{N}1,{/}1: (1-7) Paulo ainda n\u00e3o conhece os crist\u00e3os de Roma. Por isso, apresenta-se com todos os seus t\u00edtulos: servo, Ap\u00f3stolo e escolhido. A sua miss\u00e3o \u00e9 anunciar o Evangelho, isto \u00e9, a Boa Not\u00edcia que Deus revela ao mundo, enviando Jesus Cristo para libertar os homens e instaurar o seu Reino. O centro desse Evangelho \u00e9, portanto, a pessoa de Jesus na sua vida terrena, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, que O constituem Senhor do mundo e da Hist\u00f3ria. A originalidade da miss\u00e3o de Paulo \u00e9 conduzir os pag\u00e3os \u00e0 obedi\u00eancia da f\u00e9, ou seja, a uma submiss\u00e3o livre, que os faz viver de acordo com a vontade de Deus, manifestada em Jesus Cristo.

{N}1,{/}8: (8-15) A inten\u00e7\u00e3o de Paulo \u00e9 ir a Roma para trocar ideias e experi\u00eancias sobre o Evangelho, compartilhando assim a f\u00e9 comum. Deseja tamb\u00e9m{C} {/}\u00abrecolher algum fruto\u00bb, isto \u00e9, talvez fazer uma colecta em favor dos crist\u00e3os necessitados de Jerusal\u00e9m (15,26-27).

{N}1,{/}16: (16-17) Paulo enuncia o tema central da carta, que ser\u00e1 desenvolvido at\u00e9 8,39, e que constitui o resumo de toda a sua prega\u00e7\u00e3o: o Evangelho \u00e9 a for\u00e7a de Deus que salva. Condi\u00e7\u00e3o \u00fanica para isso \u00e9 o homem entregar-se a Deus mediante a f\u00e9. Pois o homem n\u00e3o tem outro meio para se libertar da condi\u00e7\u00e3o de pecador: nem a Lei de Mois\u00e9s, nem ritos, nem sistemas filos\u00f3ficos, nem poderes c\u00f3smicos ou humanos. A f\u00e9, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 atitude passiva; \u00e9 a certeza firme e cont\u00ednua de que o projecto de Deus se realizou em Jesus Cristo e continua a realizar-se no meio dos homens. A f\u00e9 leva o fiel a viver uma nova din\u00e2mica de vida; o homem deixa de ser receptor passivo, e torna-se, juntamente com Deus, agente activo de salva\u00e7\u00e3o dentro da Hist\u00f3ria. 

{N}1,{/}18: (18-32) Paulo analisa o sistema de vida dos pag\u00e3os. Deus manifesta-Se a todos os homens; estes, por\u00e9m, tornam-se cegos e surdos, e continuam de acordo com os seus pr\u00f3prios instintos ego\u00edstas:{C} {/}\u00absufocam a verdade com a injusti\u00e7a\u00bb (vv. 18-20). O alicerce de uma sociedade pag\u00e3 \u00e9 a idolatria: a absolutiza\u00e7\u00e3o de coisas, pessoas e valores (dinheiro, poder, ideias), colocando-os no lugar do Deus verdadeiro (vv. 21-23.25). A idolatria gera a pervers\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es pessoais (vv. 24.26-27) e sociais (vv. 28-31). Numa sociedade id\u00f3latra, a injusti\u00e7a transforma-se em bem, a mentira ocupa o lugar da verdade, e o erro \u00e9 louvado como virtude (v. 32).

{N}2,{/}1: (1-11) Paulo analisa agora o sistema de vida dos judeus. Ele \u00e9 mais severo ainda, e mostra que o judeu n\u00e3o tem for\u00e7a moral para julgar o pag\u00e3o. De facto, os judeus receberam a revela\u00e7\u00e3o e conhecem a vontade de Deus. Apesar disso, vivem praticamente como os pag\u00e3os. Por isso, o julgamento torna-se para eles ainda mais rigoroso (vv. 1-5). De nada adianta professar a f\u00e9 com palavras e ideias, porque Deus, ao julgar, leva em conta aquilo que o homem pratica, as suas ac\u00e7\u00f5es concretas (vv. 6-10), sem fazer diferen\u00e7a entre as pessoas.

{N}2,{/}12: (12-24) Os judeus orgulhosamente consideram-se superiores aos pag\u00e3os, por terem a Lei de Mois\u00e9s, revelada pelo pr\u00f3prio Deus. No entanto, Paulo mostra que a situa\u00e7\u00e3o de judeus e pag\u00e3os \u00e9 igual: os judeus ser\u00e3o julgados pela Lei, porque a conhecem; os pag\u00e3os ser\u00e3o julgados de acordo com a pr\u00f3pria consci\u00eancia. N\u00e3o basta conhecer a Lei. O importante \u00e9 fazer o que a Lei manda. Por isso, diz Paulo, muitos pag\u00e3os n\u00e3o conhecem a Lei, mas, na vida pr\u00e1tica, fazem o que a Lei exige; por isso, s\u00e3o melhores que os judeus, que conhecem a Lei mas n\u00e3o a praticam. Al\u00e9m do mais, com a sua hipocrisia, os judeus acabam por infamar o pr\u00f3prio Deus (v. 24).

{N}2,{/}25: (25-29) A circuncis\u00e3o, uma esp\u00e9cie de opera\u00e7\u00e3o \u00e0 fimose, era um sinal externo de perten\u00e7a ao povo de Deus. Os judeus orgulhavam-se dessa marca f\u00edsica e desprezavam os pag\u00e3os, chamando-os{C} {/}\u00abincircuncisos\u00bb. Paulo mostra que a circuncis\u00e3o, por si mesma, de nada vale; pois um pag\u00e3o n\u00e3o circuncidado, que faz o que a Lei manda, \u00e9 melhor do que o judeu, e at\u00e9 se torna juiz de um circuncidado que n\u00e3o observa a Lei. A circuncis\u00e3o e a Lei s\u00f3 t\u00eam valor quando s\u00e3o de facto sinal de justi\u00e7a e rectid\u00e3o. O que importa \u00e9 o sentido de justi\u00e7a e de fidelidade a Deus; e isso exprime-se numa pr\u00e1tica de vida. 

{N}3,{/}1: (1-8) Judeus e pag\u00e3os est\u00e3o sob o dom\u00ednio do pecado. Apesar disso, os judeus s\u00e3o privilegiados em rela\u00e7\u00e3o aos pag\u00e3os, pois s\u00e3o portadores e guardi\u00e3es da revela\u00e7\u00e3o do Deus verdadeiro e participam da alian\u00e7a com Ele. A sua infidelidade revela mais ainda a fidelidade de Deus (vv. 1-4). Contudo, os judeus s\u00e3o respons\u00e1veis pelos pr\u00f3prios pecados, e Deus tem o direito de os julgar (vv. 5-8).

{N}3,{/}9: (9-20) Apesar de privilegiados, os judeus n\u00e3o podem orgulhar-se em rela\u00e7\u00e3o aos pag\u00e3os, porque segundo a Escritura todos os homens s\u00e3o pecadores (vv. 9-19). Paulo afirma que a observ\u00e2ncia da Lei n\u00e3o torna ningu\u00e9m justo, pois a fun\u00e7\u00e3o da Lei \u00e9 apenas tornar o homem consciente do seu pr\u00f3prio pecado. De facto, as leis aparecem quando h\u00e1 exageros ou desvios; elas apresentam uma norma a ser observada, mas n\u00e3o d\u00e3o nenhuma for\u00e7a nova para superar a origem dos exageros e desvios (v. 20).

{N}3,{/}21: (21-26) A for\u00e7a nova para superar a origem dos exageros e desvios \u00e9 o projecto de Deus, testemunhado pelo Antigo Testamento (Lei e Profetas) e realizado em Jesus Cristo. Pela sua miseric\u00f3rdia e fidelidade, Deus liberta do pecado todos os homens. E isso \u00e9 dom gratuito, \u00e9 amnistia geral que, para se concretizar na vida dos homens, espera apenas a resposta da f\u00e9.

{N}3,{/}27: (27-31) Paulo nega a auto-sufici\u00eancia do homem, que tem a pretens\u00e3o de se salvar a si mesmo. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 dom de Deus realizado por Jesus, e n\u00e3o fruto do esfor\u00e7o humano. A Lei agora revela-se na sua verdadeira fun\u00e7\u00e3o: mostrar que todos s\u00e3o pecadores e necessitam da salva\u00e7\u00e3o gratuita, que s\u00f3 se realiza atrav\u00e9s da f\u00e9 em Jesus.

{N}4,{/}1: (1-12) Abra\u00e3o, antepassado dos judeus, \u00e9 o exemplo da gratuidade da f\u00e9. Ele foi considerado justo, n\u00e3o por ter realizado obras, mas porque acreditou em Deus, como diz David no Salmo 32. Abra\u00e3o foi justificado antes de ser circuncidado, e a circuncis\u00e3o tornou-se um sinal externo da justi\u00e7a que ele j\u00e1 tinha recebido atrav\u00e9s da f\u00e9. Portanto Abra\u00e3o \u00e9 pai de todos os que t\u00eam f\u00e9, tanto judeus como pag\u00e3os.

{N}4,{/}13: (13-17) Em vista da justi\u00e7a que vem da f\u00e9, Abra\u00e3o recebeu gratuitamente de Deus a promessa de se tornar herdeiro do mundo. Ora, a promessa feita a Abra\u00e3o permanece e \u00e9 transmitida como heran\u00e7a aos seus descendentes. Todavia, os aut\u00eanticos descendentes e herdeiros s\u00e3o aqueles que Deus justifica atrav\u00e9s da f\u00e9, como fez com Abra\u00e3o, e n\u00e3o os que se limitam a observar a Lei.

{N}4,{/}18: (18-25) Ter f\u00e9 e entregar a pr\u00f3pria vida a Deus \u00e9 esperar contra toda a esperan\u00e7a. Abra\u00e3o acreditou que ia ser pai quando a sua velhice e a esterilidade de Sara diziam o contr\u00e1rio. A justi\u00e7a de Abra\u00e3o \u00e9 a f\u00e9 confiante de que Deus pode realizar tudo o que promete. N\u00f3s tamb\u00e9m somos justificados por Deus quando acreditamos que Ele ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos, para nos livrar da morte do pecado e nos dar a vida nova.

{N}5,{/}1: (1-11) Justificados pela f\u00e9 em Jesus Cristo, estamos em paz com Deus; por isso, come\u00e7amos a viver a esperan\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o. Essa esperan\u00e7a \u00e9 vivida no meio de uma luta perseverante, ancorada na certeza, garantida pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado (vv. 1-5). Deus manifestou o seu amor em Jesus Cristo, que morreu por n\u00f3s quando ainda \u00e9ramos pecadores (vv. 6-8). Agora que j\u00e1 fomos reconciliados podemos crer com maior raz\u00e3o e esperar que seremos salvos pela vida-ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus (vv. 9-11).
O termo{C} {/}\u00abtribula\u00e7\u00e3o\u00bb, que aparece muitas vezes no Novo Testamento, refere-se \u00e0s opress\u00f5es e repress\u00f5es de que \u00e9 v\u00edtima o povo de Deus. Opress\u00f5es e repress\u00f5es por parte dos poderes humanos, que procuram reduzir o alcance do testemunho crist\u00e3o para que n\u00e3o abale a estrutura vigente na sociedade.

{N}5,{/}12: (12-21) Paulo contrap\u00f5e duas figuras, dois reinos e duas consequ\u00eancias: Ad\u00e3o-Cristo, pecado-gra\u00e7a; morte-vida. Ad\u00e3o \u00e9 o in\u00edcio e a personifica\u00e7\u00e3o da humanidade mergulhada no reino do pecado e que caminha para a morte; Cristo, o novo Ad\u00e3o, \u00e9 in\u00edcio e personifica\u00e7\u00e3o da humanidade introduzida no reino da gra\u00e7a e que caminha para a vida. Paulo n\u00e3o est\u00e1 interessado nas semelhan\u00e7as entre Cristo e Ad\u00e3o. Ele contrap\u00f5e-os, apenas para mostrar a supremacia de Cristo e do reino da gra\u00e7a sobre Ad\u00e3o e o reino do pecado; pois o dom de Deus supera de longe o pecado dos homens.

{N}6,{/}1: (1-11) Jesus foi morto por um sistema social injusto, pecaminoso e mortal. Mas Deus ressuscitou-O para sempre, condenando assim o sistema que matou Jesus. Pela f\u00e9 e o baptismo, o crist\u00e3o participa na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Por outras palavras, crist\u00e3o \u00e9 aquele que passa por uma transforma\u00e7\u00e3o radical: rompe com o sistema pecaminoso, gerador de injusti\u00e7a e morte, e ressuscita para viver uma vida nova, a fim de construir uma sociedade nova que promova a justi\u00e7a e a vida.

{N}6,{/}12: (12-14) Ressuscitando para viver sob o regime da gra\u00e7a concedida por Deus atrav\u00e9s de Jesus Cristo, os crist\u00e3os devem viver em clima de convers\u00e3o, de cont\u00ednua passagem da morte para a vida. Trata-se de n\u00e3o mais se prestarem como instrumentos de uma sociedade que produz injusti\u00e7a e morte, mas de se entregarem ao servi\u00e7o de Deus, oferecendo-se a si mesmos como instrumentos que realizem o projecto de Deus na Hist\u00f3ria. Por outras palavras: entregar-se de corpo e alma \u00e0 luta para implantar um sistema social, em que a justi\u00e7a e a vida sejam o centro e o fundamento. Sobre os crist\u00e3os o pecado nunca mais ter\u00e1 voz nem poder.

{N}6,{/}15: (15-23) Paulo radicaliza o que disse antes: o crist\u00e3o n\u00e3o deve ser apenas instrumento, mas escravo de Deus e da justi\u00e7a; deve ser algu\u00e9m que se empenha total e exclusivamente na realiza\u00e7\u00e3o do projecto de Deus. E, nesse servi\u00e7o, n\u00e3o existe rela\u00e7\u00e3o comercial, como no pecado: a recompensa \u00e9 dom gratuito de Deus, que \u00e9 a pr\u00f3pria vida.

{N}7,{/}1: (1-6) Paulo repete o seu pensamento, usando agora uma compara\u00e7\u00e3o. Quando morre o marido, a mulher fica livre da lei que a unia a ele. Com o crist\u00e3o sucede a mesma coisa: pelo baptismo fica livre da Lei, pois morreu com Cristo para o pecado e ressuscitou para uma vida nova.
Os{C} {/}\u00abinstintos ego\u00edstas\u00bb (literalmente \u00abcarne\u00bb) s\u00e3o os desejos e projectos do homem fechado no seu ego\u00edsmo, fonte de todos os pecados: \u00e9 a vida do homem voltado para si mesmo, colocando tudo ao servi\u00e7o dos pr\u00f3prios caprichos e interesses. Da\u00ed nasce a corrup\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es humanas e a promo\u00e7\u00e3o de um sistema social que institucionaliza as rela\u00e7\u00f5es injustas, nas quais um homem explora e oprime o outro. O regime novo do Esp\u00edrito \u00e9 precisamente o contr\u00e1rio: a exemplo de Jesus Cristo, o homem n\u00e3o vive j\u00e1 para si, mas para Deus e para o bem do outro. O projecto de Deus, que \u00e9 justi\u00e7a e fraternidade entre os homens, torna-se o projecto de uma nova ordem social, e esta supera o sistema injusto.

{N}7,{/}7: (7-13) A Lei de Mois\u00e9s \u00e9 santa, justa e boa, porque a sua finalidade \u00e9 corrigir os erros de uma sociedade injusta e, assim, construir uma sociedade nova. Como lei, por\u00e9m, ela s\u00f3 pode prescrever isto e proibir aquilo, sem eliminar o ego\u00edsmo, o pecado que \u00e9 a raiz da estrutura social injusta. Pelo contr\u00e1rio, ordenando e proibindo, a Lei d\u00e1 a consci\u00eancia dos erros e provoca ainda mais o ego\u00edsmo, fazendo com que o homem desobede\u00e7a conscientemente \u00e0 Lei a que deveria obedecer. 

{N}7,{/}14: (14-25) Usando o artif\u00edcio de falar em primeira pessoa, Paulo convida cada um de n\u00f3s a olhar para si mesmo e para a sociedade, a fim de descobrir o drama que se desenrola dentro da condi\u00e7\u00e3o humana. O homem est\u00e1 dividido entre o ego\u00edsmo e o amor, entre servir a si mesmo e servir os outros. Mas o ego\u00edsmo predomina e, atrav\u00e9s da presen\u00e7a e da ac\u00e7\u00e3o de cada um, acaba por alastrar e perverter as rela\u00e7\u00f5es sociais. A sociedade torna-se ent\u00e3o desumana, injusta e perversa. Quem poder\u00e1 libertar-nos deste{C} {/}\u00abcorpo de morte\u00bb?

{N}8,{/}1: (1-13) A liberta\u00e7\u00e3o do homem foi realizada por Cristo n\u00e3o como acto vindo de fora, mas como obra que se realiza a partir de dentro. Cristo encarnou, trazendo o Esp\u00edrito de Deus para dentro da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana, que \u00e9 dominada pelo ego\u00edsmo. Deste modo, o homem pode seguir a Cristo que passou da morte para a ressurrei\u00e7\u00e3o, passando do ego\u00edsmo para a doa\u00e7\u00e3o de si aos outros. A entrada do Esp\u00edrito de Deus no homem, atrav\u00e9s de Cristo, determina uma renova\u00e7\u00e3o, pela qual o homem sente, pensa e age conforme a vontade de Deus. Em lugar da lei dos instintos ego\u00edstas, surge a{C} {/}\u00ablei do Esp\u00edrito que d\u00e1 a vida\u00bb. Trata-se de um novo dinamismo interior que, com a pr\u00f3pria for\u00e7a de Deus, liberta o homem da tir\u00e2nica \u00ablei do pecado e da morte\u00bb. Em lugar do pecado ou ego\u00edsmo, que determina o ser e o agir do homem, existe agora o Esp\u00edrito ou Amor; em lugar da morte, existe a vida. A unidade entre querer o bem e realiz\u00e1-lo \u00e9 recomposta. A situa\u00e7\u00e3o desesperadora do homem \u00e9 superada. Com isso, as rela\u00e7\u00f5es sociais podem ser refeitas e a estrutura social injusta e opressora pode ser vencida. 

{N}8,{/}14: (14-17) Contrapondo-se ao ego\u00edsmo, a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito cria um novo tipo de relacionamento dos homens entre si e com Deus: a rela\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia. Agora podemos chamar Pai a Deus, pois somos seus filhos. E isto \u00e9 a base para as rela\u00e7\u00f5es sociais recompostas: o clima de fam\u00edlia alastra-se, porque todos s\u00e3o irm\u00e3os. A heran\u00e7a prometida por Deus aos{C} {/}\u00abque s\u00e3o guiados pelo Esp\u00edrito\u00bb consiste em participar no Reino. Mas isto implica a seriedade de um testemunho, como o de Jesus Cristo.

{N}8,{/}18: (18-27) A luta contra o ego\u00edsmo \u00e9 poss\u00edvel para aqueles que entraram no \u00e2mbito do Esp\u00edrito. Esta luta n\u00e3o terminou, mas est\u00e1 em cont\u00ednuo processo: vivemos na esperan\u00e7a de conseguir a vit\u00f3ria final. Este anseio \u00e9 universal e expressa-se nos clamores da Natureza e do homem. A Natureza espera ser libertada do uso ego\u00edsta, para ser partilhada e colocada ao servi\u00e7o de todos. Os homens esperam ser libertos de toda a explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que escravizam os seus corpos, a fim de sempre mais se colocarem gratuitamente ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os. Entretanto, a salva\u00e7\u00e3o plena \u00e9 uma realidade futura e inimagin\u00e1vel. Cegos pelo sistema ego\u00edsta, muitas vezes n\u00e3o conseguimos ver o caminho. \u00c9 o clamor do Esp\u00edrito que nos dirige ent\u00e3o, orientando-nos conforme a vontade de Deus.

{N}8,{/}28: (28-30) O projecto eterno de Deus \u00e9 predestinar, chamar, tornar justo e glorificar a cada um e a todos os homens, fazendo com que todos se tornem imagem de seu Filho e se re\u00fanam como a grande fam\u00edlia de Deus. O projecto n\u00e3o exclui ningu\u00e9m. Mas o homem \u00e9 livre: pode aceitar ou recusar tal projecto, pode escolher a vida ou a morte, salvar-se ou condenar-se.

{N}8,{/}31: (31-39) Como o amor de Deus, manifestado em seu Filho, nada mais temos a temer: nem dificuldades, nem persegui\u00e7\u00f5es, nem mart\u00edrio, nem qualquer forma de domina\u00e7\u00e3o. Nada poder\u00e1 desfazer o que Deus j\u00e1 realizou. Nada poder\u00e1 impedir o testemunho dos crist\u00e3os. E nada poder\u00e1 opor-se \u00e0 plena realiza\u00e7\u00e3o do projecto de Deus.

{N}9,{/}1: (1-5) Nos cap\u00edtulos 9-11, Paulo analisa a situa\u00e7\u00e3o do povo de Israel, procurando responder \u00e0 dif\u00edcil quest\u00e3o:{C} {/}\u00abN\u00e3o \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o o facto de o pr\u00f3prio povo escolhido, portador da Hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, ter rejeitado Jesus e se ter exclu\u00eddo da salva\u00e7\u00e3o?\u00bb Este problema escandalizava judeus e pag\u00e3os e comprometia o \u00eaxito do Evangelho.

{N}9,{/}6: (6-13) Os privil\u00e9gios ou promessas de Deus a Israel n\u00e3o falharam. O verdadeiro Israel, herdeiro das promessas, n\u00e3o s\u00e3o os filhos carnais de Abra\u00e3o, mas aqueles que t\u00eam f\u00e9, como ele teve. Al\u00e9m disso, Deus escolhe quem Ele quer para o colocar ao seu servi\u00e7o, a fim de assegurar a realiza\u00e7\u00e3o do seu projecto na Hist\u00f3ria.

{N}9,{/}14: (14-29) Neste texto n\u00e3o devemos procurar uma doutrina fatalista sobre a predestina\u00e7\u00e3o. Paulo apenas salienta os imprevis\u00edveis chamamentos de Deus, que age soberanamente, escolhendo homens e povos como instrumentos do seu projecto. Ao escolher, Deus \u00e9 soberanamente livre; n\u00e3o \u00e9 obrigado nem a ter miseric\u00f3rdia nem a punir. Isto n\u00e3o quer dizer que Deus seja injusto. Um vaso reclama contra o oleiro? Pode o homem pedir contas a Deus? Os profetas anunciaram tanto a salva\u00e7\u00e3o dos pag\u00e3os como a elei\u00e7\u00e3o de Israel.

{N}9,{/}30: (9,30-10,4) Ao procurar a salva\u00e7\u00e3o numa Lei, os judeus entraram num beco sem sa\u00edda: n\u00e3o foram capazes de observar nem de compreender que a finalidade e realiza\u00e7\u00e3o dessa Lei era Jesus Cristo. Os pag\u00e3os, sem o instrumento da Lei, passaram directamente para a f\u00e9 em Jesus Cristo; Ele \u00e9 a finalidade e realiza\u00e7\u00e3o da Lei: Ele \u00e9 o \u00fanico apoio seguro para se alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o.

{N}10,{/}5: (5-13) N\u00e3o \u00e9 preciso fazer grandes esfor\u00e7os (subir ao c\u00e9u ou descer aos abismos) para conhecer a vontade de Deus, porque Deus veio ao nosso encontro em Jesus Cristo. O Evangelho da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel a todos sem distin\u00e7\u00e3o, e est\u00e1 pronto para ser acolhido, a fim de libertar o homem e o conduzir a uma vida nova. O seu conte\u00fado fundamental \u00e9 este: Jesus \u00e9 o Senhor da vida, porque Deus O ressuscitou dos mortos. E esse an\u00fancio sup\u00f5e apenas que o homem acredite em Jesus, Lhe d\u00ea a sua ades\u00e3o e O testemunhe na vida pr\u00e1tica.

{N}10,{/}14: (14-21) Deus preparou tudo para conduzir Israel \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Faltou apenas o \u00faltimo elo da corrente, precisamente aquele que dependia da disposi\u00e7\u00e3o de Israel: a f\u00e9. Este povo, preparado para o encontro com Deus, n\u00e3o compreendeu a sua palavra. Deus, ent\u00e3o, foi encontrado por aqueles que n\u00e3o O procuravam, os pag\u00e3os. 

{N}11,{/}1: (1-10) Ao contr\u00e1rio do que se poderia crer, Deus n\u00e3o rejeitou Israel. Assim como um{C} {/}\u00abresto\u00bb permaneceu fiel no tempo de Elias, agora tamb\u00e9m h\u00e1 israelitas que acreditam no Evangelho, garantindo deste modo a continuidade do projecto de Deus na Hist\u00f3ria.

{N}11,{/}11: (11-15) Mal acolhido por grande parte de Israel, o Evangelho pode ser anunciado aos pag\u00e3os, e assim a Igreja liberta-se do regime judaico. Este facto deveria provocar o ci\u00fame de Israel e chamar a sua aten\u00e7\u00e3o para Cristo. Paulo espera e entrev\u00ea a convers\u00e3o de Israel como uma ressurrei\u00e7\u00e3o. 

{N}11,{/}16: (16-24) Os pag\u00e3os convertidos seriam tentados a desprezar os judeus. Paulo, ent\u00e3o, lembra que o cristianismo nasceu do povo judaico e que os pag\u00e3os convertidos s\u00e3o como que um enxerto no povo de Deus. E ainda mostra, pela mesma compara\u00e7\u00e3o, que os judeus podem aderir ao Evangelho e produzir frutos com maior facilidade, pois pertencem \u00e0 raiz original. Por outro lado, tamb\u00e9m os pag\u00e3os convertidos correm o perigo de perder a f\u00e9 e ser cortados do tronco em que foram enxertados.

{N}11,{/}25: (25-32) O povo de Israel n\u00e3o foi rejeitado para sempre, porque Deus n\u00e3o volta atr\u00e1s na sua escolha. O futuro da salva\u00e7\u00e3o permanece aberto ao povo da promessa. Atrav\u00e9s de uma Hist\u00f3ria misteriosa, o Senhor continua a gui\u00e1-lo, para mostrar a todos que Ele salva porque ama, pois a sua miseric\u00f3rdia \u00e9 dirigida a todos.

{N}11,{/}33: (33-36) Contemplando o final da Hist\u00f3ria, quando a humanidade toda se re\u00fane, salva por Deus, Paulo tem exclama\u00e7\u00f5es de admira\u00e7\u00e3o e de adora\u00e7\u00e3o.

{N}12,{/}1: (1-2) A vida crist\u00e3 \u00e9 resposta \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus e abrange toda a exist\u00eancia concreta do homem, representada pelo {C}corpo{/} como centro de vida e ac\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o com Deus, com os homens e com o mundo. Cada crist\u00e3o oferece-se a si mesmo, sendo ele pr\u00f3prio o sacerdote e o sacrif\u00edcio vivo. Tal sacerd\u00f3cio \u00e9 exercido de modo pr\u00e1tico atrav\u00e9s do n\u00e3o-conformismo, que critica as estruturas corrompidas pela injusti\u00e7a, e atrav\u00e9s de um discernimento novo que sabe distinguir a vontade de Deus que leva \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 vida.

{N}12,{/}3: (3-8) A vida na comunidade crist\u00e3 tem como exig\u00eancia b\u00e1sica o abandono da pretens\u00e3o de ser o maior ou o mais importante, para se colocar com simplicidade ao servi\u00e7o dos outros. Todos precisam de cada um, e cada um precisa de todos. A gra\u00e7a que Deus concede a cada um \u00e9 o pr\u00f3prio modo de ser de cada pessoa. E esse modo de ser, que \u00e9 iluminado pela f\u00e9, coloca-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das necessidades dos outros, a fim de que todos possam crescer, mediante a contribui\u00e7\u00e3o de cada um (cf. nota em 1Cor 12,12-31).

{N}12,{/}9: (9-21) Paulo exp\u00f5e as linhas mestras do comportamento crist\u00e3o, principalmente no que se refere \u00e0 vida comunit\u00e1ria. A vida crist\u00e3 deve ser inteiramente penetrada de sincero amor fraterno que, sem fraquezas ou simula\u00e7\u00f5es, enfrente todas as situa\u00e7\u00f5es, sem excluir ningu\u00e9m, nem os inimigos. Os vv. 9-13.15-16 referem-se ao amor entre os irm\u00e3os da comunidade; os vv. 14.17-21 falam do amor para com os que n\u00e3o pertencem \u00e0 comunidade.

{N}13,{/}1: (1-7) Paulo escreve a uma comunidade perseguida pelo poder pol\u00edtico, tentada por isso a negar radicalmente a fun\u00e7\u00e3o da autoridade pol\u00edtica. O que Paulo diz n\u00e3o deve ser tomado como legitima\u00e7\u00e3o de qualquer autoridade pol\u00edtica ou forma de sociedade; ele apenas mostra o {C}fundamento,{/} a {C}fun\u00e7\u00e3o{/} e, ao mesmo tempo, o {C}limite{/} de uma autoridade pol\u00edtica. A autoridade, por direito, s\u00f3 pertence \u00e0 natureza de Deus. S\u00f3 Ele \u00e9 Senhor e juiz absoluto sobre os homens. A autoridade pol\u00edtica encontra o seu {C}fundamento{/} numa participa\u00e7\u00e3o funcional na autoridade de Deus, em vista do bem comum. A sua {C}fun\u00e7\u00e3o{/} \u00e9 servir o povo, promovendo a justi\u00e7a, zelando pelo direito e impedindo os abusos. Os seus {C}limites{/} dependem do seu pr\u00f3prio fundamento e fun\u00e7\u00e3o: a autoridade n\u00e3o pode usurpar o lugar de Deus, pretendendo-se absoluta ou divina; nem pode servir-se a si mesma, oprimindo e explorando o povo.

{N}13,{/}8: (8-10) Na vida crist\u00e3 a \u00fanica tarefa que n\u00e3o tem limites \u00e9 o amor, pois ele n\u00e3o s\u00f3 resume tudo o que deve ser feito, mas \u00e9 tamb\u00e9m o esp\u00edrito com que tudo deve ser feito. Como nos evangelhos, Paulo tamb\u00e9m v\u00ea o amor como a express\u00e3o perfeita de toda a Lei.

{N}13,{/}11: (11-14) Liberto do ego\u00edsmo que corrompe a pessoa e a sociedade, o crist\u00e3o j\u00e1 vive a madrugada de um tempo novo. A vinda de Jesus Cristo dissipa a longa noite da injusti\u00e7a e do pecado. O crist\u00e3o deve acordar, preparado para viver e testemunhar o dia da liberta\u00e7\u00e3o inaugurado por Jesus.

{N}14,{/}1: (1-9) A comunidade crist\u00e3, que verdadeiramente tem um objectivo e procura realiz\u00e1-lo com convic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se perde em quest\u00f5es secund\u00e1rias; estas podem provocar desuni\u00e3o e dispersar as for\u00e7as necess\u00e1rias para se atingir a meta proposta. E o principal na vida crist\u00e3 \u00e9 viver para Deus, dando testemunho de Jesus Cristo. Nas coisas secund\u00e1rias, cada um deve agir segundo a sua pr\u00f3pria convic\u00e7\u00e3o.

{N}14,{/}10: (10-14) O julgamento humano \u00e9 parcial e corre sempre o risco de ser injusto. S\u00f3 Deus pode julgar objectivamente, porque s\u00f3 Ele conhece o \u00edntimo do homem e os seus actos. Diante de Deus, cada um dever\u00e1 responder por si mesmo. Cada um, portanto, deve aprofundar e esclarecer a pr\u00f3pria consci\u00eancia, vivendo segundo as convic\u00e7\u00f5es que tem.

{N}14,{/}15: (15-23) Cada um deve viver a f\u00e9 com autenticidade, seguindo a pr\u00f3pria consci\u00eancia e agindo conforme as pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es. O crist\u00e3o, por\u00e9m, est\u00e1 inserido no contexto maior da conviv\u00eancia fraterna, onde o amor preside a todos os relacionamentos e impede que um irm\u00e3o seja motivo de esc\u00e2ndalo ou ofensa para o outro. At\u00e9 as coisas mais l\u00edcitas devem ser deixadas de lado, quando entra em jogo o crescimento m\u00fatuo em vista do Reino de Deus, Reino que \u00e9{C} {/}\u00abjusti\u00e7a, paz e alegria no Esp\u00edrito Santo\u00bb (cf. nota em 1Cor 10,23-11,1).

{N}15,{/}1: (1-6) Os crist\u00e3os mais conscientes n\u00e3o devem usar a sua for\u00e7a e prest\u00edgio para impor aos outros a pr\u00f3pria opini\u00e3o e conseguir poderes sobre a comunidade. N\u00e3o foi esse o modo de proceder de Jesus Cristo, que veio para servir e dar a vida. O respeito e o bem do outro \u00e9 o maior sinal do crist\u00e3o consciente.

{N}15,{/}7: (7-13) O acolhimento m\u00fatuo no amor \u00e9 o caminho para que as mentalidades diferentes n\u00e3o quebrem a uni\u00e3o da comunidade. Assim fez Cristo, que acolheu judeus e pag\u00e3os num s\u00f3 povo. Al\u00e9m disso, a comunidade n\u00e3o deve julgar que o facto de pertencer ao povo de Deus seja privil\u00e9gio que a separa dos outros; antes, \u00e9 fonte de responsabilidade, pois a voca\u00e7\u00e3o da comunidade \u00e9 acolher a todos como irm\u00e3os, testemunhando assim o projecto divino de reunir todos os homens.

{N}15,{/}14: (14-21) Paulo fala do seu minist\u00e9rio em termos de sacerd\u00f3cio. N\u00e3o um sacerd\u00f3cio que se realiza junto do altar, mas atrav\u00e9s da evangeliza\u00e7\u00e3o, que re\u00fane os homens na f\u00e9 e na solidariedade com o mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo.

{N}15,{/}22: (22-33) A comunidade de Jerusal\u00e9m era formada por crist\u00e3os provenientes do juda\u00edsmo. Para Paulo, a colecta material feita pelos pag\u00e3os em favor dessa comunidade pobre \u00e9 sinal vis\u00edvel da unidade da Igreja que re\u00fane, ao mesmo tempo, crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo e crist\u00e3os vindos do paganismo. Al\u00e9m disso, a colecta \u00e9 a resposta \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o assumida anteriormente (cf. Gl 2,10; notas em 2Cor 8-9).

{N}16,{/}1: (1-24) As Igrejas est\u00e3o unidas entre si, n\u00e3o por la\u00e7os jur\u00eddicos, mas pelas rela\u00e7\u00f5es entre pessoas que partilham a mesma f\u00e9. H\u00e1 nomes gregos, romanos e judaicos, e at\u00e9 se percebem diferen\u00e7as de condi\u00e7\u00e3o social. Deste modo, a lista testemunha a diversidade interna das pessoas reunidas na comunidade crist\u00e3 de Roma. Ao mesmo tempo, pode-se perceber a diversidade de trabalhos e fun\u00e7\u00f5es que mant\u00eam viva a comunidade. Note-se a men\u00e7\u00e3o de Febe, mulher que \u00e9 diaconisa.

{N}16,{/}25: (25-27) O louvor exprime a alegria da Igreja que j\u00e1 vive o tempo em que se realiza o mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o (cf. nota em Ef 3,1-13)

