{N}O NEGUEB{/}

Do ponto de vista estritamente geogr\u00e1fico, e tendo em conta a paisagem, o clima e a hidrografia, a fronteira setentrional do Negueb situar-se-ia ao longo da s\u00e9rie de plan\u00edcies que se estendem entre Bersabeia e Arad. Esta regi\u00e3o semides\u00e9rtica, em forma de tri\u00e2ngulo, tem como confins a oriente o vale de Arab\u00e1, rodeado pela fronteira jordano-israelita, ao passo que a ocidente  esbarra com a fronteira artificial que a separa do Egipto.
O Negueb toma o nome de uma raiz hebraica que significa \u00abo seco\u00bb, mas no Antigo Testamento designa toda a parte sul da Palestina, sendo chamado, segundo os lugares, Negueb de Jud\u00e1, Negueb de Jerameel ou dos quenitas [1Sm_27,10], ou tamb\u00e9m Negueb dos calebitas, povo aparentado com os filisteus [1Sm_30,14], ou Negueb dos cereteus. Segundo a B\u00edblia, esta \u00e1rida regi\u00e3o estende-se para o norte at\u00e9 aos extremos das colinas de Hebron. Na parte norte encontra-se o midbar{N},{/} palavra hebraica que designa uma estepe onde cresce uma vegeta\u00e7\u00e3o rara e de pouca altura, que separa as zonas ar\u00e1veis das terras \u00e1ridas do deserto. Midbar \u00e9 traduzido frequentemente nas nossas b\u00edblias por \u00abdeserto\u00bb.

{K}OS \u00abMAITESH\u00bb{/}
O alto Negueb \u00e9 uma zona montanhosa que ocupa a parte central deste sector. Quando se produziram as placas tect\u00f3nicas - a placa africana e a ar\u00e1bica - criou-se o largo corredor onde se alojam o Jord\u00e3o e o Mar Morto. Todo este sector se comprimiu, o terreno dobrou-se, multiplicando-se deste modo as falhas, que foram aproveitadas pela \u00e1gua e pelo vento: os elementos desenvolveram a sua ac\u00e7\u00e3o erosiva abrindo amplas cavidades em que se encerraram os mares. As capas geol\u00f3gicas mais antigas ficaram a descoberto. O espect\u00e1culo que estas oferecem \u00e9 magn\u00edfico: superf\u00edcies multicolores de tonalidades v\u00e1rias, desertos de areia, gesso ou calc\u00e1rio, bosques petrificados ou muralhas rochosas de f\u00f3sseis. Aqui o louvor do salmo adquire novo realce:  {C}Porque Jav\u00e9 \u00e9 um Deus grande, o soberano de todos os deuses. Ele tem nas m\u00e3os as profundezas da Terra, e \u00e9 d'Ele o cimo das montanhas{/} [Sl_95,3] - [Sl_95,4].

{K}UM DESERTO HABITADO{/}
Muito antes do tempo dos Patriarcas, j\u00e1 viviam pastores n\u00f3madas neste deserto. No cimo do monte Harif, perto da fronteira eg\u00edpcia, foram encontrados vest\u00edgios de habitats que remontam ao VIII mil\u00e9nio: mont\u00edculos funer\u00e1rios rodeados de pedras, utens\u00edlios de s\u00edlex, cabanas como as utilizadas pelos cl\u00e3s que viviam da colheita e da ca\u00e7a. Por exemplo, para a ca\u00e7a do ant\u00edlope os homens do neol\u00edtico utilizavam armadilhas que seguiam o princ\u00edpio da nassa, um corredor ladeado por muros laterais que se aproximavam um do outro, ao mesmo tempo que se alteavam, e que terminavam num fosso, que n\u00e3o deixava nenhuma escapat\u00f3ria ao animal armadilhado. Pois este tipo de armadilha foi encontrado na regi\u00e3o de Elat.
No III e II mil\u00e9nio a.C. aparecem aldeias de pastores ao longo dos vales onde correm as torrentes de Inverno - chamados oueds{N}{/} ou {N}wadis.{/} As edifica\u00e7\u00f5es caracterizam-se por um pilar central que sustenta o tecto da habita\u00e7\u00e3o \u00fanica, que alberga simultaneamente o recinto destinado a moradia e ao abrigo do gado.

{K}OS REIS VIGIAM AS SUAS FRONTEIRAS{/}
Desde os primeiros tempos da monarquia, deu-se in\u00edcio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de fortins ao logo de toda a fronteira meridional do reino. A curta dist\u00e2ncia que separava estes fortins permita comunicar entre si por meio de sinais. Estas edifica\u00e7\u00f5es correspondiam a uma tr\u00edplice finalidade:
- A protec\u00e7\u00e3o das nascentes, po\u00e7os e cisternas: encontrando-se num ambiente des\u00e9rtico, a \u00e1gua convertia-se no bem mais precioso e ambicionado.
- A preocupa\u00e7\u00e3o pelo desenvolvimento agr\u00edcola que animou Salom\u00e3o e depois Ozias, rei de Jud\u00e1 (781-740 a.C.) que construiu torres no deserto e cavou muitas cisternas... porque  se interessava pela agricultura [2Cr_26,10].
- A vigil\u00e2ncia das rotas que cruzavam o Negueb.
Estes postos de vigil\u00e2ncia foram destru\u00eddos na sua maior parte pelo fara\u00f3 Sisac, o qual, depois da morte de Salom\u00e3o, cerca do ano 925 a.C., empreendeu uma campanha contra o reino de Jud\u00e1. A fronteira, que ia do sul do Mar Morto at\u00e9 Cades Barne, passando pelo deserto de Sin e de Avdat, foi deslocada para o norte, ao longo da depress\u00e3o de Bersabeia. Muitos outros destes fortins desapareceram mais tarde com a invas\u00e3o do reino de Jud\u00e1 por Senaquerib (701), e finalmente os \u00faltimos pontos fortificados do Negueb foram abandonados definitivamente. Desde ent\u00e3o n\u00e3o houve edifica\u00e7\u00f5es permanentes no Negueb at\u00e9 \u00e0 chegada dos Nabateus, nos finais do s\u00e9culo IV a.C.

{K}- (TELL) ARAD{/}
Sobre uma modesta colina, a sete km. a oeste da actual cidade de Arad, nos arredores semides\u00e9rticos do norte do Negueb, destacam-se umas ru\u00ednas impressionantes, vis\u00edveis ao longe; a tal ponto que a tradi\u00e7\u00e3o bedu\u00edna deu-lhes o nome de Tell Arad, em \u00e1rabe \u00aba colina-fortim\u00bb. As muralhas pertencem a uma antiga fortaleza israelita que encima a colina e, dali, domina a antiga cidade cananeia. De facto, duas cidades-fortaleza compartilham o lugar. Na zona inferior encontra-se a cidade cananeia que data de uns cinco mil anos, ao passo que no sector elevado se encontra uma esp\u00e9cie de cidadela dos tempos da monarquia, ocupada repetidas vezes no decorrer dos s\u00e9culos. Entre a cidade baixa da \u00e9poca do Bronze antigo (2900-2650 a.C.), e a cidade alta do s\u00e9culo X a.C., decorreram 1800 anos aproximadamente, durante os quais o lugar se manteve ao abandono. Numa altura em que progredia a civiliza\u00e7\u00e3o e se desenvolviam as cidades em todo o Pr\u00f3ximo Oriente, a chegada dos israelitas marcou um retrocesso: \u00e9 a altura de recordar que a originalidade de Israel se situa a outro n\u00edvel.

{K}A GRANDE CIDADE DO BRONZE ANTIGO{/}
A cidade fortificada, com dez hectares, sucessora de uma aldeia de pastores, p\u00f4de albergar dentro dos seus muros muito provavelmente uns 5.000 habitantes. Uma muralha de pedra de 2,40 m. de espessura seguia a linha cimeira que costeia a depress\u00e3o, no centro da qual se encontrava a reserva de \u00e1gua. Dali assegurava-se o controlo das vias de acesso desde a Judeia e as colinas de Hebron, at\u00e9 ao Negueb e Arab\u00e1. Estreitas vielas retalhavam a cidade partindo do sector onde se acumulava a \u00e1gua.
Os grandes edif\u00edcios p\u00fablicos da \u00e9poca cananeia s\u00e3o atribu\u00eddos, conforme a sua import\u00e2ncia, a um prefeito, um governador ou a um rei. A B\u00edblia menciona o rei de Arad (em [Js_12,14]), na lista das cidades vencidas pelos israelitas sob o comando de Josu\u00e9.
Um destes edif\u00edcios p\u00fablicos abria-se para o mercado, ao n\u00edvel da porta ocidental, um acesso que pode parecer bastante estreito, mas que bastava para permitir a passagem dos carros puxados por bois ou burros recentemente domesticados.
Uma actividade econ\u00f3mica diversificada  - agr\u00edcola, artesanal, metal\u00fargica - assegurava a prosperidade da cidade. Arad converteu-se num importante centro de com\u00e9rcio do cobre. Porque participava do desenvolvimento das minas de cobre do Sinai, podia controlar a sua produ\u00e7\u00e3o, que era dirigida para o sul da Palestina. Ali se cambiava com outros produtos, como o betume e o sal do Mar Morto. Al\u00e9m disso, as rela\u00e7\u00f5es comerciais com o Egipto, tanto por via terrestre como por mar, constitu\u00edam uma fonte de riqueza para estas cidades-estado da Palestina.

{K}O CONJUNTO RELIGIOSO{/}
Um recinto sagrado delimitava este conjunto, onde se erguiam dois templos aparelhados e g\u00e9meos cuja grande sala - voltada para o oriente - se abria para um p\u00e1tio. No p\u00e1tio do templo norte encontra-se uma pia e um altar muito belo de pedras n\u00e3o talhadas. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que este altar n\u00e3o passasse de uma simples mesa para as oferendas, no qual se depositavam as prim\u00edcias das colheitas, para assegurar a b\u00ean\u00e7\u00e3o de alguma divindade da Natureza. Sobre uma estela podem apreciar-se duas silhuetas humanas, com os bra\u00e7os estendidos e os dedos separados, e com espigas de trigo por cabe\u00e7a.
A sala do \u00abtemplo\u00bb meridional estava rodeada de banquetas. Numa das suas extremidades achava-se uma pedra erguida. Aqui cabe perguntar-nos qual seria a finalidade dessas banquetas: serviam para depositar as oferendas? Ou porventura faziam parte de um refeit\u00f3rio destinado a refei\u00e7\u00f5es rituais, onde se comia na presen\u00e7a de Deus [Dt_12,7]? Nesse caso, a pr\u00e1tica dos {N}sacrif\u00edcios{/} de comunh\u00e3o que vemos em uso mais tarde no santu\u00e1rio israelita de Silo [1Sm_1,4] - [1Sm_1,9] e que a Lei regulamenta, deveria estar enraizada em costumes antigos. Deste modo se preparava, segundo o misterioso des\u00edgnio de Deus, o dia em que o homem entenderia estas palavras: Tomai e comei, isto \u00e9 o meu corpo; tomai e bebei, este \u00e9 o c\u00e1lice do meu sangue, o sangue da nova e eterna alian\u00e7a.
Esta cidade foi destru\u00edda e abandonada definitivamente, cerca do ano 2650 a.C., aquando de um cataclismo ou uma epidemia.

{K}UMA ALDEIA DOS QUENITAS{/}
No per\u00edodo dos Ju\u00edzes desenvolveu-se uma aldeia fortificada no sector alto, n\u00e3o longe dali, em redor de um recinto sagrado, pavimentado, onde se levantava um altar quadrado. Tratava-se do lugar alto {N}{/} (ou {N}santu\u00e1rio{/} alto){N}{/} das fam\u00edlias quenitas instaladas na regi\u00e3o, conforme deixa entrever um vers\u00edculo do Livro dos Ju\u00edzes: {C}Os descendentes do sogro quenita de Mois\u00e9s subiram da cidade das Palmeiras com os descendentes de Jud\u00e1, foram para o deserto de Jud\u00e1, ao sul de Arad, e estabeleceram-se entre os amalecitas{/} [Js_1,16].
Deste modo, cl\u00e3s inteiros de madianitas e de quenitas estabeleceram-se na fronteira meridional do pa\u00eds: mais tarde formar\u00e3o parte da tribo de Jud\u00e1.

{K}A FORTALEZA REAL{/}
Na \u00e9poca de Salom\u00e3o esta aldeia \u00e9 substitu\u00edda por uma fortaleza quadrada. Rapidamente se tornou uma pra\u00e7a forte de car\u00e1cter administrativo e militar, que guardava as rotas para o pa\u00eds de Moab, Edom e a Arab\u00e1. Nessa \u00e9poca um santu\u00e1rio israelita ocupava o \u00e2ngulo noroeste da cidade. Sem d\u00favida, ambos foram destru\u00eddos pelo fara\u00f3 Sisac durante a sua campanha na Palestina em 925 a.C. 
No s\u00e9c IX \u00e9 constru\u00edda nova fortaleza. A \u00e1gua que alimentava as cisternas cavadas na rocha provinha do po\u00e7o cavado no antigo tanque cananeu. A \u00e1gua era trazida at\u00e9 \u00e0 fortaleza ao lombo de burros. Os numerosos {C}\u00f3straka{/} encontrados no local mostram que Arad funcionava como um importante mercado no cora\u00e7\u00e3o de uma regi\u00e3o agr\u00edcola. Comerciava a produ\u00e7\u00e3o local e servia de sa\u00edda para Hebron. Abastecia com farinha, azeite e vinho os mercen\u00e1rios do ex\u00e9rcito hebreu, que patrulhavam para evitar as incurs\u00f5es dos n\u00f3madas e dos edomitas.
Depois do ex\u00edlio de  Babil\u00f3nia, os persas e os sucessores de Alexandre, e finalmente os romanos, estabeleceram as suas fortalezas nesta colina.

{K}O TEMPLO ISRAELITA{/}
A fortaleza de Arad conservava o \u00fanico santu\u00e1rio provincial descoberto at\u00e9 essa altura em Jud\u00e1; encontrava-se orientado para leste, tal como o Templo de Jerusal\u00e9m, e consistia num p\u00e1tio, um grande edif\u00edcio e o Lugar Sant\u00edssimo (ou Santo dos Santos). No meio do grande p\u00e1tio, o altar constru\u00eddo com pedras n\u00e3o aparelhadas acha-se em conformidade com as normas ditadas no livro do \u00caxodo [Ex_20,25]. A entrada do Santo dos Santos encontra-se rodeada por dois altares para perfumes de dimens\u00e3o desigual. Estes altares voltam-se para as duas \u00abmassebot\u00bb (pedras erguidas), a maior das quais se encontra pintada de vermelho. Estas duas pedras erguidas, de tamanho descomunal, poderiam simbolizar o Deus de Israel e o seu \u00abasher\u00e1\u00bb, tronco (ou \u00e1rvore) sagrado, que simboliza o dom divino da vida e a fertilidade.
Finalmente, durante o curso das escava\u00e7\u00f5es, encontraram-se v\u00e1rios \u00ab\u00f3straka\u00bb que tinham gravados os nomes de fam\u00edlias sacerdotais vinculadas ao templo de Arad, e conhecidos na B\u00edblia como Fassur [Jr_20,1] - [Jr_20,6] e Meremot [Ne_12,3].

{K}A DESTRUI\u00c7\u00c3O DO TEMPLO DE ARAD E A REFORMA DE JOSIAS{/}
Nos come\u00e7os do s\u00e9culo VIII a.C. o rei Ezequias andava consternado pelo aniquilamento do Reino do Norte pelos ass\u00edrios. O facto era visto como um castigo divino devido \u00e0 infidelidade \u00e0 Alian\u00e7a, pelo que Ezequias  suprimiu os santu\u00e1rios dos lugares altos, quebrou os cipos e cortou os troncos sagrados [2Rs_18,4]; em Arad mandou destruir o altar dos holocaustos. Come\u00e7ou tamb\u00e9m uma reforma que ser\u00e1 continuada pelo rei Josias entre 640 e 609 a.C.
Aproveitando o enfraquecimento da Ass\u00edria, e inspirado directamente no Deuteron\u00f3mio, Josias leva a cabo um programa religioso, que se resume nesta tr\u00edplice f\u00f3rmula: um s\u00f3 Deus, um s\u00f3 povo, um s\u00f3 santu\u00e1rio. Para o concretizar era necess\u00e1rio destruir os santu\u00e1rios da prov\u00edncia, como foi o caso de Arad.


{K}- BERSABEIA{/}
Actualmente capital de todo o distrito sul de Israel, Bersabeia era j\u00e1 a cidade  principal do Negueb na antiguidade. Na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica est\u00e1 ligada \u00e0 hist\u00f3ria dos Patriarcas. Abra\u00e3o, Isaac e Jacob v\u00e3o a Bersabeia e ali invocam o Deus \u00fanico.
A leste da cidade moderna, o lugar b\u00edblico de Tell Sheva \u00e9 uma bel\u00edssima amostra arquitect\u00f3nica do que era uma pequena cidade israelita, tal como foi concebida nos tempos da monarquia unificada, cerca de mil anos antes da era crist\u00e3. A descoberta mais assombrosa foi a de um altar com chifres, que pertencia curiosamente a um templo israelita.
Desde o IV mil\u00e9nio os n\u00f3madas primeiro, e depois os pastores, vieram estabelecer-se na depress\u00e3o do wadi Sheva, atra\u00eddos por uma terra virgem e f\u00e9rtil. Nesta zona semides\u00e9rtica, onde as chuvas anuais s\u00e3o inferiores a 200 mm., as escassas terras cultiv\u00e1veis permitem-lhes desenvolver algumas cultiva\u00e7\u00f5es aliment\u00edcias, como trigo, cebolas e lentilhas.
Para fazer frente ao problema da \u00e1gua durante o ano, cavam po\u00e7os pouco profundos no leito dos wadis. Esta popula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e pastoril instalou-se em pequenas aldeias subterr\u00e2neas espalhadas em redor dos cursos de \u00e1gua, como Bersabeia; apesar disso, alguns dedicaram-se a actividades de  car\u00e1cter industrial.
Nas portas de Bersabeia encontrou-se uma oficina onde os artes\u00e3os locais trabalhavam o marfim importado da \u00c1sia e da \u00c1frica, a passo que a uns cem metros da\u00ed, em Abu Matar, tinham-se especializado na metalurgia do cobre, que era extra\u00eddo dos fil\u00f5es da Arab\u00e1; outros, finalmente, sempre nas imedia\u00e7\u00f5es de Bersabeia, trabalhavam em turquesa e em conchas de \u00e1gua doce  importadas do Egipto.
As casas subterr\u00e2neas protegiam das tempestades de areia e das consider\u00e1veis varia\u00e7\u00f5es de temperatura entre o dia e a noite. As primeiras casas de habita\u00e7\u00e3o reproduziam a t\u00e9cnica das escava\u00e7\u00f5es de po\u00e7os com um pequeno p\u00e1tio em forma de tonel e uma habita\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea acompanhada de um celeiro e algumas cisternas pouco profundas. Mais tarde as casas avan\u00e7aram mais para dentro de terra, para l\u00e1 da cobertura de barro, e tomaram a forma de uma esp\u00e9cie de t\u00fanel subterr\u00e2neo com pequenas divis\u00f5es ovais colocadas em fila e ligadas por um t\u00fanel. Finalmente utilizaram-se tijolos e pedras apanhadas nos oueds ou wadis, para construir divis\u00f5es circulares semienterradas, antes de se chegar \u00e0s habita\u00e7\u00f5es de superf\u00edcie. O lugar de Bersabeia foi abandonado cerca do ano 3300 a.C., e at\u00e9 hoje n\u00e3o se puderam determinar as raz\u00f5es de tal abandono.

{K}UMA ETAPA NA ROTA DOS PATRIARCAS{/}
Os tr\u00eas grandes Patriarcas, portadores da promessa da Terra, Abra\u00e3o, Isaac e Jacob, far\u00e3o uma paragem no seu trajecto de emigrantes, para deter-se em Bersabeia. Segundo o G\u00e9nesis, os tr\u00eas chegaram  \u00e0 essa regi\u00e3o para adorar ali o Deus \u00fanico, mas sabemos que este grupo familiar tem por finalidade sublinhar a unidade das tribos: de facto a gesta de Abra\u00e3o situa-se na regi\u00e3o de Hebron, e a de Jacob na Tranjord\u00e2nia.
A querela a respeito do po\u00e7o entre Guerar e Bersabeia apresenta um exemplo interessante de diverg\u00eancia e de fus\u00e3o entre v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es antigas. Houve quem propusesse uma dupla etimologia para explicar o nome de Bersabeia.
{C} Abra\u00e3o separou sete ovelhas do rebanho, e Abimelec perguntou-lhe: \u00abPara que servem estas sete ovelhas que separaste? Abra\u00e3o respondeu: Estas sete ovelhas, que recebeste da minha m\u00e3o, s\u00e3o a prova de que fui eu quem abriu este po\u00e7o\u00bb. Por isso o lugar recebeu o nome de Bersabeia{/} (isto \u00e9, Po\u00e7o das sete, ou tamb\u00e9m Po\u00e7o do juramento), porque os dois fizeram ali um juramento [Gn_21,28] - [Gn_21,31].
No entanto, no cap. 26 do G\u00e9nesis s\u00f3 se menciona o \u00abjuramento\u00bb{C}: Isaac deu ao po\u00e7o  o nome de Seba, de onde vem o nome{/} {C}Bersabeia{/} (Po\u00e7o do Juramento), {C}at\u00e9 ao dia de hoje{/} [Gn_26,26] - [Gn_26,33].

{K}OS PATRIARCAS EM BERSABEIA{/} 
Ao chegar a Cana\u00e3, Abra\u00e3o encontra-se com um universo religioso dominado por El Olam, ou seja, Deus eterno [Gn_21,23]; n\u00e3o \u00e9 que se adorara ali um deus \u00fanico, mas sim que este \u00e9 o Deus supremo que domina sobre todos os outros, e que se encontra ligado ao santu\u00e1rio cananeu de Bersabeia. Abra\u00e3o coloca a sua f\u00e9 e a sua confian\u00e7a no Deus que o chama, sem compreender totalmente ainda o que espera dele, mas percebendo, apesar de tudo, que Ele \u00e9 o Deus vivo, o Deus pessoal que deseja estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o verdadeira com o homem.
Se o nome de Abra\u00e3o e as tradi\u00e7\u00f5es que lhe dizem respeito se encontram intimamente ligados ao lugar santo de Hebron-Mambr\u00e9, Bersabeia \u00e9 o ponto de uni\u00e3o das tribos ligadas a Isaac: \u00e9 ali que Deus renova a promessa.
{C}Dali, Isaac subiu para Bersabeia{/}. {C}Nessa noite, Jav\u00e9 apareceu-lhe e disse-lhe: Eu sou  o Deus do teu pai Abraa\u00e3o. N\u00e3o tenhas medo{/}, {C}pois estou contigo{/}. {C}Aben\u00e7oar-te- ei e multiplicarei os teus descendentes, em aten\u00e7\u00e3o ao meu servo Abra\u00e3o.{/} 
No deserto, que ondula suavemente ao sul da cidade, Agar busca ref\u00fagio. Despedida pelos ci\u00fames de Sara, a esposa est\u00e9ril, a escrava eg\u00edpcia \u00e9 salva pela interven\u00e7\u00e3o de Deus que escuta o choro de seu filho Ismael, o qual ser\u00e1 o antepassado das tribos da Ar\u00e1bia do Norte.
Por seu lado, Elias, o profeta que surgiu como um fogo [Ecl_48,1] contra a idolatria de Israel e que foi perseguido pela rainha Jezabel por haver massacrado os profetas de Baal no monte Carmelo, ir\u00e1 refugiar-se no deserto de Bersabeia. Sentindo-se desalentado, foi alimentado e reconfortado pelos anjos, e depois seguiu em direc\u00e7\u00e3o ao Horeb, para a\u00ed se encontrar com Deus.

{K}TELL-SHEVA, A CIDADE ISRAELITA{/}
De voca\u00e7\u00e3o administrativa, comercial e militar, esta cidade recebeu uma estrutura geral que soube harmonizar estas caracter\u00edsticas e que se conservou como tal durante os quatro s\u00e9culos de ocupa\u00e7\u00e3o do lugar.
Uma rua circular estendia-se em redor das fortifica\u00e7\u00f5es, dentro das quais estavam inclu\u00eddas as moradias. Algumas casas, de estrutura tipicamente israelita, tinham quatro divis\u00f5es; nos p\u00e1tios encontraram-se fornos de barro, m\u00f3s de basalto para o cereal e tamb\u00e9m tinas pequenas, todas simples e pouco profundas, que devem ter servido de dep\u00f3sito para o vinho. Perto da porta da cidade, tr\u00eas armaz\u00e9ns reais serviam para guardar os cereais, o azeite e o vinho.

{K}UM ALTAR ENIGM\u00c1TICO{/}
Entre as pedras que serviram para construir os armaz\u00e9ns, foram descobertos alguns blocos muito bem trabalhados, que uma vez montados e unidos constitu\u00edam um altar com chifres. A presen\u00e7a de um altar como este no interior de uma cidade israelita revela a perman\u00eancia dos santu\u00e1rios dos lugares altos da prov\u00edncia e confirma que a unidade do santu\u00e1rio do Deus \u00fanico, uma lei atribu\u00edda pela Lei a Mois\u00e9s, n\u00e3o estava em vigor at\u00e9 \u00e0 reforma de Josias, como se p\u00f4de verificar tamb\u00e9m em Tell Arad. Tendo em conta as invectivas de Am\u00f3s - o profeta de Jud\u00e1 que exerceu o seu minist\u00e9rio no Reino do Norte em meados do s\u00e9c. VIII a.C. - descobre-se que o culto celebrado nos santu\u00e1rios do interior era bastante amb\u00edguo e que as divindades pag\u00e3s, os Baales, eram honrados ali ao lado de Jav\u00e9, o Deus de Israel: {C}\u00abAssim diz Jav\u00e9 \u00e0 casa de Israel: Procurai-Me e vivereis. N\u00e3o procureis Betel, n\u00e3o fa\u00e7ais romarias a Guilgal, nem corrais para Bersabeia... Procurai Jav\u00e9, e vivereis. Sen\u00e3o, Ele vir\u00e1 sobre a casa de Jos\u00e9 como um fogo que a queimar\u00e1\u00bb{/} [Am_5,4] - [Am_58,6].
Consta ent\u00e3o que os israelitas do Reino do Norte n\u00e3o vacilavam em atravessar todo o reino de Jud\u00e1 para descer em peregrina\u00e7\u00e3o at\u00e9 aos confins do Negueb, e sacrificar em Bersabeia segundo as tradi\u00e7\u00f5es particulares e sempre vivas do Deus de Isaac. Mas estes santu\u00e1rios est\u00e3o pervertidos, e o profeta anuncia-lhes a ru\u00edna, e pior ainda: {C}\u00abV\u00e3o desmaiar de sede as jovens mais belas, e tamb\u00e9m os rapazes que juram por Asima, deusa da Samaria, e que costumam dizer: "Viva o teu \u00eddolo, D\u00e3!" Ou: "Viva o teu Bem-Amado, Bersabeia!". E cair\u00e3o para nunca mais se levantarem\u00bb{/} [Am_8,14].
O altar com chifres de Bersabeia n\u00e3o resistiu \u00e0 reforma religiosa de Ezequias, cerco do ano 715 a.C. A cidade real foi destru\u00edda alguns anos mais tarde por Senaquerib.


{K}- ENGADI{/}
Situado entre os afluentes do Mar Morto, calcinado pelo sol durante uma grande parte do ano, e pela extens\u00e3o \u00e1rida do deserto de Jud\u00e1, o o\u00e1sis de Engadi aparece como um para\u00edso natural de frescura, gra\u00e7as \u00e0 sua nascente perene. \u00c9 agitado incessantemente pela vida que brota por toda a parte, com a sua fauna presente em todo o lado, aves de mil cores, gamos tomando o seu banho de sol nas cavidades das rochas, gazelas e cabras montesas montando guarda em cima dos despenhadeiros rochosos.
A fonte de Engadi (em hebraico: \u00aba fonte do cabrito\u00bb), domina o Mar Morto desde uns 200 metros, no meio de uma vegeta\u00e7\u00e3o exuberante. Ao contemplar o espect\u00e1culo da \u00e1gua que brota em cascatas sucessivas, o cora\u00e7\u00e3o e os l\u00e1bios do crente evocam espontaneamente os vers\u00edculos do salmo: \u00abComo a cor\u00e7a suspira pelas \u00e1guas correntes, assim a minha alma anseia por Ti, \u00f3 meu Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo\u00bb [Sl_42,2] - [Sl_42,3].
O C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos [Ct_1,14], Ezequiel [Ez_47,10] e Eclesi\u00e1stico [Ecl_24,14] evocar\u00e3o este para\u00edso. Em contrapartida, os nomes dos montes, desfiladeiros, vales e fontes dos seus arredores evocam a hist\u00f3ria de Saul e David: Quem n\u00e3o h\u00e1-de recordar aquela passagem onde o autor do Livro de Samuel nos faz pressentir a ascens\u00e3o irresist\u00edvel de David? (Cfr. [1Sm_24,1]).


{K}- MASSADA{/}
Massada e a sua hist\u00f3ria est\u00e3o envolvidas na lenda. Uma fortaleza vertiginosa ocupa os oito hectares de uma pequena meseta rochosa de vertentes abruptas que a tornam praticamente inacess\u00edvel. Herodes o Grande, o rei construtor, que gostava de colocar as suas resid\u00eancias-fortalezas sobre os promont\u00f3rios que dominavam a desolada extens\u00e3o do deserto, descobriu este ninho de \u00e1guias e edificou ali um conjunto arquitect\u00f3nico t\u00e3o refinado como sumptuoso, e que rodeou de s\u00f3lidos muros.
A tr\u00e1gica hist\u00f3ria do suic\u00eddio colectivo dos 960 residentes da fortaleza, assediados pelo ex\u00e9rcito romano durante a primeira revolta judia, foi imortalizada por Fl\u00e1vio Josefo, \u00fanico historiador que registou o relato impressionante desta trag\u00e9dia (acontecida em Maio do ano 73 a.C.), na sua \u00abGuerra Judaica\u00bb. Massada foi ent\u00e3o o \u00faltimo basti\u00e3o da resist\u00eancia judaica contra os romanos, depois da tomada de Her\u00f3dion e Maqueronte.

{K}HERODES O GRANDE EM MASSADA{/}
Os partid\u00e1rios da ocupa\u00e7\u00e3o romana pretendiam afastar para muito longe, para a \u00c1sia, os Partos, a quem Ant\u00edgono havia pedido aux\u00edlio para se apropriar do trono da Judeia. Sucede, ent\u00e3o, que os Partos se apoderam de Jerusal\u00e9m e coroam rei a Ant\u00edgono. Perante isto, Herodes deve fugir e decide p\u00f4r a sua fam\u00edlia a salvo num lugar seguro. Atravessa o deserto da Judeia e instala em Massada a sua noiva, sua m\u00e3e, seu irm\u00e3o e sua irm\u00e3 com uma guarni\u00e7\u00e3o de 800 homens. Herodes deixa ali a sua fam\u00edlia durante dois anos, durante os quais Ant\u00edgono intenta em v\u00e3o apoderar-se da pra\u00e7a forte.
Ao regressar de Roma, aonde tinha ido procurar apoio para conquistar a coroa, Herodes decidiu escolher Massada como pra\u00e7a forte e ref\u00fagio em caso de perigo. De facto, era poss\u00edvel uma revolta judia, e tamb\u00e9m a bela e ambiciosa Cle\u00f3patra podia sonhar com ocupar-lhe o reino. Preparou ent\u00e3o a plataforma rochosa como uma verdadeira cidadela fortificada, dotada de uma sumptuosa resid\u00eancia.

{K}A FORTALEZA HERODIANA{/}
Herodes retomou as antigas fortifica\u00e7\u00f5es asmoneias que rodeavam o per\u00edmetro rochoso e construiu um largo muro com casamatas, refor\u00e7ado com 110 torres e aberto em tr\u00eas pontos. A \u00abVereda da Serpente\u00bb desembocava na porta oriental, de onde se contempla a paisagem deslumbrante do Mar Morto, bem como os Montes de Moab. A porta ocidental era de acesso mais f\u00e1cil. Podia-se chegar at\u00e9 ela subindo uma larga escadaria. Finalmente, a porta das \u00e1guas ia dar \u00e0s cisternas.
Encarrapitado sobre um vertiginoso promont\u00f3rio que domina as escarpas verticais do declive, o pal\u00e1cio norte desdobra-se de forma escalonada sobre tr\u00eas terra\u00e7os naturais sobrepostos. O lugar foi admiravelmente bem escolhido: a sua disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 ideal para desfrutar da sombra das rochas e da brisa do norte durante os calores terr\u00edveis desta zona des\u00e9rtica.
O terra\u00e7o superior, uma plataforma circular com um edif\u00edcio de quatro moradias pavimentadas, dispostas em redor de um p\u00e1tio, constitu\u00ed a resid\u00eancia real. Os terra\u00e7os inferiores destinavam-se aos convidados de elei\u00e7\u00e3o. O pal\u00e1cio inferior compreendia as termas romanas privadas. Em todo o lado podia apreciar-se o pavimento constitu\u00eddo apenas de m\u00e1rmore branco e preto; destacavam-se igualmente as colunas e as paredes decoradas com frescos ou gesso pintado a imitar o m\u00e1rmore.
Herodes, que havia tomado o gosto das termas romanas, mandou construir na parte mais elevada, a coincidir com o seu pal\u00e1cio, grandes termas conformes ao modelo cl\u00e1ssico dos banhos romanos: um apodyterium, ou quarto de vestir decorado com pavimento de mosaico, um frigidarium (banho frio), um tepidarium (banho morno) e um caldarium (banho quente).
Na eventualidade de um ass\u00e9dio, estavam preparados alguns grandes armaz\u00e9ns: ali se podiam guardar, em \u00e2nforas, o azeite, a farinha, o vinho, t\u00e2maras, azeitonas etc.... Adaptando uma das casas herodianas de colunata dupla, os judeus encurralados durante a resist\u00eancia ao ataque instalaram nela uma sinagoga, orientada para Jerusal\u00e9m e dotada de bancos de pedra encostados ao longo das paredes.
Uma ampla piscina e uma grande cisterna ocupavam a parte sul; sem d\u00favida, quem realmente assegurava a administra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua ao povo eram os dozes tanques cavados na rocha no flanco noroeste do declive. Nesta regi\u00e3o des\u00e9rtica, desprovida de nascentes e onde as chuvas s\u00e3o muito escassas, era preciso aproveitar as cheias ocasionais dos oueds construindo represas, para depois transportar a \u00e1gua em talhas, servindo-se de cavalos, para as cisternas exteriores. Em seguida, a \u00e1gua era transportada para o interior da fortaleza.
\u00c0 morte de Herodes, Massada foi provavelmente abandonada, para depois ser ocupada por uma guarni\u00e7\u00e3o romana. No ano 66 d.C. foi capturada por v\u00e1rias centenas de judeus, os quais, uma vez senhores da pra\u00e7a forte, opuseram uma resist\u00eancia her\u00f3ica aos invasores romanos.

{K}ZELOTES E SIC\u00c1RIOS{/}
Quem s\u00e3o estes valorosos combatentes que resistem ao ass\u00e9dio, entrincheirados por detr\u00e1s dos muros da fortaleza e que morreram todos voluntariamente {N}-{/} a dar cr\u00e9dito \u00e0 narra\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio Josefo {N}-{/} em lugar de render-se ao inimigo? Chamados no princ\u00edpio \u00absic\u00e1rios\u00bb, bandidos ou esfaqueadores, porque andavam armados de uma \u00absica\u00bb, uma esp\u00e9cie de gancho ou punhal. Fl\u00e1vio Josefo chama-lhes \u00abzelotes\u00bb s\u00f3 a partir do ano 66 d.C., no in\u00edcio da insurrei\u00e7\u00e3o judaica. Zelotes e sic\u00e1rios compartilhavam as mesmas convic\u00e7\u00f5es a respeito da santidade do Templo, submiss\u00e3o \u00e0 Lei, e a intransig\u00eancia perante tudo o que pudesse manchar a Terra dada por Deus aos antepassados. N\u00e3o parece, todavia, que os zelotes tenham praticado a resist\u00eancia armada contra os romanos, pelo menos no s\u00e9c. I da nossa era. 
A sua ac\u00e7\u00e3o ter\u00e1 sido dirigida principalmente contra os judeus \u00abher\u00e9ticos\u00bb que se mostravam infi\u00e9is \u00e0 Lei de Mois\u00e9s. Nunca formaram um grupo de resist\u00eancia organizado e fan\u00e1tico como o dos sic\u00e1rios, com o seu messianismo pol\u00edtico e nacionalista. Reunidos, depois da morte de Herodes, ao redor de Judas, o Galileu que, na altura do recenseamento, tinha atra\u00eddo a si uma grande multid\u00e3o [Act_5,37] formaram um grupo isolado, uma esp\u00e9cie de comunidade militar que se estabeleceu em Massada sob o comando dos chefes: Manaem e Eleazar Ben-Jair.
Manter-se-\u00e3o \u00e0 margem da insurrei\u00e7\u00e3o generalizada da na\u00e7\u00e3o judaica, esperando o dia em que pudessem restabelecer a dinastia heredit\u00e1ria asmoneia e recuperar uma realeza messi\u00e2nica de dimens\u00e3o universal. Pouco faltou para que S. Paulo fosse confundido com estes nacionalistas violentos e exaltados, durante o epis\u00f3dio do motim que acabou com a sua pris\u00e3o no Templo de Jerusal\u00e9m [Act_21,38].
Depois da queda de Jerusal\u00e9m e da destrui\u00e7\u00e3o do Templo, no ano 70 d.C., as fortalezas herodianas foram caindo uma ap\u00f3s outra. Massada acolheu ent\u00e3o os sobreviventes que ali encontraram ref\u00fagio e tamb\u00e9m um grupo organizado e determinado a continuar a luta.

{K}OS MANUSCRITOS DE MASSADA{/}
Os ocupantes da fortaleza formavam uma comunidade religiosa de estrita observ\u00e2ncia, com banhos rituais e lugar de culto. Encontraram-se neste lugar fragmentos de manuscritos de diversos livros da B\u00edblia. A descoberta mais interessante \u00e9 constitu\u00edda por um rolo de Ben Sir\u00e1 em hebraico, o que vem confirmar a autenticidade dos manuscritos hebraicos encontrados anteriormente no Cairo e em Qumran. A presen\u00e7a de uma \u00abRegra dos c\u00e2nticos para o holocausto do Sabbat\u00bb, id\u00eantica ao exemplar encontrado em Qumran, prova que os {N}ess\u00e9nios -{/} depois da destrui\u00e7\u00e3o dos seus redutos {N}-{/} se aliaram aos rebeldes de Massada.

{K}O ASS\u00c9DIO DE MASSADA{/}
No ano 73, a 10\u00aa Legi\u00e3o romana apresentou-se diante das muralhas da fortaleza. Para os romanos, instalados no sop\u00e9 da escarpada, o tempo era limitado: o clima exigia que as opera\u00e7\u00f5es do ass\u00e9dio terminassem antes da esta\u00e7\u00e3o quente. Constru\u00edram oito acampamentos com trincheiras, aproveitando da m\u00e3o-de-obra dos judeus capturados durante a tomada de Jerusal\u00e9m; cinco dos acampamentos estavam ligados entre si por uma muralha de circunvala\u00e7\u00e3o que rodeava o conjunto rochoso por uns 4 km. Sobre uma enorme rampa de terra - sustentada por pilares de madeira {N}-{/} levantada no lado ocidental, montaram uma torre m\u00f3vel e um ar\u00edete, o qual abriu uma brecha, bem vis\u00edvel, no muro que rodeia a fortaleza. Centenas de pesadas bolas de pedra, lan\u00e7adas pelas catapultas, acompanharam o ataque romano. Finalmente, ao ver que o fogo destru\u00eda as habita\u00e7\u00f5es, os assediados decidiram suicidar-se. Somente duas mulheres escaparam ao suic\u00eddio colectivo e deram testemunho destes tr\u00e1gicos acontecimentos. Pelo menos, esta \u00e9 a vers\u00e3o dos acontecimentos segundo Fl\u00e1vio Josefo.

{K}- O MAR  MORTO
A \u00c1GUA E O SAL{/}
O Mar Morto, tamb\u00e9m chamado \u00abMar do sal\u00bb ou \u00abMar da Arab\u00e1\u00bb, encontra-se alojado na depress\u00e3o do Ghor, que constitui a extremidade norte da falha siro-africana. Este mar representa o \u00faltimo vest\u00edgio de um grande lago que ocupou uma grande parte do Ghor durante o per\u00edodo de quase vinte mil anos. A pluviosidade escassa, iniciada h\u00e1 uns quarenta mil anos aproximadamente, ocasionou, devido \u00e0 forte evapora\u00e7\u00e3o, uma redu\u00e7\u00e3o deste lago.
De facto, os numerosos cursos de \u00e1gua que o Mar Morte recebe, tais como o Jord\u00e3o, o C\u00e9dron e outros mais modestos, secos durante o Ver\u00e3o, n\u00e3o conseguem compensar a evapora\u00e7\u00e3o das \u00e1guas nesta depress\u00e3o retida e sobreaquecida. \u00c9 por isso que possui um n\u00edvel de salinidade excepcional: 265, ao passo que nos mares livres do globo n\u00e3o vai al\u00e9m de 3 a 5%.
Actualmente, com 76 km. de comprimento e 17 Km. de largura, o Mar Morto tem a profundidade m\u00e1xima de 392 metros. Isto no sector da bacia, porque na sector sul a profundidade n\u00e3o vai al\u00e9m de 5 metros.
Nas suas \u00e1guas saturadas de betume, de cloretos e brometos, toda a esp\u00e9cie de vida fica exclu\u00edda. O sal e o betume da Judeia eram os \u00fanicos recursos naturais, explorados desde a antiguidade. O betume era utilizado para cobrir e decorar os cr\u00e2nios dos mortos desde o VIII mil\u00e9nio. Os nabateus transportavam o betume para o Egipto, onde era utilizado para impermeabilizar o casco dos navios. Na actualidade existem f\u00e1bricas de pot\u00e1ssio, brometo e magn\u00e9sio, situadas ao redor da actual Sodoma. Na antiga cidade b\u00edblica nada existe j\u00e1.

{K}A TRAG\u00c9DIA DE SODOMA{/}
A montanha de Sodoma, ou Yebel Usdum, um enorme bloco de sal recoberto de gesso e rocha calc\u00e1ria, encontra-se perfurada por enormes pedreiras. O p\u00f3, a areia e o sal parece terem estendido uma delgada capa esbranqui\u00e7ada sobre o vale que separa Sodoma dos montes da Judeia; e quando sopra o irritante e secante vento do Sul, ou Jamsin, os relevos esbatem-se debaixo do ocre uniforme da areia, e o mar assume uma cor leitosa. Com as suas estranhas silhuetas formadas pela concre\u00e7\u00e3o do sal, a imagem sideral deste lugar deu naturalmente origem \u00e0 hist\u00f3ria de Sodoma, que serviu para ilustrar o ju\u00edzo divino a que est\u00e3o submetidos os homens e os povos: {C}Os habitantes de Sodoma eram grandes criminosos e pecavam contra Jav\u00e9{/} [Gn_13,13]
Ignoravam a hospitalidade, expulsavam os estrangeiros e praticavam a sodomia. Al\u00e9m disso esta tradi\u00e7\u00e3o popular far\u00e1 mais finca-p\u00e9 sobre o aspecto social e colectivo do pecado e a sua forma de viol\u00eancia do que sobre o aspecto sexual.
A interven\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o em favor da cidade d\u00e1 lugar a uma admir\u00e1vel ora\u00e7\u00e3o de intercess\u00e3o, onde o respeito do homem para com Jav\u00e9 em nada diminui a sua inquebrant\u00e1vel confian\u00e7a, tanto para invocar a justi\u00e7a de Deus como para apelar \u00e0 sua miseric\u00f3rdia. {C}Abra\u00e3o aproximou-se e perguntou (a Jav\u00e9): \u00abDestruir\u00e1s o justo com o \u00edmpio? Talvez haja cinquenta justos na cidade! Destruir\u00e1s e n\u00e3o perdoar\u00e1s \u00e0 cidade pelos cinquenta justos que est\u00e3o no meio dela? Longe de Ti fazeres tal coisa: matar o justo com o \u00edmpio, de modo que o justo seja confundido com o \u00edmpio! Longe de Ti! Ser\u00e1 que o Juiz de toda a Terra n\u00e3o far\u00e1 justi\u00e7a?\u00bb Jav\u00e9 respondeu: \u00abSe Eu encontrar cinquenta justos na cidade de Sodoma, perdoarei \u00e0 cidade inteira por causa deles\u00bb{/} [Gn_18,23] - [Gn_18,26].
No entanto, todos os habitantes, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o de Lot, eram pecadores, e o castigo foi inevit\u00e1vel. {C}Ent\u00e3o Jav\u00e9 fez chover do c\u00e9u enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra; destruiu essas cidades e toda a plan\u00edcie, com os habitantes das cidades e a vegeta\u00e7\u00e3o da terra\u00bb{/} [Gn_19,24] - [Gn_19,25].
No livro de Ezequiel, a \u00e1gua viva que brota do Templo de Jerusal\u00e9m e desce para o vale converte-se em regato e depois em torrente de \u00e1gua viva que provoca a fecundidade e a vida precisamente no seio deste mar, que \u00e9 chamado \u00abmorto\u00bb. \u00abEssa \u00e1gua que corre para o lado oriental desce para a Arab\u00e1 e entra no mar. Ao entrar no mar, a sua \u00e1gua torna-se pot\u00e1vel. Por isso, em todo o lugar por onde passar a torrente, os seres vivos que o povoam ter\u00e3o vida. Haver\u00e1 abund\u00e2ncia de peixes, pois aonde quer que essa \u00e1gua chegue, ela levar\u00e1 vida em todo o lugar que a torrente atingir. Nas suas margens haver\u00e1 pescadores, e desde Engadi at\u00e9 En-Eglaim haver\u00e1 lugares para lan\u00e7ar as redes\u00bb [Ez_47,8] - [Ez_47,10].


{K}- OS NABATEUS{/}
Este povo que aparece na Hist\u00f3ria do Pr\u00f3ximo Oriente em finais do s\u00e9c. IV a.C. alcan\u00e7ar\u00e1 e manter\u00e1 durante bastante tempo um lugar preponderante na actividade comercial da zona com o tr\u00e1fico de seda, aromas e especiarias. Depois de ter percorrido durante largo tempo as rotas internacionais do Oriente com as suas caravanas, gra\u00e7as \u00e0 domestica\u00e7\u00e3o do camelo, e das pousadas equipadas com grandes cisternas no meio dos lugares semides\u00e9rticos, foram afastados do monop\u00f3lio comercial pela marinha romana, pelo que se viram obrigados a  retomar a agricultura. Depois de perder a independ\u00eancia sob o imp\u00e9rio de Trajano, ficaram submetidos desde ent\u00e3o \u00e0s vicissitudes de Roma e depois de Biz\u00e2ncio, e mais particularmente a prov\u00edncia da Ar\u00e1bia, \u00e0 qual ficou anexada esta regi\u00e3o do Negueb.
A domestica\u00e7\u00e3o do camelo era facto consumado, segundo parece, nos finais do II mil\u00e9nio a.C. Mas os Nabateus souberam tirar proveito, tamb\u00e9m, da excepcional capacidade deste animal em sobreviver largos dias sem alimento e sem \u00e1gua. Por outro lado, como perfeitos conhecedores do Negueb e experientes mestres na arte de construir cisternas, semearam com elas as suas rotas. Cavadas no solo em forma de sino, minuciosamente calafetadas, munidas de um orif\u00edcio estreito e bem dissimulado, estas cisternas, que podiam conter entre tr\u00eas mil e quatro mil metros c\u00fabicos de \u00e1gua, garantiam a vida e a actividade dos nabateus nesta regi\u00e3o de pluviosidade t\u00e3o diminuta.

{K}BOA E M\u00c1 SORTE{/}
Asseguraram bem depressa o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio das especiarias que provinham das \u00cdndias, o incenso e a mirra provenientes da Ar\u00e1bia, e tornaram-se os importadores para o Ocidente da seda trazida pelos mercadores chineses at\u00e9 \u00e0s fronteiras do reino Parto desde o s\u00e9c. II  a.C. no reinado dos Han. J\u00e1 no s\u00e9c. III, as caravanas que chegavam a Petra, a capital, seguiam uma rota que, por Avdat e Elusa, desembocava em Gaza, o seu principal centro portu\u00e1rio no Mediterr\u00e2neo. A rota para chegar a Jerusal\u00e9m partia de Elat, corria ao longo da Arab\u00e1 e passava depois por Mamshit e Hebron.
Esta actividade comercial fez a fortuna dos nabateus durante o s\u00e9c. II a.C.. Aproveitaram a decad\u00eancia dos reinos helenistas para organizar-se como Estado independente. Mas o saque de Gaza, levado a cabo por Alexandre Jamneu, produziu o estancamento desta prosperidade nos primeiros anos do s\u00e9culo seguinte, a qual s\u00f3 levantou a cabe\u00e7a nos dias de Herodes o Grande. Ant\u00edpatro, agindo em nome de Hircano II, j\u00e1 tinha estabelecido acordos com os nabateus, antes da chegada de Pompeu \u00e0 Palestina, e escolheu de entre eles a sua esposa Kypros. Quando, a seu tempo, Herodes se tornou senhor do Pa\u00eds e p\u00f4de estender a sua autoridade sobre a plan\u00edcie costeira, n\u00e3o vacilou em dar apoio aos comerciantes que faziam transitar as suas mercadorias pelos portos de Gaza, Haifa e Rinocolura: os impostos cobrados nesta ocasi\u00e3o seriam muito bem-vindos para a realiza\u00e7\u00e3o do seu ambicioso programa de constru\u00e7\u00e3o

{K}AS GRANDES CARAVANAS{/}
Era necess\u00e1rio assegurar a protec\u00e7\u00e3o das caravanas: quanto mais long\u00ednquo era o destino, tanto maiores eram os perigos. Desde que deixavam os centros povoados, ficavam expostas aos incontrol\u00e1veis bandos de assaltantes que continuamente as espiavam pelos valiosos carregamentos que transportavam. Por isso passaram rapidamente de estruturas artesanais a uma organiza\u00e7\u00e3o comercial de grande envergadura, que administrava as caravanas (homens, animais e os valiosos carregamentos), as escoltas de guardas e os diversos servi\u00e7os necess\u00e1rios para o aprovisionamento das colunas e a venda dos produtos transportados. Foi necess\u00e1rio construir estalagens ou pousadas, onde se podia pernoitar com toda a seguran\u00e7a, e fortins para vigiar os pontos de \u00e1gua que marcaram at\u00e9 aos nossos dias as rotas do deserto.
Este sistema econ\u00f3mico, de tipo \u00abcapitalista\u00bb, assegurar\u00e1 durante longo tempo a riqueza do reino nabateu e das suas grandes fam\u00edlias. Mas a hora do seu decl\u00ednio chegou. Depois da sua vit\u00f3ria naval sobre Ant\u00f3nio e Cle\u00f3patra, em \u00c1cio, Oct\u00e1vio, todo-poderoso em Roma, converteu-se em herdeiro do Egipto, e decidiu revitalizar a sua economia. Resolveu ent\u00e3o arrebatar aos nabateus o com\u00e9rcio do Oriente. Alguns anos depois, no reinado de Tib\u00e9rio (14-37), um marinheiro grego chamado H\u00edppalos descobriu os ciclos dos ventos chamados \u00abda mon\u00e7\u00e3o\u00bb: esta descoberta abriu a Roma uma nova rota mar\u00edtima que arruinou o com\u00e9rcio por caravana dos nabateus.
Durante este tempo as rela\u00e7\u00f5es entre a dinastia herodiana e os nabateus deterioraram-se notavelmente. Usando como pretexto o rep\u00fadio de que fora objecto sua filha, casada com Herodes Antipas, o rei Aretas iniciou uma campanha contra o indelicado genro, a quem infligiu uma severa derrota, aproveitando tamb\u00e9m para recuperar o norte da Transjord\u00e2nia que lhe havia sido arrebatada por Augusto.


{K}- CADES BARNE{/}
Eu avisei-vos, mas v\u00f3s n\u00e3o me ouvistes, revoltando-vos contra a ordem de Jav\u00e9... Por isso tivestes que ficar muito tempo a viver em Cades{/} [Dt_1,43] - [Dt_1,46].
Cades Barne foi uma etapa decisiva na rota do \u00caxodo: os filhos de Israel permaneceram ali durante muito tempo. Podemos imaginar a alegria daquela gente ao descobrir este o\u00e1sis na converg\u00eancia do deserto de Sin e do deserto de Far\u00e3, com as suas abundantes nascentes e reconfortante frescura, em vez de ter de percorrer os grandes e \u00e1ridos espa\u00e7os, calcinados pelo sol. N\u00e3o restou vest\u00edgio algum desta \u00e9poca do \u00caxodo, porque os israelitas ainda eram n\u00f3mades e serviam-se apenas de utens\u00edlios leves e f\u00e1ceis de transportar.
O nome Cades tem a sua origem na raiz hebraica \u00absantidade\u00bb. De facto, esta etapa da revela\u00e7\u00e3o divina encontra-se sob o signo do conflito e do castigo de Deus: uma gera\u00e7\u00e3o inteira perecer\u00e1 no deserto, pena tanto mais severa enquanto a crise se situa depois do acontecimento do Sinai, onde Deus manifestou o seu amor com o Dom da Lei.

{K}AS FORTALEZAS SOBREPOSTAS DE CADES BARNE{/}
Podemos observ\u00e1-las a partir dum miradouro instalado na rota israelita que corre ao longo da fronteira com o Egipto. Situadas muito perto da fonte de En-Qudeirat, ocupam um lugar estrat\u00e9gico no cruzamento das rotas de caravanas que os reis de Jud\u00e1 tinham que proteger, uma regi\u00e3o perfeitamente transit\u00e1vel, gra\u00e7as \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de terra\u00e7os sucessivos, muito pouco inclinados, sobre o declive. A \u00e1gua das chuvas, escassas mas violentas, podia deste modo infiltrar-se na terra e manter a humidade indispens\u00e1vel para a vegeta\u00e7\u00e3o, em vez de correr pelos declives e perder-se imediatamente nos oueds.
A primeira ocupa\u00e7\u00e3o do lugar pode ter acontecido no s\u00e9culo X a.C. Ent\u00e3o foi edificada uma fortaleza oval sobre a rocha, segundo o plano comum \u00e0s fortalezas do Negueb, constitu\u00edda por um p\u00e1tio central rodeado por um muro de casamatas. A oeste da fortaleza, alguns armaz\u00e9ns e um conjunto de constru\u00e7\u00f5es mais importantes devem ter servido como centro administrativo. Destru\u00edda como as outras cidades da regi\u00e3o durante a campanha do fara\u00f3 Sisac, esta cidade foi, sem d\u00favida, a \u00fanica que logrou levantar-se das suas cinzas.
No s\u00e9c. VIII a.C., no reinado de Azarias, rei de Jud\u00e1, foi edificada uma importante fortaleza com um plano totalmente novo. Destru\u00edda no s\u00e9culo VIII, foi reconstru\u00edda pelos rei Ozias de Jud\u00e1.

{K}A REVOLTA DE CADES{/}
Embora ao longo per\u00edodo da estada israelita n\u00e3o tenha deixado vest\u00edgios, o lugar \u00e9 rico em recorda\u00e7\u00f5es do \u00caxodo e da situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica gerada pela dura subida do deserto para a Terra Prometida.
Por ordem divina, Mois\u00e9s envia exploradores para ver o que era realmente o pa\u00eds de Cana\u00e3, objecto da Promessa. Ao regressarem, os exploradores trazem da regi\u00e3o de Hebron frutos maravilhosos, mas tamb\u00e9m m\u00e1s not\u00edcias acerca das cidades, muito grandes e fortificadas, e dos seus habitantes, da ra\u00e7a dos gigantes. O povo revolta-se...
Gra\u00e7as \u00e0 intercess\u00e3o de Mois\u00e9s, Deus aceita perdoar. Apesar disso, haver\u00e1 um castigo, proporcional \u00e0 falta cometida: \u00e0 excep\u00e7\u00e3o de Caleb e Josu\u00e9, que n\u00e3o desprezaram o pa\u00eds que Deus tinha escolhido para o seu povo, os emiss\u00e1rios morreram de repente na presen\u00e7a de Jav\u00e9 [Nm_14,37].
Apesar disso, a justi\u00e7a divina condenou a gera\u00e7\u00e3o infiel a morrer no deserto. A nova gera\u00e7\u00e3o, nascida no deserto, foi preservada, e representa todas as gera\u00e7\u00f5es do futuro que, com ela, nunca foram testemunhas dos acontecimento fundamentais do \u00caxodo.

{K}- CAMINHOS E FORTALEZAS{/}
Devido ao acidentado relevo da zona central do Negueb, nenhuma rota comercial internacional conseguia atravess\u00e1-lo em linha recta, a partir do golfo de Acab\u00e1. A Via Maris a leste, e o caminho real que corria ao longo do vale de Arab\u00e1 uniam-se mediante uma rede de caminhos secund\u00e1rios. Gra\u00e7as aos relatos b\u00edblicos e aos marcos que representam os vest\u00edgios das fortalezas, \u00e9 poss\u00edvel reconstruir imaginariamente o tra\u00e7ado dos primeiros caminhos percorridos pelos israelitas \u00e0 sa\u00edda do Sinai.

{K}O CAMINHO DOS ATARIM{/}
Deu-se-lhe este nome em virtude do relato dos exploradores que Mois\u00e9s enviou a partir de Cades Barne, para reconhecerem o pa\u00eds de Cana\u00e3. \u00c9 o principal caminho que une Cades a Arad. Na \u00e9poca da monarquia, constru\u00edram nesta rota algumas fortalezas e albergarias: todas foram colocadas nos lugares estrat\u00e9gicos e perto dos pontos de \u00e1gua.

{K}A ROTA DE EDOM{/}
Partia de Arad, estendia-se pela parte sul do Mar Morto e a montanha de Sodoma, para depois chegar a Tomar; ali confundia-se com o caminho transversal chamado de Arab\u00e1.

{K}A ROTA DE SHUR{/}
Esta rota partia de Bersabeia, atravessava as regi\u00f5es de Elusa, Nizzana, Cades Barne e o Sinai, at\u00e9 ao actual porto eg\u00edpcio de Isma\u00edlia.

{K}A ROTA DE ARAB\u00c1{/}
Depois de percorrer a regi\u00e3o setentrional do Sinai, passava por Cades, bordejava o Maitesh-Ram\u00f3n pelo norte, n\u00e3o sem antes atingir as alturas de Obot (ou Hazeb\u00e1), ao sul do Mar Morto, para finalmente chegar a Puni\u00e3o, na Jord\u00e2nia.

{K}A ROTA DOS AMORITAS (OU AMORREUS){/}
Este  povo habitava, no III mil\u00e9nio, ao norte da S\u00edria e da Mesopot\u00e2mia. Instalou-se mais tarde na parte norte do Negueb. Deles tomou o nome a rota que unia Cades Barne ao sul da Arab\u00e1.
Com os Nabateus, o Negueb foi sulcado por uma rede de caminhos de caravana, reutilizados mais tarde pelos romanos. Um partia de Petra, a capital do reino nabateu, para se dirigir a Gaza. Outro, partindo de Elat, percorria a Arab\u00e1 at\u00e9 Obot, para depois chegar a Mamshit, pela Subida dos Escorpi\u00f5es (Maale Aqrabbim). Em Mamshit bifurcava-se: para leste, para chegar a Bersabeia; e para norte, para alcan\u00e7ar Jerusal\u00e9m, via Hebron.

{K}A SUBIDA DOS ESCORPI\u00d5ES{/}
\u00c9 citada na B\u00edblia para designar o limite sul das fronteiras de Cana\u00e3. Jav\u00e9 falou a Mois\u00e9s e disse-lhe: Ordena aos filhos de Israel: Quando entrardes na terra de Cana\u00e3, estareis na terra que vos cabe como heran\u00e7a: a terra de Cana\u00e3 com as suas fronteiras. A fronteira ao sul ser\u00e1 o deserto de Sin e Edom. O limite sul come\u00e7ar\u00e1 na extremidade do Mar Morto, a oriente. Depois voltar\u00e1 para o sul, em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Subida dos Escorpi\u00f5es, passar\u00e1 por Sin e chegar\u00e1 a Cades Barne [Nm_34,1] - [Nm_34,4] 
Por este caminho que sobe aos ziguezagues sempre rodeado de pedras triangulares-balizas que datam da \u00e9poca romana, e que depois desce em Mamshit, pode ver-se o Maitesh Haqatan, ou seja, o pequeno maitesh, cujas dimens\u00f5es e forma redonda permitem abarcar o seu conjunto: aqui pode compreender-se, melhor que em qualquer outro s\u00edtio, o fen\u00f3meno geol\u00f3gico que deu origem a estas cavidades.
Depois de 38 anos de lenta viagem pelo deserto, Mois\u00e9s d\u00e1 ao povo a ordem de recome\u00e7ar  a marcha para a Terra Prometida; mas Edom, que ocupa a parte norte do Negueb at\u00e9 Nahal Tsin, na Subida dos Escorpi\u00f5es, impede-lhes a passagem. Israel v\u00ea-se for\u00e7ado a ladear o territ\u00f3rio edomita, passando ao largo do vale de Nahal Tsin, para alcan\u00e7ar a Transjord\u00e2nia, depois de haver cruzado a Arab\u00e1: {C}A comunidade dos filhos de Israel levantou acampamento em Cades e chegou ao monte Hor{/} [Nm_20,22]. {C}Aar\u00e3o morreu ali, no alto do monte{/} [Nm_20,28].
Devido \u00e0 obscuridade do texto, para al\u00e9m das suas contradi\u00e7\u00f5es, \u00e9 bastante dif\u00edcil, sen\u00e3o imposs\u00edvel, seguir literalmente as indica\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas que os relatos b\u00edblicos apresentam; por isso qualquer tra\u00e7ado de rotas ou caminhos do \u00caxodo implica apenas aproxima\u00e7\u00f5es, que porventura vir\u00e3o a confirmar-se ou a refutar-se conforme progridam as escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas.

{K}- ASION GABER{/}
Elat e Asiongaber s\u00e3o mencionadas lado a lado na B\u00edblia como etapas do \u00caxodo em [Dt_2,8]. No entanto, n\u00e3o se encontraram ali vest\u00edgios anteriores \u00e0 \u00e9poca da entrada das tribos em Cana\u00e3. Situadas no golfo de Aqaba, na foz do Mar Vermelho, eram a porta de acesso para a Ar\u00e1bia, a \u00c1frica e as \u00cdndias. O s\u00edtio de Asiongaber \u00e9 identificado com Tell-en-Kheleifech entre as actuais cidades de Aqaba na Jord\u00e2nia e de Elat em Israel.

{K}UM ESTALEIRO NO MAR VERMELHO{/}
O rei Salom\u00e3o construiu uma frota em Asiongaber, perto de Elat, nas margens do Mar Vermelho, no pa\u00eds de Edom{/} [1Rs_9,26]. Sonhando com as fabulosas riquezas do pa\u00eds de Ofir, Salom\u00e3o arma uma frota com a colabora\u00e7\u00e3o de Hiram, rei de Tiro, que lhe fornece tamb\u00e9m uma tripula\u00e7\u00e3o experimentada. Gra\u00e7as a essas grandes expedi\u00e7\u00f5es \u00e0 Ar\u00e1bia Feliz, os barcos de Hiram e de Salom\u00e3o regressavam carregados de ouro, prata, marfim, macacos e pav\u00f5es [1Rs_10,20], e ainda madeira de {C}algumim,{/} madeira de s\u00e2ndalo das \u00cdndias, perfumes e pedras preciosas. Estas expedi\u00e7\u00f5es fabulosas correspondiam a uma \u00e9poca de prosperidade econ\u00f3mica e de expans\u00e3o. Sem d\u00favida, embora a sabedoria do rei  ultrapassasse a sua magnific\u00eancia, o povo, esmagado pelos impostos devido \u00e0s suas grandiosas realiza\u00e7\u00f5es, preparava j\u00e1 o clima que iria separar, depois da sua morte, o reino unificado por David. 
Salom\u00e3o mandou construir tamb\u00e9m uma fortaleza em Asiongaber, para assegurar a protec\u00e7\u00e3o de porto t\u00e3o importante, separado de Jerusal\u00e9m por um vasto deserto, ficando por isso resguardado o centro que impulsionava as suas transac\u00e7\u00f5es comerciais.
Destru\u00edda por Sisac, a fortaleza foi reconstru\u00edda no s\u00e9c. IX a.C. por Josaf\u00e1, rei de Jud\u00e1, que tamb\u00e9m construiu {N}barcos{/} de{N}{/} para ir a Ofir em busca de ouro. Mas os barcos foram destru\u00eddos em Asiongaber, e assim a viagem fracassou [1Rs_22,49]. Provavelmente a trag\u00e9dia deveu-se aos ventos fort\u00edssimos que se precipitavam atrav\u00e9s do vale da Arab\u00e1. Depois deste naufr\u00e1gio, n\u00e3o se falou mais na B\u00edblia desta cidade-fortaleza que mudou v\u00e1rias vezes de dono, conforme foi conquistada por Edom ou por Jud\u00e1, quando algum deles conseguia o dom\u00ednio temporal do Negueb. Apesar disso, as rela\u00e7\u00f5es comerciais com a Ar\u00e1bia n\u00e3o cessaram.


{K}- TIMNA{/}
Antes de nos debru\u00e7armos sobre alguns per\u00edodos decisivos da aventura humana, como o aparecimento da metalurgia nos finais da pr\u00e9-hist\u00f3ria, e a expans\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia no Pr\u00f3ximo Oriente, o lugar de Timna, a 25 km. a norte de Elat, recorda-nos outra aventura: a da nossa Terra. Desde o seu nascimento, h\u00e1 mais de quatro mil milh\u00f5es e meio de anos, n\u00e3o deixou de transformar-se nem deixou de permitir o aparecimento e a diversifica\u00e7\u00e3o da vida, isto h\u00e1 cerca de tr\u00eas mil milh\u00f5es de anos

{K}UM HINO \u00c0 CRIA\u00c7\u00c3O{/}
O admir\u00e1vel poema por meio do qual Deus interroga Job, canta a riqueza insond\u00e1vel de um Universo que n\u00e3o cessa de deslumbrar e de questionar o homem. Neste sentido, o lugar de Timna permite-nos contemplar toda a beleza deste Universo criado por Deus.
{C}Onde \u00e9 que tu estavas quando Eu lancei os fundamentos da Terra?
Sabes quem fixou as dimens\u00f5es da Terra?
Quem a mediu com a r\u00e9gua?
Onde se encaixam as suas bases,
ou quem foi que assentou a sua pedra angular
enquanto os astros da manh\u00e3 aclamavam
e todos os filhos de Deus aplaudiam?{/} [Job_38,4] - [Job_38,7]

{K}UMA GEOLOGIA ADMIR\u00c1VEL{/}
No centro do semic\u00edrculo que as colinas de Timna formam, o monte desse nome levanta-se como testemunha desse tempo primordial onde o oxig\u00e9nio, que enriquecia progressivamente a atmosfera, favorecia o aparecimento de algas de revestimento calc\u00e1rio, seguidas de medusas e vermes. Da\u00ed passou-se ao Pr\u00e9-C\u00e2mbrico, h\u00e1 uns dois mil milh\u00f5es de anos. As anf\u00edbolas que entram na composi\u00e7\u00e3o das rochas d\u00e3o ao ma\u00e7i\u00e7o a sua cor verde escura, ao passo que o metamorfismo que o magma original conheceu e que emergia aqui para a superf\u00edcie do globo indica a sua antiguidade, porque este lento processo desenvolveu-se ao longo de milh\u00f5es de anos. Diante de Timna, mais do que em nenhum outro lugar, a palavra do salmo convida-nos a tomar consci\u00eancia da mod\u00e9stia da nossa condi\u00e7\u00e3o: {C}Mil anos s\u00e3o aos teus olhos como o dia de ontem, que passou, uma vig\u00edlia dentro da noite{/} [Sl_90,4]... {C}Para o Senhor, um dia \u00e9 como mil anos, e mil anos s\u00e3o como um dia{/} [2Pd_3,8].
A longa sucess\u00e3o de montanhas semicirculares que tapam o horizonte para oeste \u00e9 muito mais recente, pois os gr\u00e3os das suas areias est\u00e3o cimentados, consolidando as rochas sedimentares de origem marinha. Isto faz com que se torne contempor\u00e2neo da vida animal para conquistar a terra firme, libertando-se do meio aqu\u00e1tico no qual se encontrava nos in\u00edcios da era prim\u00e1ria.
Escalando as vertentes da cordilheira, \u00e9 como volt\u00e1ssemos milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, pois os diferentes estratos calc\u00e1rios, greda e dolomites formaram-se quando os grandes r\u00e9pteis, de nomes famosos como o diplodoco, o tiranosauro, o brontosauro e outros dinoss\u00e1urios dominavam pelo seu grande tamanho quaisquer outros seres vivos. No entanto, nos finais da era secund\u00e1ria um arrefecimento generalizado apoderou-se do planeta: os grandes r\u00e9pteis desapareceram, ao mesmo tempo que os calc\u00e1rios marinhos recobriam como uma capa as rochas mais antigas das montanhas.
Teve de passar muito tempo antes que o manto terrestre se abrisse; a placa africana e a placa ar\u00e1bica come\u00e7am um dia a distanciar-se: a primeira come\u00e7ou a deslizar para o sul afastando-se da sua vizinha, ao passo que a segunda se dirigiu para o norte, rodando em sentido inverso aos ponteiros do rel\u00f3gio.
Pode compreender-se facilmente que o lugar de Timna, que se encontrava a oeste, nas margens desta falha em forma\u00e7\u00e3o, tenha sofrido as consequ\u00eancias desse movimento tect\u00f3nico, cujas cicatrizes ainda hoje se vislumbram. As c\u00e9lebres {C}colunas de Salom\u00e3o{/} n\u00e3o s\u00e3o nada mais que o resultado da eros\u00e3o que esculpiu o estrato de areia gra\u00e7as \u00e0 sua friabilidade.

{K}A AURORA DA METALURGIA{/}
A prata tem as suas minas,
E o ouro tem o lugar onde \u00e9 refinado.
O ferro \u00e9 extra\u00eddo da terra,
E ao fundir-se a pedra, dela sai o bronze.
O homem p\u00f5e limite{/} \u00e0s {C}trevas,
E explora at\u00e9 ao extremo limite as grutas mais sombrias{/} [Job_28,1] - [Job_28,3].
\u00c9 muito prov\u00e1vel que o livro de Job fa\u00e7a aqui refer\u00eancia \u00e0s minas de Timna, as mais importantes juntamente com as do Sinai, na altura em que o autor comp\u00f5e o seu poema. Estas minas, conhecidas noutro tempo por \u00abMinas de Salom\u00e3o, eram j\u00e1 exploradas muito antes que ele reinasse, no IV mil\u00e9nio a.C. Muito antes da \u00e9poca israelita os fara\u00f3s tinham enviado expedi\u00e7\u00f5es \u00e0 Arab\u00e1. Valeram-se da experi\u00eancia e m\u00e3o de obra locais, servindo-se dos madianitas, quenitas e amalecitas. Pode pensar-se que a afirma\u00e7\u00e3o do G\u00e9nesis a respeito da descend\u00eancia de Caim, cujo filho \u00e9 o que forja toda a esp\u00e9cie de ferramentas em cobre e ferro (Gn 4,22) se tenha feito eco desta situa\u00e7\u00e3o.
O lugar foi explorado novamente no per\u00edodo romano-bizantino, nos s\u00e9culos II e III d.C. O mineral, depois de extra\u00eddo, era transportado para o sul de Timna, para as f\u00e1bricas de cobre de Beer Ar\u00e1.

{K}AS PRIMEIRAS MINAS{/}
No IV mil\u00e9nio a.C., sem d\u00favida, depois de v\u00e1rias tentativas, muitas delas decepcionantes, o homem desta regi\u00e3o do Negueb adquiriu uma verdadeira compet\u00eancia na extrac\u00e7\u00e3o e na metalurgia do cobre. Aqui o seu trabalho est\u00e1 vem vis\u00edvel no solo: podem ver-se ainda as entradas das cavidades que davam acesso \u00e0s galerias subterr\u00e2neas escavadas em v\u00e1rios estratos, muitas das quais ainda s\u00e3o transit\u00e1veis. \u00c0 superf\u00edcie \u00e9 poss\u00edvel encontrar pequenos restos de min\u00e9rio de uma cor verde bastante significativa. Provavelmente os primeiros utens\u00edlios foram de diorite, mas o r\u00e1pido progresso das t\u00e9cnicas permitiram substitu\u00ed-los por brocas e picaretas de metal.
\u00c9 dif\u00edcil fazer uma ideia exacta das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e do status social dos mineiros. Num primeiro tempo, ao que parece, o trabalho do cobre foi a actividade privilegiada de alguns cl\u00e3s onde havia algu\u00e9m que fornecia a sua per\u00edcia sem preju\u00edzo das rela\u00e7\u00f5es sociais tradicionais. Mas, com as expedi\u00e7\u00f5es eg\u00edpcias, a popula\u00e7\u00e3o local deve ter conhecido o peso dos colonizadores. De facto, sabe-se que no antigo Egipto, as minas, os estaleiros e o com\u00e9rcio externo se encontravam sob a directa autoridade do fara\u00f3, o qual era o \u00fanico beneficiado. Desde ent\u00e3o os mineiros foram reduzidos \u00e0 escravid\u00e3o, e fechados naquele c\u00edrculo natural, onde eram vigiados pelas guarni\u00e7\u00f5es de fortes constru\u00eddos ao seu redor.
Os desenhos na rocha, descobertos um pouco mais ao norte das minas, mostram soldados eg\u00edpcios armados e montados em carros puxados por bois: \u00e9 poss\u00edvel imaginar que estes homens estavam encarregados de garantir a seguran\u00e7a do transporte do min\u00e9rio, e tamb\u00e9m assegurar a rentabilidade. Um grupo de n\u00f3madas com arcos e punhais encontra-se l\u00e1, provavelmente para insinuar os perigos que amea\u00e7avam os mineiros e o bom funcionamento da empresa.

{K}AS INSTALA\u00c7\u00d5ES DAS MINAS{/}
Duas instala\u00e7\u00f5es importantes d\u00e3o-nos uma ideia da vida dos mineiros. A que est\u00e1 mais ao norte \u00e9, sem d\u00favida, um pouco mais antiga que a do sul. Deve ter pertencido a cl\u00e3s quenitas e madianitas. Dois p\u00e1tios est\u00e3o rodeados de v\u00e1rias casas; estas serviam para armazenar os min\u00e9rios e guardar as ferramentas. No meio do p\u00e1tio, uma \u00e1rea permitia moer o min\u00e9rio para facilitar a fundi\u00e7\u00e3o, juntando-lhe \u00f3xidos de ferro e de mangan\u00e9sio antes de o colocar nos fornos instalados a oeste dos dois p\u00e1tios. Um recinto sagrado, com altar e banquetas destinadas a receber as oferendas estava situado ao sul do recinto.
O segundo conjunto remonta ao per\u00edodo eg\u00edpcio. Encontra-se instalado sobre uma pequena colina, a leste das minas. Se o volume das esc\u00f3rias encontradas sobre a colina \u00e9 suficiente para conhecer a import\u00e2ncia da empresa, um texto de Ben Sir\u00e1 evoca muito bem a penosa condi\u00e7\u00e3o do ferreiro: {C}Da mesma forma, o ferreiro senta-se diante da bigorna e entrega-se a trabalhar o ferro: a chama de fogo seca-lhe a carne, e debate-se com o calor da forja; o barulho do martelo ensurdece-o{/} [Ecl_38,28].

{K}A SERPENTE DE BRONZE{/}
Perto dali, no templo de Hator, descobriu-se uma serpente de cobre com a cabe\u00e7a dourada, que leva a pensar no epis\u00f3dio b\u00edblico de Mois\u00e9s e a Serpente de Bronze.
{C}Mois\u00e9s suplicou a Jav\u00e9 pelo povo. E Jav\u00e9 respondeu-lhe: \u00abFaz uma serpente venenosa e coloca-a sobre um poste; quem for mordido e olhar para ela, ficar\u00e1 curado\u00bb. Ent\u00e3o Mois\u00e9s fez uma serpente de bronze e colocou-a no alto de um poste. Quando algu\u00e9m era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado{/} [Nm_21,4] - [Nm_21,9].
