{N}O MONTE DO TEMPLO{/}

{K}- O TEMPLO{/}

Quando o rei David se apoderou de Jerusal\u00e9m, fez dela a \u00abCidade R\u00e9gia\u00bb, 
mas ao mesmo tempo e indissoluvelmente unida a essa condi\u00e7\u00e3o, outorgou-
lhe a qualidade de \u00abCidade de Deus\u00bb. Da\u00ed nasceu o seu projecto de 
edificar nela a Morada de Deus. De facto ser\u00e1 seu filho Salom\u00e3o quem ir\u00e1 
construir o primeiro Templo de Jerusal\u00e9m, pois assim o quis Deus. 
Passar\u00e3o os s\u00e9culos e o Templo condividir\u00e1 as provas e vicissitudes da 
Cidade Santa, at\u00e9 que as promessas do Antigo Testamento se cumpram em 
Jesus de Nazar\u00e9, Filho de Deus feito homem, sobre o qual repousar\u00e1 a 
plenitude da Gl\u00f3ria de Deus.
O lugar Santo conhecer\u00e1 uma longa hist\u00f3ria, na qual se suceder\u00e3o templos 
israelitas, mesquitas mu\u00e7ulmanas e edifica\u00e7\u00f5es dos cruzados. Guerras e 
profana\u00e7\u00f5es manchar\u00e3o os seus \u00e1trios, \u00e0 espera dos dias anunciados no 
livro do Apocalipse, quando Aquele que est\u00e1 sentado sobre o trono 
declarar\u00e1: \u00abEis que fa\u00e7o novas todas as coisas\u00bb.
{K}O ALTAR DE DAVID{/}

Depois de ter sido consagrado rei de Jud\u00e1 em Hebron, e depois rei de 
Israel pelas tribos do Norte, David deseja unificar as doze tribos num s\u00f3 
reino. Homem pol\u00edtico sagaz, decide escolher Jerusal\u00e9m por capital. A 
cidade, ainda nas m\u00e3os dos Cananeus, encontra-se situada no lugar preciso 
onde se encontram as tribos do norte com as do sul, e portanto \u00e9 o s\u00edtio 
ideal para os projectos do rei. Isso garantir\u00e1 a estabilidade da dinastia 
dav\u00eddica e a fidelidade de Israel \u00e0 Alian\u00e7a com Jav\u00e9.
David n\u00e3o chegar\u00e1 a construir o Templo, pois Deus faz-lhe saber, pela 
boca do profeta Nat\u00e3, que assim decidiu na sua s\u00e1bia vontade. N\u00e3o 
obstante, o rei erguer\u00e1 um altar ao norte das muralhas da cidade, sobre o 
cimo que domina a cidade, na eira (campo) de  Are\u00fana, o jebuseu; seguiu 
assim os costumes dos cananeus que constru\u00edam os seus santu\u00e1rios e as 
suas estelas no cimo das colinas. Este altar marcar\u00e1 a consagra\u00e7\u00e3o de 
Jerusal\u00e9m como Cidade Santa [2Sm_24,25].
{K}O MONTE MORI\u00c1{/}

O livro das Cr\u00f3nicas relata que Salom\u00e3o come\u00e7ou a edificar a Casa de Jav\u00e9 
em Jerusal\u00e9m, no Monte Mori\u00e1, onde Deus Se havia manifestado a seu pai 
David. Era o lugar preparado por David, na eira de Orn\u00e3, o jebuseu 
[2Cr_3,1]. A men\u00e7\u00e3o deste monte, que s\u00f3 \u00e9 conhecido pelo sacrif\u00edcio de 
Abra\u00e3o [Gn_22,2], \u00e9 tardia e n\u00e3o aparece no texto paralelo e mais antigo 
do livro dos Reis. \u00c9 prov\u00e1vel que no regresso do cativeiro, os 
sacerdotes, reagrupados no Templo reconstru\u00eddo, tenham querido reunir em 
torno do lugar Santo de Israel as grandes figuras do passado, e por isso 
identificaram o monte Mori\u00e1 com o monte do Templo.
Esta tradi\u00e7\u00e3o judaica ser\u00e1 retomada pelos crist\u00e3os e, mais tarde, pelos 
mu\u00e7ulmanos.
{K}- O TEMPLO DE SALOM\u00c3O{/}

Em frente do altar levantado por seu pai David, Salom\u00e3o edificou em 
Jerusal\u00e9m o primeiro templo em honra de Jav\u00e9, por volta do ano 965 a.C. A 
descri\u00e7\u00e3o destes trabalhos ocupa os cap\u00edtulos 6 e 7 do primeiro Livro dos 
Reis. Este templo, de propor\u00e7\u00f5es modestas, mas com uma decora\u00e7\u00e3o 
sumptuosa, foi constru\u00eddo segundo o modelos dos templos cananeus e 
requereu a participa\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos e artes\u00e3os fen\u00edcios e eg\u00edpcios na sua 
constru\u00e7\u00e3o e decora\u00e7\u00e3o. 
O templo de Salom\u00e3o tinha forma rectangular, com 50 m. de comprimento  e 
25 m. de largura. A planta correspondia basicamente aos c\u00e2nones da 
arquitectura religiosa do II mil\u00e9nio a.C. em Cana\u00e3 e na S\u00edria. O 
santu\u00e1rio era composto por tr\u00eas sec\u00e7\u00f5es dispostas em fila e os seus 
respectivos acessos achavam-se no eixo central da constru\u00e7\u00e3o, dando 
origem a um vest\u00edbulo, a uma grande sala e a uma c\u00e2mara interior. Duas 
colunas rematadas por grandes capit\u00e9is levantavam-se de cada lado da 
entrada principal. Tratava-se de elementos simplesmente decorativos, ou 
tinham alguma fun\u00e7\u00e3o ritual simb\u00f3lica? \u00c9 dif\u00edcil diz\u00ea-lo.
A simplicidade do vest\u00edbulo contrastava com a riqueza da grande sala, 
mais tarde chamada o Santo. Nesta divis\u00e3o combinavam-se como pano de 
fundo o ouro e o artesanato de cedro realizados com decora\u00e7\u00f5es em relevo. 
Estava aqui a mesa onde se colocavam os p\u00e3es da{N} proposi\u00e7\u00e3o;{/} dois 
recipientes que continham o incenso, e os grandes candelabros.
A c\u00e2mara que iria ser chamada mais tarde Santo dos Santos{N}{/} tinha a forma 
de um cubo com 10 metros de lado. Estava ali a Arca da Alian\u00e7a, a qual 
continha as T\u00e1buas da Lei, gravadas na pedra {C}\u00abdirectamente pela m\u00e3o de 
Deus\u00bb;{/} al\u00e9m disso, segundo uma tradi\u00e7\u00e3o tardia, tamb\u00e9m continha a \u00abvara 
de Aar\u00e3o\u00bb e uma \u00e2nfora com man\u00e1. Por cima da Arca, dois querubins abriam 
as suas asas; indubitavelmente devem ter-se assemelhado \u00e0s esfinges 
aladas, muito comuns em Cana\u00e3, Fen\u00edcia e Egipto. Deus havia dito a 
Mois\u00e9s, na teofania do Sinai: {C}\u00abConstruir-Me-\u00e1s um santu\u00e1rio e habitarei 
entre eles\u00bb{/} [Ex_25,8]. Como continuador do tabern\u00e1culo do deserto, o 
Templo de Jerusal\u00e9m recordava os tempos do \u00caxodo.
Quanto ao {N}Mar{/} de{N} Bronze{/}, enorme recipiente sustentado por doze bois, 
acaso correspondia ao dep\u00f3sito em que Aar\u00e3o e seus filhos deviam 
purificar-se antes de entrar na Tenda da Reuni\u00e3o? O Templo de Salom\u00e3o 
ser\u00e1 destru\u00eddo em 587 durante a tomada de Jerusal\u00e9m por Nabucodonosor. 
Enquanto durou o ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, a esplanada ficou ao abandono, 
coberta pelas ru\u00ednas do Templo e do Pal\u00e1cio.
{K}- O TEMPLO DE ZOROBABEL{/}

Depois de derrotar Babil\u00f3nia, Ciro autoriza os judeus deportados a 
regressar ao seu pa\u00eds, para que edifiquem ali a Casa de Jav\u00e9, Deus de 
Israel, o Deus que est\u00e1 em Jerusal\u00e9m [Esd_1,3]. Zorobabel, pr\u00edncipe de 
Jud\u00e1, encabe\u00e7ar\u00e1 o primeiro grupo de repatriados e dirigir\u00e1 os trabalhos; 
este segundo Templo ser\u00e1 conclu\u00eddo em 515 a.C. A sua arquitectura ser\u00e1 um 
decalque dos templos mesopot\u00e2micos. Para o conseguir, o cimo da colina \u00e9 
transformado em esplanada, gra\u00e7as ao levantamento de um terrapleno 
sustentado por grossos muros e atulhado com terra. Esses muros ser\u00e3o 
prolongados nos tempos de Herodes. Este Templo n\u00e3o tinha, na sua 
decora\u00e7\u00e3o o esplendor do de Salom\u00e3o, mas nem por isso deixou de ser o 
centro da comunidade de Israel, na \u00e9poca em que se organizou o juda\u00edsmo 
devido ao impulso de Esdras e Neemias.
O lugar Santo conhecer\u00e1 horas tr\u00e1gicas durante a persegui\u00e7\u00e3o de Ant\u00edoco 
Epif\u00e2nio: pela influ\u00eancia de um anci\u00e3o ateniense enviado pelo rei 
[2Mc_6,1] - [2Mc_6,2], o Templo ser\u00e1 dedicado a Zeus Ol\u00edmpico e erguer-
se-\u00e1 um altar pag\u00e3o, \u00ab{C}a Abomina\u00e7\u00e3o da Desola\u00e7\u00e3o\u00bb,{/} precisamente no lugar 
do altar de Jav\u00e9 [1Mc_1,54].
Enquanto Jerusal\u00e9m esteve libertada, Judas Macabeu procedeu \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o 
do Templo; mas foi necess\u00e1rio esperar pelo reinado de Herodes o Grande, 
para que o Templo fosse reconstru\u00eddo no estilo grandioso dos famosos 
santu\u00e1rios greco-romanos. \u00c9 muito prov\u00e1vel que o templo de Baalbec tenha 
servido ent\u00e3o de modelo
{K}A ESPLANADA DE HERODES{/}

Quando Herodes quis alargar a esplanada em direc\u00e7\u00e3o ao sul, deparou com 
um terreno cujo declive se encontrava orientado mesmo para o sul. Tal 
como em Cesareia Mar\u00edtima, fez levantar a esplanada, agora a pender para 
a antiga Cidade de David, sobre ab\u00f3badas, as quais, depois de 
amuralhadas, deram origem \u00e0s salas mais tarde chamadas \u00abcavalari\u00e7as, ou 
est\u00e1bulos de Salom\u00e3o\u00bb. Para o norte, ao inv\u00e9s, o terreno subia para 
formar a colina de Betesda. Aqui, em lugar de terraplanar, foi necess\u00e1rio 
fazer um corte na colina e retirar uma por\u00e7\u00e3o de terreno, originando uma 
muralha escarpada de rocha. Herodes aproveitou a nova e abrupta 
configura\u00e7\u00e3o da colina para assentar sobre ela a fortaleza Ant\u00f3nia. 
Dominando o Templo, a fortaleza Ant\u00f3nia assegurava a vigil\u00e2ncia do mesmo.
A oeste um viaduto, e a sudoeste uma escadaria sustentada por um maci\u00e7o 
c\u00fabico asseguravam o acesso directo ao Templo.
{K}UMA ARQUITECTURA SIMB\u00d3LICA{/}

O templo herodiano desdobrava-se em tr\u00eas zonas conc\u00eantricas, simbolizando 
a teologia do Templo no Antigo Testamento e a vis\u00e3o que os judeus tinham 
a respeito da ordem do Universo. A terra e o c\u00e9u pertencem a Deus; esta \u00e9 
uma primeira evid\u00eancia: {C}\u00c9 a Jav\u00e9 teu Deus que pertencem o c\u00e9u e o c\u00e9u do 
c\u00e9u, a terra e tudo o que nela existe{/} [Dt_10,14]. Por\u00e9m, sobre esta 
terra que pertence a Deus, existe uma na\u00e7\u00e3o privilegiada, a Terra que 
Deus deu por heran\u00e7a ao seu povo [1Rs_8,36], e nesta Terra Prometida, 
Jav\u00e9 escolheu Jerusal\u00e9m, de entre todas as cidades de Israel, para que l\u00e1 
habite o seu Nome: {C}Jav\u00e9 prefere as portas (de Si\u00e3o) a todas as moradas 
de Jacob{/} [Sl_87,2]. Resumindo, a morada de Deus est\u00e1 nesta cidade santa, 
sobre o Santo Monte do Templo.
{K}OS \u00c1TRIOS{/}

A esplanada do Templo formava, na \u00e9poca de Jesus, tal como hoje, um 
rect\u00e2ngulo de 500 m. de comprimento por uns 300 m. de largura. A parte 
exterior encontrava-se aberta a todos. Concretizava-se deste modo o 
universalismo manifestado pelos profetas no regresso do ex\u00edlio nesta 
abertura aos pag\u00e3os?
No entanto, uma inscri\u00e7\u00e3o em grego amea\u00e7ava de morte qualquer pessoa \u00abn\u00e3o 
israelita\u00bb que se atrevesse a passar o muro que separava o \u00e1trio dos 
gentios da zona reservada a Israel. Sempre segundo a vis\u00e3o conc\u00eantrica do 
Templo, nesta zona reservada encontrava-se a morada de Deus, a habitar 
com o seu povo. Como o pedestal central se encontrava rodeado de um muro 
elevado, os pag\u00e3os n\u00e3o podiam ver nada no interior do santu\u00e1rio. A 
entrada principal estava a oriente, e era a chamada Porta Formosa, e 
permitia o acesso ao \u00e1trio das mulheres.
Deste \u00e1trio, que consistia num p\u00e1tio quadrado rodeado de muros, as 
mulheres n\u00e3o viam nada das cerim\u00f3nias que se faziam em volta do altar. 
Nos quatro cantos deste \u00e1trio havia quatro edif\u00edcios: dois para as 
reservas de lenha e azeite, e dois rituais, um para a legaliza\u00e7\u00e3o dos 
votos e o outro para a purifica\u00e7\u00e3o dos leprosos. Foi para l\u00e1 que Jesus 
mandou um leproso depois de o ter curado, para que o sacerdote o 
reintegrasse na comunidade religiosa: {C}Ent\u00e3o Jesus disse-lhe: N\u00e3o contes 
isto a ningu\u00e9m! Vai pedir ao sacerdote para te examinar, e depois faz a 
oferta que Mois\u00e9s mandou{/}. Tamb\u00e9m Paulo foi a este \u00e1trio, por 
recomenda\u00e7\u00e3o de Tiago e dos Anci\u00e3os da Igreja: {C}Est\u00e3o aqui quatro homens 
que t\u00eam uma promessa para cumprir. Leva-os contigo, purifica-te com eles, 
paga as despesas para que possam mandar rapar a cabe\u00e7a. Assim, todos 
saber\u00e3o que os boatos a teu respeito n\u00e3o t\u00eam fundamento e que tamb\u00e9m \u00e9s 
fiel na observ\u00e2ncia da Lei\u00bb{/} [Act_21,17] - [Act_21,24]. 
Depois de atravessar o \u00e1trio das mulheres, os homens passavam por uma 
segunda porta, chamada de Nicanor; esta era precedida de uma escadaria 
semicircular de uns quinze degraus. Entrava-se ent\u00e3o no \u00e1trio de Israel. 
Ali podia ver-se o altar dos holocaustos e a sua rampa de acesso; \u00e0 
direita estavam os garrotes para degolar os animais e os ganchos para os 
esfolar; por detr\u00e1s do altar levantava-se majestosa a Santa Morada, com o 
seu vest\u00edbulo, o Santo e o Santo dos Santos.
Nesta \u00faltima c\u00e2mara interior, vazia, entrava o sumo sacerdote uma vez por 
ano, para a festa no grande perd\u00e3o. No lado sul do \u00e1trio de Israel estava 
a grande sala do Sin\u00e9drio, e no lado norte, as cozinhas onde se 
preparavam as refei\u00e7\u00f5es de comunh\u00e3o.
{K}A ESPLANADA AO ABANDONO{/}

Este Templo foi incendiado em 70 d.C. por Tito, e totalmente arrasado no 
final da segunda revolta judaica em 134. O desmantelamento foi total, 
sendo inclusive derrubados os muros de apoio. Quando Adriano chegou para 
concretizar o seu projecto de uma nova cidade que apagasse toda a 
recorda\u00e7\u00e3o de Israel e que teria o nome de Aelia Capitolina, voltou a 
utilizar, segundo parece, o que restava da esplanada para erguer ali um 
altar a J\u00fapiter Capitolino.
Na \u00e9poca bizantina, e contra todas as previs\u00f5es, a esplanada foi deixada 
ao mais completo abandono. \u00c9 de espantar, se pensarmos que os bizantinos 
foram os que mais bas\u00edlicas edificaram para venerar os lugares 
biblicamente famosos, por estarem ligados a acontecimentos da tradi\u00e7\u00e3o 
judaica ou crist\u00e3.
Mas no s\u00e9c. VII chegam os \u00e1rabes, e estes reconstroem a esplanada, 
come\u00e7ando por reparar os muros de apoio para depois edificar por cima 
deles as mesquitas.
{K}A MESQUITA DE EL-AQSA: A DISTANTE{/}

Come\u00e7a assim a sura (ou azora) 17.\u00aa do Alcor\u00e3o: \u00abGl\u00f3ria \u00c0quele que fez 
voar de noite o seu servo, desde a Mesquita Sagrada at\u00e9 \u00e0 Mesquita 
Distante, cujo recinto aben\u00e7o\u00e1mos\u00bb. Os mestres dos Alcora\u00e3o identificaram 
esta \u00abMesquita Distante\u00bb, em \u00e1rabe \u00abEl-Aqsa\u00bb, com o Templo de Jerusal\u00e9m. 
Por isso, em finais do s\u00e9c. VII d.C., \u00e9 edificada uma mesquita na parte 
sul da esplanada. A primeira mesquita, feita de madeira, deu o seu lugar 
a um edif\u00edcio de pedra, v\u00e1rias vezes arruinado por numerosos terremotos.
Durante a primeira cruzada, Jerusal\u00e9m cai em poder dos crist\u00e3os, em 1099 
d.C. Em 1100 d.C. o rei Baldu\u00edno, primeiro rei de Jerusal\u00e9m, instala-se 
na mesquita, que depois cede \u00e0 Ordem militar fundada no in\u00edcio desse 
s\u00e9culo por Hugues de Payns, chamada desde ent\u00e3o \u00abCavaleiros do Templo\u00bb, 
os c\u00e9lebres Templ\u00e1rios.
Quando, no s\u00e9c. XIII, os mu\u00e7ulmanos reconquistaram Jerusal\u00e9m, Saladino 
restitui as mesquitas \u00e0 ora\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana, como recorda a inscri\u00e7\u00e3o 
gravada na mirhab principal.
{K}A C\u00daPULA DA ROCHA{/}

Sobre a esplanada, no lugar do altar dos tempos b\u00edblicos, levanta-se hoje 
um santu\u00e1rio mu\u00e7ulmano, obra-prima da arte omeya. \u00c9 a mesquita da Rocha, 
cuja c\u00fapula dourada se destaca imediatamente nas fotografias de 
Jerusal\u00e9m. Deve o seu nome a um penhasco que sobressa\u00eda no meio da 
esplanada: tratava-se do cimo da colina onde, muito provavelmente, se 
erguia o primeiro altar de David, no campo de Are\u00fana, o jebuseu 
[2Sm_24,18]. O altar dos holocaustos do Templo de Salom\u00e3o e do segundo 
Templo certamente devem ter estado no mesmo lugar.
Quatro portas protegidas por grandes alpendres com colunas de m\u00e1rmore 
permitem o acesso ao interior do edif\u00edcio constitu\u00eddo por dois corredores 
octogonais, ordenados de maneira conc\u00eantrica, em redor da rocha venerada, 
sobre a qual os mu\u00e7ulmanos viram a pegada deixada pelo p\u00e9 de Maom\u00e9 no 
momento da sua subida ao c\u00e9u.
A escrita \u00e1rabe decorativa cobre inteiramente o t\u00edmpano da c\u00fapula. Por 
toda a parte os vers\u00edculos do Alcor\u00e3o celebram a gl\u00f3ria do Deus \u00fanico e 
do seu profeta Maom\u00e9. Se n\u00e3o faltam vers\u00edculos que louvam Jesus, h\u00e1 
tamb\u00e9m outros que negam categoricamente a sua filia\u00e7\u00e3o divina: \u00abJesus 
Cristo, o filho de Maria, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um mensageiro de Deus...; e nunca 
mais digais \u00abTr\u00eas\u00bb! Acabai com isso! Deus \u00e9 um s\u00f3 Deus. Nenhum outro. 
Acaso teria um filho? A Ele a pureza! (Alcor\u00e3o, sura 4,171). Esta \u00faltima 
impreca\u00e7\u00e3o sublinha uma das principais diverg\u00eancias entre o Cristianismo 
e o Isl\u00e3o: apesar das numerosas passagens que se inspiram, em maior ou 
menor grau, na revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, o Isl\u00e3o recusa-se a acreditar no 
mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o.
{K}- O MURO DAS LAMENTA\u00c7\u00d5ES{/}

Quando Tito entrou em Roma, deixando atr\u00e1s de si o Templo em ru\u00ednas, os 
sobreviventes que escaparam \u00e0 escravid\u00e3o ou \u00e0 morte desataram em pranto, 
levando as suas oferendas ao que p\u00f4de restar das ru\u00ednas calcinadas do 
Templo. No dia seguinte da segunda rebeli\u00e3o judaica, Adriano proibiu-lhes 
a entrada na cidade, rebaptizada com o nome de Aelia Capitolina. Por isso 
tiveram de recorrer ao suborno dos guardas romanos, para vir chorar sobre 
a \u00abpedra perfurada\u00bb que forma a ab\u00f3bada da gruta situada hoje por debaixo 
da C\u00fapula da Rocha.
Tamb\u00e9m o Isl\u00e3o tirou aos judeus esta \u00faltima consola\u00e7\u00e3o: s\u00f3 estavam 
acess\u00edveis algumas partes dos alicerces do muro de suporte constru\u00eddo por 
Herodes quando alargou a esplanada do Templo. A este lugar vieram durante 
s\u00e9culos a salmodiar as suas ora\u00e7\u00f5es e a alimentar as suas esperan\u00e7as.
{K}O LUGAR SANTO DE ISRAEL{/}

Os judeus re\u00fanem-se sempre em grande n\u00famero diante do \u00abMuro\u00bb, os homens 
dum lado e as mulheres do outro, todos em atitude de ora\u00e7\u00e3o, balan\u00e7ando-
se ritmicamente, para pronunciar melhor os vers\u00edculos da Escritura, e 
colocando nos intervalos das pedras pequenos rolos de papel portadores 
dos seus pedidos e da sua f\u00e9: ora\u00e7\u00e3o pelo Templo perdido, mas de 
esperan\u00e7a em Deus que salvou o seu povo no passado e que, a qualquer 
momento, pode renovar as maravilhas que j\u00e1 operou:
{C}Mais que os guardas pela aurora,
Aguarde Israel a Jav\u00e9. 
Pois de Jav\u00e9 v\u00eam a gra\u00e7a
E a reden\u00e7\u00e3o em abund\u00e2ncia.
Ele vai redimir Israel
De todas as suas culpas{/} [Sl_130,6] - [Sl_130,8]
Para rezar, os homens levam no bra\u00e7o esquerdo e sobre a fronte os 
{N}filact\u00e9rios{/}, uma esp\u00e9cie de caixinhas de pele preta que cont\u00eam 
vers\u00edculos do Deuteron\u00f3mio; amarram com tiras de pele as que se colocam 
ritualmente. Tamb\u00e9m vestem o \u00abthalit\u00bb, uma esp\u00e9cie de manto ritual de 
franjas azuis ou pretas. Todos estes sinais servem para recordar ao 
crente que toda a sua vida deve estar consagrada a Deus [Dt_6,4] - 
[Dt_6,6].
Duas vezes na semana desenrola-se a cerim\u00f3nia do Bar Mitzva, que 
literalmente significa \u00abo filho da observ\u00e2ncia\u00bb. O menino (var\u00e3o) aos 13 
anos alcan\u00e7a a maioria da idade religiosa, recebe o Thalit e os 
filact\u00e9rios, e \u00e9 convidado a seguir os preceitos da Lei. Depois vai ao 
encontro da Tor\u00e0, que se encontra numa sacristia preparada na passagem 
que leva ao primeiro arco do \u00abviaduto de Wilson\u00bb; transporta-a em 
jubilosa prociss\u00e3o no seu estojo cil\u00edndrico, e o rapaz  l\u00ea-a, seguindo o 
texto hebraico com uma varinha, por vezes com uma m\u00e3ozinha de prata 
cinzelada na ponta, pois n\u00e3o \u00e9 permitido tocar no texto sagrado da 
Palavra de Deus.
Na sexta-feira \u00e0 tarde, ao p\u00f4r do sol, a esplanada anima-se com os 
c\u00e2nticos e as dan\u00e7as dos jovens que chegam das escolas rab\u00ednicas ou dos 
Kibbutzim, para celebrar o Shabbat, dia do Senhor, recordando assim o 7.\u00ba 
dia da Cria\u00e7\u00e3o no qual Deus descansou. \u00c9 tamb\u00e9m o sinal da Alian\u00e7a eterna 
de Deus com o povo que Ele escolheu:
{C}Louvai o Nome de Jav\u00e9:
O \u00fanico Nome sublime!
A sua majestade est\u00e1 al\u00e9m da terra e do c\u00e9u,
E Ele refor\u00e7a o vigor do seu povo!
Louvor de todos os seus fi\u00e9is,
Dos filhos de Israel, seu povo \u00edntimo{/} [Sl_148,13] - [Sl_148,14].
{K}- A PISCINA PROB\u00c1TICA{/}

As ru\u00ednas da piscina prob\u00e1tica recordam a cura dum doente feita nesse 
lugar por Jesus. Nesse tempo encontrava-se no lugar um santu\u00e1rio a 
Escul\u00e1pio, conforme confirmaram as escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas. Por cima das 
cisternas est\u00e1 a igreja de Santa Ana, constru\u00edda sobre uma gruta onde, 
segundo uma tradi\u00e7\u00e3o muito antiga, teriam vivido Joaquim e Ana, pais de 
Virgem Maria.
{C}Em Jerusal\u00e9m, junto da Porta das Ovelhas, existe uma piscina rodeada por 
cinco corredores cobertos. Em hebraico, a piscina chama-se Betesda{/} 
[Jo_5,2]. A Porta das Ovelhas, pela qual passavam os animais destinados 
ao sacrif\u00edcio, situa-se a nordeste do recinto do Templo. Esta porta deu o 
nome grego \u00e0 piscina {N}Prob\u00e1tica{/} (em grego: ta pr\u00f3bata, as ovelhas).
O nome de {N}Betesda{/} \u00e9, sem d\u00favida, arameu: significa corte, pequeno vale 
que cortava a colina.
Duas grandes represas, de uns 13 m. de profundidade, em parte cavadas na 
rocha, recolhiam as \u00e1guas que escorriam encosta abaixo pela colina e que 
por meio de canais distribu\u00edam a \u00e1gua necess\u00e1ria para o Templo, que se 
encontrava muito perto; este precisava de muita \u00e1gua para os numerosos 
ritos de purifica\u00e7\u00e3o que a Lei exigia. Um grande dique separava o tanque 
norte - este era o mais antigo - do tanque sul, o mais importante, e que 
tinha sido constru\u00eddo cerca do s\u00e9c. II a.C. Nos tempos de Herodes o 
Grande, estes tanques foram abandonados, a favor da \u00abpiscina de Israel\u00bb 
escavada no sop\u00e9 do muro do Templo. Recuperaram-se ent\u00e3o os tanques mais 
ou menos cheios. Uma cisterna cavada na rocha alimentava os  pequenos 
balne\u00e1rios instalados nas grutas naturais. Neste conjunto de banhos 
p\u00fablicos encontraram-se numerosos ex-votos pag\u00e3os, e inclusive uma 
serpente esculpida, atributo pr\u00f3prio de Escul\u00e1pio, o que indica a fun\u00e7\u00e3o 
que cumpriam. Tratava-se, nem mais nem menos, de um santu\u00e1rio dedicado a 
Ascl\u00e9pio, o que era muito comum em diversos lugares antigos da bacia 
mediterr\u00e2nea. Ascl\u00e9pio, filho de Apolo e da ninfa Cor\u00f3nis, era para os 
gregos o deus da medicina; os romanos deram-lhe o nome de Escul\u00e1pio.
Isto quer dizer que neste complexo pag\u00e3o coabitavam a enfermaria e o 
santu\u00e1rio. Numerosas multid\u00f5es vinham a este lugar esperando beneficiar 
das suas virtudes curativas. Porventura uma fonte sulfurosa, junto destes 
tanques, dera origem a estas termas. As moedas descobertas no local 
demonstram que se desenrolava grande actividade ao redor deste s\u00edtio no 
tempo de Jesus.
{K}O DOENTE DA PISCINA PROB\u00c1TICA{/}

Depois disto, houve uma festa judaica, e Jesus foi a Jerusal\u00e9m. Em 
Jerusal\u00e9m, junto da Porta das Ovelhas, existe uma piscina rodeada por 
cinco corredores abertos. Em hebraico, a piscina chama-se Betesda. Muitos 
doentes ficavam ali deitados: eram cegos, coxos e paral\u00edticos, \u00e0 espera 
que a \u00e1gua se movesse (porque um anjo do Senhor descia de vez em quando e 
agitava a \u00e1gua da piscina. O primeiro doente que entrasse na piscina, 
depois de a \u00e1gua ser agitada, ficava curado de qualquer doen\u00e7a que 
tivesse). Encontrava-se l\u00e1 um homem que estava doente havia trinta e oito 
anos [Jo_5,1] - [Jo_5,5].
{C}Mais tarde, no Templo, Jesus completar\u00e1 o sinal que acabava de realizar. 
Assim, ordena ao enfermo, agora curado, quase com uma amea\u00e7a:  Ficaste 
curado. N\u00e3o peques de novo, para que n\u00e3o te aconte\u00e7a alguma coisa pior. 
De facto, porque \u00e9 que um judeu, sendo crente, esperava um milagre de 
outrem que n\u00e3o fosse o Deus vivo? Acaso n\u00e3o estava no Templo, bem perto 
dali?{/}
