{N}1,{/}1: (1-3) Esta fachada solene, com indica\u00e7\u00f5es cronol\u00f3gicas dif\u00edceis de articular (o 5.\u00ba ano da deporta\u00e7\u00e3o de Jeconias seria 593 a.C.), coloca a miss\u00e3o prof\u00e9tica de Ezequiel na Babil\u00f3nia, entre os exilados da primeira deporta\u00e7\u00e3o (597 a.C.; cf. 2Rs 24,10-16), muitos deles fixados como agricultores n\u00e3o longe da capital. O rio Cobar (cf. Sl 137) \u00e9 um dos afluentes do Eufrates.
  1,1-3,21: A narrativa da voca\u00e7\u00e3o (cf. Is 6; Jr 1) deste profeta desconcertante, cujo livro ajuda a entender os destinos do povo de Deus.

{N}1,{/}4: (4-28) Na base da voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, em Israel, h\u00e1 sempre um contacto com o divino, uma nova e significativa experi\u00eancia de Deus. Aqui, ela \u00e9 evocada mediante a vis\u00e3o da {C}gl\u00f3ria{/} ou do {C}carro de Jav\u00e9,{/} onde sobressaem figuras de animais fant\u00e1sticos, s\u00edmbolos das for\u00e7as do Universo, conhecidas na Palestina e sobretudo na Mesopot\u00e2mia, que associam elementos do homem, do touro, do le\u00e3o e da \u00e1guia. O conjunto n\u00e3o tem valor pl\u00e1stico figurativo, mas vale pela for\u00e7a das sugest\u00f5es e pelo alcance simb\u00f3lico. Abunda o n\u00famero quatro - a cifra c\u00f3smica - os pontos cardeais abarcam a totalidade da Terra. A vis\u00e3o surge numa grande nuvem no c\u00e9u, estando Ezequiel na Babil\u00f3nia. Mesmo sem palavras, a descoberta fica clara: longe de estar confinado ao santu\u00e1rio de Jerusal\u00e9m, Jav\u00e9 pode deslocar-Se, atravessar as fronteiras da Terra santa e acompanhar os deportados no ex\u00edlio, embora se possa passar o contr\u00e1rio (cf. 11,15). A \u00abgl\u00f3ria de Jav\u00e9\u00bb \u00e9 o pr\u00f3prio Deus enquanto Se revela no seu poder e santidade (v. 28), no brilho ofuscante em cujo centro se vislumbra uma silhueta humana.

{N}2,{/}1: (2,1-3,15) Perante a manifesta\u00e7\u00e3o aparatosa de Deus, a {C}simples criatura humana{/} \u00e9 um quase nada que precisa de esp\u00edrito (for\u00e7a) divino para se manter de p\u00e9, pronto para cumprir a miss\u00e3o. A express\u00e3o {C}criatura humana{/} equivale \u00e0 denomina\u00e7\u00e3o {C}Filho do homem,{/} que em Dn 7,13 ascender\u00e1 a t\u00edtulo messi\u00e2nico, mais tarde da prefer\u00eancia de Jesus (cf. Mt 8,20). Sublinha a dist\u00e2ncia existente entre Deus e o homem. Seguem-se os demais elementos caracter\u00edsticos das narrativas de voca\u00e7\u00e3o: o envio, a f\u00f3rmula introdut\u00f3ria do or\u00e1culo, a previs\u00edvel oposi\u00e7\u00e3o de Israel e o tema da dif\u00edcil docilidade \u00e0 Palavra, sendo esta simbolizada pelo livro que o profeta \u00e9 convidado a comer (2,8-3,15).

{N}3,{/}16: (16-21) Investido como sentinela da justi\u00e7a de Deus, o profeta zela a causa do povo e de cada um dos seus membros, justo ou injusto, numa distribui\u00e7\u00e3o cada vez mais clara de responsabilidades pessoais. O tema est\u00e1 mais desenvolvido em 33,1-20.

{N}3,{/}22: (22-27) A miss\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, pois encontra muitas oposi\u00e7\u00f5es. Por vezes, o profeta \u00e9 impedido de agir. Mas tudo \u00e9 ocasi\u00e3o para mensagem: sil\u00eancio ou proclama\u00e7\u00e3o, sa\u00edda ou reclus\u00e3o em casa. Urge estar dispon\u00edvel e atento.
  3,22-24,27: Esta longa cadeia de or\u00e1culos anuncia, aos exilados na Babil\u00f3nia, o julgamento e a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. N\u00e3o t\u00eam nada que cobi\u00e7ar a sorte dos que l\u00e1 ficaram.

{N}4,{/}1: (1-3) A efic\u00e1cia da ac\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica j\u00e1 era conhecida (cf. Jr 18,1-12). Aqui, o profeta recorre a uma m\u00edmica expressiva (tijolo sitiado, imobilidade do protagonista, comida miser\u00e1vel e cabelos dispersos) para prefigurar o cerco, a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e a dispers\u00e3o dos seus habitantes, facto que se veio a dar em 586 a.C. Aos exilados da primeira leva (597 a.C.) n\u00e3o compete invejar a sorte dos que ficaram em Jud\u00e1. A aten\u00e7\u00e3o e a esperan\u00e7a n\u00e3o podem estar viradas para o passado; s\u00e3o realidades do futuro que ser\u00e1 radicalmente novo.

{N}4,{/}4: (4-8) Outra a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, ali\u00e1s dolorosa para o profeta, pois representa o povo no ex\u00edlio (Israel na Ass\u00edria, e Jud\u00e1 na Babil\u00f3nia). A perspectiva, por\u00e9m, \u00e9 positiva: um dia o ex\u00edlio vai terminar. 

{N}4,{/}9: (9-17) Uma das mais graves consequ\u00eancias do cerco \u00e9 a fome e a sede, com o racionamento que da\u00ed resulta. E o pior vir\u00e1: com o ex\u00edlio, cair\u00e1 por terra a distin\u00e7\u00e3o entre puro e impuro, entre sagrado e profano, e isso abalar\u00e1 a identidade do povo, que se apoiava nessas refer\u00eancias para se considerar povo de Jav\u00e9. A verdadeira identidade do povo escolhido tem de ter outros pilares.

{N}5,{/}1: (1-17) Esta nova ac\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica apresenta o destino de Jerusal\u00e9m e dos seus habitantes: destru\u00edda pelo fogo, cercada pelo inimigo, os seus moradores mortos ou espalhados por outros pa\u00edses. A na\u00e7\u00e3o chegar\u00e1 ao fim, atrav\u00e9s do fogo e da fome, da guerra e da peste. Porqu\u00ea? Ora, porque o povo de Deus conhecia a justi\u00e7a, e n\u00e3o a praticou; foi escolhido para a alian\u00e7a, e n\u00e3o a viveu. A pr\u00e1tica da justi\u00e7a, centro do projecto de Deus, \u00e9 o alicerce de qualquer sociedade que vise o bem. Quando isso se esquece, a sociedade atrai injusti\u00e7as e opress\u00f5es, e corre s\u00e9rios riscos.

{N}6,{/}1: (1-14) Por causa da idolatria, toda a Terra Prometida ser\u00e1 destru\u00edda, pois \u00e9 pela idolatria que se torna manifesta a oposi\u00e7\u00e3o ao projecto de Jav\u00e9. O profeta critica tanto o culto aos deuses falsos que promovem a injusti\u00e7a, como tamb\u00e9m o culto idol\u00e1trico a Jav\u00e9, culto este que serve de m\u00e1scara para ocultar um ate\u00edsmo pr\u00e1tico. A seu tempo, todos sem excep\u00e7\u00e3o, na forte express\u00e3o de Ezequiel, ficar\u00e3o a saber quem \u00e9 Deus (vv. 4 e 14).

{N}7,{/}1: (1-27) O profeta anuncia o fim. O dia de Jav\u00e9 (v. 7; cf. Am 5,18) est\u00e1 pr\u00f3ximo e ser\u00e1 terr\u00edvel, n\u00e3o por qualquer arb\u00edtrio divino, mas apenas como manifesta\u00e7\u00e3o da verdade que as pessoas vivem e praticam (v. 9). Destacam-se o orgulho, a viol\u00eancia, a compra e venda desenfreadas, a acumula\u00e7\u00e3o do luxo, a aceita\u00e7\u00e3o dos \u00eddolos. Pois bem, a desgra\u00e7a generalizada (v. 5) n\u00e3o poupar\u00e1 ningu\u00e9m; \u00abfome, peste e guerra\u00bb formam a trilogia exterminadora (vv. 15-16) que devorar\u00e1 o resto de Jud\u00e1 e da sua capital. A sua for\u00e7a expressiva conquistou lugar no {C}dia da desola\u00e7\u00e3o{/} do discurso escatol\u00f3gico (Mt 26,16-18).
Como quer que seja entendido, o julgamento divino desclassifica todo e qualquer projecto apoiado no crime, viol\u00eancia e opress\u00e3o, ou enfeiti\u00e7ado por \u00eddolos. Al\u00e9m disso, n\u00e3o est\u00e1 relegado para o chamado fim do mundo; est\u00e1 presente silenciosamente em cada momento da Hist\u00f3ria.

{N}8,{/}1: (1-18) O Templo de Jerusal\u00e9m era uma esp\u00e9cie de sacramento da presen\u00e7a de Jav\u00e9, o Deus que fez alian\u00e7a com o povo, para empreender com ele um projecto de vida justa. Em flagrante contraste, o profeta \u00e9 guiado pelo esp\u00edrito divino atrav\u00e9s da cidade e do seu santu\u00e1rio, e s\u00f3 contempla abomina\u00e7\u00f5es, culto prestado a deuses estrangeiros (vv. 3 e 14), desrespeito pelas regras sagradas, sob pretexto de que \u00abJav\u00e9 n\u00e3o v\u00ea, pois abandonou o pa\u00eds\u00bb (v. 12); a na\u00e7\u00e3o est\u00e1 mergulhada em viol\u00eancias (v. 17). Falando \u00e0 maneira humana, a ira de Jav\u00e9 est\u00e1 decidida a intervir.

{N}9,{/}1: (1-11) A idolatria e a injusti\u00e7a provocam a destrui\u00e7\u00e3o irremedi\u00e1vel. Mas, se o castigo \u00e9 grande, n\u00e3o ser\u00e1 total. O povo justo \u00e9 preservado (a marca na testa \u00e9 a letra T do alfabeto hebraico). No \u00eaxodo, foram assinaladas as casas (Ex 12,7); aqui, o sinal marca as pessoas, de acordo com a doutrina do cap\u00edtulo 18. O pr\u00f3prio profeta intercede pelo povo (v. 8). Mais uma vez, o profeta mostra o que \u00e9 a justi\u00e7a de Deus: salva\u00e7\u00e3o ou condena\u00e7\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia directa do que cada um \u00e9 e faz.

{N}10,{/}1: (1-22) Esta nova vis\u00e3o, com vest\u00edgios da vis\u00e3o inaugural (Ez 1), d\u00e1 seguimento \u00e0 do cap\u00edtulo anterior: castigados os moradores, segue-se a destrui\u00e7\u00e3o da cidade de Jerusal\u00e9m por meio do fogo. \u00c9 significativo que o inc\u00eandio devorador seja ateado por fogo procedente do pr\u00f3prio altar de Deus (v. 6; cf. Is 6,6). Por fim, a \u00abgl\u00f3ria de Jav\u00e9\u00bb abandona o santu\u00e1rio (vv. 18-22). Deus n\u00e3o \u00e9 c\u00famplice do desvario injusto e idol\u00e1trico. De lugar privilegiado para manifestar a presen\u00e7a divina, Jerusal\u00e9m transformou-se em lugar da aus\u00eancia de Deus.

{N}11,{/}1: (1-13) A passagem liga-se talvez ao cap\u00edtulo 8: vis\u00e3o dos pecados de Jerusal\u00e9m, antes do exterm\u00ednio da cidade. Os que escaparam \u00e0 primeira deporta\u00e7\u00e3o alimentam a presun\u00e7\u00e3o de estarem seguros dentro das muralhas, tal como a carne na panela (v. 3) est\u00e1 protegida contra o fogo. (Ver em 24,1-14, outra utiliza\u00e7\u00e3o da mesma imagem). Pura ilus\u00e3o! O v. 6 parece aludir aos crimes cometidos pelos grandes e respons\u00e1veis do pa\u00eds. Tamb\u00e9m esses ser\u00e3o obrigados a sair para receberem o castigo.

{N}11,{/}14: (14-21) Aos presumidos que ficaram em Jerusal\u00e9m (v. 15), o profeta declara que Deus est\u00e1 com os exilados. Embora dispersos, n\u00e3o foram abandonados por Deus; e as terras estrangeiras n\u00e3o os impedem de terem agora com Deus uma intimidade muito semelhante \u00e0 experimentada antes no famoso santu\u00e1rio. Aflora j\u00e1 o tema dum novo \u00eaxodo e duma nova alian\u00e7a, baseada no cora\u00e7\u00e3o de carne e num esp\u00edrito novo.

{N}11,{/}22: (22-25) Cf. nota em 10,1-22.

{N}12,{/}1: (1-20) Outra ac\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de advert\u00eancia para o pr\u00edncipe e para o povo. Os gestos e atitudes do profeta, mesmo representados em sil\u00eancio, s\u00e3o press\u00e1gios e garantias de decis\u00f5es que Deus entende levar a cabo: o ex\u00edlio \u00e9 inevit\u00e1vel e aproxima-se. Os vv. 12-14 evocam certamente a tentativa de fuga do rei Sedecias, atrav\u00e9s duma brecha da muralha, e a sua captura, mais a cegueira que lhe foi infligida \u00e0 for\u00e7a, antes de seguir para a Babil\u00f3nia (cf. 2Rs 25,1-7).

{N}12,{/}21: (21-28) Os tempos n\u00e3o eram nada prop\u00edcios ao acolhimento desta mensagem prof\u00e9tica. Ezequiel n\u00e3o inventava nada; limitava-se, \u00e0 luz de Deus, a analisar a situa\u00e7\u00e3o e a discernir as consequ\u00eancias calamitosas que se avizinhavam. Apesar de se interrogar, de vez em quando, o povo olhava com desprezo e descr\u00e9dito as palavras do profeta. Obviamente, ele n\u00e3o se podia conformar.

{N}13,{/}1: (1-16) O cap\u00edtulo inscreve-se no tema cl\u00e1ssico da luta contra os falsos profetas (cf. 1Rs 22,13-28; Am 7,14; Jr 27-29; Dt 18,10-14). Ezequiel denuncia a falsidade da prega\u00e7\u00e3o de sabor apaziguante e vazio que os seus advers\u00e1rios dirigem ao povo. Falam em paz quando n\u00e3o h\u00e1 {C}paz{/} (v. 10). A {C}shalom{/} compreende a aus\u00eancia de guerras exteriores e, al\u00e9m disso, prosperidade e conc\u00f3rdia que n\u00e3o existem (cf. Jr 6,14). Acham enganosamente que o reboco que cobre as fendas d\u00e1 seguran\u00e7a \u00e0s muralhas (vv. 11-12).

{N}13,{/}17: (17-23) A palavra de Deus n\u00e3o exclui as mulheres. De facto, em Israel encontramos diversas profetisas e videntes: Maria, D\u00e9bora, Hulda. Levado pela inseguran\u00e7a, o povo vive em busca de algu\u00e9m que lhe possa dar orienta\u00e7\u00e3o, conselho, discernimento, em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Os charlat\u00e3es entram em cena, com falsas profecias; at\u00e9 as mulheres avan\u00e7am com pr\u00e1ticas que ro\u00e7am a magia.

{N}14,{/}1: (1-11) A idolatria consiste em substituir o Deus vivo por \u00eddolos ou falsos deuses. \u00c9 absolutizar uma coisa relativa (dinheiro, poder, prest\u00edgio). O Deus vivo projecta a {C}justi\u00e7a{/} que produz liberdade e vida para todos. O auge da idolatria \u00e9 a pervers\u00e3o total da consci\u00eancia (cora\u00e7\u00e3o), tornada incapaz de perceber as consequ\u00eancias que a adora\u00e7\u00e3o dos \u00eddolos provoca. O \u00fanico caminho \u00e9 a convers\u00e3o (v. 6; cf. Zc 1,4). Com \u00eddolos no cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 in\u00fatil consultar o profeta, procurando sancionar a ambiguidade ou proteger-se debaixo da sua capa; o pr\u00f3prio Deus Se encarrega de p\u00f4r tudo a claro.

{N}14,{/}12: (12-23) No\u00e9, Danel e Job eram modelos de homens justos. O profeta Ezequiel mostra que nem mesmo esses justos conseguiriam salvar uma sociedade que abandonou o Deus vivo e se corrompeu com a injusti\u00e7a provocada pelos \u00eddolos. Enquanto Jeremias (Jr 15,1) recorre aos grandes intercessores conhecidos da Hist\u00f3ria (Mois\u00e9s e Samuel), Ezequiel introduz aqui nomes de estrangeiros (Danel, o justo e s\u00e1bio da tradi\u00e7\u00e3o fen\u00edcia), para mostrar que todos os humanos (e n\u00e3o apenas os israelitas) ser\u00e3o julgados segundo os seus actos e n\u00e3o em considera\u00e7\u00e3o aos antepassados ou contempor\u00e2neos. A insist\u00eancia transita do colectivo para a responsabilidade pessoal, o que representa um progresso apreci\u00e1vel, reafirmado em 18 e 33,10-20, apenas sublimado depois pela solidariedade da f\u00e9 crist\u00e3.

{N}15,{/}1: (1-8) S\u00edmbolo da riqueza do solo e da felicidade, imagem do pr\u00f3prio povo de Deus (cf. Is 5,1-7; Jo 15,1-6), a vinha estava chamada a dar fruto. Ora, na \u00e9poca, o povo, fiado precisamente no estatuto de vinha escolhida por Deus, mostrava-se est\u00e9ril. Da\u00ed a desgra\u00e7a amea\u00e7adora: o fogo seria o fim, como j\u00e1 se vira na queda de Samaria e na primeira deporta\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1 para a Babil\u00f3nia.

{N}16,{/}1: (1-14) No cap\u00edtulo 16, Ezequiel faz um retrato simb\u00f3lico da hist\u00f3ria de Jerusal\u00e9m. Nestes vers\u00edculos, o profeta descreve a origem e apogeu da cidade: de humildes origens pag\u00e3s, Jerusal\u00e9m tornou-se, no tempo de David, a capital de todo o reino de Israel. Desse modo, Jerusal\u00e9m \u00e9 o s\u00edmbolo concreto da alian\u00e7a amorosa entre Deus e o seu povo.

{N}16,{/}15: (15-34) Jerusal\u00e9m \u00e9 a esposa amada de Jav\u00e9. Mas ela \u00e9 infiel, prostituiu-se aos deuses estrangeiros. A imagem sugestiva, que data de Oseias (Os 1,2), assume aqui tons pat\u00e9ticos. A ad\u00faltera tem rela\u00e7\u00f5es com os vizinhos; primeiro, com os eg\u00edpcios, depois com os ass\u00edrios e babil\u00f3nicos. Ora, essas alian\u00e7as pol\u00edticas com outras na\u00e7\u00f5es s\u00e3o atitudes de infidelidade, gestos de prostitui\u00e7\u00e3o muito caros, que acarretam preju\u00edzos impens\u00e1veis para os filhos, sacrificados aos deuses importados (vv. 20-21), e para a m\u00e3e que n\u00e3o tira qualquer proveito ao oferecer-se perdidamente.

{N}16,{/}35: (35-43) A corrup\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m chega ao m\u00e1ximo e atrai o julgamento, que consiste em mostrar a verdade dos factos. A condena\u00e7\u00e3o consiste em arcar com as consequ\u00eancias. A cidade, qual figura feminina exposta e abandonada, ser\u00e1 destru\u00edda pelos seus amantes que se reunir\u00e3o para esse efeito.

{N}16,{/}44: (44-58) Sodoma era o exemplo da corrup\u00e7\u00e3o total (cf. Gn 19). Samaria, a capital do reino do Norte, foi destru\u00edda em 722 a.C., por causa da idolatria (cf. 2Rs 17,1-18). Pior do que elas \u00e9 Jerusal\u00e9m, a cidade escolhida para ser o centro vital de todo o povo. Em Jerusal\u00e9m, a corrup\u00e7\u00e3o e idolatria chegaram a tal ponto que Sodoma e Samaria at\u00e9 parecem santas.

{N}16,{/}59: (59-63) Estes vers\u00edculos procuram introduzir um tom de esperan\u00e7a na situa\u00e7\u00e3o calamitosa descrita antes. Como em Oseias, o processo termina com o perd\u00e3o gratuito do esposo, ponto de partida para novo compromisso e alian\u00e7a. A fidelidade divina \u00e9 mais forte do que os desvios do povo eleito. O perd\u00e3o de Jav\u00e9 leva o povo a calar-se (cf. Is 52,15; Job 40,4), em sinal de respeito, em reconhecimento do pr\u00f3prio engano; e assim recome\u00e7a nova etapa.

{N}17,{/}1: (1-24) Uma alegoria, que engloba duas \u00e1guias, o cedro e a vinha (vv. 3-10), logo seguida da chave de interpreta\u00e7\u00e3o (vv. 12-21), evoca a hist\u00f3ria atribulada dos reis contempor\u00e2neos. Nabucodonosor, a grande \u00e1guia, em 597 a.C., deporta o rei Jeconias e os not\u00e1veis de Jud\u00e1 para os territ\u00f3rios da Babil\u00f3nia (vv. 4,11), e coloca no trono de Jerusal\u00e9m Sedecias, seu vassalo (vv. 5.13). Esquecendo tais compromissos e influenciado por partid\u00e1rios do Egipto, Sedecias procura aliar-se ao Fara\u00f3, a outra \u00e1guia (vv. 7.15), na veleidade de escapar \u00e0 vassalagem imposta. A estrat\u00e9gia n\u00e3o resultou; pelo contr\u00e1rio, apressou apenas as repres\u00e1lias do imp\u00e9rio babil\u00f3nico.
Os factos v\u00eam narrados em 2Rs 24,10-20; 25,1-20 e s\u00e3o exemplares. Um pa\u00eds pequeno n\u00e3o tem vantagens em recorrer a uma grande pot\u00eancia para se ver livre de outra igual ou parecida. J\u00e1 era a posi\u00e7\u00e3o de Jeremias que, enfrentando incompreens\u00f5es e cal\u00fanias, aconselhava simplesmente a submiss\u00e3o \u00e0 Babil\u00f3nia. Verdadeiramente, o pr\u00f3prio Deus era quem estava empenhado na salva\u00e7\u00e3o e prosperidade do povo (vv. 22-24).

{N}18,{/}1: (1-32) Ezequiel fala ao grupo dos exilados que est\u00e1 na Babil\u00f3nia. Porque \u00e9 que lhes tocou tal sorte? A ideia da responsabilidade e retribui\u00e7\u00e3o colectiva dizia que bem poderiam estar a pagar erros acumulados de gera\u00e7\u00f5es anteriores. Em paralelo com esta opini\u00e3o generalizada, outros estavam atentos aos comportamentos individuais. J\u00e1 Jeremias acolhera a novidade (Jr 31,29-30). Aqui, Ezequiel desenvolve a responsabilidade pessoal:
-Cada pessoa e cada gera\u00e7\u00e3o \u00e9 {C}respons\u00e1vel{/} pela sua conduta, tanto a n\u00edvel individual como colectivo.
-Cada pessoa e gera\u00e7\u00e3o tem a {C}possibilidade de se converter,{/} mudando completamente a orienta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida.
Ezequiel n\u00e3o nega que uma gera\u00e7\u00e3o possa sofrer consequ\u00eancias de actos da gera\u00e7\u00e3o anterior. Embora a {C}culpa{/} seja das gera\u00e7\u00f5es anteriores, aquela que sofre as {C}consequ\u00eancias{/} dever\u00e1 tomar posi\u00e7\u00e3o e mudar o rumo dos acontecimentos.

{N}19,{/}1: (1-9) Em forma de lamenta\u00e7\u00e3o, o poema retrata os \u00faltimos tempos da realeza em Jud\u00e1. A leoa representa o povo, os le\u00f5ezinhos s\u00e3o os reis. O primeiro le\u00e3ozinho (vv. 3-4) \u00e9 o rei Joacaz, deposto pelo Fara\u00f3 Necao e levado para o Egipto (cf. 2Rs 20,3-34). O segundo (vv. 5-9) \u00e9 o rei Jeconias que, depois de reinar tr\u00eas meses, foi levado para a Babil\u00f3nia (cf. 2Rs 24,8-17). A sua pol\u00edtica de alian\u00e7as com as grandes pot\u00eancias da \u00e9poca n\u00e3o resultou e acarretou a ru\u00edna de todo o povo.

{N}19,{/}10: (10-14) A videira \u00e9 um s\u00edmbolo cl\u00e1ssico do povo de Israel, j\u00e1 antes utilizado por Ezequiel (15; 17,7-9) e por outros profetas (cf. Is 5,1-7). A sorte da vinha anda associada \u00e0 dos vinhateiros (cf. Mc 12,1-12).

{N}20,{/}1: (1-44) Os exilados na Babil\u00f3nia est\u00e3o desprovidos de templo e culto. Os anci\u00e3os v\u00eam consultar Ezequiel sobre a conveni\u00eancia de erguer um santu\u00e1rio em terras da Babil\u00f3nia ou, ao menos, de assegurar um culto organizado (v. 32) a Jav\u00e9. A resposta \u00e9 negativa: os exilados n\u00e3o podem pensar que a situa\u00e7\u00e3o em que se encontram \u00e9 definitiva; o lugar da alian\u00e7a com Jav\u00e9 e do culto \u00e9 a terra de Israel e o Templo em Jerusal\u00e9m (v. 40). Na resposta, Ezequiel faz uma longa retrospectiva da Hist\u00f3ria de Israel, onde a tenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua foi abandonar Jav\u00e9 para seguir os \u00eddolos e praticar a injusti\u00e7a (abomina\u00e7\u00e3o). Por causa disso, aconteceu o ex\u00edlio. Mas o profeta termina com uma nota de esperan\u00e7a: quando Jav\u00e9 os libertar e repatriar, eles tomar\u00e3o consci\u00eancia dos pr\u00f3prios erros.

{N}21,{/}1: (1-37) O cap\u00edtulo parece reunir fragmentos de origem diversa, unidos pela palavra {C}espada{/}: \u00e9 a espada de Jav\u00e9; \u00e9 a espada do rei da Babibl\u00f3nia (v. 24), provocado pela recusa de vassalagem por parte de Sedecias; \u00e9 a espada contra os Amonitas que n\u00e3o se podem considerar livres de perigo (vv. 33-37) pelo facto de Jerusal\u00e9m ter sido atingida (v. 27). A amea\u00e7a do come\u00e7o (vv. 1-5) engloba a espada, s\u00edmbolo da guerra, e o fogo.
Ezequiel garante que o julgamento de Jav\u00e9 toca o justo e o pecador, o bom e o mau (vv. 8-10). Ser\u00e3o resqu\u00edcios do antigo dogma da solidariedade no castigo, mesmo sabendo j\u00e1 conquistado o princ\u00edpio da responsabilidade pessoal (cf. 14,12;18)? Ou ser\u00e1 o modo bem semita de exprimir a ideia da totalidade, calando momentaneamente os matizes e explicitando apenas os extremos? Notar, a partir do v. 24, mais um gesto simb\u00f3lico do profeta, que sust\u00e9m a sua prega\u00e7\u00e3o e lhe empresta o vigor da efic\u00e1cia.

{N}22,{/}1: (1-31) Na linha dos cap\u00edtulos 16, 20 e 23, o profeta volta aos crimes de Jerusal\u00e9m, sem rodeios nem par\u00e1bolas, visando em particular as abomina\u00e7\u00f5es presentes. A acusa\u00e7\u00e3o cita a cidade por derramar sangue e fabricar \u00eddolos (v. 3) e, de seguida, percorre os mandamentos (vv. 6-12), mostrando que as rela\u00e7\u00f5es fraternas est\u00e3o degradadas: roubo, viol\u00eancia, explora\u00e7\u00e3o dos pobres, opress\u00e3o dos fracos, mentira, cal\u00fania, decad\u00eancia de costumes. Os respons\u00e1veis pela comunidade - profetas, sacerdotes e chefes - abandonaram ou perverteram as suas tarefas (vv. 25-28); n\u00e3o admira que os demais habitantes multipliquem a viol\u00eancia e o roubo, oprimam o pobre e o indigente, maltratem o estrangeiro, n\u00e3o respeitando os seus direitos (v. 29). S\u00e3o palavras textuais sobre atitudes \u00abtipo\u00bb que acompanham os tempos. E Deus ia ficar alheio ao sofrimento de tantas v\u00edtimas?

{N}23,{/}1: (1-49) Ezequiel tra\u00e7a um perfil hist\u00f3rico e simb\u00f3lico de Samaria e Jerusal\u00e9m, respectivamente capitais do reino do Norte (Israel) e do reino do Sul (Jud\u00e1). O profeta generaliza, mostrando que desde o princ\u00edpio a Hist\u00f3ria desses dois reinos foi marcada pela idolatria, aqui apresentada como infidelidade ou prostitui\u00e7\u00e3o, na linha dos compromissos entre Deus e o seu povo, representados nas tribula\u00e7\u00f5es de Oseias com a sua esposa (cf. Os 1-3; Jr 2,2). De facto, Israel e Jud\u00e1 abandonaram o projecto de Jav\u00e9 para se submeterem ao fasc\u00ednio das grandes pot\u00eancias. Estas, depois de terem sugado os dois reinos, acabaram por destru\u00ed-los. Os vv. 35-49 s\u00e3o provavelmente acr\u00e9scimos posteriores, que retomam temas j\u00e1 expostos antes nos vv. 1-34.

{N}24,{/}1: (1-14) O texto fala do cerco de Jerusal\u00e9m, iniciado em 5 de Janeiro de 587 a.C. A compara\u00e7\u00e3o parte de um ditado popular desses tempos (cf. 11,3), que apresentava Jerusal\u00e9m como cidade invenc\u00edvel e segura. O profeta, por\u00e9m, mostra que tanto a cidade (panela) como os seus habitantes (peda\u00e7os de carne) est\u00e3o de tal maneira corrompidos (ferrugem) que nem mesmo um supremo esfor\u00e7o poder\u00e1 salvar a situa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 a panela vai ser queimada com todo o seu conte\u00fado.

{N}24,{/}15: (15-24) A pr\u00f3pria vida do profeta torna-se s\u00edmbolo da vida do povo: a morte da sua esposa (encanto dos seus olhos) mostra a destrui\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m. N\u00e3o adianta ficar de luto e chorar. O que fazer ent\u00e3o? \u00c9 o momento de cair em si e assumir a pr\u00f3pria culpa, a fim de reconhecer Jav\u00e9 e o seu agir.

{N}24,{/}25: (25-27) Cf. 3,22-27 e 33,21-22. Ezequiel fica mudo durante seis meses, desde a morte da esposa at\u00e9 \u00e0 chegada do fugitivo que anuncia a queda de Jerusal\u00e9m. Este mutismo \u00e9 sinal do sil\u00eancio de Deus: n\u00e3o h\u00e1 nada mais a dizer sobre a cidade corrupta. Com o fim da mudez, come\u00e7a uma nova fase de actividade: o profeta volta-se agora para a constru\u00e7\u00e3o de um futuro novo e cheio de esperan\u00e7a (cf. Ez 40-48).

{N}25,{/}1: (1-7) Os amonitas, parentes dos hebreus (cf. Gn 19,30-38), viviam a Leste do Jord\u00e3o e participaram em diversas iniciativas contra Nabucodonosor. Por ocasi\u00e3o do combate, abandonaram os israelitas e ainda se alegraram com a destrui\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1.
  25-32: Antes, por\u00e9m, o livro re\u00fane um conjunto de or\u00e1culos {C}contra as na\u00e7\u00f5es,{/} mediante os quais alarga a condena\u00e7\u00e3o divina aos povos que, no contexto da expans\u00e3o babil\u00f3nica, se tornaram c\u00famplices ou provocadores dos males que afligiram o povo de Deus.

{N}25,{/}8: (8-11) Situado a Leste do mar Morto, Moab gozava de seguran\u00e7a, mas n\u00e3o p\u00f4de resistir aos babil\u00f3nios. 

{N}25,{/}12: (12-14) Edom tamb\u00e9m gozava de posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica privilegiada, e sempre manteve rela\u00e7\u00e3o hostil contra os israelitas. O rancor dos edomitas chegou ao m\u00e1ximo por ocasi\u00e3o da queda de Jerusal\u00e9m: eles cooperaram com o inimigo na destrui\u00e7\u00e3o da capital e do pa\u00eds irm\u00e3o (cf. Abdias).

{N}25,{/}15: (15-17) Os filisteus habitavam no litoral Sul e sempre foram grande amea\u00e7a para o povo de Israel.

{N}26,{/}1: (1-21) Tiro era ent\u00e3o uma ilha fortaleza, batida apenas pelas vagas. Foi cercada por Nabucodonosor em 585 a.C. Resistiu durante treze anos, ao fim dos quais foi tomada, perdendo grande parte da sua supremacia comercial. S\u00f3 mais tarde foi devastada. Ezequiel v\u00ea a ru\u00edna da cidade como destino exemplar que vale para os reinos vizinhos (filhas do campo, ilhas). Nabucodonosor (v. 7), o maior soberano da Babibl\u00f3nia, reinou de 605 a 562 a.C., p\u00f4s termo ao poderio ass\u00edrio, derrotou o ex\u00e9rcito eg\u00edpcio em Carquemis e assenhoreou-se de toda a Palestina at\u00e9 \u00e0 fronteira com o Egipto, pa\u00eds que n\u00e3o conseguiu dominar, contrariamente \u00e0 expectativa de Ezequiel 30,10-11.
  26-28: Ezequiel descreve demoradamente o destino de Tiro, porque esta capital da Fen\u00edcia \u00e9 o melhor exemplo de uma grande pot\u00eancia, a\u00ed pelo ano 600 a.C. Tiro est\u00e1 situada numa ilha fortificada e praticamente invenc\u00edvel, posi\u00e7\u00e3o que lhe garante o com\u00e9rcio mar\u00edtimo e a acumula\u00e7\u00e3o de grandes riquezas. O ressurgimento do imp\u00e9rio babil\u00f3nico leva Tiro a envolver-se em alian\u00e7as improvisadas contra a nova superpot\u00eancia. Chegados os confrontos b\u00e9licos, Tiro conseguiu resistir mais e, doentiamente, alegrou-se com a queda precipitada dos seus aliados, regressados sem cerim\u00f3nia \u00e0 sua antiga condi\u00e7\u00e3o de concorrentes. O ju\u00edzo cr\u00edtico pronunciado por Ezequiel visa principalmente a auto-sufici\u00eancia e o ego\u00edsmo que costumam caracterizar qualquer grande pot\u00eancia. Tudo leva a crer que o autor do Apocalipse se tenha inspirado nestes cap\u00edtulos para evocar tamb\u00e9m \u00e0 sua maneira a futura queda do Imp\u00e9rio romano (cf. Ap 18).

{N}27,{/}1: (1-36) Situada numa ilha, Tiro \u00e9 comparada a um navio de luxo, que vive do com\u00e9rcio e termina em naufr\u00e1gio. O cap\u00edtulo \u00e9 um documento cr\u00edtico sobre a sociedade materialista e consumista que enriquece apenas uns quantos.

{N}28,{/}1: (1-19) O julgamento contra o rei de Tiro mostra o caminho de pervers\u00e3o humana, que arru\u00edna a pessoa e a sociedade. O processo percorre os tr\u00e2mites da esperteza posta ao servi\u00e7o da acumula\u00e7\u00e3o de bens (baseada no com\u00e9rcio e na ind\u00fastria da p\u00farpura), da injusti\u00e7a e da auto-sufici\u00eancia, que desaguam no castigo e na derrocada vergonhosa. O quadro tem como pano de fundo os componentes de Gn 2-3: o pretenso igualamento a Deus (v. 2), a sabedoria como pretexto para a auto-sufici\u00eancia (vv. 3-4), a amea\u00e7a da morte (v. 8), o jardim do \u00c9den e a Cria\u00e7\u00e3o (v. 13), o querubim (v. 14) e o desmoronamento (v. 16). \u00c9 uma medita\u00e7\u00e3o sobre as ra\u00edzes profundas do pecado.

{N}28,{/}20: (20-23) Sid\u00f3nia participou na coliga\u00e7\u00e3o que acabou por arrastar Jud\u00e1 para a ru\u00edna (cf. Jr 27,3). Note-se que a gl\u00f3ria de Deus \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o da sua santidade, e esta consiste na justi\u00e7a. 

{N}28,{/}24: (24-26) Ao terminar os or\u00e1culos contra as na\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas, Ezequiel tem uma palavra de esperan\u00e7a para os israelitas: o povo reunir-se-\u00e1, reconstruir\u00e1 a sua p\u00e1tria e poder\u00e1 viver tranquilo e seguro. O Deus da alian\u00e7a continuar\u00e1 em Israel.

{N}29,{/}1: (1-16) Crocodilo (= enorme drag\u00e3o, v. 3) - personagem mitol\u00f3gica inimiga de Deus, como se v\u00ea em Ez 32,2; Job 7,12;40,25-41,26; Sl 74,13) e cani\u00e7o (v. 6) eram s\u00edmbolos do Egipto. Ezequiel ironiza a figura do Fara\u00f3 e as suas alian\u00e7as enganadoras com Jud\u00e1. O ex\u00edlio e a restaura\u00e7\u00e3o prometidos ao Egipto aludem provavelmente ao seu retorno \u00e0s fronteiras originais, com a perda da sua import\u00e2ncia no cen\u00e1rio internacional.
  29-33: Paralela \u00e0 anterior que visava Tiro (26-28), esta nova s\u00e9rie de or\u00e1culos, virada contra o Egipto, pretende dissuadir Jud\u00e1 de procurar apoio no Sul para resistir ou tomar partido contra a Babil\u00f3nia, que atravessa o seu per\u00edodo de fulgor. O Egipto n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de poder influir eficazmente na vida da Palestina. O profeta fala da sua queda, fazendo ironia do seu antigo poderio e dos seus Fara\u00f3s.

{N}29,{/}17: (17-21) Dado que a cidade n\u00e3o foi ent\u00e3o pilhada, a simples tomada de Tiro n\u00e3o trouxe grande lucro ao ex\u00e9rcito babil\u00f3nico. Apesar da nova for\u00e7a e da campanha contra o fara\u00f3 Am\u00f3sis, Nabucodonosor tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu conquistar o Egipto.
Estes or\u00e1culos contra as na\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser interpretados \u00e0 letra; representam a vis\u00e3o geral do profeta, segundo a qual as mudan\u00e7as de poderes no \u00e2mbito internacional exercem influ\u00eancia sobre os destinos do povo de Deus. As pot\u00eancias que se apresentam, na Hist\u00f3ria, como soberanas, s\u00e3o na verdade instrumentos de Deus que contribuem para a realiza\u00e7\u00e3o do seu projecto na Terra.

{N}30,{/}1: (1-26) Enumerando as principais cidades do Egipto, Ezequiel aponta o sentido que ter\u00e1 o dia de Jav\u00e9. O tema vem de longe (cf. Am 5,18), visava o povo de Deus (Ez 7) e, aqui, estende-se a outras na\u00e7\u00f5es: Egipto e Magog (39,9). De momento, \u00e9 a Babil\u00f3nia quem executa os julgamentos divinos (v. 24).

{N}31,{/}1: (1-18) A alegoria do cap\u00edtulo 17 emprega imagens id\u00eanticas com outro significado. O alto cedro do L\u00edbano, esp\u00e9cie de dimens\u00f5es c\u00f3smicas, pois mergulha as ra\u00edzes nas profundezas do abismo e toca com os ramos as nuvens dos c\u00e9us (vv. 3-4), evoca aqui, \u00e0 maneira de par\u00e1bola, o esplendor e a impot\u00eancia do Egipto entre as na\u00e7\u00f5es (v. 6). O seu orgulho (vv. 9-10) n\u00e3o o livra da derrocada, perante o espanto e o abandono dos pequenos povos.

{N}32,{/}1: (1-16) A sorte do Fara\u00f3 \u00e9 descrita segundo os recursos c\u00f3smicos da antiguidade: o drag\u00e3o ou crocodilo, o mar e os rios (v. 2). O desfecho do combate n\u00e3o deixa quaisquer d\u00favidas.

{N}32,{/}17: (17-32) Os or\u00e1culos contra o Egipto terminam com este canto f\u00fanebre que acompanha o enterro do Fara\u00f3. Ao chegar \u00e0 morada dos mortos, as multid\u00f5es encontram os chefes dos ex\u00e9rcitos dos outros povos que infundiram terror no mundo dos vivos. Segundo a mentalidade antiga (quantas vezes reassumida no decurso dos s\u00e9culos!), aos her\u00f3is tombados em combate era devido um lugar destacado entre os mortos. Aqui, a incircuncis\u00e3o dos vencidos torna-os inaptos para qualquer distin\u00e7\u00e3o.

{N}33,{/}1: (1-9) Ao iniciar uma nova etapa da sua actividade, Ezequiel recorda a miss\u00e3o do profeta. Cf. nota em 3,16-21.
  33-37: A destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pelas for\u00e7as babil\u00f3nicas, em 587 a.C. (33,21), provoca uma aut\u00eantica viragem na ac\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de Ezequiel: o pregador de condena\u00e7\u00f5es passa a pregoeiro da salva\u00e7\u00e3o. E, no cativeiro, o povo, at\u00e9 ent\u00e3o desamparado, come\u00e7a a vislumbrar no horizonte a restaura\u00e7\u00e3o.

{N}33,{/}10: (10-20) Cf. nota em 18,1-32.

{N}33,{/}21: (21-22) Cf. nota em 3,22-27 e 24,25-27. Com a not\u00edcia da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, termina uma fase da actividade do profeta. Ele recupera a fala, porque vai come\u00e7ar uma nova etapa, marcada pela esperan\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o.

{N}33,{/}23: (23-29) Depois da queda de Jerusal\u00e9m, aparecem v\u00e1rias tentativas de criar um futuro novo (cf. Jr 39-43). Contudo, para Ezequiel, a ru\u00edna dos que ficaram na cidade \u00e9 inevit\u00e1vel. In\u00fatil apelar para a ascend\u00eancia de Abra\u00e3o (cf. Dt 26,5) como se fosse uma garantia m\u00e1gica. Agora, a sa\u00edda para o futuro n\u00e3o est\u00e1 no patrim\u00f3nio do passado, mas na convers\u00e3o ao projecto de Deus.

{N}33,{/}30: (30-33) A fun\u00e7\u00e3o do profeta n\u00e3o \u00e9 dizer o que o povo gosta, mas ajud\u00e1-lo a discernir as situa\u00e7\u00f5es, a fim de tomar posi\u00e7\u00f5es consequentes. \u00c9 enganador gostar de ouvir o profeta e entreter-se a falar dele, se n\u00e3o se cumpre o que dita a mensagem.

{N}34,{/}1: (1-10) A imagem do rei-pastor \u00e9 comum no Oriente. Aqui, Ezequiel retoma o tema de Jr 23,1-6, reutilizado depois por Zc 11,4-7, para denunciar os crimes dos \u00abpastores de Israel\u00bb (reis e chefes). Em vez de zelar pelo bem do \u00abrebanho\u00bb e de o proteger dos inimigos, as autoridades serviram-se do povo a seu bel-prazer. N\u00e3o cumpriram o mandato recebido de Deus em favor da comunidade. S\u00e3o os verdadeiros respons\u00e1veis pela ru\u00edna da na\u00e7\u00e3o.

{N}34,{/}11: (11-16) Mas Deus n\u00e3o dorme. Vai prescindir dos reis-pastores e retomar Ele pr\u00f3prio a condu\u00e7\u00e3o do seu rebanho, garantindo a todos liberdade e vida, numa esp\u00e9cie de teocracia directa. Os \u00fanicos governantes capazes ter\u00e3o de colocar o projecto de Jav\u00e9 na base da sua ac\u00e7\u00e3o.

{N}34,{/}17: (17-22) Vindos de cima, os crimes alastraram e contaminaram as rela\u00e7\u00f5es fraternas. N\u00e3o basta depor os governantes injustos para que a justi\u00e7a reine. Chamados \u00e0 fraternidade, infelizmente tamb\u00e9m os irm\u00e3os se disputam e guerreiam.

{N}34,{/}23: (23-31) Ao povo cativo e tocado com a queda de Jerusal\u00e9m, Ezequiel anuncia uma nova era de paz, prosperidade e seguran\u00e7a, que ser\u00e1 obra dum pastor \u00fanico, do servidor David (cf. Jr 23,4-5; Sl 72) cujo envio est\u00e1 assegurado por Deus. O evangelista Jo\u00e3o fez uma releitura deste cap\u00edtulo e viu em Jesus a concretiza\u00e7\u00e3o do Deus e rei pastor que liberta a humanidade e a re\u00fane num s\u00f3 rebanho (Jo 10).

{N}35,{/}1: (1-15) Seir \u00e9 uma cadeia de montanhas no territ\u00f3rio de Edom. Cf. nota em 25,12-14. O castigo e humilha\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (v. 5) d\u00e3o azo, nas n\u00e3o justificam as expedi\u00e7\u00f5es militares edomitas ao territ\u00f3rio da Palestina. Este pronunciamento faz parte dos or\u00e1culos contra as na\u00e7\u00f5es e foi colocado aqui para contrastar com o que segue: promessas \u00e0s montanhas de Israel.

{N}36,{/}1: (1-38) Este cap\u00edtulo \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da mensagem de Ezequiel. O pa\u00eds est\u00e1 destru\u00eddo; uma parte da popula\u00e7\u00e3o no ex\u00edlio, a outra reduzida \u00e0 mis\u00e9ria na pr\u00f3pria terra. Em sentido lato e sugestivo, \u00aba terra devora os seus habitantes\u00bb (vv. 13-14). Ser\u00e1 o fim de tudo? N\u00e3o! A promessa feita \u00e0s montanhas, \u00e0 terra de Israel, \u00e9 promessa de paz e seguran\u00e7a. O profeta anuncia uma nova alian\u00e7a. O Deus do \u00eaxodo vai renovar a liberta\u00e7\u00e3o do seu povo e lev\u00e1-lo at\u00e9 \u00e0 constru\u00e7\u00e3o duma vida nova, mediante o dom de uma nova consci\u00eancia (cora\u00e7\u00e3o de carne) e o acompanhamento do seu Esp\u00edrito (vv. 26-27). Cf. nota em 11,14-21.
Dispersos \u00e0 for\u00e7a, os israelitas profanaram o Nome de Deus entre as na\u00e7\u00f5es (v. 20), j\u00e1 que os povos viram nesse facto, n\u00e3o tanto o castigo divino, mas sobretudo a incapacidade do Senhor em defender o seu povo. Est\u00e3o em causa a honra e a santidade de Jav\u00e9. Ele n\u00e3o Se resigna \u00e0 derrota em favor dos \u00eddolos dos pag\u00e3os. Est\u00e1 empenhado numa alian\u00e7a; o seu amor \u00e9 fiel, gera liberdade e vida (cf. Sl 115).

{N}37,{/}1: (1-14) \u00c9 um dos trechos mais conhecidos e sugestivos de Ezequiel. A palavra prof\u00e9tica, tal como a palavra criadora (Gn 1), convoca o esp\u00edrito para libertar e restaurar a vida do povo de Deus, que tinha sido dominado, destru\u00eddo e exilado. \u00c0 primeira vista, tudo parece morto e sem esperan\u00e7a. O povo est\u00e1 reduzido a ossadas ressequidas e dispersas pelo vale, o que \u00e9 ind\u00edcio de cat\u00e1strofe para quem gosta de enterrar os mortos (cf. Gn 35,29;50,5). Deus, por\u00e9m, n\u00e3o abandona e o profeta v\u00ea um \u00absopro ou esp\u00edrito que d\u00e1 vida\u00bb, abre os t\u00famulos, re\u00fane nova multid\u00e3o e prepara o retorno.

{N}37,{/}15: (15-28) A divis\u00e3o do povo eleito em dois reinos (cf. 1Rs 12) foi sempre sentida com mal-estar e criou problemas de vizinhan\u00e7a. Agora, que renasce a esperan\u00e7a, Ezequiel anuncia o fim da separa\u00e7\u00e3o, a reuni\u00e3o do Reino do Norte, j\u00e1 desmoronado h\u00e1 mais tempo com a tomada da Samaria e a deporta\u00e7\u00e3o de 721 a.C., com o Reino do Sul (Jerusal\u00e9m), a coabita\u00e7\u00e3o num s\u00f3 pa\u00eds, sob a orienta\u00e7\u00e3o dum pastor dav\u00eddico (vv. 24-25), numa perp\u00e9tua alian\u00e7a de paz (v. 26) e num culto que evoca os tempos \u00e1ureos (vv. 27-28).

{N}38,{/}1: (38,1-39,22) Ezequiel ensaia os primeiros passos no {C}Apocalipse{/}: um discurso de consola\u00e7\u00e3o que desvenda um futuro apaziguante para os sofrimentos presentes. O g\u00e9nero tem tradi\u00e7\u00f5es na B\u00edblia (Is 24,27; Dn 7-12; Zc 9-14 e Ap 20,8); proliferou sobretudo no juda\u00edsmo tardio. Aqui, Gog e Magog, mesmo sem identifica\u00e7\u00e3o precisa, s\u00e3o s\u00edmbolos de inimigos que, num futuro long\u00ednquo, sujeitar\u00e3o o povo \u00e0s \u00faltimas prova\u00e7\u00f5es. Deus intervir\u00e1 para defender os seus e proceder ao julgamento dos inimigos de Israel (cf. Is 13; Sf 3,19). As na\u00e7\u00f5es recusam o projecto de Deus e acabam em luta fratricida (38,21). Ao povo de Deus cabe dar um fim \u00e0s armas da viol\u00eancia e da domina\u00e7\u00e3o, transformando-as em fogo que aquece e ilumina o mundo novo. Cabe-lhe tamb\u00e9m enterrar definitivamente essa hist\u00f3ria de gan\u00e2ncia e \u00f3dio, para que a Terra seja purificada. S\u00f3 ent\u00e3o a humanidade estar\u00e1 pronta para construir o Templo, que abrigar\u00e1 a presen\u00e7a definitiva de Deus entre os homens (40-48).

{N}39,{/}23: (23-29) Estes vers\u00edculos apresentam um resumo de toda a mensagem de Ezequiel, j\u00e1 antes esbo\u00e7ado em 5,8-10;28,26;34,30: a gl\u00f3ria e santidade de Jav\u00e9 manifestam-se primeiramente como justi\u00e7a, apontando o pecado, mostrando as consequ\u00eancias e exigindo convers\u00e3o. Ao mesmo tempo, manifestam a gra\u00e7a libertadora que restaura e consolida a vida.

{N}40,{/}1: (40-48) A ru\u00edna de Jerusal\u00e9m e o ex\u00edlio do povo n\u00e3o s\u00e3o a \u00faltima palavra de Jav\u00e9. Pelo contr\u00e1rio, Ele espera que o seu povo se converta para lhe infundir vida nova. Ora, Ezequiel formula essa esperan\u00e7a na linha da sensibilidade e forma\u00e7\u00e3o recebidas no seio duma fam\u00edlia sacerdotal (cf. 1,3).
Os cap\u00edtulos 40 a 48 apresentam o plano da reconstru\u00e7\u00e3o religiosa e pol\u00edtica do povo, nos moldes duma cidade - a nova Jerusal\u00e9m - reduzida a um Templo (41) e suas depend\u00eancias (42). O profeta, que presenciara a Gl\u00f3ria a abandonar o seu santu\u00e1rio (10,18-22), beneficia agora de novas vis\u00f5es divinas que anunciam o regresso de Jav\u00e9 ao seio do seu povo, para erguer a cidade da justi\u00e7a e da vida: \u00abA partir desse dia, o nome da cidade ser\u00e1 este: Jav\u00e9 est\u00e1 l\u00e1\u00bb.
Esta parte do livro serviu de inspira\u00e7\u00e3o para os cap\u00edtulos finais do Apocalipse de Jo\u00e3o (cf. Ap 21,1-22,5 e notas).

{N}43,{/}1: (1-9) Deus tinha abandonado o Templo. Era uma sa\u00edda que significava ruptura entre Deus e a sua Terra, id\u00f3latra e corrupta (cf. nota em 10,1-22). Ap\u00f3s a purifica\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o do povo, Deus retorna para o meio do seu povo. N\u00e3o se trata, por\u00e9m, de uma volta ao passado e \u00e0s velhas institui\u00e7\u00f5es caducadas e destru\u00eddas. Come\u00e7a agora um tempo novo e uma rela\u00e7\u00e3o com Jav\u00e9 que levar\u00e1 \u00e0 vida nova (cf. nota em 36,1-38). Os vv. 7-9 mostram que Jav\u00e9 \u00e9 um Deus vivo que n\u00e3o aceita conviver com a morte.

{N}43,{/}10: (10-12) Os cap\u00edtulos finais s\u00e3o uma catequese cultual que apresentam a lei ou o alvar\u00e1 do Templo. O povo deve reaprender o que \u00e9 a santidade de Jav\u00e9 e como conviver com ela.

{N}47,{/}1: (1-12) A presen\u00e7a de Deus no Templo torna-se o centro da vida que se espalha por toda a Terra, a fim de a transformar em para\u00edso (cf. Gn 2,9-14): \u00e1gua abundante, \u00e1rvores de fruta e de folhas curativas. O s\u00edmbolo do poder de Deus, que d\u00e1 a vida, ultrapassa tudo o que se vira at\u00e9 ent\u00e3o. Jo\u00e3o retoma esta passagem para mostrar que a Hist\u00f3ria tende para a realiza\u00e7\u00e3o plena da vida de Deus, repartida entre todos os homens (cf. Ap 22,1-5 e nota).

{N}47,{/}13: (47,13-48,29) Jav\u00e9 recria o para\u00edso (47,1-12), que deve ser repartido entre todas as tribos, simbolizando a humanidade transformada em povo de Deus. Essa partilha mostra que a vida de todos depende de uma condi\u00e7\u00e3o: o triunfo da justi\u00e7a sobre a gan\u00e2ncia da posse.

{N}48,{/}30: (30-35) Cada tribo tem a sua porta para entrar e sair, quando bem entender. Sinal de que a cidade de Jav\u00e9 \u00e9 ao mesmo tempo a cidade de todo o povo, a cidade da humanidade inteira. Terminaram os conflitos; j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais humanos privados de acesso franco aos lugares da presen\u00e7a de Deus. No Apocalipse, Jo\u00e3o retoma o tema das portas, para mostrar que a cidade-Reino de Deus est\u00e1 aberta a toda a humanidade (cf. Ap 21,12-17 e nota).

