{N}1,{/}1: (1-5) Dizendo-se {C}Ap\u00f3stolo,{/} Paulo reivindica para si a mesma autoridade que os Doze. O Evangelho que ele prega \u00e9 o Evangelho da salva\u00e7\u00e3o, obtida pela f\u00e9 em Jesus Cristo e n\u00e3o pela observ\u00e2ncia da Lei.

{N}1,{/}6: (6-10) Os G\u00e1latas convertidos \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 eram de origem pag\u00e3 e nunca haviam praticado a religi\u00e3o judaica. Paulo anunciara-lhes que o Evangelho \u00e9, antes de tudo, a pr\u00f3pria pessoa de Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e nos trazer a salva\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da f\u00e9. Todavia, alguns judeus convertidos anunciavam \u00aboutro evangelho\u00bb. Segundo eles, para a salva\u00e7\u00e3o era tamb\u00e9m necess\u00e1rio ser circuncidado e observar a Lei judaica.

{N}1,{/}11: (11-24) Os judeo-crist\u00e3os criticam a autoridade de Paulo, dizendo que ele n\u00e3o \u00e9 Ap\u00f3stolo como aqueles que Jesus tinha escolhido. E Paulo defende-se, contando a hist\u00f3ria da sua voca\u00e7\u00e3o (cf. Act 9), nascida de uma experi\u00eancia directa de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Tal experi\u00eancia transformou-o profundamente: de perseguidor, tornou-se Ap\u00f3stolo. Na origem da sua miss\u00e3o, portanto, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma interfer\u00eancia humana. Quando Paulo vai a Jerusal\u00e9m, \u00e9 simplesmente para conhecer Pedro e Tiago (cf. Act 9,23-30).

{N}2,{/}1: (1-10) Na segunda vez que vai a Jerusal\u00e9m (cf. Act 15), Paulo tem duas preocupa\u00e7\u00f5es: fazer um acordo com Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, para manter a unidade das Igrejas; e, ao mesmo tempo, assegurar que os pag\u00e3os convertidos n\u00e3o precisem de observar a religi\u00e3o judaica. A viagem tem dois resultados importantes: as autoridades da Igreja de Jerusal\u00e9m reconhecem o Evangelho, tal como Paulo e Barnab\u00e9 o pregam aos pag\u00e3os; \u00e9 feito um acordo pr\u00e1tico, delimitando os campos de apostolado de Pedro e de Paulo. O sinal vis\u00edvel desse acordo \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o e o aux\u00edlio aos pobres (cf. 2Cor 8-9).

{N}2,{/}11: (11-14) Um judeu n\u00e3o podia comer ao lado de um pag\u00e3o, pois ficaria impuro, violando a Lei. Contudo, no encontro em Jerusal\u00e9m, ficara resolvido que os pag\u00e3os convertidos ao cristianismo n\u00e3o precisavam de observar a Lei judaica. A atitude de Pedro \u00e9 hip\u00f3crita: por medo de ser criticado pelos judeo-crist\u00e3os, evita comer com os pag\u00e3os convertidos. O facto \u00e9 grave, pois o comportamento hip\u00f3crita de um chefe da Igreja causa divis\u00f5es, esvazia o trabalho da evangeliza\u00e7\u00e3o, chegando at\u00e9 mesmo a desviar a comunidade do verdadeiro Evangelho.

{N}2,{/}15: (15-21) Para Paulo, nenhuma for\u00e7a humana, nem mesmo a Lei dos judeus tem o poder de arrancar o homem da situa\u00e7\u00e3o de pecado em que vive. S\u00f3 um acto de Deus pode realiz\u00e1-lo, concedendo gratuitamente uma amnistia. E Deus concedeu-a atrav\u00e9s de Jesus Cristo, que morreu pelos nossos pecados. Essa amnistia proclamada na cruz chega at\u00e9 mim no momento em que eu acredito que, em Jesus Cristo, Deus realizou esse dom. Acreditar em Jesus Cristo \u00e9 coloc\u00e1-l'O no centro da vida, a ponto de poder dizer: \u00abJ\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, pois \u00e9 Cristo que vive em mim\u00bb.

{N}3,{/}1: (1-5) Os G\u00e1latas ouviram a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho, converteram-se a Jesus Cristo e foram baptizados. A partir da f\u00e9, puderam experimentar na sua vida o dom do Esp\u00edrito, que re\u00fane os homens e os faz colaborar entre si para o crescimento de todos. At\u00e9 esse momento, os G\u00e1latas n\u00e3o conheciam a Lei judaica. Para que serve agora circuncidar-se e observar tal Lei? O que poderiam dela receber a mais? A sua atitude mostra apenas que est\u00e3o a voltar para tr\u00e1s.

{N}3,{/}6: (6-14) Os pregadores judeo-crist\u00e3os certamente diziam aos G\u00e1latas que Jesus era judeu e filho de Abra\u00e3o; por isso os G\u00e1latas deviam ser circuncidados e observar a Lei judaica, para serem filhos de Abra\u00e3o e fi\u00e9is a Jesus. Contudo, Paulo salienta que, desde Abra\u00e3o, a f\u00e9 nas promessas \u00e9 que d\u00e1 a vida. Quem tem f\u00e9 torna-se filho e herdeiro de Abra\u00e3o. Quanto \u00e0 Lei, em vez de tornar justo o homem, traz a maldi\u00e7\u00e3o para os que n\u00e3o a cumprem. A promessa dirigia-se a Cristo (v. 16): submetendo-Se \u00e0 maldi\u00e7\u00e3o da Lei pela morte de cruz, Ele resgatou-nos pela f\u00e9 e estendeu a todos os povos a b\u00ean\u00e7\u00e3o prometida a Abra\u00e3o.

{N}3,{/}15: (15-18) O testamento ou alian\u00e7a de Deus, no qual est\u00e3o contidas as promessas feitas a Abra\u00e3o e ao seu descendente, n\u00e3o pode ser anulado pela Lei, pois esta veio depois das promessas. O \u00abdescendente\u00bb de que fala a Escritura \u00e9 uma s\u00f3 pessoa e, para Paulo, essa pessoa s\u00f3 pode ser Cristo. Em Cristo, portanto, n\u00f3s somos herdeiros de uma promessa que foi feita directamente a Abra\u00e3o, e n\u00e3o atrav\u00e9s da Lei.

{N}3,{/}19: (19-24) No mundo greco-romano, o {C}pedagogo {/}era um escravo severo, que tinha como tarefa vigiar, admoestar e castigar o comportamento das crian\u00e7as de uma fam\u00edlia. Esse foi o papel da Lei: mostrar a incapacidade de o homem se salvar, dar-lhe consci\u00eancia dos seus pecados e mant\u00ea-lo na expectativa da realiza\u00e7\u00e3o da promessa, a fim de ser liberto da pr\u00f3pria Lei.

{N}3,{/}25: (25-29) O papel da Lei terminou com a chegada de Cristo. Pela f\u00e9 n'Ele e pelo baptismo, os homens revestem-se de Cristo, isto \u00e9, s\u00e3o transformados para se tornarem imagem d'Ele (cf. Cl 3,11). Em Cristo, portanto, os homens ficam libertos de qualquer lei e de qualquer diferen\u00e7a que possa privilegiar uns e marginalizar outros.

{N}4,{/}1: (1-11) Paulo coloca no mesmo plano os ritos religiosos pag\u00e3os e os ritos judaicos. Se os G\u00e1latas se submeterem aos costumes judaicos, estar\u00e3o a viver a mesma vida pag\u00e3 de outrora, submissos e escravos de outras criaturas. O homem de f\u00e9 deve depender unicamente do seu Criador, de quem se tornou filho, gra\u00e7as a Cristo. Cf. nota em Rm 8,14-17.

{N}4,{/}12: (12-20) Paulo interrompe o racioc\u00ednio e, emocionado, relembra o entusiasmo inicial dos G\u00e1latas, que o trataram com carinho e como enviado de Deus, apesar da sua enfermidade. Fala com ironia dos intrusos que os querem escravizar com as suas concep\u00e7\u00f5es. Por fim, mostra que est\u00e1 gerando os G\u00e1latas em novo parto. O primeiro foi quando os gerou para a f\u00e9; agora, sofre at\u00e9 que Cristo esteja de tal forma presente nas suas vidas, a ponto de n\u00e3o precisarem de recorrer a qualquer outra coisa.

{N}4,{/}21: (21-31) Paulo serve-se das hist\u00f3rias de Agar e Sara (cf. Gn 16,1-16; 21,8-21) para fazer a compara\u00e7\u00e3o entre a antiga e a nova Alian\u00e7a. O filho que Abra\u00e3o teve de Agar, \u00abde modo natural\u00bb, \u00e9 escravo e simboliza os que est\u00e3o sob a Lei. O filho que Abra\u00e3o teve de Sara, \u00abpor causa da promessa\u00bb, \u00e9 livre como aqueles que nasceram do Esp\u00edrito atrav\u00e9s da f\u00e9 em Jesus.

{N}5,{/}1: (1-12) Cristo libertou-nos, mas podemos tornar-nos escravos outra vez. Precisamos de permanecer vigilantes, a fim de mantermos a liberdade e nela crescer. Os vv. 5-6 apresentam a estrutura da vida crist\u00e3: o crist\u00e3o \u00e9 aquele que, pela f\u00e9, acolhe a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e a comunica atrav\u00e9s do amor; e \u00e9 do Esp\u00edrito que ele espera a ressurrei\u00e7\u00e3o, a vida no Reino de Deus. A f\u00e9, o amor e a esperan\u00e7a s\u00e3o, portanto, as atitudes caracter\u00edsticas do crist\u00e3o, a estrutura da vida nova.

{N}5,{/}13: (13-15) A vida crist\u00e3 \u00e9 um chamamento \u00e0 liberdade. Esta, por\u00e9m, n\u00e3o deve ser confundida com libertinagem, que \u00e9 buscar e colocar tudo ao servi\u00e7o de si mesmo. A verdadeira liberdade leva o homem a crescer no amor e no dom de si, para se p\u00f4r ao servi\u00e7o dos outros. Como os sin\u00f3pticos (cf. Mc 12,31), Paulo resume a Lei no mandamento de Lv 19,18: quem ama o pr\u00f3ximo, realiza a vontade de Deus.

{N}5,{/}16: (16-18) As express\u00f5es \u00absegundo o Esp\u00edrito\u00bb e \u00absegundo os instintos ego\u00edstas\u00bb (lit.: carne) n\u00e3o designam duas partes do homem, mas duas orienta\u00e7\u00f5es diferentes de comportamento: \u00absegundo o Esp\u00edrito\u00bb \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o do amor, que leva o homem a servir o outro; \u00absegundo os instintos ego\u00edstas\u00bb \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo, que leva o homem a servir-se a si mesmo.

{N}5,{/}19: (19-21) Paulo certamente n\u00e3o pretende fazer uma lista completa dos v\u00edcios do homem ego\u00edsta. Os que s\u00e3o enumerados aqui podem ser divididos em quatro categorias; a {C}impureza,{/} que perverte o amor humano; a {C}idolatria{/} e a {C}feiti\u00e7aria,{/} que pervertem a rela\u00e7\u00e3o com Deus, \u00fanico absoluto; as {C}divis\u00f5es,{/} que pervertem as rela\u00e7\u00f5es sociais; os {C}excessos{/} da mesa, que revelam a perda da dignidade humana.

{N}5,{/}22: (22-26) Os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a viver de acordo com Jesus Cristo, isto \u00e9, deixando-se guiar pelo Esp\u00edrito de Cristo, vivendo o amor. Como no caso dos v\u00edcios, aqui tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 a pretens\u00e3o de fazer uma lista completa das virtudes. O que Paulo enumera s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es em que nasce e se desenvolve o amor (f\u00e9, mansid\u00e3o, dom\u00ednio de si), os sinais da presen\u00e7a do amor (alegria e paz) e as manifesta\u00e7\u00f5es activas do amor (paci\u00eancia, bondade, benevol\u00eancia).

{N}6,{/}1: (1-6) A{C} lei de Cristo{/} n\u00e3o \u00e9 um legalismo crist\u00e3o que substitui o judaico. Equivale \u00e0 \u00ablei do Esp\u00edrito, que d\u00e1 a vida em Jesus Cristo\u00bb (Rm 8,2). A \u00fanica lei que Jesus Cristo deixou aos crist\u00e3os, e que Ele pr\u00f3prio viveu, \u00e9 a lei do amor (5,14). Obedecer \u00e0 lei de Cristo \u00e9 viver o amor como Jesus o viveu. O amor activo nasce da liberdade e empenha a totalidade do homem em tarefas concretas frente \u00e0s situa\u00e7\u00f5es da vida, levando-o a realizar muito mais do que qualquer lei poderia exigir.

{N}6,{/}7: (7-10) O ju\u00edzo final nada mais \u00e9 do que a conclus\u00e3o natural de uma escolha de vida. Porque, viver segundo os instintos ego\u00edstas leva \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, \u00e0 morte; e viver segundo o Esp\u00edrito ou segundo o amor conduz \u00e0 vida eterna.

{N}6,{/}11: (11-18) Paulo acusa os pregadores judaizantes de orgulho, covardia e falsidade. De facto, eles visam a gl\u00f3ria pessoal, fogem da persegui\u00e7\u00e3o e, embora preguem a Lei, eles pr\u00f3prios n\u00e3o a praticam. Paulo, por\u00e9m, mesmo perseguido, gloria-se apenas na cruz de Cristo, porque \u00e9 dela que nasceu a nova Cria\u00e7\u00e3o, diante da qual ser ou n\u00e3o ser circuncidado \u00e9 algo que j\u00e1 n\u00e3o tem import\u00e2ncia.

