{N}1,{/}1: (1-5) Termina a etapa formadora do deserto e Israel prepara-se para entrar na Terra Prometida. O livro todo \u00e9 uma instru\u00e7\u00e3o {C}inculcada,{/} isto \u00e9, que deve ser continuamente repetida e relembrada, a fim de que Israel realize um novo projecto de vida, ao fixar-se na Terra.
1-4,43: Neste {C}primeiro discurso,{/} de pendor narrativo, Mois\u00e9s anuncia o futuro. Na realidade, sabemos que evoca o passado j\u00e1 vivido, na ternura insistente de Deus. Apesar disso, sentem-se as dificuldades que o povo experimentou ao longo do percurso e as tenta\u00e7\u00f5es a que foi sujeito: hesita\u00e7\u00f5es na marcha, disputas e incompreens\u00f5es entre tribos irm\u00e3s, atractivos idol\u00e1tricos da regi\u00e3o.

{N}1,{/}6: (6-18) A meta da liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 a Terra Prometida. N\u00e3o basta, por\u00e9m, chegar l\u00e1. \u00c9 preciso construir uma sociedade nova, onde se realize a justi\u00e7a, que \u00e9 fonte de liberdade e dignidade. O povo cresce e vai fixar-se numa terra, dispersando-se. As normas e formas de organiza\u00e7\u00e3o e governo ter\u00e3o de ser alteradas.

{N}1,{/}19: (19-33) Cf. nota em Nm 13,1-33. Mois\u00e9s deixa claro que o projecto, em que o povo est\u00e1 envolvido, \u00e9 o projecto de Deus: n\u00e3o h\u00e1 nada que temer. Pela primeira vez na B\u00edblia, Jav\u00e9 \u00e9 apresentado como pai, e Israel como seu filho: o povo de Deus \u00e9 formado de irm\u00e3os, chamados a viver em {C}fraternidade{/}.

{N}1,{/}34: (34-46) Nunca devemos esquecer que, tal como experimentou o povo israelita, Deus est\u00e1 connosco, mesmo quando o ritmo da realiza\u00e7\u00e3o nos desagrada e contraria, ou aparece coberto de mist\u00e9rio. Cf. tamb\u00e9m nota em Nm 14,1-45.

{N}2,{/}1: (1-25) A terra dos amorreus (ou cananeus) \u00e9 dada a Israel para que este construa uma nova sociedade. Por outro lado, Israel deve respeitar os territ\u00f3rios de Edom, Moab e Amon; s\u00e3o povos \u00abirm\u00e3os\u00bb com destinos hist\u00f3ricos aproximados, pelos quais Deus tamb\u00e9m Se interessa.

{N}2,{/}26: (26-37) Cf. nota em Nm 21,21-35. Sobre o {C}an\u00e1tema,{/} cf. Nm 21,1-3.

{N}3,{/}1: (1-11) Og \u00e9 uma personagem quase desconhecida. Provavelmente foi derrotado por amonitas, dos quais um grupo se uniu mais tarde aos israelitas. Pouco a pouco, os grupos v\u00e3o-se unindo na luta para formar um novo povo, com projecto alternativo de sociedade, cujo \u00fanico Deus \u00e9 Jav\u00e9.

{N}3,{/}12: (12-22) Cf. nota em Nm 32,1-42.

{N}3,{/}23: (23-29) A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 firme: Mois\u00e9s n\u00e3o entrou na Terra Prometida e morreu antes de atravessar o Jord\u00e3o (34,5-6). \u00c9 solid\u00e1rio com a gera\u00e7\u00e3o que saiu do Egipto e duvidou (cf. Nm 20,1-13). Outros levar\u00e3o por diante o empreendimento em curso.

{N}4,{/}1: (1-8) O Deuteron\u00f3mio \u00e9 um conjunto de {C}estatutos{/} e {C}normas{/} que visam levar a uma pr\u00e1tica de vida conforme a Alian\u00e7a com Jav\u00e9, dentro da Terra Prometida. Trata-se de uma nova {C}Constitui\u00e7\u00e3o{/}. Com ela, Israel viver\u00e1 segundo a sabedoria e a justi\u00e7a, isto \u00e9, segundo o projecto de Jav\u00e9. N\u00e3o h\u00e1 nenhum legalismo, pois entre Jav\u00e9 e o seu povo existe uma rela\u00e7\u00e3o de parceiros: Jav\u00e9 responde todas as vezes que \u00e9 invocado. Jav\u00e9 \u00e9 um Deus que n\u00e3o fica preso a leis, mas est\u00e1 sempre aberto para responder \u00e0s novas situa\u00e7\u00f5es do seu povo.

{N}4,{/}9: (9-20) Israel deve lembrar-se permanentemente do {C}acontecimento libertador,{/} que fundou a sua exist\u00eancia como povo. No momento da Alian\u00e7a, Israel n\u00e3o viu uma forma; apenas ouviu a voz, que lhe comunicava o Dec\u00e1logo como {C}Constitui\u00e7\u00e3o b\u00e1sica{/} de uma vida justa e digna. Israel, portanto, \u00e9 um povo {C}\u00fanico{/}: n\u00e3o pode adoptar os deuses que vai encontrando no contacto com outros povos: cananeus (imagens de homens e mulheres), eg\u00edpcios (representa\u00e7\u00f5es de animais), mesopot\u00e2mios (adora\u00e7\u00e3o de astros). Sem condenar de momento essas religi\u00f5es pag\u00e3s, como em Sb 13,1-9, o Deus de Israel \u00e9 \u00fanico, \u00e9 Senhor de tudo, age na Hist\u00f3ria e n\u00e3o pode ser aprisionado em nenhuma representa\u00e7\u00e3o visual ou sistema de pensamento. A passagem d\u00e1 raz\u00e3o ao teor do segundo mandamento do Dec\u00e1logo (5,8).

{N}4,{/}21: (21-31) O destino do povo na terra depender\u00e1 da sua fidelidade \u00e0 Alian\u00e7a e ao projecto de Jav\u00e9. Se praticar a idolatria, servindo a falsos absolutos, perder\u00e1 a Terra e ir\u00e1 para o ex\u00edlio: o seu maior castigo ser\u00e1 servir a deuses que n\u00e3o poder\u00e3o libert\u00e1-lo. Se o povo se converter, Jav\u00e9 intervir\u00e1 e, na sua miseric\u00f3rdia, n\u00e3o esquecer\u00e1 a promessa jurada aos Patriarcas.

{N}4,{/}32: (32-40) Israel come\u00e7ou por entender Jav\u00e9 como seu acompanhante nas vicissitudes do tempo, \u00abo Deus de Abra\u00e3o, de Isaac e de Jacob\u00bb que maravilhosamente escolheu o seu povo e Se comprometeu com ele por meio da Alian\u00e7a. Nenhum outro deus fez tanto. Mais tarde, a reflex\u00e3o descobriu que esse mesmo Deus era, afinal, o Criador, que est\u00e1 na origem da humanidade e de todas as coisas. \u00c9 texto \u00fanico neste livro (cf. Am 4,13; Is 40,28).

{N}4,{/}41: (41-43) Cf. nota em Nm 35,9-34.

{N}4,{/}44: (44-49) Estes dados resumem o que j\u00e1 foi apresentado em Dt 1-3.
  4,44-11: Mais exortativo, o {C}segundo discurso{/} de Mois\u00e9s exp\u00f5e com insist\u00eancia pedag\u00f3gica o fundamento da Alian\u00e7a e a seriedade das suas cl\u00e1usulas: a Lei.

{N}5,{/}1: (1-22) Visando uma actualiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da Alian\u00e7a (o \u00abconnosco\u00bb do v. 2), o Deuteron\u00f3mio apresenta aqui uma vers\u00e3o do Dec\u00e1logo diferente da de Ex 20,1-21 (cf. nota) e talvez mais antiga. O {C}3{/}.{C}\u00ba mandamento,{/} \u00aba guarda do S\u00e1bado\u00bb (vv. 12-15), ligado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o na narrativa sacerdotal de Ex 20,8-11, aqui \u00e9 referido \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o do Egipto, onde o povo experimentou a escravid\u00e3o, o trabalho sem descanso. Assim, o repouso do S\u00e1bado \u00e9 comemora\u00e7\u00e3o semanal e sinal da liberta\u00e7\u00e3o do povo, de que beneficiam tamb\u00e9m os escravos, os emigrantes e at\u00e9 os animais dom\u00e9sticos. Notar os dois verbos escolhidos no v. 21 e que traduzimos por {C}cobi\u00e7ar{/} a mulher e {C}desejar{/} os bens do pr\u00f3ximo, entre os quais surge o campo, como compete a uma sociedade agr\u00edcola, o que d\u00e1 ocasi\u00e3o a novos a\u00e7ambarcamentos (cf. Mq 2,1-2) e injusti\u00e7as.

{N}5,{/}23: (23-31) Embora escrito basicamente no s\u00e9culo VIII a.C., o Deuteron\u00f3mio, renova\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a em Moab ou outra vers\u00e3o da Lei, prov\u00e9m de Deus atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, reconhecida e aceite. Da\u00ed a sua autoridade indiscut\u00edvel.

{N}5,{/}32: (5,32-6,3) Estatutos e normas, leis e costumes, que vir\u00e3o mais tarde nos cap\u00edtulos 12-26, s\u00e3o para observar. E o seu cumprimento significar\u00e1, para o povo, felicidade e longa vida.

{N}6,{/}4: (4-9) Estes vers\u00edculos s\u00e3o o n\u00facleo fundamental da teologia do Deuteron\u00f3mio. O v. 4, com a afirma\u00e7\u00e3o do monote\u00edsmo, veio mais tarde a constituir o come\u00e7o da ora\u00e7\u00e3o \u00ab{C}Shema - Escuta,{/} Israel\u00bb, bem cara, ainda hoje, \u00e0 piedade judaica. Jav\u00e9 \u00e9 o {C}\u00fanico{/} Deus que Se mostrou amoroso com Israel. A resposta do lado humano, para l\u00e1 do temor reverencial, \u00e9 o {C}amor,{/} dimens\u00e3o que ningu\u00e9m antes ousara explicitar. {C}Amor total,{/} que penetra e informa a consci\u00eancia (cora\u00e7\u00e3o), o ser (alma) e a ac\u00e7\u00e3o (for\u00e7a). Esse amor total deve ser interiorizado, tornando-se a base da consci\u00eancia (cora\u00e7\u00e3o). Deve constituir o objecto primeiro e cont\u00ednuo de toda a educa\u00e7\u00e3o (inculcar nos filhos), em todas as situa\u00e7\u00f5es (sentado, andando, deitado, de p\u00e9). O amor \u00e9 que dirige a ac\u00e7\u00e3o (m\u00e3os) e as inten\u00e7\u00f5es (faixa entre os olhos). Deve ser vivido na fam\u00edlia (batentes da casa) e na sociedade (portas da cidade). Mais do que leis, o Deuteron\u00f3mio procura mostrar como deve ser a vida: uma resposta de amor a Deus, que se expressa em todas as rela\u00e7\u00f5es humanas. Os judeus piedosos levaram a norma \u00e0 letra e costumam ligar \u00e0 testa e ao bra\u00e7o fragmentos de pergaminho com palavras da Lei, em sinal do apego interior \u00e0 vontade divina (as {C}filact\u00e9rias,{/} em Mt 23,5).

{N}6,{/}10: (10-19) A felicidade e a prosperidade, que o povo vai encontrar, poder\u00e3o levar a {C}esquecer{/} Jav\u00e9, o \u00fanico Deus que liberta da escravid\u00e3o. A idolatria gera novas servid\u00f5es. Por isso, s\u00f3 a Ele o povo deve reconhecer como Deus (temor), adorando-O com a sua pr\u00f3pria vida (servir) e tomando-O como garantia de rela\u00e7\u00f5es humanas aut\u00eanticas (jurar pelo Nome de Jav\u00e9). {C}Tentar a Deus{/} \u00e9 ter a ousadia de Lhe pedir provas e sinais que n\u00e3o entram no seu projecto, ou deixar para Ele fazer miraculosamente o que est\u00e1 ao nosso alcance.

{N}6,{/}20: (20-25) A fam\u00edlia \u00e9 o lugar privilegiado da catequese. O crescer na f\u00e9 \u00e9 insepar\u00e1vel da educa\u00e7\u00e3o humana e passa pelo testemunho da experi\u00eancia do Deus que liberta e d\u00e1 a vida. A coer\u00eancia da comunidade familiar dever\u00e1 chegar a comportamentos rectos e fraternos, ajustados \u00e0 vontade divina e garantes da justi\u00e7a.

{N}7,{/}1: (1-6) Como povo escolhido entre todas as na\u00e7\u00f5es, Israel pertence totalmente ao Senhor, \u00e9 {C}santo{/}; o que implica ruptura com o modo de viver das outras na\u00e7\u00f5es. O povo de Deus \u00e9 chamado a romper de modo definitivo com todo e qualquer sistema que n\u00e3o corresponda ao projecto de Deus e, portanto, desvie da verdadeira realiza\u00e7\u00e3o da vida e felicidade humanas. Sobre o {C}an\u00e1tema,{/} cf. nota em Nm 21,1-3.

{N}7,{/}7: (7-15) A elei\u00e7\u00e3o divina n\u00e3o assenta em motivos ou c\u00e1lculos humanos. Contrariamente \u00e0s t\u00e1cticas mundanas, Deus escolhe os pequenos e os pobres para realizar grandes coisas; opta muitas vezes pelos oprimidos, encaminhando-os para a liberdade, para a vida. Pede que o povo obede\u00e7a ao seu projecto, tal como ele pode ser captado, e assegura a todos b\u00ean\u00e7\u00e3o, vida, sa\u00fade e prosperidade. Cf. 1Cor 1,17-31 e nota.

{N}7,{/}16: (16-26) O projecto divino realizado n\u00e3o \u00e9 fruto espont\u00e2neo; o povo tem de enfrentar uma luta \u00e1rdua contra as na\u00e7\u00f5es guiadas por outros rumos. N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, caso para desanimar: basta rever a Hist\u00f3ria e lembrar a vit\u00f3ria sobre o Fara\u00f3. Ter\u00e1 de destruir os \u00eddolos; s\u00e3o absolutos falsos que n\u00e3o levam a Deus e envenenam a vida humana.

{N}8,{/}1: (1-5) \u00c9 o tema da caminhada no deserto como prova\u00e7\u00e3o divina. Para o povo, foi tempo de forma\u00e7\u00e3o, com as maravilhas do \u00eaxodo (aqui aumentadas com entusiasmo e pormenor) a contrastar com a pequenez e pobreza do povo; foi o teste da fidelidade e do desassossego empreendedor. O risco era acomodar-se ao dom do p\u00e3o, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de prosperidade e abund\u00e2ncia, esquecendo a Palavra que sai da boca de Deus (cf. nota em Mt 4,1-11) e leva sempre mais longe e mais alto.

{N}8,{/}6: (6-20) O pregador deuteron\u00f3mico volta a insistir com o povo que dever\u00e1 guardar os mandamentos do Senhor, seguir os seus caminhos e tem\u00ea-l'O. O {C}temor de Deus{/} \u00e9 tema base do livro. O povo, em vez de se esquecer (vv. 11.14.19), dever\u00e1 lembrar-se de Jav\u00e9 (v. 18) que concede a todos a liberdade, os dons da vida e os bens. Ignorar isso \u00e9 correr o risco de transformar a liberdade pessoal em poder, e os bens em posse, abrindo a porta \u00e0 opress\u00e3o, \u00e0 \u00e2nsia de riquezas que gera explora\u00e7\u00e3o; \u00e9 tornar-se orgulhoso (v. 14), auto-suficiente e absoluto, pervertendo tudo e comprometendo a fraternidade.

{N}9,{/}1: (1-6) A conquista da Terra \u00e9 {C}dom{/} de Jav\u00e9 oferecido ao seu povo, e n\u00e3o {C}m\u00e9rito{/} de Israel. O texto condena qualquer auto-sufici\u00eancia baseada no m\u00e9rito. Um povo vitorioso, num conflito, n\u00e3o \u00e9 necessariamente mais justo do que os derrotados; compete-lhe tamb\u00e9m continuar a ensaiar a s\u00e9rio os caminhos da justi\u00e7a.

{N}9,{/}7: (7-29) A Hist\u00f3ria ajuda a descobrir os pr\u00f3prios erros e a corrigir o rumo. O bezerro de ouro \u00e9 uma tentativa de representar visivelmente a presen\u00e7a de Jav\u00e9. Isso traz o perigo de transformar Jav\u00e9 num \u00eddolo, sempre manipul\u00e1vel, violando o segundo mandamento do Dec\u00e1logo. Diante da infidelidade, Jav\u00e9 quer destruir o povo e escolher um outro. A s\u00faplica de Mois\u00e9s, por\u00e9m, lembra que Jav\u00e9 est\u00e1 comprometido com o povo, em virtude da promessa feita aos antepassados. Quebrando as t\u00e1buas, Mois\u00e9s mostra que o comportamento do povo foi uma viola\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a. O bezerro feito em p\u00f3 \u00e9 uma prova de que se trata apenas de um \u00eddolo material, sem poder algum. Cf. tamb\u00e9m Ex 32 e notas.

{N}10,{/}1: (1-11) Apesar do desvio grave em que o povo caiu, o Senhor condescende a reescrever o Dec\u00e1logo em duas t\u00e1buas novas que, em sinal de compromisso presente e activo no meio dos seus, ser\u00e3o guardadas numa arca constru\u00edda para o efeito, cuja vigil\u00e2ncia e transporte s\u00e3o confiados aos levitas.

{N}10,{/}12: (12-22) Viver em Alian\u00e7a com Jav\u00e9 significa reconhecer que Jav\u00e9 \u00e9 Deus e o homem n\u00e3o; significa, portanto, temer, servir e amar a Deus, o Senhor do Universo e da Hist\u00f3ria que zela solicitamente pelos que n\u00e3o t\u00eam defesa: o \u00f3rf\u00e3o, a vi\u00fava e o emigrante. O que o Senhor espera do seu povo, n\u00e3o \u00e9 uma simples obedi\u00eancia formal \u00e0s normas e ritos da Lei, mas uma ades\u00e3o total da pessoa e uma radical transforma\u00e7\u00e3o interior, ao jeito do Senhor.

{N}11,{/}1: (1-7) Numa esp\u00e9cie de profiss\u00e3o de f\u00e9, s\u00e3o evocados quatro feitos marcantes da interven\u00e7\u00e3o divina: as pragas no Egipto (v. 3), o milagre da travessia do mar (v. 4), as etapas da caminhada no deserto (v. 5) e o castigo infligido aos revoltosos Dat\u00e3 e Abiram (v. 6). Para tirar o seu povo da escravid\u00e3o, Deus revela-Se assim soberano e amea\u00e7ante. Da\u00ed a seriedade do apelo \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 obedi\u00eancia, dirigido a todas as idades. A transmiss\u00e3o desta experi\u00eancia concreta e vivida ocupa o n\u00facleo central do programa educativo da na\u00e7\u00e3o.

{N}11,{/}8: (8-17) A Terra Prometida \u00e9 diferente do Egipto, com outros deuses, outras tenta\u00e7\u00f5es e outras possibilidades. Deus toma a iniciativa e \u00e9 quem cuida dela. A vida e a prosperidade do povo andam ligadas \u00e0 sua fidelidade, ao rigor da resposta que der ao projecto divino. Caso contr\u00e1rio, o povo suportar\u00e1 carestia e morte.

{N}11,{/}18: (18-32) Sobre os vv. 18-21, cf. nota em 6,4-9. Em discurso directo, Deus compromete-Se com a realiza\u00e7\u00e3o das promessas e mostra as duas sa\u00eddas, correspondentes \u00e0 grande op\u00e7\u00e3o do povo: b\u00ean\u00e7\u00e3os ou maldi\u00e7\u00f5es, vida (justi\u00e7a e prosperidade) ou morte, consoante for fiel ou infiel ao projecto de Jav\u00e9, expresso no Deuteron\u00f3mio.

{N}12,{/}1: (1-26) O {C}C\u00f3digo Deuteron\u00f3mico{/} re\u00fane muitos elementos antigos e, ao mesmo tempo, assinala novidades ditadas pela evolu\u00e7\u00e3o nos costumes sociais e religiosos. Em compara\u00e7\u00e3o com os outros c\u00f3digos ou colect\u00e2neas de leis, o Deuteron\u00f3mio revela uma mudan\u00e7a de esp\u00edrito: as prescri\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas vezes acompanhadas de apelos, explica\u00e7\u00f5es e exorta\u00e7\u00f5es que introduzem a pedagogia na lei. Mais do que disposi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, s\u00e3o instru\u00e7\u00f5es ou indica\u00e7\u00f5es, certamente apoiadas no Dec\u00e1logo (5,1-22), mas com o intuito de responder de modo satisfat\u00f3rio e alegremente operacional aos desafios da vida que mexe e se complica.

{N}12,{/}2: (12,2-13,1) A lei do {C}santu\u00e1rio \u00fanico,{/} abolindo os demais lugares santos disseminados at\u00e9 ent\u00e3o por todo o territ\u00f3rio, e concentrando o culto p\u00fablico exclusivamente no templo de Jerusal\u00e9m, representa uma viragem espectacular na pr\u00e1tica religiosa do povo de Deus. Tal centraliza\u00e7\u00e3o, desconhecida na \u00e9poca dos Ju\u00edzes (Jz 6,28; 13,16) e no reinado de Salom\u00e3o (1Rs 3,4), constitui, por outro lado, medida essencial da legisla\u00e7\u00e3o deuteron\u00f3mica (12; 14,22-29; 15,19-23; 16; 18,1-8) e eixo fulcral da \u00abreforma\u00bb de Josias (2Rs 23), e desabrochou na gl\u00f3ria do Templo de Jerusal\u00e9m, ainda hoje viva. Ap\u00f3s a queda do Reino do Norte (em 721) e a dispers\u00e3o dos seus habitantes, achou-se oportuno poupar a religi\u00e3o \u00e0s influ\u00eancias dos costumes pag\u00e3os e do culto cananeu, esbater diverg\u00eancias regionais e revigorar a uni\u00e3o: um s\u00f3 Deus (6,4), um s\u00f3 povo ao seu servi\u00e7o, um s\u00f3 Templo. Foi preciso prover \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos levitas adstritos aos v\u00e1rios santu\u00e1rios agora \u00abdesempregados\u00bb; foi preciso distinguir o {C}abate{/} dom\u00e9stico e o {C}sacrif\u00edcio{/} de animais (vv. 15-16). Acerca do respeito pelo sangue, cf. nota em Lv 17,1-16. Notar a dimens\u00e3o social e comunit\u00e1ria de grande parte do culto, onde o povo se re\u00fane, partilha e celebra na alegria.

{N}13,{/}2: (2-19) Mais uma precau\u00e7\u00e3o contra as sedu\u00e7\u00f5es da idolatria, venham de \u00abprofetas\u00bb, venham de familiares. Liberto da escravid\u00e3o, o povo n\u00e3o pode recair no erro de se entregar \u00e0 falsidade dos deuses.

{N}14,{/}1: (1-2) Alus\u00e3o aos ritos do luto que Jeremias menciona sem condenar (Jr 16,6; 41,5) e os pag\u00e3os praticam (1Rs 18,28). Aqui, s\u00e3o proibidos para evitar divinizar os mortos ou, noutra leitura, para afastar o culto a Baal, deus da Natureza adorado pelos cananeus, cuja morte se celebrava no in\u00edcio do Ver\u00e3o, quando desaparecia a verdura (cf. 1Rs 18,28). Sobre o povo consagrado, cf. nota em 7,1-6.

{N}14,{/}3: (3-21) Cf. nota em Lv 11,1-47.

{N}14,{/}22: (22-29) Toda a produ\u00e7\u00e3o da Natureza \u00e9 {C}dom{/} de Jav\u00e9 que aben\u00e7oa o seu povo. Para manter viva esta consci\u00eancia do dom e livrar do esp\u00edrito de posse, o povo ter\u00e1 de oferecer o d\u00edzimo de quanto recolhe. A novidade do Deuteron\u00f3mio \u00e9 que esse d\u00edzimo seja doravante levado e consumido, em festa de comunh\u00e3o, na esplanada do santu\u00e1rio \u00fanico, onde todos se alegram e compartilham os dons recebidos. As sobras dessa refei\u00e7\u00e3o eram entregues aos levitas. Talvez isso explique a vers\u00e3o de Nm 18,31-32 relativamente \u00e0 finalidade do d\u00edzimo. Al\u00e9m disso, cada tr\u00eas anos existe um d\u00edzimo especial (vv. 28-29) que n\u00e3o era levado ao santu\u00e1rio e se destinava por inteiro aos deserdados, entre os quais figuravam com frequ\u00eancia os levitas locais. Era uma maneira de tomar consci\u00eancia das desigualdades sociais e de amenizar os seus efeitos.

{N}15,{/}1: (1-11) Os trabalhos do campo suspendiam-se cada sete anos para o seu descanso sab\u00e1tico (Ex 23,10-11); aqui, a medida alarga-se \u00e0 vida comercial e, para sublinhar os direitos do Senhor sobre todas as dimens\u00f5es da vida, prescreve com essa periodicidade a remiss\u00e3o das d\u00edvidas contra\u00eddas. No povo de Deus, todos s\u00e3o irm\u00e3os; a exist\u00eancia do pobre \u00e9 uma anomalia (vv. 7 e 11), mesmo que pare\u00e7a inevit\u00e1vel. O ano da remiss\u00e3o ou do perd\u00e3o possibilitava um recome\u00e7o de vida \u00e0s pessoas e fam\u00edlias empobrecidas ou endividadas.

{N}15,{/}12: (12-18) Muitos ficavam t\u00e3o empobrecidos e endividados que se viam for\u00e7ados a venderem-se a si pr\u00f3prios com os filhos, a entregarem-se aos credores como escravos. Em Israel, o facto n\u00e3o podia subsistir de modo definitivo. Ao s\u00e9timo ano de servid\u00e3o, o escravo hebreu era libertado, levando parte dos bens que ajudara a produzir, podendo deste modo recome\u00e7ar uma vida em liberdade. A lei original reveste um profundo car\u00e1cter humanit\u00e1rio e contribui para nivelar a rela\u00e7\u00e3o entre senhor e escravo; no fundo, eram irm\u00e3os. A fundamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a experi\u00eancia hist\u00f3rica da escravid\u00e3o de todo o povo no Egipto; ningu\u00e9m est\u00e1 dispensado de actuar, no tempo, o gesto libertador do Deus do \u00eaxodo. O rito arcaico dos vv. 16-17 (cf. Ex 21,2-6) nada tem de infamante ou cruel e confere ao israelita, que o queira, o estado de \u00abescravo para sempre\u00bb.

{N}15,{/}19: (19-23) O primog\u00e9nito cont\u00e9m simbolicamente em si toda a prole do rebanho, lembrando que Jav\u00e9 \u00e9 quem sustenta a vida. Por isso, o animal primog\u00e9nito n\u00e3o deve ser explorado comercialmente, mas ser oferecido e consumido em esp\u00edrito de gratid\u00e3o pelo dom de Deus.

{N}16,{/}1: (1-17) Sobre as festas, cf. notas em Ex 12,1-4.15-20.21-28; 23,14-19. O Dt destaca que as festas s\u00e3o ocasi\u00f5es de alegria e gratid\u00e3o, reconhecendo em Jav\u00e9 o Deus que d\u00e1 a liberdade e a vida. Note-se tamb\u00e9m que s\u00e3o momentos de confraterniza\u00e7\u00e3o, onde desaparecem as desigualdades: as festas de Jav\u00e9 devem ser o sinal de uma sociedade que reparte entre todos a liberdade e a vida.

{N}16,{/}18: (18-20) O exerc\u00edcio da autoridade mais necess\u00e1rio ao povo \u00e9 o da justi\u00e7a. Para tanto, n\u00e3o se pode viciar a interpreta\u00e7\u00e3o da lei, fazer acep\u00e7\u00e3o de pessoas e, menos ainda, corromper a fun\u00e7\u00e3o da magistratura.

{N}16,{/}21: (16,21-17,7) As leis de 16,21-22 estariam bem no cap. 12. Os postes sagrados (figura\u00e7\u00e3o de divindades femininas) e as estelas (figura\u00e7\u00e3o de divindades masculinas) s\u00e3o instrumentos do culto cananeu, que Israel deve evitar a todo o custo. O texto de 17,2-7 talvez fizesse parte do conjunto do cap. 13. Cf. notas em 13,2-19, e 15,21.

{N}17,{/}8: (8-13) Para crimes n\u00e3o especificados nas leis (cf. c\u00f3digo penal de Ex 21,12-22,16) ou causas localmente pol\u00e9micas, o santu\u00e1rio funcionava como tribunal de \u00faltima inst\u00e2ncia, presidido pelo sacerdote ou por um juiz nomeado para o efeito. A senten\u00e7a era irrevog\u00e1vel; recorria a rituais de sortes onde, pensava-se, o pr\u00f3prio Jav\u00e9 intervinha.

{N}17,{/}14: (14-20) Na \u00fanica passagem que menciona o rei, o Deuteron\u00f3mio conhece os males que fizeram sucumbir os soberanos de Israel: poder, riqueza e orgulho. O monarca n\u00e3o dever\u00e1, portanto, investir em armamento (cavalos), \u00e0 maneira dos povos vizinhos; n\u00e3o multiplicar\u00e1 as mulheres, por perigo de alian\u00e7as religiosamente indesej\u00e1veis com outras na\u00e7\u00f5es; n\u00e3o acumular\u00e1 riquezas, pois a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 servir e n\u00e3o ser pesado ao povo. S\u00e3o restri\u00e7\u00f5es que visam evitar desvios ou abusos do elemento escolhido por Deus e pelo povo de entre os \u00abirm\u00e3os\u00bb (v. 15) e que, \u00e0 semelhan\u00e7a dos demais, tamb\u00e9m poder\u00e1 optar por ser fiel e viver. Ali\u00e1s, esta ambival\u00eancia do poder mon\u00e1rquico est\u00e1 claramente denunciada na narrativa da sua institui\u00e7\u00e3o em 1Sm 8-10.

{N}18,{/}1: (1-8) O grupo dos levitas n\u00e3o recebeu territ\u00f3rio pr\u00f3prio quando da distribui\u00e7\u00e3o da Terra e vivia espalhado entre as tribos (cf. nota em Js 21), ligado ao culto dos v\u00e1rios santu\u00e1rios e \u00e0 instru\u00e7\u00e3o. Com a reforma religiosa que consagrou o templo de Jerusal\u00e9m como santu\u00e1rio \u00fanico, os de longe entraram em crise, enquanto os da capital se consideravam privilegiados. A presente lei prev\u00ea a igualdade de direitos para todos os levitas, embora a pr\u00e1tica deixe a desejar (cf. 1Rs 23,8-9).

{N}18,{/}9: (9-22) Na antiguidade, os poderosos consultavam astr\u00f3logos, adivinhos e magos para tomar decis\u00f5es importantes ou impor habilmente o seu arb\u00edtrio. Em Israel \u00e9 diferente: h\u00e1 profetas que n\u00e3o vivem \u00e0 sombra da corte e s\u00e3o a \u00abboca de Deus\u00bb no meio dos acontecimentos. Na esteira de Mois\u00e9s, o juda\u00edsmo esperou um grande profeta que, por vezes, foi identificado com o Messias que havia de vir (cf. Act 3,22-26; 7,34). Distinguir o verdadeiro do falso profeta foi sempre tarefa complicada. A realiza\u00e7\u00e3o dos pronunciamentos (v. 22) \u00e9 crit\u00e9rio insuficiente; mais s\u00f3lido \u00e9 pesar o conte\u00fado da mensagem e a sua coer\u00eancia com a ac\u00e7\u00e3o e a palavra de Deus conhecidas (cf. 13,3-6; Jr 28,8-9).

{N}19,{/}1: (1-13) Cf. nota em Nm 35,9-34. Conforme os vv. 11-13 do nosso texto, a sociedade toda (anci\u00e3os) torna-se respons\u00e1vel pelo derramamento criminoso de sangue inocente.

{N}19,{/}14: A Terra, dom que Jav\u00e9 distribui igualitariamente entre todos, \u00e9 sinal da participa\u00e7\u00e3o na Alian\u00e7a. Esta lei procura preservar a justa distribui\u00e7\u00e3o da terra, impedindo a acumula\u00e7\u00e3o de terras. Grandes propriedades na m\u00e3o de poucos \u00e9 um roubo do dom de Jav\u00e9, que \u00e9 para todos.

{N}19,{/}15: (15-21) Toda a pessoa tem direito \u00e0 boa fama e honradez. Por isso, todo o acusado tem o direito de se defender contra as arbitrariedades e interesses do acusador. Sobre a {C}lei do tali\u00e3o {/}(v. 21), cf. nota em Ex 21,18-27.

{N}20,{/}1: (1-9) Sem se pronunciar a fundo e tratando a guerra como um facto, o autor conta que o Senhor combata contra os inimigos; \u00e9 mestre da vida e da Hist\u00f3ria do seu povo. Tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es libertam da incorpora\u00e7\u00e3o (vv. 5-7): quem construiu a casa, quem plantou uma vinha, quem desposou uma mulher, sem lhes ter saboreado os frutos. Est\u00e1 em causa o car\u00e1cter sagrado de todos os come\u00e7os. H\u00e1 ainda o medo (v. 8), indiciando a falta de f\u00e9 e confian\u00e7a. Em tudo, h\u00e1 muita humanidade que merece ser exemplar. De notar que a norma est\u00e1 viva s\u00e9culos mais tarde, como se v\u00ea em 1Mc 3,56.

{N}20,{/}10: (10-18) As cidades-estado de Cana\u00e3 dever\u00e3o ser completamente exterminadas, para evitar contamina\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e pol\u00edticas (sobre a lei do an\u00e1tema, cf. nota em Nm 21,1-3). Quanto \u00e0s cidades distantes, a t\u00e1ctica \u00e9 fazer alian\u00e7as. Quando isso n\u00e3o for poss\u00edvel, a for\u00e7a de resist\u00eancia dever\u00e1 ser eliminada (exterm\u00ednio dos homens). 

{N}20,{/}19: (19-20) A Lei mostra a esta dist\u00e2ncia uma preocupa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica: \u00e9 quest\u00e3o de bom senso usar da melhor forma a Natureza, mantendo para com ela aquele respeito que trar\u00e1 benef\u00edcios para o pr\u00f3prio homem. 

{N}21,{/}1: (1-9) A vida \u00e9 o maior dom de Deus, e a sociedade \u00e9 respons\u00e1vel pela vida de todos e de cada um. O sangue derramado clama a Deus: se ele n\u00e3o for reparado de algum modo, a culpa recair\u00e1 sobre a sociedade inteira. Um rito antigo transforma-se em ocasi\u00e3o de profiss\u00e3o de inoc\u00eancia e de ora\u00e7\u00e3o suscept\u00edvel de libertar o povo (vv. 7-8).

{N}21,{/}10: (10-14) A mulher estrangeira, prisioneira de guerra e desposada livremente por um israelita, teria de cortar com o seu passado (tal \u00e9 o simbolismo dos despojamentos dos vv. 12-13) e come\u00e7ar nova exist\u00eancia, mas nunca dever\u00e1 ser rebaixada ou maltratada pelo marido. Merece respeito; n\u00e3o \u00e9 mero objecto ao sabor dos interesses e caprichos do homem.

{N}21,{/}15: (15-17) A poligamia era permitida. Os conflitos previs\u00edveis. Mas o direito do filho mais velho (primogenitura) - uma parte dupla na heran\u00e7a, segundo as disposi\u00e7\u00f5es em vigor - n\u00e3o podia ser confiado ao arb\u00edtrio dos gostos e decis\u00f5es do pai.

{N}21,{/}18: (18-21) Esta lei \u00e9 uma esp\u00e9cie de coment\u00e1rio ao mandamento: \u00abHonra teu pai e tua m\u00e3e\u00bb (Dt 5,16), ele salienta a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o familiar. Numa situa\u00e7\u00e3o patriarcal, onde a fam\u00edlia \u00e9 o alicerce da sociedade, o filho incorrig\u00edvel transforma-se em amea\u00e7a social. Provavelmente trata-se de uma lei te\u00f3rica, nunca aplicada. 

{N}21,{/}22: (22-23) A suspens\u00e3o de um sentenciado de uma \u00e1rvore visava servir de exemplo. O Deuteron\u00f3mio limita o tempo de exposi\u00e7\u00e3o do sentenciado, porque o cad\u00e1ver contamina a Terra Prometida, que \u00e9 terra de vida. Paulo aplica o texto a Jesus crucificado (cf. nota em Gl 3,6-14).

{N}22,{/}1: (1-4) Numa sociedade verdadeiramente fraterna, cada um interessa-se pelas coisas do irm\u00e3o, como se fossem suas. O v. 4 parece aludir ao respeito para com a vida animal.

{N}22,{/}5: A lei parece proibir qualquer perturba\u00e7\u00e3o da ordem da Natureza. E parece aludir tamb\u00e9m a certas pr\u00e1ticas do culto cananeu, onde havia prostitui\u00e7\u00e3o sagrada.

{N}22,{/}6: (6-7) O respeito \u00e0 maternidade n\u00e3o se restringe ao mundo humano: deve-se respeitar tamb\u00e9m a maternidade dos animais.

{N}22,{/}8: O bem particular de uma pessoa n\u00e3o pode prejudicar o bem comum, e sim beneficiar a todos. Esta lei faz pensar nas condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, moradia, trabalho, transporte, ambientes de lazer etc.

{N}22,{/}9: (9-12) Segundo o pensamento dos israelitas, Deus criou separa\u00e7\u00e3o e distin\u00e7\u00e3o entre os seres (Gn 1). Misturar coisas diferentes seria introduzi-las na esfera de Deus, tornando-as \u00abconsagradas\u00bb. O v. 12 alude provavelmente \u00e0 veste t\u00edpica do israelita, um dos sinais da sua nacionalidade. 

{N}22,{/}13: (13-21) A lei visa proteger a fama da mulher, dando-lhe o direito de defesa. O clima \u00e9 patriarcal e, por isso, n\u00e3o exige a mesma coisa do homem. Note-se que o facto n\u00e3o \u00e9 considerado como ofensa pessoal, mas como desordem social.

{N}22,{/}22: A lei \u00e9 um coment\u00e1rio de 5,18. O adult\u00e9rio \u00e9 visto como desordem social.

{N}22,{/}23: (23-27) Juridicamente, estar prometida em casamento era o mesmo que estar casada, mesmo que o casamento ainda n\u00e3o estivesse consumado. O caso, portanto, \u00e9 o mesmo do v. 22, com a atenuante dos vv. 25-27.

{N}22,{/}28: (28-29) Tanto aqui como nos casos anteriores, n\u00e3o est\u00e1 em quest\u00e3o a moralidade do acto sexual, mas um problema de justi\u00e7a. Nos vv. 28-29, a jovem violentada seria recusada para outro casamento.

{N}23,{/}1: \u00abEstender o pano do manto\u00bb sobre a mulher quer dizer casar-se com ela. \u00abRetirar o pano do manto\u00bb \u00e9 um atentado aos direitos do marido. 

{N}23,{/}2: (2-9) Durante as grandes festas a lei prev\u00ea um regulamento para a participa\u00e7\u00e3o na assembleia cultual, onde n\u00e3o podiam participar os {C}castrados,{/} certamente pessoas que serviam nos santu\u00e1rios cananeus, e os {C}bastardos,{/} isto \u00e9, os filhos de casamentos com estrangeiros. Os povos que podiam participar ou n\u00e3o dessas assembleias provavelmente eram aqueles que estavam em rela\u00e7\u00f5es amig\u00e1veis ou hostis com Israel.

{N}23,{/}10: (10-15) Jav\u00e9 est\u00e1 sempre aliado ao povo na luta contra os inimigos. Por isso, exigem-se algumas normas de higiene que adquirem car\u00e1cter religioso. 

{N}23,{/}16: (16-17) O escravo estrangeiro podia refugiar-se em Israel. Um povo que foi libertado n\u00e3o submete outros \u00e0 escravid\u00e3o, mas permite que vivam livres no meio de si como irm\u00e3os.

{N}23,{/}18: (18-19) A prostitui\u00e7\u00e3o sagrada, praticada principalmente pelos cananeus, era um meio m\u00e1gico de se unir com a divindade.

{N}23,{/}20: (20-21) Num povo de irm\u00e3os, o empr\u00e9stimo \u00e9 partilha com o irm\u00e3o necessitado, e n\u00e3o investimento para obter lucro. O estrangeiro aqui indica provavelmente uma pessoa ou grupo hostil, interessado em tirar proveito; nesse caso, as rela\u00e7\u00f5es com ele ser\u00e3o diferentes.

{N}23,{/}22: (22-24) A pessoa deve estar consciente do compromisso que assume espontaneamente com Deus. 

{N}23,{/}25: (25-26) Numa sociedade verdadeiramente fraterna e fundada na partilha, os bens necess\u00e1rios \u00e0 vida n\u00e3o s\u00e3o propriedade de ningu\u00e9m, quando est\u00e1 em jogo a sobreviv\u00eancia. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o confere o direito de prejudicar o pr\u00f3ximo. 

{N}24,{/}1: (1-4) Associada certamente a antigas proibi\u00e7\u00f5es sagradas, a lei tem alcance social e visa dificultar os casos de div\u00f3rcio. \u00c9 preciso libelo de rep\u00fadio e o homem n\u00e3o pode voltar a casar com a mulher que repudiou. Eco da mentalidade patriarcal, nem sequer se fala na possibilidade de a mulher fazer o mesmo. Jesus anula por completo essa norma, libertando o matrim\u00f3nio de uma vis\u00e3o legalista (cf. nota em Mc 10,1-12).

{N}24,{/}5: Cf. nota em 20,1-9. Aqui salienta-se o direito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do lar na intimidade e na alegria. 

{N}24,{/}6: A penhora \u00e9 uma forma de pressionar o pagamento de uma d\u00edvida. N\u00e3o existe o direito de tirar de uma fam\u00edlia o necess\u00e1rio para a sua sobreviv\u00eancia. O moinho caseiro era usado para fazer o p\u00e3o de cada dia.

{N}24,{/}7: A vida humana n\u00e3o pode ser transformada em mercadoria. E a pessoa n\u00e3o pode ser usada como fonte de lucro, explorando a sua for\u00e7a de trabalho ou o seu pr\u00f3prio ser.

{N}24,{/}8: (8-9) Cf. notas em Lv 13-14. Sobre o epis\u00f3dio de Maria, irm\u00e3 de Aar\u00e3o, cf. Nm 12,10-15.

{N}24,{/}10: (10-13) O direito de cada um termina onde come\u00e7a a necessidade do outro. No caso de penhora, o credor n\u00e3o tem o direito de violar a intimidade do devedor, nem de humilh\u00e1-lo: o devedor \u00e9 que escolher\u00e1 o que poder\u00e1 dar como penhor. Sobre o manto do pobre, cf. nota em 24,6. Notar que a b\u00ean\u00e7\u00e3o vem da boca do pobre, mais bem colocado para verificar a justi\u00e7a.

{N}24,{/}14: (14-15) Contando com os conflitos, a lei procura conter a explora\u00e7\u00e3o do assalariado ou porque recebe sal\u00e1rio injusto ou porque lho ret\u00eam, retirando ao trabalhador a possibilidade duma vida digna. O Senhor est\u00e1 do lado do prejudicado.

{N}24,{/}16: Cada um \u00e9 respons\u00e1vel pelos seus pr\u00f3prios actos. Este princ\u00edpio \u00e9 uma inova\u00e7\u00e3o na legisla\u00e7\u00e3o b\u00edblica e ser\u00e1 desenvolvido por Jr 31,29-30 e Ez 14,12-23; 18; 33,10-20. Antes, muitas vezes, a fam\u00edlia ou comunidade era punida com o culpado (cf. Js 7,24-25).

{N}24,{/}17: (17-18) O direito deve proteger e fazer justi\u00e7a aos pobres e fracos, que n\u00e3o t\u00eam dinheiro nem poder para defender os seus pr\u00f3prios direitos. A justi\u00e7a para com os oprimidos \u00e9 o sinal da alian\u00e7a com o Deus libertador.

{N}24,{/}19: (19-22) No ambiente agr\u00e1rio, o povo costumava deixar para tr\u00e1s alguma coisa como oferta para a divindade. O Deuteron\u00f3mio transforma esse costume em gesto religioso-social: a oferta a Jav\u00e9 fica para os pobres.

{N}25,{/}1: (1-3) Mesmo que se aplique uma puni\u00e7\u00e3o justa, ningu\u00e9m tem o direito de humilhar o culpado, lesando-o fisicamente. A presen\u00e7a do juiz e o limite da puni\u00e7\u00e3o s\u00e3o medidas para evitar arbitrariedades. 

{N}25,{/}4: Costumava-se debulhar as espigas fazendo com que animais arrastassem um peso sobre elas. Esta lei n\u00e3o se preocupa apenas com os animais, mas principalmente com os trabalhadores: eles t\u00eam o direito de aproveitar o produto do pr\u00f3prio trabalho.

{N}25,{/}5: (5-10) A lei do {C}levirato{/} (do latim {C}levir {/}= cunhado) era a obriga\u00e7\u00e3o que tinha o irm\u00e3o dum falecido de casar com a vi\u00fava, com o fim de dar continuidade \u00e0 fam\u00edlia. Cf. nota em Gn 38,1-30. Em Rt 4,5-6, o dever do levirato est\u00e1 associado \u00e0 miss\u00e3o de resgatar o patrim\u00f3nio.

{N}25,{/}11: (11-12) N\u00e3o se trata de defender o pudor, mas de respeitar a vida e a gera\u00e7\u00e3o, que a mulher coloca em perigo com esse gesto. \u00c9 o \u00fanico caso em que o Antigo Testamento prev\u00ea este tipo de san\u00e7\u00e3o, quando a mutila\u00e7\u00e3o era frequente entre os povos vizinhos.

{N}25,{/}13: (13-16) A lei mostra que a fraude no com\u00e9rcio \u00e9 uma abomina\u00e7\u00e3o para Jav\u00e9, porque Ele quer justi\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas. O com\u00e9rcio injusto \u00e9 uma das principais formas de explorar o pobre. Cf. notas em Am 8,4-8 e Mq 6,9-16.

{N}25,{/}17: (17-19) O texto refere-se ao epis\u00f3dio de Ex 17,8-16. Segundo o Deuteron\u00f3mio, os amalecitas violaram a moral do deserto, atacando pessoas cansadas e doentes. Aproveitar-se dos fracos e indefesos \u00e9 n\u00e3o temer a Deus.

{N}26,{/}1: (1-11) Cada ano, na altura da colheita, h\u00e1 que fazer a oferta das prim\u00edcias dos produtos da terra, acompanhando-a com uma solene confiss\u00e3o de f\u00e9. Trata-se de um \u00abCredo hist\u00f3rico\u00bb, isto \u00e9, de uma f\u00e9 que reconhece o Deus vivo, presente e activo na hist\u00f3ria do povo, em particular durante o per\u00edodo privilegiado que \u00e9 o tempo do \u00eaxodo: Deus aliou-Se a um grupo de escravizados para o libertar e lhe dar uma terra de justi\u00e7a e fraternidade. Temos textos semelhantes em Dt 6,21-23; 11,3-6; Js 24,1-13; Sl 136. A f\u00e9 \u00e9 fazer confian\u00e7a no Deus libertador. O fim da celebra\u00e7\u00e3o (v. 11) inclui um banquete de confraterniza\u00e7\u00e3o em que se faz a partilha dos frutos da terra em clima de festa.

{N}26,{/}12: (12-15) Sobre o d\u00edzimo trienal, cf. nota em 14,22-29. O verdadeiro culto que Jav\u00e9 quer \u00e9 a justi\u00e7a, que se torna concreta na partilha dos bens. Desse modo o culto torna-se um grande meio de instru\u00e7\u00e3o, pois ensina o povo a formar uma sociedade onde todos tenham acesso aos bens da vida. O v. 14 sup\u00f5e o culto a Baal, que morria depois da colheita e ressuscitava na Primavera (luto, impureza e morte). Note-se que a oferta a Jav\u00e9 (o que estava consagrado) \u00e9 recebida pelos deserdados; estes s\u00e3o o sacramento da presen\u00e7a do Deus libertador.

{N}26,{/}16: (16-19) A verdadeira religi\u00e3o consiste em viver em alian\u00e7a com o Deus do \u00eaxodo. A alian\u00e7a \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de compromisso m\u00fatuo. Jav\u00e9 compromete-Se a ser o Deus do povo, libertando e dando a vida, se o povo puser em pr\u00e1tica a sua vontade. Por outro lado, o povo compromete-se a ser reconhecido como povo pr\u00f3prio de Deus, se realizar a sua vontade. O centro da alian\u00e7a, portanto, consiste em cumprir a vontade de Jav\u00e9, tal como ela se mostrou na Hist\u00f3ria. Assim, o povo de Deus \u00e9 reconhecido na Hist\u00f3ria como povo s\u00e1bio, em \u00edntima comunh\u00e3o com Deus (cf. 4,6-8).

{N}26,{/}27: (27-28) Uma esp\u00e9cie de liturgia compreendia sacrif\u00edcios da alian\u00e7a, a proclama\u00e7\u00e3o ou leitura p\u00fablica da Lei (cf. 31,10-13) e talvez a recita\u00e7\u00e3o, em coros alternados, das b\u00ean\u00e7\u00e3os e maldi\u00e7\u00f5es que colocavam Israel perante a seriedade da exig\u00eancia assumida. \u00c9 de notar que {C}b\u00ean\u00e7\u00e3o{/} e {C}maldi\u00e7\u00e3o,{/} naquele contexto cultural, mais do que simples palavras, eram caminhos tra\u00e7ados, realidades concretas e vivas, destinos eficazes e impar\u00e1veis (cf. Gn 27,33-40) que demarcavam a divis\u00e3o dos campos, a destrin\u00e7a radical dos rumos, sem eliminar evidentemente a possibilidade da convers\u00e3o.

{N}27,{/}1: (1-10) As pedras gravadas com a Lei deuteron\u00f3mica (mandamentos e estatutos) ser\u00e3o o testemunho a favor ou contra Israel. Elas comprovar\u00e3o a fidelidade ou infidelidade do povo para com o Deus da alian\u00e7a.

{N}27,{/}11: (11-26) Temos aqui um texto antigo, que interrompe a sequ\u00eancia do livro. Trata-se de uma lista de ac\u00e7\u00f5es secretas, que dificilmente viriam a p\u00fablico para serem julgadas, mas n\u00e3o escapam aos olhos de Deus. Amaldi\u00e7oando a pessoa que as comete, o texto obriga em consci\u00eancia, com a aprova\u00e7\u00e3o popular (\u00c1men = Assim seja). 

{N}28,{/}1: (1-14) As leis do Deuteron\u00f3mio projectam e abrem perspectivas para a constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade de felicidade e de bem onde todos t\u00eam lugar. Para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio o compromisso de p\u00f4r em pr\u00e1tica toda essa legisla\u00e7\u00e3o. Assim fazendo, o povo receber\u00e1 as {C}b\u00ean\u00e7\u00e3os,{/} que significam vida, prosperidade, abund\u00e2ncia, paz, e sobretudo o reconhecimento de que \u00e9 um povo consagrado a Jav\u00e9, o Deus vivo que gera liberdade e vida.

{N}28,{/}15: (15-68{N}) {/}A infidelidade ao projecto de Jav\u00e9, conforme \u00e9 apresentado nas leis do Deuteron\u00f3mio, acarretar\u00e1 para o povo as {C}maldi\u00e7\u00f5es{/}. Estas significam perder a vida, a prosperidade, o fruto do trabalho, a sa\u00fade e finalmente a independ\u00eancia pol\u00edtica. Os vv. 47-68 descrevem com pormenores uma situa\u00e7\u00e3o de ex\u00edlio. Talvez tenham sido escritos durante o ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, depois da queda de Jerusal\u00e9m em 586 a.C.

{N}28,{/}69: (28,69-29,7) O povo \u00e9 convidado a rever a pr\u00f3pria hist\u00f3ria a fim de compreender que Jav\u00e9, o Deus libertador, est\u00e1 presente, e convida para uma alian\u00e7a.

{N}29,{/}1: (29-30) Terminado o segundo discurso de Mois\u00e9s (28,69) que enquadra o c\u00f3digo deuteron\u00f3mico (12-26), surge o {C}terceiro{/} com o seu tema: o Senhor n\u00e3o Se contenta com mostrar os caminhos; vai abrir os \u00abcora\u00e7\u00f5es\u00bb e os olhares do seu povo para que escute e cumpra. Fala em discurso directo, olhos nos olhos (29,4-5), abarca todas as gera\u00e7\u00f5es (29,14), mostra cat\u00e1strofes previs\u00edveis j\u00e1 consumadas na guerra e na dispers\u00e3o (29,21-27); est\u00e1 ciente dos limites do conhecimento humano (29,28) e deixa que a ternura tenha a \u00faltima palavra (30,3); \u00e9 que a Palavra est\u00e1 pr\u00f3xima (30,11-14) e ambos os caminhos est\u00e3o abertos e s\u00e3o poss\u00edveis (30,15-20).

{N}29,{/}8: (8-14) A alian\u00e7a com o Deus libertador engloba todo o povo, todas as categorias de pessoas, e permanece aberta \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras (\u00abaqueles que hoje n\u00e3o est\u00e3o aqui connosco\u00bb). Jav\u00e9 torna-Se o Deus de Israel, e Israel torna-se o povo de Deus. A condi\u00e7\u00e3o \u00e9 cumprir toda a legisla\u00e7\u00e3o do Deuteron\u00f3mio (\u00abpacto sob condi\u00e7\u00e3o\u00bb).

{N}29,{/}15: (15-20) No momento da alian\u00e7a, \u00e9 relembrada a condi\u00e7\u00e3o fundamental: abandonar os \u00eddolos das na\u00e7\u00f5es, para servir unicamente a Jav\u00e9, o Deus que gera liberdade e vida para todos. O maior desvio da alian\u00e7a seria afirmar teoricamente o culto a Jav\u00e9 e, na vida pr\u00e1tica, servir a outros deuses.

{N}29,{/}21: (21-27) A infidelidade \u00e0 alian\u00e7a trar\u00e1 infalivelmente a ru\u00edna de Israel. Foi o que aconteceu com a queda de Samaria e de Jerusal\u00e9m, nos anos 721 e 587, respectivamente. Cf. nota em 28,15-68.

{N}29,{/}28: As \u00abcoisas escondidas\u00bb s\u00e3o o mist\u00e9rio de Deus e a maneira como Ele dirige a Hist\u00f3ria. A B\u00edblia n\u00e3o nos mostra o que Deus \u00e9 em Si, mas {C}o que Ele quer,{/} ou seja: que a humanidade aprenda o caminho da justi\u00e7a e construa uma rela\u00e7\u00e3o social fraterna e igualit\u00e1ria. O Deuteron\u00f3mio procura indicar o caminho para essa justi\u00e7a. Mas n\u00e3o basta saber; \u00e9 preciso p\u00f4-lo em pr\u00e1tica.

{N}30,{/}1: (1-10) O texto \u00e9 da \u00e9poca do ex\u00edlio. A infidelidade causou as maldi\u00e7\u00f5es anunciadas em 28,15-68. Tudo perdido? N\u00e3o. Abre-se uma esperan\u00e7a: o povo deve meditar sobre a experi\u00eancia hist\u00f3rica, converter-se novamente a Jav\u00e9 e obedecer-Lhe radicalmente. Ent\u00e3o o processo hist\u00f3rico mudar\u00e1: o povo ser\u00e1 novamente reunido, tomar\u00e1 posse da Terra e ter\u00e1 um novo tempo de b\u00ean\u00e7\u00e3os (cf. nota em 21,8-14).

{N}30,{/}11: (11-14) Embora por completar, a Palavra est\u00e1 bem perto da boca e do cora\u00e7\u00e3o humanos para que ningu\u00e9m possa desculpar-se de a n\u00e3o cumprir por n\u00e3o saber ou por n\u00e3o lhe chegar. O caminho esclarecido est\u00e1 ao nosso alcance; resta assumi-lo criteriosamente e percorr\u00ea-lo. O tema faz lembrar passagens dos livros sapienciais: Pr 8,31; Sl 24,11; Sb 1,6; 7,22.

{N}30,{/}15: (15-20) A vida e a morte, a felicidade e a desgra\u00e7a dependem da op\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que o povo faz entre {C}Jav\u00e9,{/} o Deus da liberdade e da vida, e os {C}\u00eddolos,{/} que produzem escravid\u00e3o e morte. O Deuteron\u00f3mio primitivo termina com este apelo forte: \u00abEscolhe a vida... amando a Jav\u00e9 teu Deus... porque Ele \u00e9 a tua vida e o prolongamento dos teus dias\u00bb.

{N}31,{/}1: (1-8) A designa\u00e7\u00e3o de Josu\u00e9 como chefe do povo prepara a narra\u00e7\u00e3o do livro de Josu\u00e9. Note-se que as instru\u00e7\u00f5es dadas ao povo (v. 6) e a Josu\u00e9 (vv. 7-8) s\u00e3o as mesmas: o chefe n\u00e3o est\u00e1 acima de ningu\u00e9m; a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 ser mediador entre Deus e o povo.
  31-34: Estes cap\u00edtulos s\u00e3o, ao mesmo tempo, a \u00faltima sec\u00e7\u00e3o do Deuteron\u00f3mio e a conclus\u00e3o geral de todo o Pentateuco. Da\u00ed alguma complexidade na leitura, devido \u00e0 presen\u00e7a das tradi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias a este conjunto. Mais ou menos entrela\u00e7ado, o conte\u00fado est\u00e1 patente: investidura de Josu\u00e9 como sucessor de Mois\u00e9s, entrega da Lei aos levitas, introdu\u00e7\u00e3o do c\u00e2ntico de Mois\u00e9s (32) - uma esp\u00e9cie de \u00abtestamento\u00bb com o desabrochar dum processo que conjuga culpa, castigo e interven\u00e7\u00e3o final do Senhor que salva gratuitamente o povo que escolheu -, b\u00ean\u00e7\u00e3o das doze tribos (33), morte e sepultura de Mois\u00e9s.

{N}31,{/}9: (9-13) A liturgia da Alian\u00e7a e a proclama\u00e7\u00e3o da Lei renova periodicamente, aos ouvidos do povo, o grande projecto divino e d\u00e1 alento para o tornar realidade no dia a dia. Notar que, de certo modo, todo o Deuteron\u00f3mio \u00e9 uma aprendizagem do \u00abtemor de Jav\u00e9\u00bb (v. 12, cf. nota em 8,6-20).

{N}31,{/}14: (31,14-23;31,28-30) Est\u00e3o juntos o chefe do \u00eaxodo e o chefe da instala\u00e7\u00e3o na Terra Prometida. O c\u00e2ntico de Mois\u00e9s (cap. 32) \u00e9, na realidade, uma leitura da Hist\u00f3ria na Terra, mostrando a fidelidade de Jav\u00e9 e a infidelidade de Israel.

{N}31,{/}24: (24-27) A arca da alian\u00e7a \u00e9 o s\u00edmbolo da presen\u00e7a de Jav\u00e9. Colocado junto \u00e0 arca, o Deuteron\u00f3mio tornar-se-\u00e1 um testemunho contra o povo, se este n\u00e3o praticar a justi\u00e7a nele ensinada (cf. 6,20).

{N}32,{/}1: (1-4) Diante de toda a Cria\u00e7\u00e3o, come\u00e7a o julgamento. A primeira parte apresenta quem \u00e9 Jav\u00e9: o \u00fanico Deus digno de confian\u00e7a (\u00abRocha\u00bb). Ele \u00e9 a {C}Justi\u00e7a{/} e o {C}Direito,{/} porque interv\u00e9m na Hist\u00f3ria para construir uma sociedade nova, a partir da liberta\u00e7\u00e3o do pobre e do oprimido. 

{N}32,{/}5: (5-6) Israel \u00e9 filho degenerado, porque abandonou Jav\u00e9 para seguir o caminho da injusti\u00e7a. Atrav\u00e9s do \u00eaxodo e da alian\u00e7a, Jav\u00e9 tornou-Se o Pai e Criador do povo, libertando-o da escravid\u00e3o. 

{N}32,{/}7: (7-14) A hist\u00f3ria de Israel \u00e9 uma longa s\u00e9rie de benef\u00edcios que Jav\u00e9 fez por esse povo. De um grupo marginalizado entre as na\u00e7\u00f5es, Jav\u00e9 formou o seu povo pr\u00f3prio, libertando-o da escravid\u00e3o (\u00abterra deserta\u00bb) e levando-o para a terra da vida (\u00abterra f\u00e9rtil\u00bb). Israel deve a sua hist\u00f3ria a Jav\u00e9, e n\u00e3o aos \u00eddolos (v. 12).

{N}32,{/}15: (15-18) Aos benef\u00edcios concedidos por Jav\u00e9, Israel respondeu com a infidelidade, abandonando a Jav\u00e9 para servir os falsos deuses. Quem abandona o Deus-Justi\u00e7a, doador de liberdade e vida, inevitavelmente come\u00e7a a servir os falsos deuses que n\u00e3o d\u00e3o qualquer esperan\u00e7a.

{N}32,{/}19: (19-25) Abandonado por Israel, Jav\u00e9 tamb\u00e9m o abandonar\u00e1, e servir-Se-\u00e1 de outro povo para o punir. Deixando o Deus da Justi\u00e7a, Israel torna-se v\u00edtima das na\u00e7\u00f5es que servem os \u00eddolos da injusti\u00e7a (\u00abpovo falso\u00bb).

{N}32,{/}26: (26-33) Deus havia chamado uma na\u00e7\u00e3o estrangeira para julgar Israel. Mas a na\u00e7\u00e3o estrangeira n\u00e3o entendeu que devia ser apenas um instrumento da justi\u00e7a de Jav\u00e9, e acabou por cometer outra injusti\u00e7a.

{N}32,{/}34: (34-44) Deus interv\u00e9m novamente para salvar o seu povo da opress\u00e3o e, ao mesmo tempo, punir as na\u00e7\u00f5es. Estas, em vez de se limitarem a ser instrumentos de Deus, tornam-se opressoras. Deus compadece-Se, absolve e vai intervir para vingar o abuso, perante a admira\u00e7\u00e3o e o aplauso das na\u00e7\u00f5es.

{N}32,{/}45: (45-47) Cf. nota em 30,15-20.

{N}32,{/}48: (48-52) Cf. nota em Nm 20,1-13.

{N}33,{/}1: (1-29) A b\u00ean\u00e7\u00e3o das tribos apresenta um texto antigo, mal conservado, composto por duas partes: a primeira, um hino ou salmo que celebra os feitos de Deus em favor do seu povo, aqui distribu\u00eddo por duas sec\u00e7\u00f5es (vv. 2-5 e 26-29), a enquadrar o conjunto; a segunda, o n\u00facleo do cap\u00edtulo (vv. 6-25) que evoca o destino particular das doze tribos constitutivas do povo, \u00e0 maneira das b\u00ean\u00e7\u00e3os de Jacob sobre os seus filhos (Gn 49): pronunciamento solene, simultaneamente voto e s\u00faplica. As situa\u00e7\u00f5es desenhadas ajustam-se \u00e0 instala\u00e7\u00e3o em terras de Can\u00e3a, mas antes da unifica\u00e7\u00e3o conseguida por David.

{N}34,{/}1: (1-9) Depois de vislumbrar a extens\u00e3o ideal da Terra Prometida, Mois\u00e9s morreu e foi sepultado. Um certo mist\u00e9rio rodeia a morte e sepultura desta personagem, a ponto de inspirar ap\u00f3crifos que falam da sua Assun\u00e7\u00e3o; o intuito, por\u00e9m, parece claro: o povo n\u00e3o deve passar a adorar a figura dos seus chefes, n\u00e3o pode fazer deles mitos inacess\u00edveis e indispens\u00e1veis; cabe-lhe olhar para a meta e tratar de percorrer as etapas com os recursos de que disp\u00f5e.

{N}34,{/}10: (10-12) Encanta o elogio final a Mois\u00e9s. A perspic\u00e1cia da vista, apesar da idade avan\u00e7ada, ajuda a perceber o que est\u00e1 impl\u00edcito neste super-profeta de Israel que falava face a face com Deus (cf. Ex 33,11; Nm 12,6-7), avan\u00e7ava com \u00absinais e prod\u00edgios\u00bb, impon\u00eancia reservada, no resto, ao Senhor (cf. 4,34). A actividade prof\u00e9tica consiste primordialmente em ler, na Hist\u00f3ria presente e na sociedade, os apelos do Deus dos patriarcas, do \u00eaxodo e de Jesus Cristo.

