{/}Ele 
faz ferver o fundo do mar 
como caldeira, e a \u00e1gua 
fumegar como vasilha 
quente cheia de 
unguentos. {I}24_{/}Atr\u00e1s de 
si deixa uma esteira 
brilhante, e a \u00e1gua 
parece cabeleira branca. 
{I}25_{/}Na terra ningu\u00e9m se 
iguala a ele, pois foi 
criado para n\u00e3o ter medo. 
{I}26_{/}Ele confronta-se com 
os seres mais altivos, e 
\u00e9 o rei das feras 
soberbas\u00bb.
\u00daLTIMA RESPOSTA DE JOB A 
DEUS{/}

{1}42{/}

A EXPERI\u00caNCIA DO DEUS 
VIVO{/}

{I}1_{/}Ent\u00e3o Job 
respondeu a Jav\u00e9: {I}2_{/}\u00abEu 
reconhe\u00e7o que tudo podes 
e que nenhum dos teus 
projectos fica sem 
realiza\u00e7\u00e3o. {I}3_{/}Tu 
disseste: "Quem \u00e9 esse 
que escurece os meus 
projectos com palavras 
sem sentido?" Pois bem! 
Eu falei, sem entender, 
de maravilhas que superam 
a minha compreens\u00e3o. 
{I}4_{/}Tu disseste: "Escuta-
Me, porque vou falar. Vou 
interrogar-te, e 
responder-Me-\u00e1s". {I}5_{/}Eu 
conhecia-Te s\u00f3 por ouvir. 
Agora, por\u00e9m, os meus 
olhos v\u00eaem-Te. {I}6_{/}Por 
isso, eu retrato-me e 
arrependo-me, sobre o p\u00f3 
e a cinza\u00bb.
V. AP\u00caNDICE{/}

A INTERCESS\u00c3O DO POBRE{/}

{I}7_{/}Jav\u00e9 acabou de 
falar com Job, e dirigiu-
Se a Elifaz de Tem\u00e3, 
dizendo: \u00abEstou irritado 
contra ti e os teus dois 
companheiros, porque n\u00e3o 
falastes correctamente de 
Mim como falou o meu 
servo Job. {I}8_{/}Portanto, 
pegai em sete bezerros e 
sete carneiros, e ide ter 
com o meu servo Job. 
Oferecei os animais em 
holocausto, e o meu servo 
Job interceder\u00e1 por v\u00f3s. 
Em aten\u00e7\u00e3o a ele, n\u00e3o vos 
tratarei como a vossa 
insensatez merece, porque 
n\u00e3o falastes 
correctamente de Mim, 
como falou o meu servo 
Job\u00bb. {I}9_{/}Ent\u00e3o, Elifaz 
de Tem\u00e3, Baldad de Su\u00e1s e 
Sofar de Naamat fizeram o 
que Jav\u00e9 lhes tinha 
ordenado. E Jav\u00e9 atendeu 
\u00e0s ora\u00e7\u00f5es de Job.
O REGRESSO DA FELICIDADE{/}

{I}10_{/}Quando Job 
intercedeu pelos seus 
companheiros, Jav\u00e9 mudou-
lhe a sorte e duplicou-
lhe todas as posses. 
{I}11_{/}Os seus irm\u00e3os e 
irm\u00e3s e os antigos 
conhecidos foram visit\u00e1-
lo. Almo\u00e7aram em sua 
casa, consolaram-no e 
confortaram-no pela 
desgra\u00e7a que Jav\u00e9 lhe 
tinha enviado. Cada um 
ofereceu a Job uma soma 
de dinheiro e um anel de 
ouro. {I}12_{/}E Jav\u00e9 
aben\u00e7oou Job, mais ainda 
do que antes. Ele possu\u00eda 
agora catorze mil 
ovelhas, seis mil 
camelos, mil juntas de 
bois e mil jumentas. 
{I}13_{/}Teve sete filhos e 
tr\u00eas filhas: {I}14_{/}a 
primeira chama-se Rola, a 
segunda C\u00e1ssia e a 
terceira Azeviche. 
{I}15_{/}Em toda a terra n\u00e3o 
havia mulheres mais belas 
do que as filhas de Job. 
E o seu pai deu-lhes uma 
parte da heran\u00e7a entre os 
seus irm\u00e3os.
{I}16_{/}Depois disto, Job 
viveu ainda cento e 
quarenta anos, e conheceu 
os seus filhos, netos e 
bisnetos. {I}17_{/}Depois Job 
morreu, velho em idade 
avan\u00e7ada.
