{N}1,{/}1: (1-4) O Evangelho de S. Lucas nasce de uma pesquisa, destinada a escrever ordenadamente o que a Igreja primitiva transmitia atrav\u00e9s da catequese.

{N}1,{/}5: (5-25) A esterilidade e velhice marcam a vida deste casal justo e tornam-no objecto de humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Zacarias e Isabel representam a comunidade dos pobres e oprimidos, que dependem de Deus. Deus volta-Se para esses pobres: deles nascer\u00e1 Jo\u00e3o, o \u00faltimo profeta da antiga Alian\u00e7a. Jo\u00e3o abrir\u00e1 o caminho para a chegada do Messias, que iniciar\u00e1 a Hist\u00f3ria da liberta\u00e7\u00e3o dos pobres (cf. nota em Ml 3,22-24).

{N}1,{/}26: (26-38) Maria \u00e9 outra representante da comunidade dos pobres que esperam pela liberta\u00e7\u00e3o. D'Ela nasce Jesus Messias, o Filho de Deus. O facto de Maria conceber sem ainda morar com Jos\u00e9 indica que o nascimento do Messias \u00e9 obra da interven\u00e7\u00e3o de Deus. Aquele que vai iniciar nova Hist\u00f3ria surge dentro da Hist\u00f3ria de maneira totalmente nova.

{N}1,{/}39: (39-45) Ainda no seio de sua m\u00e3e, Jo\u00e3o Baptista recebe o Esp\u00edrito prometido (1,15). Reconhece o Messias e aponta-O atrav\u00e9s da exclama\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e Isabel.

{N}1,{/}46: (46-56) O c\u00e2ntico de Maria \u00e9 o c\u00e2ntico dos pobres que reconhecem a vinda de Deus para os libertar atrav\u00e9s de Jesus. Cumprindo a promessa, Deus assume o partido dos pobres e realiza uma transforma\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria, invertendo a ordem social: os ricos e poderosos s\u00e3o depostos e despojados e os pobres e oprimidos s\u00e3o libertos e assumem a direc\u00e7\u00e3o dessa nova Hist\u00f3ria.

{N}1,{/}57: (57-66) O nome de Jo\u00e3o (= Deus tem piedade) \u00e9 o sinal que evidencia o projecto de Deus sobre a crian\u00e7a e a sua miss\u00e3o.

{N}1,{/}67: (67-80) O c\u00e2ntico de Zacarias \u00e9 um louvor ao Deus misericordioso que realiza, atrav\u00e9s de Jesus, a \u00abvisita\u00bb aos pobres. Em Jesus manifesta-se a {C}for\u00e7a{/} que liberta dos inimigos e do medo, formando um povo santo diante de Deus e justo diante dos homens. Deste modo, manifesta-se {C}a luz{/} que ilumina a condi\u00e7\u00e3o do povo, abrindo uma Hist\u00f3ria nova que se encaminha para a Paz, isto \u00e9, a plenitude da vida.

{N}2,{/}1: (1-7) O recenseamento ordenado pelo imperador era instrumento de domina\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que possibilitava saber quantas pessoas deviam pagar o tributo. Dentro dessa situa\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o nasce Jesus, o Messias, que desde o primeiro instante da sua vida Se identifica com os pobres.

{N}2,{/}8: (8-20) Os primeiros a receber a Boa Not\u00edcia (Evangelho) s\u00e3o os pobres e marginalizados, aqui representados pelos pastores. Com efeito, na sociedade da \u00e9poca, os pastores eram desprezados, porque n\u00e3o tinham possibilidade de cumprir todas as exig\u00eancias da Lei. \u00c9 para eles que nasce o Salvador, o Messias e o Senhor. E s\u00e3o os primeiros a anunciar a sua chegada. Jesus \u00e9 o {C}Salvador,{/} porque traz a liberta\u00e7\u00e3o definitiva. \u00c9 o {C}Messias,{/} porque traz o Esp\u00edrito de Deus, que convoca os homens para uma rela\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a e amor fraterno (cf. Is 11,1-9). \u00c9 o {C}Senhor,{/} porque vence todos os obst\u00e1culos, conduzindo os homens dentro de uma Hist\u00f3ria nova.

{N}2,{/}21: (21-24) Todo o primog\u00e9nito pertencia a Deus e devia ser resgatado por meio de um sacrif\u00edcio. Nessa ocasi\u00e3o, tamb\u00e9m se fazia a purifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3e e se oferecia um cordeiro. Quem era pobre podia oferecer duas rolas ou dois pombinhos, em lugar do cordeiro (cf. Lv 5,1-8). O Messias nasce como que dominado, em lugar pobre, e vem pobre, para os pobres.

{N}2,{/}25: (25-40) Sime\u00e3o e Ana tamb\u00e9m representam os pobres que esperam a liberta\u00e7\u00e3o. E Deus responde \u00e0 esperan\u00e7a que eles tinham. O c\u00e2ntico de Sime\u00e3o relembra a vida e miss\u00e3o do Messias: Jesus ser\u00e1 sinal de contradi\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, julgamento para os ricos e poderosos e liberta\u00e7\u00e3o para os pobres e oprimidos (cf. Lc 6,20-26).

{N}2,{/}41: (41-52) Neste Evangelho, as primeiras palavras de Jesus mostram que toda a sua miss\u00e3o decorre da sua rela\u00e7\u00e3o filial com o Pai. Isto significa que essa miss\u00e3o prov\u00e9m do pr\u00f3prio mist\u00e9rio de Deus e da realiza\u00e7\u00e3o da sua vontade entre os homens. Contudo, ela processa-se dentro do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, onde Jesus vai aprendendo a viver a vida humana como qualquer outro homem.

{N}3,{/}1: (1-20) A data\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica (vv. 1-2) mostra que Lucas coloca os reis terrestres e as autoridades religiosas em contraste com a soberania e a autoridade de Jesus: o movimento profundo da Hist\u00f3ria n\u00e3o se desenvolve no plano das apar\u00eancias da Hist\u00f3ria oficial. \u00c9 Jesus quem realiza o destino do mundo, dando \u00e0 Hist\u00f3ria o verdadeiro sentido.
Jo\u00e3o Baptista convida \u00e0 mudan\u00e7a radical de vida, porque a nova Hist\u00f3ria vai transformar radicalmente as rela\u00e7\u00f5es entre os homens. \u00c9 o tempo do julgamento e de nada vale ter f\u00e9 te\u00f3rica, pois o julgamento baseia-se sobre as op\u00e7\u00f5es e atitudes concretas que cada um assume.

{N}3,{/}21: (21-22) Para Lucas, o baptismo de Jesus \u00e9 um epis\u00f3dio no meio do baptismo de todo o povo. Solidarizando-Se com o povo, Jesus come\u00e7a o tempo do baptismo no Esp\u00edrito, isto \u00e9, a forma\u00e7\u00e3o do povo de Deus que vai construir a nova Hist\u00f3ria. Cf. tamb\u00e9m nota em Mc 1,9-11.

{N}3,{/}23: (23-38) Salientando que Jesus \u00e9 descendente de Ad\u00e3o, Lucas apresenta-O como o princ\u00edpio de vida para todos os homens. Isso \u00e9 frisado tamb\u00e9m pelo n\u00famero de gera\u00e7\u00f5es (setenta e sete), que \u00e9 n\u00famero simb\u00f3lico, indicando a universalidade: a ac\u00e7\u00e3o de Jesus vai atingir toda a humanidade.

{N}4,{/}1: (1-13) Cf. nota em Mc 1,12-13 e em Mt 4,1-11. Lucas inverte a ordem das duas \u00faltimas tenta\u00e7\u00f5es, porque em Jerusal\u00e9m (Templo) \u00e9 que acontecer\u00e1 a suprema tenta\u00e7\u00e3o e a vit\u00f3ria final sobre ela.

{N}4,{/}14: (14-21) Colocada no in\u00edcio da vida p\u00fablica de Jesus, esta passagem constitui, segundo Lucas, o programa de toda a actividade de Jesus. Is 61,1-2 anunciara que o Messias iria realizar a miss\u00e3o libertadora dos pobres e oprimidos. Jesus aplica a passagem a Si mesmo, assumindo-a no hoje concreto em que Se encontra. No {C}ano da gra\u00e7a{/} eram perdoadas todas as d\u00edvidas e redistribu\u00edam-se fraternalmente todas as terras e propriedades: Jesus encaminha a humanidade para uma situa\u00e7\u00e3o de reconcilia\u00e7\u00e3o e partilha, que tornam poss\u00edveis a igualdade, a fraternidade e a comunh\u00e3o.

{N}4,{/}22: (22-30) A d\u00favida e a rejei\u00e7\u00e3o de Jesus por parte dos seus compatriotas fazem prever a hostilidade e a rejei\u00e7\u00e3o de toda a actividade de Jesus por parte de todo o povo. No entanto, Jesus prossegue o seu caminho, para construir a nova Hist\u00f3ria que engloba toda a humanidade.

{N}4,{/}31: (31-37) Cf. nota em Mc 1,21-28.

{N}4,{/}38: (38-41) Cf. nota em Mc 1,29-34.

{N}4,{/}42: (42-44) A Boa Not\u00edcia do Reino \u00e9 o amor de Deus que provoca a transforma\u00e7\u00e3o radical das estruturas que escravizam os homens. Para anunci\u00e1-la, Jesus vai ao encontro daqueles que ainda n\u00e3o a conhecem.

{N}5,{/}1: (1-11) A cena \u00e9 simb\u00f3lica. Jesus chama os seus primeiros disc\u00edpulos, mostrando-lhes qual a miss\u00e3o que lhes est\u00e1 reservada: fazer que os homens participem da liberta\u00e7\u00e3o trazida por Jesus e que s\u00f3 pode realizar-se no seguimento d'Ele, mediante a uni\u00e3o com Ele e a sua miss\u00e3o. O convite ao seguimento \u00e9 exigente: \u00e9 preciso \u00abdeixar tudo\u00bb, para que nada impe\u00e7a o disc\u00edpulo de anunciar a Boa Not\u00edcia do Reino.

{N}5,{/}12: (12-16) Cf. nota em Mt 8,1-4. Enquanto o leproso curado testemunha a ac\u00e7\u00e3o de Jesus, Este retira-Se para alimentar a sua miss\u00e3o em Deus Pai e assim continuar a sua obra.

{N}5,{/}17: (17-26) Cf. nota em Mc 2,1-12.

{N}5,{/}27: (27-32) Cf. nota em Mc 2,13-17.

{N}5,{/}33: (33-39) Cf. nota em Mc 2,18-22. Lucas salienta que quem est\u00e1 habituado \u00e0s estruturas do velho sistema, e n\u00e3o se predisp\u00f5e \u00e0 mudan\u00e7a, nunca aceita a novidade trazida por Jesus (v. 39).

{N}6,{/}1: (1-5) Sendo senhor do s\u00e1bado, Jesus est\u00e1 acima das leis, mesmo religiosas, que os homens elaboram. Ele relativiza essas leis, mostrando que n\u00e3o t\u00eam sentido quando impedem o homem de ter acesso aos bens necess\u00e1rios para a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia.

{N}6,{/}6: (6-11) Jesus mostra que a lei do s\u00e1bado deve ser interpretada como liberta\u00e7\u00e3o e vida para o homem. Por isso, os que preferem ficar com o velho sistema re\u00fanem-se para planear a morte de Jesus: Ele est\u00e1 a destruir as ideias de religi\u00e3o e sociedade que eles tinham.

{N}6,{/}12: (12-16) Jesus escolhe os doze Ap\u00f3stolos, que formar\u00e3o o n\u00facleo da comunidade nova que Ele veio criar. A palavra {C}Ap\u00f3stolo{/} significa aquele que Jesus {C}envia{/} para continuar a sua obra.

{N}6,{/}17: (17-26) O povo vem de todas as partes ao encontro de Jesus, porque a sua ac\u00e7\u00e3o faz nascer a esperan\u00e7a de uma sociedade nova, libertada da aliena\u00e7\u00e3o e dos males que afligem os homens. Os vv. 20-26 proclamam o cerne de toda a actividade de Jesus: produzir uma sociedade justa e fraterna. Para isso, \u00e9 preciso libertar os pobres e famintos, os aflitos e os que s\u00e3o perseguidos por causa da justi\u00e7a. Isso, por\u00e9m, s\u00f3 se alcan\u00e7a denunciando aqueles que geram a pobreza e a opress\u00e3o e depondo-os dos seus privil\u00e9gios. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aben\u00e7oar o pobre sem o libertar da pobreza. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel libertar o pobre da pobreza sem denunciar o rico para o libertar da riqueza.

{N}6,{/}27: (27-36) A vida em sociedade \u00e9 feita de relacionamentos de interesses e reciprocidade, que geram lucro, poder e prest\u00edgio. O Evangelho revoluciona o campo das rela\u00e7\u00f5es humanas, mostrando que, numa sociedade justa e fraterna, as rela\u00e7\u00f5es devem ser gratuitas, \u00e0 semelhan\u00e7a do amor misericordioso do Pai.

{N}6,{/}37: (37-42) Cf. nota em Mt 7,1-5. S. Lucas salienta que as rela\u00e7\u00f5es numa sociedade nova n\u00e3o devem ser de julgamento e condena\u00e7\u00e3o, mas de perd\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 Deus pode julgar.

{N}6,{/}43: (43-45) Assim como as \u00e1rvores s\u00e3o conhecidas pelos frutos, do mesmo modo os homens s\u00e3o conhecidos pelos seus actos.

{N}6,{/}46: (46-49) Quem p\u00f5e em pr\u00e1tica a mensagem de Jesus constr\u00f3i a vida pessoal e comunit\u00e1ria sobre alicerce firme, que resiste \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o, aos conflitos e at\u00e9 mesmo \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o. Quem fica somente no ouvir ou no falar, n\u00e3o colabora na constru\u00e7\u00e3o da nova sociedade.

{N}7,{/}1: (1-10) O oficial era \u00abtemente a Deus\u00bb, isto \u00e9, simpatizante do juda\u00edsmo, embora n\u00e3o pertencesse oficialmente aos seus quadros religiosos. Muitas vezes pode encontrar-se mais f\u00e9 em pessoas que n\u00e3o pertencem a uma institui\u00e7\u00e3o religiosa do que entre aquelas que fazem parte dela.

{N}7,{/}11: (11-17) A actividade libertadora de Jesus \u00e9 a grande \u00abvisita\u00bb de Deus que vem salvar o seu povo. Essa visita \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o do amor compassivo, que atende os mais pobres e necessitados.

{N}7,{/}18: (18-23) Cf. nota em Mt 11,1-6.

{N}7,{/}24: (24-30) Nenhum homem do Antigo Testamento \u00e9 maior do que Jo\u00e3o Baptista. Entretanto, Jo\u00e3o pertence ao Antigo Testamento, onde as profecias s\u00e3o anunciadas, e n\u00e3o ao Novo Testamento, onde as profecias j\u00e1 se realizaram. O povo e os cobradores de impostos acolheram a prega\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Baptista (3,10-14), acreditando que, com Jesus, iria surgir uma nova sociedade. As autoridades, convencidas de que n\u00e3o precisavam de mudar de vida, foram exclu\u00eddas do plano de Deus.

{N}7,{/}31: (31-35) As autoridades religiosas do tempo de Jesus comportam-se de maneira infantil: acusam Jo\u00e3o Baptista de louco, porque \u00e9 severo de mais; acusam Jesus de folgaz\u00e3o, porque parece muito condescendente. O povo e os cobradores de impostos comportam-se de maneira s\u00e1bia: acolhem Jo\u00e3o Baptista e Jesus, reconhecendo neles a revela\u00e7\u00e3o da misericordiosa justi\u00e7a de Deus.

{N}7,{/}36: (36-50) O fariseu n\u00e3o se considera pecador; por isso, fica numa atitude de julgamento e n\u00e3o \u00e9 capaz de entender e experimentar o perd\u00e3o e o amor. Jesus mostra que a justi\u00e7a de Deus se manifesta como amor que perdoa os pecados e transforma as condi\u00e7\u00f5es das pessoas. O amor \u00e9 express\u00e3o e sinal do perd\u00e3o recebido.

{N}8,{/}1: (1-3) Jesus continua a sua miss\u00e3o e vai formando uma comunidade nova, a partir daqueles que s\u00e3o marginalizados pela sociedade do seu tempo, como eram as mulheres. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o parte integrante do grupo que acompanha Jesus.

{N}8,{/}4: (4-8) Cf. nota em Mt 13,1-9.

{N}8,{/}9: (9-10) Cf. nota em Mc 4,10-12.

{N}8,{/}11: (11-15) Cf. notas em Mc 4,13-20 e Mt 13,18-23.

{N}8,{/}16: (16-18) Cf. nota em Mc 4,21-25. Quem n\u00e3o age, perde at\u00e9 mesmo a compreens\u00e3o que pensa ter.

{N}8,{/}19: (19-21) Jesus instaura entre os homens novas rela\u00e7\u00f5es que come\u00e7am a existir quando os homens p\u00f5em em pr\u00e1tica a palavra do Evangelho, continuando a miss\u00e3o de Jesus.

{N}8,{/}22: (22-25) Cf. notas em Mc 4,35-41 e Mt 8,23-27.

{N}8,{/}26: (26-39) Jesus leva aos pag\u00e3os a nova Hist\u00f3ria, que se inicia com a expuls\u00e3o dos dem\u00f3nios. A novidade provoca o medo naqueles que est\u00e3o habituados \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o. S\u00f3 quem conseguiu sair dela, por interm\u00e9dio de Jesus, \u00e9 que possui coragem para ser proclamador da Boa Not\u00edcia. Cf. tamb\u00e9m notas em Mc 5,1-20 e Mt 8,28-34.

{N}8,{/}40: (40-56) Cf. nota em Mc 5,21-43.

{N}9,{/}1: (1-6) Cf. nota em Mc 6,7-13.

{N}9,{/}7: (7-9) A palavra e ac\u00e7\u00e3o de Jesus deixam o povo e as autoridades sem saber o que pensar. \u00c9 que a sua presen\u00e7a for\u00e7a toda a gente a perguntar: \u00abQuem \u00e9 este homem?\u00bb O encontro de Jesus e Herodes acontecer\u00e1 na Paix\u00e3o (23,6-12).

{N}9,{/}10: (10-17) Lucas salienta que o facto aconteceu num lugar deserto. Trata-se do povo de Deus em marcha pelo deserto, saciado pelo alimento que o pr\u00f3prio Deus concede. O alimento \u00e9 dom de Deus. Mas os Ap\u00f3stolos, que s\u00e3o o n\u00facleo da comunidade que cria a nova Hist\u00f3ria, t\u00eam como miss\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 perceber que o povo est\u00e1 desabrigado e passa fome, mas tamb\u00e9m organizar esse povo e providenciar para que o alimento seja distribu\u00eddo de tal maneira que todos se sintam saciados. A Eucaristia \u00e9 o sacramento do dom de Deus repartido entre os homens.

{N}9,{/}18: (18-27) N\u00e3o basta declarar e aceitar que Jesus \u00e9 o Messias; \u00e9 preciso rever a ideia a respeito do Messias, o qual, para construir a nova Hist\u00f3ria, enfrenta os que n\u00e3o querem transforma\u00e7\u00f5es. Por isso, Ele vai sofrer, ser rejeitado e morto. A sua ressurrei\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a sua vit\u00f3ria. E quem quiser acompanhar Jesus na sua ac\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica e participar da sua vit\u00f3ria ter\u00e1 que percorrer caminho semelhante: renunciar a si mesmo e \u00e0s gl\u00f3rias do poder e da riqueza.

{N}9,{/}28: (28-36) Lucas apresenta Jesus a rezar continuamente (5,16; 6,12; 9,18). Com isto o evangelista mostra que Jesus, atrav\u00e9s da sua palavra e ac\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a realizar a vontade do Pai. Na Transfigura\u00e7\u00e3o aparece claramente esse sentido da ora\u00e7\u00e3o (v. 35). E a vontade do Pai \u00e9 que Jesus realize o {C}\u00eaxodo{/} (v. 31), isto \u00e9, que Ele realize, mediante a sua morte, ressurrei\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o, o acto supremo de liberta\u00e7\u00e3o do povo, acabando com a escravid\u00e3o simbolizada pelo sistema implantado em Jerusal\u00e9m.

{N}9,{/}37: (37-45) Enquanto os disc\u00edpulos n\u00e3o mudarem as suas ideias sobre o Messias, nunca realizar\u00e3o os actos de liberta\u00e7\u00e3o que d\u00e3o continuidade \u00e0 miss\u00e3o de Jesus.

{N}9,{/}46: (46-48) Para compreender o messianismo de Jesus \u00e9 preciso mudar a ideia que se tem a respeito do poder. Enquanto persistir entre os disc\u00edpulos o desejo do poder que domina, n\u00e3o haver\u00e1 possibilidade alguma de construir o Reino de Deus.

{N}9,{/}49: (49-50) Cf. nota em Mc 9,38-41.

{N}9,{/}51: (51-56) Jesus inicia o seu {C}caminho{/} para Jerusal\u00e9m (cf. Introdu\u00e7\u00e3o). Nessa viagem, Lucas mostra a pedagogia de Jesus, que vai indicando o caminho \u00e0queles que querem unir-se a Ele. Tal processo por Ele iniciado vai provocar s\u00e9rios conflitos com aqueles que n\u00e3o querem mudar o rumo da Hist\u00f3ria. Por enquanto, nem os samaritanos entendem que Jesus vai a Jerusal\u00e9m para os salvar. E os disc\u00edpulos n\u00e3o imaginam que a Samaria ser\u00e1 um dos primeiros lugares que eles evangelizar\u00e3o ao sa\u00edrem de Jerusal\u00e9m (Act 1,8).

{N}9,{/}57: (57-62) Os primeiros passos para os que seguem Jesus s\u00e3o: disponibilidade cont\u00ednua, capacidade de renunciar a seguran\u00e7as e, iniciado o caminho, n\u00e3o voltar atr\u00e1s, por motivo nenhum.

{N}10,{/}1: (1-16) Os disc\u00edpulos s\u00e3o organizados por Jesus para anunciarem a Boa Not\u00edcia no caminho e come\u00e7arem a realizar os actos que concretizam o Reino. Aqueles que n\u00e3o quiserem aderir \u00e0 Boa Not\u00edcia ficar\u00e3o fora da nova Hist\u00f3ria.

{N}10,{/}17: (17-20) Os milagres realizados s\u00e3o motivo de alegria para os disc\u00edpulos que regressam. No entanto, Jesus mostra que s\u00e3o apenas sinais de uma liberta\u00e7\u00e3o muito mais ampla, que amea\u00e7a o dom\u00ednio de Satan\u00e1s. A verdadeira alegria dos disc\u00edpulos \u00e9 saber que a novidade do reino est\u00e1 a surgir e que eles est\u00e3o a participar nela.

{N}10,{/}21: (21-24) Os s\u00e1bios e inteligentes n\u00e3o s\u00e3o capazes de perceber em Jesus a presen\u00e7a do reino. S\u00f3 os desfavorecidos e pobres conseguem penetrar o sentido da actividade de Jesus e continu\u00e1-la.

{N}10,{/}25: (25-37) O primeiro a colocar obst\u00e1culos no caminho de Jesus \u00e9 um te\u00f3logo. Este sabe que o amor total a Deus e ao pr\u00f3ximo \u00e9 que leva \u00e0 vida. Mas n\u00e3o basta saber. \u00c9 preciso amar concretamente. A par\u00e1bola do samaritano mostra que o pr\u00f3ximo \u00e9 quem se aproxima do outro para lhe dar uma resposta \u00e0s necessidades. Nessa tarefa pr\u00e1tica, o amor n\u00e3o leva em conta barreiras de ra\u00e7a, religi\u00e3o, na\u00e7\u00e3o ou classe social. O pr\u00f3ximo \u00e9 aquele que eu encontro no meu caminho. O legista estabelecia limites para o amor: \u00abQuem \u00e9 o meu pr\u00f3ximo?\u00bb Jesus muda a pergunta: \u00abO que fazes para te tornares pr\u00f3ximo do outro?\u00bb

{N}10,{/}38: (38-42) Mais importante do que fazer as coisas, \u00e9 faz\u00ea-las de modo novo. Para isso, \u00e9 preciso ouvir a palavra de Jesus, que mostra o que fazer e como faz\u00ea-lo.

{N}11,{/}1: (1-4) Os mestres costumavam ensinar os disc\u00edpulos a rezar, transmitindo o resumo da sua pr\u00f3pria mensagem. O Pai-Nosso traz o esp\u00edrito e o conte\u00fado fundamental de toda a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Esta ora\u00e7\u00e3o faz-se na intimidade filial com Deus (Pai), apresentando-Lhe os pedidos mais importantes: que o Pai seja reconhecido por todos (nome); que a sua justi\u00e7a e amor se manifestem (Reino); que, na vida de cada dia, Ele nos d\u00ea vida plena (o p\u00e3o de cada dia); que Ele nos perdoe como n\u00f3s repartimos o perd\u00e3o; que Ele n\u00e3o nos deixe abandonar o caminho de Jesus (tenta\u00e7\u00e3o).

{N}11,{/}5: (5-13) O Evangelho insiste na ora\u00e7\u00e3o perseverante e confiante. Se os homens s\u00e3o capazes de atender ao pedido de amigos e filhos, quanto mais o Pai! Ele nada recusar\u00e1. Pelo contr\u00e1rio, dar\u00e1 o Esp\u00edrito Santo, isto \u00e9, a for\u00e7a de Deus que leva o homem a viver conforme a vida de Jesus Cristo.

{N}11,{/}14: (14-23) A cura do endemoninhado mostra que a ac\u00e7\u00e3o de Jesus consiste em libertar o homem da aliena\u00e7\u00e3o que o impede de falar. A ac\u00e7\u00e3o de Jesus testemunha a chegada do Reino de Deus, pois, para vencer Satan\u00e1s \u00e9 preciso ser mais forte do que ele. Mas Jesus \u00e9, ao mesmo tempo, a presen\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o e do julgamento: quem n\u00e3o age com Jesus, torna-se advers\u00e1rio.

{N}11,{/}24: (24-26) Cf. nota em Mt 12,43-45.

{N}11,{/}27: (27-28) Acolher a palavra de Jesus \u00e9 dom maior do que o simples facto de ser sua M\u00e3e.

{N}11,{/}29: (29-32) N\u00e3o \u00e9 um sinal maravilhoso que leva os homens \u00e0 convers\u00e3o, mas a ades\u00e3o ao projecto da nova Hist\u00f3ria, manifestado na palavra de Jesus.

{N}11,{/}33: (33-36) Jesus \u00e9 a l\u00e2mpada que o Pai enviou ao mundo para iluminar o caminho dos homens. Contudo, sem a luz da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel compreender o significado da presen\u00e7a e actos de Jesus.

{N}11,{/}37: (37-54) No seu caminho, Jesus desmascara os donos da estrutura antiga. Os fariseus deixam de lado a justi\u00e7a e o amor de Deus e, para esconder roubos e maldades, refugiam-se atr\u00e1s de todo um aparato de falsa religiosidade. Os especialistas em leis apossam-se da chave da ci\u00eancia, isto \u00e9, interpretam as leis de acordo com os seus pr\u00f3prios interesses; exercem assim controlo ideol\u00f3gico sobre o povo, impedindo-o de ver as possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o.

{N}12,{/}1: (1-3) Em contraste com a conduta hip\u00f3crita dos fariseus, o Evangelho pede aos disc\u00edpulos que sejam aut\u00eanticos, isto \u00e9, que a sua vida e ac\u00e7\u00e3o testemunhem o seu compromisso com Jesus.

{N}12,{/}4: (4-12) Cf. nota em Mt 10,26-33.

{N}12,{/}13: (13-21) No caminho da vida, o homem depara com o problema das riquezas. Jesus mostra que \u00e9 idiotice acumular bens para assegurar a pr\u00f3pria vida. S\u00f3 Deus pode dar ao homem a riqueza que \u00e9 a pr\u00f3pria vida.

{N}12,{/}22: (22-34) A aquisi\u00e7\u00e3o de bens necess\u00e1rios para viver torna-se ansiedade cont\u00ednua e pesada, se n\u00e3o \u00e9 precedida pela busca do Reino, isto \u00e9, a promo\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de partilha e fraternidade.

{N}12,{/}35: (35-48) Esperando continuamente a chegada imprevis\u00edvel do Senhor que serve, a comunidade crist\u00e3 permanece atenta, concretizando a busca do Reino atrav\u00e9s da prontid\u00e3o no servi\u00e7o fraterno. Os vv. 41-46 mostram que isto vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir, provendo \u00e0s necessidades da comunidade. A responsabilidade \u00e9 ainda maior quando se sabe o que deve ser feito (vv. 47-48).

{N}12,{/}49: (49-53) A miss\u00e3o de Jesus, desde o baptismo at\u00e9 \u00e0 cruz, \u00e9 anunciar e tornar presente o Reino, entrando em choque com as concep\u00e7\u00f5es dominantes na sociedade. Por isso, \u00e9 preciso tomar uma decis\u00e3o diante de Jesus, e isso provoca divis\u00f5es at\u00e9 mesmo nos relacionamentos mais familiares.

{N}12,{/}54: (54-59) Assim como os homens podem prever o tempo a partir dos sinais da Natureza, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel reconhecer na actividade de Jesus a manifesta\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Essa tarefa empenhativa e urgente implica uma decis\u00e3o a favor ou contra o Reino. \u00c9 preciso agir enquanto \u00e9 tempo.

{N}13,{/}1: (1-9) No caminho da vida h\u00e1 acontecimentos tr\u00e1gicos. Estes n\u00e3o significam que as v\u00edtimas s\u00e3o mais pecadoras do que os outros. Ao contr\u00e1rio, s\u00e3o convites abertos para que se pense no imprevis\u00edvel dos factos e na urg\u00eancia da convers\u00e3o, para se construir a nova Hist\u00f3ria. A par\u00e1bola (vv. 6-9) salienta que, em Jesus, Deus sempre d\u00e1 uma \u00faltima oportunidade.

{N}13,{/}10: (10-17) O dia de s\u00e1bado \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima daquilo que Jesus realiza ao curar a mulher: a comemora\u00e7\u00e3o da pessoa libertada. O povo enche-se de alegria ao ver como o dia santificado \u00e9 sinal da vida que Deus d\u00e1 aos homens, e n\u00e3o um dia de simples rituais obrigat\u00f3rios preestabelecidos.

{N}13,{/}18: (18-21) Cf. nota em Mc 4,30-34.

{N}13,{/}22: (22-30) Jesus n\u00e3o responde directamente \u00e0 pergunta. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 universal, est\u00e1 aberta a todos e n\u00e3o s\u00f3 \u00e0queles que conhecem Jesus. A condi\u00e7\u00e3o \u00e9 entrar pela porta estreita, isto \u00e9, escolher o caminho de vida que cria a nova Hist\u00f3ria.

{N}13,{/}31: (31-33) A actividade de Jesus provoca o temor e a reac\u00e7\u00e3o das autoridades. Jesus n\u00e3o as teme e continua a realizar a miss\u00e3o que liberta as pessoas e ao mesmo tempo vai lev\u00e1-l'O \u00e0 morte.

{N}13,{/}34: (34-35) Cf. nota em Mt 23,37-39.

{N}14,{/}1: (1-6) A lei do s\u00e1bado deve ser interpretada como liberta\u00e7\u00e3o e vida para o homem.

{N}14,{/}7: (7-14) Nos vv. 8-11, Jesus critica o conceito de honra baseado no orgulho e ambi\u00e7\u00e3o, que geram apar\u00eancias de justi\u00e7a mas escondem os maiores contrastes sociais. A honra do homem depende de Deus, o \u00fanico que conhece a situa\u00e7\u00e3o real e global do homem; essa honra supera a cren\u00e7a que o homem pode ter nos seus pr\u00f3prios m\u00e9ritos. Nos vv. 12-14, Jesus mostra que o amor verdadeiro n\u00e3o \u00e9 com\u00e9rcio, mas servi\u00e7o gratuito, pois o pobre n\u00e3o pode pagar e o inimigo n\u00e3o pode merecer. S\u00f3 Deus pode retribuir o amor gratuito.

{N}14,{/}15: (15-24) O Reino de Deus \u00e9 apresentado como um banquete em que Deus re\u00fane os seus convidados. Ainda que os representantes oficiais e os habituados \u00e0 religi\u00e3o recusem o convite, dando mais import\u00e2ncia aos seus pr\u00f3prios afazeres, o Reino permanece aberto \u00e0queles que comummente s\u00e3o julgados como exclu\u00eddos: os marginalizados da sociedade e da religi\u00e3o.

{N}14,{/}25: (25-35) Seguir a Jesus e continuar o seu projecto (= ser disc\u00edpulo) \u00e9 viver um clima novo na rela\u00e7\u00e3o com as pessoas, com as coisas materiais e consigo mesmo. Trata-se de assumir com liberdade e fidelidade a condi\u00e7\u00e3o humana, sem superficialismo, conveni\u00eancia ou romantismo. O disc\u00edpulo de Jesus deve ser realista, a fim de evitar ilus\u00f5es e covardias vergonhosas.

{N}15,{/}1: (1-2) O cap\u00edtulo 15 de Lucas \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de todo o Evangelho (= Boa Not\u00edcia). Nele vemos que o amor do Pai \u00e9 o fundamento da atitude de Jesus diante dos homens. Respondendo \u00e0 cr\u00edtica daqueles que se consideram justos, cheios de m\u00e9ritos, e se escandalizam com a solidariedade para com os pecadores, Jesus narra tr\u00eas par\u00e1bolas. A primeira e a segunda mostram a atitude de Deus em Jesus, questionando a hipocrisia dos homens. A terceira tem dois aspectos: o processo de convers\u00e3o do pecador e o problema do \u00abjusto\u00bb que resiste ao amor do Pai.

{N}15,{/}3: (3-7) A par\u00e1bola n\u00e3o quer dizer que Deus prefere o pecador ao justo, ou que os justos sejam hip\u00f3critas. Ela evidencia o mist\u00e9rio do amor do Pai que Se alegra em acolher o pecador arrependido ao lado do justo que persevera.

{N}15,{/}8: (8-10) A mulher \u00e9 pobre e precisa da moeda para sobreviver. O amor de Deus torna-O vitalmente necessitado de encontrar a pessoa perdida, para a levar \u00e0 alegria da comunh\u00e3o no amor.

{N}15,{/}11: (11-32) O processo de convers\u00e3o come\u00e7a com a tomada de consci\u00eancia: o filho mais novo sente-se perdido econ\u00f3mica e moralmente. O acolhimento do pai e as medidas tomadas mostram n\u00e3o s\u00f3 o perd\u00e3o, mas tamb\u00e9m o restabelecimento da dignidade de filho. O filho mais velho \u00e9 justo e perseverante, mas \u00e9 incapaz de aceitar o regresso do irm\u00e3o e o amor do pai que o acolheu. Recusa-se a participar na alegria. Com esta par\u00e1bola, Jesus faz o apelo supremo para que os doutores da Lei e os fariseus aceitem partilhar a alegria de Deus pelo regresso dos pecadores \u00e0 dignidade da vida.

{N}16,{/}1: (1-8) Jesus elogia o administrador que soube tomar uma atitude prudente. O Reino de Deus j\u00e1 chegou: \u00e9 preciso tomar uma atitude antes que seja tarde de mais; converter-se e viver conforme a mensagem de Jesus.

{N}16,{/}9: (9-13) Os vv. 9-13 fazem diversas aplica\u00e7\u00f5es da par\u00e1bola. O v. 9 recomenda o uso da riqueza em favor dos pobres. Os vv. 10-12 mostram que \u00e9 imposs\u00edvel ser fiel nas grandes coisas, quando somos negligentes nas pequenas. E o v. 13 exige uma decis\u00e3o: escolher entre o servi\u00e7o a Deus e o servi\u00e7o \u00e0s riquezas (cf. nota em Mt 6,19-24).

{N}16,{/}14: (14-18) A Lei \u00e9 o tema destas senten\u00e7as. Os fariseus disfar\u00e7am a pr\u00f3pria ambi\u00e7\u00e3o com observ\u00e2ncias externas, mas n\u00e3o s\u00e3o justos diante de Deus. Com Jesus chegou a plenitude da Lei e o Reino de Deus, e, para entrar nele, \u00e9 preciso tomar uma decis\u00e3o.

{N}16,{/}19: (19-31) A par\u00e1bola \u00e9 uma cr\u00edtica \u00e0 sociedade classicista, onde o rico vive na abund\u00e2ncia e no luxo, enquanto o pobre morre na mis\u00e9ria. O problema \u00e9 o isolamento e afastamento em que o rico vive, mantendo um abismo de separa\u00e7\u00e3o que o pobre n\u00e3o consegue transpor. Para quebrar esse isolamento, o rico precisa de se converter. Nada o levar\u00e1 a essa convers\u00e3o, se n\u00e3o for capaz de abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra de Deus, o que o leva a voltar-se para o pobre. Assim, mais do que explica\u00e7\u00e3o da vida no al\u00e9m, a par\u00e1bola \u00e9 exig\u00eancia de profunda transforma\u00e7\u00e3o social, para criar uma sociedade onde haja partilha de bens entre todos.

{N}17,{/}1: (1-10) Lucas re\u00fane aqui senten\u00e7as de Jesus sobre o esc\u00e2ndalo, a correc\u00e7\u00e3o fraterna, o perd\u00e3o, o poder da f\u00e9 e a necessidade de estar desinteressadamente ao servi\u00e7o de Deus. S\u00e3o atitudes fundamentais para a vida do disc\u00edpulo de Jesus.

{N}17,{/}11: (11-19) O ponto alto da narrativa \u00e9 a f\u00e9 do samaritano. \u00c9 f\u00e9 madura: nasce da esperan\u00e7a (vv. 12-13), cresce na obedi\u00eancia \u00e0 palavra de Jesus (v. 14) e manifesta-se na gratid\u00e3o (v. 16). Com isto, ele n\u00e3o s\u00f3 recebe a cura, mas \u00e9 salvo. A sua vida chega \u00e0 plenitude, ao reconhecer que em Jesus o amor de Deus leva os homens a viver na alegria da gratid\u00e3o. A vida que Deus d\u00e1 em Jesus Cristo \u00e9 gratuita, \u00e9 gra\u00e7a.

{N}17,{/}20: (20-21) \u00c9 in\u00fatil procurar sinais misteriosos da vinda do Reino. Ele j\u00e1 est\u00e1 presente em qualquer lugar onde a ac\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 continuada.

{N}17,{/}22: (22-37) Juntamente com o Reino de Deus, o julgamento do Filho do Homem realiza-se na Hist\u00f3ria: Ele vem para manifestar a verdade da vida de todos. Essa manifesta\u00e7\u00e3o do Filho do Homem \u00e9 sempre um momento grave e decisivo: dele depende a salva\u00e7\u00e3o ou a perdi\u00e7\u00e3o de cada um. S\u00f3 ser\u00e3o salvos aqueles que, como Jesus, fazem da pr\u00f3pria vida um dom para os outros (v. 33).

{N}18,{/}1: (1-8) Insist\u00eancia e perseveran\u00e7a s\u00f3 existem naqueles que est\u00e3o insatisfeitos com a situa\u00e7\u00e3o presente e, por isso, n\u00e3o desanimam; de contr\u00e1rio, jamais conseguiriam alguma coisa. Deus atende aqueles que, atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, testemunham o desejo e a esperan\u00e7a de que se fa\u00e7a justi\u00e7a.

{N}18,{/}9: (9-14) N\u00e3o basta ser perseverante e insistente. \u00c9 preciso reconhecer e confessar a pr\u00f3pria pequenez, recorrendo \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus. De nada adianta o homem justificar-se a si mesmo, pois a justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom de Deus.

{N}18,{/}15: (15-17) Cf. nota em Mc 10,13-16.

{N}18,{/}18: (18-30) Cf. nota em Mc 10,17-31.

{N}18,{/}31: (31-34) A vinda de Jesus como Filho do Homem, isto \u00e9, como juiz e salvador, acontece na hora da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o.

{N}18,{/}35: (35-43) A cura do cego simboliza a f\u00e9, que \u00e9 a vis\u00e3o do compromisso com Jesus. De olhos abertos para uma nova maneira de ver e agir, ele segue a Jesus que vai dar a vida.

{N}19,{/}1: (1-10) Zaqueu \u00e9 o exemplo para qualquer rico que deseja alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o. A sua convers\u00e3o come\u00e7a com o desejo de conhecer Jesus de perto. Continua, quando se une ao povo para se encontrar com Jesus e acolh\u00ea-l'O em sua casa. A convers\u00e3o completa-se quando Zaqueu se disp\u00f5e a partilhar os seus bens e devolver com juros o que roubou.

{N}19,{/}11: (11-28) Cf. nota em Mt 25,14-30. Lucas misturou a par\u00e1bola original com os tra\u00e7os de outra par\u00e1bola: o pretendente ao trono, que volta como rei e juiz e julga os seus inimigos.

{N}19,{/}29: (29-40) De maneira simples e espont\u00e2nea, Jesus \u00e9 aclamado como Rei-Messias. Despojado dos tradicionais aparatos dos reis, Ele apresenta-Se de modo humilde e pac\u00edfico. Traz consigo a invers\u00e3o de um sistema que se apoia na viol\u00eancia e na for\u00e7a das armas, e que defende os privilegiados. Por isso, as autoridades tentam calar aqueles que aclamam Jesus como o Rei que traz a verdadeira justi\u00e7a.

{N}19,{/}41: (41-44) A Cidade Santa n\u00e3o sabe qual \u00e9 o caminho da verdadeira paz. Os seus olhos est\u00e3o tapados: ela tornou-se o centro da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o do povo, enveredando por um caminho que \u00e9 o avesso do caminho da paz. Ela ser\u00e1 destru\u00edda, porque n\u00e3o quer reconhecer na visita de Jesus a ocasi\u00e3o para mudar as suas estruturas injustas.

{N}19,{/}45: (45-48) Cf. nota em Mc 11,15-19.

{N}20,{/}1: (1-8) Percebendo que est\u00e3o perdendo o controlo, as autoridades tentam montar uma armadilha que desacredite a autoridade de Jesus diante do povo. Mas Jesus usa o mesmo truque: se as autoridades responderem, elas \u00e9 que ficar\u00e3o desacreditadas.

{N}20,{/}9: (9-19) Jesus passa ao ataque. Acusa as autoridades (sumos sacerdotes, doutores da lei) de se apoderarem daquilo que pertence a Deus, isto \u00e9, o povo da alian\u00e7a (vinha). Depois de muitos profetas que pregavam a justi\u00e7a (empregados), Deus envia o seu pr\u00f3prio Filho com o Reino. A rejei\u00e7\u00e3o e a morte do Filho trazem a senten\u00e7a: o povo de Deus, agora congregado em torno de Jesus (pedra), passa a outros chefes, que n\u00e3o devem tomar posse dele, mas servi-lo.

{N}20,{/}20: (20-26) O pagamento do tributo era o sinal da domina\u00e7\u00e3o romana. Jesus n\u00e3o discute a quest\u00e3o do tributo. Ele preocupa-Se com o povo: a moeda \u00e9 de C\u00e9sar, mas o povo \u00e9 de Deus. Jesus condena a transforma\u00e7\u00e3o do povo em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a domina\u00e7\u00e3o interna como a estrangeira.

{N}20,{/}27: (27-40) Cf. nota em Mc 12,18-27.

{N}20,{/}41: (41-44) Cf. nota em Mc 12,35-37.

{N}20,{/}45: (45-47) Cf. nota em Mc 12,38-40.

{N}21,{/}1: (1-4) Enquanto os doutores da Lei exploram as vi\u00favas e lhes roubam as casas, uma vi\u00fava pobre deposita no Tesouro do Templo tudo o que possui para viver. Ao elogi\u00e1-la, Jesus mostra que numa sociedade que acredita em Deus vigoram n\u00e3o rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas baseadas no sup\u00e9rfluo, mas rela\u00e7\u00f5es de doa\u00e7\u00e3o total, que n\u00e3o se prendem com seguran\u00e7as pessoais.

{N}21,{/}5: (5-11) Cf. nota em Mc 13,1-8.

{N}21,{/}12: (12-19) A rela\u00e7\u00e3o entre Deus e os homens continua atrav\u00e9s dos disc\u00edpulos, que devem prosseguir a miss\u00e3o de Jesus pelo testemunho. Contudo, assim como Jesus encontrou resist\u00eancia, tamb\u00e9m eles: ser\u00e3o perseguidos, presos, torturados, julgados e at\u00e9 mesmo mortos por continuarem a ac\u00e7\u00e3o de Jesus. Mas n\u00e3o devem ficar preocupados com a pr\u00f3pria defesa. O importante \u00e9 a coragem de permanecerem firmes at\u00e9 ao fim.

{N}21,{/}20: (20-24) Lucas descreve a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m no ano 70 d.C. Esse acontecimento marca o final da Hist\u00f3ria do povo da Antiga Alian\u00e7a. Da\u00ed para a frente j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre judeus e pag\u00e3os: o povo de Deus da Nova Alian\u00e7a ser\u00e1 constitu\u00eddo por pessoas vindas de todos os povos da Terra.

{N}21,{/}25: (25-28) Cf. nota em Mc 13,24-27.

{N}21,{/}29: (29-38) Tarefa urgente do disc\u00edpulo \u00e9 testemunhar sem esmorecer, continuando a ac\u00e7\u00e3o de Jesus. A espera da plena manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus e do mundo novo, por Ele prometido, impede que o disc\u00edpulo se instale na situa\u00e7\u00e3o presente; e, por outro lado, evita que o disc\u00edpulo desanime, achando que o projecto de Jesus \u00e9 dif\u00edcil, distante e invi\u00e1vel.

{N}22,{/}1: (1-6) Em 4,13 Lucas diz que \u00abo dem\u00f3nio se afastou de Jesus, para voltar em tempo oportuno\u00bb. Esse tempo chegou. As autoridades e Judas tornam-se instrumentos de Satan\u00e1s para levar Jesus \u00e0 morte. \u00c9 a hora do grande confronto entre Jesus e o mal que domina homens e estruturas.

{N}22,{/}7: (7-13) Cf. nota em Mc 14,12-21.

{N}22,{/}14: (14-23) A \u00faltima P\u00e1scoa celebrada por Jesus indica o sentido da sua morte: Ele entrega-Se totalmente (corpo, sangue) em favor dos homens. Trata-se de um gesto supremo de amor que liberta os homens de uma vida marcada pelo mal do ego\u00edsmo; s\u00f3 assim se constr\u00f3i a Nova Alian\u00e7a, isto \u00e9, a sociedade fundada no dom de si para o bem de todos.

{N}22,{/}24: (24-30) A Eucaristia torna-se momento de catequese para a comunidade dos que seguem a Jesus. Nessa comunidade, a autoridade n\u00e3o significa poder sobre os irm\u00e3os, mas fun\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, a exemplo de Jesus. \u00c9 somente atrav\u00e9s do servi\u00e7o fraterno que os seguidores de Jesus participam na sua autoridade como Rei e Juiz.

{N}22,{/}31: (31-34) Satan\u00e1s tenta conquistar inclusive os disc\u00edpulos de Jesus; e Pedro chegar\u00e1 a negar tr\u00eas vezes o Mestre. Somente a intercess\u00e3o de Jesus faz com que ele n\u00e3o perca completamente a f\u00e9 e assuma corajosamente a pr\u00f3pria miss\u00e3o.

{N}22,{/}35: (35-38) A morte de Jesus inaugura o combate decisivo dentro da Hist\u00f3ria, e os seguidores de Jesus devem estar preparados para o enfrentar. Na primeira miss\u00e3o (cf. Lc 10,4-7), nada faltou aos disc\u00edpulos. Agora, por\u00e9m, \u00e9 hora de luta (espada), e cada um deve prover ao seu pr\u00f3prio sustento e enfrentar todas as for\u00e7as que impedem a concretiza\u00e7\u00e3o do Reino.

{N}22,{/}39: (39-46) \u00c9 o momento da grande tenta\u00e7\u00e3o e da decis\u00e3o definitiva. Diante das consequ\u00eancias de toda a sua vida e ac\u00e7\u00e3o, Jesus deve escolher entre obedecer \u00e0 vontade do Pai ou submeter-Se ao poder das trevas (cf. Lc 22,53). A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a uni\u00e3o com Deus que ajuda o homem a manter-se consciente e fiel ao compromisso at\u00e9 ao fim.

{N}22,{/}47: (47-53) Um dos disc\u00edpulos alia-se ao poder repressivo das autoridades e trai Jesus com um gesto de amizade. Um dos presentes tenta defender Jesus com a mesma arma dos opressores. Aquele que realiza o projecto de Deus e atrai o povo \u00e9 considerado pelos poderosos como bandido perigoso. Mas eles n\u00e3o t\u00eam coragem de prender Jesus \u00e0 luz do dia.

{N}22,{/}54: (54-65) Enquanto Jesus \u00e9 preso e conduzido \u00e0 presen\u00e7a das autoridades, Pedro n\u00e3o tem coragem de confessar que \u00e9 disc\u00edpulo de Jesus diante de pessoas simples e inofensivas.

{N}22,{/}66: (66-71) O julgamento diante do Sin\u00e9drio mostra quem \u00e9 Jesus. Ele \u00e9 o Messias, Aquele que vem implantar o reino da justi\u00e7a. \u00c9 o Filho do Homem, que vem para julgar os projectos do homem na Hist\u00f3ria e reunir o povo para viver o projecto de Deus. Mais ainda: Jesus \u00e9 o Filho de Deus, que re\u00fane os homens para formar a grande fam\u00edlia em torno do Pai. As autoridades, por\u00e9m, n\u00e3o aceitam Jesus nem a sua miss\u00e3o, porque aceit\u00e1-l'O significaria serem julgadas por Ele.

{N}23,{/}1: (1-5) As autoridades querem a morte de Jesus e apresentam-n'O ao governador romano com tr\u00eas acusa\u00e7\u00f5es que caracterizam toda a actividade de Jesus como uma grande subvers\u00e3o (\u00absubverter o povo\u00bb): a n\u00edvel econ\u00f3mico (pro\u00edbe pagar o tributo), a n\u00edvel pol\u00edtico (afirma ser rei) e a n\u00edvel ideol\u00f3gico (ensinamento que provoca revolta). Pilatos, por\u00e9m, declara a inoc\u00eancia de Jesus.

{N}23,{/}6: (6-12) As diverg\u00eancias entre Pilatos e Herodes s\u00e3o sanadas, porque Pilatos resolveu respeitar a jurisdi\u00e7\u00e3o de Herodes. Percebendo que \u00e9 mero objecto de curiosidade, Jesus permanece calado.

{N}23,{/}13: (13-25) Tanto Herodes como Pilatos parecem desconhecer o alcance e as consequ\u00eancias pol\u00edticas, econ\u00f3micas e sociais do projecto de Jesus (23,4.14.15.22), cujo ensinamento religioso representa um perigo para os privil\u00e9gios das autoridades. Perigo muito maior do que Barrab\u00e1s, conhecido guerrilheiro subversivo.

{N}23,{/}26: (26-32) Sim\u00e3o Cireneu \u00e9 o s\u00edmbolo do verdadeiro disc\u00edpulo de Jesus (cf. Lc 9,23). - Jesus serviu o projecto de Deus at\u00e9 ao fim. N\u00e3o \u00e9 pela sua morte que devemos chorar. \u00c9 preciso chorar diante das consequ\u00eancias acarretadas pela rejei\u00e7\u00e3o do projecto de Deus.

{N}23,{/}33: (33-38) Jesus \u00e9 crucificado como criminoso, entre criminosos. Por entre a curiosidade do povo e a zombaria dos chefes e soldados ecoa uma palavra de perd\u00e3o: os respons\u00e1veis pela morte de Jesus devem ser perdoados, porque n\u00e3o conhecem a gravidade e as consequ\u00eancias do pr\u00f3prio gesto. O letreiro da cruz, indicando a causa da condena\u00e7\u00e3o, proclama a todos a chegada da realeza que d\u00e1 a vida.

{N}23,{/}39: (39-43) No momento em que tudo parece perdido, Jesus mostra-Se portador da salva\u00e7\u00e3o. Ele anunciou a salva\u00e7\u00e3o aos pecadores, durante a sua vida; agora, na cruz, oferece-a ao criminoso. Jesus n\u00e3o est\u00e1 sozinho na cruz. Acompanham-n'O todos aqueles que s\u00e3o condenados por uma sociedade que n\u00e3o aceita o projecto de Deus e que clamam: \u00abLembra-Te de n\u00f3s!\u00bb.

{N}23,{/}44: (44-49) O ponto mais alto do terceiro Evangelho est\u00e1 nestas palavras de Jesus na cruz: \u00abPai, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u00bb. A morte de Jesus \u00e9 a sua liberta\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os de Deus. Ela aparece como consequ\u00eancia da sua vida e actividade, voltadas para os pobres e oprimidos, provocando a viol\u00eancia do sistema baseado na riqueza e no poder. Essa morte \u00e9 tamb\u00e9m liberta\u00e7\u00e3o, consequ\u00eancia da obedi\u00eancia total e confiante a Deus. Al\u00e9m disso provoca a manifesta\u00e7\u00e3o da verdade: o povo arrepende-se e um pag\u00e3o proclama a inoc\u00eancia de Jesus.

{N}23,{/}50: (50-56) O corpo de Jesus \u00e9 encerrado num t\u00famulo. Aparentemente, a hist\u00f3ria acabou e o sistema que condenou Jesus pode ficar tranquilo. Mas as mulheres preparam-se: alguma coisa vai acontecer...

{N}24,{/}1: (1-12) A manh\u00e3 desse primeiro dia da semana marca a transforma\u00e7\u00e3o radical na compreens\u00e3o e respeito do homem e da vida. O projecto vivido por Jesus n\u00e3o \u00e9 caminho para a morte, mas caminho aprovado por Deus que, atrav\u00e9s da morte, conduz \u00e0 vida. Doravante, o encontro com Jesus realiza-se no momento em que os homens se disp\u00f5em a anunciar o cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3.

{N}24,{/}13: (13-35) Lucas salienta os \u00ablugares\u00bb da presen\u00e7a de Jesus ressuscitado. Primeiro, Ele continua a caminhar entre os homens, solidarizando-se com os seus problemas e participando nas suas lutas. Segundo, Jesus est\u00e1 presente no an\u00fancio da Palavra das Escrituras, que mostra o sentido da sua vida e ac\u00e7\u00e3o. Terceiro, na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, onde o p\u00e3o repartido recorda o dom da sua vida e alimenta a partilha e a fraternidade, que est\u00e3o no cerne do seu projecto.

{N}24,{/}36: (36-43) A ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fruto da imagina\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos, nem se reduz a um fen\u00f3meno puramente espiritual. A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 um facto que atinge o pr\u00f3prio corpo; da\u00ed a identidade do Ressuscitado com o Jesus terrestre. Qualquer ac\u00e7\u00e3o humana que traz mais vida para os corpos oprimidos, doentes, torturados, famintos e sedentos, n\u00e3o \u00e9 apenas obra de miseric\u00f3rdia, mas \u00e9 sinal concreto do facto central da f\u00e9 crist\u00e3: a ressurrei\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Senhor Jesus.

{N}24,{/}44: (44-53) A miss\u00e3o crist\u00e3 nasce da leitura das Escrituras, onde se percebe o testemunho de Jesus (vida-morte-ressurrei\u00e7\u00e3o) como seu centro e significado. Essa miss\u00e3o continua no an\u00fancio de Jesus a todos os povos e provoca a transforma\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria a partir da actividade de Jesus voltada para os pobres e oprimidos. A convers\u00e3o e o perd\u00e3o sup\u00f5em percorrer o caminho de Jesus na pr\u00f3pria vida e nos caminhos da Hist\u00f3ria. A miss\u00e3o \u00e9 iluminada pelo Esp\u00edrito do Pai e de Jesus (a \u00abfor\u00e7a que vem do alto\u00bb).
O Evangelho de Lucas termina em Jerusal\u00e9m e no Templo, como havia come\u00e7ado. Da\u00ed os Ap\u00f3sto-los partir\u00e3o para a miss\u00e3o \u00abat\u00e9 aos confins da Terra\u00bb (Act 1,8).

