{N}1,{/}1: (1-10) Continua aqui a hist\u00f3ria da sucess\u00e3o, interrompida em 2Sm 20,22. \u00c0 velhice de David, formam-se dois partidos opostos: um apoia Adonias, o filho que teria direito natural \u00e0 sucess\u00e3o. Outro apoia Salom\u00e3o, filho de David com Betsabeia. Adonias conta com os seus outros irm\u00e3os, al\u00e9m de Joab, chefe do ex\u00e9rcito, e o sacerdote levita Abiatar. Salom\u00e3o contava com o sacerdote Sadoc, o profeta Nat\u00e3, o chefe da guarda Bana\u00edas, al\u00e9m dos valentes de David. Os dois grupos lutam pela supremacia, tanto no campo pol\u00edtico, como religioso e militar. A festa dada por Adonias \u00e9 praticamente o lan\u00e7amento p\u00fablico e oficial da sua candidatura.

{N}1,{/}11: (11-40) O partido de Salom\u00e3o toma provid\u00eancias imediatas. Trata-se de uma intriga de corte: em nenhum outro lugar se menciona esse juramento de David a Betsabeia. Por outro lado, Adonias nem sequer fora aclamado rei. David \u00e9 manobrado pela intriga e nomeia imediatamente Salom\u00e3o como sucessor.

{N}1,{/}41: (41-53) A trama do partido de Salom\u00e3o foi mortal para os partid\u00e1rios de Adonias que, temerosos, se dispersaram. Por enquanto as puni\u00e7\u00f5es ficam suspensas, pois \u00e9 dia de festa para Salom\u00e3o e seus seguidores. As pontas do altar serviam de asilo: enquanto o perseguido estivesse agarrado a elas, o vingador do sangue n\u00e3o poderia toc\u00e1-lo, antes do julgamento e senten\u00e7a. 

{N}2,{/}1: (1-11) David encarrega Salom\u00e3o de realizar vingan\u00e7as que ele pr\u00f3prio n\u00e3o p\u00f4de realizar. O mais importante do seu \u00abtestamento\u00bb s\u00e3o os vv. 3-4: a autoridade pol\u00edtica n\u00e3o deve estar acima da lei. Portanto, n\u00e3o pode agir arbitrariamente. Pelo contr\u00e1rio, deve ser instrumento da lei ao servi\u00e7o do povo.

{N}2,{/}12: (12-25) Adonias faz a \u00faltima tentativa para se manter pr\u00f3ximo do poder: pedindo uma das esposas do pr\u00f3prio pai, mostra que ainda tem pretens\u00f5es ao trono. Salom\u00e3o aproveita-se da oportunidade para eliminar o forte concorrente.

{N}2,{/}26: (26-46) Salom\u00e3o d\u00e1 os \u00faltimos passos para assegurar definitivamente o poder: destitui do sacerd\u00f3cio o levita Abiatar, deixando em seu lugar Sadoc, provavelmente chefe de Jerusal\u00e9m, antiga cidade dos jebuseus (cf. 2Sm 5,6-15 e nota). Por outro lado, a fim de assegurar o controlo militar, Salom\u00e3o elimina Joab e passa a chefia do ex\u00e9rcito para Bana\u00edas.

{N}3,{/}1: (1-3) O casamento de Salom\u00e3o com a filha do Fara\u00f3 (provavelmente Susen\u00e9s II) representa na verdade uma alian\u00e7a pol\u00edtica com o Egipto. Alian\u00e7a, no m\u00ednimo, amb\u00edgua, porque significa uma importa\u00e7\u00e3o da cultura eg\u00edpcia.

{N}3,{/}4: (4-15) O sonho de Salom\u00e3o mostra que o grande anseio do povo \u00e9 ter uma autoridade realmente {C}capaz de discernir e realizar a justi\u00e7a{/}. Para isso, a principal tarefa da autoridade consiste em {C}saber ouvir{/}. \u00c9 o requisito b\u00e1sico, n\u00e3o s\u00f3 para resolver quest\u00f5es no tribunal, mas tamb\u00e9m para o exerc\u00edcio cont\u00ednuo de um governo justo. Consciente de que recebeu um minist\u00e9rio em vista do povo, Salom\u00e3o n\u00e3o pede favores pessoais, mas sabedoria para cumprir o cargo com efic\u00e1cia.

{N}3,{/}16: (16-28) Este epis\u00f3dio ilustra o que foi dito no trecho anterior: para fazer justi\u00e7a, \u00e9 preciso ouvir o povo que clama pela vida. A sabedoria de Salom\u00e3o sai prestigiada desta prova inicial.

{N}4,{/}1: (1-6) Comparando-se com as listas de funcion\u00e1rios de David (cf. 2Sm 8,15-18; 20,23-26), podemos notar que os cargos burocr\u00e1ticos se multiplicam para atender a uma administra\u00e7\u00e3o sempre mais complexa.

{N}4,{/}7: (7-20) Salom\u00e3o organiza e aperfei\u00e7oa o sistema tribut\u00e1rio, seguindo o modelo eg\u00edpcio: divide o pa\u00eds em doze prefeituras ou distritos, a fim de assegurar a arrecada\u00e7\u00e3o dos tributos, que sustentam a corte e o ex\u00e9rcito. A consolida\u00e7\u00e3o desse sistema desarticulou completamente a economia vigente no sistema das tribos.

{N}5,{/}1: (1-8) O texto d\u00e1-nos uma ideia do peso que a m\u00e1quina do Estado representa para o povo. Os tributos, em geral, eram pagos em v\u00edveres, e destinavam-se a sustentar n\u00e3o s\u00f3 a fam\u00edlia real e frequentadores da corte, mas tamb\u00e9m os oficiais, funcion\u00e1rios e ex\u00e9rcito. Passava a ser um peso razo\u00e1vel. Notar as fronteiras ideais do reino salom\u00f3nico: da torrente do Egipto ao rio Eufrates ou de D\u00e3 a Bersabeia (v. 5).

{N}5,{/}9: (9-14) A fama exterior da sabedoria de Salom\u00e3o pode ter come\u00e7ado devido aos contactos com escolas sapienciais do M\u00e9dio Oriente, em particular com as do Egipto. Os s\u00e1bios ajudavam a formar diplomatas e altos funcion\u00e1rios, e reuniam os conhecimentos enciclop\u00e9dicos da \u00e9poca. A Salom\u00e3o s\u00e3o atribu\u00eddos julgamentos magistrais; nada desmente que tenha tido actividade liter\u00e1ria e po\u00e9tica; uma por\u00e7\u00e3o de prov\u00e9rbios antigos pode datar do seu tempo. A sua sabedoria tornou-se tradicional (cf. Eclo 47,14-17) e foram-lhe atribu\u00eddos escritos b\u00edblicos como os Salmos 72 e 127, Co\u00e9let, C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos e Sabedoria.

{N}5,{/}15: (15-32) O per\u00edodo de paz reinante permite que Salom\u00e3o fa\u00e7a alian\u00e7a com na\u00e7\u00f5es vizinhas e projecte a realiza\u00e7\u00e3o de grandes obras. Note-se que o acordo comercial com o rei de Tiro envolve a troca de tecnologia especializada por bens de primeira necessidade. Isso acabar\u00e1 por ficar bastante pesado ao povo.

{N}6,{/}1: (1-37) Concebido como morada da divindade e n\u00e3o como lugar para albergar multid\u00f5es, o Templo tinha dimens\u00f5es reduzidas - comparar com a tenda no deserto (Ex 26) e o novo templo idealizado por Ezequiel (Ez 40-42) - e compreendia tr\u00eas divis\u00f5es ou espa\u00e7os espec\u00edficos: o {C}ul\u00e2m{/} ou vest\u00edbulo; o {C}h\u00e9kal,{/} a sala de culto mais tarde chamada \u00absanto\u00bb; e o {C}debir,{/} a parte mais sagrada, depois conhecido por \u00abSant\u00edssimo\u00bb ou \u00abSanto dos santos\u00bb, onde se guardava a arca da alian\u00e7a (6,19).

{N}7,{/}1: (1-12) O pal\u00e1cio real ficava \u00e0 direita do Templo, isto \u00e9, no lugar de honra (cf. Sl 110,1). A descri\u00e7\u00e3o \u00e9 mais extensa nas depend\u00eancias p\u00fablicas, tornando--se dif\u00edcil ter ideia clara sobre o restante da constru\u00e7\u00e3o.

{N}7,{/}13: (13-51) Os utens\u00edlios do Templo s\u00e3o descritos minuciosamente, mas nem sempre \u00e9 f\u00e1cil imaginar a sua forma, fun\u00e7\u00e3o e simbolismo. O Mar de bronze era um grande reservat\u00f3rio de \u00e1gua, necess\u00e1ria para as purifica\u00e7\u00f5es rituais e a limpeza do Templo.

{N}8,{/}1: (1-13) A inaugura\u00e7\u00e3o do Templo \u00e9 o momento solene para reunir todo o povo. O rei preside (s\u00f3 depois se precisar\u00e1 a separa\u00e7\u00e3o da realeza e do sacerd\u00f3cio, cf. Ez 45-46; Zc 4) e pronuncia uma ora\u00e7\u00e3o exemplar. Nota-se que o centro da festa \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o da Arca da alian\u00e7a no Sant\u00edssimo. Contudo, o que \u00e9 sagrado nessa arca s\u00e3o as duas t\u00e1buas de pedra, isto \u00e9, o Dec\u00e1logo, onde est\u00e3o as normas que testemunham a alian\u00e7a de Deus com o seu povo. O Dec\u00e1logo \u00e9 a fonte de uma sociedade nova, fundada na liberdade e na vida, que gera novas rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas (cf. notas em Ex 20 e Dt 5). Observa-se ainda que a presen\u00e7a de Jav\u00e9 se manifesta e, ao mesmo tempo, se esconde na Nuvem escura (provavelmente formada pelo fumo do incenso). Deus est\u00e1 presente, mas de modo misterioso. Ele n\u00e3o Se deixa reduzir a ideias ou formas definidas. Noutras palavras, Deus \u00e9 o mist\u00e9rio insond\u00e1vel, que n\u00e3o pode ser reduzido ou manipulado dentro de um sistema teol\u00f3gico, institui\u00e7\u00e3o religiosa ou pol\u00edtica, nem mesmo numa representa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica definida (cf. v. 27).

{N}8,{/}14: (14-29) Esta primeira parte da ora\u00e7\u00e3o celebra o Deus do \u00eaxodo e da liberta\u00e7\u00e3o que aprova a constru\u00e7\u00e3o do Templo (em 2Sm 7,5-7 h\u00e1 algumas retic\u00eancias), cumpre as promessas e prepara o seu Messias. No v. 25, da evoca\u00e7\u00e3o laudativa passa-se \u00e0 s\u00faplica. Sobre o Templo como lugar do Nome, cf. nota em Dt 12,2-13,1.

{N}8,{/}30: (30-66) Nesta prece, o Templo \u00e9 visto como lugar de ora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de sacrif\u00edcios. O n\u00facleo da s\u00faplica de Salom\u00e3o (vv. 30-51) contempla sete casos que mostram a liga\u00e7\u00e3o entre o Templo e o c\u00e9u, entre o orar e o escutar, salientando a rela\u00e7\u00e3o do povo com Deus: o povo suplica, e Deus responde com a liberta\u00e7\u00e3o.
O {C}s\u00e9timo pedido{/} (vv. 46-51) foi acrescentado no per\u00edodo do ex\u00edlio na Babil\u00f3nia e cont\u00e9m a chave para se compreender toda a Hist\u00f3ria que vai de Josu\u00e9 at\u00e9 Segundo Reis. O que pretendia o autor dessa Hist\u00f3ria? Mostrar o que o povo exilado deve fazer: rever a pr\u00f3pria Hist\u00f3ria, reconhecer o seu pecado e converter-se a Jav\u00e9, a fim de que este o re\u00fana de novo para uma vida e Hist\u00f3ria novas.

{N}9,{/}1: (1-9) A dinastia de David dever\u00e1 ser fiel ao projecto de Jav\u00e9, que deseja construir uma sociedade livre dos \u00eddolos e alicer\u00e7ada na justi\u00e7a e liberdade. O texto soa como solene advert\u00eancia ao regime mon\u00e1rquico, consolidado atrav\u00e9s de Salom\u00e3o.

{N}9,{/}10: (10-25) Era a febre de construir um Estado poderoso "como as outras na\u00e7\u00f5es'': grandes constru\u00e7\u00f5es, burocracia complicada, equipamento militar e b\u00e9lico, luxo da corte. Isso implicava pesados impostos e at\u00e9 mesmo trabalhos for\u00e7ados por parte do povo. As informa\u00e7\u00f5es de 1Rs 5,27 e 11,28 contradizem o v. 22: tamb\u00e9m os israelitas foram recrutados para o trabalho for\u00e7ado. O peso de todas essas iniciativas, resultantes do poder absoluto e n\u00e3o isentas de tirania, gerou descontentamento e teve consequ\u00eancias no futuro.

{N}9,{/}26: (26-28) Embora seja breve, o texto mostra que Salom\u00e3o praticava por via mar\u00edtima o com\u00e9rcio com o estrangeiro. Aqui s\u00f3 se menciona o com\u00e9rcio de luxo (ouro), mas n\u00e3o se diz o que se pagava em troca.

{N}10,{/}1: (1-13) Embelezado at\u00e9 cair no exagero, o epis\u00f3dio corresponde \u00e0 rede comercial estabelecida entre o reino de Salom\u00e3o e os reinos vizinhos. A rainha de Sab\u00e1, na grande pen\u00ednsula da Ar\u00e1bia ou mesmo na Eti\u00f3pia, vem atra\u00edda pelo renome de Salom\u00e3o, rodeada de fausto e acompanhamento, satisfazer a curiosidade e tirar as d\u00favidas. Mais tarde, vir\u00e1 simbolicamente prestar homenagem ao Rei futuro (cf. Is 45,14;60,6). Os vv. 11 e 12 ficariam melhor imediatamente antes do v. 14.

{N}10,{/}14: (14-25) O fasc\u00ednio provocado pelo esplendor e riqueza podem hipnotizar o povo, que se deixa embalar por grandezas duvidosas.

{N}10,{/}26: (26-29) A descri\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito de Salom\u00e3o \u00e9 grandiosa: 1.400 carros e 12.000 cavaleiros! \u00c9 a preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a nacional de um imp\u00e9rio rico. O texto de Dt 17,16 deixa supor que em Israel se chegou a comprar cavalos do Egipto em troca de m\u00e3o-de-obra escrava. Se algum dia isso se fez, foi desvio grave e condenado por Deus.

{N}11,{/}1: (1-13) O texto mostra que o pecado de Salom\u00e3o foi a idolatria provocada pelas suas mulheres. Isso n\u00e3o quer dizer que a mulher seja fonte de infidelidade a Deus. Devemos lembrar que os casamentos de reis, em geral com filhas de outros monarcas, implicavam verdadeiras alian\u00e7as econ\u00f3micas, pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas e religiosas. Tais casamentos, portanto, significavam {C}desvio{/} dos ideais javistas, o que preanuncia a decad\u00eancia do grande reino.

{N}11,{/}14: (14-25) O imp\u00e9rio come\u00e7a a desmoronar-se: Edom no Sul, e Aram no Norte, proclamam a pr\u00f3pria independ\u00eancia. Israel perde duas importantes vias de acesso aos pa\u00edses vizinhos.

{N}11,{/}26: (26-40) Os sinais da ru\u00edna manifestam-se tamb\u00e9m internamente. O texto n\u00e3o deixa claro o motivo da revolta de Jerobo\u00e3o, porque nele foi inserido um texto sobre o profeta A\u00edas, texto que procura explicar a divis\u00e3o do imp\u00e9rio entre Jud\u00e1 e as tribos do Norte. A revolta foi motivada provavelmente pelos trabalhos for\u00e7ados que Salom\u00e3o impunha \u00e0s tribos (vv. 27-28). O regime que explora o povo vai fabricando a pr\u00f3pria ru\u00edna.

{N}11,{/}41: (41-43) O "Livro da Hist\u00f3ria de Salom\u00e3o'' \u00e9 um documento antigo; talvez Anais da corte de Salom\u00e3o.

{N}12,{/}1: (1-24) \u00c9 um momento crucial na hist\u00f3ria de Israel: as tribos dividem-se, e a ruptura nunca mais vai ser curada. O {C}povo do Norte,{/} explorado e oprimido por Salom\u00e3o, pede que o novo rei alivie o seu fardo. Os anci\u00e3os, deposit\u00e1rios da experi\u00eancia popular, relembram ao jovem rei que \u00e9 {C}fun\u00e7\u00e3o da autoridade servir ao povo e ouvir o seu clamor{/}. Os {C}jovens da corte,{/} por\u00e9m, aconselham o contr\u00e1rio: aumentar a explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, para n\u00e3o perder a autoridade sobre o povo. Robo\u00e3o segue o \u00faltimo conselho e perde o seu povo, ao violar o {C}requisito b\u00e1sico para ser autoridade justa: saber escutar{/} (cf. nota em 1Rs 3,4-15): \u00abN\u00e3o temos heran\u00e7a com o filho de Jess\u00e9\u00bb. E escolheram Jerobo\u00e3o para rei.
O v. 24 deixa bem claro que Jav\u00e9 aprova a revolta do povo contra uma autoridade injusta.

{N}12,{/}25: (25-33) Jerobo\u00e3o procura dar nova identidade pol\u00edtico-religiosa \u00e0s tribos do Norte. Para isso, muda o calend\u00e1rio, os lugares de culto, a data das festas, e institui o sacerd\u00f3cio n\u00e3o lev\u00edtico, tudo para impedir o povo de frequentar Jerusal\u00e9m e voltar para Robo\u00e3o. Os santu\u00e1rios de Betel e D\u00e3, ao Sul e ao Norte, criam a delimita\u00e7\u00e3o religiosa para as tribos do Norte. Os bezerros de ouro n\u00e3o s\u00e3o deuses estrangeiros, mas representa\u00e7\u00f5es ou s\u00edmbolos da presen\u00e7a e poder de Jav\u00e9. Equivalem \u00e0 arca com os querubins que estavam no Templo de Jerusal\u00e9m.

{N}13,{/}1: (1-34) O texto deve ser compreendido no clima da reforma pol\u00edtico-religiosa, que ser\u00e1 realizada, trezentos anos mais tarde, pelo rei Josias (cf. 2Rs 22-23 e notas). Para reunir as tribos, Josias centraliza o culto em Jerusal\u00e9m e destr\u00f3i todos os outros santu\u00e1rios. Para tornar isso aceit\u00e1vel, esta vers\u00e3o da Hist\u00f3ria projecta no passado uma \u00abprofecia\u00bb que j\u00e1 anunciava tal iniciativa do rei (cf. 2Rs 23,15-18).

{N}14,{/}1: (1-20) O mesmo profeta que anunciou a divis\u00e3o do reino de Salom\u00e3o e estimulou a revolta de Jerobo\u00e3o (cf. 11,29-39), agora profetiza a desgra\u00e7a para toda a dinastia de Jerobo\u00e3o. O profeta \u00e9 um cr\u00edtico n\u00e3o comprometido, n\u00e3o enfeudado a nada. L\u00ea com os olhos de Deus e pronuncia-se afoitamente.

{N}14,{/}21: (21-31) A situa\u00e7\u00e3o em Jud\u00e1 \u00e9 semelhante \u00e0 de Israel: Robo\u00e3o pratica a idolatria. A campanha do Fara\u00f3 Sesac \u00e9 a principal respons\u00e1vel pelo empobrecimento da regi\u00e3o. E isso mostra como o grande imp\u00e9rio de Salom\u00e3o se transforma de repente em dois reinos sem projec\u00e7\u00e3o. O fausto da corte diminui sensivelmente (bronze em lugar de ouro) e Robo\u00e3o, provavelmente, torna-se vassalo do Egipto.

{N}15,{/}1: (1-8) O breve reinado de Abiam \u00e9 visto como castigo dos seus pecados. O seu governo fraco e cheio de erros faz relembrar o tempo de David e acreditar que Jud\u00e1 ainda mant\u00e9m o seu rei s\u00f3 porque David realizou a vontade de Jav\u00e9.

{N}15,{/}9: (9-24) O elogio ao rei Asa deve-se ao facto de se ter esfor\u00e7ado por preservar o javismo no pa\u00eds, eliminando parcialmente o culto a outras divindades.

{N}15,{/}25: (25-32) Com o golpe de Baasa, termina a dinastia de Jerobo\u00e3o e inicia-se uma nova.

{N}15,{/}33: (15,33-16,7) A mudan\u00e7a de dinastia n\u00e3o muda a situa\u00e7\u00e3o no Reino do Norte.

{N}16,{/}8: (8-14) O curto reinado de Ela termina devido ao golpe de um dos seus oficiais, Zambri.

{N}16,{/}15: (15-22) Sem o apoio do ex\u00e9rcito e do povo, Zambri n\u00e3o p\u00f4de manter-se no trono.

{N}16,{/}23: (23-28) Com Amri come\u00e7a a dinastia mais est\u00e1vel do Reino do Norte. Mas os seus sucessores, principalmente Acab, ser\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela introdu\u00e7\u00e3o de outras divindades. Amri fundou a cidade de Samaria, nova capital do Reino.

{N}16,{/}29: (29-34) O rei Acab casou com Jezabel, filha de Etbaal, soberano e sacerdote de S\u00eddon, na costa fen\u00edcia. Com a princesa, veio a corte pag\u00e3 onde se destaca o n\u00famero de sacerdotes ou profetas de Baal, que n\u00e3o ficaram inactivos. A religi\u00e3o javista estava deveras amea\u00e7ada. Em paralelo d\u00e1-se um acontecimento importante na hist\u00f3ria de Israel: o nascimento do profetismo. \u00c9 bom relembrar que, na divis\u00e3o hebraica da B\u00edblia, os livros de Josu\u00e9, Ju\u00edzes, Samuel e Reis constituem o conjunto denominado \u00abos Primeiros Profetas\u00bb.

{N}17,{/}1: (1-6) Elias quer dizer: "Meu Deus \u00e9 Jav\u00e9''. Este nome \u00e9 para o profeta todo um programa de vida. Ele entra em cena com o an\u00fancio do julgamento: traindo a Jav\u00e9, o Deus da vida, a terra ficar\u00e1 sem vida (seca). E quem est\u00e1 com Jav\u00e9 encontra o necess\u00e1rio para viver.
  17 1Rs 17-2Rs 2: Estes cap\u00edtulos apresentam a hist\u00f3ria de Elias, que praticamente encabe\u00e7a em Israel a hist\u00f3ria do profetismo cl\u00e1ssico. O texto fornece seis epis\u00f3dios, que transmitem narrativas populares sobre a pessoa e actividade do profeta. O tema central \u00e9 o confronto de Elias com os desvios e fraquezas da corte de Acab, que trazia s\u00e9rias consequ\u00eancias para a vida do povo. Desse modo, Elias cunhou o profetismo cl\u00e1ssico com a marca da ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, que estar\u00e1 presente em todos os outros profetas.

{N}17,{/}7: (7-16) Jav\u00e9 manifesta-Se no meio dos pobres e necessitados, dando a vida atrav\u00e9s do gesto capaz de repartir o pouco que se tem. Deus n\u00e3o deixa faltar nada \u00e0queles que est\u00e3o dispostos a repartir. O epis\u00f3dio lembra de perto Mc 6,30-44.

{N}17,{/}17: (17-24) O verdadeiro profeta n\u00e3o \u00e9 portador da morte. O sinal de que o profeta anuncia a palavra de Deus \u00e9 o facto de ele ser portador de vida.

{N}18,{/}1: (1-46) Casando-se com a princesa fen\u00edcia Jezabel, o rei Acab deixa introduzir os costumes e a religi\u00e3o dos fen\u00edcios, onde o deus Baal \u00e9 considerado senhor da fertilidade e da vida. Em vez da vida, por\u00e9m, vem a seca e, consequentemente, a morte para o povo. Elias mostra que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 castigo de Jav\u00e9 (cf. nota em 17,1-6). Por isso \u00e9 perseguido pelo rei. O centro do texto \u00e9 o confronto de Elias com a autoridade e os profetas de Baal que est\u00e3o ao servi\u00e7o do poder. Cabe ao profeta do Deus vivo desmascarar os deuses falsos e aqueles que os servem, dando ao povo possibilidade para descobrir a verdade e fazer a escolha entre o Deus que d\u00e1 a vida e os \u00eddolos que provocam a morte. Feito isto, termina o castigo e retorna a vida (chuva).

{N}19,{/}1: (1-18) O profeta \u00e9 perseguido quando desmascara as apar\u00eancias que encobrem uma pol\u00edtica opressora. Amea\u00e7ado de morte, Elias foge. A sua fuga, por\u00e9m, transforma-se na busca da fonte original, que \u00e9 a f\u00e9 javista. O monte Horeb (Sinai), lugar da alian\u00e7a com Deus, \u00e9 o ponto de partida para se formar uma sociedade justa e fraterna. Nessa experi\u00eancia do Deus libertador, o profeta descobre os pr\u00f3ximos passos a dar: reunir as pessoas fi\u00e9is ao projecto de Jav\u00e9, criar um novo quadro pol\u00edtico, e providenciar um substituto para a sua miss\u00e3o.

{N}19,{/}19: (19-21) O manto simboliza a actividade prof\u00e9tica: ao lan\u00e7\u00e1-lo sobre Eliseu, Elias escolhe-o para o acompanhar. A miss\u00e3o prof\u00e9tica \u00e9 empenhativa e sup\u00f5e que a pessoa a coloque, em primeiro lugar, acima dos pr\u00f3prios bens, fam\u00edlia e trabalho.

{N}20,{/}1: (1-43) O cap\u00edtulo interrompe as narrativas sobre Elias. Neste epis\u00f3dio, o rei Acab, num primeiro momento, consulta o povo e sabe ouvir os profetas. Desse modo, a sua pol\u00edtica \u00e9 ben\u00e9fica. A seguir, por\u00e9m, come\u00e7a a tomar decis\u00f5es por conta pr\u00f3pria, tentando conciliar projectos contr\u00e1rios. O profeta denuncia o facto e anuncia as consequ\u00eancias.

{N}21,{/}1: (1-29) O terreno que cada israelita possu\u00eda era sinal da sua perten\u00e7a ao povo. Vend\u00ea-lo sem necessidade seria o mesmo que renegar a pr\u00f3pria identidade. Os ricos e poderosos n\u00e3o t\u00eam direito nenhum de extorquir o que pertence aos pobres. Note-se que Jezabel manipula a religi\u00e3o e a justi\u00e7a, para satisfazer a gan\u00e2ncia do marido. Cabe ao profeta defender a causa dos pobres, que facilmente se tornam v\u00edtimas do abuso dos poderosos. 

{N}22,1{/}: (1-40) Os factos aqui narrados continuam a descrever a guerra dos israelitas contra os arameus. O texto mostra a import\u00e2ncia que os profetas adquiriram em Israel, tornando-se at\u00e9 mesmo conselheiros em quest\u00f5es de seguran\u00e7a nacional. Muitos desses profetas acabaram por se tornar coniventes e bajuladores. Outros, por\u00e9m, foram capazes de se posicionar de maneira realista e cr\u00edtica, sendo por isso mal vistos, perseguidos, presos e at\u00e9 mortos.

{N}22,{/}41: (41-51) Depois de Asa, Josaf\u00e1 \u00e9 o segundo rei elogiado. O seu tempo foi de paz para os dois reinos e, provavelmente, de expans\u00e3o comercial.

{N}22,{/}52: (52-54) A narrativa sobre o reinado de Ocozias, apenas iniciada, vai continuar em 2Rs 1.

