{N}1,{/}1: (1-9) A investidura de Josu\u00e9 prepara o cumprimento da promessa: Deus vai dar a Terra ao seu povo. Esse dom, por\u00e9m, sup\u00f5e firmeza e coragem, pois o povo ter\u00e1 que lutar para se apropriar da Terra que Deus lhe deu. O dom implica tamb\u00e9m uma condi\u00e7\u00e3o: que a Terra seja o lugar onde se constr\u00f3i uma sociedade fraterna, conforme foi projectada no Deuteron\u00f3mio (\u00abLivro da Lei\u00bb).
  1-12: \u00abA conquista da Terra Prometida\u00bb seria o t\u00edtulo ajustado a estes cap\u00edtulos, sem qualquer contradi\u00e7\u00e3o. O livro mostra que a vida do povo passa pela tens\u00e3o constante entre o presente e o futuro; a terra {C}dada{/} est\u00e1 sempre a ser {C}conquistada{/}. A Terra Prometida, ali\u00e1s, \u00e9 a personagem central deste livro, sem que isso diminua a miss\u00e3o de Josu\u00e9, cujo nome (cf. Nm 13,16), \u00e9 todo um programa (\u00abo Senhor salva\u00bb), tal como aconteceu mais tarde com a forma grega do mesmo nome: Jesus.

{N}1,{/}10: (10-18) A conquista da Terra \u00e9 uma luta de todo o povo. O importante \u00e9 agir solidariamente, pois o movimento n\u00e3o terminar\u00e1 enquanto n\u00e3o estiverem todos na posse do seu lote.

{N}2,{/}1: (1-24) Ainda na margem esquerda do Jord\u00e3o, os primeiros passos para a conquista usam a espionagem. Do outro lado, \u00e9 a prostituta Raab quem acolhe os espi\u00f5es israelitas e os poupa \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o do rei de Jeric\u00f3. Fornece-lhes de resto o sentir da opini\u00e3o p\u00fablica acerca do povo que se avizinha, sem esconder a sua admira\u00e7\u00e3o pessoal. Embora estrangeira, a sua f\u00e9 deu brado (cf. Hb 11,31) e o seu nome est\u00e1 inscrito na genealogia de Jesus (Mt 1,5).

{N}3,{/}1: (1-17) A arca \u00e9 o sacramento da presen\u00e7a do Deus libertador que caminha \u00e0 frente do seu povo, conduzindo-o para a Terra Prometida. Toda a etapa do deserto decorre entre dois milagres semelhantes: a travessia do mar Vermelho \u00aba p\u00e9 enxuto\u00bb (Ex 14,22; 15,19), passando da escravid\u00e3o para a liberdade, e a travessia do rio Jord\u00e3o, tamb\u00e9m \u00aba p\u00e9 enxuto\u00bb, entrando na terra dada por Deus para a constru\u00e7\u00e3o de uma vida nova.
  3-4: Os pormenores desta travessia do rio Jord\u00e3o lembram uma celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica (a presen\u00e7a da arca, os sacerdotes, a dist\u00e2ncia, a purifica\u00e7\u00e3o, a travessia em forma de prociss\u00e3o). Talvez tenhamos aqui uma liturgia com que o povo celebrava a entrada na Terra Prometida.

{N}4,{/}1: (1-24) Antes da chegada de Israel, Cana\u00e3 era um conjunto de cidades-estado, com popula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Com a conquista realizada por Israel, manteve-se a cultura da terra mas o esquema da organiza\u00e7\u00e3o passou a ser o sistema ou liga das doze tribos. Da\u00ed a insist\u00eancia nas \u00abdoze pedras\u00bb, s\u00edmbolos da uni\u00e3o de todo o povo, logo num antigo lugar de culto (Guilgal), depois santu\u00e1rio principal de Benjamim. Note-se a import\u00e2ncia da catequese vincada nos vv. 6-7.21-24: as gera\u00e7\u00f5es vindouras precisam de saber e n\u00e3o podem voltar atr\u00e1s.

{N}5,{/}1: A chama da liberdade do povo causa medo naqueles que det\u00eam o poder: estes sabem que a chegada triunfante do povo que se aproxima \u00e9 o seu fim.

{N}5,{/}2: (2-9) A circuncis\u00e3o \u00e9 o sinal da perten\u00e7a ao povo de Jav\u00e9. S\u00e3o circuncidados a nova gera\u00e7\u00e3o e novos grupos que v\u00e3o aderindo ao projecto de Jav\u00e9 (cf. nota em 2,1-24).

{N}5,{/}10: (10-12) Sobre a P\u00e1scoa e os p\u00e3es sem fermento, cf. nota em Ex 12. Com a entrada na Terra, come\u00e7a a etapa final do movimento da liberta\u00e7\u00e3o, iniciado com a sa\u00edda do Egipto. A contraposi\u00e7\u00e3o entre produtos da terra e man\u00e1 marca o fim do per\u00edodo no deserto.

{N}5,{/}13: (13-15) A personagem com a espada desembainhada recorda o anjo exterminador (cf. Ex 12). Foi o pr\u00f3prio Jav\u00e9 quem acompanhou o povo no deserto (cf. Ex 14,19; Ex 23,20.23.32.34) e que agora \u00abacaba de chegar\u00bb para dirigir o ex\u00e9rcito de Israel na conquista da terra.

{N}6,{/}1: (1-27) O relato da tomada de Jeric\u00f3 \u00e9 uma esp\u00e9cie de modelo da estrat\u00e9gia usada na conquista das cidades-estado de Cana\u00e3. Por ocasi\u00e3o da conquista, Jeric\u00f3 n\u00e3o tinha muralhas, e talvez j\u00e1 nem fosse habitada, pois tinha sido destru\u00edda havia dois s\u00e9culos. Provavelmente, foi nesse lugar que come\u00e7ou a ser celebrada a representa\u00e7\u00e3o ritual de uma guerra santa com pormenores {C}lit\u00fargicos{/} (arca, prociss\u00e3o, sacerdotes, sete dias, toque de trombeta) e {C}guerreiros{/} (arca, guerreiros, grito de guerra, toque de trombeta). Sobre a consagra\u00e7\u00e3o ao exterm\u00ednio, cf. nota em Nm 21,1-3. Sobre Raab, cf. nota do cap\u00edtulo 2.

{N}7,{/}1: (1-26) Israel est\u00e1 para formar uma sociedade justa e fiel. No pensamento da \u00e9poca, o desvio de um s\u00f3 comprometia a sorte de toda a comunidade. O pecado de Ac\u00e3 foi ter-se apossado daquilo que pertencia a Jav\u00e9 e, consequentemente, a todo o povo. Note-se a estrutura crescente do pecado: {C}ver,{/} {C}cobi\u00e7ar,{/} {C}apanhar{/} (v. 21), que lembra Gn 3.

{N}8,{/}1: (1-29) Como Jeric\u00f3, Hai j\u00e1 estava em ru\u00ednas no tempo da conquista. Provavelmente, a narra\u00e7\u00e3o visa mostrar outra estrat\u00e9gia de guerra usada contra as cidades-estado de Cana\u00e3. O comando de Jav\u00e9 n\u00e3o dispensa a prud\u00eancia e o emprego de estrat\u00e9gias no momento oportuno.

{N}8,{/}30: (30-35) Depois das primeiras conquistas, estabelece-se o culto a Jav\u00e9 e promulga-se a Lei, que ser\u00e1 a constitui\u00e7\u00e3o da nova sociedade a ser instaurada. Todos se comprometem, inclusive os imigrantes que aderem ao novo projecto. A cena \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de Dt 27, l\u00e1 ao Norte do territ\u00f3rio.

{N}9,{/}1: (1-2) A luta do povo unido e organizado provoca a resist\u00eancia e a reuni\u00e3o dos poderosos.

{N}9,{/}3: (3-27) Gabaon, situada numa colina e bem fortificada, era um ponto estrat\u00e9gico pr\u00f3ximo de Jerusal\u00e9m. A alian\u00e7a estrat\u00e9gica entre os gabaonitas e israelitas mostra a for\u00e7a que Israel ganhou em dado momento da conquista. Gabaon, enclave da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o cananeia (11,19), albergava guerreiros tem\u00edveis.

{N}10,{/}1: (1-27) A ades\u00e3o dos gabaonitas a Israel provoca a reac\u00e7\u00e3o dos poderosos das cidades-estado, que se sentem amea\u00e7ados. O \u00abLivro do Justo\u00bb (v. 13) \u00e9 uma antiga antologia po\u00e9tica, utilizada aqui para engrandecer o movimento de conquista: Jav\u00e9 est\u00e1 \u00e0 frente na luta do povo.

{N}10,{/}28: (28-43) Esta vis\u00e3o da conquista das cidades-estado no sul de Cana\u00e3 mostra, em esquema simples, todo o longo e dif\u00edcil processo, testemunhado pelo resto deste livro e pelo livro dos Ju\u00edzes.

{N}11,{/}1: (1-23) A conquista do norte de Cana\u00e3 \u00e9 descrita tamb\u00e9m de forma esquem\u00e1tica. Provavelmente, essas conquistas deram-se mais tarde, pois o texto faz supor tribos que j\u00e1 viviam na regi\u00e3o. O relato da conquista termina (v. 23) com uma frase solene: \u00abE a Terra ficou em paz, sem guerra\u00bb. Eis o sossego ideal, sempre apetecido e sempre esquivo \u00e0s realiza\u00e7\u00f5es humanas.

{N}12,{/}1: (1-24) Temos aqui uma vis\u00e3o sistem\u00e1tica e ideal das terras conquistadas por Israel na Transjord\u00e2nia (vv. 1-6) e na Cisjord\u00e2nia (vv. 7-24).

{N}13,{/}1: (1-7) O texto mostra que muitas terras n\u00e3o foram conquistadas e que muitos grupos permaneceram no meio de Israel, provocando dificuldades (cf. livro dos Ju\u00edzes). Mais do que uma conquista completa, os israelitas conseguiram abrir espa\u00e7os novos, cabendo a cada tribo assegurar o espa\u00e7o conquistado e prosseguir na luta.
  13-21: A partilha ou reparti\u00e7\u00e3o da Terra pelas doze tribos conserva dados anteriores \u00e0 \u00e9poca mon\u00e1rquica (14-19): uma del\u00edcia para o ge\u00f3grafo, um gozo longamente saboreado para o te\u00f3logo que, gra\u00e7as ao dom de Deus e \u00e0 conquista do povo, v\u00ea desenhado no solo o cumprimento da promessa da \u00abTerra onde corre o leite e o mel\u00bb. O projecto de Jos\u00e9 contempla equitativamente a todos. O cap\u00edtulo 20 enumera as cidades-ref\u00fagio que s\u00e3o institui\u00e7\u00e3o antiga de vulto (cf. Ex 21,13); e o 21 fornece a lista das cidades lev\u00edticas que pode remontar \u00e0 \u00e9poca de David e Salom\u00e3o.

{N}14,{/}6: (6-15) Refer\u00eancia a acontecimentos relatados em Nm (cf. tamb\u00e9m Js 15,3-20 e notas em Nm 13-14).

{N}17,{/}3: (3-4) Cf. nota em Nm 27,1-11.

{N}17,{/}14: (14-18) Princ\u00edpio b\u00e1sico na distribui\u00e7\u00e3o da terra \u00e9 a igualdade: todos t\u00eam direito ao necess\u00e1rio para viver. Para que haja verdadeira justi\u00e7a, grupos e fam\u00edlias mais numerosos necessitam de maiores recursos para se manterem.

{N}18,{/}1: (1-10) Para que a partilha seja feita com justi\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio o esfor\u00e7o humano (descri\u00e7\u00e3o num livro) e a decis\u00e3o de Deus (sorteio).

{N}20,{/}1: (1-9) Cf. nota em Nm 35,9-14.

{N}21,{/}1: (1-45) Cf. nota em Nm 35,1-8.

{N}22,{/}1: (1-8) Depois de participarem solidariamente na luta pela Terra, as tribos transjord\u00e2nicas voltam para o seu territ\u00f3rio. Doravante, o elo de uni\u00e3o entre o povo ser\u00e1 a fidelidade a Jav\u00e9 e ao seu projecto (v. 5).

{N}22,{/}9: (9-34) O texto mostra a preocupa\u00e7\u00e3o de manter as tribos cisjord\u00e2nicas e transjord\u00e2nicas unidas no mesmo projecto de Jav\u00e9. A erec\u00e7\u00e3o dum altar ocasiona um acordo solene celebrado entre as doze tribos.

{N}23,{/}1: (1-16) J\u00e1 velho (v. 2), prestes a morrer (v. 14), Josu\u00e9, que havia chefiado o povo na conquista da Terra, faz o seu testamento. O tom \u00e9 deuteron\u00f3mico; o jeito \u00e9 conhecido. Cf. o \u00faltimo discurso de Mois\u00e9s (Dt 31), o adeus de Samuel (1Sm 12), o testamento de David (1R 2,1-9). A insist\u00eancia recai sobre a fidelidade. Todo o esfor\u00e7o para conseguir a posse da terra se tornar\u00e1 in\u00fatil se o povo se acomodar localmente, esquecendo o seu Deus. Por isso, o cerne do testamento de Josu\u00e9 \u00e9 este: \u00abAmai a Jav\u00e9 vosso Deus\u00bb (v. 11). S\u00f3 Ele \u00e9 o Deus verdadeiro que liberta os cativos e exige a fraternidade e a vida para todos. Deixar de ador\u00e1-l'O, abandonando o seu projecto, \u00e9 entregar de novo a terra nas m\u00e3os dos inimigos que oprimem e matam. O destino do povo est\u00e1 nas m\u00e3os do pr\u00f3prio povo

{N}24,{/}1: (1-28) O final da conquista \u00e9 marcado por um grande compromisso, no qual entram grupos novos desejosos de aderir ao projecto de Jav\u00e9 (cf. nota em 2,1-24). O movimento do \u00eaxodo culminou com a alian\u00e7a no Sinai; assim tamb\u00e9m o movimento de conquista da Terra se encerra com a alian\u00e7a em Siqu\u00e9m, a cidade-santu\u00e1rio da liga das doze tribos.
Num momento inicial, Josu\u00e9 prop\u00f5e \u00e0 assembleia as fa\u00e7anhas de Jav\u00e9 em favor de Israel (vv. 2-13), que colocam o povo perante uma escolha e um compromisso; os presentes optam por Jav\u00e9 contra os deuses estrangeiros (vv. 14-24); e ent\u00e3o a alian\u00e7a \u00e9 selada e a sua lei posta por escrito (vv. 25-28). Mais do que renova\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a do Sinai, talvez estejamos perante uma proposta peri\u00f3dica da f\u00e9 javista a grupos pr\u00f3ximos ou parentes que n\u00e3o beneficiaram directamente das maravilhas e revela\u00e7\u00e3o do deserto. Assim se alimenta e se expande a f\u00e9 no verdadeiro Deus.

{N}24,{/}29: (29-33) Mois\u00e9s e Aar\u00e3o morreram antes de entrar na Terra. Josu\u00e9 e Eleazar, seus sucessores, morrem na Terra Prometida. O sepultamento dos ossos de Jos\u00e9, trazidos do Egipto para a Terra Prometida, marca o fim do movimento iniciado com o \u00eaxodo (cf. Ex 13,19). Deste modo, realiza-se a promessa feita aos patriarcas (cf. Gn 50,24-25). O v. 31 mostra que enquanto os chefes estavam vivos, o povo permaneceu fiel a Jav\u00e9 e ao seu projecto. Este vers\u00edculo prepara o livro dos Ju\u00edzes.

