{N}1,{/}1: (1-2) Os justos n\u00e3o aderem aos h\u00e1bitos e pr\u00e1ticas dos maus. Ao contr\u00e1rio, vivem continuamente a meditar no projecto de Jav\u00e9, a fim de o porem em pr\u00e1tica. Esse \u00e9 o caminho da felicidade. 
  Sl 1: Esta reflex\u00e3o sapiencial mostra o desabrochar dos dois caminhos (\u00abduae viae\u00bb, cf. Dt 30,15-20), segundo a op\u00e7\u00e3o de acatamento ou desprezo da Lei: a felicidade dos justos e a ru\u00edna dos maus. Serve de introdu\u00e7\u00e3o-convite a procurar nos Salmos a dimens\u00e3o pedag\u00f3gica e instrutiva.

{N}1,{/}3: (3-4) A ades\u00e3o ao projecto de Jav\u00e9 faz com que os justos tenham plena vitalidade e efic\u00e1cia. Enquanto isso, os injustos e a injusti\u00e7a n\u00e3o t\u00eam consist\u00eancia. 

{N}1,{/}5: (5-6) Resultado final: os injustos ser\u00e3o sempre declarados culpados diante de Deus, jamais poder\u00e3o fazer parte da comunidade dos justos, e desaparecer\u00e3o, porque Jav\u00e9 est\u00e1 com aqueles que realizam o seu projecto.

{N}2,{/}1: (1-3) Durante a cerim\u00f3nia, os reis planeiam motins e derrubes. Quem sustenta um regime de injusti\u00e7a n\u00e3o aceita que se anuncie um governo justo.
  Sl 2: \u00c9 uma esp\u00e9cie de segundo pref\u00e1cio que revela a contribui\u00e7\u00e3o do Salt\u00e9rio no \u00e2mbito das ideias e promessas messi\u00e2nicas. A prop\u00f3sito da entroniza\u00e7\u00e3o dum rei, torna-se patente que o Ungido (Messias) de Deus \u00e9 seu filho, \u00e9 a sua presen\u00e7a activa na Terra e n\u00e3o teme a trama das na\u00e7\u00f5es.

{N}2,{/}4: (4-6) Comprometido com a justi\u00e7a, Jav\u00e9 defende a autoridade justa, colocando-Se contra os seus advers\u00e1rios.

{N}2,{/}7: (7-9) Segundo a f\u00f3rmula familiar do antigo Oriente, Deus declara o rei \u00abseu filho\u00bb, que tornar\u00e1 palp\u00e1vel a presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o do Deus invis\u00edvel e bem mereceria governar o mundo inteiro.

{N}2,{/}10: (10-12) Advert\u00eancia \u00e0s outras autoridades: saibam temer a Deus e seguir o exemplo daqueles que governam com justi\u00e7a. Caso contr\u00e1rio, o seu destino \u00e9 a ru\u00edna.

{N}3,{/}1: (Sl 3) Ora\u00e7\u00e3o individual de confian\u00e7a: o justo v\u00ea-se cercado e oprimido pelos promotores da injusti\u00e7a na ordem social.

{N}3,{/}2: (2-3) A suprema petul\u00e2ncia dos injustos \u00e9 desafiar o justo, introduzindo d\u00favidas na f\u00e9 e confian\u00e7a que o guiam: \u00abPensar\u00e1 que Deus o vai salvar? Est\u00e1 muito enganado!\u00bb

{N}3,{/}4: (4-7) O justo, por\u00e9m, renova a confian\u00e7a e n\u00e3o desanima. Deus \u00e9 quem o sustenta e lhe incute coragem face aos inimigos.

{N}3,{/}8: (8-9) Confiando que Deus salva e aben\u00e7oa os que Lhe s\u00e3o fi\u00e9is, o salmista pede que entre em ac\u00e7\u00e3o, tapando a boca aos \u00edmpios advers\u00e1rios.

{N}4,{/}1: (Sl 4) Ora\u00e7\u00e3o individual de confian\u00e7a em Deus, fonte da felicidade e da paz.

{N}4,{/}2: As dificuldades j\u00e1 enfrentadas fazem experimentar que Deus \u00e9 o {C}defensor{/} do orante.

{N}4,{/}3: (3-4) A idolatria e os projectos ilus\u00f3rios de uma sociedade injusta ferem a honra do pobre. Cuidado, por\u00e9m: Deus acode aos seus amigos.

{N}4,{/}5: (5-6) Aos companheiros desanimados, o salmista aconselha a reflectir pessoal e comunitariamente, para reencontrar a confian\u00e7a em Jav\u00e9.

{N}4,{/}7: (7-9) Deus \u00e9 fonte da alegria, do sossego e da paz. Os vv. 5 e 9 fazem do poema uma ora\u00e7\u00e3o da tarde.

{N}5,{/}1: (Sl 5) S\u00faplica de um inocente injustamente acusado. No Templo, apresenta a sua causa a Deus, confiando que Deus lhe far\u00e1 justi\u00e7a.

{N}5,{/}2: (2-4) Injustamente acusado e sem possibilidades de defesa, o salmista entrega publicamente a sua causa a Deus.

{N}5,{/}5: (5-8) Deus \u00e9 justo, e o oprimido sabe que Ele n\u00e3o aprova e nem \u00e9 conivente com a injusti\u00e7a. A sua inoc\u00eancia garante-lhe que Deus n\u00e3o o rejeitar\u00e1.

{N}5,{/}9: (9-11) O salmista denuncia a grande arma dos injustos: acusar e condenar os inocentes que lhes atrapalham os planos perversos. A verdadeira justi\u00e7a consiste, em primeiro lugar, na den\u00fancia pela estrutura do mal, assim criada.

{N}5,{/}12: (12-13) A comunidade alegra-se, porque Deus liberta o inocente, abrindo um horizonte de esperan\u00e7a para os justos.

{N}6,{/}1: (Sl 6) S\u00faplica durante uma doen\u00e7a grave. \u00c9 o primeiro dos \u00absete salmos penitenciais\u00bb: 32; 38; 51; 102; 130; 143.

{N}6,{/}2: (2-4) A doen\u00e7a \u00e9 vista como castigo mandado por Deus, devido a algum pecado.

{N}6,{/}5: (5-6) A s\u00faplica visa a cura, o que sup\u00f5e que Deus, no seu amor, livre da morte.

{N}6,{/}7: (7-8) O salmista volta a insistir sobre o seu estado miser\u00e1vel.

{N}6,{/}9: (9-11) Sup\u00f5em a cura. Malfeitores e inimigos s\u00e3o os injustos que duvidam da ac\u00e7\u00e3o de Deus. Agora ficam envergonhados, pois a cura do doente \u00e9 prova de que Jav\u00e9 ouve o clamor dos aflitos.

{N}7,{/}1: (Sl 7) S\u00faplica do justo perseguido. N\u00e3o tendo a quem recorrer, refugia-se no Templo, buscando justi\u00e7a junto ao supremo tribunal, onde a senten\u00e7a \u00e9 dada pelo pr\u00f3prio Deus.

{N}7,{/}2: (2-3) O justo \u00e9 perseguido porque complica a vida dos que produzem e mant\u00eam uma estrutura injusta da sociedade.

{N}7,{/}4: (4-6) Juramento de inoc\u00eancia, apresentado segundo a lei do tali\u00e3o (bem por bem, mal por mal).

{N}7,{/}7: (7-8) O perseguido convoca Deus a fazer justi\u00e7a. E Deus parecer dormir e n\u00e3o escutar.

{N}7,{/}9: (9-10) Justi\u00e7a significa libertar o oprimido e tamb\u00e9m dar fim \u00e0 mal\u00edcia dos \u00edmpios. O cora\u00e7\u00e3o e os rins s\u00e3o a intimidade mais profunda do homem: s\u00f3 Deus a conhece, e s\u00f3 Ele pode fazer plena justi\u00e7a.

{N}7,{/}11: (11-14) Deus n\u00e3o \u00e9 neutro: est\u00e1 do lado dos oprimidos, amea\u00e7ando os que n\u00e3o se convertem ao seu projecto.

{N}7,{/}15: (15-17) O sistema injusto n\u00e3o se aguenta, porque se baseia na mentira e na viol\u00eancia, que geram a sua pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a do justo \u00e9 uma permanente acusa\u00e7\u00e3o ao sistema opressor.

{N}7,{/}18: Confiante em que Deus far\u00e1 justi\u00e7a, o perseguido termina agradecendo.

{N}8,{/}1: (Sl 8) Hino de louvor \u00e0 grandeza de Deus, que colocou o homem como senhor e guarda da Cria\u00e7\u00e3o.

{N}8,{/}2: (2-3) O poder de Deus sobre a Terra e o C\u00e9u tamb\u00e9m se manifesta nas ac\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas contra os advers\u00e1rios e inimigos do seu povo. O v. 3, provavelmente, faz alus\u00e3o aos hinos de louvor cantados por crian\u00e7as.

{N}8,{/}4: (4-10) Quem \u00e9 o homem diante do Deus poderoso? Chamado a ser imagem e semelhan\u00e7a de Deus (Gn 1,26-27), o homem \u00e9 rei de toda a Cria\u00e7\u00e3o, para a conduzir segundo o projecto do Criador.

{N}9,{/}1: (Sl 9) S\u00faplica individual, em tom de agradecimento. Na origem, os Sl 9 e 10 formavam um s\u00f3 poema, de estrutura alfab\u00e9tica. O porta-voz dos \u00abpobres\u00bb celebra e implora o advento do julgamento divino sobre os \u00edmpios.

{N}9,{/}2: (2-3) O salmista mostra-se agradecido e pronto para cantar as maravilhas de Deus, entre as quais figuram as suas interven\u00e7\u00f5es libertadoras, que respondem ao clamor dos pobres e oprimidos (cf. Ex 3,7-8; 15).

{N}9,{/}4: (4-7) Fazer justi\u00e7a \u00e9 garantir o mais dif\u00edcil: defender a causa e o direito dos pobres e oprimidos. \u00c9 na luta pela justi\u00e7a que Deus triunfa sobre os injustos e sobre os seus projectos e constru\u00e7\u00f5es corruptas.

{N}9,{/}8: (8-13) Deus julga e dirige a Hist\u00f3ria conforme a justi\u00e7a. N\u00e3o abandona os que O procuram; ouve o grito dos infelizes.

{N}9,{/}14: (14-15) O salmista, \u00e0s portas da morte, suplica que Deus lhe d\u00ea a vida, e est\u00e1 disposto a testemunhar publicamente do facto.

{N}9,{/}16: (16-19) Quando Deus aparece, a verdade vem \u00e0 superf\u00edcie: os injustos sofrem as consequ\u00eancias dos seus pr\u00f3prios projectos; a esperan\u00e7a do pobre sai refor\u00e7ada.

{N}9,{/}20: (20-21) Na raiz da injusti\u00e7a est\u00e1 a autodiviniza\u00e7\u00e3o humana: usurpando o lugar de Deus, o homem cria a mentira original, fonte dos mais variados males.

{N}10,{/}1: (1-2) Tema dominante: A situa\u00e7\u00e3o social, onde o pobre \u00e9 perseguido e explorado pelos injustos.
  Sl 10: Este salmo \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o do anterior. Predomina agora o tom de s\u00faplica, onde se descreve a situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil dos pobres e a sua confian\u00e7a na ac\u00e7\u00e3o de Deus.

{N}10,{/}3: (3-11) Descri\u00e7\u00e3o viva do que pensam e tramam os injustos. Ou n\u00e3o acreditam em Deus, ou pensam que Deus n\u00e3o age. O motor da sua vida \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o, e as suas armas s\u00e3o a fraude e a esperteza. Assim conseguem sucesso, \u00e0 custa da ingenuidade e fraqueza dos outros.

{N}10,{/}12: (12-18) Deus irrompe na Hist\u00f3ria para dar raz\u00e3o aos humildes e infelizes, ao \u00f3rf\u00e3o e oprimido. O \u00edmpio ser\u00e1 banido da Terra. Tal \u00e9 o projecto divino, que se vai erguendo pouco a pouco, e chegar\u00e1 a ver-se no horizonte: \u00abpara que o homem terreno j\u00e1 n\u00e3o infunda terror\u00bb.

{N}11,{/}1: (1-3) Que pode o justo fazer, quando os injustos triunfam, produzem uma sociedade totalmente corrompida e perseguem os inocentes? A montanha \u00e9 lugar de ref\u00fagio e de ora\u00e7\u00e3o (cf. Gn 19,17; Mt 5,1).
  Sl 11: Ora\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, que sustenta o justo, mesmo quando a injusti\u00e7a parece triunfar.

{N}11,{/}4: (4-7) A \u00fanica seguran\u00e7a para os justos \u00e9 abrigar-se em Deus. N\u00e3o de modo passivo, cruzando os bra\u00e7os, mas converter-se a Deus, aderir ao seu projecto e tornar-se instrumento hist\u00f3rico da sua presen\u00e7a na sociedade.

{N}12,{/}1: (Sl 12) S\u00faplica da comunidade que vive no meio duma sociedade totalmente corrompida.

{N}12,{/}2: (2-5) O estado das rela\u00e7\u00f5es sociais \u00e9 calamitoso: a mentira criada e sustentada pelos poderosos faz desaparecer a sinceridade e fidelidade entre as pessoas. Tudo isto \u00e9 acobertado por uma inoc\u00eancia aparente, que esconde opress\u00e3o. 

{N}12,{/}6: (6-7) Contra a palavra dos injustos (v. 5), levanta-se a Palavra de Jav\u00e9, prata genu\u00edna, isenta de toda a mentira, que assume a causa dos oprimidos e necessitados.

{N}12,{/}8: (8-9) A esperan\u00e7a de uma nova sociedade nasce do confronto entre os fi\u00e9is a Jav\u00e9 e os injustos. Estes ser\u00e3o destru\u00eddos pela for\u00e7a da verdade. 

{N}13,{/}1: (Sl 13) S\u00faplica de uma pessoa perseguida ou em perigo de morte.

{N}13,{/}2: (2-3) As interpela\u00e7\u00f5es insistentes a Deus mostram a impaci\u00eancia de quem se encontra mergulhado no sofrimento: \u00abAt\u00e9 quando?\u00bb A impress\u00e3o \u00e9 que Deus Se mant\u00e9m indiferente.

{N}13,{/}4: (4-5) Se Deus n\u00e3o salvar o justo, o seu pr\u00f3prio nome ficar\u00e1 comprometido. E o injusto alegrar-se-\u00e1, cantando vit\u00f3ria. 

{N}13,{/}6: A declara\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a mostra que a pessoa j\u00e1 foi atendida ou acredita que brevemente o ser\u00e1.

{N}14,{/}1: (1-3) Retrato realista de uma sociedade dominada pelos injustos. O ponto fundamental \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de Deus. N\u00e3o se trata propriamente de n\u00e3o acreditar em Deus, mas de se comportar como se Deus n\u00e3o Se preocupasse e n\u00e3o agisse na Hist\u00f3ria (cf. Jr 5,12).
  Sl 14: Acusa\u00e7\u00e3o, em estilo prof\u00e9tico, contra \u00abos sem-Deus\u00bb, e contra a corrup\u00e7\u00e3o da sociedade.

{N}14,{/}4: (4-6) Usurpando o lugar de Deus, os injustos constroem uma estrutura social que explora e oprime o povo. Os vv. 5-6 anunciam o fim dessa domina\u00e7\u00e3o, \u00abporque Deus est\u00e1 com os justos\u00bb.

{N}14,{/}7: Este vers\u00edculo provavelmente foi acrescentado mais tarde, para adaptar o salmo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do povo no ex\u00edlio.

{N}15,{/}1: (Sl 15) Di\u00e1logo lit\u00fargico realizado \u00e0 porta do Templo. O peregrino pergunta e um sacerdote responde sobre as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para participar nas celebra\u00e7\u00f5es.

{N}15,{/}2: (2-5) As condi\u00e7\u00f5es para entrar no santu\u00e1rio e celebrar capazmente a rela\u00e7\u00e3o com Deus dependem todas da justi\u00e7a no relacionamento social: integridade e verdade no uso da palavra e no emprego do dinheiro. Ver a parte moral do Dec\u00e1logo (Ex 20,1-21) e a tomada de posi\u00e7\u00e3o do Sl 50.

{N}16,{/}1: (1-4) Os contempor\u00e2neos tentam invocar o Deus verdadeiro e, ao mesmo tempo, recorrer aos deuses falsos que produzem escravid\u00e3o e morte. A comunidade est\u00e1 informada e sabe optar pelo Deus da vida.
  Sl 16: Ora\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, que renova a entrega total a Deus, tanto do indiv\u00edduo como da comunidade.

{N}16,{/}5: (5-8) Ora, Deus \u00e9 a heran\u00e7a daqueles que O seguem. Os rins (cf. v. 7) que, com o cora\u00e7\u00e3o, s\u00e3o a sede dos pensamentos e das afei\u00e7\u00f5es secretas (cf. Jr 12,2), indicam o rumo da escolha.

{N}16,{/}9: (9-10) Resta dar largas \u00e0 alegria e persistir na pesquisa do caminho da vida. Em nome da intimidade criada entre Deus e o salmista, o v. 10 acena \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o da morte: Deus n\u00e3o pode entregar o fiel ao t\u00famulo, \u00e0 \u00abcorrup\u00e7\u00e3o\u00bb, na vers\u00e3o grega (cf. Act 2,25-78).

{N}17,{/}1: (1-2) Esta apela\u00e7\u00e3o \u00e9 feita durante a noite talvez no Templo, que funciona como tribunal superior. A senten\u00e7a ser\u00e1 dada ao amanhecer (v. 15).
  Sl 17: S\u00faplica de algu\u00e9m acusado injustamente. 

{N}17,{/}3: (3-5) Juramento de inoc\u00eancia.

{N}17,{/}6: (6-9) Momento de s\u00faplica angustiante. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica e os acusadores est\u00e3o prestas a cantar vit\u00f3ria (v. 9). O acusado n\u00e3o tem a quem ou a que recorrer para sua defesa; s\u00f3 poder\u00e1 ser salvo pela maravilha do amor de Deus, isto \u00e9, por um milagre.

{N}17,{/}10: (10-12) Descri\u00e7\u00e3o dos acusadores: s\u00e3o insens\u00edveis e parecem feras \u00e0 procura de presa.

{N}17,{/}13: (13-14) Pedido para que Deus fa\u00e7a justi\u00e7a, devolvendo a senten\u00e7a de morte aos acusadores. Com ironia, o acusado pede que Deus sacie os acusadores e descendentes, com aquilo que merecem.

{N}17,{/}15: N\u00e3o sabemos o resultado do julgamento, mas o salmista confia que a senten\u00e7a lhe ser\u00e1 favor\u00e1vel.

{N}18,{/}1: (Sl 18) Com poucas diferen\u00e7as, este salmo \u00e9 reproduzido em 2Sm 22. Trata-se de uma celebra\u00e7\u00e3o ou ode triunfal com uma ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, um canto real de vit\u00f3ria e um final messi\u00e2nico. No seu teor exemplar, David ficou livre e p\u00f4de cumprir a sua miss\u00e3o; a seguir, os outros.

{N}18,{/}2: (2-25) A fun\u00e7\u00e3o da autoridade n\u00e3o \u00e9 usurpar o lugar de Deus, usando o poder para os seus pr\u00f3prios interesses e privil\u00e9gios. \u00c9 tornar historicamente presente e vis\u00edvel a ac\u00e7\u00e3o de Deus, que liberta dos inimigos o seu povo. Pode ent\u00e3o invocar Deus e contar com a sua protec\u00e7\u00e3o.

{N}18,{/}26: (26-30) A autoridade \u00e9 \u00edntegra quando reflecte a pr\u00f3pria integridade de Deus: fazer justi\u00e7a, salvar o povo humilde, colocar os opressores no seu lugar.

{N}18,{/}31: (31-35) Outra fun\u00e7\u00e3o da autoridade \u00e9 eliminar a idolatria, para que o povo possa, de facto, reconhecer o Deus vivo e o seu projecto.

{N}18,{/}36: (36-43) Se a autoridade serve realmente a Deus e ao povo, torna-se invenc\u00edvel: pode, ao mesmo tempo, contar com o apoio de Deus e com a credibilidade dos humanos.

{N}18,{/}44: (44-51) Quando a autoridade realiza a justi\u00e7a em nome de Deus, o povo vive na fraternidade e o rei justo \u00e9 modelo de governa\u00e7\u00e3o para outros povos.

{N}19,{/}1: (Sl 19) Hino de louvor, em estilo sapiencial, enaltecendo a gl\u00f3ria de Deus, que criou a ordem da natureza e do mundo humano.

{N}19,{/}2: (2-7) A ordem e beleza do Universo s\u00e3o como um silencioso e cont\u00ednuo louvor ao Criador. O homem humaniza a Natureza, articulando esse louvor em palavras suas. No antigo Oriente, o sol \u00e9 s\u00edmbolo da justi\u00e7a (cf. Ml 3,20; Sb 5,6). Da\u00ed a transi\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda parte (vv. 8-15), com a Lei no centro da instru\u00e7\u00e3o e da s\u00faplica.

{N}19,{/}8: (8-11) A harmonia do mundo humano \u00e9 criada pela palavra de Deus. Esta, como lei ou instru\u00e7\u00e3o, ensina a humanidade a viver na fraternidade e na jus-ti\u00e7a.

{N}19,{/}12: (12-15) A harmonia criada por Deus pode ser perturbada ou destru\u00edda pelo orgulho, que gera todo o tipo de erros e crimes. Essa harmonia da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 convite para que o homem se converta e se torne \u00edntegro.

{N}20,{/}1: (Sl 20) Ora\u00e7\u00e3o pelo rei, antes da batalha, em dois tempos, seguidos de uma exclama\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a (vv. 6 e 10).
{N}
20,{/}2: (2-6) O povo pede a Deus que proteja o soberano que parte em campanha contra os inimigos (cf. 1Rs 8,44). Est\u00e1 em causa a salva\u00e7\u00e3o e alegria de todo o povo.

{N}20,{/}7: (7-10) No seu poder, Deus interv\u00e9m a favor do seu \u00abMessias\u00bb. Ali\u00e1s, a seguran\u00e7a duma na\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 nas armas e no aparato militar... \u00c9 prefer\u00edvel invocar o Nome de Jav\u00e9 e obedecer ao seu projecto.

{N}21,{/}1: (Sl 21) Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento pela vit\u00f3ria do rei e pedido de novas vit\u00f3rias. O acento messi\u00e2nico e escatol\u00f3gico do poema permitiu aplic\u00e1-lo a Cristo Rei.

{N}21,{/}2: (2-8) A for\u00e7a vem de Deus e, por isso, a vit\u00f3ria conquistada atrav\u00e9s da autoridade, pertence em primeiro lugar a Deus. Por um lado, isso impede que a autoridade se embriague com o poder e passe a us\u00e1-lo para seus interesses e caprichos. Por outro, o povo sabe que a autoridade esclarecida n\u00e3o o vai oprimir.

{N}21,{/}9: (9-14) A vit\u00f3ria conquistada transforma-se em desejo e pedido para que toda a opress\u00e3o seja extirpada da Terra.

{N}22,{/}1: (Sl 22) S\u00faplica de um justo sofredor, perseguido e confiante. O poema faz lembrar o {C}servo de Jav\u00e9{/} de Is 52,13-53,12.

{N}22,{/}2: (2-6) A experi\u00eancia mais profunda do sofrimento \u00e9 sentir-se abandonado pelo pr\u00f3prio Deus. A lembran\u00e7a dos benef\u00edcios concedidos aos antepassados fundamenta a s\u00faplica e procura mover Deus a agir. Segundo Mateus, Jesus recitou o v. 2 na cruz (cf. Mt 27,46).

{N}22,{/}7: (7-12) Ao sofrimento e abandono soma-se a marginaliza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o tem lugar na sociedade. Ora, se existe, foi Deus quem tomou a iniciativa!

{N}22,{/}13: (13-22) Lamenta\u00e7\u00e3o pungente. Os inimigos s\u00e3o como animais ferozes. As imagens dos vers\u00edculos 15 e 16 mostram o enfraquecimento e a proximidade da morte, esperada como certa pelos perseguidores. No meio desse estado deplor\u00e1vel, brota a s\u00faplica urgente dos vv. 20-22.

{N}22,{/}23: (23-32) Do extremo sofrimento, o perseguido passa \u00e0 confian\u00e7a total. J\u00e1 foi salvo ou confia na interven\u00e7\u00e3o salvadora. Por isso, convida a comunidade a participar no seu louvor e agradecimento, reconhecendo que Deus jamais abandona o pobre que clama, testemunho que d\u00e1 esperan\u00e7a a todos os pobres. A liturgia nacional (v. 24) abre-se \u00e0 largueza do mundo, mediante a chegada do reinado de Deus (vv. 28-30).

{N}23,{/}1: (1-4) A imagem do pastor expressa a solicitude divina pelos justos que, junto de Deus, encontram rumo e for\u00e7as para enfrentar as situa\u00e7\u00f5es mais adversas.
  Sl 23: Ora\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a a Jav\u00e9, o bom Pastor. Os temas do pastor (vv. 1-4) e do anfitri\u00e3o (vv. 5-6) recordam a marcha pelo deserto e o dom da Terra.

{N}23,{/}5: (5-6) Chegado ao Templo, o peregrino experimenta a hospitalidade de Deus, que o acolhe, ampara e defende dos inimigos. Essa atitude de Deus \u00e9 modelo para todas as comunidades. O banquete sabe a esperan\u00e7a messi\u00e2nica.

{N}24,{/}1: (1-2) Talvez um c\u00e2ntico durante a prociss\u00e3o.
  Sl 24: Prociss\u00e3o que termina com di\u00e1logo lit\u00fargico \u00e0 porta de Jerusal\u00e9m, para celebrar a conquista da cidade (cf. 2Sm 5,6-10). A presen\u00e7a de Jav\u00e9 \u00e9 simbolizada pela Arca da alian\u00e7a. 

{N}24,{/}3: (3-6) Pergunta e resposta sobre as condi\u00e7\u00f5es para entrar na cidade de Jav\u00e9. Cf. Sl 15 e nota.

{N}24,{/}7: (7-10) Di\u00e1logo diante da porta da cidade, entre a prociss\u00e3o que chega e um grupo que fica no alto das muralhas, representando os jebuseus, antigos moradores da cidade. Nas entrelinhas \u00e9 poss\u00edvel a refer\u00eancia \u00e0 traslada\u00e7\u00e3o da Arca, sob David.

{N}25,{/}1: (1-3) A men\u00e7\u00e3o de \u00abinimigos\u00bb mostra que a situa\u00e7\u00e3o tem alcance social para o salmista.
  Sl 25: S\u00faplica diante dum perigo. O poema evolui \u00e0 maneira sapiencial, seguindo o artif\u00edcio alfab\u00e9tico: ao come\u00e7o de cada pequena estrofe figura a sua letra, pela ordem estabelecida no alfabeto.

{N}25,{/}4: (4-5) A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 obscura. O salmista pede que Deus lhe abra perspectivas.

{N}25,{/}6: (6-7) Pede que os seus erros involunt\u00e1rios n\u00e3o sejam empecilho para que Deus o trate com amor na situa\u00e7\u00e3o angustiante em que se encontra.

{N}25,{/}8: (8-11) N\u00e3o est\u00e1 claro qual seja a falta ou pecado. O pecador \u00e9 aquele que falha o caminho tra\u00e7ado. Em todo o caso, \u00e9 ocasi\u00e3o para uma tomada de consci\u00eancia e convers\u00e3o.
{N}
25,{/}12: (12-15) O temor de Deus \u00e9 a atitude pr\u00f3pria de quem reconhece que Deus \u00e9 Deus, e o homem n\u00e3o \u00e9 Deus. Quando o homem reconhece que s\u00f3 Deus \u00e9 o absoluto, relativiza os planos humanos e permanece aberto \u00e0 cont\u00ednua novidade do projecto de Deus.

{N}25,{/}16: (16-22) Descreve a sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o deplor\u00e1vel e clama por liberta\u00e7\u00e3o.

{N}26,{/}1: (1-5) Juramento de inoc\u00eancia, na forma positiva e negativa.
  Sl 26: S\u00faplica de uma pessoa injustamente acusada, que recorre ao Templo e apela \u00e0 justi\u00e7a de Deus.

{N}26,{/}6: (6-10) A separa\u00e7\u00e3o desejada entre justos e injustos n\u00e3o envolve uma separa\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou espacial. Importa sobretudo n\u00e3o misturar o projecto de Jav\u00e9 com o projecto da injusti\u00e7a.

{N}26,{/}11: (11-12) O resgate do inocente perseguido \u00e9 motivo de alegria para a comunidade.

{N}27,{/}1: (1-3) A confian\u00e7a em Deus e no seu projecto cria for\u00e7a e coragem para enfrentar as mais dif\u00edceis situa\u00e7\u00f5es.
  Sl 27: Ora\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a. Injustamente acusado, o salmista recorre ao tribunal do Templo, em busca de justi\u00e7a.

{N}27,{/}4: (4-6) O Templo \u00e9 ao mesmo tempo a casa de Deus e a casa do seu povo. \u00c9 o espa\u00e7o sagrado que assegura justi\u00e7a e paz. Tal fun\u00e7\u00e3o cabe hoje \u00e0s comunidades.

{N}27,{/}7: (7-14) O salmista experimenta a noite escura. No entanto, \u00abprocura a face de Deus\u00bb; n\u00e3o tanto ir ao Templo (cf. 2Sm 21,1), como conhec\u00ea-l'O e viver fielmente na sua presen\u00e7a (cf. Am 5,4; Dt 4,29). Todos o abandonaram; conta com o Senhor. Apesar de tudo, ele mant\u00e9m firme a sua esperan\u00e7a, confirmada pela palavra do sacerdote (v. 14).

{N}28,{/}1: (1-3) De p\u00e9, no p\u00e1tio, levanta as m\u00e3os em direc\u00e7\u00e3o ao santu\u00e1rio e clama por justi\u00e7a. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica e envolve perigo de morte.
  Sl 28: S\u00faplica de um inocente injustamente acusado pelos inimigos.

{N}28,{/}4: (4-5) A justi\u00e7a de Deus consiste em fazer com que a acusa\u00e7\u00e3o caluniosa se volte contra os pr\u00f3prios acusadores. 

{N}28,{/}6: (6-7) J\u00e1 atendido por Deus, ou na certeza de que o ser\u00e1, o salmista antecipa o agradecimento.

{N}28,{/}8: (8-9) Prov\u00e1vel acr\u00e9scimo que aplica o salmo ao rei e ao povo.

{N}29,{/}1: (1-2) Convite \u00e0 comunidade reunida para louvar a gl\u00f3ria e o poder de Deus.
  Sl 29: Hino de louvor, cantando a gl\u00f3ria e o poder do Criador e Senhor da tempestade.

{N}29,{/}3: (3-9) A viv\u00eancia da tempestade produz uma sensa\u00e7\u00e3o de mist\u00e9rio. Descreve-se uma chuva torrencial, que come\u00e7a no norte da Palestina e vai at\u00e9 ao deserto de Cades, no Sul. As sete repeti\u00e7\u00f5es de \u00abvoz\u00bb ou \u00abclamor\u00bb de Jav\u00e9 imitam o estrondo do trov\u00e3o, que simboliza a voz de Jav\u00e9, a que corresponde a voz do povo no Templo, aclamando a gl\u00f3ria de Deus. As \u00e1rvores altas poder\u00e3o simbolizar os orgulhosos inimigos de Deus e do povo.

{N}29,{/}10: (10-11) A tempestade ou dil\u00favio \u00e9 tamb\u00e9m s\u00edmbolo da Hist\u00f3ria turbulenta e conflitiva das na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o conhecem a Jav\u00e9. O povo de Deus tem plena confian\u00e7a, pois sabe que o Senhor da Natureza e da Hist\u00f3ria \u00e9 seu aliado, e lhe d\u00e1 for\u00e7a e paz.

{N}30,{/}1: (Sl 30) Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento pela liberta\u00e7\u00e3o de um perigo de morte.

{N}30,{/}2: (2-4: Gravemente enferma, a pessoa experimenta o aux\u00edlio de Deus como verdadeira liberta\u00e7\u00e3o da morte.

{N}30,{/}5: (5-6) O agradecimento \u00e9 feito em p\u00fablico, e a comunidade \u00e9 convidada a participar. A alegria da cura relativiza a doen\u00e7a e faz experimentar o amor de Deus. A \u00abmem\u00f3ria sagrada\u00bb (v. 5) relembra a liberta\u00e7\u00e3o do \u00eaxodo.

{N}30,{/}7: (7-13) O salmista conta \u00e0 comunidade a sua experi\u00eancia: Da seguran\u00e7a feliz, caiu no abismo; apelou a Deus que n\u00e3o tira proveito do sangue, nem louvor da morada dos mortos, e foi ouvido. Da\u00ed a dan\u00e7a festiva, a alegria e o louvor sem fim.

{N}31,{/}1: (Sl 31) S\u00faplica individual com elementos de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. O esfor\u00e7o para viver segundo a justi\u00e7a provoca press\u00f5es de todo o lado, para levar o sujeito de tal op\u00e7\u00e3o a desistir e a \u00abviver como os outros\u00bb.

{N}31,{/}2: (2-5) N\u00e3o encontrando sa\u00edda, o salmista apela directamente para Deus.

{N}31,{/}6: (6-9) Numa sociedade corrompida, Deus \u00e9 o \u00fanico apoio que o justo encontra para continuar fiel. \u00c9 Deus quem confirma a honra do justo, e condena os seguidores de \u00eddolos v\u00e3os. Segundo Lucas, as \u00faltimas palavras de Jesus s\u00e3o as do v. 6 (Lc 23,46).

{N}31,{/}10: (10-14) Descri\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica das press\u00f5es que o justo sofre: persegui\u00e7\u00e3o, abandono, zombaria, boatos, perigos de vida. Tudo isso provoca solid\u00e3o e pavor.

{N}31,{/}15: (15-19) A certeza do suplicante \u00e9 que Deus est\u00e1 do lado do justo contra os opressores.

{N}31,{/}20: (20-25) O tom muda da s\u00faplica para o agradecimento. Certamente o suplicante foi atendido. Agora, no meio da comunidade, agradece a liberta\u00e7\u00e3o e transforma a sua experi\u00eancia pessoal em testemunho.

{N}32,{/}1: (1-2) Quando Deus cobre o pecado com o perd\u00e3o, o homem sente-se liberto (cf. Sl 65,4;85,3; Job 31,33).
  Sl 32: Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento. A confiss\u00e3o e o perd\u00e3o libertam do pecado. \u00c9 um dos salmos penitenciais (cf. Sl 6).

{N}32,{/}3: (3-5) Quando, por\u00e9m, o homem encobre o seu pr\u00f3prio pecado, passa a experimentar como peso o sofrimento da culpa e at\u00e9 o pr\u00f3prio Deus.

{N}32,{/}6: (6-7) Perdoado, o salmista volta \u00e0 comunidade que unida canta o perd\u00e3o. A primeira instru\u00e7\u00e3o \u00e9 que, ap\u00f3s o pecado, se suplique a Jav\u00e9 sem perda de tempo.

{N}32,{/}8: (8-9) Instru\u00e7\u00e3o sapiencial, talvez feita por um sacerdote. Na experi\u00eancia do perd\u00e3o, o pecador descobre o caminho de Deus, que \u00e9 o amor que liberta e faz viver. O importante \u00e9 n\u00e3o ser teimoso como o animal selvagem, que precisa de ser domado.

{N}32,{/}10: (10-11) Li\u00e7\u00e3o e convite finais: ser injusto \u00e9 ser insensato, porque a injusti\u00e7a acarreta sofrimento, enquanto que a convers\u00e3o \u00e9 fonte de alegria.

{N}33,{/}1: (1-5) Ap\u00f3s o convite insistente (vv. 1-3), temos o motivo fundamental do louvor: a palavra e ac\u00e7\u00e3o de Deus, que realizam a verdade, a justi\u00e7a e o amor.
  Sl 33: Hino de louvor ao Deus que cria o Universo e interv\u00e9m na Hist\u00f3ria, conduzindo o seu povo.

{N}33,{/}6: (6-9) A palavra de Deus \u00e9 eficaz, criando e organizando o universo. O ex\u00e9rcito de Deus s\u00e3o as estrelas no c\u00e9u em seu movimento e aparecimento regulares e acertados.

{N}33,{/}10: (10-12) O projecto de Deus \u00e9 liberdade e vida para todos. Projecto que se realizar\u00e1, derrotando os projectos de escravid\u00e3o e morte, feitos pelas na\u00e7\u00f5es.

{N}33,{/}13: (13-15) \u00c9 loucura querer enganar ou manipular Deus. Ele discerne profundamente cada um e sabe atrav\u00e9s de quem vai realizar o seu projecto.

{N}33,{/}16: (16-19) A realiza\u00e7\u00e3o do projecto de Deus n\u00e3o depende do poderio militar, mas da presen\u00e7a do pr\u00f3prio Deus, que age dentro do combate pela liberdade e vida.

{N}33,{/}20: (20-22) Quando o povo coloca a sua esperan\u00e7a em Deus, este responde com todo o seu amor.

{N}34,{/}1: (Sl 34) Ora\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Deus justo (vv. 2-11) e instru\u00e7\u00e3o (vv. 12-23). Salmo alfab\u00e9tico em que cada estrofe come\u00e7a pela sua letra, do princ\u00edpio ao fim do alfabeto, sugerindo a totalidade acabada da mensagem.

{N}34,{/}2: (2-4) O agradecimento \u00e9 feito no meio da comunidade dos pobres.

{N}34,{/}5: (5-8) O salmista \u00e9 um pobre que, a contas com uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, fez a experi\u00eancia da solidariedade de Deus e foi liberto.

{N}34,{/}9: (9-11) A intensidade do louvor convida a comunidade a saborear e ver como Jav\u00e9 \u00e9 bom, como nada falta a quem O teme.

{N}34,{/}12: (12-23) Grande catequese ou instru\u00e7\u00e3o, bem ao jeito dos Prov\u00e9rbios, sobre a sorte dos justos e dos malvados. O primeiro t\u00f3pico \u00e9 o {C}temor de Jav\u00e9{/}. Depois, o empenho pela verdade e justi\u00e7a, a constru\u00e7\u00e3o da paz. Do outro lado, o destino dos injustos; sob o olhar divino, ser\u00e3o destru\u00eddos pelo mesmo mal que engendram.

{N}35,{/}1: (1-8) No pedido de justi\u00e7a est\u00e3o inclu\u00eddas a salva\u00e7\u00e3o do inocente e a destrui\u00e7\u00e3o dos verdadeiros culpados. Conforme a lei do tali\u00e3o, o falso acusador deve sofrer a mesma pena que queria infligir ao inocente.
  Sl 35: S\u00faplica de um inocente injustamente acusado, associada a uma grande lamenta\u00e7\u00e3o imprecat\u00f3ria.

{N}35,{/}9: (9-10) Promessa de agradecimento (cf. tamb\u00e9m v. 18). O v. 10 mostra que a justi\u00e7a de Deus compraz-se a libertar o fraco e o pobre dos opressores e exploradores.

{N}35,{/}11: (11-16) Ao que parece, a acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o veio dos inimigos correntes e banais, de quem geralmente se pode esperar tudo; veio dos amigos que tra\u00edram a confian\u00e7a, pagando o bem com o mal.

{N}35,{/}17: (17-21) A principal arma do traidor \u00e9 a cal\u00fania, que levanta d\u00favidas e provoca descr\u00e9dito sobre a v\u00edtima. A difama\u00e7\u00e3o \u00e9 recurso que os injustos usam contra os justos.

{N}35,{/}22: (22-26) Deus \u00e9 testemunha; e o seu julgamento consiste em manifestar a verdade e fazer justi\u00e7a. O v. 26 mostra que a trai\u00e7\u00e3o foi feita por interesse.

{N}35,{/}27: (27-28) A grandeza e a justi\u00e7a de Deus restauram a honra do inocente contra os opressores que o difamam. Este \u00e9 o motivo de alegria para os verdadeiros amigos, que se juntar\u00e3o ao canto de louvor.

{N}36,{/}1: (Sl 36) S\u00faplica individual, contrapondo a mal\u00edcia do pecador \u00e0 bondade de Deus.

{N}36,{/}2: (2-5) An\u00e1lise sobre o modo de ser do injusto. O centro da sua vida \u00e9 a auto-sufici\u00eancia: n\u00e3o reconhece a Deus e tenta ocupar-Lhe o lugar, criando uma imagem falsa de si pr\u00f3prio. Resultado: mentira e fraude, ou seja, a falsifica\u00e7\u00e3o total da palavra e da ac\u00e7\u00e3o.

{N}36,{/}6: (6-10) O Deus verdadeiro \u00e9 a fonte da vida e da luz. A experi\u00eancia que o homem faz d'Ele, \u00e9 verdade, justi\u00e7a e amor, em dimens\u00f5es infinitas que n\u00e3o consegue compreender. E nessa luz, cada ser vive e descobre o seu pr\u00f3prio caminho.

{N}36,{/}11: (11-13) A Hist\u00f3ria humana passa muito pelo conflito entre o Deus verdadeiro e os falsos deuses. Os fi\u00e9is pedem a Deus que n\u00e3o Se afaste e reduza os injustos ao seu lugar.

{N}37,{/}1: (1-2) A prosperidade do injusto pode causar inveja e irrita\u00e7\u00e3o ao justo, mas n\u00e3o vai longe.
  Sl 37: Reflex\u00e3o sapiencial sobre a sorte do justo e do \u00edmpio. Seguindo o processo alfab\u00e9tico, o salmista dirige-se aos indignados com a felicidade dos \u00edmpios, repetindo-lhes calmamente o ensino dos s\u00e1bios sobre a retribui\u00e7\u00e3o temporal. O tema ser\u00e1 reaberto por Job e por Co\u00e9let (8,11-14).

{N}37,{/}3: (3-11) O sustent\u00e1culo do justo \u00e9 o compromisso que assumiu com Jav\u00e9 e com o seu projecto, que excluir\u00e1 os injustos e far\u00e1 que os pobres possuam a Terra. Estas promessas s\u00e3o reformuladas em bem-aventuran\u00e7as no Evangelho (cf. Mt 5,3-4; Rm 4,13).

{N}37,{/}12: (12-20) O injusto persegue e oprime o justo. Deus toma o partido deste e faz que o mal se volte contra o pr\u00f3prio injusto.

{N}37,{/}21: (21-26) O injusto \u00e9 governado pela ambi\u00e7\u00e3o de possuir e explora toda a gente. O justo, ao inv\u00e9s, \u00e9 guiado pela solidariedade, repartindo tudo o que tem.

{N}37,{/}27: (27-29) O maior desafio \u00e9 persistir na pr\u00e1tica da justi\u00e7a.

{N}37,{/}30: (30-38) O justo \u00e9 capaz de viver a sabedoria e a justi\u00e7a, porque a sua consci\u00eancia (cora\u00e7\u00e3o) \u00e9 formada segundo o projecto de Deus. O injusto segue ditames opostos.

{N}37,{/}39: (39-40) Enquanto os injustos dominam, os justos vivem no aperto. A esperan\u00e7a de uma nova Hist\u00f3ria, por\u00e9m, nasce da perseveran\u00e7a dos justos, porque Deus est\u00e1 do seu lado.

{N}38,{/}1: (Sl 38) S\u00faplica e confiss\u00e3o durante uma doen\u00e7a grave, talvez lepra. Salmo penitencial.

{N}38,{/}2: (2-13) Para os antigos, qualquer doen\u00e7a, em especial a lepra, era castigo mandado por Deus por causa do pecado. O salmista encontra-se em situa\u00e7\u00e3o semelhante. Descreve o seu sofrimento, o abandono em que se acha e os ataques de inimigos, que certamente se aproveitam da situa\u00e7\u00e3o para lhe descobrir as prov\u00e1veis culpas.

{N}38,{/}14: (14-15) A pessoa encontra-se totalmente prostrada e indefesa.

{N}38,{/}16: (16-23) S\u00faplica confiante. O salmista confessa a pr\u00f3pria culpa, mas declara que n\u00e3o \u00e9 culpado daquilo que os inimigos o acusam, nem merece o tratamento que est\u00e1 a ter.

{N}39,{/}1: (Sl 39) S\u00faplica do justo desanimado diante das dificuldades e brevidade da vida.

{N}39,{/}2: (2-4) S\u00f3 com muito dom\u00ednio, o justo procura aguentar calado at\u00e9 onde pode. Se recalcitrasse com Deus, os \u00edmpios apressar-se-iam a confirmar as suas posi\u00e7\u00f5es: Deus n\u00e3o liga!

{N}39,{/}5: (5-7) Por fim, vem o desabafo: \u00abQue sentido tem uma vida t\u00e3o curta? O homem \u00e9 m\u00e1scara vazia, e passa como a sombra! Faz tudo por nada, e n\u00e3o tira nenhum proveito\u00bb.

{N}39,{/}8: (8-12) Acto de confian\u00e7a total, que inclui um desafio ao pr\u00f3prio Deus: o justo comprometeu-se de corpo e alma com o projecto de Deus. Agora, \u00e9 Deus quem deve responder pela honra e sentido da vida do justo.

{N}39,{/}13: (13-14) A s\u00faplica final pede a Deus que abrande as suas exig\u00eancias. O justo \u00e9 h\u00f3spede e inquilino de Deus, e o hospedeiro deve tratar bem aqueles que recebeu em casa.

{N}40,{/}1: (Sl 40) Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento, incluindo a s\u00faplica numa situa\u00e7\u00e3o que acarreta perigo de vida.

{N}40,{/}2: (2-4) Libertando o salmista de um perigo de morte, a ac\u00e7\u00e3o de Deus torna-se motivo de confian\u00e7a para a comunidade que participa do agradecimento.

{N}40,{/}5: (5-6) Pequeno hino de louvor, celebrando as interven\u00e7\u00f5es libertadoras de Deus. Feliz o justo que na dificuldade n\u00e3o confia no seu plano pessoal, mas busca liberta\u00e7\u00e3o no projecto de Deus.

{N}40,{/}7: (7-9) Por ocasi\u00e3o do agradecimento, costumava-se oferecer um sacrif\u00edcio. Deus, por\u00e9m, em vez dos sacrif\u00edcios, quer que o homem cumpra a sua vontade: a Lei, o projecto de Deus.

{N}40,{/}10: (10-11) N\u00e3o basta assimilar. \u00c9 preciso tamb\u00e9m anunciar a justi\u00e7a de Deus, atrav\u00e9s da palavra e ac\u00e7\u00e3o.

{N}40,{/}12: (12-13) A viv\u00eancia e testemunho transformam-se em s\u00faplica a Deus para que Ele continue a intervir onde os males abundam.

{N}40,{/}14: (14-16) Talvez seja o conte\u00fado da s\u00faplica que gerou a liberta\u00e7\u00e3o e o agradecimento. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada a qualquer conflito social.

{N}40,{/}17: (17-18) O salmista pertence \u00e0 comunidade dos pobres, cuja \u00fanica defesa consiste em se manter perto de Deus e do seu projecto.

{N}41,{/}1: (Sl 41) Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento do doente abandonado.

{N}41,{/}2: (2-4) Deus protege aquele que cuida do fraco e do indigente. Os pobres s\u00e3o o sacramento da presen\u00e7a de Deus (cf. Mt 25,31-40).

{N}41,{/}5: (5-10) Relembra a s\u00faplica feita durante a doen\u00e7a. Vista como consequ\u00eancia do pecado, ela provoca duros coment\u00e1rios de inimigos e at\u00e9 de amigos.

{N}41,{/}11: (11-13) O amor de Deus restaura a honra do doente e d\u00e1-lhe a possibilidade de responder aos que o criticaram. 

{N}41,{/}14: Pequeno louvor, encerrando o primeiro dos cinco livros que comp\u00f5em o Salt\u00e9rio (1-41; 42-72; 73-89; 90-106; 107-150).

{N}42,{/}1: (Sl 42 e 43) S\u00faplica, provavelmente de um sacerdote, injustamente julgado, condenado e exilado. O refr\u00e3o, repetido tr\u00eas vezes em 42,6.12 e 43,5, mostra que esta composi\u00e7\u00e3o, hoje dividida em dois, era primitivamente um \u00fanico salmo.

{N}42,{/}2: (2-5) A imagem do animal selvagem, cheio de sede, traduz o sentimento do exilado que n\u00e3o p\u00e1ra de chorar. A pergunta provocadora e descrente dos estrangeiros traz-lhe \u00e0 mem\u00f3ria o {C}passado{/}: a alegria em correr para o tempo de Jerusal\u00e9m, lugar da especial presen\u00e7a de Deus.

{N}42,{/}6: O refr\u00e3o (repetido no v. 12 e em 43,5) transcreve o di\u00e1logo interior, no qual o \u00abeu profundo\u00bb procura incutir coragem e esperan\u00e7a ao \u00abeu superficial\u00bb.

{N}42,{/}7: (7-11) Em terra estrangeira, o exilado vive o drama interior do {C}presente{/}. Os estrangeiros continuam a desafi\u00e1-lo: \u00abOnde est\u00e1 o teu Deus?\u00bb Al\u00e9m disso, o monte Hermon, com as suas cascatas, s\u00edmbolo da b\u00ean\u00e7\u00e3o do deus Baal, torna-se cont\u00ednuo tormento, que lembra ainda mais a p\u00e1tria distante.

{N}43,{/}1: (1-4) O {C}futuro{/} est\u00e1 aberto \u00e0 esperan\u00e7a. A luz e a verdade conduzir\u00e3o o exilado de regresso a Jerusal\u00e9m, onde se alegrar\u00e1 e celebrar\u00e1 o seu Deus.

{N}44,{/}1: (Sl 44) S\u00faplica colectiva com lamenta\u00e7\u00e3o, a prop\u00f3sito dum desastre nacional.

{N}44,{/}2: (2-9) Em tempos dif\u00edceis, o povo olha para tr\u00e1s e retoma a consci\u00eancia da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de combates, conquistas e triunfos, chefiado e amparado amorosamente por Jav\u00e9.

{N}44,{/}10: (10-17) Em flagrante contraste, as coisas mudaram: Deus parece ter abandonado o seu povo, agora condenado \u00e0s mais degradantes humilha\u00e7\u00f5es.

{N}44,{/}18: (18-23) Apesar de tudo, o povo n\u00e3o se esqueceu de Deus, nem Lhe traiu o projecto, para servir outros interesses ou deuses estrangeiros... Donde a pergunta: Porque ser\u00e1 que isto acontece?

{N}44,{/}24: (24-27) Estar\u00e1 Deus a dormir? E o povo clama para que Deus volte a mostrar-Se, \u00abpelo seu amor\u00bb.

{N}45,{/}1: (Sl 45) Elogio dedicado ao rei, por ocasi\u00e3o do casamento. Talvez bodas de Salom\u00e3o, ou Acab, que desposaram princesas de Tiro; certamente n\u00fapcias do Rei-Messias com Israel, figura da Igreja.

{N}45,{/}2: Dedicat\u00f3ria.

{N}45,{/}3: (3-10a) A fun\u00e7\u00e3o do rei \u00e9 lutar pela verdade e justi\u00e7a, defendendo o povo, principalmente em conflitos internacionais.

{N}45,{/}10: (10b-18) Ap\u00f3s explicar o novo estilo de vida da noiva, o salmo descreve a sua entrada at\u00e9 junto do rei, para a cerim\u00f3nia do casamento.

{N}46,{/}1: (Sl 46) Hino a Jerusal\u00e9m e \u00e0 presen\u00e7a de Deus no Templo, com poss\u00edvel alus\u00e3o ao levantamento do cerco, no ano 701 a.C. (cf. 2Rs 18,13-19,36).

{N}46,{/}2: (2-4) Jav\u00e9, o Deus Criador e Senhor da Hist\u00f3ria, tem alian\u00e7a com o seu povo, protegendo-o contra as for\u00e7as do caos; aqui, talvez as na\u00e7\u00f5es inimigas. O refr\u00e3o (cf. vv. 8 e 12) exalta Jav\u00e9 como guerreiro que chefia as lutas do seu povo.

{N}46,{/}5: (5-7) A presen\u00e7a divina no Templo protege a cidade, purificada e fecundada por \u00e1guas simb\u00f3licas. O romper da manh\u00e3 (v. 6) \u00e9 a hora dos favores divinos (cf. Sl 17,15). Aqui, poss\u00edvel alus\u00e3o \u00e0 retirada do ex\u00e9rcito de Senaquerib, provavelmente atingido por uma peste. A sua derrota \u00e9 vista como vit\u00f3ria de Jav\u00e9 (2Rs 19,35-37).

{N}46,{/}9: (9-11) Pela manh\u00e3, o povo destr\u00f3i o acampamento ass\u00edrio e incendeia todos os despojos. O v. 11 talvez seja uma comemora\u00e7\u00e3o festiva do acontecimento: Deus vence, n\u00e3o apenas o inimigo, mas tamb\u00e9m a guerra toda.

{N}47,{/}1: (Sl 47) Hino de louvor \u00e0 realeza de Jav\u00e9. \u00c9 o primeiro dos \u00absalmos do reino\u00bb (cf. 93; 96-99).

{N}47,{/}2: (2-5) Jav\u00e9, Rei do Universo e das na\u00e7\u00f5es, exerce o seu reinado atrav\u00e9s daqueles que realizam na Terra o seu projecto.

{N}47,{/}6: (6-10) Inicialmente reconhecido por um povo, Deus tornar-Se-\u00e1 o soberano de todas as na\u00e7\u00f5es, realizando a justi\u00e7a que todos esperam.

{N}48,{/}1: (Sl 48) Hino ao monte Si\u00e3o, n\u00facleo da antiga Jerusal\u00e9m (cf. 2Sm 5,9), resid\u00eancia do rei e lugar do Templo.

{N}48,{/}2: (2-4) Senhor do Universo e da Hist\u00f3ria, Deus mora em Jerusal\u00e9m (Si\u00e3o), tornando-a lugar privilegiado para o povo se encontrar com o seu Deus.

{N}48,{/}5: (5-8) Jerusal\u00e9m sempre foi alvo da gan\u00e2ncia estrangeira, como aconteceu na coliga\u00e7\u00e3o siro-efraimita contra o rei Acaz, no ano 735 a.C. (cf. 2Rs 16).

{N}48,{/}9: (9-12) Toda a import\u00e2ncia de Jerusal\u00e9m est\u00e1 no seu Templo, morada de Deus, de onde Ele governa a Terra com justi\u00e7a.
{N}
48,{/}13: (13-15) Convite para que os peregrinos conhe\u00e7am Jerusal\u00e9m, com as suas torres e muralhas (talvez aceno \u00e0s obras de Neemias, cf. Ne 6,15; 12,27), e voltem para as suas cidades animados a perpetuar a grande tradi\u00e7\u00e3o: o Deus vivo est\u00e1 aliado ao povo.

{N}49,{/}1: (Sl 49) Medita\u00e7\u00e3o ou instru\u00e7\u00e3o sobre o engano das riquezas e sobre a morte. Partindo dum ad\u00e1gio ir\u00f3nico (vv. 13 e 21), trata do problema da retribui\u00e7\u00e3o e da felicidade passageira dos \u00edmpios, sem ultrapassar a doutrina tradicional.

{N}49,{/}2: (2-5) Convite, alargado a toda a gente, a escutar uma li\u00e7\u00e3o importante de sabedoria e intelig\u00eancia.

{N}49,{/}6: (6-10) Os ricos, com todo o seu poder, n\u00e3o t\u00eam possibilidade de assegurar uma vida perp\u00e9tua. Acostumados a manipular a liberdade e a vida do povo, esquecem que a vida \u00e9 dom, e n\u00e3o mercadoria que se compre com dinheiro.

{N}49,{/}11: (11-15) Ricos e auto-suficientes, julgam depender somente de si pr\u00f3prios para comprar tudo, sem necessitar dos outros, nem mesmo de Deus. Puro engano: com todo o seu esfor\u00e7o, ter\u00e3o de deixar a outrem as suas fortunas, n\u00e3o escapam \u00e0 morte nem ao t\u00famulo.

{N}49,{/}16: (16-20) Enquanto o rico n\u00e3o \u00e9 capaz de resgatar a pr\u00f3pria vida, Deus resgata gratuitamente os pobres da escravid\u00e3o e da morte. A express\u00e3o \u00abtoma-me contigo\u00bb (v. 16) \u00e9 misteriosa e lembra o \u00eaxodo, onde Deus pegou no seu povo oprimido, para o conduzir \u00e0 Terra da vida. N\u00e3o haver\u00e1 aqui um aceno \u00e0 vida sem fim?

{N}49,{/}21: Para esta reflex\u00e3o sapiencial, a vida n\u00e3o \u00e9 mera quest\u00e3o de bem ou mal, mas sim de bom-senso ou insensatez. O rico n\u00e3o \u00e9 propriamente mau; \u00e9 um idiota. Do pobre v\u00eam a sabedoria e o bom-senso (cf. Mt 11,25).

{N}50,{/}1: (1-6) Deus convoca o seu povo para um debate judicial. Apresenta-Se como parceiro na Alian\u00e7a. N\u00e3o quer ser c\u00famplice das injusti\u00e7as cometidas pelo seu povo. Testemunhas do debate s\u00e3o o C\u00e9u e a Terra, isto \u00e9, a realidade criada.
  Sl 50: Ora\u00e7\u00e3o em estilo prof\u00e9tico, em prol do culto \u00abem esp\u00edrito e verdade\u00bb, condenando o formalismo duma liturgia desarticulada dos mandamentos. A celebra\u00e7\u00e3o penitencial segue no Salmo 51.

{N}50,{/}7: (7-15) Acusa\u00e7\u00e3o negativa: Deus n\u00e3o critica propriamente o culto praticado pelo seu povo. Contudo, n\u00e3o pense este que poder\u00e1 controlar Deus atrav\u00e9s do culto. Na verdade, o culto n\u00e3o \u00e9 para fornecer alimento a Deus, mas para o homem se lembrar de Deus. Deus espera que o povo confesse o pr\u00f3prio erro. A partir da\u00ed, poder\u00e1 clamar a Deus para que o liberte. Essa \u00e9 a gl\u00f3ria de Deus.

{N}50,{/}16: (16-21) Acusa\u00e7\u00e3o positiva, tomando como norma o Dec\u00e1logo. De que adianta conhecer a vontade de Deus, se ela n\u00e3o \u00e9 posta em pr\u00e1tica? Pior ainda \u00e9 algu\u00e9m julgar-se capaz de calar a Deus, tornando-O c\u00famplice dos erros humanos. Isso, na realidade, seria reduzir Deus ao tamanho da hipocrisia humana. Ele, por\u00e9m, n\u00e3o Se cala. O v. 16a interrompe a fala de Deus; \u00e9 portanto um acr\u00e9scimo.

{N}50,{/}22: (22-23) Com Deus n\u00e3o se brinca! Quem se esquece d'Ele, corre riscos s\u00e9rios. O v. 23 repete o v. 14, acrescentando o seguinte: mesmo quando acusa, Deus concede uma gra\u00e7a.

{N}51,{/}1: (Sl 51) S\u00faplica penitencial, com reconhecimento do pecado e pedido de perd\u00e3o. \u00c9 a segunda parte da cerim\u00f3nia iniciada com o Sl 50: frente \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o feita por Deus, s\u00f3 resta ao homem confessar o pr\u00f3prio pecado. A tradi\u00e7\u00e3o judia leu aqui o arrependimento exemplar de David, relatado em 2Sm 12.

{N}51,{/}3: (3-11) Retrato do pecador. Obcecado pela culpa, o pecador descobre que o pecado \u00e9 sempre, e em primeiro lugar, uma ofensa contra Deus, o parceiro da Alian\u00e7a. Assim, confessar o pecado significa, ao mesmo tempo, absolver Deus, libertando-O de qualquer cumplicidade. Sabendo-se inclinado ao mal desde a origem (v. 7; cf. Gn 8,21; Job 14,4), e reconhecendo que pode contar com o Senhor, o pecador come\u00e7a a ressuscitar, pedindo perd\u00e3o: \u00abpurifica-me\u00bb, \u00ablava-me\u00bb, \u00abdevolve-me a o j\u00fabilo\u00bb. 

{N}51,{/}12: (12-15) No arrependimento come\u00e7a o reino da gra\u00e7a. O perd\u00e3o \u00e9 nova cria\u00e7\u00e3o, que d\u00e1 ao homem um esp\u00edrito firme, santo e generoso. Da\u00ed a miss\u00e3o: o pecador perdoado torna-se mission\u00e1rio que ensina aos outros o caminho do retorno a Deus, da convers\u00e3o.

{N}51,{/}16: (16-19) O castigo do pecado \u00e9 a morte (sangue). Alus\u00e3o talvez a um crime que merecia a pena capital. Perdoado, o homem pode louvar a Deus, reconhecendo-Lhe a miseric\u00f3rdia (Salmos 32 e 103). Os vv. 18-19 retomam o tema do salmo 50,14.23: Deus quer o sacrif\u00edcio da confiss\u00e3o e do cora\u00e7\u00e3o arrependido, para que o homem se liberte do pecado, e o pr\u00f3prio Deus fique isento de qualquer cumplicidade. 

{N}51,{/}20: (20-21) Aditamento feito depois do ex\u00edlio. De regresso a Jerusal\u00e9m, a reedifica\u00e7\u00e3o das muralhas \u00e9 sinal do perd\u00e3o conseguido (cf. Jr 30,15-18). Depois, Deus aceitar\u00e1 novamente as cerim\u00f3nias cultuais.

{N}52,{/}1: (Sl 52) Ora\u00e7\u00e3o em estilo prof\u00e9tico, contra os injustos que dominam o povo com palavras falsas (cf. salmo 12).

{N}52,{/}3: (3-6) Descri\u00e7\u00e3o viva do homem de inf\u00e2mia: \u00c9 inimigo mortal do justo, contra quem maquina armadilhas, em todo o tempo. A arma favorita \u00e9 a difama\u00e7\u00e3o, que produz fraude e mentira.

{N}52,{/}7: Profecia de castigo. O injusto ser\u00e1 expulso da Terra do povo de Deus.

{N}52,{/}8: (8-9) A derrota do injusto \u00e9 motivo de triunfo e alegria para os justos antes oprimidos. Causa dessa derrota \u00e9 a auto-sufici\u00eancia, que acumula poder e riqueza para a pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o.

{N}52,{/}10: (10-11) Em contraste com o injusto, que \u00e9 arrancado do seu solo, o justo desenvolve-se como \u00e1rvore. A {C}bondade de Deus,{/} em primeiro lugar, \u00e9 a justi\u00e7a que liberta o oprimido.

{N}53,{/}1: (Sl 53) Trata-se de outra edi\u00e7\u00e3o do salmo 14 (cf. notas). A \u00fanica diferen\u00e7a est\u00e1 no v. 6: o agressor \u00e9 certamente um inimigo estrangeiro.

{N}54,{/}1: (Sl 54) S\u00faplica do justo no meio duma opress\u00e3o causada pelos injustos.

{N}54,{/}3: (3-5) Apela ao Deus libertador, cujo Nome foi revelado no Egipto por ocasi\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o (Ex 3,14). O motivo \u00e9 a press\u00e3o social causada pelos injustos soberbos e violentos, que usurpam o lugar de Deus para oprimir e explorar o povo.

{N}54,{/}6: (6-7) Deus est\u00e1 do lado do que sofre e \u00e9 oprimido. O pobre confia nessa {C}fidelidade{/} de Deus e suplica por justi\u00e7a: que Deus volte contra o injusto o mal que este fabrica contra os outros. 

{N}54,{/}8: (8-9) A alegria dos justos \u00e9 experimentar a bondade de Deus e contemplar a derrota dos opressores.

{N}55,{/}1: (Sl 55) S\u00faplica do justo, acusado e perseguido \u00abna cidade da viol\u00eancia e disc\u00f3rdia\u00bb.

{N}55,{/}2: (2-10) O apelo a Deus nasce das dificuldades externas que t\u00eam repercuss\u00f5es internas: por fora, persegui\u00e7\u00e3o, cal\u00fania e acusa\u00e7\u00e3o; por dentro, medo, ang\u00fastia e ansiedade. O salmista pensa at\u00e9 em fugir: \u00e9 prefer\u00edvel viver no deserto.

{N}55,{/}11: (11-15) Descreve com vigor a corrup\u00e7\u00e3o da cidade, dominada pela viol\u00eancia e disc\u00f3rdia, crime e injusti\u00e7a, opress\u00e3o e fraude. Em lugar da verdade, comunh\u00e3o e partilha, reina a mentira, divis\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. E o pior \u00e9 que at\u00e9 as rela\u00e7\u00f5es mais \u00edntimas se deterioram: o amigo transforma-se em advers\u00e1rio traidor.

{N}55,{/}16: (16-24) Em vez de fugir, o salmista parte para a s\u00faplica: que Deus fa\u00e7a justi\u00e7a, castigando os injustos para resgatar a honra e a vida do inocente. Caracter\u00edstica fundamental do injusto \u00e9 {C}n\u00e3o temer a Deus,{/} ou seja, tenta usurpar o lugar de Deus, tornando-se um falso deus, promotor da escravid\u00e3o e da morte. O v. 23 interrompe a sequ\u00eancia. Talvez seja uma palavra de encorajamento do sacerdote ao suplicante: o justo confia a sua causa ao Deus que faz justi\u00e7a, pois \u00abEle jamais permitir\u00e1 que o justo tropece\u00bb.

{N}56,{/}1: (Sl 56) S\u00faplica durante a persegui\u00e7\u00e3o.

{N}56,{/}2: (2-4) Descri\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da situa\u00e7\u00e3o.

{N}56,{/}5: A solidariedade de Deus com a v\u00edtima faz que o opressor esteja em primeiro lugar contra o pr\u00f3prio Deus. Este refr\u00e3o repete-se nos vv. 11-12.

{N}56,{/}6: (6-7) Nova descri\u00e7\u00e3o dos inimigos: as tramas escondidas s\u00e3o piores que o ataque aberto.

{N}56,{/}8: (8-10) A vida do oprimido e marginalizado parece triste e sem sa\u00edda. Deus, por\u00e9m, est\u00e1 com ele, dando sentido ao sofrimento da sua vida errante. As pr\u00f3prias l\u00e1grimas s\u00e3o o clamor do oprimido, que move Deus a fazer justi\u00e7a, derrubando o opressor.

{N}56,{/}13: (13-14) Ao suplicar, fazia tamb\u00e9m uma promessa de agradecimento. A liberta\u00e7\u00e3o ensina o homem a viver comprometido com o projecto de Deus.

{N}57,{/}1: (Sl 57) S\u00faplica e agradecimento de um refugiado no Templo.

{N}57,{/}2: (2-5) Acusado injustamente, o salmista refugia-se no Templo, que \u00e9 a casa de Deus e de todos aqueles que se encontram em dificuldades. A esperan\u00e7a \u00e9 que Deus manifeste o seu amor e fidelidade, fazendo justi\u00e7a.

{N}57,{/}6: O refr\u00e3o, repetido no v. 12, pede que Deus manifeste a sua gl\u00f3ria, iluminando a Terra com a sua justi\u00e7a.

{N}57,{/}7: (7-11) A ru\u00edna dos inimigos, apanhados nas suas pr\u00f3prias armadilhas, \u00e9 prova de que eram culpados. Os vv. 9-11 trazem um voto de agradecimento a cantar pela manh\u00e3; \u00e9 o momento privilegiado para as gra\u00e7as divinas, \u00e9 o tempo da salva\u00e7\u00e3o (cf. Sl 17,15). O tema: o amor e fidelidade de Jav\u00e9, que ser\u00e3o proclamados ao mundo inteiro. Assim o Deus verdadeiro, pouco a pouco, vai sendo reconhecido por todos.

{N}58,{/}1: (Sl 58) Violenta s\u00faplica em que, \u00e0 maneira dos profetas, o poeta interpela os maus ju\u00edzes, apelando para a justi\u00e7a divina.

{N}58,{/}2: (2-3) A doutrina \u00e9 clara: os ju\u00edzes participam da fun\u00e7\u00e3o divina de administrar a justi\u00e7a, defendendo os fracos e os pobres contra os seus inimigos. Que fazem eles, de facto? Pervertem completamente as suas fun\u00e7\u00f5es, maquinando a injusti\u00e7a e manipulando o direito, para favorecer os injustos.

{N}58,{/}4: (4-6) Os injustos formam uma classe organizada e especialista na fraude. S\u00e3o piores que serpentes) tapam os ouvidos, fechando-se completamente a qualquer possibilidade de mudan\u00e7a. Nem Deus pode fazer nada.

{N}58,{/}7: (7-10) A s\u00faplica assume tom apaixonado e, com seis imagens acumuladas, pede que Deus manifeste a sua justi\u00e7a, fazendo desaparecer os injustos.

{N}58,{/}11: (11-12) A derrota dos injustos \u00e9 motivo de alegria para todos os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a. N\u00e3o se trata de procurar prazer na vingan\u00e7a, mas de dar largas \u00e0 leg\u00edtima alegria pelo triunfo da justi\u00e7a. \u00c9 na realiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a que os homens podem reconhecer a presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o do Deus vivo.

{N}59,{/}1: (Sl 59) S\u00faplica de um judeu da di\u00e1spora ou habitante duma Jerusal\u00e9m paganizada.

{N}59,{/}2: (2-5a) Porque ser\u00e1 que os poderosos perseguem e acusam o inocente? \u00c9 que a simples presen\u00e7a do justo incomoda os projectos perversos.

{N}59,{/}5: (5b-6) Convoca o Deus de Israel a combater contra os inimigos do povo.

{N}59,{/}7: O refr\u00e3o, repetido nos v. 15, caracteriza os injustos pela sua insaci\u00e1vel e selvagem voracidade.

{N}59,{/}8: (8-9) O injusto \u00e9 um ateu pr\u00e1tico: pensa que Deus n\u00e3o v\u00ea a injusti\u00e7a nem ouve os clamores que ela provoca.

{N}59,{/}10: (10-14) Acto de confian\u00e7a unido \u00e0 s\u00faplica pela justi\u00e7a. O amor divino responde de dois modos: salva o inocente e castiga o verdadeiro culpado. \u00c9 nisto que se testemunha o governo de Deus.

{N}59,{/}17: (17-18) Promessa de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, que se realizar\u00e1 pela manh\u00e3.

{N}60,{/}1: (Sl 60) S\u00faplica do povo, ap\u00f3s uma derrota nacional.

{N}60,{/}3: (3-7) O salmo, \u00e0 semelhan\u00e7a dos Sl 44 e 80, sup\u00f5e uma situa\u00e7\u00e3o de derrota e descalabro nacional, talvez a ru\u00edna de Jerusal\u00e9m em 587 a.C. O povo acha-se rejeitado por Deus. A s\u00faplica visa convencer Deus a restaurar a sorte do seu povo escolhido.

{N}60,{/}8: (8-10) \u00c0 s\u00faplica, responde um antigo or\u00e1culo: a terra prometida pertence a Deus, que \u00e9 imaginado como algu\u00e9m deitado em toda a sua extens\u00e3o. Moab, Edom e Filisteia eram reinos vassalos no tempo de David.

{N}60,{/}11: (11-14) Volta o tema da s\u00faplica em forma de di\u00e1logo entre algu\u00e9m (vv. 11-12) e a comunidade (vv. 13-14), na certeza duma viragem de maravilhas.

{N}61,{/}1: (Sl 61) S\u00faplica de um levita exilado, com pedido pelo rei.

{N}61,{/}2: (2-4) Provavelmente deportado na Babil\u00f3nia em 597 a.C., um levita anseia voltar para Jerusal\u00e9m, onde ainda n\u00e3o foi destru\u00eddo o Templo (rocha, ref\u00fagio e torre forte). Ecoa aqui o desejo de todo o exilado ou emigrante: retornar \u00e0 sua terra, para junto dos seus.

{N}61,{/}5: (5-6) O Templo \u00e9 a tenda de Deus no meio do seu povo, que tem heran\u00e7a ou parte na terra prometida. 

{N}61,{/}7: (7-9) Conclui com uma s\u00faplica pelo rei, talvez Sedecias, ou o pr\u00f3prio {C}Messias{/} (cf. Sl 72 e 89).

{N}62,{/}1: (Sl 62) Ora\u00e7\u00e3o individual de confian\u00e7a.

{N}62,{/}2: (2-3) Repetido com pequenas diferen\u00e7as nos vv. 6-7, o refr\u00e3o faz a profiss\u00e3o de f\u00e9 do salmo: s\u00f3 Deus pode merecer confian\u00e7a absoluta, Ele que apoia, protege e salva.

{N}62,{/}4: (4-5) O salmista conta o que se passou. Sofreu ataques de todo o lado; viu falsidade, mentira e duplicidade \u00e0 sua volta.

{N}62,{/}8: (8-11) Li\u00e7\u00e3o para a comunidade: s\u00e3o falsas as seguran\u00e7as oferecidas por uma sociedade fundada na viol\u00eancia, no roubo e na abund\u00e2ncia das riquezas. Ali\u00e1s, \u00e9 grande a fragilidade e leveza, tanto dos \u00abfilhos de Ad\u00e3o\u00bb, como dos \u00abfilhos do homem\u00bb (cf. Sl 49,3).

{N}62,{/}12: (12-13) O homem pode confiar em Deus, porque Este \u00e9 poder e amor. O poder sem amor n\u00e3o inspira confian\u00e7a. O amor sem poder n\u00e3o \u00e9 eficaz para realizar a justi\u00e7a.

{N}63,{/}1: (Sl 63) S\u00faplica de um levita exilado.

{N}63,{/}2: (2-3) Longe do Templo, onde se manifesta a presen\u00e7a do Deus da Alian\u00e7a, o levita sente-se privado do seu elemento vital.

{N}63,{/}4: (4-6) Na esperan\u00e7a de voltar um dia a participar do louvor e banquetes rituais, o salmista reconhece que o amor de Deus vale mais do que a vida. Esta s\u00f3 tem sentido quando movida por esse amor.

{N}63,{/}7: (7-9) Lembran\u00e7a de Deus, no sil\u00eancio da noite. Mesmo longe do Templo e da Terra Prometida, o exilado sente a presen\u00e7a de Deus que lhe sustenta o \u00e2nimo. Trata-se de uma presen\u00e7a muito especial: a aus\u00eancia sentida.

{N}63,{/}10: (10-12) Os inimigos s\u00e3o os deportadores. A men\u00e7\u00e3o do rei, talvez Sedecias, faz pensar que o salmista teria sido deportado em 597 a.C. (cf. notas do Sl 61).

{N}64,{/}1: (Sl 64) S\u00faplica em situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o pol\u00edtica. 

{N}64,{/}2: (2-7) A s\u00faplica do salmista nasce da tomada de consci\u00eancia de que vive numa sociedade totalmente corrompida pelos interesses ambiciosos de um grupo injusto que a domina. Esse grupo vive em conspira\u00e7\u00f5es e tramas para aplicar um projecto injusto, atrav\u00e9s de palavras enganadoras e ac\u00e7\u00f5es que exploram e oprimem o povo inocente.
{N}
64,{/}8: (8-11) O salmista confia que Deus n\u00e3o vai ficar calado e passivo; vai realizar a justi\u00e7a, fazendo o mal voltar-se contra o opressor. Quando isso acontece, as pessoas reconhecem a Deus, e os justos e inocentes alegram-se e felicitam-se.

{N}65,{/}1: (Sl 65) Ora\u00e7\u00e3o colectiva de agradecimento. Ap\u00f3s um ano f\u00e9ril e chuvas suficientes, o povo vem dar gra\u00e7as, por ocasi\u00e3o da festa da Colheita, logo ap\u00f3s o dia do Perd\u00e3o (v. 4).

{N}65,{/}2: (2-3a) Deus {C}ouve a s\u00faplica{/} e responde \u00e0s necessidades. 

{N}65,{/}3: (3b-4) Deus {C}perdoa os pecados,{/} libertando novamente para a vida.

{N}65,{/}5: Deus {C}re\u00fane o seu povo{/} em sua casa e {C}ensina-o a repartir{/} os dons que Ele pr\u00f3prio concedeu.

{N}65,{/}6: Deus \u00e9 a {C}esperan\u00e7a de todos,{/} porque realiza a justi\u00e7a, assumindo a causa dos pobres e oprimidos. 

{N}65,{/}7: Deus \u00e9 o {C}criador do mundo,{/} que Ele sustenta e dirige para a vida.

{N}65,{/}8: (8-9) Deus {C}\u00e9 o Senhor da Hist\u00f3ria{/}. Esta primeira parte (vv. 2-9) faz pensar em Isa\u00edas, devido \u00e0s perspectivas universalistas.

{N}65,{/}10: (10-14) Deus {C}\u00e9 o Senhor da Natureza{/}: Ele providencia para que o ciclo da Natureza se realize e o homem possa viver do fruto do seu trabalho. H\u00e1 quem veja aqui uma evoca\u00e7\u00e3o entusiasta da Primavera na Judeia.

{N}66,{/}1: (1-7) Ao convite para agradecer e cantar (vv. 1-4), seguem-se os motivos: a travessia do mar Vermelho, marcando a liberta\u00e7\u00e3o do Egipto, e a travessia do rio Jord\u00e3o, marcando a conquista da Terra. Os dois factos testemunham que o Deus vivo \u00e9 quem governa a Hist\u00f3ria.
  Sl 66: Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento p\u00fablico.

{N}66,{/}8: (8-12) Novo convite para o louvor agradecido, agora dirigido a todos os povos. O motivo \u00e9 o seguinte: Deus fez alian\u00e7a com um povo, tornando-o testemunha da sua justi\u00e7a. Foi um longo e dif\u00edcil tempo de aprendizagem, com numerosas prova\u00e7\u00f5es \u00e0 mistura.

{N}66,{/}13: (13-15) Algu\u00e9m ou mesmo o porta-voz da comunidade aproveita para fazer o seu agradecimento particular.

{N}66,{/}16: (16-20) Outra pessoa segue o exemplo e conta o seu caso. E assim a comunidade aprende a partilhar e a reconhecer que Deus \u00e9 a fonte da liberta\u00e7\u00e3o e da vida.

{N}67,{/}1: (Sl 67) Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento por ocasi\u00e3o da festa da Colheita.

{N}67,{/}2: (2-8) A colheita abundante \u00e9 sinal da b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus, Senhor da vida, sobre o seu povo aliado. O facto torna-se an\u00fancio para todas as na\u00e7\u00f5es reconhecerem que o Deus verdadeiro \u00e9 tamb\u00e9m o Senhor da Hist\u00f3ria. Ele governa as na\u00e7\u00f5es para que a justi\u00e7a aconte\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 dentro de um povo, mas tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es entre os povos. O poema reflecte o universalismo que est\u00e1 presente na segunda parte de Isa\u00edas.

{N}68,{/}1: (Sl 68) Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento que, em moldes \u00e9picos, aproxima as grandes etapas da Hist\u00f3ria de Israel, do percurso duma prociss\u00e3o triunfal de Jav\u00e9.

{N}68,{/}2: (2-7) Em solene introdu\u00e7\u00e3o, o salmista proclama: Quando Deus Se mostra e Se p\u00f5e em marcha, os inimigos-\u00edmpios dispersam e desmoronam; ao contr\u00e1rio, os justos (incluindo \u00f3rf\u00e3os, vi\u00favas, cativos e solit\u00e1rios) rejubilam, dan\u00e7am e cantam.

{N}68,{/}8: (8-11) Como pastor do seu povo, Jav\u00e9 vai \u00e0 frente em todas as movimenta\u00e7\u00f5es, abalando a realidade inteira (Terra e C\u00e9u). Desde a sa\u00edda do Egipto, \u00e0 caminhada no deserto e ao dom da terra.

{N}68,{/}12: (12-15) A Hist\u00f3ria do povo \u00e9 feita de muitos combates, nomeadamente no tempo dos Ju\u00edzes, mas conta vit\u00f3rias. Gra\u00e7as a isso, o povo pode recuperar e repartir as riquezas que, por direito, lhe pertencem (despojos, ouro e prata).

{N}68,{/}16: (16-19) A prociss\u00e3o chega ao Templo no monte Si\u00e3o. \u00c9 o momento de uma grande transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica: com a monarquia de David e Salom\u00e3o, Israel torna-se imp\u00e9rio, com o que isso traz de realiza\u00e7\u00e3o e risco.

{N}68,{/}20: (20-24) A certeza de que Deus habita no meio do povo, d\u00e1-lhe confian\u00e7a permanente no \u00abDeus que liberta\u00bb, mesmo da morte e da semente do mal introduzido de fora, como Jezabel (cf. 2Rs 9,36).

{N}68,{/}25: (25-28) Nova descri\u00e7\u00e3o, mais pormenorizada, da prociss\u00e3o que se dirige para o Templo, e alus\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa de Ezequias em que participaram as tribos do Norte (cf. 2Cr 30).

{N}68,{/}29: (29-32) S\u00faplica para que Deus manifeste o seu governo poderoso, realizando a justi\u00e7a. Todas as na\u00e7\u00f5es trar\u00e3o os seus tributos, em sinal de vassalagem aceite.

{N}68,{/}33: (33-36) Convite a que todos os reis reconhe\u00e7am que Deus \u00e9 o rei soberano. A hist\u00f3ria do seu povo e todo o universo s\u00e3o testemunhas de que o Deus vivo, desde o santu\u00e1rio, concede ao seu povo for\u00e7a e poder.

{N}69,{/}1: (Sl 69) S\u00faplica de um inocente injustamente acusado. 

{N}69,{/}2: (2-4) N\u00e3o tendo a quem recorrer, a pessoa suplica a Deus, que \u00e9 o ref\u00fagio dos necessitados. 

{N}69,{/}5: O salmista provavelmente foi acusado de roubo. 

{N}69,{/}6: (6-7) A pessoa acusada resiste at\u00e9 ao fim, esperando que Deus a declare inocente, talvez no tribunal do Templo. Se Deus n\u00e3o fizer justi\u00e7a, outros poder\u00e3o desanimar e perder a confian\u00e7a em Deus.

{N}69,{/}8: (8-13) \u00c9 por causa da sua fidelidade a Jav\u00e9 e ao seu projecto que a pessoa acaba por se tornar alvo de ataques e intrigas. Quem quer encontra sempre motivos para criticar. O v. 10 \u00e9 citado em Jo 2,17.

{N}69,{/}14: (14-22) Nada podendo fazer, e n\u00e3o tendo ningu\u00e9m que o defenda, o salmista recorre a Deus numa esp\u00e9cie de desafio: que d\u00ea provas do seu amor e fidelidade. O v. 22 \u00e9 aludido em Mt 27,34.48. 

{N}69,{/}23: (23-29) Este pedido de justi\u00e7a visa a condena\u00e7\u00e3o dos verdadeiros culpados, que muitas vezes se disfar\u00e7am atr\u00e1s de acusa\u00e7\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es contra os justos.

{N}69,{/}30: (30-35) Promessa de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. Quando o pobre e o fraco s\u00e3o libertados, tamb\u00e9m os outros se alegram e se encorajam, descobrindo que Deus \u00e9 seu aliado. Esta \u00e9 a maior gl\u00f3ria de Deus.

{N}69,{/}36: (36-37) Aditamento posterior, que adapta o salmo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do ex\u00edlio.

{N}70,{/}1: (Sl 70) S\u00faplica dentro de um conflito social. Este salmo \u00e9 transcri\u00e7\u00e3o do Sl 40,14-18 (cf. notas).

{N}71,{/}1: (1-3) Depois de uma vida inteira dedicada \u00e0 fidelidade a Deus, a doen\u00e7a na velhice podia ser interpretada como castigo.
  Sl 71: S\u00faplica de uma pessoa idosa e doente.

{N}71,{/}4: (4-8) Olhar para o passado: uma vida inteira foi vivida na esperan\u00e7a e confian\u00e7a. Deus protegeu continuamente o salmista, que reconhece o facto e proclama esse louvor.

{N}71,{/}9: (9-11) Mesmo na velhice, o justo tem inimigos \u00e0 espera do momento prop\u00edcio para o atacarem. 

{N}71,{/}12: (12-13) Apelo \u00e0 justi\u00e7a de Deus.

{N}71,{/}14: (14-16) Enquanto espera a liberta\u00e7\u00e3o, o justo confia tanto, que j\u00e1 promete proclam\u00e1-la atrav\u00e9s do louvor.

{N}71,{/}17: (17-19) O anci\u00e3o justo \u00e9 uma testemunha da ac\u00e7\u00e3o de Deus na Hist\u00f3ria. Atrav\u00e9s dele se perpetua a mem\u00f3ria do projecto de Deus dentro da consci\u00eancia do povo.

{N}71,{/}20: (20-24) A total confian\u00e7a na interven\u00e7\u00e3o de Deus leva a prometer a ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as.

{N}72,{/}1: (1-4) \u00c9 fun\u00e7\u00e3o da autoridade realizar a justi\u00e7a e implantar o direito, para que haja paz. Mas, o que \u00e9 a justi\u00e7a? \u00c9 defender a causa dos pobres contra os opressores. Segundo a B\u00edblia, portanto, o exerc\u00edcio da autoridade deve espelhar a ac\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Deus, que liberta o pobre e o fraco.
  Sl 72: Na entroniza\u00e7\u00e3o dum rei, esta prece articula pedidos, votos e or\u00e1culos; \u00e9 um excelente e quase divino programa de governo. Sob a dedicat\u00f3ria a Salom\u00e3o, perfila-se o rei messi\u00e2nico, anunciado em Is 9,5;11,1-5, lembrando a fun\u00e7\u00e3o da autoridade e desejando que o rei a realize.

{N}72,{/}5: (5-8) O povo deseja que o rei permane\u00e7a para sempre e estenda sempre mais a sua ac\u00e7\u00e3o.

{N}72,{/}9: (9-14) O desejo amplia-se para a esfera internacional: que as autoridades de outras na\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m obede\u00e7am a Deus, trazendo-Lhe tributos e presentes. A governa\u00e7\u00e3o ideal desabrochar\u00e1 em fraternidade que inclua os pequenos sem amparo e os pobres sem ajuda.

{N}72,{/}15: (15-17) O povo bendiz a autoridade justa, porque esta coloca ao alcance de todos a abund\u00e2ncia e a prosperidade. O v. 17 \u00e9 um desejo: que a fama dessa autoridade perdure e seja b\u00ean\u00e7\u00e3o para todos os povos.

{N}72,{/}18: (18-20) Pequeno hino de louvor, encerrando o segundo livro do Salt\u00e9rio, formado pelos salmos 42 a 72. O que antes era desejado para o rei, agora \u00e9 proclamado a respeito de Deus.

{N}73,{/}1: (1-3) A prosperidade dos injustos \u00e9 um grande esc\u00e2ndalo, que p\u00f5e em d\u00favida a doutrina tradicional (v. 1), tenta e alicia os justos.
  Sl 73: Medita\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o sobre a justi\u00e7a final. Intrigado pelas anomalias que v\u00ea \u00e0 sua volta um s\u00e1bio aponta a ef\u00e9mera felicidade dos maus, que contrasta com a paz da amizade divina.

{N}73,{/}4: (4-12) Retrato do \u00edmpio visto pelo justo. \u00c9 um privilegiado: goza de boa sa\u00fade, n\u00e3o sofre, age com soberba e viol\u00eancia, e vive a tramar injusti\u00e7as. A sua ambi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem limites; e tudo se passa impunemente, inclusive blasfemando: \u00abDeus n\u00e3o sabe de nada!\u00bb

{N}73,{/}13: (13-17) O justo olha para si mesmo e acha que n\u00e3o vale a pena ser justo. Que fazer? Concordar com as posi\u00e7\u00f5es \u00edmpias? Seria trai\u00e7\u00e3o! A solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em perceber o mist\u00e9rio de Deus, que \u00e9 o seu modo de agir na Hist\u00f3ria.

{N}73,{/}18: (18-22) Deus faz justi\u00e7a, arruinando de modo exemplar os planos e vidas injustas. Se o homem n\u00e3o compreende isso, \u00e9 porque ainda n\u00e3o entendeu o projecto de Deus.

{N}73,{/}23: (23-26) Na expectativa, o justo \u00e9 conduzido \u00e0 gl\u00f3ria, pela m\u00e3o divina; na Terra ou no C\u00e9u, sabe quem \u00e9 a sua heran\u00e7a e sente-se transfigurado.

{N}73,{/}27: (27-28) A Hist\u00f3ria \u00e9 testemunha do julgamento de Deus: quem se afasta e cai na infidelidade, n\u00e3o vai longe. O justo aproxima-se do Senhor e n\u00e3o se cansar\u00e1 de proclamar as suas obras.

{N}74,{/}1: (1-9) O saque e profana\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m est\u00e3o na base desta lamenta\u00e7\u00e3o sobre as ru\u00ednas. Resultante da invas\u00e3o babil\u00f3nica (cf. 2Rs 25,9; Is 64,10) ou da f\u00faria helenista (cf. 1Mc 1,21-24; 4,38), a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 equivalente: destrui\u00e7\u00e3o, ex\u00edlio, sil\u00eancio dos profetas (Lm 2,9).
  Sl 74: S\u00faplica do povo numa desgra\u00e7a nacional: destrui\u00e7\u00e3o do Templo e ex\u00edlio.

{N}74,{/}10: (10-17) Porqu\u00ea e at\u00e9 quando? Est\u00e1 em causa o {C}Nome de Deus,{/} aliado a um povo humilhado. A seguir, recorda-se a passagem do Mar Vermelho (da escravid\u00e3o para a liberdade) e a passagem do rio Jord\u00e3o (da liberdade para a heran\u00e7a da terra). Os vv. 16-17 evocam que Deus \u00e9 o Criador do Universo. \u00c9 a este Senhor da Hist\u00f3ria e do Universo que o povo suplica, pedindo que o liberte.

{N}74,{/}18: (18-23) A liberta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 obra da justi\u00e7a: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel libertar os exilados sem julgar os opressores. Estes, reduzindo o povo \u00e0 pobreza e escravid\u00e3o, ultrajaram o Nome do pr\u00f3prio Deus.

{N}75,{/}1: (Sl 75) Ora\u00e7\u00e3o em estilo prof\u00e9tico, anunciando o julgamento.

{N}75,{/}2: Talvez o contexto lit\u00fargico, em que o povo d\u00e1 gra\u00e7as, invoca a Deus e recorda as suas ac\u00e7\u00f5es na Hist\u00f3ria. 

{N}75,{/}3: (3-4) Senhor da Hist\u00f3ria e do Universo, Deus \u00e9 quem decide o tempo e determina o lugar do julgamento. Tal \u00e9 a palavra prof\u00e9tica, dirigida aos \u00edmpios arrogantes.

{N}75,{/}5: (5-9) O julgamento realiza a justi\u00e7a: cada um \u00e9 tratado conforme a op\u00e7\u00e3o que fez. N\u00e3o \u00e9 o arb\u00edtrio, mas o resultado do que se viveu.

{N}75,{/}10: (10-11) Ao contemplar as viragens que ajustam a realidade aos princ\u00edpios, o justo alegra-se e canta.

{N}76,{/}1: (Sl 76) Hino a Jerusal\u00e9m, morada do Deus tem\u00edvel que leva a Hist\u00f3ria ao seu fim.

{N}76,{/}2: (2-4) Assim como escolheu um povo, Deus escolheu a cidade de Jerusal\u00e9m. A partir da\u00ed, Ele governa a Hist\u00f3ria, fundando um reino de justi\u00e7a e paz.

{N}76,{/}5: (5-8) A partir e atrav\u00e9s da sua presen\u00e7a hist\u00f3rico-geogr\u00e1fica, Deus orienta o rumo das na\u00e7\u00f5es, pondo de lado, com autoridade indiscut\u00edvel, os que n\u00e3o alinham.

{N}76,{/}9: (9-11) O centro da ac\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 realizar a justi\u00e7a, quer dizer: \u00absalvar todos os pobres da Terra\u00bb. Para tanto, Ele derrota o orgulho humano. Assim, os que se convertem \u00e0 ac\u00e7\u00e3o de Deus passam a fazer parte do povo que Ele salvou.

{N}76,{/}12: (12-13) A soberania de Deus sobre o Universo e a Hist\u00f3ria derruba a pretens\u00e3o de todos os poderosos. Deus \u00e9 terr\u00edvel para aqueles que pretendem usurpar-Lhe o poder.

{N}77,{/}1: (Sl 77) Ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica, na trag\u00e9dia, e medita\u00e7\u00e3o sobre o passado de Israel.

{N}77,{/}2: (2-11) Diante da situa\u00e7\u00e3o calamitosa vivida, o salmista perde o sono e busca uma explica\u00e7\u00e3o: Ser\u00e1 que Deus rejeitou o seu povo? Ser\u00e1 que esqueceu a sua promessa, miseric\u00f3rdia e amor? E conclui: Deus mudou o seu projecto e quer algo novo e diferente do seu povo.

{N}77,{/}12: (12-21) A dificuldade do presente faz voltar ao passado, buscando a\u00ed um sentido novo. A Hist\u00f3ria testemunha as interven\u00e7\u00f5es de Deus para libertar o seu povo. O milagre do Mar Vermelho assume perspectivas c\u00f3smicas  (cf. Job 7,12); a apari\u00e7\u00e3o do Sinai imp\u00f5e respeito (cf. Ex 19,16); os chefes e pastores Mois\u00e9s e Aar\u00e3o s\u00e3o desejados de novo.

{N}78,{/}1: (1-2) A Hist\u00f3ria \u00e9 {C}instru\u00e7\u00e3o{/} que ensina o povo a viver. N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, instru\u00e7\u00e3o directa. De facto, os acontecimentos s\u00e3o {C}par\u00e1bolas,{/} ou {C}enigmas{/} cujo sentido \u00e9 preciso captar. A chave da f\u00e9 ajuda a perceber que a Hist\u00f3ria \u00e9 o lugar onde Deus actua e conduz o povo.
  Sl 78: Medita\u00e7\u00e3o sapiencial, inspirada no Deuteron\u00f3mio, sobre a hist\u00f3ria de Israel. A Hist\u00f3ria testemunha os benef\u00edcios de Deus e, ao mesmo tempo, o esquecimento e infidelidade do povo. A mem\u00f3ria \u00e9 a raiz da fidelidade, enquanto o esquecimento leva \u00e0 infidelidade. 

{N}78,{/}3: (3-6) A Hist\u00f3ria \u00e9 uma sucess\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es que transmitem uma \u00e0 outra a consci\u00eancia hist\u00f3rica ou {C}mem\u00f3ria activa,{/} cujo centro \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de Deus e as ac\u00e7\u00f5es maravilhosas que Ele realizou em favor do seu povo.

{N}78,{/}7: (7-8) Para qu\u00ea contar a Hist\u00f3ria? Para que a nossa gera\u00e7\u00e3o confie em Deus e viva segundo o seu projecto. E tamb\u00e9m para que a nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o repita os erros e infidelidades passadas.

{N}78,{/}9: (9-31) O salmista sublinha a responsabilidade de Efraim (aludindo talvez ao cisma dos samaritanos, cf. Zc 11,14), e de quantos n\u00e3o guardaram a alian\u00e7a nem aderiram \u00e0s maravilhas do \u00eaxodo e da marcha no deserto, durante a qual nunca faltou bebida ou alimento.

{N}78,{/}32: (32-39) A descren\u00e7a em Deus e no seu projecto empobrece e encurta a vida do povo. \u00c9 grande a inconst\u00e2ncia de Israel, que clama na necessidade, recebe a salva\u00e7\u00e3o e esquece, voltando aos mesmos erros. \u00c9 maior a paci\u00eancia divina, que supera tudo com a sua compaix\u00e3o, porque sabe, melhor do que os homens, que a condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 fr\u00e1gil.

{N}78,{/}40: (40-55) As infidelidades repetem-se pela aus\u00eancia dessa mem\u00f3ria. O salmista relembra a liberta\u00e7\u00e3o do Egipto, recordando sete pragas: uma verdadeira luta entre Deus e o Fara\u00f3. Tudo para libertar o povo, gui\u00e1-lo com seguran\u00e7a e faz\u00ea-lo conquistar a Terra.

{N}78,{/}56: (56-64) Novas infidelidades e afrontas, na Terra Prometida, nos tempos de Samuel e Saul. O povo abandonou o projecto de Deus? Sente-se agora abandonado, entregue aos interesses estrangeiros.

{N}78,{/}65: (65-72) O salmista termina, aludindo de novo \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o de Efraim, destacando a elei\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1 e de Si\u00e3o, a cidade santa, e a escolha de David, tipo do Messias desejado.

{N}79,{/}1: (1-4) Descreve a trag\u00e9dia causada pela invas\u00e3o babil\u00f3nica em 586 a.C. A s\u00faplica procura comover a Deus, mostrando que o principal atingido \u00e9 Ele pr\u00f3prio, porque se trata da {C}tua{/} heran\u00e7a, do {C}teu{/} Templo, dos {C}teus{/} servos, dos {C}teus{/} fi\u00e9is.
  Sl 79: Queixa e s\u00faplica, durante o ex\u00edlio.

{N}79,{/}5: (5-12) Deus tem que libertar o seu povo em vista da sua honra pessoal e do Nome que revelou no passado (Ex 3,14). Caso contr\u00e1rio, as na\u00e7\u00f5es inimigas ir\u00e3o perguntar ironicamente: \u00abOnde \u00e9 que est\u00e1 o vosso Deus?\u00bb

{N}79,{/}13: No ex\u00edlio, o povo confia que Deus, seu pastor, o libertar\u00e1. A s\u00faplica transforma-se em ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e o louvor j\u00e1 proclama a liberta\u00e7\u00e3o futura.

{N}80,{/}1: (Sl 80) Ora\u00e7\u00e3o colectiva de s\u00faplica, por ocasi\u00e3o de uma invas\u00e3o inimiga.

{N}80,{/}2: (2-3) Israel e Jos\u00e9 representam o reino do Norte, do qual se mencionam tr\u00eas tribos. Trata-se de uma s\u00faplica, talvez motivada pela invas\u00e3o ass\u00edria, que destruiu o reino de Israel em 722 a.C.

{N}80,{/}4: Refr\u00e3o que se repete nos vv. 8 e 20, ampliando a cada vez o que se pede ao Nome de Deus. Ele est\u00e1 sempre no meio do seu povo. No entanto, os momentos de perigo e dificuldade s\u00e3o ocasi\u00f5es para as suas grandes manifesta\u00e7\u00f5es.

{N}80,{/}5: (5-7) Jav\u00e9 dos Ex\u00e9rcitos \u00e9 o t\u00edtulo do Deus guerreiro, que luta junto com o seu povo. A derrota frente ao inimigo \u00e9 interpretada como castigo divino.

{N}80,{/}9: (9-12) A situa\u00e7\u00e3o presente contrasta com a Hist\u00f3ria que Deus j\u00e1 realizou com o seu povo: liberta\u00e7\u00e3o do Egipto, ocupa\u00e7\u00e3o da Terra, expans\u00e3o no tempo do rei David. A imagem da videira ou vinha \u00e9 comum para representar o povo de Deus.

{N}80,{/}13: (13-19) S\u00faplicas repetidas, apresentando o motivo para Deus agir: trata-se da {C}tua{/} videira, da {C}tua{/} vinha. A situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 tamb\u00e9m momento para tomada de consci\u00eancia e convers\u00e3o (v. 19).

{N}81,{/}1: (Sl 81) Acusa\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, convidando o povo \u00e0 convers\u00e3o.

{N}81,{/}2: (2-6a) Introdu\u00e7\u00e3o em forma de hino, que anuncia o or\u00e1culo ao jeito deuteron\u00f3mico. A ocasi\u00e3o \u00e9 a festa das Tendas, a festa por excel\u00eancia, que comemora a estada no deserto e o dom das Lei no Sinai.

{N}81,{/}6: (6b-11) Um profeta toma a palavra para recordar os factos fundamentais da f\u00e9 e da Hist\u00f3ria: liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, tenta\u00e7\u00e3o no deserto e teofania no Sinai. Tudo isso d\u00e1 direito a interrogar o povo, que violou o primeiro mandamento; abandonando o Deus libertador para servir os \u00eddolos.

{N}81,{/}12: (12-17) A infidelidade acarreta o castigo: Deus abandona o povo ao rumo que escolheu. Mas o tom nost\u00e1lgico da amea\u00e7a insiste para que o povo volte a si e se converta.

{N}82,{/}1: (1-5) Governantes e ju\u00edzes s\u00e3o chamados \u00abdeuses\u00bb porque exercem uma fun\u00e7\u00e3o que pertence a Deus: fazer justi\u00e7a. Ora, o n\u00facleo da justi\u00e7a \u00e9 proteger e defender os indefesos, livrar os pobres e humildes das garras opressoras. Quando pervertem essa fun\u00e7\u00e3o, usando do poder para legitimar a injusti\u00e7a, a sociedade transforma-se em caos, apesar da ordem aparente.
  Sl 82: Ora\u00e7\u00e3o colectiva de s\u00faplica, interpelando os governantes e ju\u00edzes corruptos.

{N}82,{/}6: (6-7) Advert\u00eancia: Deus lembra a esses poderosos que, mau grado a fun\u00e7\u00e3o que desempenham, partilham a \u00fanica condi\u00e7\u00e3o humana. Tamb\u00e9m morrem e devem obedi\u00eancia \u00e0 vontade de Deus.

{N}82,{/}8: No meio do caos, o povo suplica a Deus que entre em ac\u00e7\u00e3o, pois o Senhor da Hist\u00f3ria, e s\u00f3 Ele, poder\u00e1 fazer que a justi\u00e7a triunfe.

{N}83,{/}1: (Sl 83) Ora\u00e7\u00e3o colectiva de s\u00faplica, diante da amea\u00e7a militar de povos vizinhos.

{N}83,{/}2: (2-9) S\u00faplica veemente, motivando Deus a agir frente ao perigo de na\u00e7\u00f5es inimigas que amea\u00e7am o seu povo. S\u00e3o inimigas do pr\u00f3prio Deus, pois \u00e9 plano delas aniquilar o projecto de que Israel \u00e9 guardi\u00e3o e portador.

{N}83,{/}10: (10-13) Recorda-se o tempo dif\u00edcil das lutas contra as cidades-estado cananeias, relatadas no livro dos Ju\u00edzes. A terra de Israel \u00e9 heran\u00e7a de Deus para o seu povo.

{N}83,{/}14: (14-19) A s\u00faplica n\u00e3o pede a destrui\u00e7\u00e3o pura e simples do opressor, mas visa a liberta\u00e7\u00e3o de Israel e uma oportunidade para os opressores reconhecerem que Deus \u00e9 o Senhor da Hist\u00f3ria.

{N}84,{/}1: (Sl 84) Hino a Jerusal\u00e9m, canto de peregrina\u00e7\u00e3o.

{N}84,{/}2: (2-4) A import\u00e2ncia de Jerusal\u00e9m reside no Templo, casa do Deus da Alian\u00e7a, e tamb\u00e9m casa de todo o povo. Ao entrar, o peregrino sente-se livre e \u00e0 vontade, como os p\u00e1ssaros que a\u00ed revoam e fazem os seus ninhos.

{N}84,{/}5: (5-8) O h\u00f3spede divino do Templo \u00e9 fonte de felicidade e de gra\u00e7a, tanto para os peregrinos como para os frequentadores regulares do santu\u00e1rio (vv. 5 e 11).

{N}84,{/}9: (9-10) S\u00faplica pelo rei (ungido), a quem cabe a miss\u00e3o de tornar presente a ac\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Deus.

{N}84,{/}11: (11-13) Em Jerusal\u00e9m o povo redescobre o sentido da pr\u00f3pria vida, refaz o seu compromisso com o projecto de Deus e reconhece que Este aben\u00e7oa quem vive aquilo que celebrou em Jerusal\u00e9m. 

{N}85,{/}1: (Sl 85) Ora\u00e7\u00e3o colectiva de s\u00faplica, logo ap\u00f3s o regresso do ex\u00edlio.

{N}85,{/}2: (2-4) Refere-se \u00e0 recente liberta\u00e7\u00e3o. O ex\u00edlio teve valor de purifica\u00e7\u00e3o, pois fez desaparecer o pecado do povo, isto \u00e9, a sua infidelidade a Deus.

{N}85,{/}5: (5-8) Ao chegar do ex\u00edlio, o povo defronta-se com graves dificuldades: organizar a comunidade, restabelecer o culto, reconstruir o Templo, sanar s\u00e9rios problemas sociais. O que s\u00f3 ser\u00e1 realiz\u00e1vel com o empenhamento de Deus.

{N}85,{/}9: (9-14) A essa s\u00faplica responde um or\u00e1culo: Deus anuncia a paz, plenitude de condi\u00e7\u00f5es de vida, se o povo se converter. A gl\u00f3ria ou presen\u00e7a de Deus volta \u00e0 Terra (cf. Ez 11,23 e 43,2), acompanhada pelo amor, fidelidade, justi\u00e7a e paz, que produzem prosperidade para todo o povo.

{N}86,{/}1: (1-5) S\u00e9rie de s\u00faplicas, apresentando os motivos para Deus agir. Destes, o fundamental \u00e9 que Jav\u00e9 atende sempre a quem O invoca.
  Sl 86: Ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica, em tempo de perigo e persegui\u00e7\u00e3o, talvez na \u00e9poca dos Macabeus.

{N}86,{/}6: (6-10) A certeza de ser atendido d\u00e1 lugar ao louvor, no qual se reconhece que Deus \u00e9 \u00fanico e universal.

{N}86,{/}11: (11-13) Deus exige a integridade, isto \u00e9, que o homem sirva apenas a Ele e ao seu projecto. Os vv. 12-13 j\u00e1 adiantam a ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as.

{N}86,{/}14: (14-17) Retoma a s\u00faplica, agora descrevendo a persegui\u00e7\u00e3o. A liberta\u00e7\u00e3o levar\u00e1 os inimigos a reconhecerem que Deus \u00e9 aliado dos pobres e oprimidos. 

{N}87,{/}1: (1-7) Cidade de Deus, Jerusal\u00e9m tem a voca\u00e7\u00e3o de ser a m\u00e3e do povo, e de se expandir, reunindo gente de todas as na\u00e7\u00f5es. Esse papel passar\u00e1 mais tarde para a comunidade crist\u00e3, aberta a todos.
  Sl 87: Hino a Jerusal\u00e9m, p\u00e1tria do povo de Deus e m\u00e3e doutras na\u00e7\u00f5es.

{N}88,{/}1: (Sl 88) S\u00faplica das profundezas da mis\u00e9ria.

{N}88,{/}2: (2-10a) O salmista j\u00e1 se sente na morada dos mortos. Para o israelita, esse facto significa ficar longe da Hist\u00f3ria, onde Deus est\u00e1 presente e age e, portanto, estar \u00e0 margem do povo de Deus, longe do culto, da salva\u00e7\u00e3o, completamente esquecido.

{N}88,{/}10: (10b-13) O motivo subtil da s\u00faplica \u00e9 que o pr\u00f3prio Deus vir\u00e1 a perder com a morte do salmista.

{N}88,{/}14: (14-19) Volta o tema da s\u00faplica: o salmo termina em sofrimento e solid\u00e3o, sem esperan\u00e7a aparente.

{N}89,{/}1: (Sl 89) Ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica numa cat\u00e1strofe nacional, com especial men\u00e7\u00e3o da promessa de Deus feita \u00e0 dinastia de David.

{N}89,{/}2: (2-3) O amor e a fidelidade s\u00e3o termos b\u00e1sicos da Alian\u00e7a e d\u00e3o a t\u00f3nica a todo este Salmo.

{N}89,{/}4: (4-5) A Alian\u00e7a com David fundou uma dinastia perp\u00e9tua.

{N}89,{/}6: (6-15) Hino de louvor, proclamando a soberania de Jav\u00e9 sobre o mundo criado e a Hist\u00f3ria humana. Deus est\u00e1 acima de tudo e de todos; age com justi\u00e7a e direito, no amor e fidelidade.

{N}89,{/}16: (16-19) O povo de Israel orgulha-se de ser o escolhido de Jav\u00e9, com a sua fun\u00e7\u00e3o principal de proclamar, atrav\u00e9s do louvor, o Deus que \u00e9 a sua alegria, honra, for\u00e7a, orgulho, protec\u00e7\u00e3o e Rei.

{N}89,{/}20: (20-30) No meio do seu povo, Deus escolheu David e a sua dinastia, chamados a serem instrumentos para libertar o povo e faz\u00ea-lo viver na justi\u00e7a. Tal \u00e9 a promessa messi\u00e2nica.

{N}89,{/}31: (31-38) Essa alian\u00e7a com David foi feita com juramento e, por isso, \u00e9 perp\u00e9tua. Mas h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o: que os descendentes sejam fi\u00e9is. Caso contr\u00e1rio, Deus castig\u00e1-los-\u00e1.

{N}89,{/}39: (39-46) A actual situa\u00e7\u00e3o humilhante do povo e do seu rei fazem pensar que Deus est\u00e1 a ser infiel \u00e0s pr\u00f3prias promessas. Como ser\u00e1 isto poss\u00edvel?

{N}89,{/}47: (47-52) Violenta interpela\u00e7\u00e3o a Deus, para O fazer voltar ao amor e fidelidade, restabelecendo a dignidade do rei.

{N}89,{/}53: Brev\u00edssimo hino para encerrar o terceiro livro do Salt\u00e9rio, formado pelos salmos 73 a 89.

{N}90,{/}1: (1-6) O que \u00e9 a vida humana diante da eternidade de Deus? Deus ultrapassa as gera\u00e7\u00f5es humanas e toda a Cria\u00e7\u00e3o. Enquanto isto, o homem vive poucos dias e acaba na morte.
  Sl 90: Ora\u00e7\u00e3o colectiva de s\u00faplica, perante a fragilidade e brevidade da vida humana.

{N}90,{/}7: (7-12) A vida humana torna-se ainda mais curta por causa do pecado e das suas consequ\u00eancias: al\u00e9m de breve, parece fadiga in\u00fatil. O homem \u00e9 t\u00e3o fr\u00e1gil que n\u00e3o pode sequer suportar a for\u00e7a e o peso da ira de Deus, que \u00e9 castigo pelo pecado. Que fazer? O v. 12 mostra que, diante dessa realidade, s\u00f3 resta pedir que Deus nos d\u00ea um cora\u00e7\u00e3o s\u00e1bio, para viver bem o tempo de que dispomos.

{N}90,{/}13: (13-17{N}) {/}Estes vers\u00edculos alargam a perspectiva a todo o Israel. S\u00faplica para que Deus preencha esta vida breve com alegria e j\u00fabilo, compensando os anos maus e tristes. \u00c9 contemplando a obra de Deus na Hist\u00f3ria que se aprende a viver, suplicando sempre que Deus aben\u00e7oe e confirme aquilo que o homem realiza com tanto esfor\u00e7o.

{N}91,{/}1: (1-2) Um sacerdote convida o fiel a confiar em Deus. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 feita no Templo, que goza do direito inviol\u00e1vel de asilo para todos os que se encontram em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis.
  Sl 91: Medita\u00e7\u00e3o que desenvolve o ensino tradicional dos s\u00e1bios sobre a protec\u00e7\u00e3o divina dada ao justo (cf. Job 5,19).

{N}91,{/}3: (3-7) Evoca\u00e7\u00e3o dos diversos perigos, flagelos e ataques. Deus livra da rede do ca\u00e7ador; protege debaixo das suas asas,

{N}91,{/}8: (8-13) Certo da protec\u00e7\u00e3o divina, o justo pode confiar, no meio de qualquer perigo. Junto a Deus, ele poder\u00e1 ver a derrota dos injustos, abandonados \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Os vers\u00edculos 11-12 ser\u00e3o citados por Mt 4,6 e Lc 4,10-11.

{N}91,{/}14: (14-16) O or\u00e1culo divino, com for\u00e7a da alian\u00e7a, sup\u00f5e que o fiel passar\u00e1 por priva\u00e7\u00f5es, sem perecer. A express\u00e3o \u00abEu estarei com ele\u00bb \u00e9 desdobrada em sete afirma\u00e7\u00f5es: Deus liberta, protege, responde, restabelece a honra (glorifica), d\u00e1 vida longa e consci\u00eancia da salva\u00e7\u00e3o que Deus vai realizando.

{N}92,{/}1: (Sl 92) Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento e canto do justo.

{N}92,{/}2: (2-7) O grande sentido e alegria da vida humana est\u00e3o em reconhecer e anunciar o amor e fidelidade de Deus, revelados nas suas obras, que testemunham a solicitude e compromisso com os humanos. Quem n\u00e3o compreende isso, desconhece o sentido da vida e da Hist\u00f3ria.

{N}92,{/}8: (8-12) Os injustos parecem triunfar, mas o Senhor da Hist\u00f3ria \u00e9 Jav\u00e9. Est\u00e1 ao lado dos justos; os maus perecer\u00e3o.

{N}92,{/}13: (13-16) Aliados a Jav\u00e9, os justos s\u00e3o persistentes e cheios de vida, para anunciarem, na Hist\u00f3ria, que Deus \u00e9 honesto e n\u00e3o pactua com a injusti\u00e7a.

{N}93,{/}1: (1-2) Acima de todos os poderes do mundo, o pr\u00f3prio mundo \u00e9 trono de Deus, que reina desde sempre e para sempre.
  Sl 93: Hino \u00e0 realeza e majestade de Deus, soberano universal. 

{N}93,{/}3: (3-4) As \u00e1guas s\u00e3o s\u00edmbolo do caos primitivo, que Deus ordenou para realizar a obra da cria\u00e7\u00e3o.

{N}93,{/}5: Os testemunhos s\u00e3o os mandamentos, que manifestam a santidade de Deus, criando a hist\u00f3ria da liberdade e da vida. S\u00e3o t\u00e3o imut\u00e1veis e duradoiros como as leis do universo f\u00edsico.

{N}94,{/}1: (1-2) Apelo a Deus para que intervenha como juiz, castigando os opressores, a fim de proteger do exterm\u00ednio o seu povo.
  Sl 94: Ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica colectiva, denunciando a injusti\u00e7a institucionalizada como \u00abordem\u00bb. 

{N}94,{/}3: (3-7) Os opressores constroem uma estrutura que, para defender os seus privil\u00e9gios e interesses, acaba por deixar o povo na mis\u00e9ria e escravid\u00e3o. O c\u00famulo da soberba \u00e9 cortar qualquer possibilidade de justi\u00e7a, chegando a negar que Deus Se importe com a situa\u00e7\u00e3o.

{N}94,{/}8: (8-11) Invectiva os opressores, salientando os recursos que Deus tem \u00e0 m\u00e3o, face ao vazio dos planos humanos.

{N}94,{/}12: (12-15) Povo s\u00e1bio \u00e9 aquele que aprende a viver segundo o projecto de Deus. \u00c9 com esse povo que Deus Se alia, dando-lhe esperan\u00e7a de justi\u00e7a e vida.

{N}94,{/}16: (16-23) Deus age na Hist\u00f3ria para realizar a justi\u00e7a, o que em nada dispensa o empenhamento do povo pela mesma causa. Embora as estruturas injustas subsistam, elas est\u00e3o votadas ao fracasso, porque h\u00e1 um Deus de justi\u00e7a atento.

{N}95,{/}1: (1-5) O motivo do louvor \u00e9 o pr\u00f3prio Deus vivo e grande que criou o mundo e est\u00e1 acima de todos os deuses. O \u00abRochedo que nos salva\u00bb alude \u00e0 pedra da qual jorrou \u00e1gua no deserto (Ex 17,1-7).
  Sl 95: Ora\u00e7\u00e3o de louvor, com advert\u00eancia prof\u00e9tica.

{N}95,{/}6: (6-7a) O Soberano do Universo criou o povo e com ele fez alian\u00e7a, dirigindo-o na Hist\u00f3ria como pastor.

{N}95,{/}7: (7b-11) Advert\u00eancia e amea\u00e7a prof\u00e9tica: Escutai! N\u00e3o endure\u00e7ai os cora\u00e7\u00f5es! Os antepassados foram impedidos de entrar na Terra Prometida! Deus olha para o que se faz hoje.

{N}96,{/}1: (1-6) Louvor a Jav\u00e9, proclamando a sua vit\u00f3ria sobre os \u00eddolos das na\u00e7\u00f5es. A fun\u00e7\u00e3o do povo de Deus \u00e9 testemunhar na Hist\u00f3ria, atrav\u00e9s do louvor e da ac\u00e7\u00e3o, o Deus vivo que derrota os \u00eddolos.
  Sl 96: Hino \u00e0 realeza de Deus, e ao advento do Juiz do mundo. Com outra vers\u00e3o em 1Cr 16,23-33, o poema est\u00e1 tecido de reminisc\u00eancias de outros salmos e de Isa\u00edas.

{N}96,{/}7: (7-10) A proclama\u00e7\u00e3o central deste louvor \u00e9 a realeza de Deus, soberano do Universo e da Hist\u00f3ria.

{N}96,{/}11: (11-13) Toda a realidade \u00e9 convidada a participar do louvor com que o povo aclama o seu Deus, rei e juiz. A sua realeza torna-se realidade na hist\u00f3ria \u00e0 medida que a justi\u00e7a triunfa sobre a injusti\u00e7a.

{N}97,{/}1: (1-6) No culto, o povo celebra as manifesta\u00e7\u00f5es de Deus na Hist\u00f3ria, intervindo para fazer justi\u00e7a. 
  Sl 97: Hino \u00e0 realeza de Deus, que derrota os \u00eddolos das na\u00e7\u00f5es.

{N}97,{/}7: (7-10) Diante do Deus que faz justi\u00e7a, os id\u00f3latras envergonham-se e o povo de Deus alegra-se, pois \u00e0 medida que age, Deus desmente os \u00eddolos das na\u00e7\u00f5es.

{N}97,{/}11: (11-12) As interven\u00e7\u00f5es de Deus na Hist\u00f3ria abrem horizontes de esperan\u00e7a: o justo rejubila e celebra a sua mem\u00f3ria de santidade.

{N}98,{/}1: (1-3) Deus fez maravilhas. Deu a conhecer \u00e0s na\u00e7\u00f5es a salva\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a, a fidelidade.
  Sl 98: Hino \u00e0 realeza de Deus. Tem alcance escatol\u00f3gico (prevendo a sua vit\u00f3ria final), \u00e9 inspirado no fim do livro de Isa\u00edas e pr\u00f3ximo do salmo 96.

{N}98,{/}4: (4-6) O louvor \u00e9 uma forma de revelar a realeza de Deus ao mundo inteiro.

{N}98,{/}7: (7-9) Essa revela\u00e7\u00e3o \u00e9 fonte de alegria e esperan\u00e7a, porque em cada interven\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, Deus funda a justi\u00e7a e o direito, implantando o seu Reino, em benef\u00edcio de todos.

{N}99,{/}1: (1-3) A realeza de Deus, justo e santo, faz tremer os povos e governos mergulhados em desigualdades e injusti\u00e7as.
  Sl 99: Hino \u00e0 realeza de Deus, com tr\u00eas aclama\u00e7\u00f5es \u00e0 sua santidade. Talvez este salmo seja o pano de fundo da voca\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas (cf. Is 6,1-10).

{N}99,{/}4: (4-5) A experi\u00eancia conseguida em Israel mostra rectid\u00e3o, julgamento e justi\u00e7a. A aclama\u00e7\u00e3o \u00abEle \u00e9 santo!\u00bb \u00e9 repetida no quase refr\u00e3o dos vv. 5 e 9.

{N}99,{/}6: (6-9) Contudo, a encarna\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-social da santidade de Deus n\u00e3o pode estar confinada a um tempo ou espa\u00e7o. Os leg\u00edtimos mediadores (Mois\u00e9s, Aar\u00e3o e Samuel) puderam contar, para nosso exemplo, com a resposta de Jav\u00e9, Deus do rigor e do perd\u00e3o.

{N}100,{/}1: (1-3) O convite \u00e9 aberto a toda a Terra e o motivo do louvor \u00e9 o reconhecimento de que Jav\u00e9 \u00e9 o \u00fanico Deus vivo. Ele criou o povo e dele cuida como pastor.
  Sl 100: Hino de louvor, cantado durante a prociss\u00e3o rumo ao Templo, ou num sacrif\u00edcio de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as (v. 4; cf. Lv 7,12-15).

{N}100,{/}4: (4-5) A bondade de Deus confirma-se: aliado do povo, Deus guarda-lhe para sempre o seu amor fiel. O v. 5 \u00e9 o refr\u00e3o, com imensa Hist\u00f3ria em Israel (cf. Jr 33,11; Esd 3,11), que o povo repete a cada motivo enunciado pelos cantores. A enumera\u00e7\u00e3o \u00e9 registo sempre aberto.

{N}101,{/}1: (1-2a) O poder \u00e9 \u00edntegro quando torna presente a ac\u00e7\u00e3o de Deus, e esta consiste no amor e na justi\u00e7a.
  Sl 101: Ora\u00e7\u00e3o em que o rei apresenta as bases do seu governo.

{N}101,{/}2: (2b-4) A concretiza\u00e7\u00e3o do amor e da justi\u00e7a sup\u00f5e, em primeiro lugar, esta consci\u00eancia \u00edntegra da autoridade: n\u00e3o corromper o projecto de governo com o projecto dos \u00eddolos (coisa infame) e n\u00e3o pactuar com os malfeitores.

{N}101,{/}5: (5-8) Na ac\u00e7\u00e3o governativa \u00e9 preciso saber escolher conselheiros \u00edntegros, a fim de organizar um governo que verdadeiramente possibilite extirpar a injusti\u00e7a e produzir rela\u00e7\u00f5es sociais justas e fraternas. 

{N}102,{/}1: (Sl 102) S\u00faplica numa doen\u00e7a grave (vv. 2-13), e ora\u00e7\u00e3o pela restaura\u00e7\u00e3o de Si\u00e3o, em ru\u00ednas (vv. 14-23).

{N}102,{/}2: (2-3) A s\u00faplica \u00e9 clamor que nasce do fundo da necessidade, na certeza de que Deus ouve a quem O invoca.

{N}102,{/}4: (4-8) Descreve o estado grave de sofrimento corporal e solid\u00e3o interior.

{N}102,{/}9: (9-12) A isto acrescenta-se a atitude hostil dos inimigos e at\u00e9 mesmo de Deus.

{N}102,{/}13: A brevidade da vida de quem sofre contrap\u00f5e-se \u00e0 eternidade de Deus, funcionando como \u00abchantagem\u00bb do suplicante.
  102,13-23: A ora\u00e7\u00e3o individual \u00e9 ampliada e aplica-se \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do povo no ex\u00edlio ou no tempo imediatamente posterior, com a capital em ru\u00ednas.

{N}102,{/}24: (24-29) Retoma a s\u00faplica individual, onde n\u00e3o se menciona directamente nenhum pedido. Subentende-se, por\u00e9m, a lamenta\u00e7\u00e3o pela vida t\u00e3o curta ainda ser mais abreviada pela doen\u00e7a. O v. 29 continua a reflex\u00e3o iniciada no v. 23.

{N}103,{/}1: (1-5) No invitat\u00f3rio, o salmista interpela-se a si mesmo. A experi\u00eancia fundamental do amor de Deus vem atrav\u00e9s do perd\u00e3o, que liberta do mal e refaz a vida.
  Sl 103: Hino de louvor, celebrando o amor de Deus. 

{N}103,{/}6: (6-14) O amor de Deus passa tamb\u00e9m pela justi\u00e7a que faz aos oprimidos que n\u00e3o t\u00eam defesa. Compar\u00e1vel ao amor dum pai pelos seus filhos, o amor de Deus assume dimens\u00e3o imensa no perd\u00e3o, na miseric\u00f3rdia e bondade, na compaix\u00e3o e ternura. Atributos revelados a Mois\u00e9s (cf. Ex 34,6-7) e que preparam a grande revela\u00e7\u00e3o de 1Jo 4,8.

{N}103,{/}15: (15-18) \u00c0 fragilidade da condi\u00e7\u00e3o humana contrap\u00f5em-se o amor e a justi\u00e7a de Deus, sempre firmes e garantidos \u00e0queles que se comprometem com o seu projecto.

{N}103,{/}19: (19-22) Convoca\u00e7\u00e3o geral dos seres celestes, para que louvem a Deus por causa do seu amor pelos homens. O poema termina repetindo a interpela\u00e7\u00e3o do come\u00e7o.

{N}104,{/}1: (1-4) Celebra a grandeza de Deus envolvido pela imensid\u00e3o do universo.
  Sl 104: Hino de louvor, cantando a grandeza de Deus, testemunhada nos esplendores da Cria\u00e7\u00e3o. O salmista segue a ordem da cosmogonia do G\u00e9nesis 1, e talvez tenha conhecido o hino eg\u00edpcio ao deus Sol.

{N}104,{/}5: (5-9) Descreve alguns tra\u00e7os da cria\u00e7\u00e3o primordial. Trata-se de uma observa\u00e7\u00e3o simples dos principais fen\u00f3menos da Natureza.

{N}104,{/}10: (10-18) Celebra o ritmo harm\u00f3nico da Natureza, onde coexistem pacificamente plantas, animais e seres humanos.

{N}104,{/}19: (19-26) Dia e noite delimitam o espa\u00e7o do homem e das feras. Os vv. 24-26 contemplam a multiplicidade, beleza e imensid\u00e3o das criaturas.

{N}104,{/}27: (27-28) Enquanto os animais se alimentam directamente da Natureza, o homem precisa de a transformar atrav\u00e9s do trabalho.

{N}104,{/}29: (29-30) O mist\u00e9rio da vida \u00e9 visto como o mist\u00e9rio da respira\u00e7\u00e3o: sopro de Deus que cria, vivifica e renova.

{N}104,{/}31: (31-34) Neste louvor, o homem reconhece o mist\u00e9rio da Natureza, descobrindo nele o pr\u00f3prio mist\u00e9rio de Deus.

{N}104,{/}35: A harmonia da Natureza deixa em aberto uma quest\u00e3o: Por que raz\u00e3o h\u00e1 injustos na Terra a provocar desarmonias e desigualdades? A \u00faltima linha retoma a explos\u00e3o laudativa do come\u00e7o.

{N}105,{/}1: (1-6) Convite ao louvor. O motivo \u00e9 o reconhecimento da Hist\u00f3ria como testemunho da ac\u00e7\u00e3o de Deus, que fundamenta a confian\u00e7a do povo. 
  Sl 105: Hino de louvor pelas maravilhas operadas por Deus no decurso da Hist\u00f3ria de Israel.

{N}105,{/}7: (7-11) Tema central: O Deus que governa a Hist\u00f3ria prometeu aos antepassados dar uma terra como heran\u00e7a ao povo.

{N}105,{/}12: (12-15) A origem do povo de Deus \u00e9 um grupo humano que, guiado pelo profundo instinto de liberdade, n\u00e3o se deixa escravizar por ningu\u00e9m. O Deus libertador est\u00e1 presente na gesta patriarcal.

{N}105,{/}16: (16-22) Na pessoa de Jos\u00e9 no Egipto, temos um s\u00edmbolo da Hist\u00f3ria de todo o povo: de escravo faz-se senhor; mesmo jovem, ensina \u00e0s autoridades e aos anci\u00e3os.

{N}105,{/}23: (23-27) Recorda brevemente a estadia no Egipto, mencionando a miss\u00e3o de Mois\u00e9s.

{N}105,{/}28: (28-38) A liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma luta, e as sete pragas aqui recordadas testemunham o conflito do qual Israel sai vitorioso e carregado de despojos. Com Deus do seu lado, o povo torna-se invenc\u00edvel, e os inimigos at\u00e9 agradecem que ele se v\u00e1.

{N}105,{/}39: (39-41) O deserto \u00e9 o caminho para a liberdade, onde o povo \u00e9 conduzido e protegido por Jav\u00e9.

{N}105,{/}42: (42-45) O ponto de chegada \u00e9 a conquista da Terra, onde o povo dever\u00e1 construir uma Hist\u00f3ria e sociedade novas, desde que se mantenha fiel ao projecto de Deus.

{N}106,{/}1: (1-6) O come\u00e7o, em estilo de hino, d\u00e1 logo lugar \u00e0 s\u00faplica, na qual a gera\u00e7\u00e3o presente se solidariza com as passadas, reconhecendo a pr\u00f3pria responsabilidade nas infidelidades cometidas. 
  Sl 106: Esp\u00e9cie de confiss\u00e3o nacional, em que o povo arrependido comparece diante de Deus para assumir os pecados e infidelidades colectivas que a hist\u00f3ria (de inspira\u00e7\u00e3o deuteron\u00f3mica) regista.

{N}106,{/}7: (7-12) Primeiro pecado: No momento em que sa\u00eda do Egipto, o povo percebeu que estava a ser perseguido e tentou voltar atr\u00e1s (Ex 14).

{N}106,{/}13: (13-15) Segundo pecado: Quando sentiu fome no deserto e foi atendido, o povo quis prevenir-se com a acumula\u00e7\u00e3o, desconfiando da Provid\u00eancia (Ex 16).

{N}106,{/}16: (16-18) Terceiro pecado, o de um grupo reduzido: Rebeldia contra os chefes que conduziam o povo na realiza\u00e7\u00e3o do projecto de Deus (Nm 16).

{N}106,{/}19: (19-23) Quarto pecado: A idolatria, que n\u00e3o consiste apenas em adorar \u00eddolos, mas principalmente em transformar Deus num \u00eddolo, a fim de O manipular por interesses ego\u00edstas (Ex 32).

{N}106,{/}24: (24-27) Quinto pecado: Ao aproximar-se da Terra Prometida, o povo acovardou-se diante das popula\u00e7\u00f5es locais e pediu a morte (Nm 13-14).

{N}106,{/}28: (28-31) Sexto pecado: O povo tentou copiar os modelos das cidades cananeias, que exploravam e oprimiam os camponeses (Nm 25).

{N}106,{/}32: (32-33) S\u00e9timo pecado: Quando faltou \u00e1gua, o povo reclamou tanto, que at\u00e9 Mois\u00e9s chegou a duvidar (Ex 17; Nm 20).

{N}106,{/}34: (34-42) Pecados cometidos, estando j\u00e1 instalados na Terra. Em vez de seguir o projecto de Jav\u00e9, o povo deixou-se fascinar e contaminar pelos modelos de vida e comportamentos dos advers\u00e1rios. O pecado de servir a deuses estrangeiros \u00e9 castigado com a escravid\u00e3o.

{N}106,{/}43: (43-46) Apesar de todas as infidelidades do seu povo, Deus n\u00e3o o abandona. Quando este clama, est\u00e1 sempre pronto para o libertar.

{N}106,{/}47: S\u00faplica colectiva, mostrando que este salmo nasceu ou foi usado no ex\u00edlio.

{N}106,{/}48: Brev\u00edssimo hino para encerrar o quarto livro do Salt\u00e9rio, formado pelos salmos 90 a 106.

{N}107,{/}1: (1-3) Introduz genericamente o agradecimento, convidando, em particular os regressados do ex\u00edlio, a darem testemunho da liberta\u00e7\u00e3o recebida.
  Sl 107: Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento. Deus liberta o homem de todos os perigos. Em cada caso, a estrutura est\u00e1 bem marcada: situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, clamor, liberta\u00e7\u00e3o, agradecimento, conclus\u00e3o. Notar o duplo refr\u00e3o e o seu conte\u00fado: vv. 6.13.19.28 e 8.15.21.31.

{N}107,{/}4: (4-9) A situa\u00e7\u00e3o de deserto pode referir-se tanto ao \u00eaxodo quanto ao regresso do ex\u00edlio.

{N}107,{/}10: (10-16) A situa\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o pode significar tanto a escravid\u00e3o no Egipto, como o ex\u00edlio na Babil\u00f3nia.

{N}107,{/}17: (17-22) Liberta\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, entendida como consequ\u00eancia do pecado, mas que pode levar \u00e0 convers\u00e3o.

{N}107,{/}23: (23-32) Livrou dos perigos os que viajavam por mar.

{N}107,{/}33: (33-41) As situa\u00e7\u00f5es mencionadas proclamam a ac\u00e7\u00e3o de Deus na Hist\u00f3ria. A conclus\u00e3o retoma o tema sapiencial da invers\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es, com vantagem para o pobre, levantado da mis\u00e9ria.

{N}107,{/}42: (42-43) Quem \u00e9 capaz de ler a Hist\u00f3ria a partir da ac\u00e7\u00e3o que Deus nela realiza, torna-se s\u00e1bio. Tem discernimento de f\u00e9.

{N}108,{/}1: (Sl 108) Ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica, resultado da fus\u00e3o de trechos de outros salmos.

{N}108,{/}2: (2-6) Cf. nota no Sl 57,8-12.

{N}108,{/}7: (7-14) Cf. nota no Sl 60,7-14.

{N}109,{/}1: (1-5) Exp\u00f5e brevemente o motivo: \u00abEles pagam-me o mal com o bem\u00bb (v. 5).
  Sl 109: S\u00faplica de um inocente falsamente acusado, que apela \u00e0 vingan\u00e7a divina. 

{N}109,{/}6: (6-15) A ladainha de impreca\u00e7\u00f5es apresenta as acusa\u00e7\u00f5es que o inimigo dirige contra o justo. A condena\u00e7\u00e3o implica pena de morte, confisco dos bens, e at\u00e9 mesmo marginaliza\u00e7\u00e3o da descend\u00eancia. A suprema ousadia dos inimigos \u00e9 invocar Deus contra os inocentes (vv. 14-15).

{N}109,{/}16: (16-19) Estas maldi\u00e7\u00f5es s\u00e3o as apontadas no v. 3.

{N}109,{/}20: O pedido de justi\u00e7a implica a invers\u00e3o das acusa\u00e7\u00f5es, dirigindo-as agora contra o inimigo acusador.

{N}109,{/}21: (21-29) Esta apela\u00e7\u00e3o, em forma de s\u00faplica, n\u00e3o \u00e9 feita no tribunal, mas dirige-se directamente a Deus, supremo juiz.

{N}109,{/}30: (30-31) A promessa de agradecimento traz o grande an\u00fancio: Deus torna-Se advogado dos pobres, condenando as institui\u00e7\u00f5es corrompidas. 

{N}110,{/}1: (1-2) Israel concebe a autoridade do rei como participa\u00e7\u00e3o no governo de Deus, que defende o seu povo dos inimigos.
  Sl 110: Ora\u00e7\u00e3o pelo rei, talvez no dia da entroniza\u00e7\u00e3o ou em algum anivers\u00e1rio, e apontamento sobre as prerrogativas do Messias: realeza universal e sacerd\u00f3cio eterno.

{N}110,{/}3: O rei \u00e9 considerado como filho adoptivo de Deus (cf. Sl 2,7).

{N}110,{/}4: O rei era tamb\u00e9m sacerdote-mediador. Jerusal\u00e9m, de facto, tinha sido cidade governada por sacerdotes.

{N}110,{/}5: (5-7) Chamado a executar a pr\u00f3pria ac\u00e7\u00e3o de Deus, o rei goza do seu aux\u00edlio e protec\u00e7\u00e3o. O v. 7 alude talvez a um rito: o rei bebe da \u00e1gua sagrada e, por isso, pode levantar a cabe\u00e7a com toda a confian\u00e7a.

{N}111,{/}1: (1-5) No louvor, o povo perpetua a mem\u00f3ria dos actos de Deus na Hist\u00f3ria, que o leva para a liberdade e a vida. Esta \u00e9 a grande tradi\u00e7\u00e3o que o povo de Deus conserva e rememora.
  Sl 111: Hino de louvor, resumindo temas de outros salmos. No hebreu, cada uma das 22 linhas come\u00e7a pela sua letra, segundo a ordem alfab\u00e9tica.

{N}111,{/}6: (6-10) Toda a ac\u00e7\u00e3o de Deus se encaminha para a posse da terra e da Alian\u00e7a. O grande discernimento da vida (sabedoria) consiste em temer a Jav\u00e9, ou seja, reconhecer que Ele \u00e9 Deus e que o homem n\u00e3o \u00e9 Deus.

{N}112,{/}1: (1-5) Toda a exist\u00eancia do justo tem como ponto de partida o temor de Deus. O seu elogio decorre da perfei\u00e7\u00e3o em diversos sectores.
  Sl 112: Medita\u00e7\u00e3o sapiencial, caracterizando o ser e o comportamento do justo. A sua estrutura \u00e9 id\u00eantica \u00e0 do salmo anterior, com cada verso a come\u00e7ar por sua letra, seguindo a ordem alfab\u00e9tica do princ\u00edpio ao fim.

{N}112,{/}6: (6-10) O v. 6 apresenta a ideia mais antiga sobre a imortalidade: a vida do justo perdura na recorda\u00e7\u00e3o dos vivos; o seu testemunho permanece sempre vivo na mem\u00f3ria do povo. O justo est\u00e1 permanentemente voltado para a partilha da vida com os outros.

{N}113,{/}1: (1-3) O louvor dirige-se ao {C}Nome{/} de Jav\u00e9, revelado no momento da liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Egipto. Esse Deus ser\u00e1 reconhecido para sempre como o Libertador.
  Sl 113: Hino de louvor \u00e0 misteriosa grandeza de Deus. \u00c9 o primeiro salmo do {C}Hallel,{/} \u00abLouvores\u00bb (113-118), que os judeus recitavam nas grandes festas, nomeadamente na P\u00e1scoa (cf. Mt 26,30).

{N}113,{/}4: (4-6) Deus \u00e9 o grande soberano da Hist\u00f3ria e do Universo. Ningu\u00e9m e nada se compara a Ele. O mist\u00e9rio central \u00e9 que este Deus {C}Se eleva{/} e {C}Se abaixa{/}: o absoluto transcendente torna-Se misteriosamente presente, para Se relacionar com as criaturas.

{N}113,{/}7: (7-9) Deus torna-Se presente para fazer justi\u00e7a: libertar os pobres e os fracos, dando-lhes a maior dignidade. Recupera os que s\u00e3o marginalizados pelo ego\u00edsmo de outros. Aqui, o exemplo de liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o da dignidade da mulher: no mundo semita, a mulher devia estar sempre em p\u00e9 para servir os homens, e a esterilidade era considerada maldi\u00e7\u00e3o.

{N}114,{/}1: (1-2) O povo libertado \u00e9 o santu\u00e1rio do Deus que vive e quer morar com ele.
  Sl 114: Hino pascal de louvor ao Deus que liberta o povo.

{N}114,{/}3: (3-6) Vers\u00e3o po\u00e9tica da liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do Egipto (mar), e da conquista da Terra (Jord\u00e3o). O texto p\u00f5e em paralelo a travessia do Mar Vermelho (cf. Ex 14-15) e a passagem do rio Jord\u00e3o (cf. Js 3).

{N}114,{/}7: (7-8) A realidade toda treme diante do Deus que conduz a marcha do seu povo, transformando radicalmente as situa\u00e7\u00f5es.

{N}115,{/}1: A marginaliza\u00e7\u00e3o do povo \u00e9 um desafio \u00e0 honra de Jav\u00e9, que fez alian\u00e7a com o seu povo.
  Sl 115: Ora\u00e7\u00e3o colectiva de confian\u00e7a, numa celebra\u00e7\u00e3o feita durante o ex\u00edlio na Babil\u00f3nia. 

{N}115,{/}2: (2-3) A ousadia do opressor chega a negar que Deus Se interesse pela situa\u00e7\u00e3o do povo. O povo ent\u00e3o responde: o nosso Deus \u00e9 invis\u00edvel, mas age no mundo e na Hist\u00f3ria. Se quiser, pode libertar-nos.

{N}115,{/}4: (4-8) Em contraposi\u00e7\u00e3o, os \u00eddolos dos opressores s\u00f3 t\u00eam apar\u00eancia. S\u00e3o mortos e incapazes de realizar coisa alguma: s\u00f3 garantem a morte aos que neles confiam.

{N}115,{/}9: (9-11) Declara\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a dos tr\u00eas grupos que comp\u00f5em o povo (cf. Sl 118,2-4).

{N}115,{/}12: (12-13) Desejo de que Jav\u00e9 mude a situa\u00e7\u00e3o.

{N}115,{/}14: (14-16) A maior b\u00ean\u00e7\u00e3o que Deus pode dar \u00e9 a vida. Atrav\u00e9s dos filhos, o povo de Deus continua vivo na Hist\u00f3ria. O v. 16 esclarece o estatuto dos humanos na Terra, morada que Deus lhes deu.

{N}115,{/}17: (17-18) Pequeno hino, mostrando o contraste entre os opressores, mortos com os seus \u00eddolos, e o povo de Deus, que reconhece e louva o Deus vivo.

{N}116,{/}1: (1-4) O agradecimento dirige-se ao Deus que ouve o clamor, libertando aqueles que O invocam.
  Sl 116: Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento, talvez ap\u00f3s a cura de uma doen\u00e7a grave.

{N}116,{/}5: (5-6) A experi\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o faz reconhecer a justi\u00e7a e o amor que zelam pelos pobres e necessitados.

{N}116,{/}7: (7-9) O reconhecimento da liberta\u00e7\u00e3o introduz a confian\u00e7a, que \u00e9 o clima da f\u00e9.

{N}116,{/}10: (10-11) Parece mudar o tema, mencionando uma situa\u00e7\u00e3o social, talvez de cal\u00fania.

{N}116,{/}12: (12-14) O agradecimento \u00e9 um acto p\u00fablico, onde a pessoa invoca a Deus, cumpre as promessas e ergue o \u00abc\u00e1lice da salva\u00e7\u00e3o\u00bb, rito que deixou reminisc\u00eancias na liturgia judaica e crist\u00e3 (cf. 1Cor 10,16).

{N}116,{/}15: (15-19) A men\u00e7\u00e3o da morte indica que o agradecimento foi feito ap\u00f3s a cura de uma doen\u00e7a grave. Note-se o v. 15: a vida de cada pessoa \u00e9 valiosa para Deus.

{N}117,{/}1: (1-2) O louvor n\u00e3o cabe em estreitezas; tende a contaminar a totalidade dos povos. A fidelidade divina est\u00e1 acima das grandezas humanas.
  Sl 117: Hino de louvor a Deus: apelo, amor e fidelidade.

{N}118,{/}1: (1-4) Dividida em grupos, a comunidade recebe a pessoa que vai agradecer e entoa o refr\u00e3o, exaltando o amor de Deus.
  Sl 118: Ora\u00e7\u00e3o colectiva de agradecimento, estruturando uma celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, que poderia ser a festa das Tendas (cf. Ne 8,13-18).

{N}118,{/}5: (5-9) A pessoa come\u00e7a a contar a experi\u00eancia de ter sido atendida por Deus, e tira a li\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, que desmascara as falsas seguran\u00e7as.

{N}118,{/}10: (10-14) O tema das na\u00e7\u00f5es inimigas fica bem nos l\u00e1bios da comunidade personificada.

{N}118,{/}15: (15-16) Toda a comunidade responde, celebrando a vit\u00f3ria conseguida com o aux\u00edlio de Jav\u00e9.

{N}118,{/}17: (17-18) O porta-voz termina o seu testemunho, aludindo a um perigo de morte.

{N}118,{/}19: (19-21) Chega \u00e0 porta do santu\u00e1rio, pede para entrar, e \u00e9 recebido pelos sacerdotes.

{N}118,{/}22: (22-29) O coro canta a vit\u00f3ria realizada por Deus. A seguir forma-se a prociss\u00e3o at\u00e9 ao altar, e cantam-se refr\u00f5es, num di\u00e1logo alternado entre a pessoa que agradece e a comunidade. Os vv. 22-23 s\u00e3o citados em Mc 12,10-11 e paralelos. 

{N}119,{/}1: (Sl 119) Grande medita\u00e7\u00e3o sapiencial sobre a Lei de Deus, que aponta o caminho para a justi\u00e7a e a vida. A composi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria segue o artif\u00edcio acr\u00f3stico ou alfab\u00e9tico, com algum requinte: s\u00e3o 22 estrofes (tantas quantas as letras do alfabeto hebraico), de oito versos cada; os oito versos de cada estrofe come\u00e7am todos pela mesma letra, que varia de estrofe para estrofe segundo a ordem do alfabeto. Em cada verso (uma s\u00f3 excep\u00e7\u00e3o, no v. 122), figura um dos sete ou oito sin\u00f3nimos de lei: palavra, promessa, normas, vontade, preceitos, testemunho, mandamento, caminhos, julgamentos... A pretens\u00e3o do autor \u00e9 fazer um grande elogio da Palavra que revela e faz compreender o projecto de Deus.

{N}119,{/}105: Centro de todo o salmo. A Palavra \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o de Deus, que leva o povo a descobrir o sentido da vida e a discernir o seu caminho na Hist\u00f3ria no meio das diversas situa\u00e7\u00f5es. Essa Palavra \u00e9 praticamente a B\u00edblia toda, principalmente o Novo Testamento. Neste, como diz Jo\u00e3o, \u00aba Palavra fez-se Homem e habitou entre n\u00f3s\u00bb (Jo 1,14). Dessa forma, Jesus \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 o maior int\u00e9rprete da Palavra, mas tamb\u00e9m a sua concretiza\u00e7\u00e3o definitiva.

{N}120,{/}1: (1-4) Em terra estrangeira, dominada pelos \u00eddolos e pela propaganda idol\u00e1trica (mentira), o exilado dirige a sua s\u00faplica a Deus.
  Sl 120: S\u00faplica de um israelita exilado fora da Palestina. Pensa-se que os peregrinos entoavam os \u00absalmos das subidas\u00bb (120-134), quando se dirigiam a Jerusal\u00e9m.

{N}120,{/}5: (5-7) Trata-se, provavelmente, de um ex\u00edlio no deserto da S\u00edria. {C}Paz{/} \u00e9 o cumprimento que os israelitas usam entre si, uma b\u00ean\u00e7\u00e3o que deseja vida pr\u00f3spera e feliz, e boas rela\u00e7\u00f5es. Em vez disso, o exilado s\u00f3 encontra hostilidade por todos os lados.

{N}121,{/}1: (1-2) As montanhas eram lugares de ref\u00fagio em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Mas o verdadeiro ref\u00fagio do povo \u00e9 o Deus da vida mais o seu projecto.
  Sl 121: Ora\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a dos peregrinos a caminho de Jerusal\u00e9m.

{N}121,{/}3: (3-8) Deus \u00e9 o guarda do povo: sempre desperto, oferece protec\u00e7\u00e3o, tanto para o repouso como para a actividade dos seus.

{N}122,{/}1: (1-2: O amor \u00e0 santa Si\u00e3o (2Sm 5,9) \u00e9 componente da piedade judia. Chegados \u00e0s portas da cidade, os peregrinos saudavam-na com a {C}paz{/}.
  Sl 122: Hino a Jerusal\u00e9m, cantado pelos peregrinos que se dirigem \u00e0 cidade para as festas.

{N}122,{/}3: (3-5) Cidade consistente \u00e9 a cidade reconstru\u00edda (cf. Ne 2,17), e tamb\u00e9m o espa\u00e7o que une o povo eleito \u00e0 volta do Nome e do projecto de Jav\u00e9, e no respeito pelas cadeiras da justi\u00e7a.

{N}122,{/}6: (6-9) A {C}paz{/} desejada \u00e0 cidade (a etimologia popular lia em Jerusal\u00e9m a {C}cidade da paz{/}) e extensiva a todo o povo, estava inclu\u00edda nas esperan\u00e7as messi\u00e2nicas (cf. Is 11,6; Os 2,20).

{N}123,{/}1: (1-2) Jav\u00e9 \u00e9 o soberano do seu povo, que Lhe dirige o olhar suplicante.
  Sl 123: Ora\u00e7\u00e3o colectiva de s\u00faplica, cheia de esperan\u00e7a na interven\u00e7\u00e3o de Deus.

{N}123,{/}3: (3-4) A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de cansa\u00e7o, por causa da arrog\u00e2ncia dos poderosos e da humilha\u00e7\u00e3o que o povo sofre.

{N}124,{/}1: (1-5) Apoiado no Deus libertador, o povo consegue a vit\u00f3ria contra os inimigos.
  Sl 124: Ora\u00e7\u00e3o colectiva de agradecimento, depois de um perigo superado, talvez no p\u00f3s-ex\u00edlio ou na \u00e9poca de Neemias, quando a comunidade enfrentava o desprezo e os ataques dos pag\u00e3os.

{N}124,{/}6: (6-7) Jav\u00e9 colabora muitas vezes com o seu povo, fazendo fracassar os planos dos inimigos.

{N}124,{/}8: Confiss\u00e3o de confian\u00e7a: quem auxilia o povo \u00e9 o Deus libertador, Senhor da vida.

{N}125,{/}1: (1-2) O que traz for\u00e7a e persist\u00eancia ao povo \u00e9 confiar em Deus, que o protege, como as montanhas protegem a cidade de Jerusal\u00e9m.
  Sl 125: Ora\u00e7\u00e3o colectiva de confian\u00e7a. Termina com pedido de julgamento.

{N}125,{/}3: Quando um povo \u00e9 durante muito tempo governado por autoridades injustas, todo ele corre o risco de encarar a injusti\u00e7a como \u00abordem\u00bb.

{N}125,{/}4: (4-5) Pedido para que Deus ajude o povo a discernir o caminho divino, que \u00e9 o caminho da vida.

{N}126,{/}1: (1-4) Numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, o povo relembra a grande liberta\u00e7\u00e3o, que se tornou an\u00fancio at\u00e9 para os pag\u00e3os, sonho e j\u00fabilo sem limites.
  Sl 126: Ora\u00e7\u00e3o colectiva de s\u00faplica (v. 4), fundamentada no agradecimento pela liberta\u00e7\u00e3o do ex\u00edlio.

{N}126,{/}5: (5-6) Da semeadura e da colheita, o povo aprende que uma situa\u00e7\u00e3o nova de prosperidade e alegria se atinge atrav\u00e9s da tristeza e sofrimentos.

{N}127,{/}1: Somente aquilo que incarna o projecto de Deus tem consist\u00eancia e permanece na Hist\u00f3ria.
  Sl 127: Ora\u00e7\u00e3o em estilo sapiencial, exortando \u00e0 confian\u00e7a em Deus.

{N}127,{/}2: O esfor\u00e7o humano est\u00e1 votado ao fracasso, se Deus n\u00e3o o fecunda. Mesmo o p\u00e3o quotidiano \u00e9 dom de Deus.

{N}127,{/}3: (3-5) A maior b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus s\u00e3o os filhos, que prolongam a vida e o nome da fam\u00edlia. \u00c9 atrav\u00e9s deles que a Hist\u00f3ria continua, gerando vida nova.

{N}128,{/}1: (1-4) Temer a Deus, seguir os seus caminhos, \u00e9 ter a certeza de tirar proveito do seu trabalho, de saborear os bens da fam\u00edlia: amor, paternidade e maternidade que partilham a vida.
  Sl 128: Ora\u00e7\u00e3o que celebra o amor dom\u00e9stico que Deus concede ao justo, em conformidade com a instru\u00e7\u00e3o sapiencial antiga.

{N}128,{/}5: (5-6) Do c\u00edrculo familiar parte para todo o povo: da cidade da Alian\u00e7a, Deus aben\u00e7oa a todos, criando uma hist\u00f3ria de paz.

{N}129,{/}1: (1-4) A Hist\u00f3ria de Israel foi sempre dif\u00edcil: uma luta permanente contra inimigos que o queriam escravizar. Contudo, o senso de liberdade e de fidelidade que Deus lhe deu impediu-o de se acomodar. E isso valeu-lhe a vit\u00f3ria.
  Sl 129: Ora\u00e7\u00e3o colectiva de confian\u00e7a. A lembran\u00e7a do passado fundamenta a confian\u00e7a no futuro.

{N}129,{/}5: (5-8) S\u00faplica confiante, expressando o desejo de que os injustos n\u00e3o criem ra\u00edzes nem prosperem na Hist\u00f3ria.

{N}130,{/}1: (1-4) Uma das coisas inexplic\u00e1veis na condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 a doen\u00e7a. Os israelitas pensavam que ela era consequ\u00eancia do pecado. Somente o perd\u00e3o podia trazer a cura.
  Sl 130: Ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica. \u00c9 o conhecido \u00abDe profundis\u00bb da liturgia crist\u00e3 dos defuntos; salmo penitencial e, mais ainda, de esperan\u00e7a que exprime confian\u00e7a no Deus redentor.

{N}130,{/}5: (5-8) A noite \u00e9 a hora da s\u00faplica; a resposta de Deus vem pela manh\u00e3. Da condi\u00e7\u00e3o particular dum indiv\u00edduo, passa-se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o do povo: \u00e9 Deus quem vai resgatar o povo de todo o seu pecado.

{N}131,{/}1: (1-2) A f\u00e9 verdadeira supera a ambi\u00e7\u00e3o, seja material, seja espiritual (busca de grandezas e milagres). A f\u00e9 madura reconcilia o homem com Deus, consigo mesmo e com a realidade. A alma em paz entrega-se a Deus como a crian\u00e7a \u00e0 m\u00e3e.
  Sl 131: Ora\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, exprimindo a maturidade da f\u00e9.

{N}131,{/}3: A mesma confian\u00e7a filial em rela\u00e7\u00e3o a Deus \u00e9 programa para todo o povo escolhido (cf. Is 30,15).

{N}132,{/}1: (1-5) Pedido a favor de David, visto como modelo do exerc\u00edcio do poder, inquieto por encontrar um lugar para o Deus da Alian\u00e7a.
  Sl 132: Salmo messi\u00e2nico que celebra a escolha que Deus fez da fam\u00edlia de David e da cidade de Jerusal\u00e9m, bem como o papel desempenhado pela arca da Alian\u00e7a.

{N}132,{/}6: (6-10) Ap\u00f3s as suas conquistas, David localiza a arca da Alian\u00e7a e introdu-la na cidade.

{N}132,{/}11: (11-12) Eco de 2Sm 7, a vers\u00e3o po\u00e9tica da promessa messi\u00e2nica garante fidelidade aos descendentes da casa de David.

{N}132,{/}13: (13-18) Em plena celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, Deus aben\u00e7oa Jerusal\u00e9m, onde brotar\u00e1 a for\u00e7a de David (cf. Is 11,1), o Messias cuja presen\u00e7a n\u00e3o se apagar\u00e1.

{N}133,{/}1: (1-3) A uni\u00e3o dos irm\u00e3os tem valor semelhante ao da pr\u00f3pria un\u00e7\u00e3o sacerdotal: o povo reunido \u00e9 o grande sacerdote que serve e proclama o seu Deus. Ao mesmo tempo, essa uni\u00e3o traz fertilidade e vida, segundo o simbolismo do orvalho e a efic\u00e1cia da b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus.
  Sl 133: Medita\u00e7\u00e3o em estilo sapiencial, celebrando a fraternidade do povo, reunido em Jerusal\u00e9m para as festas.

{N}134,{/}1: (Sl 134) Breve ritual junto \u00e0 porta do Templo ou di\u00e1logo entre os ministros do Templo e os peregrinos, numa cerim\u00f3nia nocturna, com apelo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o (vv. 1-2) e \u00e0 b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus. Esta b\u00ean\u00e7\u00e3o, que podia ser solene (cf. Nm 6,23-27), encerra o \u00absalt\u00e9rio das subidas\u00bb a Jerusal\u00e9m (Sl 120-134).

{N}135,{/}1: (1-2) O convite a louvar o Nome de Deus (cf. Ex 3,14) \u00e9 lan\u00e7ado aos servidores do templo.
  Sl 135: Hino de louvor, que contrap\u00f5e o Criador e Senhor da Hist\u00f3ria aos \u00eddolos incapazes de criar e agir.

{N}135,{/}3: (3-4) O primeiro motivo do louvor \u00e9 a Alian\u00e7a: Deus escolheu viver e fazer Hist\u00f3ria juntamente com o seu povo.

{N}135,{/}5: (5-7) Celebra o Senhor da Natureza: Ele criou tudo e governa o ciclo dos fen\u00f3menos naturais.

{N}135,{/}8: (8-14) Celebra o Senhor da Hist\u00f3ria, cuja interven\u00e7\u00e3o libertadora afasta os que hostilizam o seu projecto, confia a Israel a Terra Prometida, para que conste e seja repetido por todo o sempre.

{N}135,{/}15: (15-18) Enquanto o Deus vivo d\u00e1 liberdade e vida ao seu povo, os \u00eddolos das na\u00e7\u00f5es s\u00e3o mortos, e acabam por escravizar os seus adoradores (cf. Sl 115,4-8)

{N}135,{/}19: (19-21) Conclus\u00e3o do louvor em v\u00e1rios coros: o Senhor da Natureza e da Hist\u00f3ria habita no meio do povo, em Jerusal\u00e9m.

{N}136,{/}1: (1-3) Convite ao louvor, proclamando Deus como o \u00fanico Absoluto, acima dos \u00eddolos e de todos os poderosos do mundo.
  Sl 136: Grande hino de louvor em forma de ladainha: em vez das invoca\u00e7\u00f5es, temos alus\u00f5es \u00e0s maravilhas realizadas por Deus nos dois inesgot\u00e1veis registos da Cria\u00e7\u00e3o e da Hist\u00f3ria; o refr\u00e3o, cantado pelo povo (cf. 2Cr 7,3), atesta o amor eterno de Deus, sempre aberto a novas realiza\u00e7\u00f5es. \u00c9 o \u00abGrande Hallel\u00bb dos judeus, entoado na P\u00e1scoa.

{N}136,{/}4: (4-9) Proclama o Senhor da Natureza, que criou tudo e preside ao ritmo do Universo.

{N}136,{/}10: (10-15) Exalta a grande interven\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica pela qual libertou o povo, derrotando o poder opressor. 

{N}136,{/}16: (16-22) Depois de libertar o seu povo, Jav\u00e9 conduziu-o pelo deserto, at\u00e9 \u00e0 conquista da Terra Prometida.

{N}136,{/}23: (23-24) A humilha\u00e7\u00e3o do povo recorda as situa\u00e7\u00f5es de luta que ele teve de enfrentar para manter a liberdade e a vida conquistadas.

{N}136,{/}25: (25-26) O salmista n\u00e3o termina no v. 24, alarga o horizonte e celebra a especial solicitude de Deus que assegura, aos seres vivos, o alimento, o p\u00e3o de cada dia. Tal \u00e9 o des\u00edgnio do Deus do c\u00e9u.

{N}137,{/}1: (1-2) No meio da beleza de Babil\u00f3nia, os exilados est\u00e3o tristes e nem usam os instrumentos musicais para acompanhar as suas lamenta\u00e7\u00f5es.
  Sl 137: S\u00faplica dos exilados na Babil\u00f3nia.

{N}137,{/}3: (3-6) Por curiosidade ou ironia, os opressores querem conhecer o folclore dos israelitas. Todavia, como cantar no ex\u00edlio os cantos que celebram a liberta\u00e7\u00e3o e a conquista da vida? Tudo isso n\u00e3o passa agora de triste recorda\u00e7\u00e3o.

{N}137,{/}7: O dia de Jerusal\u00e9m foi o da cat\u00e1strofe sob as tropas de Nabucodonosor (586 a.C.). Os edomitas, parentes e vizinhos dos israelitas, uniram-se aos opressores e aproveitaram-se da situa\u00e7\u00e3o (cf. Abdias).

{N}137,{/}8: (8-9) Em vez de cantar o seu folclore, os exilados entoam esta maldi\u00e7\u00e3o: Feliz quem fizer justi\u00e7a, destruindo at\u00e9 \u00e0 raiz a ambi\u00e7\u00e3o que gera escravid\u00e3o e morte.

{N}138,{/}1: (1-3) N\u00e3o \u00e9 clara a situa\u00e7\u00e3o pela qual o salmista passou. O grito sugere intensidade sentida e assist\u00eancia de outrem. Mas o espanto est\u00e1 todo orientado para a medida sem medida da interven\u00e7\u00e3o divina.
  Sl 138: Ora\u00e7\u00e3o de agradecimento, celebrando a experi\u00eancia do atendimento.

{N}138,{/}4: (4-6) O beneficiado convida outras pessoas a participar da ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. O convite aos reis tem algo de aviso: tamb\u00e9m eles devem reconhecer que Deus \u00e9 transcendente, mas est\u00e1 sempre presente, para distinguir e separar o trigo do joio.

{N}138,{/}7: (7-8) A experi\u00eancia passada \u00e9 agora aplicada a novas situa\u00e7\u00f5es, onde Deus sempre Se manifesta como libertador.

{N}139,{/}1: (1-6) Examinado por Deus, o salmista descobre que Deus o conhece melhor e com mais pormenor do que ele pr\u00f3prio.
  Sl 139: Medita\u00e7\u00e3o em estilo sapiencial, homenagem ao Deus que sabe tudo. O salmista encontra-se na mesma situa\u00e7\u00e3o em que se acham os autores dos salmos 17 e 27: \u00e9 levado ao Templo para ser examinado por Jav\u00e9 durante a noite e, pela manh\u00e3, receber a senten\u00e7a.

{N}139,{/}7: (7-12) A t\u00edtulo de hip\u00f3tese: Para onde teria de fugir, se quisesse escapar ao olhar divino? Deus encontra-Se em todos os lugares: no alto c\u00e9u, no abismo, na claridade, nas trevas. Afinal, Deus est\u00e1-lhe mais presente do que ele pr\u00f3prio. Para Job (7,10-20), \u00e9 uma vigil\u00e2ncia exigente, algo insuport\u00e1vel.

{N}139,{/}13: (13-18) \u00c9 o centro do salmo: Deus conhece e est\u00e1 presente ao homem. Deus \u00e9 o mist\u00e9rio que est\u00e1 na fonte e no fundo de toda a vida; forma, n\u00e3o s\u00f3 o corpo, mas tamb\u00e9m o interior e at\u00e9 a hist\u00f3ria pessoal, que ultrapassa a compreens\u00e3o do pr\u00f3prio homem.

{N}139,{/}19: (19-22) Ah! Se Deus quisesse servir-Se do seu olhar perscrutador para exterminar os \u00edmpios!

{N}139,{/}23: (23-24) Na confian\u00e7a, o salmista pede a Deus que o sonde e lhe revele identidade, destino e preocupa\u00e7\u00f5es. S\u00f3 Deus, que v\u00ea tudo e a tudo est\u00e1 presente, pode revelar o homem ao pr\u00f3prio homem.

{N}140,{/}1: (Sl 140) S\u00faplica de um inocente injustamente perseguido. 

{N}140,{/}2: (2-6) Com a s\u00faplica, descreve agudamente o comportamento e ac\u00e7\u00e3o dos injustos.

{N}140,{/}7: (7-12) O t\u00edtulo \u00abmeu Deus\u00bb caracteriza o Deus da Alian\u00e7a, que acompanha e conduz o combate do seu povo. O salmista aplica esse t\u00edtulo \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o pessoal.

{N}140,{/}13: (13-14) O pedido mostra que n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a sem libertar o pobre e defender o direito dos que nada t\u00eam. A\u00ed est\u00e1 a grande proclama\u00e7\u00e3o do povo de Deus.

{N}141,{/}1: (1-2) Tarde e noite s\u00e3o os momentos prop\u00edcios para a s\u00faplica. Na piedade judia, a ora\u00e7\u00e3o assemelhava-se aos sacrif\u00edcios.
  Sl 141: S\u00faplica contra a tenta\u00e7\u00e3o de se deixar seduzir pelos injustos.

{N}141,{/}3: (3-7) A grande tenta\u00e7\u00e3o para o justo \u00e9 ver a insol\u00eancia e prosperidade dos injustos, que parecem ficar sempre impunes. A sua mal\u00edcia contrap\u00f5e-se \u00e0 prece do salmista. O texto original \u00e9 bastante corrompido e dif\u00edcil.

{N}141,{/}8: (8-10) S\u00faplica final: s\u00f3 Deus pode proteger o justo para que este n\u00e3o caia na tenta\u00e7\u00e3o.

{N}142,{/}1: (Sl 142) S\u00faplica do justo perseguido.

{N}142,{/}2: (2-5) O maior problema do justo \u00e9 que o seu comportamento denuncia o funcionamento de uma sociedade injusta. Por isso, tentam, a todo custo, demov\u00ea-lo da rectid\u00e3o.

{N}142,{/}6: (6-8) Temeroso diante das amea\u00e7as, o justo recorre a Deus. Da sua persist\u00eancia nasce a comunidade dos justos, para fazer frente \u00e0 insol\u00eancia dos outros.

{N}143,{/}1: (1-2) O justo suplica a Deus, fiel e justo. O apelo \u00e9 sempre \u00e0 miseric\u00f3rdia, pois diante de Deus ningu\u00e9m \u00e9 inteiramente justo (cf. Sl 51,7; Rm 3,20).
  Sl 143: S\u00faplica do justo perseguido e humilde.

{N}143,{/}3: (3-4) A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil: o justo vive apertado pelo inimigo e sente que a sua resist\u00eancia est\u00e1 a chegar ao fim.

{N}143,{/}5: (5-6) A lembran\u00e7a das ac\u00e7\u00f5es de Deus no passado sustenta a confian\u00e7a no presente e reanima a esperan\u00e7a para o futuro.

{N}143,{/}7: (7-8) Volta a s\u00faplica. O amanhecer \u00e9 a hora em que Jav\u00e9 responde.

{N}143,{/}9: (9-12) A grande motiva\u00e7\u00e3o da s\u00faplica \u00e9 o Nome de Deus; a pr\u00f3pria honra de Deus est\u00e1 em jogo.

{N}144,{/}1: (1-2) Louvor a Deus que dirige e sustenta os combates do povo.
  Sl 144: Hino para o combate e para a vit\u00f3ria em favor do Messias, \u00abDavid meu servo\u00bb (v. 10), e do povo. Inspirados no Sl 18, os vv. 1-11 resumem a liturgia real; os vv. 12-15, mais originais, evocam a prosperidade messi\u00e2nica.

{N}144,{/}3: (3-8) Para desempenhar a sua fun\u00e7\u00e3o de defensor do povo, o rei reconhece as pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es e recorre ao supremo Senhor.

{N}144,{/}9: (9-11) Confiante no aux\u00edlio de Deus, o rei promete cantar a ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as.

{N}144,{/}12: (12-14) O maior interesse de quem exerce a autoridade \u00e9 a felicidade do povo: prosperidade e partilha, for\u00e7a, abund\u00e2ncia e coragem.

{N}144,{/}15: Feliz o povo cuja autoridade n\u00e3o tenta usurpar o lugar de Deus.

{N}145,{/}1: (1-2) O louvor ao Nome revelado no momento da grande liberta\u00e7\u00e3o, recorda quem \u00e9 o Deus vivo.
  Sl 145: Hino de louvor ao Nome e ao amor de Deus, testemunhados na Hist\u00f3ria. No hebreu, o poema usa e esgota as letras do alfabeto no in\u00edcio das frases.

{N}145,{/}3: (3-7) O louvor \u00e9 um reconhecimento das obras que Deus realiza na Hist\u00f3ria. A sua mem\u00f3ria exaltante alimenta a f\u00e9 de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.

{N}145,{/}8: (8-13a{N}) {/}O centro \u00e9 o amor terno de Deus que chega a todos. \u00c9 o esplendoroso reino de Deus na Terra, que faz maravilhas e dar\u00e1 que falar.

{N}145,{/}13: (13b-20) Uma delas, e n\u00e3o a menor, \u00e9 assumir a causa dos oprimidos, dos ca\u00eddos e curvados; \u00e9 alimentar e estar perto dos que O invocam.

{N}145,{/}21: Termina com o convite para que todos reconhe\u00e7am a santidade do Deus libertador.

{N}146,{/}1: (1-2) O salmista convida a comunidade a louvar, confessando a sua f\u00e9.
  Sl 146: Hino de louvor, proclamando a fidelidade de Deus, que fundamenta a confian\u00e7a do povo.

{N}146,{/}3: (3-4) Exorta\u00e7\u00e3o a n\u00e3o absolutizar a pessoa humana. Tamb\u00e9m os poderosos t\u00eam vida fr\u00e1gil e passageira. 

{N}146,{/}5: (5-6a{N}) {/}O \u00fanico a merecer confian\u00e7a absoluta \u00e9 o Deus vivo, que Se aliou com o povo.

{N}146,{/}6: (6b-10) O motivo central do louvor \u00e9 a fidelidade ao Deus vivo que age na Hist\u00f3ria, fazendo justi\u00e7a aos oprimidos e libertando os necessitados. A sua ac\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, implica tamb\u00e9m a destrui\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a. \u00c9 assim que se constitui o reino de Deus. Jesus fez disto o seu projecto (cf. Lc 4,16-21).

{N}147,{/}1: Convite ao louvor.
  Sl 147: Hino de louvor ao Deus libertador de Israel, criador do Universo e amigo dos \u00abpobres\u00bb.

{N}147,{/}2: (2-3) Motivos fundamentais: a volta do ex\u00edlio e a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.

{N}147,{/}4: (4-11) Deus \u00e9 o Senhor do Universo e conduz os ciclos da Natureza. \u00c9 tamb\u00e9m o Senhor da Hist\u00f3ria, onde realiza o julgamento para libertar os pobres. Pede, em troca, que o povo O reconhe\u00e7a como \u00fanico Deus e confie no seu amor.

{N}147,{/}12: (12-14) O novo convite \u00e9 feito aos repatriados e aos habitantes tranquilos da cidade santa: Si\u00e3o.

{N}147,{/}15: (15-20) S\u00edntese: Deus \u00e9 o Senhor absoluto do Universo e da Hist\u00f3ria, que Ele dirige com a sua Palavra, mensageira r\u00e1pida e activa (v. 15), Lei revelada a Jacob.

{N}148,{/}1: (1-6) Sete convites ao louvor s\u00e3o lan\u00e7ados aos elementos da Natureza que est\u00e3o nas alturas e aos anjos da corte celeste. A raz\u00e3o ou motivo apresentado \u00e9 a ac\u00e7\u00e3o criadora de Deus que sustenta e d\u00e1 estabilidade ao Universo inteiro.
  Sl 148: Hino de louvor c\u00f3smico.

{N}148,{/}7: (7-10) Convite aos seres da natureza, na sua globalidade variada e complementar, a entoarem o seu louvor.

{N}148,{/}11: (11-12) Convite \u00e0 humanidade, sem distin\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es, sexo ou idade.

{N}148,{/}13: (13-14) Motivo do convite \u00e9 o Nome do Deus libertador, que governa a Terra e o C\u00e9u, e apoia o combate do seu povo. O final do v. 14 \u00e9 uma esp\u00e9cie de assinatura-dedicat\u00f3ria. A principal tarefa do povo \u00e9 o louvor, atrav\u00e9s do qual se proclama o mist\u00e9rio do Deus vivo.

{N}149,{/}1: (1-2) O c\u00e2ntico novo \u00e9 a proclama\u00e7\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o definitiva, que se vai construindo pouco a pouco na Hist\u00f3ria at\u00e9 um fim de plentitude (cf. Is 61,2).
  Sl 149: Hino de louvor ou canto triunfal celebrando a vit\u00f3ria de Deus e do seu povo.

{N}149,{/}3: (3-4) O motivo central \u00e9 amor de Deus pelo seu povo, dando a vit\u00f3ria aos pobres.

{N}149,{/}5: (5-9) Acompanhando o canto, uma encena\u00e7\u00e3o com dan\u00e7a e espadas celebra o grande julgamento. A suprema fun\u00e7\u00e3o do povo \u00e9 proclamar a vit\u00f3ria do seu Deus sobre todos os poderosos deste mundo.

{N}150,{/}1: O louvor come\u00e7a no Templo, casa de Deus e casa do povo.
  Sl 150: Hino de louvor, encerrando o Salt\u00e9rio. Esta doxologia final re\u00fane sugest\u00f5es de totalidade, de exalta\u00e7\u00e3o e de m\u00fasica. Dez vezes se repete o convite: \u00abLouvai!\u00bb

{N}150,{/}2: \u00abFa\u00e7anhas\u00bb s\u00e3o as interven\u00e7\u00f5es que Deus realiza na Hist\u00f3ria.

{N}150,{/}3: (3-6) Hino com a orquestra a tocar a pleno. O louvor pede toda a for\u00e7a do sopro, ocupa alegremente tudo o que respira.

