{N}1,{/}1: (1-10a) Judas Macabeu chefiou o movimento de resist\u00eancia dos judeus contra o rei grego Ant\u00edoco IV. Para comemorar a vit\u00f3ria, Judas purificou o Templo de Jerusal\u00e9m dos elementos pag\u00e3os a\u00ed introduzidos e consagrou-o novamente, instituindo uma esp\u00e9cie de segunda festa das Tendas, celebrada em Dezembro (cf. 1Mc 4,59). A comunidade judaica de Jerusal\u00e9m escreve agora (124 a.C.) uma carta \u00e0 comunidade que vive no Egipto, convidando-a a celebrar a mesma festa, como solidariedade na luta e na alegria da vit\u00f3ria. Tal comunica\u00e7\u00e3o entre as comunidades judaicas continuar\u00e1 depois entre as crist\u00e3s.

{N}1,{/}10: (10b-2,18) Escrita em 164 a.C., pouco antes da purifica\u00e7\u00e3o e consagra\u00e7\u00e3o do Templo, esta segunda carta foi dirigida a Arist\u00f3bulo, um judeu culto e s\u00e1bio da comunidade de Alexandria. Misturando acontecimentos hist\u00f3ricos e elementos lend\u00e1rios, a finalidade da carta \u00e9 convidar os judeus do Egipto a comemorarem a reconsagra\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m. Na tentativa de centrar os acontecimentos \u00e0 volta do santu\u00e1rio de Jerusal\u00e9m, o autor procura aqui legitimar o culto (hist\u00f3ria do fogo, lembran\u00e7a de Mois\u00e9s e Salom\u00e3o) e oferecer meios para a comunidade judaica se manter unida e consciente das suas tradi\u00e7\u00f5es (biblioteca, celebra\u00e7\u00f5es).

{N}2,{/}19: (19-32) O autor elucida-nos sobre o tipo de trabalho empreendido e a natureza do livro: trata-se apenas de um resumo livre dos acontecimentos. Da grande obra de Jas\u00e3o de Cirene, vai apenas relatar os feitos de Judas Macabeu e a vit\u00f3ria contra Nicanor, limitando-se, portanto, ao per\u00edodo que vai de 175 a 161 a.C. (cf. 1Mc 1-7).

{N}3,{/}1: (1-40) O epis\u00f3dio \u00e9 relatado para mostrar a santidade inviol\u00e1vel do Templo de Jerusal\u00e9m. O mal que o atinge \u00e9 provocado pelos pecados do povo (cf. 5,17-18). A atitude de Sim\u00e3o \u00e9 exemplo de como o dominador estrangeiro encontra, no pr\u00f3prio ambiente judaico, o apoio de pessoas e grupos interessados em multiplicar os seus privil\u00e9gios.

{N}4,{/}1: (1-50) Diversos epis\u00f3dios mostram a corrup\u00e7\u00e3o crescente, que acabar\u00e1 por precipitar os acontecimentos. Afastado o sumo sacerdote Onias, dois adeptos dos costumes helenistas, Jas\u00e3o e Menelau, disputam o maior cargo pol\u00edtico-religioso dentro da comunidade. A competi\u00e7\u00e3o ultrapassa todos os limites: o suborno, o roubo, a viola\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o e os assassinatos de inocentes tornam-se meios para conquistar e conservar o poder. O povo contempla esse descalabro geral e revolta-se, mas nada consegue fazer.

{N}5,{/}1: (1-27) A popula\u00e7\u00e3o \u00e9 duplamente v\u00edtima. Sofre da parte de tiranos internos, gananciosos do poder, cuja actua\u00e7\u00e3o subjuga vergonhosamente os pr\u00f3prios irm\u00e3os e compatriotas (vv. 6 e 23). Da\u00ed a sorte tirana que os espera (vv. 7-10). Sofre tamb\u00e9m com a domina\u00e7\u00e3o que vem do exterior, mata sem d\u00f3 nem piedade e nem sequer poupa o Templo, embora a verdadeira causa desse desaire seja o pecado do povo. Os vv. 19-20 mostram a prioridade da elei\u00e7\u00e3o do povo sobre as institui\u00e7\u00f5es que o servem: o verdadeiro Templo de Deus \u00e9 a vida das pessoas. Em contexto apegado \u00e0 Lei como este, a passagem \u00e9 rico press\u00e1gio do Evangelho, como se l\u00ea em Mc 2,27 e Jo 4,16-26.

{N}6,{/}1: (1-11) A persegui\u00e7\u00e3o compreende a instala\u00e7\u00e3o de cultos pag\u00e3os na Terra Prometida, com a intima\u00e7\u00e3o de os judeus abandonarem ao mesmo tempo as leis e costumes decorrentes da alian\u00e7a com Deus. Tal choque religioso e aviltamento cultural provocaram muitas vezes uma resposta sublime: os violentados preferem a morte. Ora, a fidelidade ao testemunho at\u00e9 ao fim \u00e9 celebrado na Hist\u00f3ria, e nos tempos actuais, como {C}mart\u00edrio{/}.

{N}6,{/}12: (12-17) A persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 convite \u00e0 convers\u00e3o. Os males e adversidades experimentados s\u00e3o castigos medicinais e convites a rever a vida, a tempo de a corrigir. Deus n\u00e3o retira o seu amor misericordioso.

{N}6,{/}18: (18-31) Eleazar \u00e9 o modelo da fidelidade at\u00e9 ao fim, com o sacrif\u00edcio da pr\u00f3pria vida. A narrativa evoca o mart\u00edrio dos \u00abdoutores do povo\u00bb, em Dn 11,32-35. De que adianta prolongar a vida, se para isso \u00e9 necess\u00e1rio trair as pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es? Em tempos de persegui\u00e7\u00e3o, o valor humano mede-se, n\u00e3o pela dura\u00e7\u00e3o da vida, mas pela integridade do testemunho.

{N}7,{/}1: (1-42) \u00c9 uma das p\u00e1ginas mais comoventes de toda a B\u00edbia, mostrando que o tempo de persegui\u00e7\u00e3o se torna ocasi\u00e3o de educar para o {C}testemunho{/} capaz de enfrentar at\u00e9 o sacrif\u00edcio da pr\u00f3pria vida. Facto inegavelmente hist\u00f3rico, o supl\u00edcio desta fam\u00edlia chega-nos envolto em elementos t\u00edpicos da transmiss\u00e3o oral: o n\u00famero sete, a presen\u00e7a do rei, a crueldade dos supl\u00edcios. Aqui aparece, pela primeira vez e com clareza, a cren\u00e7a na {C}ressurrei\u00e7\u00e3o{/}: baseia-se na {C}compaix\u00e3o de Deus{/} para com os seus fi\u00e9is (v. 6), no {C}poder de Deus{/} que do nada e da morte \u00e9 capaz de {C}criar a vida{/} (vv. 28-29), e na {C}alian\u00e7a de Deus{/} com o seu povo, que jamais ser\u00e1 rompida (v. 36). A f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, aparece num contexto dif\u00edcil, onde a pessoa \u00e9 chamada a dar a sua pr\u00f3pria vida em {C}favor do povo{/} (v. 38). O texto tamb\u00e9m deixa claro que os m\u00e1rtires s\u00e3o testemunhas radicais da verdade. A coragem de entregar a pr\u00f3pria vida {C}liberta{/} a l\u00edngua para mostrar o verdadeiro perfil do perseguidor: este, na verdade, est\u00e1 a lutar contra o pr\u00f3prio Deus e \u00e9, portanto, o maior criminoso do mundo (v. 19). Dn 12,2-3 refere tamb\u00e9m a ressurrei\u00e7\u00e3o em liga\u00e7\u00e3o com a persegui\u00e7\u00e3o de Epif\u00e2nio (Dn 11). De momento, a ressurrei\u00e7\u00e3o est\u00e1 reservada aos justos (v. 14).

{N}8,{/}1: (1-7) A opress\u00e3o \u00e9 sinal da ira de Deus contra o seu povo; a resist\u00eancia sofrida transforma a ira em miseric\u00f3rdia. E surge a coragem que, sob a chefia de Judas Macabeu, se organiza e toma iniciativas. A luta alimenta-se de um {C}ideal{/} continuamente rememorado na ora\u00e7\u00e3o, e de um {C}discernimento{/} para criar estrat\u00e9gias e t\u00e1cticas que realmente atinjam o objectivo.

{N}8,{/}8: (8-36) Cf. notas em 1Mc 3,27-41; 3,42-60; 4,1-27. A ordem para exterminar os judeus (v. 9) \u00e9 radical e rompe com a pol\u00edtica de assimila\u00e7\u00e3o praticada at\u00e9 ent\u00e3o (inutilmente, no caso dos judeus, cf. 1Mc 3,34-36). O car\u00e1cter religioso da resist\u00eancia judaica (exorta\u00e7\u00e3o, s\u00faplica, celebra\u00e7\u00e3o do s\u00e1bado) mostra que se trata de uma guerra santa. O advers\u00e1rio \u00e9 obrigado a reconhecer que o povo \u00e9 invenc\u00edvel quando Deus combate a seu lado. Desta forma, o nome do verdadeiro Deus, aliado da justi\u00e7a, torna-se reconhecido no mundo inteiro. Aspecto importante na vit\u00f3ria do povo \u00e9 que os bens conquistados s\u00e3o repartidos por quem mais necessita (mutilados, \u00f3rf\u00e3os, vi\u00favas e velhos).

{N}9,{/}1: (1-29) Sobre a morte de Ant\u00edoco, cf. nota em 1Mc 6,1-17. O autor de 2Mc procura mostrar a dimens\u00e3o religiosa do acontecimento, transformando o facto em narrativa legend\u00e1ria. Ant\u00edoco personifica a ambi\u00e7\u00e3o que leva o homem a considerar-se igual ao pr\u00f3prio Deus, atraindo uma puni\u00e7\u00e3o terr\u00edvel. O seu arrependimento chega tarde de mais: o orgulho humano acarreta a destrui\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria pessoa.

{N}10,{/}1: (1-8) Cf. nota em 1Mc 4,36-61.

{N}10,{/}9: (9-13) Embora vitoriosos sobre Ant\u00edoco Epif\u00e2nio, os judeus continuam expostos a novos ataques. N\u00e3o basta conquistar uma vez a liberdade; \u00e9 preciso conquist\u00e1-la sempre.

{N}10,{/}14: (14-23) Judas procura consolidar a nova situa\u00e7\u00e3o, tomando as fortalezas do Sul e protegendo o pa\u00eds contra o perigo de incurs\u00f5es idumeias. A par da luta contra os inimigos externos, o chefe n\u00e3o pode descuidar o perigo da corrup\u00e7\u00e3o interna, tamb\u00e9m suscept\u00edvel de derrubar o projecto.

{N}10,{/}24: (24-38) Comparando com 1Mc, podemos notar que o autor n\u00e3o respeita a ordem dos acontecimentos. Interessa-lhe apenas mostrar que a luta de Judas Macabeu e seus companheiros conta com o aux\u00edlio divino, que os torna invenc\u00edveis.

{N}11,{/}1: (1-38) A primeira campanha do general L\u00edsias contra povoa\u00e7\u00f5es judias foi um fracasso. Incapaz de ganhar a batalha, o inimigo d\u00e1 uma viragem e prop\u00f5e a reconcilia\u00e7\u00e3o e a paz aos judeus, comprometendo-se por escrito. Dataria de 168 a.C. o primeiro contacto dos judeus com os romanos (v. 34). Tomando em conta o \u00abbem comum\u00bb (v. 15), Judas aceita as propostas de tr\u00e9guas.

{N}12,{/}1: (1-9) O povo continua a ser hostilizado e barbaramente massacrado. N\u00e3o basta um acordo para resolver a situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso continuar vigilante e transformar a aparente tranquilidade em seguran\u00e7a comprovada.

{N}12,{/}10: (10-16) Judas agora dirige-se para Leste, ampliando o territ\u00f3rio. O relato mais completo dessa incurs\u00e3o encontra-se em 1Mc 5,1-68 (cf. nota). O v. 16 levanta uma quest\u00e3o importante: At\u00e9 que ponto Deus realmente confirma as ac\u00e7\u00f5es dos homens, mesmo que sejam para o mais justo dos projectos?

{N}12,{/}17: (17-26) Nesta expedi\u00e7\u00e3o contra santu\u00e1rios pag\u00e3os, Judas marcha para Norte, continuando a ampliar as fronteiras.

{N}12,{/}27: (27-31) Voltando a Jerusal\u00e9m, Judas faz grande matan\u00e7a em Efron e poupa os habitantes de Cit\u00f3polis. Ele parece guiar-se pelas directivas de Dt 20,10-14. Sobre o v. 28, cf. nota em 12,10-16.

{N}12,{/}32: (32-45) Pela primeira vez o livro refere a morte de judeus em pleno combate. Os que morreram assim s\u00e3o considerados fi\u00e9is (v. 45) e, portanto, dignos da ressurrei\u00e7\u00e3o, tal como os martirizados do cap\u00edtulo inovador 7,1-42. Entretanto, o v. 40 informa que a morte aqui, al\u00e9m da entrega \u00e0 causa macabeia, tem outro motivo: um erro praticado pelos falecidos. E a narrativa introduz ent\u00e3o um desenvolvimento teol\u00f3gico novo: a efic\u00e1cia da ora\u00e7\u00e3o e do sacrif\u00edcio para expiar os pecados dos irm\u00e3os mortos. Reintegrados por esta via na comunidade de vida, poder\u00e3o participar na vit\u00f3ria final. H\u00e1 quem pense que o \u00absacrif\u00edcio pelo pecado\u00bb (cf. Lv 5) visaria t\u00e3o somente afastar os efeitos do pecado dos restantes vivos, purificar a comunidade solid\u00e1ria (cf. Js 7); mas o narrador aprova claramente a ora\u00e7\u00e3o pelos mortos.

{N}13,{/}1: (1-8) Menelau tinha assassinado o sumo sacerdote Onias e usurpado o seu cargo (4,30-50). O tipo de morte que lhe coube \u00e9 visto como castigo condizente com o crime cometido, de acordo com a lei do tali\u00e3o (Ex 21,23).

{N}13,{/}9: (9-17) Somente actos her\u00f3icos podem conter o inimigo que pretende aniquilar a na\u00e7\u00e3o e as suas institui\u00e7\u00f5es. Jav\u00e9 est\u00e1 presente e age por dentro desse hero\u00edsmo dos que permanecem fi\u00e9is.

{N}13,{/}18: (18-26) O autor resume 1Mc 6,48-63 (cf. nota), mostrando-se favor\u00e1vel aos judeus.

{N}14,{/}1: (1-14) Em contraste com a resist\u00eancia her\u00f3ica daqueles que buscam a liberdade (13,9-17), temos tamb\u00e9m os que buscam os pr\u00f3prios interesses e privil\u00e9gios, traindo a causa e sabotando o movimento.

{N}14,{/}15: (15-25) Embora t\u00e9nue, este la\u00e7o de simpatia e acordo entre Nicanor e Judas contrasta com a oposi\u00e7\u00e3o total entre ambos, relatada em 1Mc.

{N}14,{/}26: (26-36) Quem serve um senhor n\u00e3o poder\u00e1 ao mesmo tempo estar do lado oposto, mesmo que o queira. Cedo ou tarde, ter\u00e1 que se decidir e tomar posi\u00e7\u00e3o.

{N}14,{/}37: (37-46) O gesto de Razias mostra o clima em que viviam os judeus. O seu testemunho \u00e9 semelhante ao de Eleazar e aos dos sete irm\u00e3os, todos modelos da f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o.

{N}15,{/}1: (1-36) A suprema arrog\u00e2ncia dos tiranos \u00e9 competir com o pr\u00f3prio Deus. Quem vencer\u00e1? Os opressores t\u00eam ao seu servi\u00e7o ex\u00e9rcitos numerosos e bem armados. Deus tem consigo um povo aliado, cuja \u00fanica for\u00e7a \u00e9 o pr\u00f3prio Deus. \u00c9 por meio da fraqueza do seu povo que Deus demonstra o seu poder, derrotando aqueles que pareciam invenc\u00edveis. Os vv. 11-16 assinalam a contrapartida dfe 12,40-45: dois justos falecidos, o sacerdote Onias e o profeta Jeremias, oram e intercedem pelos vivos, bem necessitados c\u00e1 na terra. Esta segunda parte termina com um convite a celebrar o Dia de Nicanor (v. 36; cf. 10,8).

{N}15,{/}37: (37-39) O autor termina o livro, falando da liberdade conquistada gra\u00e7as ao sangue dos m\u00e1rtires e her\u00f3is.

