{N}1,{/}1: (1-13) No in\u00edcio, Salom\u00e3o coloca-se diante de Deus, suplicando que o seu governo seja, de facto, express\u00e3o da vontade divina. Para que isso realmente se concretize, \u00e9 necess\u00e1rio que a ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica seja dirigida pela {C}sabedoria e conhecimento{/}. Por outras palavras: o governante deve ter pleno conhecimento das necessidades e anseios do povo, para saber discernir os conflitos e encaminhar para solu\u00e7\u00f5es justas. 
  1-9: A figura de Salom\u00e3o aparece igualmente idealizada, sem ofuscar em nada o brilho do seu pai David que deixou materiais e projecto preciso para a constru\u00e7\u00e3o do Templo. Salom\u00e3o limitou-se a executar. Tudo leva a crer que a gl\u00f3ria de Salom\u00e3o faz ressaltar a gl\u00f3ria de Jav\u00e9, que passa a habitar o Templo, no meio do seu povo. O relato ignora tudo o que \u00e9 desfavor\u00e1vel ao perfil de Salom\u00e3o: a brutal liquida\u00e7\u00e3o dos rivais ao come\u00e7o do reinado, o luxo exagerado, a poligamia excessiva, as condescend\u00eancias idol\u00e1tricas, a revolta de Jerobo\u00e3o. Ele \u00e9 o construtor do Templo, cuja dedica\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a solenidade e amplid\u00e3o desconhecidas noutras fontes.

{N}1,{/}14: (14-17) Salom\u00e3o procura imediatamente prover a na\u00e7\u00e3o de recursos b\u00e9licos, certamente por medida de seguran\u00e7a. 

{N}1,{/}18: (18-2,15) Cf. nota em 1Rs 5,15-32. O autor de Cr\u00f3nicas, por\u00e9m, frisa o sentido do Templo dentro da religi\u00e3o: \u00e9 o lugar para o povo se reunir e invocar a Deus (Nome) e colocar-se diante de Deus e do seu projecto. O texto deixa claro que {C}Deus n\u00e3o pode ser contido{/} numa constru\u00e7\u00e3o, seja ela material (templos, igrejas etc.), mental (conceitos, sistemas, teologias), ou social (institui\u00e7\u00f5es, movimentos, partidos etc.).

{N}2,{/}16: (16-17) O trabalho pesado \u00e9 realizado por m\u00e3o-de-obra estrangeira, recrutada entre os imigrantes. Com isso, o autor parece dizer que Israel n\u00e3o deve sujeitar-se a trabalhos inferiores...

{N}3,{/}1: (1-5,1) Cf. nota em 1Rs 7,13-51.

{N}5,{/}2: (2-6,2) Cf. nota em 1Rs 8,1-13. O autor preocupa-se em mostrar a fun\u00e7\u00e3o dos levitas, mencionando-os ao lado dos sacerdotes. Dessa forma, ele tenta conciliar o conflito que tinha existido entre sacerdotes e levitas (cf. 1Rs 2,26-46 e nota).

{N}6,{/}3: (3-20) O autor serve-se do relato que aparece tamb\u00e9m em 1Rs, para mostrar que Jav\u00e9 realiza o que promete, vindo habitar no meio do povo. Cf. tamb\u00e9m nota em 1Rs 8,14-29.

{N}6,{/}21: (21-42) Repete-se aqui, quase literalmente, a ora\u00e7\u00e3o de Salom\u00e3o ao inaugurar o Templo de Jerusal\u00e9m. Cf. 1Rs 8,30-66 e nota. No p\u00f3s-ex\u00edlio, tempo em que foi redigido este livro, o Templo \u00e9, por excel\u00eancia, o lugar da s\u00faplica, aberto a todas as circunst\u00e2ncias.

{N}7,{/}1: (1-10) Os sinais de teofania (fogo do c\u00e9u, gl\u00f3ria de Jav\u00e9), depois da ora\u00e7\u00e3o de Salom\u00e3o, apresentam-se como resposta divina \u00e0s s\u00faplicas contidas nessa ora\u00e7\u00e3o: doravante, o Templo torna-se lugar simb\u00f3lico, onde acontece a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e o povo.

{N}7,{/}11: (11-22) Cf. nota em 1Rs 9,1-9. O autor de Cr\u00f3nicas actualiza a advert\u00eancia para a situa\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-ex\u00edlio: as desgra\u00e7as acarretadas pelo pecado dever\u00e3o provocar um processo de convers\u00e3o ao projecto de Jav\u00e9 (estatutos e normas - cf. Dt).

{N}8,{/}1: (1-16) O autor quer salientar a gl\u00f3ria de Salom\u00e3o e o respeito pelos lugares consagrados e pelas observ\u00e2ncias religiosas. Cf. por\u00e9m, nota em 1Rs 9,10-25.

{N}8,{/}17: (17-18) Cf. nota em 1Rs 9,26-28.

{N}9,{/}1: (1-12) Cf. nota em 1Rs 10,1-13.

{N}9,{/}13: (13-14) Cf. nota em 1Rs 10,14-25.

{N}9,{/}25: (25-28) Cf. nota em 1Rs 10,26-29.

{N}9,{/}29: (29-31) Encontramos repentinamente a not\u00edcia da morte de Salom\u00e3o, sem nenhuma alus\u00e3o \u00e0 sua decad\u00eancia (cf. 1Rs 11). Referindo-se a fontes prof\u00e9ticas, o autor parece remeter para o livro de 1Rs 1-11.

{N}10,{/}1: (1-11,4) Cf. nota em 1Rs 12,1-24.
  10-12: O autor de Cr\u00f3nicas eliminou muitas informa\u00e7\u00f5es contidas nos livros dos Reis, pretendendo inculcar a ideia de que o reinado de Salom\u00e3o foi irrepreens\u00edvel. Mas n\u00e3o pode negar o resultado catastr\u00f3fico que se foi preparando ao longo do governo desse rei: a divis\u00e3o inevit\u00e1vel, que nunca mais seria curada. Doravante, as aten\u00e7\u00f5es do autor concentram-se no Reino de Jud\u00e1, onde permanecem a dinastia de David e o Templo de Jerusal\u00e9m.
  10-36: A hist\u00f3ria contempla apenas o reino de Jud\u00e1, desde a morte de Salom\u00e3o ao ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, e est\u00e1 centrada no Templo. Os desenvolvimentos maiores cabem aos reis que se ocuparam da restaura\u00e7\u00e3o do Templo e da reforma do culto, preocupa\u00e7\u00f5es que perduram nos tempos de Esdras e Neemias.

{N}11,{/}5: (5-12) Tendo que se contentar com territ\u00f3rio limitado, Jerobo\u00e3o procura refor\u00e7ar as cidades principais, tornando-as verdadeiras fortalezas. 

{N}11,{/}13: (13-17) Jerobo\u00e3o esfor\u00e7ou-se por dar \u00e0s tribos do Norte uma fei\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-religiosa pr\u00f3pria (cf. nota em 1Rs 12,25-33). O autor de Cr\u00f3nicas, por\u00e9m, situado em tempo e situa\u00e7\u00f5es diferentes, procura mostrar Jerusal\u00e9m como lugar do verdadeiro culto a Jav\u00e9. \u00c9 para ela que todos devem dirigir-se.

{N}11,{/}18: (18-23) A esperteza pol\u00edtica de Robo\u00e3o verifica-se no facto de ele distribuir os seus filhos por todas as regi\u00f5es do reino, principalmente nas cidades fortificadas. De um lado, isso evitava competi\u00e7\u00f5es entre os filhos; de outro, assegurava-lhe o controlo de todo o territ\u00f3rio.

{N}12,{/}1: (1-16) Cf. nota em 1Rs 14,21-31.

{N}13,{/}1: (1-23) O autor aproveita as poucas not\u00edcias que tem sobre o rei Abias (cf. nota em 1Rs 15,1-8) para mostrar que Jerusal\u00e9m \u00e9 o lugar do verdadeiro culto a Jav\u00e9, e que apenas a\u00ed se encontra o sacerd\u00f3cio leg\u00edtimo. \u00c9 s\u00f3 atrav\u00e9s desse culto que Jav\u00e9 aben\u00e7oa e concede a vit\u00f3ria ao seu povo.
  13,1-21,1: Diferentemente dos livros dos Reis, Cr\u00f3nicas s\u00f3 registam a hist\u00f3ria dos reis de Jud\u00e1, considerados como fi\u00e9is a Jav\u00e9. O autor salienta o papel dos profetas no culto a Jav\u00e9, mostrando que \u00e9 Jav\u00e9 o protagonista principal de uma pol\u00edtica, pela qual os reis se devem guiar.

{N}14,{/}1: (1-14) Sobre Asa, cf. nota em 1Rs 15,9-24. Cr\u00f3nicas mostra que Deus \u00e9 a garantia da seguran\u00e7a e prosperidade. Ele, nas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, sempre se coloca ao lado dos seus, afirmando a sua grandeza diante dos inimigos.

{N}15,{/}1: (1-19) Aproveitando vagas not\u00edcias de uma reforma feita pelo rei Asa (1Rs 15,11-15), o autor descreve uma cerim\u00f3nia solene de renova\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a, tal como acontecia nos tempos desse rei. A renova\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a proporcionava coes\u00e3o do povo ao redor de Jav\u00e9. Este, ao mesmo tempo, protegia e fortalecia a identidade do povo frente \u00e0s influ\u00eancias estrangeiras, que poderiam descaracteriz\u00e1-lo religiosa e culturalmente. 

{N}16,{/}1: (1-14) A \u00fanica sombra no reinado de Asa aparece quando ele recorre \u00e0 alian\u00e7a pol\u00edtica com estrangeiros. O profeta Hanani, confiante na for\u00e7a de um povo aliado com Jav\u00e9, critica a atitude de Asa e mostra que o jogo dessas alian\u00e7as pol\u00edticas arrastar\u00e1 o pa\u00eds para conflitos cont\u00ednuos com as grandes pot\u00eancias. O pre\u00e7o a pagar por essa busca imprudente de seguran\u00e7a \u00e9 muitas vezes mais alto do que o pre\u00e7o da pr\u00f3pria inseguran\u00e7a.

{N}17,{/}1: (1-19) Josaf\u00e1 desenvolve um governo forte, procurando destruir a idolatria, fazendo respeitar a Lei e, ao mesmo tempo, fortificando o pa\u00eds diante dos reinos vizinhos. Os levitas, que acompanham os oficiais e sacerdotes, t\u00eam a miss\u00e3o de instruir o povo conforme a Lei de Jav\u00e9, expressa no livro do Deuteron\u00f3mio. Isso \u00e9 importante para o autor, porque, depois do ex\u00edlio, a observ\u00e2ncia da Lei passa a ser uma esp\u00e9cie de documento de identidade para a comunidade judaica (cf. Esd 7,25; Ne 8,7-8). Nessa instru\u00e7\u00e3o, os levitas t\u00eam um papel importante. Muito provavelmente, foram eles os autores da catequese que, em meados do s\u00e9c. VIII, deu origem ao n\u00facleo central do livro do Deuteron\u00f3mio (cf. nota em Dt 18,1-8).

{N}18,{/}1: (1-19,3) Cf. nota em 1Rs 22,1-40.

{N}19,{/}4: (4-11) Este livro das Cr\u00f3nicas atribui ao rei Josaf\u00e1 uma administra\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria, prevista em Dt 17,8-13 (veja nota) e que s\u00f3 apareceu pelo menos um s\u00e9culo mais tarde. O que se pretende \u00e9 oferecer um modelo para a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, acentuando uma prov\u00e1vel not\u00edcia hist\u00f3rica de que Josaf\u00e1 tivesse feito uma reforma judici\u00e1ria. Os vv. 6-10 mostram qual o esp\u00edrito que deve presidir \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do juiz. A sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 resolver as quest\u00f5es a partir do projecto de Jav\u00e9.

{N}20,{/}1: (1-21,1) O autor aproveita a not\u00edcia de uma guerra contra Jud\u00e1 para veicular uma verdade de f\u00e9: Deus est\u00e1 com o seu povo e concede-lhe a vit\u00f3ria, mesmo que o inimigo seja mais forte. N\u00e3o se trata de alimentar uma confian\u00e7a temer\u00e1ria, como se Deus estivesse ao dispor dos nossos caprichos pessoais e grupais. Deus compromete-Se com a liberdade e a vida dos seus aliados. E, quando estes O invocam, Ele apressa-Se a preservar essa liberdade e vida, que concedeu como direito permanente. A ac\u00e7\u00e3o de Deus, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 m\u00e1gica, nem deixa margem para que os aliados se iludam com as suas pr\u00f3prias for\u00e7as. A vit\u00f3ria \u00e9 um dom, e muitas vezes manifesta-se atrav\u00e9s de acontecimentos inesperados (no presente texto, os inimigos dividem-se e destroem-se mutuamente).

{N}21,{/}2: (2-20) O reinado de Jor\u00e3o \u00e9 desastroso: tirania fratricida, idolatria, fracasso militar, doen\u00e7a e impopularidade. Os vv. 12-15 s\u00e3o a \u00fanica refer\u00eancia ao profeta Elias nos livros das Cr\u00f3nicas.
  21,2-28,27: Temos agora um per\u00edodo de grandes dificuldades nos planos pol\u00edtico, social e religioso. Sob a influ\u00eancia do reino do Norte, a pol\u00edtica e religi\u00e3o estrangeiras penetram em Jud\u00e1. Em 745 a.C., a Ass\u00edria aparece no horizonte, acentuando ainda mais a amea\u00e7a contra o javismo. O autor insiste em mostrar que a ru\u00edna de Jud\u00e1 se deve \u00e0s suas alian\u00e7as com o reino de Israel. Tal insist\u00eancia reflecte a situa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o ex\u00edlio, quando os dirigentes da prov\u00edncia de Samaria (antiga capital do Reino de Israel) procuram continuamente impedir a reorganiza\u00e7\u00e3o da comunidade judaica.

{N}22,{/}1: (1-9) Influenciado pela m\u00e3e e aliado com o rei de Israel, Ocozias arru\u00edna-se, sofrendo as mesmas consequ\u00eancias que marcaram a fam\u00edlia de Acab (cf. 1Rs 16-2Rs 10).

{N}22,{/}10: (10-23,21) Cf. nota em 2Rs 11,1-20. O autor salienta o papel dos sacerdotes e levitas, devido \u00e0 sua import\u00e2ncia na organiza\u00e7\u00e3o da comunidade ap\u00f3s o ex\u00edlio.

{N}24,{/}1: (1-16) Cf. nota em 2Rs 12,1-22. Depois do ex\u00edlio, a colecta tornar-se-\u00e1 imposto regular em favor do Templo (cf. Mt 17,24), exigido at\u00e9 mesmo dos judeus que viviam fora da Palestina.

{N}24,{/}17: (17-27) Profeta \u00e9 aquele que mant\u00e9m a mem\u00f3ria do Deus libertador e, por isso, critica e denuncia tudo e todos, desde que se verifique qualquer desvio. Incomodados, os visados (o povo e o rei) tratam de eliminar o profecta. No entanto, a palavra prof\u00e9tica realiza-se, trazendo o julgamento e a senten\u00e7a. A morte do profeta Zacarias ficou famosa e \u00e9 recordada no Evangelho (cf. Mt 23,35).

{N}25,{/}1: (1-28) A efic\u00e1cia do esfor\u00e7o de um povo depende da presen\u00e7a de Deus que aben\u00e7oa e d\u00e1 a vit\u00f3ria, porque esse empenho \u00e9 express\u00e3o do seu projecto. Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, que Deus Se comprometa com os caprichos de um grupo. Deus s\u00f3 Se compromete com as iniciativas que visam a conquista da liberdade e vida para todos. Por outro lado, o objectivo da luta \u00e9 desvirtuado, quando j\u00e1 n\u00e3o serve ao projecto de Deus, mas a projectos ego\u00edstas de pessoas ou grupos. A palavra prof\u00e9tica adverte-nos que Deus n\u00e3o \u00e9 joguete nas m\u00e3os do homem. \u00c9 preciso discernir se a luta do povo est\u00e1 realmente de acordo com o projecto de Deus.

{N}26,{/}1: (1-23) O governo do rei Ozias \u00e9 promissor: desenvolvimento agr\u00edcola, progresso tecnol\u00f3gico e defesa militar bem aparelhada. Noutras palavras, o rei proporciona ao povo condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de subsist\u00eancia e seguran\u00e7a, o que ali\u00e1s \u00e9 a sua fun\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Os problemas surgem quando o poder se embriaga e come\u00e7a a tomar atitudes absolutistas, pretendendo assumir papel religioso dentro da sociedade. Quando o poder pol\u00edtico se apossa do controlo da religi\u00e3o, o povo perde toda a possibilidade de criticar e impedir os seus abusos. 

{N}27,{/}1: (1-9) Sobre Joat\u00e3o, cf. nota em 2Rs 15,32-39. O pa\u00eds parece estar em seguran\u00e7a e ser capaz de se defender contra as investidas de pa\u00edses vizinhos. O v. 2, por\u00e9m, mostra que a situa\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o era das melhores, preparando o relato das reformas de Ezequias e Josias.

{N}28,{/}1: (1-27) Cf. nota em 2Rs 16,1-20. Os vv. 9-15 fazem grande elogio ao reino do Norte, mostrando que o seu povo \u00e9 capaz de dar ouvidos ao profeta e respeitar o povo de Jud\u00e1. Cf. par\u00e1bola do bom samaritano em Lc 10,29-37.

{N}29,{/}1: (1-36) Cf. nota em 2Rs 18,1-8. O autor de Cr\u00f3nicas aumentou consideravelmente o relato de 2Rs. Ele estava interessado em salientar a import\u00e2ncia do Templo e das cerim\u00f3nias, mas sobretudo a fun\u00e7\u00e3o dos sacerdotes e levitas.
  29,1-35,27: Amea\u00e7ado pelo imp\u00e9rio ass\u00edrio e pelo paganismo, Jud\u00e1 conhece dois grandes momentos: a reforma pol\u00edtico-religiosa de Ezequias e, oitenta anos mais tarde, a reforma de Josias. No tempo de Ezequias (reinou entre 716 e 687), isso tornou-se poss\u00edvel por causa do enfraquecimento moment\u00e2neo da Ass\u00edria. No tempo de Josias, a Ass\u00edria estava em decad\u00eancia e Babil\u00f3nia ainda n\u00e3o se tornara a grande pot\u00eancia internacional. As duas reformas, por\u00e9m, foram em parte goradas devido \u00e0 pol\u00edtica internacional.

{N}30,{/}1: (1-27) Sobre o significado da P\u00e1scoa e dos P\u00e3es sem fermento, cf. Ex 12,1-14; 15-20; 21-28 e notas. No momento em que se pretende fazer uma reforma para reestruturar o pa\u00eds, a P\u00e1scoa \u00e9 celebrada a fim de transmitir \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es a mem\u00f3ria esquecida de liberta\u00e7\u00e3o e vida.

{N}31,{/}1: (1-21) A celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa e dos P\u00e3es sem fermento concretiza-se imediatamente numa pr\u00e1tica de fraternidade: a partilha dos bens que supre as necessidades. Notar que as {C}sobras{/} (vv. 8-10) n\u00e3o s\u00e3o recolhidas por ningu\u00e9m.

{N}32,{/}1: (1-23) A fraternidade gera a coragem para enfrentar o opressor, na certeza de que Deus est\u00e1 com o seu povo, dando-lhe efic\u00e1cia na luta. A presen\u00e7a de Deus no anseio de um povo que luta pela liberdade e pela vida garante a vit\u00f3ria contra os \u00eddolos das na\u00e7\u00f5es, por mais poderosas e armadas que elas sejam.

{N}32,{/}24: (24-33) Sobre a doen\u00e7a, cura e culpa de Ezequias, cf. notas em 2Rs 20. O grande elogio feito a Ezequias deve-se certamente ao seu esfor\u00e7o no sentido de reunir todo o povo e lev\u00e1-lo a redescobrir as tradi\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas do javismo. Veja, por\u00e9m, a nota em 2Rs 18,13-16.

{N}33,{/}1: (1-20) Cf. nota em 2Rs 21,1-18. O autor de Cr\u00f3nicas fala de uma convers\u00e3o de Manass\u00e9s, procurando assim justificar o seu longo reinado. De facto, nessa \u00e9poca, segundo a teologia da retribui\u00e7\u00e3o, um rei s\u00f3 poderia governar muito tempo e viver longos anos, se caminhasse de acordo com o projecto de Jav\u00e9.

{N}33,{/}21: (21-25) Cf. nota em 2Rs 21,19-26.

{N}34,{/}1: (1-18) Cf. nota em 2Rs 22,1-10. Os vv. 3-7 relatam acontecimentos que em 2Rs s\u00f3 se deram ap\u00f3s a descoberta do Livro da Lei (cf. 2Rs 23,4-20 e nota).

{N}34,{/}19: (19-28) Cf. nota em 2Rs 22,11-20.

{N}34,{/}29: (29-33) Cf. nota em 2Rs 23,1-3.

{N}35,{/}1: (1-19) Cf. notas em 30,1-27 e 2Rs 23,31-35. Os pormenores da cerim\u00f3nia reflectem provavelmente a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa no tempo do p\u00f3s-ex\u00edlio.

{N}35,{/}20: (20-27) A batalha de Meguido marca o fim do governo e da reforma de Josias. Para o autor, a tr\u00e1gica morte de Josias foi causada pela obstina\u00e7\u00e3o, que o levou a desobedecer \u00e0 palavra de Deus, anunciada pelo pr\u00f3prio Fara\u00f3. Sobre o conceito que Jeremias tem do rei Josias, cf. Jr. 22,15-16. 

{N}36,{/}1: (1-4) Cf. nota em 2Rs 23,31-35.

{N}36,{/}5: (5-8) Cf. nota em 2Rs 23,36-27,7.

{N}36,{/}9: (9-10) Cf. nota em 2Rs 24,8-17.

{N}36,{/}11: (11-21) Cf. notas em 2Rs 24,18-25,7; 25,8-21.

{N}36,{/}22: (22-23) Os livros das Cr\u00f3nicas terminam com o an\u00fancio de uma esperan\u00e7a: o retorno ou regresso \u00e0 sua terra e a reconstru\u00e7\u00e3o do Templo, que permitir\u00e3o ao povo refazer a sua identidade e, apesar de todas as limita\u00e7\u00f5es, continuar a perseguir a concre-tiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do projecto de Jav\u00e9. Estes vers\u00edculos, iguais a Esd 1,1-3, mostram que a hist\u00f3ria continua nos livros de Esdras e Neemias, formando um conjunto, que se costuma chamar \u00abHist\u00f3ria do Cronista\u00bb.

