{N}1,{/}1: (1-17) Em Jesus, continua e chega ao \u00e1pice toda a Hist\u00f3ria de Israel. A sua \u00e1rvore geneal\u00f3gica apresenta-O como descendente directo de David e Abra\u00e3o. Como filho de David, Jesus \u00e9 o Rei-Messias que vai instaurar o Reino prometido. Como filho de Abra\u00e3o, Ele estender\u00e1 o Reino a todos os homens, atrav\u00e9s da presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o da Igreja.

{N}1,{/}18: (18-25) Jesus n\u00e3o \u00e9 apenas filho da Hist\u00f3ria dos homens. \u00c9 o pr\u00f3prio Filho de Deus, o Deus que est\u00e1 connosco. Ele inicia uma nova Hist\u00f3ria, em que os homens ser\u00e3o salvos (Jesus = Deus salva) de tudo o que diminui ou destr\u00f3i a vida e a liberdade (os pecados).

{N}2,{/}1: (1-12) Jesus \u00e9 o Rei Salvador prometido pelas Escrituras. A sua vinda, por\u00e9m, desperta reac\u00e7\u00f5es diferentes. Aqueles que conhecem as Escrituras, em vez de se alegrarem com a realiza\u00e7\u00e3o das promessas, ficam alarmados, vendo em Jesus uma s\u00e9ria amea\u00e7a para o seu pr\u00f3prio modo de viver. Outros, apenas guiados por um sinal, procuram Jesus e acolhem-n'O como Rei Salvador. N\u00e3o basta saber quem \u00e9 o Messias; \u00e9 preciso seguir os sinais da Hist\u00f3ria que nos encaminham para O reconhecer e aceitar. A cena mostra o destino de Jesus: rejeitado e morto pelas autoridades do seu pr\u00f3prio povo, \u00e9 aceite pelos pag\u00e3os.

{N}2,{/}13: (13-23) O lugar da Terra Prometida tornou-se novo Egipto, lugar de opress\u00e3o. Mateus apresenta o significado de toda a vida e ac\u00e7\u00e3o de Jesus: Ele ser\u00e1 o novo Mois\u00e9s. Vai chefiar o processo de liberta\u00e7\u00e3o das estruturas que oprimem e escravizam, simbolizadas pela Judeia e Jerusal\u00e9m. A Galileia, terra dos pag\u00e3os, ser\u00e1 o ponto de partida para esse novo \u00eaxodo realizado por Jesus, atrav\u00e9s do seu ensinamento e actividade.

{N}3,{/}1: (1-12) Jo\u00e3o Baptista convida a uma mudan\u00e7a radical de vida, porque j\u00e1 se aproxima o Reino que vai transformar radicalmente as rela\u00e7\u00f5es entre os homens. \u00c9 o tempo do julgamento, e de nada adianta ter f\u00e9 te\u00f3rica, pois o julgamento basear-se-\u00e1 nas op\u00e7\u00f5es e atitudes concretas que cada um assume. Os fariseus, com a falsa seguran\u00e7a das suas observ\u00e2ncias religiosas, e os saduceus, com as suas intrigas pol\u00edticas para conservar o poder, pertencem \u00e0 estrutura que vai ser superada pelo Reino.

{N}3,{/}13: (13-17) Neste Evangelho, as primeiras palavras de Jesus apresentam o programa de toda a sua vida e ac\u00e7\u00e3o: cumprir toda a justi\u00e7a, isto \u00e9, realizar plenamente a vontade de Deus e o seu projecto salvador. Cf. tamb\u00e9m nota em Mc 1,9-11.

{N}4,{/}1: (1-11) Cf. nota em Mc 1,12-13. Mateus pormenoriza, salientando tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es. Nelas, Jesus \u00e9 tentado a falsificar a pr\u00f3pria miss\u00e3o, realizando uma actividade que s\u00f3 procure satisfazer as necessidades imediatas, buscar o prest\u00edgio e ambicionar o poder e as riquezas. Jesus, por\u00e9m, resiste a estas tenta\u00e7\u00f5es. O seu projecto de justi\u00e7a \u00e9 transformar as estruturas segundo a vontade de Deus (Palavra que sai da boca de Deus), n\u00e3o pondo Deus ao seu pr\u00f3prio servi\u00e7o ou interesse (N\u00e3o tentar\u00e1s o Senhor teu Deus), e n\u00e3o absolutizando coisas que geram opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o sobre os homens, criando \u00eddolos (Adorar\u00e1s o Senhor teu Deus...).

{N}4,{/}12: (12-25) Jesus come\u00e7a a sua actividade na Galileia, regi\u00e3o distante do centro econ\u00f3mico, pol\u00edtico e religioso do seu pa\u00eds. A esperan\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o inicia-se precisamente numa regi\u00e3o da qual nada se espera.
A prega\u00e7\u00e3o de Jesus tem a mesma radicalidade da de Jo\u00e3o Baptista: \u00e9 preciso total mudan\u00e7a de vida, porque o Reino do C\u00e9u est\u00e1 pr\u00f3ximo.

{N}4,{/}18: (18-22) Cf. nota em Mc 1,16-20.

{N}4,{/}23: (23-25) A actividade de Jesus consiste na palavra (ensinar, pregar) e ac\u00e7\u00e3o (curar). \u00c9 actividade dirigida aos mais pobres, necessitados e marginalizados. O seu conte\u00fado \u00e9 descrito em Mt 5-9.

{N}5,{/}1: (1-12) As bem-aventuran\u00e7as s\u00e3o um an\u00fancio de felicidade, porque proclamam a liberta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o conformismo ou a aliena\u00e7\u00e3o. Anunciam a vinda do Reino atrav\u00e9s da palavra e ac\u00e7\u00e3o de Jesus. Estas tornam presente no mundo a justi\u00e7a do pr\u00f3prio Deus. Justi\u00e7a para aqueles que s\u00e3o in\u00fateis ou inc\u00f3modos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime.
Os que buscam a justi\u00e7a do Reino s\u00e3o os \u00abpobres em esp\u00edrito\u00bb. Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres est\u00e3o profundamente convictos de que t\u00eam necessidade de Deus, pois s\u00f3 com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade.
  5-7: O Serm\u00e3o da Montanha \u00e9 um resumo do ensinamento de Jesus a respeito do Reino e da transforma\u00e7\u00e3o que esse Reino produz. Mois\u00e9s tinha recebido a Lei na montanha do Sinai; agora Jesus apresenta-Se como o novo Mois\u00e9s, proclamando sobre a montanha a vontade de Deus que leva \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o do homem.

{N}5,{/}13: (13-16) Os disc\u00edpulos de Jesus devem estar conscientes de que se acham unidos com todos aqueles que anseiam por um mundo novo. Eles n\u00e3o podem subtrair-se a essa miss\u00e3o, mas precisam de dar testemunho atrav\u00e9s das suas obras. N\u00e3o comprometer-se com isso \u00e9 deixar de ser disc\u00edpulo do Reino. Atrav\u00e9s do testemunho vis\u00edvel dos disc\u00edpulos \u00e9 que os homens podem descobrir a presen\u00e7a e a ac\u00e7\u00e3o do Deus invis\u00edvel.

{N}5,{/}17: (17-20) A lei n\u00e3o deve ser observada simplesmente por ser lei, mas por aquilo que realiza de justi\u00e7a. Cumprir a lei fielmente n\u00e3o significa subdividi-la em observ\u00e2ncias minuciosas, criando uma burocracia escravizante; significa, isso sim, buscar nela inspira\u00e7\u00e3o para a justi\u00e7a e a miseric\u00f3rdia, a fim de que o homem tenha vida e rela\u00e7\u00f5es mais fraternas. Em 5,21-48, Mateus apresenta cinco exemplos, para mostrar como \u00e9 que uma lei deve ser entendida.

{N}5,{/}21: (21-26) A lei que pro\u00edbe matar, pro\u00edbe esse acto desde a raiz, isto \u00e9, desde a mais simples ofensa ao irm\u00e3o. Mesmo ofendido e inocente, o disc\u00edpulo de Jesus deve ter a coragem de dar o primeiro passo para reconciliar-se. Caso se sinta culpado, procure urgentemente a reconcilia\u00e7\u00e3o, porque sobre a sua culpa pesa um julgamento.

{N}5,{/}27: (27-32) Jesus radicaliza at\u00e9 \u00e0 interioridade a fidelidade matrimonial, apelando ao amor verdadeiro e leal. O adult\u00e9rio come\u00e7a com o olhar de desejo, e o mal deve ser cortado pela raiz. A excep\u00e7\u00e3o citada no v. 32 pode referir-se ao caso de uni\u00e3o ileg\u00edtima, por causa de grau de parentesco que trazia impedimento matrimonial segundo a Lei (Lv 18,6-18; Act 15,29).

{N}5,{/}33: (33-37) A necessidade de juramentos \u00e9 sinal de que a mentira e a desconfian\u00e7a pervertem as rela\u00e7\u00f5es humanas. Jesus exige um relacionamento em que as pessoas sejam verdadeiras e respons\u00e1veis.

{N}5,{/}38: (38-42) Como se pode superar a vingan\u00e7a ou at\u00e9 mesmo a \u00abjusta\u00bb puni\u00e7\u00e3o? O Evangelho prop\u00f5e uma atitude nova, a fim de eliminar pela raiz o c\u00edrculo infernal da viol\u00eancia: a resist\u00eancia ao inimigo n\u00e3o deve ser feita com as mesmas armas usadas por ele, mas atrav\u00e9s de comportamento que o desarme.

{N}5,{/}43: (43-48) O Evangelho abre a perspectiva do relacionamento humano para al\u00e9m das fronteiras que os homens costumam construir. Amar o inimigo \u00e9 entrar em rela\u00e7\u00e3o concreta com aquele que tamb\u00e9m \u00e9 amado por Deus, mas que se apresenta como problema para mim. Os conflitos tamb\u00e9m s\u00e3o uma tarefa do amor. O v. 48 \u00e9 a conclus\u00e3o e a chave para se compreender todo o conjunto formado por 5,17-47: os disc\u00edpulos s\u00e3o convidados a um comportamento que os torne filhos que testemunhem a justi\u00e7a do Pai. Sobre os cobradores de impostos, cf. nota em Mc 2,13-17.

{N}6,{/}1: O termo {C}justi\u00e7a{/} refere-se, aqui, a atitudes pr\u00e1ticas em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo (esmola), a Deus (ora\u00e7\u00e3o) e a si mesmo (jejum). Jesus n\u00e3o nega o valor dessas pr\u00e1ticas. Ele mostra como devem ser feitas para que se tornem aut\u00eanticas.

{N}6,{/}2: (2-4) A esmola \u00e9 um gesto de partilha e deve ser o sinal da compaix\u00e3o que busca a justi\u00e7a, relativizando o ego\u00edsmo da posse. Dar esmola para ser elogiado \u00e9 servir a si mesmo e, portanto, falsific\u00e1-la.

{N}6,{/}5: (5-6) Na ora\u00e7\u00e3o, o homem volta-se para Deus, reconhecendo-O como \u00fanico absoluto e reconhecendo a si mesmo como criatura, relativizando a auto-sufici\u00eancia. Por isso, rezar para ser elogiado \u00e9 colocar-se como centro, falsificando a ora\u00e7\u00e3o.

{N}6,{/}7: (7-15) Mateus aproveita o tema da ora\u00e7\u00e3o para inserir aqui o Pai-nosso (cf. Lc 11,1-4), contrapondo a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e0 ora\u00e7\u00e3o dos fariseus e dos pag\u00e3os. O Pai-nosso mostra a simplicidade e intimidade do homem com Deus. Na primeira parte, pede-se que Deus manifeste o seu projecto de salva\u00e7\u00e3o; na segunda, pede-se o essencial para que o homem possa viver segundo o projecto de Deus: p\u00e3o para o sustento, bom relacionamento com os irm\u00e3os e perseveran\u00e7a at\u00e9 ao fim.

{N}6,{/}16: (16-18) Jejuar \u00e9 privar-se de algo imediato e necess\u00e1rio, a fim de ver perspectivas novas e mais amplas para a realiza\u00e7\u00e3o da vida. Trata-se de deixar o egocentrismo, para crescer e dispor-se a realizar novo projecto de justi\u00e7a. Jejuar para aparecer \u00e9 perder todo o sentido do jejum.

{N}6,{/}19: (19-24) Todo o homem, consciente ou inconscientemente, tem na vida um valor fundamental, um absoluto que determina toda a sua forma de ser e viver. Qual \u00e9 o absoluto? Deus ou as riquezas? Deus leva o homem \u00e0 liberdade e \u00e0 vida, atrav\u00e9s da justi\u00e7a que gera a partilha e a fraternidade. As riquezas s\u00e3o o resultado da opress\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o, levando o homem \u00e0 escravid\u00e3o e \u00e0 morte. \u00c9 preciso escolher a qual dos dois queremos servir.

{N}6,{/}25: (25-34) A aquisi\u00e7\u00e3o de bens necess\u00e1rios para viver torna-se ansiedade cont\u00ednua e pesada se n\u00e3o for precedida pela busca da justi\u00e7a do Reino, isto \u00e9, a promo\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de partilha e fraternidade. O necess\u00e1rio para a vida vir\u00e1 juntamente com essa justi\u00e7a, como fruto natural de \u00e1rvore boa.

{N}7,{/}1: (1-5) Deus julga-nos com a mesma medida que usamos para os outros. O rigor do nosso julgamento sobre o nosso pr\u00f3ximo (argueiro) mostra que desconhecemos a nossa pr\u00f3pria fragilidade e a nossa condi\u00e7\u00e3o de pecadores diante de Deus (trave).

{N}7,{/}6: Esta senten\u00e7a provavelmente significa que \u00e9 desperd\u00edcio e perigo anunciar o Reino aos que n\u00e3o est\u00e3o preocupados com ele. Se ligada \u00e0 senten\u00e7a sobre os dois senhores (Mt 6,24), poderia significar que \u00e9 in\u00fatil e at\u00e9 perigoso anunciar os princ\u00edpios evang\u00e9licos \u00e0queles cujo deus s\u00e3o as riquezas. O seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 noutro lugar; fizeram outra op\u00e7\u00e3o fundamental. Em todo o caso, a senten\u00e7a parece fora de contexto e \u00e9 de dif\u00edcil interpreta\u00e7\u00e3o.

{N}7,{/}7: (7-11) A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o da nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus como o \u00fanico absoluto (cf. Mt 6,5-7). Aqui abre-se uma nova perspectiva: essa rela\u00e7\u00e3o deve ser de confian\u00e7a e intimidade como a de um filho para com o seu pai.

{N}7,{/}12: No tempo de Jesus, \u00abLei e Profetas\u00bb indicava todo o Antigo Testamento. Esta \u00abregra de ouro\u00bb convida-nos a ter para com os outros a mesma preo-cupa\u00e7\u00e3o que temos espontaneamente para connosco mesmos. N\u00e3o se trata de vis\u00e3o calculista - dar para receber - mas de compreens\u00e3o do que seja o amor do Pai.

{N}7,{/}13: (13-14) Tanto a op\u00e7\u00e3o fundamental pelo Reino e a sua justi\u00e7a (entrar pela porta), como continuar nessa busca fundamental (caminho), n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis. A escolha verdadeira nunca ser\u00e1 feita pelos indecisos e acomodados. Estes ficam indecisos ou escolhem a estrada mais larga proposta pelos \u00eddolos.

{N}7,{/}15: (15-20) \u00abNada se parece tanto com um verdadeiro profeta como um falso profeta\u00bb. As ideologias que nos afastam da op\u00e7\u00e3o fundamental pelo Reino e sua justi\u00e7a s\u00e3o cheias de fasc\u00ednio e sempre trazem a apar\u00eancia de humanidade e at\u00e9 mesmo de f\u00e9. S\u00f3 poderemos perceber a sua falsidade atrav\u00e9s daquilo que elas produzem na sociedade: a cobi\u00e7a e a sede de poder, que levam \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o.

{N}7,{/}21: (21-23) Nem mesmo o acto de f\u00e9 mais profundo da comunidade, que \u00e9 o reconhecimento de Jesus como Senhor, faz que algu\u00e9m entre no Reino. Se o acto de f\u00e9 pela palavra n\u00e3o for acompanhado de ac\u00e7\u00f5es, \u00e9 vazio e sem sentido. A express\u00e3o \u00abnaquele dia\u00bb indica o Ju\u00edzo final e remete-nos a Mt 25,31-46, onde s\u00e3o mostradas as ac\u00e7\u00f5es que qualificam o aut\u00eantico reconhecimento de Jesus como Senhor.

{N}7,{/}24: (24-27) Construir a casa sobre a rocha \u00e9 viver e agir de acordo com a justi\u00e7a do Reino apresentada no Serm\u00e3o da Montanha. Construir a casa sobre a areia \u00e9 ficar na teoria, sem passar \u00e0 pr\u00e1tica.

{N}7,{/}28: (28-29) A autoridade de Jesus n\u00e3o se baseia em tradi\u00e7\u00f5es ou sistemas, mas na sua pr\u00f3pria pessoa. Ele vive e pratica o que ensina aos outros.

{N}8,{/}1: (1-14) O leproso era um marginalizado da vida social (Lv 13,45-46). Atrav\u00e9s da cura, Jesus reintegra-o na comunidade (Lv 14). O verdadeiro cumprimento da Lei n\u00e3o \u00e9 declarar quem \u00e9 puro ou impuro, mas fazer com que a pessoa fique purificada.

{N}8,{/}5: (5-13) Atendendo ao pedido de um pag\u00e3o, Jesus mostra que as fronteiras do Reino v\u00e3o muito al\u00e9m do mundo estreito da perten\u00e7a a uma origem privilegiada. A fronteira agora \u00e9 a f\u00e9 na palavra libertadora de Jesus. Mesmo pertencendo ao grupo dos que se consideram salvos, se n\u00e3o houver essa f\u00e9 tamb\u00e9m n\u00e3o haver\u00e1 possibilidade de entrar no Reino de Deus.

{N}8,{/}14: (14-15) A presen\u00e7a de Jesus na comunidade liberta as pessoas do mal. Em resposta, as pessoas libertas p\u00f5em-se ao servi\u00e7o da comunidade.

{N}8,{/}16: (16-17) S\u00e3o Mateus mostra o sentido das curas realizadas por Jesus. Citando Is 53,4, ele apresenta Jesus como o Servo de Jav\u00e9, que liberta os homens de tudo aquilo que os aliena e oprime (dem\u00f3nios).

{N}8,{/}18: (18-22) Para seguir a Jesus, a pessoa precisa de estar disposta a duas coisas: correr o risco da inseguran\u00e7a sobre o futuro e estar pronta para n\u00e3o adiar o compromisso.

{N}8,{/}23: (23-27) \u00c9 nos momentos de crise e dificuldades diante do mundo que a comunidade crist\u00e3 (disc\u00edpulos) mostra se confia ou n\u00e3o na presen\u00e7a de Jesus no meio dela. As situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas s\u00e3o sempre um term\u00f3metro que mede o grau de consci\u00eancia da maturidade ou infantilidade da f\u00e9.

{N}8,{/}28: (28-34) Cf. nota em Mc 5,1-20. Para libertar os homens n\u00e3o existe limite de espa\u00e7o (\u00abaqui\u00bb) e de tempo (\u00abantes do tempo\u00bb). S. Mateus mostra que Jesus realizou a sua ac\u00e7\u00e3o libertadora, mesmo que para isso tivesse que \u00abinvadir\u00bb \u00e1reas pag\u00e3s, consideradas propriedade do dem\u00f3nio.

{N}9,{/}1: (1-8) Cf. nota em Mc 2,1-12. S\u00f3 S. Mateus acrescenta na conclus\u00e3o as palavras \u00abpor ter dado tal poder aos homens\u00bb. Deste modo, o epis\u00f3dio torna-se apresenta\u00e7\u00e3o do poder de perdoar, que \u00e9 entregue \u00e0 comunidade (cf. Mt 18,18).

{N}9,{/}9: (9-13) Cf. nota em Mc 2,13-17. Com a cita\u00e7\u00e3o de Oseias 6,6, S. Mateus esclarece o sentido da miss\u00e3o de Jesus: a justi\u00e7a do Reino \u00e9 insepar\u00e1vel da miseric\u00f3rdia.

{N}9,{/}14: (14-17) Cf. nota em Mc 2,18-22. Jesus veio substituir o sistema da Lei, rigidamente seguido pelos fariseus. A justi\u00e7a que vem da miseric\u00f3rdia abre a todos as portas do Reino.

{N}9,{/}18: (18-26) Cf. nota em Mc 5,21-43.

{N}9,{/}27: (27-34) A justi\u00e7a do Reino liberta os homens para o discernimento (ver) e expulsa a aliena\u00e7\u00e3o (dem\u00f3nio) que impede de dizer a palavra que transforma a realidade. A justi\u00e7a libertadora, por\u00e9m, provoca a oposi\u00e7\u00e3o daqueles que querem apossar-se da salva\u00e7\u00e3o, para a restringir a um pequeno grupo de privilegiados.

{N}9,{/}35: (35-38) S\u00e3o Mateus apresenta um resumo da actividade de Jesus (cf. 4,23), mostrando a raiz da sua ac\u00e7\u00e3o: nasce da vis\u00e3o da realidade, que O leva a compadecer-Se, isto \u00e9, a sentir com o povo cansado e abatido. O trabalho \u00e9 grande e necessita de pessoas dispostas a continuar a obra de Jesus. A comunidade deve assumir a preocupa\u00e7\u00e3o de levar a Boa Not\u00edcia do Reino ao mundo inteiro, consciente da necessidade de trabalhadores dispon\u00edveis para essa miss\u00e3o divina.

{N}10,{/}1: (1-4) Os disc\u00edpulos recebem o mesmo poder de Jesus: libertar os homens (expulsar dem\u00f3nios) e alivi\u00e1-los de todos os males (curar doen\u00e7as). Os doze Ap\u00f3stolos formam o n\u00facleo da nova comunidade, chamada a continuar a palavra e ac\u00e7\u00e3o de Jesus.

{N}10,{/}5: (5-15) A miss\u00e3o \u00e9 reunir o povo para seguir a Jesus, o novo Pastor. Ela realiza-se mediante o an\u00fancio do Reino e pela ac\u00e7\u00e3o que concretiza os sinais da presen\u00e7a do Reino. A miss\u00e3o desenvolve-se em clima de gratuitidade, pobreza e confian\u00e7a, e comunica o bem fundamental da {C}paz,{/} isto \u00e9, da plena realiza\u00e7\u00e3o de todas as dimens\u00f5es da vida humana. Os enviados s\u00e3o portadores da liberta\u00e7\u00e3o; rejeit\u00e1-los \u00e9 rejeitar a salva\u00e7\u00e3o e atrair sobre si o julgamento.

{N}10,{/}16: (16-25) Os disc\u00edpulos ter\u00e3o o mesmo destino de Jesus: sofrer as consequ\u00eancias da miss\u00e3o que liberta e d\u00e1 vida nova. Essa miss\u00e3o atingir\u00e1 os interesses de muitos e, por isso, provocar\u00e1 a persegui\u00e7\u00e3o, a divis\u00e3o e o \u00f3dio, at\u00e9 mesmo dentro das fam\u00edlias. Muitas vezes poder\u00e1 levar \u00e0 condena\u00e7\u00e3o nos tribunais. A miss\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 dirigida pelo Esp\u00edrito de Deus. Por isso, os disc\u00edpulos perseveram at\u00e9 ao fim, sem temor nem afli\u00e7\u00e3o, seguros da plena manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus, Senhor e Juiz da Hist\u00f3ria.

{N}10,{/}26: (26-33) Os disc\u00edpulos n\u00e3o devem ter medo, porque a miss\u00e3o baseia-se na verdade que p\u00f5e a descoberto toda a mentira de um sistema social que n\u00e3o mostra a sua verdadeira face. Os homens podem at\u00e9 matar o corpo dos disc\u00edpulos, mas n\u00e3o conseguir\u00e3o tirar-lhes a vida, pois \u00e9 Deus quem d\u00e1 e conserva ou tira a vida para sempre. A seguran\u00e7a dos disc\u00edpulos est\u00e1 na promessa: quem \u00e9 fiel a Jesus ter\u00e1 Jesus a seu favor diante de Deus.

{N}10,{/}34: (34-39) O an\u00fancio da verdade provoca divis\u00e3o e exige tomada de posi\u00e7\u00e3o: uns aceitam, outros rejeitam. Os disc\u00edpulos, por\u00e9m, devem permanecer firmes no compromisso com Jesus, seguindo-O at\u00e9 ao fim. Nem os la\u00e7os familiares, nem as amea\u00e7as \u00e0 pr\u00f3pria vida, nada pode impedir o disc\u00edpulo de testemunhar a justi\u00e7a do Reino.

{N}10,{/}40: (40-42) Os disc\u00edpulos enviados para a miss\u00e3o s\u00e3o os \u00abpequeninos\u00bb; Jesus identifica-Se com a pessoa deles, porque eles levam ao mundo a sua palavra e ac\u00e7\u00e3o.

{N}11,{/}1: (1-6) Ser\u00e1 que Jesus \u00e9 verdadeiramente o Messias esperado? A resposta n\u00e3o \u00e9 dada em palavras, porque o messianismo n\u00e3o \u00e9 uma simples ideia ou teoria. \u00c9 uma actividade concreta que realiza o que se espera da era messi\u00e2nica: a liberta\u00e7\u00e3o dos pobres e oprimidos.

{N}11,{/}7: (7-15) Nenhum homem do Antigo Testamento \u00e9 maior do que Jo\u00e3o Baptista. Entretanto, Jo\u00e3o pertence ao Antigo Testamento, onde as profecias s\u00e3o anunciadas, e n\u00e3o ao Novo Testamento, onde elas j\u00e1 se realizaram. O v. 12 \u00e9 de dif\u00edcil interpreta\u00e7\u00e3o. Provavelmente, o evangelista quer mostrar que o Reino \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia, porque a velha estrutura injusta resiste para n\u00e3o ser destru\u00edda e reage violentamente. Essa viol\u00eancia dos que se op\u00f5em \u00e0 vontade de Deus ser\u00e1 experimentada pelo pr\u00f3prio Jesus na sua miss\u00e3o.

{N}11,{/}16: (16-19) O povo do tempo de Jesus comporta-se de maneira infantil: acusa Jo\u00e3o Baptista de louco, porque \u00e9 severo de mais; acusa Jesus de folgaz\u00e3o, porque parece muito condescendente. No entanto, esquece-se de examinar as ac\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o e de Jesus, que testemunham a realiza\u00e7\u00e3o da vontade de Deus.

{N}11,{/}20: (20-24) Corazim, Betsaida e Cafarnaum s\u00e3o exemplos da auto-sufici\u00eancia e orgulho que n\u00e3o reconhecem a presen\u00e7a do Reino nas ac\u00e7\u00f5es realizadas por Jesus. Por isso ser\u00e3o julgadas com mais severidade do que as cidades pag\u00e3s de Tiro, Sid\u00f3nia e Gomorra, s\u00edmbolos da perdi\u00e7\u00e3o.

{N}11,{/}25: (25-30) Com a sua palavra e ac\u00e7\u00e3o, Jesus revela a vontade do Pai, que \u00e9 instaurar o Reino. Contudo, os s\u00e1bios e inteligentes n\u00e3o s\u00e3o capazes de perceber a presen\u00e7a do Reino e a sua justi\u00e7a atrav\u00e9s de Jesus. Ao contr\u00e1rio, os desfavorecidos e os pobres \u00e9 que conseguem penetrar o sentido dessa actividade de Jesus e continu\u00e1-la. Jesus veio tirar a carga pesada que os s\u00e1bios e inteligentes haviam criado para o povo. Em troca, Ele traz um novo modo de viver na justi\u00e7a e na miseric\u00f3rdia: doravante, os pobres ser\u00e3o evangelizados e partir\u00e3o para evangelizar.

{N}12,{/}1: (1-8) Cf. nota em Mc 2,23-28. S\u00e3o Mateus acrescenta um exemplo para mostrar que a lei do s\u00e1bado n\u00e3o \u00e9 absoluta. Jesus, como nova presen\u00e7a de Deus entre os homens, \u00e9 maior do que o Templo e \u00e9 senhor do s\u00e1bado. Por isso, Ele tem poder para relativizar a lei, propondo a miseric\u00f3rdia como atitude fundamental de Deus para com os homens.

{N}12,{/}9: (9-14) Cf. nota em Mc 3,1-6. Jesus sabe que os fariseus permitem salvar um animal em dia de s\u00e1bado. E prop\u00f5e um caso de consci\u00eancia: um homem n\u00e3o vale mais do que um animal?

{N}12,{/}15: (15-21) Jesus n\u00e3o \u00e9 um demagogo que exige publicidade para as suas ac\u00e7\u00f5es. Ele \u00e9 o Servo de Jav\u00e9, isto \u00e9, o novo mediador que traz e garante para todos os homens a salva\u00e7\u00e3o misericordiosa de Deus.

{N}12,{/}22: (22-32) A cura do endemoninhado mostra que a ac\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 libertar o homem da aliena\u00e7\u00e3o que impede de ver e de falar. O povo come\u00e7a a ver nisto um sinal de que Jesus \u00e9 o Messias. De facto, a ac\u00e7\u00e3o de Jesus testemunha a chegada do Reino de Deus. Doravante, Jesus \u00e9, ao mesmo tempo, a presen\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o e do julgamento; quem n\u00e3o age como Jesus, torna-se um advers\u00e1rio. Cf. tamb\u00e9m nota em Mc 3,20-30.

{N}12,{/}33: (33-37) Quem condena ou salva o homem \u00e9 a decis\u00e3o pr\u00f3 ou contra Jesus, pois isso manifesta a orienta\u00e7\u00e3o fundamental que cada um imprime \u00e0 sua pr\u00f3pria vida.

{N}12,{/}38: (38-42) Jesus recusa dar um sinal para provar a sua miss\u00e3o, porque nenhum milagre \u00e9 capaz de despertar a f\u00e9 naqueles que n\u00e3o querem comprometer-se com Jesus. O \u00fanico sinal que Jesus d\u00e1 \u00e9 o da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, consequ\u00eancia e selo da autenticidade de toda a sua miss\u00e3o.

{N}12,{/}43: (43-45) Recusando Jesus e o Reino de Justi\u00e7a que Ele traz, os homens ficam entregues a uma aliena\u00e7\u00e3o maior do que aquela em que se encontravam antes da sua vinda.

{N}12,{/}46: (46-50) Cf. nota em Mc 3,31-35. S. Mateus salienta que a fam\u00edlia de Jesus s\u00e3o os seus disc\u00edpulos, isto \u00e9, a comunidade que j\u00e1 se disp\u00f4s a segui-l'O. S\u00e3o eles que aprendem os ensinamentos de Jesus, para os levar aos outros; s\u00e3o eles que trilham o caminho da vontade do Pai, ou seja, a obedi\u00eancia \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o da Lei proposta por Jesus. Deste modo, come\u00e7a uma nova gera\u00e7\u00e3o, diferente da gera\u00e7\u00e3o m\u00e1 dos fariseus.

{N}13,{/}1: (1-9) Cf. nota em Mc 4,1-9. Se o Reino j\u00e1 est\u00e1 aqui, por que motivo existem fracassos e conflitos? Jesus trouxe as sementes do Reino, e elas espalharam-se pelo mundo. Mas, assim como Jesus encontrou resist\u00eancia no meio do seu pr\u00f3prio povo, do mesmo modo pessoas e estruturas continuam a impedir que a justi\u00e7a do Reino se estabele\u00e7a entre os homens. Sem d\u00favida, haver\u00e1 uma colheita, mas \u00e0 custa de muitas perdas, isto \u00e9, muitos procurar\u00e3o sufocar as sementes do Reino, antes que chegue a vit\u00f3ria final. Querer negar e fugir destas dificuldades na implanta\u00e7\u00e3o do Reino \u00e9 n\u00e3o compreender o seu mist\u00e9rio.

{N}13,{/}10: (10-17) Cf. nota em Mc 4,10-12. Os mist\u00e9rios do Reino s\u00f3 ser\u00e3o conhecidos por aqueles que j\u00e1 tiverem acolhido Jesus como Messias (os disc\u00edpulos). Aceitar Jesus como o Messias, mesmo nos seus \u00abfracassos\u00bb, faz compreender as cont\u00ednuas dificuldades que sofre a implanta\u00e7\u00e3o do Reino do C\u00e9u. E isso \u00e9 uma bem-aventuran\u00e7a.

{N}13,{/}18: (18-23) Os obst\u00e1culos em compreender a palavra do Reino (= ensinamento de Jesus) s\u00e3o: a aliena\u00e7\u00e3o, que tira o poder de decis\u00e3o humana; as persegui\u00e7\u00f5es concretas que causam des\u00e2nimo; as estruturas pol\u00edticas e econ\u00f3micas que fascinam e seduzem. A compreens\u00e3o da Palavra do Reino realiza-se na dramaticidade dos conflitos pessoais e sociais.

{N}13,{/}24: (24-30) O Messias j\u00e1 veio. Ent\u00e3o, porque \u00e9 que o Reino ainda n\u00e3o se instalou definitivamente? Resposta de Jesus: Isso n\u00e3o se deve \u00e0 imperfei\u00e7\u00e3o natural dos homens, mas a uma sabotagem premeditada, feita por aquele que quer usurpar a autoridade de Deus no mundo. N\u00e3o cabe aos homens fazer a separa\u00e7\u00e3o entre bons e maus, pois s\u00f3 Deus pode fazer o julgamento.

{N}13,{/}31: (31-32) Porque ser\u00e1 que o Reino parece n\u00e3o estar a expandir-se no mundo? Cf. nota em Mc 4,30-34.

{N}13,{/}33: A comunidade dos disc\u00edpulos parece desaparecer no meio dos homens. Num segundo momento, por\u00e9m, ela exerce ac\u00e7\u00e3o transformadora no seio da sociedade.

{N}13,{/}34: (34-35) Somente atrav\u00e9s da pessoa e miss\u00e3o de Jesus \u00e9 poss\u00edvel compreender o mist\u00e9rio do Reino de Deus escondido na Hist\u00f3ria desde o in\u00edcio do mundo.

{N}13,{/}36: (36-43) A explica\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola \u00e9 uma alegoria que apresenta a din\u00e2mica do Reino na Hist\u00f3ria. Jesus instaurou o Reino dentro da Hist\u00f3ria, e esta \u00e9 feita pela ac\u00e7\u00e3o de bons e maus. A vinda do Reino, por\u00e9m, entra em luta contra o esp\u00edrito do mal e conduz os justos \u00e0 vit\u00f3ria final. A Hist\u00f3ria \u00e9 tens\u00e3o cont\u00ednua voltada para a manifesta\u00e7\u00e3o gloriosa do Reino.

{N}13,{/}44: (44-46) Para entrar no Reino \u00e9 necess\u00e1rio uma decis\u00e3o total. Apegar-se a seguran\u00e7as, mesmo religiosas, que s\u00e3o falsas ou puras imita\u00e7\u00f5es, em troca da justi\u00e7a do Reino, \u00e9 preferir bijutarias em lugar de uma pedra preciosa.

{N}13,{/}47: (47-50) A consuma\u00e7\u00e3o do Reino realiza-se atrav\u00e9s do julgamento que separa os bons dos maus. Os que vivem a justi\u00e7a anunciada por Jesus tomar\u00e3o parte definitiva no Reino; os que n\u00e3o vivem ser\u00e3o exclu\u00eddos para sempre. \u00c9 preciso decidir desde j\u00e1.

{N}13,{/}51: (51-52) As par\u00e1bolas revelam o segredo de Deus para aqueles que t\u00eam f\u00e9. Por isso, o doutor da Lei que se torna disc\u00edpulo de Jesus \u00e9 capaz de ver a liga\u00e7\u00e3o entre o Antigo e o Novo Testamento. Em Jesus tudo se renova e toma novo sentido.

{N}13,{/}53: (53-58) Cf. nota em Mc 6,1-6. Os conterr\u00e2neos de Jesus colocam a quest\u00e3o sobre a origem da autoridade d'Ele, admirados com o seu ensinamento e poderes milagrosos. \u00c9 imposs\u00edvel que Jesus, sendo um deles, tenha a autoridade de Deus. Por isso rejeitam-n'O. Esta rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 acidental: \u00e9 apenas uma prova a mais de que Jesus \u00e9 o enviado de Deus. De facto, todos os profetas do Antigo Testamento foram igualmente rejeitados.

{N}14,{/}1: (1-12) A morte brutal de Jo\u00e3o Baptista anuncia a morte de Jesus. Os compromissos que obrigaram Herodes a cortar a cabe\u00e7a do Percursor v\u00e3o levar, com muito maior raz\u00e3o, as autoridades a tramar e exigir a execu\u00e7\u00e3o de Jesus. Isto porque tanto Jo\u00e3o como Jesus colocam em perigo os princ\u00edpios \u00e9ticos vigentes.

{N}14,{/}13: (13-21) Cf. nota em Mc 6,31-44. S\u00e3o Mateus salienta o comportamento de Jesus: Ele n\u00e3o \u00e9 fan\u00e1tico, enfrentando imediatamente Herodes; mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 fatalista, deixando as coisas correr como est\u00e3o. Ele continua fiel \u00e0 miss\u00e3o de servir o seu povo. Re\u00fane e alimenta as multid\u00f5es sofredoras, realizando os sinais de um novo modo de vida e de an\u00fancio do Reino. A Eucaristia \u00e9 o sacramento-mem\u00f3ria desta presen\u00e7a de Jesus, lembrando continuamente qual \u00e9 a miss\u00e3o a que n\u00f3s, crist\u00e3os, fomos chamados.

{N}14,{/}22: (22-33) Sobressai aqui a figura de Pedro, prot\u00f3tipo da comunidade que, nas grandes crises, duvida da presen\u00e7a de Jesus no meio dela e, por isso, pede um sinal. E mesmo vendo sinais, continua com medo das ambiguidades da situa\u00e7\u00e3o e, por isso, a sua f\u00e9 fica paralisada. Ent\u00e3o faz o seu pedido de socorro. Jesus atende o pedido da comunidade. Mas deixa bem claro que ela precisa de crescer na f\u00e9 e n\u00e3o temer os passos dados dentro das \u00e1guas agitadas do mundo.

{N}14,{/}34: (34-36) Jesus exerce a sua miss\u00e3o em benef\u00edcio de todo o povo, e n\u00e3o de acordo com os crit\u00e9rios e interesse de privilegiados ou especialistas da religi\u00e3o. Estes consideravam um esc\u00e2ndalo deixar-se tocar pela multid\u00e3o doente.

{N}15,{/}1: (1-20) Atrav\u00e9s da sua moralidade casu\u00edstica, os doutores da Lei e os fariseus s\u00e3o condutores cegos do povo. Com as suas interpreta\u00e7\u00f5es desobedecem aos pr\u00f3prios mandamentos de Deus sob a pretens\u00e3o de os observar. Tamb\u00e9m Pedro e os disc\u00edpulos n\u00e3o ser\u00e3o verdadeiros guias enquanto n\u00e3o entenderem que s\u00f3 \u00e9 impuro aquilo que estraga o relacionamento fraterno entre os homens. Cf. tamb\u00e9m nota em Mc 7,1-13 e 7,14-23.

{N}15,{/}21: (21-28) Cf. nota em Mc 7,24-30. A mulher pag\u00e3 reconhece que Jesus n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma personalidade moral e religiosa, mas Algu\u00e9m que realiza um projecto concreto: constituir o povo de Deus na Hist\u00f3ria. Esse reconhecimento faz que ela participe, com sua filha, desse projecto. N\u00e3o s\u00e3o os actos de purifica\u00e7\u00e3o ou as cren\u00e7as particulares que introduzem algu\u00e9m no povo de Deus, mas o facto de acreditar que Jesus \u00e9 o guia desse povo.

{N}15,{/}29: (29-39) Com os milagres, Jesus responde \u00e0s necessidades da multid\u00e3o, mostrando a presen\u00e7a de Deus que salva o seu povo, cuja gratid\u00e3o se traduz no acto de louvor. O texto salienta o papel dos disc\u00edpulos, isto \u00e9, da comunidade crist\u00e3. Esta \u00e9 mediadora, respondendo \u00e0 fome de uma sociedade que corre o risco de desfalecer no caminho da vida.

{N}16,{/}1: (1-4) Os fariseus e saduceus n\u00e3o sabem ver os sinais dos tempos, isto \u00e9, tudo aquilo que indica a presen\u00e7a do Reino de Deus. Essa presen\u00e7a est\u00e1 clara na pessoa e actividade de Jesus, que cura as doen\u00e7as e sacia a fome das multid\u00f5es. Curar e alimentar s\u00e3o sinais j\u00e1 descritos no Antigo Testamento como sinais da chegada do Messias. Quanto ao sinal de Jonas, cf. nota em Mt 12,38-42.

{N}16,{/}5: (5-12) Com as suas doutrinas, os fariseus e os saduceus manipulavam o povo, a fim de conservarem o poder e continuarem a explora\u00e7\u00e3o. Jesus adverte os disc\u00edpulos, para que essa opress\u00e3o, disfar\u00e7ada de religi\u00e3o, n\u00e3o seja assimilada por eles.

{N}16,{/}13: (13-23) Cf. nota em Mc 8,27-33. Pedro \u00e9 estabelecido como o fundamento da comunidade que Jesus est\u00e1 a organizar e que dever\u00e1 continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exerc\u00edcio da autoridade sobre essa comunidade, autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir os homens nela. Para que Pedro possa exercer tal fun\u00e7\u00e3o, a condi\u00e7\u00e3o fundamental \u00e9 ele admitir que Jesus n\u00e3o \u00e9 um messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrer\u00e1 e morrer\u00e1 sob as autoridades do seu tempo. Caso contr\u00e1rio, deixa de ser Pedro para ser Satan\u00e1s. Pedro ser\u00e1 verdadeiro chefe se estiver convicto de que os princ\u00edpios que regem a comunidade de Jesus s\u00e3o totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo.

{N}16,{/}24: (24-28) Cf. nota em Mc 8,34-38.

{N}17,{/}1: (1-9) Cf. nota em Mc 9,1-13.

{N}17,{/}10: (10-13) A miss\u00e3o de Jo\u00e3o Baptista era anunciar os tempos messi\u00e2nicos, realizando o que se esperava com a vinda de Elias. A miss\u00e3o do Baptista, por\u00e9m, n\u00e3o foi reconhecida pelas autoridades do povo, e a sua tr\u00e1gica morte mostra como se realizar\u00e1 a miss\u00e3o do pr\u00f3prio Jesus.

{N}17,{/}14: (14-21) Cf. nota em Mc 9,14-29. Os disc\u00edpulos, que est\u00e3o a iniciar o trabalho de continuar a obra de Jesus, falham nas primeiras tentativas. O motivo \u00e9 a falta de f\u00e9, ou seja, n\u00e3o acreditam que o poder de Deus se expressa atrav\u00e9s da sua ac\u00e7\u00e3o concreta. Considerar imposs\u00edvel a liberta\u00e7\u00e3o dos homens \u00e9 n\u00e3o acreditar no poder de Deus que age na pessoa de Jesus e em n\u00f3s.

{N}17,{/}22: (22-23) Jesus mostra, uma vez mais, qual \u00e9 a verdadeira miss\u00e3o do Messias: dar a pr\u00f3pria vida e ressuscitar. Os disc\u00edpulos, por\u00e9m, ainda n\u00e3o compreendem o significado da morte que gera a vida.

{N}17,{/}24: (24-27) O problema \u00e9 pagar o imposto do Templo (v. 24) e o imposto imperial (v. 25). O imposto implica dom\u00ednio sobre os bens da pessoa. Esses bens, em primeiro lugar, s\u00e3o de Deus. E os homens s\u00e3o filhos de Deus, antes de serem s\u00fabditos de qualquer poder. Portanto, eles n\u00e3o t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de pagar impostos. A raz\u00e3o para o pagar \u00e9 livre e secund\u00e1ria: evitar esc\u00e2ndalo. O confronto e a ruptura entre Jesus e as institui\u00e7\u00f5es d\u00e1-se neste n\u00edvel mais profundo e decisivo, que supera a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o do Estado e do Templo.

{N}18,{/}1: (1-5) A comunidade crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o de uma sociedade que se baseia na riqueza e no poder. Nela \u00e9 maior ou mais importante aquele que se converte, deixando todas as pretens\u00f5es sociais para pertencer a um grupo que acolhe fraternalmente Jesus na pessoa dos pequenos, fracos e pobres.

{N}18,{/}6: (6-9) \u00c9 preciso evitar a todo o custo a busca de poder e prest\u00edgio. Tal busca introduziria na comunidade o fermento da competi\u00e7\u00e3o. E isso escandalizaria e afastaria aqueles que n\u00e3o t\u00eam essas pretens\u00f5es e que, por isso mesmo, s\u00e3o os mais aptos para construir essa nova comunidade de Jesus. O modo de ver (olho), de agir (m\u00e3o) e de caminhar (p\u00e9) deve ser inteiramente mudado, a fim de n\u00e3o prejudicar o irm\u00e3o.

{N}18,{/}10: (10-14) Porque \u00e9 que algu\u00e9m se extravia, isto \u00e9, se distancia da comunidade? Certamente por causa do esc\u00e2ndalo (vv. 6-9), ou do desprezo daqueles que buscam poder e prest\u00edgio. A par\u00e1bola mostra que a comunidade inteira deve preocupar-se e procurar aquele que se extraviou. A comunidade alegra-se quando ele volta para o meio dela, porque a vontade do Pai foi cumprida.

{N}18,{/}15: (15-20) Quando um irm\u00e3o peca, prejudicando o bem comum, a comunidade age com prud\u00eancia e justi\u00e7a, procurando corrigir o irm\u00e3o. A miss\u00e3o da comunidade, por\u00e9m, n\u00e3o termina com a exclus\u00e3o do pecador: ela deve procur\u00e1-lo, como o pastor que sai em busca da ovelha perdida (18,11-14).

{N}18,{/}21: (21-35) Na comunidade de Jesus n\u00e3o existem limites para o perd\u00e3o (setenta vezes sete). Ao entrar na comunidade, cada pessoa j\u00e1 recebeu do Pai um perd\u00e3o sem limites (dez mil talentos). A vida na comunidade precisa, portanto, de basear-se no amor e na miseric\u00f3rdia, compartilhando entre todos esse perd\u00e3o que cada um recebeu.

{N}19,{/}1: (1-12) Cf. nota em Mc 10,1-12. Diante do matrim\u00f3nio indissol\u00favel, os disc\u00edpulos observam que o celibato \u00e9 melhor. Jesus mostra que a escolha do celibato \u00e9 dom de Deus, e que este s\u00f3 adquire todo o seu valor quando \u00e9 assumido com plena liberdade em vista do servi\u00e7o ao Reino.

{N}19,{/}13: (13-15) Cf. nota em Mc 10,13-16.

{N}19,{/}16: (16-30) Cf. nota em Mc 10,17-31. S\u00e3o Mateus salienta: quem se entrega completamente ao seguimento de Jesus, participar\u00e1 como juiz, quando a Hist\u00f3ria for julgada.

{N}20,{/}1: (1-16) No Reino n\u00e3o existem marginalizados. Todos t\u00eam o mesmo direito de participar da bondade e miseric\u00f3rdia divinas, que superam tudo o que os homens consideram como justi\u00e7a. No Reino n\u00e3o h\u00e1 lugar para o ci\u00fame. Aqueles que julgam possuir mais m\u00e9ritos do que os outros devem aprender que o Reino \u00e9 dom gratuito.

{N}20,{/}17: (17-28) Cf. nota em Mc 10,32-45.

{N}20,{/}29: (29-34) Diante do an\u00fancio da Paix\u00e3o, os dois filhos de Zebedeu desejam o poder que est\u00e1 na base dos reinos do mundo. Eles n\u00e3o compreendem que o caminho de Jesus \u00e9 servi\u00e7o. A cura dos dois cegos simboliza a vis\u00e3o da f\u00e9, que \u00e9 compromisso com Jesus. Com os olhos abertos para a nova maneira de ver e agir, eles seguem a Jesus, que vai dar a vida.

{N}21,{/}1: (1-11) Cf. nota em Mc 11,1-11.

{N}21,{/}12: (12-17) Acusando e atacando o com\u00e9rcio existente no Templo, Jesus retira as bases sobre as quais toda uma sociedade se apoiava. De facto, era com esse com\u00e9rcio que se sustentava grande parte da economia do pa\u00eds. O gesto de Jesus abala n\u00e3o apenas um sistema de vida religiosa mas toda uma estrutura que se serve da religi\u00e3o para estabelecer e assegurar privil\u00e9gios de uma classe e para sustentar uma vis\u00e3o mesquinha de salva\u00e7\u00e3o. Jesus \u00e9 apresentado como o rei leg\u00edtimo, centro da nova alian\u00e7a: Ele cura cegos e aleijados (cf. Mt 11,5) e \u00e9 aclamado pelas crian\u00e7as como o Messias. Aqueles que s\u00e3o privados de apoio oficial e de poder est\u00e3o prontos para receber Jesus, enquanto as autoridades O rejeitam.

{N}21,{/}18: (18-22) Cf. nota em Mc 11,12-14 e 11,20-26.

{N}21,{/}23: (23-27) As autoridades querem saber com que autoridade Jesus critica e destr\u00f3i a estrutura que eles defendem. Jesus devolve a provoca\u00e7\u00e3o e os chefes n\u00e3o sabem como responder, porque de qualquer maneira ficariam desmoralizados. Jo\u00e3o Baptista era reconhecido como profeta e o seu baptismo vinha de Deus. Assim, Jesus d\u00e1 a entender que tamb\u00e9m a sua autoridade vem de Deus.

{N}21,{/}28: (28-32) O filho mais velho \u00e9 figura dos pecadores p\u00fablicos que se convertem \u00e0 justi\u00e7a anunciada por Jo\u00e3o Baptista e por Jesus. O filho mais novo \u00e9 figura dos chefes do povo, que se consideram justos e n\u00e3o se convertem.

{N}21,{/}33: (33-46) Cf. nota em Mc 12,1-12. Mateus salienta a forma\u00e7\u00e3o de um povo de Deus, formado agora n\u00e3o por uma na\u00e7\u00e3o particular mas por todos aqueles que acreditam, comprometendo-se com Jesus.

{N}22,{/}1: (1-14) \u00c9 em Jesus que Deus convoca os homens para uma nova alian\u00e7a, simbolizada pela festa de casamento. Os que rejeitam o convite s\u00e3o aqueles que se apegam ao sistema religioso que defende os seus interesses e, por isso, n\u00e3o aceitam o convite de Jesus. Estes ser\u00e3o julgados e destru\u00eddos juntamente com o sistema que defendem. O convite \u00e9 dirigido ent\u00e3o aos que n\u00e3o est\u00e3o comprometidos com tal sistema, mas, ao contr\u00e1rio, s\u00e3o at\u00e9 marginalizados por ele. Come\u00e7a na Hist\u00f3ria o novo povo de Deus, formado de pobres e oprimidos. Os vv. 11-14, por\u00e9m, mostram que at\u00e9 mesmo estes \u00faltimos ser\u00e3o exclu\u00eddos, se n\u00e3o realizarem a pr\u00e1tica da nova justi\u00e7a (traje de festa).

{N}22,{/}15: (15-22) Cf. nota em Mc 12,13-17. O novo povo de Deus pertence unicamente a Deus, e s\u00f3 Deus pode exigir do homem adora\u00e7\u00e3o.

{N}22,{/}23: (23-33) Cf. nota em Mc 12,18-27.

{N}22,{/}34: (34-40) Cf. nota em Mc 12,28-34.

{N}22,{/}41: (41-46) Cf. nota em Mc 12,35-37.

{N}23,{/}1: (1-12) Jesus critica os intelectuais e os guias da classe dominante, que transformam o saber em poder, agindo hipocritamente e oprimindo o povo. Na nova comunidade de Jesus todos s\u00e3o irm\u00e3os, voltados para o servi\u00e7o m\u00fatuo e reunidos em torno de Deus que \u00e9 Pai, e de Jesus, que \u00e9 o \u00fanico guia e que veio para servir.

{N}23,{/}13: (13-36) Jesus critica e condena os guias religiosos que sustentam um sistema formalista e hip\u00f3crita: eles n\u00e3o consideram o Reino de Deus como dom, nem respeitam a liberdade dos filhos de Deus. Tal sistema impede de entrar no Reino, pois n\u00e3o leva \u00e0 convers\u00e3o, mas \u00e0 pervers\u00e3o, e destr\u00f3i o verdadeiro esp\u00edrito das Escrituras, chegando a matar at\u00e9 mesmo os enviados de Deus. Jesus mostra que a religi\u00e3o formalista e jur\u00eddica n\u00e3o \u00e9 meio de salva\u00e7\u00e3o, mas produz pr\u00e1tica escravizadora; portanto, \u00e9 frontalmente oposta \u00e0quela que deve ser vivida por qualquer comunidade crist\u00e3.

{N}23,{/}37: (37-39) Jerusal\u00e9m personifica o sistema que se fechou em si mesmo e recusou a novidade trazida por Jesus. Por isso, o seu destino j\u00e1 est\u00e1 tra\u00e7ado: em Jerusal\u00e9m, Jesus vai ser morto, e a sua morte trar\u00e1 o julgamento definitivo sobre ela.

{N}24,{/}1: (1-8) Cf. nota em Mc 13,1-8.

{N}24,{/}9: (9-14) A rela\u00e7\u00e3o entre Deus e os homens continuar\u00e1 atrav\u00e9s dos disc\u00edpulos, que dever\u00e3o prosseguir a miss\u00e3o de Jesus dando testemunho e anunciando a Boa Not\u00edcia a todas as na\u00e7\u00f5es. Contudo, assim como Jesus encontrou resist\u00eancia, tamb\u00e9m os disc\u00edpulos a encontrar\u00e3o (tribula\u00e7\u00e3o, cf. nota em Rm 5,1-11). O importante \u00e9 a coragem de permanecer firme at\u00e9 ao fim. A Boa Not\u00edcia anunciada a todos ser\u00e1 o sinal de que o fim estar\u00e1 pr\u00f3ximo.

{N}24,{/}15: (15-28) Cf. nota em Mc 13,14-23.

{N}24,{/}29: (29-31) Cf. nota em Mc 13,24-27.

{N}24,{/}32: (32-51) Jesus agora responde \u00e0 pergunta feita pelos disc\u00edpulos (v. 3). Cf. nota em Mc 13,28-37. A par\u00e1bola dos vv. 45-51 ressalta a miss\u00e3o dos respons\u00e1veis pela comunidade crist\u00e3. Enquanto esperam por Jesus, devem continuar fi\u00e9is no servi\u00e7o \u00e0 comunidade, sem cair na tenta\u00e7\u00e3o de afrouxar a pr\u00e1tica da justi\u00e7a, diante da demora do Senhor.

{N}25,{/}1: (1-13) Nesta par\u00e1bola, o noivo \u00e9 Jesus, que vir\u00e1 no fim da Hist\u00f3ria. As virgens representam as comunidades crist\u00e3s, que devem sempre estar preparadas para o encontro com o Senhor, mediante a pr\u00e1tica da justi\u00e7a (o azeite).

{N}25,{/}14: (14-30) N\u00e3o basta estar preparado, esperando passivamente a manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus. \u00c9 preciso arriscar e lan\u00e7ar-se \u00e0 ac\u00e7\u00e3o, para que os dons recebidos frutifiquem e cres\u00e7am. Jesus confiou \u00e0 comunidade crist\u00e3 a revela\u00e7\u00e3o da vontade de Deus e a chave do Reino. No julgamento, Ele pedir\u00e1 contas por este dom. A comunidade repartiu-o e f\u00ea-lo crescer, ou escondeu-o dos homens?

{N}25,{/}31: (31-46) Esta \u00e9 a \u00fanica cena dos Evangelhos que mostra qual ser\u00e1 o conte\u00fado do ju\u00edzo final. Os homens v\u00e3o ser julgados pela f\u00e9 que tiveram em Jesus. F\u00e9 que significa reconhecimento e compromisso com a pessoa concreta de Jesus. Por\u00e9m, onde est\u00e1 Jesus? Est\u00e1 identificado com os pobres e oprimidos, marginalizados por uma sociedade baseada na riqueza e no poder. Por isso, o julgamento ser\u00e1 sobre a realiza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de uma pr\u00e1tica de justi\u00e7a em favor da liberta\u00e7\u00e3o dos pobres e oprimidos. Este \u00e9 o conte\u00fado central da f\u00e9, desde o in\u00edcio apresentado por Mateus como o cerne de toda a actividade de Jesus: "cumprir toda a justi\u00e7a'' (3,15).

{N}26,{/}1: (1-16) Cf. nota em Mc 14,1-11.

{N}26,{/}17: (17-25) Cf. nota em Mc 14,12-21.

{N}26,{/}26: (26-29) Cf. nota em Mc 14,22-25.

{N}26,{/}30: (30-35) Cf. nota em Mc 14,26-31.

{N}26,{/}36: (36-46) Cf. nota em Mc 14,32-42.

{N}26,{/}47: (47-56) Cf. nota em Mc 14,43-52.

{N}26,{/}57: (57-68) Cf. nota em Mc 14,53-65.

{N}26,{/}69: (69-75) Cf. nota em Mc 14,66-72.

{N}27,{/}1: (1-10) O quadro \u00e9 sombrio. Judas enche-se de remorsos e proclama a inoc\u00eancia de Jesus, diante da indiferen\u00e7a das autoridades. As trinta moedas mostram que Jesus foi tra\u00eddo pelo pre\u00e7o de um escravo.

{N}27,{/}11: (11-26) Cf. nota em Mc 15,1-15. A mulher de Pilatos, pag\u00e3, reconhece que Jesus \u00e9 justo (v. 19). Entretanto, o povo, enganado pelas autoridades, pede a morte de Jesus, julgando que est\u00e1 a proceder bem.

{N}27,{/}27: (27-31) Revestido com todos os sinais de poder (p\u00farpura, coroa, ceptro e adora\u00e7\u00e3o), Jesus \u00e9 motivo de zombaria. Mas, despojado desse poder, ao retomar as pr\u00f3prias vestes, Ele revela-Se como o verdadeiro Rei: aquele que entrega a vida para salvar o seu povo.

{N}27,{/}32: (32-44) Cf. nota em Mc 15,21-32.

{N}27,{/}45: (45-56) No meio de um aparente fracasso, a f\u00e9 descobre todo o significado da morte de Jesus. Com ela chega o dia do julgamento e come\u00e7a a era da ressurrei\u00e7\u00e3o: todo o sistema que gera morte \u00e9 desmascarado e a vida manifesta-se em plenitude. A salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberta a todos aqueles que confessam que Jesus \u00e9 o Filho de Deus.

{N}27,{/}57: (57-66) Jesus morre e o seu corpo \u00e9 encerrado num t\u00famulo. Aparentemente, a hist\u00f3ria acabou. Todavia, as mulheres est\u00e3o ali, \u00e0 espera: alguma coisa vai acontecer. O pr\u00f3prio sistema que condenou Jesus n\u00e3o est\u00e1 tranquilo.

{N}28,{/}1: (1-10) A manh\u00e3 desse primeiro dia da semana marca uma transforma\u00e7\u00e3o radical na compreens\u00e3o a respeito do homem e da vida. O projecto vivido por Jesus n\u00e3o \u00e9 caminho para a morte, mas caminho aprovado por Deus que, atrav\u00e9s da morte, conduz \u00e0 vida. Doravante, o encontro com Jesus realiza-se no momento em que os homens se disp\u00f5em a anunciar o cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 (Jesus morreu e ressuscitou), e a continuar em todos os tempos e lugares a actividade que Jesus desenvolveu na Galileia. S\u00f3 essa f\u00e9 activa transformar\u00e1 o medo da morte na alegria da vida.

{N}28,{/}11: (11-15) O sistema que gera a morte apela para um \u00faltimo recurso: usa a mentira e o suborno, tentando neutralizar o surgimento da plenitude de vida.

{N}28,{/}16: (16-20) Doravante, Jesus \u00e9 a \u00fanica autoridade entre Deus e os homens. Ele d\u00e1 apenas uma ordem \u00e0queles que O seguem: fazer com que todos os povos se tornem disc\u00edpulos. Todos s\u00e3o chamados a participar numa nova comunidade (Baptismo), que se compromete a viver de acordo com o que Jesus ensinou: praticar a justi\u00e7a (3,15;5,20) em favor dos pobres e marginalizados (25,31-46).
O Evangelho termina com a promessa j\u00e1 feita no in\u00edcio: Jesus est\u00e1 vivo e sempre presente no meio da comunidade como o Emanuel, o Deus-connosco (1,23).

