{N}1,{/}1: (1-2) A gra\u00e7a e a paz chegam ao crist\u00e3o atrav\u00e9s do {C}conhecimento de Jesus Cristo{/}; este \u00e9 um dos temas centrais da carta (1,2.3.8; 2,20; 3,18; cf. 1,16). Trata-se da f\u00e9 em Jesus Cristo, tal como foi transmitida pelos Ap\u00f3stolos e que exige ao mesmo tempo comportamento coerente com ela. A insist\u00eancia do autor sobre esse \u00abconhecimento\u00bb deve-se ao facto de que, na \u00e9poca, surgem doutrinas que deterioram o n\u00facleo fundamental da f\u00e9 crist\u00e3 e desligam da vida pr\u00e1tica o conhecimento religioso.

{N}1,{/}3: (3-11) Conhecer o testemunho de Jesus abre para a humanidade a possibilidade de convers\u00e3o ou mudan\u00e7a radical: de um lado, a ruptura com as estruturas idol\u00e1tricas da sociedade; do outro, o in\u00edcio de uma nova caminhada que leva de modo crescente \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria natureza de Deus, princ\u00edpio e fim da voca\u00e7\u00e3o humana (cf. Gn 1,26-27). Esse conhecimento fornece tamb\u00e9m os meios para a caminhada crist\u00e3, as oito virtudes enumeradas nos vv. 5-7, que t\u00eam como in\u00edcio a f\u00e9 e como fim \u00faltimo o amor. 

{N}1,{/}12: (12-18) Para falar sobre a vinda gloriosa de Jesus Cristo os falsos mestres da \u00e9poca arquitectavam teorias complicadas e sem fundamento. Os Ap\u00f3stolos, ao contr\u00e1rio, transmitem factos que viram com os pr\u00f3prios olhos. O v. 17 alude \u00e0 transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus (cf. Mt 17,5).

{N}1,{/}19: (19-21) Os profetas do Antigo Testamento, que anunciavam a gl\u00f3ria do Messias, n\u00e3o se fundamentavam numa vis\u00e3o pessoal e subjectiva; o seu testemunho era express\u00e3o do que Deus queria comunicar aos homens atrav\u00e9s do Esp\u00edrito. A B\u00edblia inteira \u00e9 inspirada pelo Esp\u00edrito Santo, o qual n\u00e3o ditou os livros ou fez revela\u00e7\u00e3o particular aos seus autores. Estes apenas escreveram movidos pelo Esp\u00edrito, e fizeram-no com o seu estilo pr\u00f3prio e conforme a cultura do seu tempo. Tinham consci\u00eancia de expressar a f\u00e9 genu\u00edna do seu povo, mas n\u00e3o necessariamente se davam conta de que estivessem a obedecer ao Esp\u00edrito Santo.

{N}2,{/}1: (1-22) O autor apresenta um retrato dos falsos mestres, que se dizem crist\u00e3os, mas negam o valor salv\u00edfico dos actos de Jesus. Por amor ao dinheiro, falseiam os grandes princ\u00edpios do Evangelho, manipulando a f\u00e9 dos ouvintes; para eles, a salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 no conhecimento ou \u00abgnose\u00bb, que n\u00e3o tem liga\u00e7\u00e3o nenhuma com a vida pr\u00e1tica. O autor compara-os a Bala\u00e3o, apresentado como modelo do profeta venal e corrupto: o que eles anunciam \u00e9 uma falsa liberdade, escravid\u00e3o e degenera\u00e7\u00e3o. A advert\u00eancia a eles dirigida \u00e9 severa. O autor quer, sobretudo, advertir os fi\u00e9is a manterem-se firmes numa f\u00e9 comprometida, a fim de serem preservados no dia do julgamento, como aconteceu com No\u00e9 e Lot.

{N}3,{/}1: (1-10) Duas gera\u00e7\u00f5es de crist\u00e3os haviam esperado a vinda iminente de Jesus, e isso ajudava-os a serem mais comprometidos na pr\u00f3pria f\u00e9. Diante da demora, os falsos mestres semeiam a d\u00favida, dizendo que tudo continua como antes. A isso o autor responde, mostrando que Deus n\u00e3o mede o tempo como n\u00f3s; e, por outro lado, que o tempo torna-se longo para ser como que o sinal de que Deus est\u00e1 a dar a todos uma oportunidade de convers\u00e3o. Quanto ao fim do mundo, ningu\u00e9m sabe quando acontecer\u00e1. \u00c9 preciso vigiar, pois \u00abesse dia chegar\u00e1 como um ladr\u00e3o\u00bb.

{N}3,{/}11: (11-16) Assim como Deus espera pacientemente que os pecadores se convertam antes do julgamento final, do mesmo modo os que se convertem aceleram a vinda da plenitude do Reino. N\u00e3o se fala propriamente de fim do mundo, mas de uma transforma\u00e7\u00e3o em \u00abnovos c\u00e9us e nova terra\u00bb: a humanidade renovada, onde se realizar\u00e1 uma nova ordem com justi\u00e7a.

{N}3,{/}15: (15-16) A men\u00e7\u00e3o \u00e0s cartas de Paulo mostra que, nessa \u00e9poca, elas j\u00e1 possu\u00edam na Igreja a mesma autoridade que os outros livros considerados partes da Sagrada Escritura.

