{N}1,{/}1: (1-3) O Apocalipse \u00e9 um livro lido e explicado nas reuni\u00f5es das comunidades crist\u00e3s. O seu conte\u00fado \u00e9 {C}urgente,{/} porque com a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus a Hist\u00f3ria est\u00e1 a chegar ao fim e Deus vai julgar e implantar o seu Reino. A miss\u00e3o de Jo\u00e3o \u00e9 a de todos os crist\u00e3os: profetizar, anunciando a Palavra de Deus e continuando o testemunho de Jesus Cristo.

{N}1,{/}4: (4-8) O n\u00famero {C}sete{/} \u00e9 simb\u00f3lico e indica totalidade, plenitude. Jo\u00e3o dirige-se a {C}toda{/} a Igreja, representada pelas comunidades da \u00c1sia.
Deus Pai \u00e9 o Senhor da Hist\u00f3ria: assim como agiu no passado, age no presente e agir\u00e1 no futuro. Sete Esp\u00edritos, isto \u00e9, a plenitude do Esp\u00edrito de Deus.
Jesus \u00e9 o centro do projecto e ac\u00e7\u00e3o de Deus. A gl\u00f3ria e o poder pertencem-Lhe, porque: - Ele \u00e9 a {C}Testemunha fiel,{/} que revelou e realizou o projecto do Pai at\u00e9 ao fim, dando a vida por amor aos homens; - Ele \u00e9 o {C}Primeiro a ressuscitar dos mortos,{/} vencendo assim a morte e o pecado, e tornou-Se in\u00edcio de uma nova humanidade; - Ele \u00e9 o {C}Chefe dos reis da Terra,{/} pois est\u00e1 acima de todos os poderosos e re\u00fane os homens para fazer deles um Reino onde todos s\u00e3o sacerdotes da alian\u00e7a com Deus Pai. O v. 7 mostra que Jesus vem para julgar e implantar o Reino.

{N}1,{/}9: (9-11) Esta primeira vis\u00e3o \u00e9 o motor de tudo o que vir\u00e1 a seguir.
A situa\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o mostra que os crist\u00e3os, por darem testemunho, sofrem persegui\u00e7\u00e3o (tribula\u00e7\u00e3o), mas j\u00e1 participam da vit\u00f3ria do Ressuscitado (realeza) e, por isso, perseveram na f\u00e9 e no testemunho.
No domingo (dia do Senhor), as comunidades celebram a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, com a qual se iniciam, na Hist\u00f3ria, o julgamento e a instaura\u00e7\u00e3o do Reino, que trazem justi\u00e7a e vida aos homens.

{N}1,{/}12: (12-16) Jo\u00e3o v\u00ea Jesus presente e agindo dentro da vida das comunidades (candelabros, cf. v. 20), que irradiam para todo o mundo a presen\u00e7a de Cristo ressuscitado. Ele \u00e9 o Filho do Homem, o enviado de Deus para realizar o julgamento e instaurar o Reino (cf. Dn 7,13). Jesus \u00e9 o \u00fanico mediador entre Deus e as comunidades: \u00e9 Sacerdote (t\u00fanica), Rei (cinto de ouro), divino (cabelos brancos), tem a ci\u00eancia de Deus para penetrar tudo (olhos de fogo), \u00e9 firme (p\u00e9s de bronze) e poderoso (voz como as \u00e1guas). As sete estrelas s\u00e3o os chefes (anjos) das comunidades, a espada de dois gumes \u00e9 o Evangelho que julga a Igreja e o mundo. O rosto brilhante como o Sol relembra a transfigura\u00e7\u00e3o (cf. Mt 17,2).

{N}1,{/}17: (17-20) Jo\u00e3o personifica as comunidades com medo das persegui\u00e7\u00f5es (como morto). Mas o Ressuscitado, presente na Igreja, traz tranquilidade e seguran\u00e7a, porque \u00e9 o Senhor da Hist\u00f3ria (Primeiro e \u00daltimo) e o Senhor da vida (tem as chaves da morte e da morada dos mortos). 
A miss\u00e3o de Jo\u00e3o \u00e9 escrever o livro do Apocalipse para toda a Igreja. As {C}coisas presentes{/} s\u00e3o as sete cartas para as Igrejas, convidando-as \u00e0 convers\u00e3o (caps. 2-3); as {C}coisas que devem acontecer depois delas{/} est\u00e3o na segunda parte do livro, mostrando o testemunho da Igreja no mundo (caps. 4-22).

{N}2,{/}1: (1-7) A comunidade de \u00c9feso \u00e9 activa e faz muitas coisas boas. Mas deixou de obedecer ao mandamento do amor, correndo o risco de perder a sua identidade como comunidade crist\u00e3 (cf. Jo 13,35).
  2-3: As sete cartas apresentam a Igreja \u00abpor dentro\u00bb: Jesus est\u00e1 presente nela e, pela palavra do Evangelho, faz com que ela se converta sempre, identificando-se cada vez mais com a sua pessoa e testemunho.

{N}2,{/}7: Esta exorta\u00e7\u00e3o para que ou\u00e7am o Esp\u00edrito aparece no fim das sete cartas. Quando a Igreja se encontra em processo de convers\u00e3o para seguir a Jesus, torna-se capaz de perceber, pelo Esp\u00edrito de Jesus, qual \u00e9 a palavra que deve dizer e a ac\u00e7\u00e3o oportuna que deve realizar em determinado momento.

{N}2,{/}8: (8-11) A comunidade de Esmirna \u00e9 pobre. A sua riqueza consiste no testemunho e no seguimento de Jesus. Por isso, n\u00e3o deve temer as persegui\u00e7\u00f5es: assim como Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo tamb\u00e9m ela ter\u00e1 sempre a vida.

{N}2,{/}12: (12-17) A comunidade de P\u00e9rgamo sabe resistir \u00e0 religi\u00e3o imperial (trono de Satan\u00e1s) que efectua persegui\u00e7\u00f5es e mart\u00edrios, mas sucumbe \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o do sincretismo religioso (doutrina de Bala\u00e3o e dos nicola\u00edtas). A comunidade crist\u00e3 precisa de discernir e combater a idolatria do poder pol\u00edtico totalit\u00e1rio e a idolatria das ideias que amea\u00e7am a vida crist\u00e3 aut\u00eantica.

{N}2,{/}18: (18-29) A comunidade de Tiatira \u00e9 exemplar em tudo, menos no combate \u00e0s falsas doutrinas que amea\u00e7am desvirtuar a vida crist\u00e3.

{N}3,{/}1: (1-6) Com poucas excep\u00e7\u00f5es, a comunidade de Sardes apoia-se na hipocrisia. A sua vida como comunidade crist\u00e3 \u00e9 apenas apar\u00eancia que n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade.

{N}3,{/}7: (7-13) A comunidade de Filad\u00e9lfia \u00e9 fraca, mas permanece fiel \u00e0 sua f\u00e9, e por isso recebe uma protec\u00e7\u00e3o especial de Jesus na hora da persegui\u00e7\u00e3o. \u00c9 na fraqueza do homem que se manifesta o amor de Jesus, dando-lhe for\u00e7a e coragem.

{N}3,{/}14: (14-22) A comunidade de Laodiceia \u00e9 rica e auto-suficiente: confia em si mesma, e n\u00e3o quer depender de ningu\u00e9m. Contudo, a verdadeira riqueza de uma comunidade \u00e9 ouvir a Palavra de Jesus e ficar unida a Ele.

{N}4,{/}1: Num processo de convers\u00e3o, a Igreja torna-se capaz de discernir o projecto de Deus que est\u00e1 em realiza\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria. E Jo\u00e3o agora vai \u00absubir\u00bb, isto \u00e9, vai descrever o mist\u00e9rio que est\u00e1 por dentro da Hist\u00f3ria, e que dirige todo o seu desenvolvimento.

{N}4,{/}2: (2-4) Jo\u00e3o apresenta Deus como rei e juiz que governa a Hist\u00f3ria (trono), mas o seu governo \u00e9 dirigido pelo amor e miseric\u00f3rdia (arco-\u00edris: Gn 9,13ss), pois Deus s\u00f3 quer a vida: Ele \u00e9 santo e transcendente (brilho das pedras preciosas).
O povo de Deus (vinte e quatro Anci\u00e3os) participa do governo da Hist\u00f3ria (tronos), da vida do Ressuscitado (veste branca) e da sua vit\u00f3ria (coroa).

{N}4,{/}5: (5-6) Deus age continuamente na Hist\u00f3ria, intervindo em favor do homem (rel\u00e2mpagos, vozes, trov\u00f5es: Ex 19,16), dando vida a todos os seres (sete Esp\u00edritos) e governando todos os povos (mar de vidro: Sl 65,8).

{N}4,{/}6: (6-8) Os quatro Seres vivos simbolizam toda a Cria\u00e7\u00e3o (quatro tamb\u00e9m indica totalidade). As criaturas testemunham que Deus age sem cessar, de modo vigilante (olhos) e r\u00e1pido (asas).

{N}4,{/}8: (8-11) A cria\u00e7\u00e3o louva a Deus, reconhecendo-O como Todo-poderoso e Senhor da Hist\u00f3ria. O povo de Deus continua o louvor da cria\u00e7\u00e3o reconhecendo que a gl\u00f3ria, a honra e o poder pertencem a Deus, porque s\u00f3 Ele criou todas as coisas. Numa situa\u00e7\u00e3o de persegui\u00e7\u00e3o, os crist\u00e3os n\u00e3o desesperam, pois sabem que Deus Criador sustenta e dirige toda a Hist\u00f3ria.

{N}5,{/}1: (1-4) O livro completamente fechado (sete selos ou lacres) e inteiramente escrito (por dentro e por fora) est\u00e1 na m\u00e3o de Deus, porque cont\u00e9m o projecto de Deus sobre a vida e a Hist\u00f3ria. Podemos dizer que o Antigo Testamento \u00e9 esse livro fechado, que se torna plenamente compreendido na pessoa de Jesus (cf. Lc 24,25-27). Jo\u00e3o chora: \u00e9 grande o desespero da comunidade diante da impossibilidade de conhecer o projecto de Deus na Hist\u00f3ria.

{N}5,{/}5: (5-7) Cristo morto e ressuscitado \u00e9 o Cordeiro pascal (cf. Ex 12), imolado pelos pecados do mundo. Est\u00e1 de p\u00e9 porque ressuscitou. Ele \u00e9 o Messias (Le\u00e3o e Rebento) que tem a plenitude do poder (sete chifres) e a plenitude do Esp\u00edrito de Deus, pois Ele v\u00ea tudo o que acontece na Hist\u00f3ria (sete olhos e sete esp\u00edritos). Ele pode receber e abrir o livro, porque, na sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, j\u00e1 realizou o projecto de Deus, que \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o. Doravante, a Hist\u00f3ria dos homens est\u00e1 nas m\u00e3os de Cristo; e o projecto de Deus vai ser cumprido por todos.

{N}5,{/}8: (8-14) Quando o Cordeiro recebe o livro, ouvem-se tr\u00eas grandes louvores. O {C}primeiro{/} \u00e9 da Cria\u00e7\u00e3o e do povo de Deus, mostrando a raz\u00e3o pela qual o Cordeiro pode receber o livro. O {C}segundo{/} \u00e9 dos Anjos, atribuindo a Jesus todas as qualidades poss\u00edveis; pois o Senhor da Hist\u00f3ria \u00e9 somente Jesus, e n\u00e3o os poderes que se absolutizam. O {C}terceiro{/} \u00e9 de todas as criaturas, que reconhecem Deus e o Cordeiro no mesmo plano. O povo de Deus adora somente a Deus e a Jesus Cristo, e n\u00e3o os homens nem as coisas.

{N}6,{/}1: (1-8) Os primeiros quatro selos apresentam a Hist\u00f3ria do homem dominada pelo mal. A fonte do mal \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o de poder e conquista (primeiro selo), que geram a {C}guerra{/} e a competi\u00e7\u00e3o (segundo selo), o racionamento e a {C}fome{/} (terceiro selo) e, por fim, a doen\u00e7a e a {C}morte{/} (quarto selo).
  6-7: Os cap\u00edtulos 6 e 7 s\u00e3o simb\u00f3licos, pois o livro ainda n\u00e3o est\u00e1 aberto. Temos aqui um resumo de todo o Apocalipse. Jo\u00e3o mostra o que \u00e9 a Hist\u00f3ria do homem e como ela est\u00e1 em poder do Ressuscitado e a caminho para o julgamento e a salva\u00e7\u00e3o.

{N}6,{/}9: (9-11) No meio do mal, os crist\u00e3os s\u00e3o perseguidos e mortos como Jesus. Eles pedem a Deus que fa\u00e7a justi\u00e7a, julgando o mal e salvando. Deus, por\u00e9m, espera que todo o seu povo esteja reunido. A veste branca mostra que os m\u00e1rtires j\u00e1 participam na vit\u00f3ria do Ressuscitado.

{N}6,{/}12: (12-17) Respondendo ao pedido dos m\u00e1rtires, Deus realiza o grande Dia do julgamento. O julgamento, apresentado sob a figura dos fen\u00f3menos catastr\u00f3ficos na Natureza, \u00e9 a consequ\u00eancia do poder do mal que domina a Hist\u00f3ria, sendo esse mal simbolizado pelos quatro cavaleiros. O julgamento atinge a todos (sete categorias sociais). Reconhecendo-se culpados, os homens temem mais a Deus do que a pr\u00f3pria morte. 

{N}7,{/}1: (1-9) O aspecto positivo do grande Dia \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o. O povo de Deus (doze tribos) \u00e9 protegido no julgamento (os Anjos seguram os quatro ventos). A marca na fronte \u00e9 o sinal da salva\u00e7\u00e3o e da perten\u00e7a a Deus. O povo de Deus \u00e9 apresentado como o Israel total e perfeito (12x12x1000 = 144 000). \u00c9 um povo incont\u00e1vel (v. 9), porque a salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberta a todos os homens (gente de todas as na\u00e7\u00f5es, tribos, povos e l\u00ednguas).

{N}7,{/}10: (10-12) O povo de Deus reconhece que a salva\u00e7\u00e3o vem de Deus e do Cordeiro. N\u00e3o s\u00e3o as coisas e nem os homens absolutizados que salvam. Unido aos Anjos e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, o povo de Deus adora a Deus e reconhece que a plenitude do louvor pertence somente a Deus.

{N}7,{/}13: (13-17) Jo\u00e3o enfatiza a salva\u00e7\u00e3o do povo de Deus. A grande tribula\u00e7\u00e3o s\u00e3o as persegui\u00e7\u00f5es. A veste branca significa a participa\u00e7\u00e3o no testemunho de Jesus. Os vv. 15-17 lembram a festa das Tendas que era um sinal da Alian\u00e7a. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a: a morada de Deus com os homens. Com a realiza\u00e7\u00e3o futura da Alian\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o haver\u00e1 limita\u00e7\u00f5es nem sofrimentos: Jesus ser\u00e1 o pastor que leva o povo a viver em plenitude.

{N}8,{/}1: (1-6) O sil\u00eancio durante meia hora indica a gravidade do que vai acontecer. Com o julgamento (trombetas) e o Reino come\u00e7a na Hist\u00f3ria o tempo final. O incenso oferecido juntamente com as ora\u00e7\u00f5es dos santos indica que o pedido dos m\u00e1rtires (6,9-11) vai ser atendido: Deus interv\u00e9m na Hist\u00f3ria fazendo justi\u00e7a e salvando.
  8,1-11,19: Com a abertura do s\u00e9timo selo, o livro do projecto de Deus est\u00e1 aberto, e agora vai ser realizado. Esse projecto \u00e9 o mist\u00e9rio (10,7) que vai ser cumprido: a vinda do Reino (11,15).

{N}8,{/}7: (7-13) O julgamento \u00e9 universal (terra, mar, rios, fontes e astros), mas realiza-se aos poucos ao longo da Hist\u00f3ria (um ter\u00e7o). Assim como Deus agiu no passado (pragas do Egipto), Ele age no presente e vai agir no futuro (temas dos profetas) para julgar o mal e instaurar o bem. A \u00c1guia adverte sobre os tr\u00eas \u00faltimos toques de trombeta. 

{N}9,{/}1: (1-12) A interven\u00e7\u00e3o de Deus atinge e destr\u00f3i o mal. Os gafanhotos lembram a oitava praga do Egipto (Ex 10,11-15), mas s\u00e3o descritos como um ex\u00e9rcito (cf. Jl 1-2) que vai atacar os que n\u00e3o t\u00eam a marca de Deus, isto \u00e9, os perseguidores do povo de Deus. Jo\u00e3o parece aludir \u00e0s grandes pot\u00eancias em luta constante pela supremacia. Os perseguidores s\u00e3o destru\u00eddos pelo seu pr\u00f3prio mal.

{N}9,{/}13: (13-21) No Antigo Testamento a regi\u00e3o do rio Eufrates era de onde vinham os ex\u00e9rcitos inimigos. 
A sexta trombeta mostra que o julgamento \u00e9 {C}apelo \u00e0 convers\u00e3o{/}: abandonar os \u00eddolos e aceitar o \u00fanico absoluto que \u00e9 Deus. Mas, tal como o Fara\u00f3 do Egipto, os homens n\u00e3o deixam de adorar os \u00eddolos, coisas e pessoas absolutizadas. Como consequ\u00eancia, n\u00e3o deixam de praticar o mal, pois o homem \u00e9 sempre a imagem do deus que ele adora e serve.

{N}10,{/}1: (1-3) O anjo forte indica uma grande interven\u00e7\u00e3o de Deus. Interven\u00e7\u00e3o de miseric\u00f3rdia (arco-\u00edris), que interessa a todos (mar e terra). O {C}livrinho{/} aberto \u00e9 o Evangelho, com esta mensagem clara e universal: Deus quer salvar todos os homens, chamando-os \u00e0 convers\u00e3o.

{N}10,{/}4: (4-10) O Evangelho n\u00e3o deve ser escrito, porque o seu conte\u00fado \u00e9 urgente (\u00abj\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais tempo\u00bb), pois, com a s\u00e9tima trombeta, o mist\u00e9rio de Deus vai realizar-se: a instaura\u00e7\u00e3o do Reino (11,15). O fim da Hist\u00f3ria, com o julgamento e a salva\u00e7\u00e3o, chega pelo an\u00fancio do Evangelho. Por isso, ele deve ser comido, isto \u00e9, assimilado, para ser vivido e testemunhado. \u00c9 doce porque anuncia a salva\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 tamb\u00e9m amargo, porque provoca persegui\u00e7\u00f5es.

{N}10,{/}11: A miss\u00e3o do povo de Deus \u00e9 continuar a profetizar a muitos povos, na\u00e7\u00f5es, l\u00ednguas e reis. Profetizar \u00e9 anunciar o Evangelho, ou seja, continuar o testemunho dado por Jesus. O an\u00fancio \u00e9 para todos, porque o Evangelho julga e salva: ou continuar com os \u00eddolos e caminhar para a morte, ou aceitar o Deus revelado por Jesus, convertendo-se para viver.

{N}11,{/}1: (1-2) O Templo, o altar e os adoradores s\u00e3o s\u00edmbolos do povo de Deus. A medi\u00e7\u00e3o \u00e9 um sinal de protec\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o. O resto do mundo \u00e9 dominado pelos pag\u00e3os at\u00e9 ao fim da Hist\u00f3ria. 
Quarenta e dois meses (mil duzentos e sessenta dias = tr\u00eas anos e meio = tr\u00eas tempos e meio) foi o tempo que durou a persegui\u00e7\u00e3o de Ant\u00edoco IV aos judeus; tornou-se o tempo simb\u00f3lico da era escatol\u00f3gica, isto \u00e9, o tempo que vai da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus at\u00e9 ao fim da Hist\u00f3ria.

{N}11,{/}3: (3-6) As duas testemunhas personificam o povo de Deus, que realiza a miss\u00e3o prof\u00e9tica. \u00c9 tempo de persegui\u00e7\u00e3o e penit\u00eancia (vestidos de saco). Em Zc 4,3.14, as duas oliveiras simbolizavam os dois chefes, pol\u00edtico e religioso, que iriam restaurar o povo de Deus. Jo\u00e3o mostra que o novo povo de Deus \u00e9 formado pelos crist\u00e3os que anunciam o Evangelho. Os membros do povo de Deus s\u00e3o luz de Deus para a Terra (candelabro) e s\u00e3o profetas como Mois\u00e9s (poder sobre a \u00e1gua) e como Elias (poder sobre o fogo e a chuva).

{N}11,{/}7: (7-10) Profetizar \u00e9 dizer a verdade, e isso leva \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o e at\u00e9 \u00e0 morte. \u00c9 assim que os crist\u00e3os continuam o testemunho de Jesus. A Besta \u00e9 a idolatria do poder pol\u00edtico absolutizado, como o do imperador romano. A Grande Cidade \u00e9 a sede desse poder, que nela reproduz a vida desregrada de Sodoma, a opress\u00e3o do Egipto e a injusti\u00e7a de Jerusal\u00e9m que crucificou Jesus. As pessoas alegram-se com a morte das testemunhas; de facto os profetas incomodam a sociedade que n\u00e3o quer abandonar os seus \u00eddolos.

{N}11,{/}11: (11-14) A vit\u00f3ria da Besta \u00e9 curta (tr\u00eas dias e meio), pois o Esp\u00edrito de Deus ressuscita as testemunhas (cf. Ez 37,10), que v\u00e3o para junto de Deus. O resultado da miss\u00e3o prof\u00e9tica \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o divina (terremoto). Deus age atrav\u00e9s do testemunho dos crist\u00e3os, realizando o julgamento que provoca a convers\u00e3o: os sobreviventes d\u00e3o gl\u00f3ria ao Deus do C\u00e9u.

{N}11,{/}15: (15-19) Com a s\u00e9tima trombeta realiza-se o mist\u00e9rio de Deus (10,7): a vinda do Reino atrav\u00e9s do testemunho prof\u00e9tico do povo de Deus (11,1-13). O povo de Deus (vinte e quatro Anci\u00e3os) proclama o Deus todo-poderoso, que reina e realiza a justi\u00e7a. N\u00e3o se fala mais do Deus \u00abque-vem\u00bb, porque Ele j\u00e1 veio no testemunho de Jesus e dos seus seguidores.
A {C}arca{/} \u00e9 o sinal da alian\u00e7a e indica a presen\u00e7a de Deus no meio do povo. A alian\u00e7a realiza-se atrav\u00e9s do testemunho prof\u00e9tico do povo de Deus.

{N}12,{/}1: (1-2) A Mulher \u00e9 um s\u00edmbolo cheio de significados: \u00e9 Eva, a m\u00e3e da humanidade (cf. Gn 3,15-20); tamb\u00e9m o povo de Israel (doze estrelas = doze tribos) assim como Si\u00e3o, o resto do povo de Deus que espera o Messias (Is 66,7). \u00c9 tamb\u00e9m Maria enquanto M\u00e3e de Jesus e M\u00e3e dos disc\u00edpulos de Jesus (Jo 19,25-27), e o povo de Deus da nova Alian\u00e7a (doze estrelas = doze Ap\u00f3stolos).
  12,1-16,20: \u00c9 a parte mais importante do livro. Mostra que o tempo do povo de Deus \u00e9 o tempo de confronto com o mal, at\u00e9 chegar a consuma\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria. Jo\u00e3o analisa agora a vit\u00f3ria sobre o mal (Ap 12), o ambiente onde os crist\u00e3os v\u00e3o profetizar (Ap 13) e a consequ\u00eancia do testemunho prof\u00e9tico, isto \u00e9, o julgamento (Ap 14,1-16,20). Os cap\u00edtulos 12-14 interrompem o desenvolvimento linear do livro.

{N}12,{/}3: (3-4) O Drag\u00e3o personifica o mal, inimigo de Deus. Trata-se do ego\u00edsmo, orgulho e auto-sufici\u00eancia que deformam os indiv\u00edduos e os grupos sociais. Ele \u00e9 sanguin\u00e1rio (vermelho), tem pleno poder sobre os imp\u00e9rios do mundo (sete cabe\u00e7as e sete coroas), mas a sua for\u00e7a \u00e9 relativa e imperfeita (dez chifres). Ele tem a pretens\u00e3o de lutar contra Deus (estrelas do c\u00e9u). Quer devorar o Filho da Mulher, o Messias que veio para o destruir.

{N}12,{/}5: (5-6) O Filho \u00e9 Jesus, que nasce (ressurrei\u00e7\u00e3o) para a gl\u00f3ria e para dominar as na\u00e7\u00f5es, destruindo o poder do Drag\u00e3o. O mal foi derrotado. Agora a situa\u00e7\u00e3o do povo de Deus \u00e9 como a dos Hebreus no deserto, libertados da escravid\u00e3o: viver\u00e1 no deserto at\u00e9 ao fim da Hist\u00f3ria (mil duzentos e sessenta dias), no meio de persegui\u00e7\u00f5es e na intimidade com Deus.

{N}12,{/}7: (7-12) O mal foi cortado pela raiz. Miguel (= Quem \u00e9 como Deus?) vence e expulsa o Drag\u00e3o, o mal que sempre amea\u00e7ou a humanidade (Serpente, Diabo, Satan\u00e1s). Mas os crist\u00e3os n\u00e3o podem ficar acomodados, porque o mal continua a agir no mundo e, agonizante, ainda vai perseguir os homens de todos os modos.

{N}12,{/}13: (13-18) O mal n\u00e3o conseguiu vencer Jesus; por isso agora persegue os crist\u00e3os seguidores de Jesus. Mas estes s\u00e3o continuamente protegidos por Deus, at\u00e9 ao final da Hist\u00f3ria (tr\u00eas tempos e meio = mil duzentos e sessenta dias). \u00c9 tempo de persegui\u00e7\u00e3o (rio) mas, como no \u00caxodo, o povo de Deus n\u00e3o sucumbe.

{N}13,{/}1: (1-4) A Besta \u00e9 o poder pol\u00edtico absolutizado, isto \u00e9, os poderes totalit\u00e1rios, ditatoriais e opressores. Na \u00e9poca de Jo\u00e3o, trata-se de Roma, nas margens do mar Mediterr\u00e2neo. A Besta encarna o mal (Drag\u00e3o) na Hist\u00f3ria (sete cabe\u00e7as e dez chifres, que ser\u00e3o explicados em Ap 17). Blasfemar \u00e9 tomar coisas ou pessoas humanas como divinas; usurpando t\u00edtulos honor\u00edficos e divinos \u00e9 que os poderosos afirmam a sua autoridade e oprimem os homens. A Besta \u00e9 uma superpot\u00eancia (pantera, urso, le\u00e3o: Dn 7,4-7). Ela \u00e9 agente do mal (Drag\u00e3o), que lhe d\u00e1 todo o poder. O Drag\u00e3o e a Besta s\u00e3o uma par\u00f3dia do Deus que entrega o dom\u00ednio da Hist\u00f3ria a Jesus ressuscitado (Ap 4-5). A Besta \u00e9 tamb\u00e9m uma par\u00f3dia de Cristo morto e ressuscitado (cabe\u00e7a ferida e curada). O imp\u00e9rio romano parecia ter deca\u00eddo com Nero, mas depois volta ao seu esplendor: \u00e9 o mal que vai e vem na Hist\u00f3ria atrav\u00e9s dos poderes absolutizados. As multid\u00f5es maravilham-se com isso e adoram a Besta como se ela fosse Deus: \u00abQuem \u00e9 como a Besta?\u00bb.
  13,1-18: O povo de Deus profetiza na Grande Cidade (11,8), onde est\u00e3o os poderes que se tornam maus quando se absolutizam, tomando o lugar de Deus e escravizando os homens.

{N}13,{/}5: (5-8) A Besta age at\u00e9 ao fim da Hist\u00f3ria (quarenta e dois meses). Aqui as blasf\u00e9mias s\u00e3o valores que o poder absoluto prop\u00f5e como valores divinos, violentando as consci\u00eancias. A Besta \u00e9 adorada por todos aqueles que n\u00e3o conhecem e n\u00e3o vivem o testemunho de Jesus. Mas os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o perseguidos e mortos, por n\u00e3o aceitarem a idolatria.

{N}13,{/}9: (9-10) Para serem fi\u00e9is e perseverarem, os crist\u00e3os devem manter o esp\u00edrito cr\u00edtico, pois Deus vai realizar o que projectou.

{N}13,{/}11: (11-12) A segunda Besta, depois chamada {C}falso profeta{/} (16,13), \u00e9 a propaganda ideol\u00f3gica que sustenta os poderes absolutos e cuja ess\u00eancia \u00e9 a falsidade: apresenta o mal com apar\u00eancias de bem (cordeiro e drag\u00e3o), para levar as pessoas a aceitarem um sistema pol\u00edtico desumano como se viesse de Deus. \u00c9 uma caricatura do Esp\u00edrito Santo (cf. Jo 14,26).

{N}13,{/}13: (13-17) Como os profetas, a propaganda promete grandes milagres e mudan\u00e7as, mas falsamente. Para sustentar os poderes e impor respeito e at\u00e9 mesmo adora\u00e7\u00e3o, a propaganda multiplica a imagem dos poderosos, fazendo crer que s\u00e3o omnipresentes e vigilantes. Gra\u00e7as \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o, a segunda Besta controla a ac\u00e7\u00e3o (m\u00e3o direita) e o pensamento (fronte) de toda a sociedade (todas as categorias sociais). Para poder participar na economia (comprar e vender), toda a gente deve pensar e agir de acordo com a primeira Besta. Este nivelamento de todas as classes sociais com o mesmo pensamento e ac\u00e7\u00e3o \u00e9 uma par\u00f3dia do Reino de Deus.

{N}13,{/}18: O autor identifica a primeira Besta com o imperador romano da \u00e9poca. O n\u00famero seiscentos e sessenta e seis, conforme o valor num\u00e9rico das letras em hebraico, corresponde ao nome de C\u00e9sar Nero. O imperador Domiciano \u00e9 visto como a ressurrei\u00e7\u00e3o de Nero e da sua crueldade. O n\u00famero seiscentos e sessenta e seis, contudo, pode tamb\u00e9m significar o m\u00e1ximo de imperfei\u00e7\u00e3o, pois seis n\u00e3o atinge sete e \u00e9 metade de doze. Indicaria, assim, a relatividade e fraqueza dos poderes totalit\u00e1rios.

{N}14,{/}1: (1-5) O povo de Deus est\u00e1 com o Cordeiro vitorioso. Eles pertencem a Deus e ao Cordeiro (a marca na fronte). O c\u00e2ntico novo \u00e9 o an\u00fancio do julgamento e da salva\u00e7\u00e3o. S\u00f3 o povo de Deus pode aprender esse c\u00e2ntico, porque s\u00f3 ele conhece o projecto de Deus: n\u00e3o se prostitui, nem mente, porque n\u00e3o se submete aos falsos absolutos. S\u00e3o fi\u00e9is a Deus (virgens) e seguem o Cordeiro, dando testemunho de Jesus at\u00e9 ao fim. 
  14,1-20: O cap\u00edtulo apresenta uma vis\u00e3o que antecipa o que vai acontecer: os crist\u00e3os testemunham o Evangelho no ambiente dominado pelo Drag\u00e3o e pela Besta, e o resultado final \u00e9 o julgamento.

{N}14,{/}6: (6-7) O Evangelho eterno \u00e9 o livrinho de 10,2. O seu conte\u00fado \u00e9 a Palavra definitiva de Deus dirigida a todos: temer o \u00fanico Deus vivo e verdadeiro e s\u00f3 a Ele dar gl\u00f3ria. O Evangelho \u00e9 julgamento, porque denuncia os falsos absolutos e convida todos \u00e0 convers\u00e3o.

{N}14,{/}8: O an\u00fancio do Evangelho desmascara os \u00eddolos e, como consequ\u00eancia, faz desmoronar a cidade constru\u00edda sobre \u00eddolos (prostitui\u00e7\u00e3o).

{N}14,{/}9: (9-11) Os que seguem e adoram a Besta ser\u00e3o destru\u00eddos com a cidade idol\u00e1trica. Quem n\u00e3o se converte ao verdadeiro Deus, perece com os \u00eddolos (ta\u00e7a da ira).

{N}14,{/}12: (12-13) Durante o julgamento, o povo de Deus persevera no testemunho e na confian\u00e7a, sabendo que o testemunho o acompanha diante de Deus.

{N}14,{/}14: (14-20) O an\u00fancio do Evangelho produz o julgamento, presidido por Jesus, o Filho do Homem (Dn 7,13-14). Ele \u00e9 o Senhor da Hist\u00f3ria (sentado), \u00e9 divino (nuvem branca), \u00e9 Rei (coroa) e tem o instrumento para julgar (foice). A ceifa \u00e9 o julgamento que separa os bons dos maus (cf. Mt 13,24-30). A vindima \u00e9 o julgamento que condena os maus em resposta ao pedido dos m\u00e1rtires (6,10).

{N}15,{/}1: (1-4) O autor prepara o septen\u00e1rio das ta\u00e7as. Depois de atravessar o mar Vermelho, Mois\u00e9s cantou o hino que celebrava a liberta\u00e7\u00e3o (Ex 15). Aqui, os que venceram a Besta cantam o c\u00e2ntico de Mois\u00e9s e do Cordeiro, o novo Mois\u00e9s, que liberta e conduz o povo \u00e0 Terra Prometida, a nova Jerusal\u00e9m (Ap 21). O c\u00e2ntico celebra a justi\u00e7a divina que provocar\u00e1 a convers\u00e3o dos pag\u00e3os.

{N}15,{/}5: (5-8) O autor retoma a descri\u00e7\u00e3o interrompida em 11,19, pois a arca da Alian\u00e7a ficava no santu\u00e1rio da Tenda do Testemunho (Ex 25,22). O projecto de Deus vai ser executado (os Anjos saem do Templo).
A ta\u00e7a \u00e9 s\u00edmbolo do destino (17,4; 18,6). Cada um sofre as consequ\u00eancias dos pr\u00f3prios actos e op\u00e7\u00f5es. O julgamento, que \u00e9 a ira de Deus (Sl 75,9), \u00e9 escolhido livremente pelo pr\u00f3prio homem quando n\u00e3o aceita o convite do Evangelho. 

{N}16,{/}1: (1-21) As sete ta\u00e7as apresentam o julgamento definitivo, operado pelo an\u00fancio e testemunho do Evangelho. Antes do fim, todos t\u00eam a possibilidade de se converter ao Deus vivo, e ter a vida. O julgamento atinge todo o Universo (Terra, mar, fontes, Sol, trono da Besta, ar). 

{N}16,{/}5: (5-7) A prega\u00e7\u00e3o do Evangelho transforma o mundo no espelho do pecado humano. A voz do altar \u00e9 a voz dos m\u00e1rtires (6,10), reconhecendo que Deus \u00e9 fiel e faz justi\u00e7a.

{N}16,{/}9: (9.11.21) O Evangelho \u00e9 um convite \u00e0 convers\u00e3o, mas os homens podem fechar-se, sofrendo as consequ\u00eancias da pr\u00f3pria idolatria.

{N}16,{/}13: (13-16) Quando o mal e seus agentes s\u00e3o atingidos pelo an\u00fancio do Evangelho, unem-se com os aliados num supremo esfor\u00e7o para fazer frente a Deus e ao seu povo. Harmagedon significa montanha de Meguido, lugar de derrotas famosas no Antigo Testamento, tornando-se o s\u00edmbolo da derrota para quem a\u00ed guerreia.

{N}16,{/}15: Os crist\u00e3os devem vigiar para n\u00e3o serem enganados pelas ideias do mal e dos seus agentes. Devem manter-se fi\u00e9is para n\u00e3o serem apanhados de surpresa.

{N}16,{/}17: (17-19) Jo\u00e3o mostra que o julgamento realizado pelo an\u00fancio do Evangelho faz aparecer a verdade; e esse julgamento tem dois aspectos: - {C}negativo{/}: desvenda o mist\u00e9rio do mal que domina as cidades, e apresenta a destrui\u00e7\u00e3o desse mal (17-18); - {C}positivo{/}: mostra que a Hist\u00f3ria caminha para a vit\u00f3ria do Ressuscitado. Cristo realiza a comunh\u00e3o dos homens com Deus: nisto consiste o Reino (casamento do Cordeiro: Ap 19). 
  16,17-21: Com a s\u00e9tima ta\u00e7a, o julgamento de Deus realiza-se inteiramente. A presen\u00e7a de Deus manifesta-se totalmente pelo an\u00fancio do Evangelho. Ent\u00e3o \u00e9 destru\u00eddo o mundo dominado pelas Bestas (Babil\u00f3nia e cidades das na\u00e7\u00f5es). A interven\u00e7\u00e3o de Deus pelo Evangelho \u00e9 grandiosa, mas os homens continuam a blasfemar, isto \u00e9, a servir os \u00eddolos.

{N}17,{/}1: (1-6) A prostituta \u00e9 s\u00edmbolo de uma cidade idol\u00e1trica. Na \u00e9poca, trata-se de Roma, aqui apresentada como Babil\u00f3nia, a capital da idolatria e do v\u00edcio. Ela est\u00e1 sentada sobre a Besta escarlate, a cor do triunfo para os Romanos. Os nomes blasfemat\u00f3rios s\u00e3o t\u00edtulos divinos com que o imperador assegura o pr\u00f3prio poder. A apar\u00eancia da prostituta \u00e9 sumptuosa (vestes, j\u00f3ias), e o que ela tem a oferecer \u00e9 a idolatria (prostitui\u00e7\u00e3o) e os v\u00edcios (degrada\u00e7\u00e3o humana, valores relativos apresentados como absolutos). O seu crime supremo \u00e9 perseguir e matar todos aqueles que n\u00e3o aceitam adorar o poder pol\u00edtico absoluto, nem se enganam com as propagandas ideol\u00f3gicas.

{N}17,{/}7: (7-8) A vis\u00e3o das cidades, com a sua apar\u00eancia de riqueza e poder, \u00e9 maravilhosa e hipnotiza, provocando a aliena\u00e7\u00e3o que faz adorar a Besta. Por isso, \u00e9 preciso ter sentido cr\u00edtico diante da realidade. A descri\u00e7\u00e3o da Besta lembra o t\u00edtulo de Deus, mas ela vem do nada e caminha para o nada. O autor refere-se \u00e0 decad\u00eancia do Imp\u00e9rio Romano sob Nero, e o seu ressurgimento com Vespasiano, e tamb\u00e9m a maldade de Nero que revive em Domiciano.

{N}17,{/}9: (9-11) As sete cabe\u00e7as s\u00e3o as sete colinas de Roma. S\u00e3o tamb\u00e9m sete reis, isto \u00e9, imperadores do s\u00e9c. I. Deles j\u00e1 ca\u00edram cinco: Augusto, Tib\u00e9rio, Cal\u00edgula, Cl\u00e1udio e Nero. Um existe (Vespasiano), e o outro durar\u00e1 pouco (Tito, que reinou s\u00f3 dois anos). A Besta \u00e9 o oitavo (Domiciano) e, ao mesmo tempo, \u00e9 um dos sete, ou seja, o imperador Domiciano que agora persegue os crist\u00e3os, reencarnando a crueldade de Nero. 

{N}17,{/}12: (12-15) Os dez chifres s\u00e3o os pa\u00edses dominados por Roma, unidos a ela para lutarem contra Cristo que, juntamente com os seus disc\u00edpulos, os vencer\u00e1. As \u00e1guas s\u00e3o as multid\u00f5es seduzidas pelo absolutismo romano.

{N}17,{/}16: (16-18) O julgamento realiza-se atrav\u00e9s da luta entre as na\u00e7\u00f5es que buscam o poder. Os dominados revoltam-se e destroem o dominador.

{N}18,{/}1: (1-3) O Evangelho desmascara e desfaz a confus\u00e3o da cidade idol\u00e1trica, que no tempo era Roma, s\u00edmbolo do paganismo e da tirania. A causa da ru\u00edna \u00e9 a idolatria (prostitui\u00e7\u00e3o).

{N}18,{/}4: (4-8) O povo de Deus n\u00e3o \u00e9 destru\u00eddo porque n\u00e3o segue os \u00eddolos. A lei do tali\u00e3o (tal culpa, tal pena) mostra que o mal \u00e9 autodestruidor (vv. 6-7). 

{N}18,{/}9: (9-19) A queda da cidade provoca a lamenta\u00e7\u00e3o daqueles que usufru\u00edam do materialismo da cidade idol\u00e1trica. A primeira lamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a dos reis da Terra (poder pol\u00edtico); a segunda \u00e9 a dos mercadores (poder econ\u00f3mico); a terceira \u00e9 a dos navegadores (comunica\u00e7\u00f5es). Os tr\u00eas representam as for\u00e7as que dominam a cidade ao servi\u00e7o dos ricos e poderosos.

{N}18,{/}20: O povo de Deus exulta, porque Deus atendeu o pedido dos m\u00e1rtires e fez justi\u00e7a.

{N}18,{/}21: (21-24) Assim como a pedra desaparece na \u00e1gua, tamb\u00e9m a cidade idol\u00e1trica desaparece perante o an\u00fancio do Evangelho. A vit\u00f3ria de Deus \u00e9 radical.

{N}19,{/}1: (1-5) Deus manifesta a sua gl\u00f3ria, poder e salva\u00e7\u00e3o, ao destruir aquela que destru\u00eda a Terra: Ele faz justi\u00e7a, reabilitando a honra dos perseguidos e m\u00e1rtires.

{N}19,{/}6: (6-9) Deus reina atrav\u00e9s do testemunho de Jesus dado pelos crist\u00e3os. A realeza de Deus consiste em dirigir a Hist\u00f3ria, para que se realize a Alian\u00e7a, simbolizada no casamento. Ela \u00e9 prometida agora, e ser\u00e1 conclu\u00edda no fim dos tempos (Ap 21). Jesus ressuscitado une-Se com a nova humanidade na Alian\u00e7a de justi\u00e7a (linho branco) e de amor. O casamento \u00e9 o sinal da Alian\u00e7a consumada: a uni\u00e3o dos homens com Deus e entre si.

{N}19,{/}10: A profecia crist\u00e3 consiste em dar o testemunho de Jesus, adorando s\u00f3 a Deus. N\u00e3o se deve adorar os transmissores da f\u00e9 (pregadores, te\u00f3logos, ministros).

{N}19,{/}11: (11-16) Jo\u00e3o apresenta Jesus como o Senhor absoluto da Hist\u00f3ria (cavaleiro). O branco \u00e9 a cor da vit\u00f3ria. Ele \u00e9 o Messias, a encarna\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a de Deus. Tem a ci\u00eancia divina (olhar de fogo) e poder universal (muitas coroas). \u00abConhecer o nome\u00bb significa ter poder sobre algu\u00e9m; ora ningu\u00e9m tem poder sobre Jesus. O sangue \u00e9 o dos inimigos destru\u00eddos pela justi\u00e7a de Deus. Jesus \u00e9 a Palavra de Deus, anunciada e vivida pela multid\u00e3o dos crist\u00e3os. A espada \u00e9 o Evangelho que julga, condenando ou salvando. 

{N}19,{/}17: (17-21) O Anjo anuncia a vit\u00f3ria sobre a Besta e o falso profeta, agentes do mal. A carnificina mostra que a justi\u00e7a de Deus \u00e9 implac\u00e1vel e atinge a todos, derrotando as for\u00e7as idol\u00e1tricas e suas ideologias. A vit\u00f3ria vem atrav\u00e9s do an\u00fancio do Evangelho, que derrota a mentira e conduz ao Deus vivo e \u00e0 verdadeira vida, que \u00e9 comunh\u00e3o entre os homens na justi\u00e7a e no amor. O lago de fogo \u00e9 o lugar do castigo eterno. 

{N}20,{/}1: (1-6) Pela morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, Jesus conquistou a vit\u00f3ria sobre o mal (Drag\u00e3o), que j\u00e1 n\u00e3o tem plena liberdade para agir. {C}Mil anos{/} \u00e9 o tempo que vai da morte de Jesus at\u00e9 \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o final (equivale a tr\u00eas anos e meio, ou quarenta e dois meses, ou mil duzentos e sessenta dias). A ac\u00e7\u00e3o do Drag\u00e3o \u00e9 passageira e fraca (pouco tempo). Entre a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus e a consuma\u00e7\u00e3o final, o povo de Deus participa na realeza de Jesus e no seu julgamento. A {C}primeira ressurrei\u00e7\u00e3o{/} \u00e9 a convers\u00e3o e o baptismo, \u00e9 a passagem da morte do pecado para a vida em Cristo. Para os convertidos n\u00e3o acontece a morte definitiva (segunda morte).
  20,1-15: Jo\u00e3o apresenta agora a din\u00e2mica do fim dos tempos: com a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, o fim da Hist\u00f3ria j\u00e1 come\u00e7ou, e vai-se processando ao longo da Hist\u00f3ria, at\u00e9 chegar \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o final, quando a Alian\u00e7a entre Deus e os homens se tornar plenamente manifesta.

{N}20,{/}7: (7-10) Durante a Hist\u00f3ria, o povo de Deus (acampamento dos santos e a Cidade amada) continua em luta contra as for\u00e7as do mal (Satan\u00e1s), mas \u00e9 protegido por Deus (fogo do c\u00e9u). Gog e Magog s\u00e3o nomes simb\u00f3licos que representam os poderes da idolatria, inimigos de Deus e do seu povo. Mas o poder do mal ser\u00e1 completamente destru\u00eddo (lago de fogo).

{N}20,{/}11: (11-15) O fim da Hist\u00f3ria \u00e9 o julgamento, no qual se manifesta a vida. A morte e o mal v\u00e3o ser destru\u00eddos, e os homens ser\u00e3o julgados segundo o modo como viveram. O trono evoca a presen\u00e7a do juiz. Este C\u00e9u e Terra desaparecem, porque tudo se renovar\u00e1. O julgamento de Deus n\u00e3o \u00e9 arbitr\u00e1rio: quem pronuncia a senten\u00e7a \u00e9 a pr\u00f3pria vida de cada um. O {C}livro da vida{/} \u00e9 o livro do Cordeiro (13,8); nele est\u00e1 o nome dos que deram testemunho de Jesus. A morte e a morada dos mortos personificam os poderes do mal. S\u00e3o destru\u00eddos, porque doravante tudo ser\u00e1 vida. 

{N}21,{/}1: (1-4) A nova rela\u00e7\u00e3o que existe entre Deus e os homens \u00e9 apresentada como C\u00e9u novo e Terra nova. O mar j\u00e1 n\u00e3o existe, porque os antigos o consideravam moradia dos poderes do mal. A Nova Jerusal\u00e9m \u00e9 a cidade que Deus vai construir como dom (vem do C\u00e9u) para os homens. \u00c9 a Esposa do Cordeiro, o novo Ad\u00e3o que desposa a nova Eva. Realiza-se a Alian\u00e7a de Deus com toda a humanidade. Ela tornou-se a Tenda (Ex 25,8), na qual Deus est\u00e1 presente. Doravante tudo \u00e9 vida e realiza\u00e7\u00e3o plena.
  21,1-22,5: Jo\u00e3o mostra que a meta da Hist\u00f3ria, para al\u00e9m do tempo, \u00e9 a plena realiza\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a de Deus com a humanidade, numa vida inteiramente imortal. O fim da Hist\u00f3ria \u00e9 a vida. A humanidade nova \u00e9 apresentada como Nova Jerusal\u00e9m-Esposa e Nova Jerusal\u00e9m-Cidade. 

{N}21,{/}5: (5-8) Deus promete a renova\u00e7\u00e3o de tudo, pois Ele \u00e9 o Senhor da Hist\u00f3ria, a fonte e o fim da vida. Ele d\u00e1 a vida a quem a desejar. Quem for perseverante entrar\u00e1 para a realidade da Alian\u00e7a: tornar-se-\u00e1 filho, participando na realidade do pr\u00f3prio Cristo. O facto de conhecer o fim, por\u00e9m, n\u00e3o dispensa a convers\u00e3o.

{N}21,{/}9: (9-11) Jo\u00e3o apresenta agora a nova humanidade como cidade perfeita e deslumbrante. Esta imagem mostra a beleza e santidade da Alian\u00e7a com Deus. A humanidade \u00e9 a esposa, o reverso da prostituta. Jo\u00e3o apresenta-a com tra\u00e7os da antiga Babil\u00f3nia hist\u00f3rica: quadrada, atravessada por uma avenida ao longo do rio, e com jardins. Sugere, assim, que a Jerusal\u00e9m celeste \u00e9 a Babil\u00f3nia, prostituta purificada e transformada pelo Evangelho. Agora, ela reflecte a gl\u00f3ria de Deus, que nela est\u00e1 presente.

{N}21,{/}12: (12-17) As formas e medidas s\u00e3o perfeitas: muralhas com cento e quarenta e quatro c\u00f4vados (doze2doze), doze portas com os nomes das doze tribos, doze alicerces com os nomes dos doze Ap\u00f3stolos. Ela \u00e9 quadrada e c\u00fabica, como o Santo dos santos no Templo. A sua perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 inimagin\u00e1vel (doze mil). \u00c9 uma cidade universal, aberta a toda a humanidade (portas voltadas para os quatro pontos cardeais). 

{N}21,{/}11: (11.18-21) O brilho do ouro e das pedras preciosas mostra que a cidade \u00e9 imagem do brilho de Deus (4,3). \u00c9 a humanidade plenamente realizada, \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do Criador.

{N}21,{/}22: (22-23) Deus est\u00e1 presente nessa humanidade. N\u00e3o \u00e9 preciso mais nenhum meio para a unir com Deus: nem Templo, nem liturgia, nem sacerd\u00f3cio. \u00c9 o momento do face-a-face. Consequentemente, tamb\u00e9m n\u00e3o existem outras media\u00e7\u00f5es: pol\u00edtica, economia, propaganda, com\u00e9rcio etc. A comunh\u00e3o total com Deus leva \u00e0 comunh\u00e3o total dos homens entre si.

{N}21,{/}24: (24-27) A nova humanidade \u00e9 lugar de partilha e de reuni\u00e3o fraterna. As na\u00e7\u00f5es repartem as suas riquezas para o bem comum. Mas a realiza\u00e7\u00e3o da nova humanidade sup\u00f5e uma convers\u00e3o agora, no presente da Hist\u00f3ria: deixar os \u00eddolos para ser inscrito no livro do Cordeiro. A noite n\u00e3o existe, porque os antigos a consideravam moradia do mal.

{N}22,{/}1: (1-5) A cidade por dentro \u00e9 um novo para\u00edso. Ela \u00e9 governada por Deus e por Jesus, em alian\u00e7a com os homens. A nova humanidade recebe a vida de Deus, o Esp\u00edrito (rio de \u00e1gua da vida). Todos t\u00eam acesso \u00e0 plena realiza\u00e7\u00e3o (\u00e1rvores da vida que sempre d\u00e3o fruto), pois j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 proibi\u00e7\u00e3o (maldi\u00e7\u00e3o: Gn 3,22-24). Doravante, h\u00e1 um s\u00f3 culto dos homens a Deus e a Jesus Cristo: todos pertencem definitivamente a Deus e com Ele reinar\u00e3o para sempre.

{N}22,{/}6: (6-21) O final do Apocalipse \u00e9 um di\u00e1logo entre Jo\u00e3o, o Anjo e Jesus com a assembleia crist\u00e3, onde se faz a leitura do livro: uma reuni\u00e3o lit\u00fargica, onde se explica, se medita e se aplica a mensagem.

{N}22,{/}7: A vinda de Jesus \u00e9 progressiva e manifesta-se atrav\u00e9s do testemunho daqueles que continuam o que Ele fez: manifestar a verdade, revelar o amor do Pai e provocar a convers\u00e3o. \u00c9 assim que a constante vinda de Jesus destr\u00f3i o mundo injusto, para construir o mundo novo.

{N}22,{/}9: Cf. nota em Ap 19,10.

{N}22,{/}10: (10-11) O conte\u00fado do livro \u00e9 urgente e os crist\u00e3os n\u00e3o devem permanecer passivos, pois o seu testemunho leva os homens a uma decis\u00e3o. O projecto de Deus vai realizar-se e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver uma vida dupla.

