{N}1,{/}1: Malaquias talvez permane\u00e7a sempre um profeta an\u00f3nimo para n\u00f3s, pois o seu nome significa simplesmente \u00abmeu mensageiro\u00bb (cf. 3,1).

{N}1,{/}2: (2-5) Malaquias profetiza num tempo em que Jud\u00e1 se empenha na sua reconstru\u00e7\u00e3o. Para sacudir a indiferen\u00e7a, o profeta relembra um facto essencial: Jud\u00e1 \u00e9 o povo escolhido e amado por Jav\u00e9. J\u00e1 nas origens, Deus preferira Jacob, antepassado de Jud\u00e1, a Esa\u00fa, antepassado de Edom. Agora, Edom, invadido h\u00e1 pouco pelos \u00e1rabes, est\u00e1 na desgra\u00e7a.
{N}
1,{/}6: (6-14) \u00c9 no culto que Israel exprime, de forma vis\u00edvel, o afecto e o respeito na sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. Malaquias critica os sacerdotes por desleixarem o culto, n\u00e3o cumprindo as normas da pureza ritual (Lv 22,17-30); al\u00e9m disso, consideram enfadonho o servi\u00e7o sacerdotal. Desse modo, os sacerdotes n\u00e3o valorizam aquilo que, no momento, \u00e9 para o povo uma forma significativa de manter a pr\u00f3pria identidade.

{N}2,{/}1: (1-9) Aos sacerdotes cabiam duas fun\u00e7\u00f5es: ministrar o culto e ensinar conforme as normas da Alian\u00e7a. O profeta j\u00e1 havia criticado os abusos cultuais; agora denuncia a pervers\u00e3o do ensinamento com que os sacerdotes afastam o povo do recto caminho.

{N}2,{/}10: (10-12) Uma das tentativas para manter a identidade religiosa do povo no tempo de Malaquias era a proibi\u00e7\u00e3o do casamento com mulheres estrangeiras (cf. Esd 9-10; Ne 10,29-31; 13,23-29). A raz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o matrim\u00f3nio em si, mas o risco da idolatria que poderia contaminar a comunidade, como j\u00e1 acontecera com Salom\u00e3o (1Rs 11,1-13). Bem diferente \u00e9 a perspectiva do livro de Rute (cf. o livro de Rute).

{N}2,{/}13: (13-16) Conforme Dt 24,1-4, em Israel permitia-se ao marido divorciar-se da mulher. Malaquias \u00e9 mais exigente: para ele, o matrim\u00f3nio \u00e9 uma uni\u00e3o sagrada que ningu\u00e9m pode desfazer sem ir contra o projecto original do Criador (cf. Gn 2,24). Podemos j\u00e1 reconhecer aqui o ideal que mais tarde ser\u00e1 proposto por Jesus (cf. Mc 10,1-12).

{N}2,{/}17: (2,17-3,5) Um dos grandes esc\u00e2ndalos para o povo fiel \u00e9 ver que, na perspectiva da retribui\u00e7\u00e3o terrestre, os maus, mesmo prejudicando outros, levam sempre a melhor, e ainda s\u00e3o respeitados. Malaquias responde a esse esc\u00e2ndalo, mostrando que Deus intervir\u00e1, produzindo uma nova ordem, na qual a justi\u00e7a ser\u00e1 feita e o direito ser\u00e1 restabelecido para todos. A dimens\u00e3o social est\u00e1 vivamente presente (v. 5). Ent\u00e3o, sim, Jav\u00e9 aceitar\u00e1 o culto. O misterioso mensageiro (3,1) era ent\u00e3o uma personagem esperada para os \u00faltimos tempos. Jesus aplicar\u00e1 o texto a Jo\u00e3o Baptista (cf. Mc 1,2; Mt 11,14).

{N}3,{/}6: (6-12) Oferecer o d\u00edzimo a Jav\u00e9 era uma maneira de se responsabilizar pelo culto e de O reconhecer como Senhor da Terra, prestando-Lhe homenagem e atraindo a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o sobre as colheitas amea\u00e7adas pela seca e pelas pragas.

{N}3,{/}13: (13-21) De maneira mais dram\u00e1tica, volta o tema j\u00e1 desenvolvido em 2,17-3,5. A resposta \u00e9 a mesma: Deus far\u00e1 justi\u00e7a um dia, no grande julgamento escatol\u00f3gico (3,2; cf. Am 5,18; Sf 1,14-18) ficar\u00e1 patente a diferen\u00e7a entre o justo e o \u00edmpio. O importante \u00e9 que os justos permane\u00e7am fi\u00e9is, porque \u00e9 atrav\u00e9s deles que Deus vencer\u00e1 a injusti\u00e7a (vv. 20-21).

{N}3,{/}22: (22-24) Esta passagem \u00e9 um acr\u00e9scimo posterior e destina-se a fortalecer o povo num tempo ainda mais dif\u00edcil. Lucas aplica o texto a Jo\u00e3o Baptista (cf. Lc 1,17): Jo\u00e3o \u00e9 o profeta Elias que prepara o dia da justi\u00e7a de Jav\u00e9, realizada em Jesus (cf. nota em Lc 1,5-25).

