{N}1,{/}1: O t\u00edtulo \u00e9 vago, n\u00e3o dando nenhum ind\u00edcio para datar a actividade de Habacuc. \u00c9 prov\u00e1vel que estejamos em Jud\u00e1, no tempo do rei Joaquim, entre os anos 609-600 a.C. ou alguns anos depois.

{N}1,{/}2: (2-4) O profeta interpela o Senhor que parece insens\u00edvel \u00e0 opress\u00e3o e viol\u00eancia que grassam \u00e0 volta. A pr\u00f3pria Lei parece adormecida. O mau agrilhoa o justo.
  1,2-2,4: Habacuc confronta-se com o problema da opress\u00e3o e da viol\u00eancia: tanto a n\u00edvel internacional como nacional, os fortes oprimem os fracos, e Deus parece n\u00e3o resolver a quest\u00e3o. V\u00e1rios profetas explicavam a situa\u00e7\u00e3o, mostrando que os inimigos exteriores eram instrumentos de Deus para castigar o pecado do povo. Habacuc rejeita essa explica\u00e7\u00e3o, mostrando que tamb\u00e9m os inimigos externos s\u00e3o opressores. Neste contexto, qual poder\u00e1 ser a posi\u00e7\u00e3o do justo?

{N}1,{/}5: (5-11) Na interpreta\u00e7\u00e3o de alguns profetas anteriores, o invasor \u00e9 instrumento punitivo enviado por Deus. Aqui, Nabucodonosor, chefe dos caldeus (babil\u00f3nios), invade, confisca, zomba de todos e semeia ru\u00ednas \u00e0 passagem. Ser\u00e1 isso uma interven\u00e7\u00e3o de Deus? O instrumento arvorou-se em lei (v. 7), considerou-se deus (v. 11). A emenda foi pior que a injusti\u00e7a anterior!

{N}1,{/}12: (12-17) Jav\u00e9 \u00e9 o Senhor, firme e justo. Mas a situa\u00e7\u00e3o mant\u00e9m-se: o \u00edmpio devora o justo como o pescador se alimenta de peixe. O \u00edmpio exulta e presta culto aos instrumentos da opress\u00e3o. At\u00e9 quando, Senhor?

{N}2,{/}1: (1-4) Qual sentinela (cf. Is 21; Ez 33,1-9), o profeta n\u00e3o estranharia uma reprimenda (v. 1) porque se atreveu a interpelar Deus acerca dos motivos que norteiam a sua ac\u00e7\u00e3o no tempo (1,13-14). A verdadeira resposta n\u00e3o elimina de vez as interroga\u00e7\u00f5es: Deus agir\u00e1 oportunamente. Os engolidos acabar\u00e3o por se rir das fauces do arrogante. O justo viver\u00e1. S\u00f3 que os tempos de Deus n\u00e3o se cingem aos prazos humanos, em grande parte, por respeito pela liberdade que depositou no cora\u00e7\u00e3o humano.
\u00abO justo viver\u00e1 pela sua fidelidade\u00bb (v. 4), ou seja, importa que o justo tome consci\u00eancia e se mantenha firme, pois \u00e9 atrav\u00e9s da sua fidelidade que Deus age no mundo. Em contexto posterior, Paulo encontrou aqui a s\u00edntese do Evangelho: \u00e9 pela f\u00e9 que o ser humano tem acesso \u00e0 vida que est\u00e1 em Cristo (cf. Gl 3,11; Rm 1,17; 10,9).

{N}2,{/}5: (5-6a) Habacuc compara o tirano insaci\u00e1vel ao b\u00eabedo que n\u00e3o se segura em p\u00e9, embriagado com vinho de m\u00e1 qualidade. O tirano \u00e9 como o t\u00famulo que n\u00e3o se cansa de devorar; mas os que foram devorados acabar\u00e3o por se voltar contra ele.
  2,5-20: A resposta de Jav\u00e9 ao problema intrigante da opress\u00e3o e da injusti\u00e7a desagua numa sequ\u00eancia de cinco \u00abmaldi\u00e7\u00f5es\u00bb que, em moldes violentos, condenam os desvios e tentam recuperar os desviados.

{N}2,{/}6: (6b-8) O sangue humano \u00e9 coisa muito s\u00e9ria. O opressor insaci\u00e1vel acaba por ser despojado pelas pr\u00f3prias v\u00edtimas que ele tinha dominado. 

{N}2,{/}9: (9-11) A casa constru\u00edda com bens roubados denuncia o pr\u00f3prio roubo: at\u00e9 os materiais usados na constru\u00e7\u00e3o tornam presente o clamor dos que foram pilhados.

{N}2,{/}12: (12-14) Uma constru\u00e7\u00e3o erguida a expensas da vida alheia e da injusti\u00e7a ser\u00e1 aniquilada e, ent\u00e3o, todos h\u00e3o-de reconhecer a justi\u00e7a de Deus.

{N}2,{/}15: (15-18) A humilha\u00e7\u00e3o que o dominador causou \u00e0s suas v\u00edtimas volta-se agora contra ele: tamb\u00e9m isso \u00e9 justi\u00e7a de Deus.

{N}2,{/}19: (19-20) A idolatria \u00e9 o m\u00e1ximo da degrada\u00e7\u00e3o, pois significa adorar aquilo que n\u00e3o tem vida e confiar naquilo que n\u00e3o tem poder algum. Em contraste, resplandece a gl\u00f3ria do Deus vivo, Senhor do Universo e da Hist\u00f3ria, sempre pronto para fazer justi\u00e7a.

{N}3,{/}1: (1-2) O salmo relembra as obras que Deus j\u00e1 realizou, e pede uma nova liberta\u00e7\u00e3o no presente.
  3,1-19: O livro de Habacuc encerra com este salmo de confian\u00e7a que rememora as ac\u00e7\u00f5es de Deus no passado, fundamento da ac\u00e7\u00e3o e vit\u00f3ria de Deus no futuro. Trata-se de um canto lit\u00fargico: \u00e9 na liturgia que os justos celebram a esperan\u00e7a, certos de que ela se h\u00e1-de realizar.

{N}3,{/}3: (3-7) A comunidade fundamenta o seu pedido na lembran\u00e7a do \u00eaxodo, quando Jav\u00e9 realizou proezas para libertar o seu povo. A vinda de Jav\u00e9 \u00e9 como furac\u00e3o que agita o Universo criado e abala toda a Hist\u00f3ria.

{N}3,{/}8: (8-15) Com imagens grandiosas, o salmo descreve Jav\u00e9 como Senhor do Universo e da Hist\u00f3ria. Tal como doma e governa as for\u00e7as da Natureza, tamb\u00e9m dirige a Hist\u00f3ria, intervindo para salvar o seu povo oprimido. A ambi\u00e7\u00e3o dos grandes imp\u00e9rios cria o caos na Hist\u00f3ria, mas nem isso anula o projecto de Deus ou a salva\u00e7\u00e3o do seu messias.

{N}3,{/}16: (16-19) A comunidade deixa-se emocionar com a certeza da interven\u00e7\u00e3o libertadora de Jav\u00e9. O salmo termina com uma insuper\u00e1vel profiss\u00e3o de confian\u00e7a: ainda que o pior nos venha a acontecer, negando-se a Natureza a dar-nos os seus frutos, n\u00e3o esmorecer\u00e1 a nossa esperan\u00e7a na for\u00e7a do Senhor.

