{N}1,{/}1: (1-17) {C}Holocausto{/} \u00e9 um sacrif\u00edcio no qual a v\u00edtima \u00e9 queimada completamente e sobe ao c\u00e9u em forma de fumo. Trata-se de um gesto de homenagem, gratid\u00e3o e s\u00faplica a Jav\u00e9. A {C}imola\u00e7\u00e3o{/} \u00e9 um corte que se faz no pesco\u00e7o da v\u00edtima para lhe retirar todo o sangue. A express\u00e3o \u00absuave odor para Jav\u00e9\u00bb mostra que Deus aceita o sacrif\u00edcio. O {C}sangue {/}\u00e9 a vida do animal e, no sacrif\u00edcio, representa a vida da pessoa que o oferece.
{N}  1-7: {/}Estes cap\u00edtulos apresentam uma classifica\u00e7\u00e3o dos sacrif\u00edcios praticados em Israel e d\u00e3o normas para as cerim\u00f3nias com que s\u00e3o realizados. {C}Sacrif\u00edcio{/} \u00e9 um acto pelo qual o homem oferece a Deus algo que ele estima muito, tornando-o sagrado. Tal generosidade atinge o m\u00e1ximo significado quando algu\u00e9m se sacrifica a si pr\u00f3prio, em vista de outra pessoa ou de uma causa que poder\u00e1 beneficiar a outros (cf. Jo 15,13).

{N}2,{/}1: (1-16) A {C}obla\u00e7\u00e3o{/} (ou oferta queimada) \u00e9 pr\u00f3-pria de uma cultura agr\u00e1ria, e consiste em oferecer alimentos, e n\u00e3o animais. Uma parte era queimada ({C}memorial{/}) e o resto destinava-se aos sacerdotes. O {C}fermento{/} \u00e9 proibido, porque corromperia o alimento, ao passo que o sal \u00e9 obrigat\u00f3rio, porque o conserva e lhe d\u00e1 sabor; al\u00e9m disso, \u00e9 s\u00edmbolo de amizade. As {C}prim\u00edcias{/} s\u00e3o os primeiros frutos: porque s\u00e3o os melhores, oferecem-se a Deus como sacrif\u00edcio.

{N}3,{/}1: (1-17) O {C}sacrif\u00edcio de comunh\u00e3o,{/} tamb\u00e9m chamado sacrif\u00edcio pac\u00edfico, caracteriza-se pelo facto de a gordura e o sangue, relacionados com o mist\u00e9rio da vida, serem reservados a Jav\u00e9, Senhor absoluto da vida. O resto \u00e9 consumido pelos sacerdotes, pelos ofertantes e suas fam\u00edlias. O sacrif\u00edcio terminava com a refei\u00e7\u00e3o, sinal da amizade de Deus com o homem.

{N}4,{/}1: (1-5,13) O texto leva em conta as faltas rituais contra Jav\u00e9 ou os pecados feitos sem consci\u00eancia, mas que, apesar de tudo, deixam impuro o homem. Para se obter o perd\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio um sacrif\u00edcio, que varia conforme o culpado. O {C}sumo sacerdote{/} e a {C}comunidade{/} s\u00e3o considerados sagrados; nesse caso, faz-se um ritual especial. J\u00e1 o {C}chefe{/} e a pessoa do povo pertencem ao dom\u00ednio profano, e o ritual \u00e9 mais comum. O centro do {C}sacrif\u00edcio pelo pecado{/} \u00e9 o sangue, que \u00e9 a sede da vida e tem for\u00e7a para perdoar o pecado (cf. Lv 17,11). Tais sacrif\u00edcios foram abolidos na Nova Alian\u00e7a: a partir dela, s\u00f3 o sacrif\u00edcio e o sangue de Jesus \u00e9 que podem perdoar pecados (cf. Hb 9).

{N}5,{/}14: (14-26) Quando o pecado lesa a justi\u00e7a e causa dano \u00e0s coisas de Deus ou do pr\u00f3ximo, n\u00e3o basta confessar e fazer o sacrif\u00edcio ritual: \u00e9 preciso reparar o dano causado. S\u00f3 a restitui\u00e7\u00e3o confere efic\u00e1cia ao rito.

{N}6,{/}1: (1-7,38) Depois de ter descrito as v\u00e1rias esp\u00e9cies de sacrif\u00edcios, apresenta aqui as normas a serem observadas pelos sacerdotes durante o ritual. Essas normas estabelecem tamb\u00e9m quais as partes da v\u00edtima que os sacerdotes tinham direito de conservar para si. Sobre a sacralidade do sangue, cf. nota em 4,1-5,13.

{N}8,{/}1: (1-20) Sob a forma de relato da ordena\u00e7\u00e3o de Aar\u00e3o e seus filhos, o cap\u00edtulo fornece o ritual da investidura do sumo sacerdote que compreende: a imposi\u00e7\u00e3o dos \u00abparamentos\u00bb e a un\u00e7\u00e3o (vv. 7-13), o sacrif\u00edcio pelo pecado necess\u00e1rio para consagrar o altar (vv. 14-17), o holocausto (vv. 18-21) e, por fim, o sacrif\u00edcio de investidura que corresponde \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o propriamente dita. A entrada em exerc\u00edcio segue no cap\u00edtulo 9.
{N}  8-10: {/}Os tr\u00eas cap\u00edtulos descrevem as cerim\u00f3nias que constituem a ordena\u00e7\u00e3o ou consagra\u00e7\u00e3o dos sacerdotes e parecem, na origem, responder \u00e0s prescri\u00e7\u00f5es do cap\u00edtulo 29 do \u00caxodo. Sobressai a sua {C}fun\u00e7\u00e3o de media\u00e7\u00e3o{/} que exige deles uma santidade particular. O ritual aqui apresentado sublinha o seu car\u00e1cter sagrado. Este rito reflecte a mentalidade de que existem dois tipos de pessoas e coisas: as {C}sagradas,{/} que pertencem a Deus; e as {C}profanas,{/} que n\u00e3o Lhe pertencem. Umas puras, outras impuras; umas \u00absantas\u00bb, outras que cont\u00eam pecado, isto \u00e9, n\u00e3o servem para o culto. Os profetas e o Novo Testamento proclamar\u00e3o que o pecado n\u00e3o \u00e9 mancha ou defeito externo, mas culpa que sai de dentro do homem (cf. Is 29,13; Mc 7,20ss).
Os sacerdotes e reis eram consagrados com a un\u00e7\u00e3o de \u00f3leo. Tornavam-se assim {C}ungidos{/} de Deus (em hebraico, {C}Messias{/}; em grego, {C}Cristo{/}), mediadores entre Deus e o povo. A carta aos Hebreus mostra que todo o sacerd\u00f3cio antigo foi superado: doravante, Jesus \u00e9 o \u00fanico sacerdote-mediador entre Deus e os homens (cf. Hb 5-8).

{N}10,{/}1: (1-20) O texto \u00e9 um conjunto de elementos reunidos artificialmente. O epis\u00f3dio de Nadab e Abi\u00fa salienta o perigo de profanar o sagrado, e serve para introduzir algumas instru\u00e7\u00f5es. Os vv. 16-20 s\u00e3o confusos e de dif\u00edcil compreens\u00e3o. 

{N}11,{/}1: (1-47) Pureza e impureza, aqui, n\u00e3o significam algo de f\u00edsico ou moral. Impuro \u00e9 o que pode estar carregado de for\u00e7as perigosas ou desencade\u00e1-las. Muitos animais s\u00e3o proibidos para a alimenta\u00e7\u00e3o porque a sua carne \u00e9 considerada repelente ou anti-higi\u00e9nica. Entretanto, no Lev\u00edtico, a observ\u00e2ncia dessas leis tem um objectivo religioso, que \u00e9 participar do sagrado, ou seja, entrar na esfera da santidade de Deus. Cf., por\u00e9m, Act 10.
  11-16: A {C}lei da pureza {/}(11-16) e a{C} lei da santidade{/} (17-26) s\u00e3o dois aspectos, negativo e positivo, da mesma exig\u00eancia divina. Estas regras sobre o puro e o impuro baseiam-se em interditos muito antigos. Sem aprofundamentos, o princ\u00edpio \u00e9 claro: \u00e9 puro tudo aquilo que pode aproximar-se de Deus; \u00e9 impuro tudo aquilo que \u00e9 impr\u00f3prio para o culto divino ou dele \u00e9 exclu\u00eddo, sempre ou temporariamente. Na pr\u00e1tica, impedem o acesso ao santu\u00e1rio: a ingest\u00e3o de alimentos impuros, a impureza da mulher ap\u00f3s o parto, a impureza sexual do homem ou da mulher. Para l\u00e1 desta impureza ritual, os profetas insistiram na purifica\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o (cf. Is 1,16; Jr 33,8), e Jesus aboliu por completo essa concep\u00e7\u00e3o que se tornara, ao mesmo tempo, pesada e formalista (cf. Mt 15,10-20; Mc 7,14-23; Act 10).

{N}12,{/}1: (1-8) O texto deixa entrever a ideia de que a mulher que d\u00e1 \u00e0 luz perde algo da sua vitalidade, que \u00e9 recuperada atrav\u00e9s de ritos que a unem a Deus, fonte da vida. Maria, M\u00e3e de Jesus, submeteu-Se a esta lei, levando a oferta dos pobres (cf. Lc 2,22-38).

{N}13,{/}1: (1-44) Estas prescri\u00e7\u00f5es visam proteger a comunidade do cont\u00e1gio de doen\u00e7as, principalmente da lepra, que \u00e9 a mais temida. Observe-se, no entanto, que a tend\u00eancia \u00e9 chamar lepra a muitas doen\u00e7as de pele, que realmente nada t\u00eam a ver com a lepra.

{N}13,{/}45: (45-46) Ao homem declarado leproso impunha-se um comportamento especial para que fosse reconhecido e vivesse fora da comunidade. Jesus, no seu projecto de liberta\u00e7\u00e3o, aproxima-Se do leproso, cura-o e reintegra-o na vida social (cf. Mc 1,40-45 e nota).

{N}13,{/}47: (47-59) As roupas e objectos poderiam tornar-se transmissores da doen\u00e7a. Note-se, por\u00e9m, que aqui se chama lepra a qualquer mofo ou decomposi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica.

{N}14,{/}1: (1-32) Todo o ritual para a purifica\u00e7\u00e3o do leproso visava reintroduzir o doente curado na comunidade, da qual fora exclu\u00eddo por causa da doen\u00e7a. O ritual ainda continuava, no tempo de Jesus (cf. Lc 17,11-19). A ac\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 bem diferente da ac\u00e7\u00e3o dos sacerdotes, pois Jesus liberta a pessoa da doen\u00e7a, enquanto os sacerdotes s\u00f3 declaram se a pessoa est\u00e1 doente ou est\u00e1 curada.

{N}14,{/}33: (33-57) Cf. nota em Lv 13,47-59.

{N}15,{/}1: (1-33) A legisla\u00e7\u00e3o sobre a vida sexual e as doen\u00e7as ven\u00e9reas \u00e9 aqui influenciada por uma concep\u00e7\u00e3o misteriosa da sexualidade, e procura impedir que a vida sexual seja perturbada por for\u00e7as ocultas. Tudo o que est\u00e1 relacionado com a fecundidade e a reprodu\u00e7\u00e3o anda rodeado de mist\u00e9rio. Sobre a atitude de Jesus perante um caso assim, cf. Lc 8,43-48 e nota.

{N}16,{/}1: (1-34) O cap\u00edtulo descreve a liturgia majes-tosa do {C}Dia do Grande Perd\u00e3o{/} ou do {C}Dia das Expia\u00e7\u00f5es{/} (em hebreu, {C}Yom Kippur{/} ou apenas {C}Yom{/}), festa introduzida bastante tarde no calend\u00e1rio israelita, depois da reforma de Esdras (s\u00e9c. IV a.C.); era a grande purifica\u00e7\u00e3o anual que libertava o povo de todas as impurezas em que incorrera. Evoluiu para liturgia do perd\u00e3o dos pecados, na qual Israel exprime a sua consci\u00eancia de pecador e a sua f\u00e9 no Deus que perdoa. O cap\u00edtulo combina o ritual do \u00abbode expiat\u00f3rio\u00bb (vv. 8-10.20-22.26), facultado pelos antigos costumes locais ao sacerd\u00f3cio de Jerusal\u00e9m, com as disposi\u00e7\u00f5es relativas aos sacrif\u00edcios (Lv 1-4). A carta aos Hebreus menciona essa liturgia, para mostrar que Jesus realizou definitivamente a expia\u00e7\u00e3o de todos os pecados: carregou o pecado do mundo e expiou-o com o seu pr\u00f3prio sangue (cf. Hb 9,6-14 e nota).

{N}17,{/}1: (1-16) O sangue n\u00e3o deve servir de alimento, porque ele \u00e9 vida, e esta pertence unicamente a Deus. Esta lei sobre o sangue tem sentido educativo, porque mostra o car\u00e1cter sagrado da vida. Jesus terminar\u00e1 a sua miss\u00e3o derramando o pr\u00f3prio sangue, isto \u00e9, dando a pr\u00f3pria vida.
  17-26: Estes cap\u00edtulos re\u00fanem a chamada {C}Lei de Santidade{/}. Atributo do essencial do Deus de Israel, a Santidade est\u00e1 conotada, inicialmente, com separa\u00e7\u00e3o, inacessibilidade e transcend\u00eancia. Comunica-se a tudo quanto se aproxima d'Ele ou Lhe \u00e9 consagrado: lugares, tempos, arca, objectos e pessoas, especialmente os sacerdotes. O Deus vivo e santo exige santidade do povo que escolheu; este deve procurar promover a comunh\u00e3o com Deus e evitar tudo quanto se Lhe oponha. \u00abSede santos, porque Eu, Jav\u00e9, sou santo\u00bb (19,2; 20,7.26; 21,8; 22,32-33). As leis datam certamente de antes do ex\u00edlio e reflectem os usos do tempo de Jerusal\u00e9m. Da\u00ed a preponder\u00e2ncia ritual desta santidade. O Novo Testamento reformular\u00e1 essa exig\u00eancia, apelando \u00e0 pureza de consci\u00eancia e transportando-a para o campo da vida pr\u00e1tica (cf. Mt 5,48; Lc 6,36).

{N}18,{/}1: (1-30) No Egipto e Cana\u00e3, os reis serviam-se de rela\u00e7\u00f5es incestuosas para manter e consolidar o poder pol\u00edtico. Israel \u00e9 chamado a ter uma identidade social nova, que preserva a unidade do grupo humano e, ao mesmo tempo, respeita a individualidade de cada pessoa. Nas proibi\u00e7\u00f5es deste cap\u00edtulo podemos notar a presen\u00e7a do sexto mandamento do Dec\u00e1logo: \u00abN\u00e3o cometas adult\u00e9rio\u00bb. O v. 21 pro\u00edbe o sacrif\u00edcio humano como forma de culto: Deus \u00e9 fonte e Senhor da vida, e n\u00e3o aceita culto nenhum que produza a morte do homem.

{N}19,{/}1: (1-37) Jav\u00e9, o Deus que fez Alian\u00e7a com o povo, exige, nessa uni\u00e3o, que o povo seja santo, assim como Ele pr\u00f3prio \u00e9 santo. Tal santidade caracteriza-se pela pr\u00e1tica da justi\u00e7a libertadora, para produzir um relacionamento comunit\u00e1rio que concretize o projecto de Deus. A norma fundamental \u00e9 o {C}amor ao pr\u00f3ximo {/}(vv. 17-19), incluindo o imigrante (vv. 33-34). As outras normas repetem e comentam os princ\u00edpios b\u00e1sicos da nova sociedade, j\u00e1 expostos no Dec\u00e1logo: n\u00e3o ter outros deuses, n\u00e3o manipular a Deus, honrar pai e m\u00e3e, guardar o descanso semanal, n\u00e3o roubar, n\u00e3o levantar falso testemunho (cf. Ex 20,1-17 e notas). Note-se, ainda, a insist\u00eancia em defender o pobre e o fraco (vv. 9-10.14). Podemos notar que este cap\u00edtulo \u00e9 um verdadeiro tratado de espiritualidade, que ensina o povo a trilhar o caminho da santidade.

{N}20,{/}1: (1-7) Moloc era uma divindade antiga, \u00e0 qual se sacrificavam crian\u00e7as. Jav\u00e9, por\u00e9m, \u00e9 o Deus da vida, e pune com a morte aqueles que adoram o deus da morte. O Deus de Israel n\u00e3o suporta tal abomina\u00e7\u00e3o (cf. Jr 32,35 e nota).

{N}20,{/}8: (8-21) Aqui v\u00eam as penas que se referem \u00e0s proibi\u00e7\u00f5es sexuais j\u00e1 apresentadas em Lv 18.

{N}20,{/}22: (22-27) Israel \u00e9 um povo em alian\u00e7a com Jav\u00e9. Por isso, n\u00e3o pode viver segundo os projectos de outros povos. Pelo contr\u00e1rio, deve manter essa originalidade e dedicar-se inteiramente ao projecto de sociedade desejado por Jav\u00e9.

{N}21,{/}1: (1-24) As instru\u00e7\u00f5es sobre a vida e o comportamento dos sacerdotes baseiam-se numa concep\u00e7\u00e3o de transcend\u00eancia e de dist\u00e2ncia de Deus em rela\u00e7\u00e3o ao mundo. Por isso, o sacerdote \u00e9 considerado algu\u00e9m separado do mundo e purificado pela sua maior proximidade com Deus. No decorrer do tempo, essa maneira de pensar gerou privil\u00e9gios para os sacerdotes, que acabaram por se tornar uma casta opressora, fazendo que o povo dependesse deles para se aproximar de Deus. Jesus inverte essa concep\u00e7\u00e3o, mostrando que Deus \u00e9 que vem ao encontro dos que d'Ele precisam (cf. Mc 2,17; Lc 15).

{N}22,{/}1: (1-33) Os sacerdotes alimentavam-se com parte das ofertas levadas pelo povo ao santu\u00e1rio. Essa alimenta\u00e7\u00e3o era proibida aos sacerdotes em estado de impureza e tamb\u00e9m para as pessoas estranhas ao servi\u00e7o do culto. Os vv. 17-33 prescrevem a oferta de animais sem defeito; caso contr\u00e1rio, haveria o risco de o povo oferecer animais doentes e defeituosos (cf. Ml 1,13-14).

{N}23,{/}1: (1-44) Todas as festas de Israel tiveram origem no meio agr\u00edcola ou pastoril, mas acabaram por ser absorvidas pela tradi\u00e7\u00e3o do \u00caxodo e incorporadas na celebra\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a.
Sobre a festa da P\u00e1scoa e dos P\u00e3es sem fermento, cf. notas em Ex 12,1-28. Sobre a festa das Semanas, tamb\u00e9m chamada Pentecostes, e a festa das Tendas, cf. nota em Ex 23,14-19. A oferta do primeiro feixe de espigas (vv. 9-14) \u00e9 um acto de reconhecimento pelo dom que Deus realiza atrav\u00e9s da Natureza. E a festa da Lua Nova reflecte costumes agr\u00edcolas: a vida no campo era regulada pelas fases da Lua. Sobre a festa da Expia\u00e7\u00e3o, cf. nota em Lv 16,1-34.

{N}24,{/}1: (1-9) O rito da l\u00e2mpada lembra a presen\u00e7a permanente de Jav\u00e9 no santu\u00e1rio. O rito dos p\u00e3es lembra que o povo de Israel (doze tribos) est\u00e1 continuamente diante de Jav\u00e9. Sobre os p\u00e3es oferecidos a Deus, cf. Mc 2,25-26.

{N}24,{/}10: (10-23) Amaldi\u00e7oar Jav\u00e9, a fonte e o Senhor da vida, \u00e9 amaldi\u00e7oar a pr\u00f3pria vida e, por isso, \u00e9 pedir para si a morte. Sobre a lei do tali\u00e3o, cf. nota em Ex 21,18-27.

{N}25,{/}1: (1-7) Cada sete anos a terra deve descansar, sem nenhum cultivo. Esta lei abre duas grandes perspectivas: o respeito pelo ciclo da Natureza (aspecto ecol\u00f3gico) e respeito a Deus, reconhecendo-O como \u00fanico propriet\u00e1rio da terra. Ele d\u00e1-a igualmente a todos, para que todos possam usufruir dela (aspecto social). Portanto, esta lei sup\u00f5e a devolu\u00e7\u00e3o da terra a Deus, para que seja redistribu\u00edda entre todos. 1Mc 6,49-53 atesta a observ\u00e2ncia do ano sab\u00e1tico.

{N}25,{/}8: (8-17) O ano de j\u00fabilo abre-se com o toque da trombeta, chamada em hebraico {C}jobel{/}; da\u00ed o nome {C}jubileu{/}. Esta lei enfraquece bastante a legisla\u00e7\u00e3o antiga do ano sab\u00e1tico, que previa a pr\u00e1tica da liberta\u00e7\u00e3o do escravo e a devolu\u00e7\u00e3o das propriedades cada sete anos (cf. notas em Dt 15,12-18). Esta nova legisla\u00e7\u00e3o, provavelmente, prev\u00ea a recupera\u00e7\u00e3o das propriedades para os judeus que voltam do ex\u00edlio na Babil\u00f3nia.

{N}25,{/}18: (18-22) Como \u00e9 que o povo se sustentava durante o ano de descanso da terra? (cf. 25,2-7). De um lado, confiando na {C}provid\u00eancia{/} de Deus, que atende \u00e0s necessidades do homem; de outro, agindo com {C}previd\u00eancia,{/} isto \u00e9, produzindo mais no sexto ano e reservando parte desta colheita para seu sustento at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3xima.

{N}25,{/}23: (23-34) A terra pertence unicamente a Jav\u00e9, e Ele d\u00e1-a como heran\u00e7a a todo o povo: todos t\u00eam o direito de usufruir desse dom. Se algu\u00e9m, por circunst\u00e2ncias diversas, for obrigado a vender a sua propriedade, ter\u00e1 direito de a resgatar. Esta lei impede a forma\u00e7\u00e3o de latif\u00fandios; consequentemente, evita o surgimento de desigualdades sociais. Os vv. 29-31 s\u00e3o um verdadeiro manifesto contra a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria: todos t\u00eam direito a casa pr\u00f3pria e s\u00e3o protegidos por uma legisla\u00e7\u00e3o que impede a ac\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria de despejos e extors\u00f5es. O levita tem direito permanente ao resgate, porque a casa pr\u00f3pria \u00e9 a sua \u00fanica propriedade.

{N}25,{/}35: (35-43) Esta lei exige a solidariedade com quem est\u00e1 em apuros financeiros, e pro\u00edbe aproveitar-se da mis\u00e9ria do outro, que se disp\u00f5e a aceitar qualquer contrato para aliviar momentaneamente a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o. O v. 38 traz o princ\u00edpio: quem foi libertado por Deus n\u00e3o pode ser escravizado ou explorado por ningu\u00e9m.

{N}25,{/}44: (44-55) Esta lei estabelece uma diferen\u00e7a entre Israel e as outras na\u00e7\u00f5es: s\u00f3 Israel \u00e9 considerado como povo de Deus. Esta vis\u00e3o ser\u00e1 modificada pelo Novo Testamento; atrav\u00e9s de Jesus, todos poder\u00e3o fazer parte do povo de Deus, n\u00e3o se justificando mais nenhuma escravid\u00e3o.

{N}26,{/}1: (1-46) A \u00abLei de Santidade\u00bb termina com previs\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3os e maldi\u00e7\u00f5es. O povo que for fiel a Deus e ao seu projecto, ter\u00e1 a {C}b\u00ean\u00e7\u00e3o,{/} isto \u00e9, a prosperidade e a vida. Se for infiel, ter\u00e1 a {C}maldi\u00e7\u00e3o,{/} ou seja, a ru\u00edna e a morte. Deus quer a vida, mas os homens \u00e9 quem escolhem o pr\u00f3prio destino.

{N}27,{/}1: (1-34) O {C}ap\u00eandice{/} ao livro todo trata de tarifas monet\u00e1rias em vista de substituir pessoas e bens consagrados ou votados ao Senhor. O processo n\u00e3o pode degenerar em neg\u00f3cio calculado e vantajoso. O projecto de Deus \u00e9 vida para todos. Quando o homem reconhece esse projecto, pode oferecer os seus pr\u00f3prios bens com promessa ou voto, e assim participar do mesmo projecto. Se uma promessa ou voto n\u00e3o tem esse sentido, \u00e9 m\u00e1 e deve ser substitu\u00edda. Sobre o assunto, cf. Mc 7,1-13 e nota. O {C}an\u00e1tema{/} era um sacrif\u00edcio no qual eram oferecidos totalmente a Deus os bens conquistados ao inimigo numa guerra; esses bens pertenciam exclusivamente a Deus, e n\u00e3o podiam ser resgatados. Tal pr\u00e1tica visava evitar que o povo assimilasse religi\u00f5es e costumes estrangeiros. O presente texto entende o an\u00e1tema como oferta exclusiva a Jav\u00e9, e s\u00f3 podia ser usada pelos sacerdotes.

