{N}JUDEIA{/}

A utiliza\u00e7\u00e3o deste termo aparece apenas nos textos posteriores ao Ex\u00edlio 
(Tobias, Judite, Macabeus, Daniel e mais tarde, por certo, no Novo 
Testamento). \u00c9 evidente, al\u00e9m do mais, que por tr\u00e1s deste termo est\u00e1 o 
nome de Jud\u00e1. Logo a partir do cativeiro na Babil\u00f3nia foi atribu\u00eddo o 
nome de Judeia \u00e0 parte meridional da Palestina, compreendida entre o Mar 
Morto e o Mediterr\u00e2neo, o que corresponde pouco mais ou menos ao antigo 
reino de Jud\u00e1. As fronteiras, no entanto, n\u00e3o coincidem exactamente 
devido \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es causadas por alian\u00e7as e invas\u00f5es.
Devido \u00e0 escolha de David e da cidade de Jerusal\u00e9m por Deus [1Rs_11,13] 
esta regi\u00e3o meridional da Palestina passou a ser o cora\u00e7\u00e3o de Israel. 
{K}UMA REGI\u00c3O IRREGULAR{/}

De Este a Oeste, o maci\u00e7o da Judeia subdivide-se em tr\u00eas regi\u00f5es 
totalmente diferentes:
A regi\u00e3o ocidental da Sefel\u00e1, junto da montanha, apresenta uma paisagem 
de colinas baixas e arredondadas com grandes vales pr\u00f3prios para a 
agricultura. 
A montanha propriamente dita, que atinge mais de mil metros, estende-se 
ao longo de 40 quil\u00f3metros, desde Bel\u00e9m a Bersabeia. \u00c9 constitu\u00edda por 
mesetas calc\u00e1rias e rochosas nas quais se encaixam os {N}wadis.{/} Sobre as 
vertentes mais bem situadas ficam de forma escalonada as culturas de 
cereais, as videiras, as oliveiras e as figueiras. Quanto a Jerusal\u00e9m 
situa-se a norte desta crista montanhosa, n\u00e3o longe da fronteira que, na 
\u00e9poca b\u00edblica, separava a tribo de Jud\u00e1 da de Benjamim. Os profundos 
vales que cortam a Judeia de este para oeste, facilitam a passagem entre 
a plan\u00edcie costeira e o vale do Jord\u00e3o. 
Mas esta regi\u00e3o possui tamb\u00e9m o seu pr\u00f3prio deserto: o deserto de Jud\u00e1 
que come\u00e7a \u00e0s portas de Jerusal\u00e9m e desce gradualmente at\u00e9 ao vale do 
Jord\u00e3o e ao Mar Morto num declive de 1400 metros. Sobre esta vertente, a 
pluviosidade diminui e as \u00e1rvores tornam-se cada vez mais escassas. Aqui 
encontramo-nos nos dom\u00ednios dos pastores cujas ovelhas e cabras procuram 
arrancar \u00e0s colinas, durante grande parte do ano, a magra capa de erva. 
{K}UMA ORIGEM INCERTA{/}

O nome de Jud\u00e1 parece de origem mais geogr\u00e1fica que hist\u00f3rica, ao 
contr\u00e1rio de Neftali ou de Efraim. De facto, os textos mais antigos da 
B\u00edblia omitem a tribo de Jud\u00e1. Mencionam, em contrapartida, os diversos 
cl\u00e3s que mais tarde a constituir\u00e3o: os quenizitas, e entre eles os filhos 
de {N}Caleb{/} e os de {N}Otoniel{/}, os {N}Jeraimeelitas{/}, ou mais ainda os cl\u00e3s 
de Fares, Sela e Zera. Trata-se, portanto, de todo um mosaico de cl\u00e3s 
n\u00f3madas que, encontrando a unidade sob o bast\u00e3o de David, tomar\u00e3o o nome 
da regi\u00e3o que ocupam: o sul da Palestina.
De acordo com os costumes das sociedades de tradi\u00e7\u00e3o oral, e para marcar 
a perten\u00e7a desta tribo ao povo de Israel, ser-lhe-\u00e1 atribu\u00edda uma origem 
entre os filhos de Jacob, e a sua m\u00e3e ser\u00e1 Lia, a esposa desprezada, mas 
aben\u00e7oada por Deus. 
Com efeito, o texto do G\u00e9nesis afirma: Vendo que Lia era desprezada, Jav\u00e9 
tornou-a fecunda, enquanto que Raquel permanecia est\u00e9ril. {C}Lia concebeu 
pela quarta vez e deu \u00e0 luz um filho e disse: \u00abDesta vez dou gra\u00e7as a 
Jav\u00e9\u00bb. E por isso, p\u00f4s-lhe o nome de Jud\u00e1. Depois deixou de ter filhos{/} 
[Gn_29,31] - [Gn_29,35].
{K}ABEN\u00c7OADA PELO PATRIARCA{/}

Sentindo aproximar-se a morte, Jacob chamou os seus filhos. Depois de ter 
aben\u00e7oado os tr\u00eas primeiros, voltou-se para Jud\u00e1, dizendo: {C}\u00abA ti Jud\u00e1, 
teus irm\u00e3os prestar\u00e3o homenagem. A tua m\u00e3o far\u00e1 dobrar o pesco\u00e7o dos teus 
inimigos, e diante de ti se prostrar\u00e3o os filhos de teu pai. Jud\u00e1 \u00e9 um 
le\u00e3ozinho. Voltaste da ca\u00e7ada, meu filho; agacha-te e deita-te como le\u00e3o 
e como leoa. Quem se atreve a desafi\u00e1-lo? O ceptro n\u00e3o se afastar\u00e1 de 
Jud\u00e1, nem o bast\u00e3o de comando do meio dos seus p\u00e9s, at\u00e9 que o tributo lhe 
seja trazido e os povos lhe obede\u00e7am. Ele prende o seu jumentinho \u00e0 
vinha, e a cria de jumenta perto da videira. Lava a roupa no vinho e o 
manto no sangue das uvas\u00bb{/} [Gn_49,8] - [Gn_49,12].
Podemos reconhecer sem dificuldade nestes vers\u00edculos a obra dos escribas 
da dinastia real de Jerusal\u00e9m. Por acaso n\u00e3o foi David o \u00fanico a 
conseguir impor-se a todas as tribos de Israel?
Mas por detr\u00e1s de David j\u00e1 se antev\u00ea a imagem de outro rei: um rei 
segundo o cora\u00e7\u00e3o de Deus, que descer\u00e1 o Monte das Oliveiras montado num 
burrinho, um rei a que todos os povos da terra se submeter\u00e3o. Os seus 
vestidos ser\u00e3o manchados pelo seu pr\u00f3prio sangue [Is_63,1] - [Is_63,3], 
para que, pelo vinho da Alian\u00e7a Nova e Eterna, todas as na\u00e7\u00f5es se 
reconciliem definitivamente com Deus. 
{K}- BET\u00c2NIA{/}

Sobre a encosta oriental do Monte das Oliveiras, a aldeia de Bet\u00e2nia 
ergue-se sobre a paisagem austera das colinas de Jud\u00e1, que descem at\u00e9 ao 
Jord\u00e3o. No horizonte avistam-se os Montes Moab. Nesta aldeia situada 
{C}perto de Jerusal\u00e9m a uma dist\u00e2ncia de quinze est\u00e1dios{/} [Jo_11,18], quer 
dizer, um pouco mais de 2 km, o evangelho de Jo\u00e3o localiza a ressurrei\u00e7\u00e3o 
de L\u00e1zaro que, al\u00e9m disso, deu o seu nome \u00e0 actual povoa\u00e7\u00e3o \u00e1rabe de El-
Lazarieh.
O lugar era familiar para Jesus. A casa de {N}L\u00e1zaro{/} e das suas duas 
irm\u00e3s, Marta e Maria, foi para Ele um remanso de paz e amizade. Al\u00e9m do 
mais, ficou c\u00e9lebre por ser o cen\u00e1rio onde Jesus realiza o extraordin\u00e1rio 
sinal de devolver \u00e0 vida L\u00e1zaro, de acordo com o relato de Jo\u00e3o no 
cap\u00edtulo 11 do seu Evangelho, anunciando assim pela \u00faltima vez o mist\u00e9rio 
da sua Paix\u00e3o e Ressurrei\u00e7\u00e3o.
Pelo caminho que desce da antiga aldeia para o oriente, encontram-se 
alinhados os t\u00famulos anteriores \u00e0 ru\u00edna de Jerusal\u00e9m no ano 70, entre os 
quais est\u00e1 o t\u00famulo  de L\u00e1zaro. 
O t\u00famulo, chamado de L\u00e1zaro, encontra-se actualmente encimado por um 
minarete. Cavado na rocha, \u00e9 formado por um vest\u00edbulo e uma c\u00e2mara 
funer\u00e1ria que se encontra tr\u00eas degraus mais abaixo. Desde o s\u00e9culo III 
que os testemunhos referentes ao t\u00famulo de L\u00e1zaro s\u00e3o numerosos. Entre 
eles encontra-se o do pr\u00f3prio Or\u00edgenes (118-254 d.C. ). Por meio de 
v\u00e1rias narrativas de viagem dos peregrinos do s\u00e9culo IV, pode-se 
verificar que anteriormente tinha sido constru\u00eddo um santu\u00e1rio com \u00e1trio 
sobre o t\u00famulo entre 330 e 390 d. C.
Recordemos aqui tamb\u00e9m a un\u00e7\u00e3o de {N}Maria{/}, que derramou sobre os p\u00e9s de 
Jesus uma libra de um fino e car\u00edssimo perfume [Jo_12,1] - [Jo_12,11], 
gesto prof\u00e9tico que, dias antes da P\u00e1scoa, antecipava o enterro de Jesus.
{K}- BEL\u00c9M{/}

Jesus nasceu em Bel\u00e9m de Jud\u00e1, no tempo do rei Herodes.{/} [Mt_2,1], Cidade 
do Messias Salvador, mas tamb\u00e9m cidade de David, o rei pastor, e da sua 
antepassada Rute, a moabita, Bel\u00e9m (em  hebreu  Beithlehem) deve o seu 
nome provavelmente a uma velha divindade ass\u00edria, o deus Lahamu (hebr.: 
beith/casa, quer dizer Casa de Lahamu). Mas na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, devido a 
uma etimologia popular aproximativa,  ficar\u00e1 como \u00aba Casa do P\u00e3o\u00bb (hebr: 
beith-/casa; l\u00e9jem/p\u00e3o). Por acaso n\u00e3o \u00e9 Jesus{C} o P\u00e3o vivo que desceu do 
c\u00e9u?{/} [Jo_6,51]. 
Bel\u00e9m encontra-se a sete quil\u00f3metros ao sul de Jerusal\u00e9m, a uns 
oitocentos metros de altitude sobre os montes de Jud\u00e1. Teve uma 
import\u00e2ncia estrat\u00e9gica desde a antiguidade, por causa da sua situa\u00e7\u00e3o, 
j\u00e1 que estava na rota das caravanas que se dirigiam de Jerusal\u00e9m para o 
Egipto, via Hebron. Desde a Idade da Pedra que o homem se estabeleceu a\u00ed. 
De acordo com o livro das Cr\u00f3nicas [2Cr_11,6] a aldeia teria sido 
fortificada por Robo\u00e3o depois de uma ocupa\u00e7\u00e3o filisteia.
Ber\u00e7o da dinastia dav\u00eddica, esta aldeia humilde nunca teria alcan\u00e7ado tal 
celebridade se Jesus, descendente de David, n\u00e3o tivesse nascido ali. \u00c9 
precisamente nesta pequena aldeia que, retrocedendo no tempo, nos 
encontramos inicialmente com David e com a sua antepassada, Rute, a 
moabita.
{K}RUTE{/}

O livro de Rute \u00e9 um aut\u00eantico quadro de virtudes familiares. Que lufada 
de ar fresco, afecto e ternura num momento em que o leitor fica 
frequentemente desconcertado pelos relatos violentos do livro dos Ju\u00edzes 
ou dos livros de Samuel! Rute a estrangeira, esposa de Booz, senhor do 
campo onde ela ia respigar. Desta uni\u00e3o ir\u00e1 nascer Obed, o pai de Jess\u00e9 
que gerar\u00e1 David. 
{K}DAVID{/}

Por acaso Deus n\u00e3o tinha feito saber aos filhos de Israel, de v\u00e1rias 
maneiras, que os seus pensamentos n\u00e3o eram os d'Ele e que os seus 
caminhos n\u00e3o eram os caminhos d'Ele? [Is_55,8]? E eis que novamente em 
Bel\u00e9m, Deus escolhe um desconhecido para fazer dele o rei do seu povo: o 
pequeno pastor preferido em vez dos seus irm\u00e3os [1Sm_16,1]. 
{K}A PROFECIA DE MIQUEIAS{/}

Bel\u00e9m recorda-nos tamb\u00e9m a profecia de Miqueias, que ainda espera um 
Messias, novo David, sa\u00eddo tamb\u00e9m de Bel\u00e9m: {C}Mas tu, Bel\u00e9m de \u00c9frata, t\u00e3o 
pequena entre as principais cidades de Jud\u00e1! \u00c9 de ti que sair\u00e1 para Mim 
Aquele que h\u00e1-de ser o chefe de Israel!. Ele mesmo ser\u00e1 a tua paz{/} 
[Mq_5,1] - [Mq_5,4].
\u00c9 nesta pequena aldeia de Jud\u00e1, que o povo de Israel espera com o seu 
profeta o nascimento do descendente de David, aquele que h\u00e1-de vir 
trazer-lhe a salva\u00e7\u00e3o t\u00e3o esperada.
{K}JESUS NASCEU DE FACTO EM BEL\u00c9M?{/}

Entre aqueles a quem o Evangelho desconcerta, \u00e9 quase uma moda aduzir que 
n\u00e3o se sabe nada do nascimento de Jesus e que se falou de Bel\u00e9m como 
lugar do seu nascimento apenas porque se pensa que o Messias, portanto o 
"Filho de David" e por conseguinte descendente de David, era de Bel\u00e9m e 
portanto nascido em Bel\u00e9m. Nunca foi descoberto nenhum argumento contra o 
testemunho dos Evangelhos e, como escreveu Joaquim Jeremias, a prova 
compete \u00e0quele que nega o testemunho, n\u00e3o \u00e0quele que o aceita. Al\u00e9m 
disso, ao testemunho das Escrituras juntam-se muitos outros. 
Em 135, Bel\u00e9m \u00e9 ocupada por uma legi\u00e3o romana que manda matar os \u00faltimos 
insurgentes sublevados por Bar Kochba. Nessa \u00e9poca o imperador Adriano, 
que tratava com o mesmo desprezo o juda\u00edsmo e o cristianismo, fez contra 
a Igreja o mesmo que fez contra a Sinagoga. 
Em Mambr\u00e9 transformou o lugar que guardava a mem\u00f3ria de {N}Abra\u00e3o{/}, num 
mercado onde eram vendidos os judeus reduzidos \u00e0 escravid\u00e3o. Em Bel\u00e9m, 
rodeou a gruta com um bosque sagrado em honra de Tammuz, o Ad\u00f3nis dos 
gregos, cujo culto vir\u00e1 a ser celebrado no interior da mesma gruta. Isto 
mostra-nos que a autenticidade da gruta era reconhecida pela mais antiga 
tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3.
No in\u00edcio do s\u00e9culo III, o cristianismo est\u00e1 em plena expans\u00e3o e Bel\u00e9m 
atrai cada vez maior quantidade de peregrinos. Em 326, Santa Helena, a 
m\u00e3e de Constantino, o imperador que se converteu ao cristianismo, 
impulsiona os trabalhos de constru\u00e7\u00e3o de uma enorme bas\u00edlica de cinco 
naves, precedida de um grande \u00e1trio.
{K}A GRUTA{/}

Debaixo da bas\u00edlica encontra-se a gruta da Natividade, chegando-se a ela 
atrav\u00e9s de uma escadaria constru\u00edda \u00e0 direita do coro. Cada cavidade da 
gruta foi conhecendo no decorrer do tempo denomina\u00e7\u00f5es, destinos e 
modifica\u00e7\u00f5es v\u00e1rias. S\u00e3o Jer\u00f3nimo aqui ter\u00e1 trabalhado, na sua tradu\u00e7\u00e3o 
da B\u00edblia para o latim, instalando-se numa gruta pr\u00f3xima. N\u00e3o nos podemos 
esquecer de que na \u00e9poca de Jesus estas grutas estavam em pleno centro da 
cidade de Bel\u00e9m. Do mesmo modo que em Nazar\u00e9 e em muitos outros lugares 
da Palestina, muitas casas eram constru\u00eddas a partir de uma cavidade 
natural, e com o tempo iam-se-lhe juntando quartos \u00e0 frente.
{K}O T\u00daMULO DE RAQUEL{/}

A tradi\u00e7\u00e3o localizou o sepulcro de Raquel, a esposa bem amada de Jacob e 
m\u00e3e de tr\u00eas tribos, Efraim, Manass\u00e9s e Benjamim, \u00e0 sa\u00edda de Bel\u00e9m, no 
caminho para Jerusal\u00e9m. Um pequeno monumento branco rematado por uma 
c\u00fapula, abrigaria os restos da segunda esposa de Jacob. Mas esta 
localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 rejeitada por uma passagem do livro de Samuel que situa o 
t\u00famulo de Raquel no territ\u00f3rio de Benjamim [1Sm_10,2], perto de Betel.
\u00c9 poss\u00edvel que a localiza\u00e7\u00e3o do t\u00famulo tenha sido transferida de Betel 
para Bel\u00e9m, como aconteceu com outros lugares venerados, devido a 
acontecimentos pol\u00edticos: quando os territ\u00f3rios do norte ca\u00edram nas m\u00e3os 
ass\u00edrias, tornou-se imposs\u00edvel para os habitantes do sul ir venerar o 
t\u00famulo de Raquel, pelo que por certo foi transferido para a regi\u00e3o de 
Bel\u00e9m. 
{K}- ACARON{/}

\u00abCinco principados filisteus: de Gaza, de Azoto, de Ascalon, de Gat e de 
Acaron\u00bb{/} [Js_13,3].
Acaron fazia parte desta federa\u00e7\u00e3o filisteia que iria dominar as terras 
f\u00e9rteis da plan\u00edcie costeira e de Sefel\u00e1 a partir do s\u00e9c. XII a. C., e se 
manteria em conflito constante com os israelitas da regi\u00e3o montanhosa. 
Vasilhas e utens\u00edlios de s\u00edlex muito anteriores \u00e0 \u00e9poca dos filisteus, 
descobertos no local, mostram que o s\u00edtio teria sido j\u00e1 ocupado no quarto 
mil\u00e9nio a.C.
{K}A CIDADE-ESTADO FILISTEIA{/}

Acaron \u00e9 um dos principais locais da Idade do Ferro na Palestina. Foi um 
centro urbano importante entre os s\u00e9culos XII e X a.C. A cidade est\u00e1 
cercada de um poderoso sistema de fortifica\u00e7\u00f5es. No interior do muro que 
a circunda, erguem-se edif\u00edcios p\u00fablicos e bairros industriais, onde se 
descobriu olaria filisteia, mas tamb\u00e9m objectos de origem cipriota e 
egeia. No centro da cidade foram descobertas v\u00e1rias est\u00e1tuas sentadas no 
local dedicado ao culto.
{K}UMA IND\u00daSTRIA AZEITEIRA{/}

O fabrico de azeite de oliveira faz a riqueza da cidade. Uma produ\u00e7\u00e3o que 
ultrapassa amplamente as necessidades da popula\u00e7\u00e3o. O excedente era 
exportado para as cidades do reino de Jud\u00e1, particularmente para 
Jerusal\u00e9m. Primeiro, as azeitonas eram esmagadas e em seguida colocavam-
se em cestas de palha que eram postas debaixo de uma prensa rudimentar, 
feita de uma grande pedra accionada por estacas de madeira. O azeite 
assim extra\u00eddo deitava-se em cubas de pedra. Centenas de jarras de 
decanta\u00e7\u00e3o ou da conserva\u00e7\u00e3o foram descobertas nas diversas habita\u00e7\u00f5es. 
De facto, tratava-se de uma ind\u00fastria familiar. Algo caracter\u00edstico de 
Acaron s\u00e3o os altares constru\u00eddos numa \u00fanica pedra, muito frequentemente 
com quatro chifres, como os altares cananeus, que estavam situados muito 
pr\u00f3ximos das prensas de azeite.
Outras instala\u00e7\u00f5es eram compostas de duas cubas. A mais acess\u00edvel 
encontra-se \u00e0 entrada da casa e escorria para o exterior para uma mais 
profunda. Os habitantes de Acaron, que se dedicavam apenas durante dois 
meses \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do azeite, ocupavam-se, provavelmente, durante o resto 
do ano ao artesanato de couro e ao cultivo do linho.
Acaron foi destru\u00edda em 701 a.C. por Senaquerib que come\u00e7ou a sua 
campanha devastando as cidades costeiras da Filisteia.
{K}- GABAON{/}

Gabaon era uma cidade muito importante, uma cidade real maior que Hai, e 
os seus homens eram muito valentes{/} [Js_10,2].
Gabaon, a uns quinze quil\u00f3metros a noroeste de Jerusal\u00e9m, na rota de Bet 
Joron, era j\u00e1 no II mil\u00e9nio a.C. uma poderosa cidade cananeia. Josu\u00e9 e o 
Deus de Israel tornaram c\u00e9lebre a cidade quando, segundo a tradi\u00e7\u00e3o 
escrita no Livro Sagrado, detiveram o curso do Sol sobre Gabaon.
Nesta narrativa popular que retoma um velho escrito po\u00e9tico, o livro do 
Justo, o livro de Josu\u00e9 lembra a Israel que se triunfou sobre o mal, n\u00e3o 
foi pela for\u00e7a das suas armas. Foi Ele que deu ao seu povo a Terra 
Prometida. {C}Uns confiam em carros, outros em cavalos, quanto a n\u00f3s 
invocamos o nome de Jav\u00e9 nosso Deus.{/} [Sl_20,8].
{K}GABAON NA \u00c9POCA REAL{/}

Depois da sua vit\u00f3ria sobre os filisteus, {C}Saul construiu um altar a Jav\u00e9 
e foi esse o primeiro altar que ele Lhe construiu{/} [1Sm_14,35].  O exame 
dos lugares permite identificar este altar improvisado com \u00aba grande 
pedra que se encontrava em Gabaon\u00bb [2Sm_20,8], e sobre a qual eram 
sacrificados os animais. Foi neste lugar sagrado da tribo de Benjamim 
onde o rei Salom\u00e3o se dirigiu para oferecer sacrif\u00edcios. {C}O rei foi a 
Gabaon para oferecer sacrif\u00edcios, porque esse lugar alto era o mais 
importante de todos. E Salom\u00e3o ofereceu mil holocaustos sobre esse altar. 
Em Gabaon, durante a noite, Jav\u00e9 apareceu em sonhos a Salom\u00e3o. Deus 
disse-lhe: \u00abPede. O que queres que te d\u00ea?\u00bb{/} [1Rs_3,4] - [1Rs_34,13].
A partir do s\u00e9culo X a cidade \u00e9 cercada por uma muralha. O sistema de 
adu\u00e7\u00e3o ou condu\u00e7\u00e3o das \u00e1guas a partir de uma fonte que se encontrava mais 
abaixo, no exterior do muro circundante, lembra os de Meguido, de Jasor, 
de Gazer e de Jerusal\u00e9m: um t\u00fanel que partia do interior das muralhas 
permitia abastecer-se de \u00e1gua sem temer os sitiadores. Uma centena de 
degraus talhados na rocha, no interior do t\u00fanel, facilitavam o acesso ao 
dep\u00f3sito da fonte. 
{K}- GAZER{/}

A uns 30 quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m, sobre os \u00faltimos fundamentos da 
montanha de Jud\u00e1, eleva-se Gazer. Na altura da monarquia transforma-se 
com Jasor e Meguido, numa das tr\u00eas grandes fortalezas que controlavam as 
rotas perante poss\u00edveis invasores [1Rs_9,15]. No entanto, ainda por um 
mil\u00e9nio Gazer dever\u00e1 partilhar os tempos de prosperidade com os de guerra 
nesta regi\u00e3o da Judeia.
{K}UM BOM OBSERVAT\u00d3RIO{/}

Aparentemente, nada permite adivinhar, neste lugar onde se unem as 
\u00faltimas encostas das colinas, o interesse estrat\u00e9gico de Gazer. Apenas o 
tra\u00e7ado das antigas rotas explica a sua posi\u00e7\u00e3o privilegiada. A Via Maris 
sobe a partir do Egipto. Depois de se estender ao longo da costa norte da 
pen\u00ednsula do Sinai, atravessa o pa\u00eds dos filisteus passando por Acaron, a 
uns 11 quil\u00f3metros em linha recta. A seguir continuar\u00e1 o seu caminho para 
o Monte Carmelo cujos prolongamentos ir\u00e1 atravessar na passagem de 
Meguido. Outro eixo, transversal ao interior, proveniente da plan\u00edcie 
costeira, sobe para Jerusal\u00e9m para descer at\u00e9 Jeric\u00f3 e da\u00ed penetrar a 
Transjord\u00e2nia: estas duas vias principais cruzam-se sob os olhos de 
Gazer. Pode-se compreender que esta posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica tenha levado 
muito depressa \u00e0 fortifica\u00e7\u00e3o desta colina.
O s\u00edtio  foi ocupado desde o quarto mil\u00e9nio, como o testemunham as 
rela\u00e7\u00f5es comerciais com o imp\u00e9rio dos Fara\u00f3s. No s\u00e9culo XVII a. C. os 
hicsos apoderam-se da cidade e constroem um impressionante sistema de 
defesa: uma muralha colossal refor\u00e7ada com enormes torres. No interior da 
muralha, sobre uma enorme esplanada, o santu\u00e1rio de Gazer ergue os seus 
dez \u00abMasseboth\u00bb ou {C}pedras erguidas{/} para o c\u00e9u. \u00c9 o melhor exemplo de 
santu\u00e1rio de lombas deste g\u00e9nero encontrado desta \u00e9poca: {C}as pedras 
erguidas{/} t\u00eam aqui entre 1,5 e 3 metros de altura.  Diante de uma delas 
um cubo de pedra  escavado em forma de recipiente servia, provavelmente, 
para receber o azeite para as liba\u00e7\u00f5es.
Uma popula\u00e7\u00e3o nova que facilmente foi assimilada pelos cananeus, habitava 
a cidade: os {N}horitas{/}. Povo de origem desconhecida, intr\u00e9pidos ginetes e 
habilidosos condutores  de carros, chegaram da Mesopot\u00e2mia do Norte. 
Exerceram durante longo tempo a domina\u00e7\u00e3o sobre os estados vizinhos da 
S\u00edria e da Palestina.
{K}GAZER NA B\u00cdBLIA{/}

No s\u00e9culo XVI, os ex\u00e9rcitos eg\u00edpcios interv\u00eam e a cidade \u00e9  devastada.  A 
seguir a decad\u00eancia eg\u00edpcia favorece o dom\u00ednio dos filisteus no sudeste 
da Palestina. O livro dos Ju\u00edzes deixa-nos uma imagem de Gazer, sem 
d\u00favida habitada maioritariamente por uma popula\u00e7\u00e3o cananeia, mas 
controlada por pr\u00edncipes filisteus.
No tempo de Salom\u00e3o, Gazer \u00e9 novamente referida na B\u00edblia: {C}O fara\u00f3, rei 
do Egipto, tinha feito uma expedi\u00e7\u00e3o e apoderara-se de Gazer, 
incendiando-a e massacrando os cananeus que ali habitavam. Depois deu 
Gazer como dote \u00e0 sua filha, esposa de Salom\u00e3o, o qual a reconstruiu{/} 
[1Rs_9,16] - [1Rs_9,17]. A arquitectura \u00e9 portanto, caracter\u00edstica da 
\u00e9poca salom\u00f3nica. Hoje em dia, pode ver-se, admiravelmente conservada, 
com o seu colector de \u00e1guas residuais que atravessa a cidade lado a lado. 
Na mesma altura, no s\u00e9culo X, tinha-se preparado o sistema que assegurava 
o acesso \u00e0 \u00e1gua em caso de cerco: consistia num po\u00e7o de sete metros de 
profundidade que conduzia a um t\u00fanel de 41 metros de largura que 
desembocava na gruta onde a \u00e1gua brotava. 
Este fant\u00e1stico sistema de defesa semelhante em tudo aos de Meguido e de 
Jasor, mant\u00e9m-se no mesmo estado em que se encontrava at\u00e9 \u00e0 conquista do 
pa\u00eds pelos Ass\u00edrios.  Nas constru\u00e7\u00f5es daquele que foi o centro 
administrativo, descobriu-se uma pequena placa de material calc\u00e1rio sobre 
a qual estava gravado o calend\u00e1rio agr\u00edcola. Escrito em hebraico antigo, 
fornece a lista dos meses do ano relacionando-a com o desenvolvimento 
estacional dos trabalhos agr\u00edcolas. 
Depois da morte de Salom\u00e3o, a fortaleza de Gazer foi parcialmente 
destru\u00edda. O fara\u00f3 Sisac passou por ali no decorrer da campanha que 
empreendeu pela \u00c1sia. No s\u00e9culo VII, o sul da Palestina transformou-se 
numa regi\u00e3o com um interesse bastante particular para os ass\u00edrios, j\u00e1 que 
guardava a rota para o Egipto, objecto da sua cobi\u00e7a. A arqueologia 
testemunha a presen\u00e7a maci\u00e7a de ass\u00edrios na cidade, que toma ent\u00e3o a 
categoria de fortaleza da vanguarda para os soberanos de N\u00ednive. Isto ir\u00e1 
durar at\u00e9 \u00e0 invas\u00e3o babil\u00f3nica, que por\u00e1 fim ao reino de Jud\u00e1.
A \u00faltima ocupa\u00e7\u00e3o data do per\u00edodo dos Macabeus. A cidade chamava-se ent\u00e3o 
{N}Gazara{/}. Sim\u00e3o Macabeu apodera-se da cidade, ocupada pelos homens de 
Bakides, general do rei de Antioquia, Dem\u00e9trio. Sim\u00e3o instala-se ali 
durante algum tempo e depois entrega-a a seu filho, o futuro Jo\u00e3o Hircano 
[1Mc_13,53].
As cruzadas fizeram reviver durante alguns anos o nome de Gazer com  o 
dom\u00ednio de Monte Gisart. Foi junto ao Monte Gisart que Baldu\u00edno IV, o rei 
leproso, numa carga her\u00f3ica contra um inimigo orgulhoso dos seus 
primeiros triunfos, aniquilou o ex\u00e9rcito de Saladino que j\u00e1 caminhava 
sobre Jerusal\u00e9m. Era o ano de 1177 d.C. 
{K}- HEBRON-MAMBR\u00c9{/} 
\u00abAbr\u00e3o levantou a tenda e foi estabelecer-se junto ao carvalho de Mambr\u00e9, 
que est\u00e1 em Hebron, e a\u00ed construiu um altar em honra de Jav\u00e9\u00bb{N}{/}  
[Gn_13,18].
No cora\u00e7\u00e3o das colinas de Hebron, antigamente cobertas de azinheiras e 
cornalheiras, se enra\u00edza a f\u00e9 dos nossos pais. Para os crentes de tr\u00eas 
religi\u00f5es monote\u00edstas (Judaica, Crist\u00e3 e Maometana), este lugar est\u00e1 
carregado de sentido: a experi\u00eancia religiosa de Abra\u00e3o, o homem a quem 
Deus Se manifestou e em quem{C} s\u00e3o benditas todas as fam\u00edlias da terra.{/} 
Todas ali veneram os t\u00famulos dos Patriarcas e celebram com o mesmo fervor 
o pai comum Abra\u00e3o, {C}\u00abo amigo de Deus\u00bb{/}. Hebron \u00e9 al\u00e9m disso, a primeira 
grande etapa da ascens\u00e3o de David: {C}Ali se reuniram os homens de Jud\u00e1 e 
consagraram David como rei da casa de Jud\u00e1{/} [2Sm_2,4].
{K}ABRA\u00c3O NO CARVALHO DE MAMBR\u00c9{/}

Migra\u00e7\u00f5es sucessivas levam Abra\u00e3o e o cl\u00e3 de seu pai, de {N}Ur{/} da Caldeia 
(actual Iraque) para {N}Jar\u00e3o{/} na alta Mesopot\u00e2mia (actualmente Turquia 
oriental). Diante do chamamento de Deus, Abra\u00e3o deixa o cl\u00e3 paterno. 
Cumulado de b\u00ean\u00e7\u00e3os e de promessas, promessa de uma terra e de uma 
descend\u00eancia, parte para o pa\u00eds de Cana\u00e3 [Gn_12,15]. De acampamento, em 
acampamento, o n\u00f3mada passa pelo lugar santo de Siqu\u00e9m, por Betel  (a 
casa de Deus) e, por fim,{C} estabelece-se no Carvalho de Mambr\u00e9, que est\u00e1 
em Hebron{/} [Gn_13,18].
No tempo da monarquia, um caminho sagrado conduzia ao lugar santo de que 
faziam parte o altar, o po\u00e7o e o carvalho de Abra\u00e3o. Herodes transformou-
o num lugar muralhado, de caracter\u00edsticas  monumentais, do  qual ainda 
existem enormes blocos de pedra. O lugar foi destru\u00eddo durante a primeira 
revolta judaica contra os romanos, no ano 70 d.C. As pedras foram 
reutilizadas pelo imperador Adriano que mandou levantar um templo em 
honra de Hermes. Apenas o livro do G\u00e9nesis cita o lugar santo de Mambr\u00e9. 
Este santu\u00e1rio tribal, onde se venerava um carvalho, corria o risco de 
alimentar o desejo de voltar aos cultos da natureza condenados pela Lei 
de Mois\u00e9s. Por esta raz\u00e3o foi abandonado na altura da reforma de Josias 
em 722 a.C. [2Rs_23,1].
Portanto, era ali que, desde os tempos da monarquia, os peregrinos 
israelitas comemoravam a renova\u00e7\u00e3o da promessa feita por Deus ao \u00abpai\u00bb 
dos crentes: promessa de lhe dar, contra toda a evid\u00eancia, uma 
descend\u00eancia infinita.
{K}UM FILHO TEU, NASCIDO DO TEU SANGUE{/}

Ent\u00e3o a palavra de Deus foi-lhe dirigida nestes termos: {C}\u00abO teu herdeiro 
n\u00e3o ser\u00e1 esse, mas algu\u00e9m que sair\u00e1 do teu sangue\u00bb.{/} {C}Depois Jav\u00e9 
conduziu Abr\u00e3o para fora, e disse-lhe: \u00abErgue os olhos ao c\u00e9u e conta as 
estrelas se puderes. Assim ser\u00e1 a tua descend\u00eancia\u00bb. Abr\u00e3o acreditou em 
Jav\u00e9, e isso foi-lhe creditado como justi\u00e7a.{/} [Gn_15,1].

Em Mambr\u00e9, Abra\u00e3o prepara o sacrif\u00edcio ritual de toda a alian\u00e7a celebrada 
entre os n\u00f3madas: animais partidos em duas metades pelo meio das quais 
passam os contraentes. E eis que o pr\u00f3prio Deus Se compromete em primeiro 
lugar: subitamente a noite, que j\u00e1 estendia o seu manto, ilumina-se. O 
fogo de uma fogueira dissipa as trevas... Deus passou! A alian\u00e7a foi 
assinada pela pr\u00f3pria m\u00e3o de Jav\u00e9. 
Tamb\u00e9m em Mambr\u00e9, pela gra\u00e7a de Deus, o imposs\u00edvel torna-se realidade e 
nasce o filho da promessa. \u00c9 tamb\u00e9m aqui que Abra\u00e3o recebe os seus tr\u00eas 
misteriosos visitantes, que em suma, s\u00e3o apenas a presen\u00e7a do \u00danico. 
{K}HEBRON, UMA DAS CIDADES MAIS ANTIGAS DE JUD\u00c1{/}

De acordo com o livro dos N\u00fameros, {C}Hebron tinha sido fundada sete anos 
antes da cidade de T\u00e2nis no Egipto.{/} [Nm_13,22].  T\u00e2nis-Zo\u00e3o,{N}{/} na parte 
noroeste do delta do Nilo,{N}{/} foi uma cidade florescente. Os hicsos 
fizeram dela a sua capital. Mas, segundo parece, Hebron \u00e9 ainda mais 
antiga. Nos princ\u00edpios do segundo mil\u00e9nio era j\u00e1 uma cidade fortificada. 
A cidade desempenhava um papel muito importante nas montanhas de Jud\u00e1 e 
possu\u00eda j\u00e1 uma cultura escrita.
A cidade cananeia chamava-se tamb\u00e9m {N}Qiryat-Arbe{/} (a Cidade dos Quatro). 
Por certo que se deviam reunir no santu\u00e1rio central os quatro cl\u00e3s que 
ocupavam os bairros da cidade e dos seus arredores. 
{K}ABRA\u00c3O COMPRA UM T\u00daMULO E ALGUMAS TERRAS EM HEBRON{/}

Sabe-se da import\u00e2ncia desta compra feita por Abra\u00e3o, j\u00e1 que o terreno 
adquirido se transformaria num lugar de repouso dos restos de {N}Sara{/}. 
Abra\u00e3o adquire n\u00e3o apenas a gruta e o campo, mas tamb\u00e9m todas as \u00e1rvores 
que se encontram nele. Transforma-se assim no propriet\u00e1rio da primeira 
parcela da terra que Deus lhe tinha jurado. 
{C}O SEPULCRO DOS PATRIARCAS: HARAM EL-JALIL{/}

Abra\u00e3o transformou a gruta de Macpela num sepulcro familiar. Ali, junto a 
Sara ele pr\u00f3prio foi sepultado, quando morreu {C}depois de uma feliz 
velhice, carregado de anos{/} [Gn_25,8].
O lugar santo recebeu o nome de Haram-El-Jalil (o santu\u00e1rio do Amigo). 
Sinagoga improvisada, arquitectura do tempo das cruzadas, mimbar e mirhab 
mu\u00e7ulmanas lembram que aqui todos os filhos de Abra\u00e3o recorrem a um Deus 
\u00fanico. Todos: judeus, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos veneram em Abra\u00e3o o pai na 
f\u00e9. Abra\u00e3o \u00e9 o Pai de todos n\u00f3s [Rm_4,16] - [Rm_4,17]. A esperan\u00e7a de que 
Abra\u00e3o \u00e9 portador diz respeito a toda a humanidade: {C}J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a 
entre judeu e grego, entre escravo e homem livre, entre homem e mulher, 
pois todos v\u00f3s sois um s\u00f3 em Jesus Cristo. E se pertenceis a Cristo, 
ent\u00e3o sois de facto a descend\u00eancia de Abra\u00e3o e herdeiros conforme a 
promessa.{/} [Gl_3,28] - [Gl_3,29].
{K}O REI DAVID EM HEBRON{/}

Na altura da conquista do pa\u00eds de Cana\u00e3, Josu\u00e9 \u00e0 frente de todo o Israel 
apodera-se de Hebron: {C}Depois Josu\u00e9 subiu, com todo o povo de Israel, de 
Eglon para Hebron e come\u00e7ou a combat\u00ea-la{/} [Js_10,36]. Mais tarde Josu\u00e9 
entrega a cidade e o seu territ\u00f3rio a Caleb que foi o \u00fanico entre os 
exploradores enviados por Mois\u00e9s a reconhecer a Terra Prometida que n\u00e3o 
desprezou o pa\u00eds nem desanimou o povo.  
A regi\u00e3o de Hebron dependente dos cl\u00e3s calebitas desempenhou um papel 
decisivo no in\u00edcio da hist\u00f3ria de David. Perseguido por Saul, David 
encontrou ali lugar onde se refugiar. Casou com {N}Abigail,{/} a vi\u00fava de um 
not\u00e1vel calebita. Esta uni\u00e3o integrou-o nesta poderosa tribo e fez dele 
uma esp\u00e9cie de filho herdeiro de Caleb. Ungido pelo Senhor, guerreiro 
h\u00e1bil e valente, coroado pela gl\u00f3ria das suas vit\u00f3rias, {C}David consultou 
Jav\u00e9:{/} {C}\u00abPosso ir para alguma cidade de Jud\u00e1?\u00bb Jav\u00e9 respondeu: \u00abPodes\u00bb. 
David perguntou: \u00abPara qual delas posso ir?\u00bb A resposta foi: \u00abHebron\u00bb. 
David subiu para l\u00e1 e tamb\u00e9m as suas duas mulheres: Aquinoam de Jezrael e 
Abigail, mulher de Nabal de Carmel. Levou tamb\u00e9m todos os seus homens, 
juntamente com as suas fam\u00edlias. Estabeleceram-se nas aldeias de Hebron. 
Os homens de Jud\u00e1 foram para l\u00e1 e ungiram David como rei sobre a casa de 
Jud\u00e1.{/} [2Sm_2,1] - [2Sm_2,4].
Foi assim que o reino de Jud\u00e1 entrou na hist\u00f3ria.
{K}- O HERODIUM{/}

A fortaleza do Herodium eleva-se a 5 quil\u00f3metros a sudoeste de Bel\u00e9m, nas 
terras semi-\u00e1ridas que est\u00e3o nos confins das colinas do deserto de Jud\u00e1. 
Faz parte do grande conjunto arquitect\u00f3nico constru\u00eddo por Herodes o 
Grande para defesa, mas tamb\u00e9m como forma de engrandecer o seu prest\u00edgio. 
Integram este conjunto os pal\u00e1cios e fortalezas de Jeric\u00f3, Massada, 
Maqueronte, Hirc\u00e2nia, Cipros, a Ant\u00f3nia de Jerusal\u00e9m, a grandiosa 
reconstru\u00e7\u00e3o do Tempo de Jerusal\u00e9m e o acondicionamento da Cesareia 
mar\u00edtima. 
{K}O HERODION{/}

A fortaleza, que tem o nome de Herodes, foi constru\u00edda a partir do ano 37 
a.C. para comemorar a modesta vit\u00f3ria da sua retaguarda sobre os Partos 
quando fugia de Jerusal\u00e9m para se refugiar em Massada.
A partir de Jerusal\u00e9m pode ver-se esta colina natural que Herodes 
fortificou depois de ter erguido o seu contorno. Forma uma esp\u00e9cie de 
cratera onde se aloja um sumptuoso pal\u00e1cio-fortaleza, escondido dos 
olhares indiscretos. Herodes s\u00f3 se sentia seguro quando se encontrava 
encarrapitado num destes ninhos de \u00e1guia acondicionados como resid\u00eancias 
de Inverno ou de Ver\u00e3o.
O Herodium \u00e9 constitu\u00eddo um pal\u00e1cio-fortaleza constru\u00eddo sobre a colina 
e, aos seus p\u00e9s, um pal\u00e1cio-resid\u00eancia.
Chegava-se ao pal\u00e1cio-fortaleza por uma rampa de acesso lateral de 
duzentos degraus recobertos de m\u00e1rmore. A rampa elevava-se at\u00e9 acima da 
colina e a sua parte superior dava passagem para um t\u00fanel que desembocava 
numa pequena porta. O visitante chega ent\u00e3o a um amplo p\u00e1tio com 
colunatas e um jardim ornamentado com sa\u00eddas de \u00e1gua, um luxo fabuloso 
considerando a situa\u00e7\u00e3o do lugar \u00e0s portas do deserto. Os magn\u00edficos 
banhos romanos que o complexo possu\u00eda, inclu\u00edam como de costume uma sala 
para banho quente, outra para os banhos mornos e uma terceira para os 
banhos frios. Tamb\u00e9m tinham sido cavadas grandes cisternas na rocha viva, 
para recolher as \u00e1guas das chuvas de Inverno. Este conjunto constitu\u00eda 
simultaneamente uma sumptuosa vila romana e uma fortaleza de onde a 
guarda pessoal de Herodes vigiava os arredores. 
O pal\u00e1cio residencial foi constru\u00eddo uns cem metros mais abaixo, num 
terreno de 15 hectares. No centro de um imenso p\u00e1tio, um enorme tanque 
servia quer de cisterna, quer de piscina. No meio do tanque encontrava-se 
o columb\u00e1rio{N},{/} de forma redonda, donde se depositavam as urnas dos 
defuntos incinerados.
A incinera\u00e7\u00e3o era uma forma de sepultura  tipicamente pag\u00e3. Os judeus do 
grupo dos fariseus que acreditavam na ressurrei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podiam adoptar 
este rito funer\u00e1rio por respeito aos seus corpos, deposit\u00e1rios da 
promessa de vida eterna. Segundo parece o columb\u00e1rio estava reservado 
para a guarda pessoal de Herodes, j\u00e1 que todos eram pag\u00e3os (tr\u00e1cios, 
germanos, g\u00e1latas...). Herodes pensava que podia contar mais com a 
fidelidade destes estrangeiros que com a fidelidade dos judeus, que 
procuravam, talvez, a ocasi\u00e3o favor\u00e1vel para o eliminar.
A sumptuosidade do pal\u00e1cio ajuda-nos a compreender a p\u00e1gina enf\u00e1tica de 
Fl\u00e1vio Josefo ao descrever o enterro de Herodes.
\u00abEnt\u00e3o Arquelau pensou fazer ao rei, seu pai, um sumptuoso funeral e 
resolveu estar presente pessoalmente. O corpo do defunto estava vestido 
com as suas roupas reais. Com coroa de ouro na cabe\u00e7a e ceptro na m\u00e3o, 
era levado sobre uma liteira de ouro engastada com pedras preciosas de 
grande valor. Atr\u00e1s iam os filhos do defunto e a sua fam\u00edlia mais 
pr\u00f3xima. Depois seguiam todos os homens de guerra, na\u00e7\u00e3o atr\u00e1s de na\u00e7\u00e3o: 
tr\u00e1cios, germanos e g\u00e1latas marchavam \u00e0 frente e todos os outros a seguir 
comandados pelos seus chefes. Cada um trazia as suas armas como num dia 
de batalha. Quinhentos oficiais, familiares do rei defunto, levavam 
perfumes e encerravam esta marcha solene. Caminharam assim, por esta 
ordem, desde Jeric\u00f3 at\u00e9 ao pal\u00e1cio do Herodium. Foi ali sepultado o 
pr\u00edncipe como ele o tinha ordenado\u00bb (Antiguidades Judaicas XVII 10).
{K}- JERIC\u00d3{/}

Quando  for dado um toque longo e ouvirdes o toque da trombeta, todo o 
povo lan\u00e7ar\u00e1 o grito de guerra: as muralhas da cidade desabar\u00e3o, e o povo 
a assaltar\u00e1, cada um do seu lugar [Js_6,5].
\u00c9 assim que a B\u00edblia nos relata a tomada de Jeric\u00f3 pelas tribos 
israelitas conduzidas por Josu\u00e9. Com as suas trombetas e as suas muralhas 
que caem, a hist\u00f3ria da cidade pertence \u00e0 colec\u00e7\u00e3o das imagens populares 
da B\u00edblia. Mas Jeric\u00f3 serve ainda de quadro \u00e0 cura milagrosa de um cego, 
e \u00e0 convers\u00e3o de Zaqueu, encarrapitado num sic\u00f4moro. Por fim, \u00e9 uma etapa 
decisiva na subida de Jesus para Jerusal\u00e9m, no decorrer da qual o Senhor 
anuncia pela terceira vez a proximidade da sua Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o. Para 
qualquer viajante que acaba de atravessar o deserto, este o\u00e1sis, situado 
a uns 10 quil\u00f3metros a norte do Mar Morto e a 250 metros abaixo do n\u00edvel 
do Mediterr\u00e2neo, apresenta-se como um lugar paradis\u00edaco, com uma 
vegeta\u00e7\u00e3o exuberante, onde crescem frondosas \u00e1rvores de frutos tropicais: 
a cidade das{N} palmeiras{/} [Dt_34,3]. No centro da cidade actual, as ru\u00ednas 
de Tell-es-Sultan lembram-nos que muito antes da era crist\u00e3, muito antes 
at\u00e9 da entrada das tribos em Cana\u00e3, Jeric\u00f3 tinha j\u00e1 uma longa hist\u00f3ria 
que remontava para l\u00e1 do VIII mil\u00e9nio a.C.
{K}TELL-ES-SULTAN{/}

O lugar foi ocupado desde o X mil\u00e9nio por pessoas da cultura Natufiense. 
Eram semi-n\u00f3madas que viviam das colheitas e da ca\u00e7a. Utilizavam cabanas 
\u00e0 maneira de casas. A partir do IX mil\u00e9nio produzem-se mudan\u00e7as 
importantes nas formas de vida, e por causa delas os historiadores se 
permitem falar, com justa raz\u00e3o, em revolu\u00e7\u00e3o neol\u00edtica. Durante este 
per\u00edodo o homem vai passar de uma economia de {C}depreda\u00e7\u00e3o{/} para uma 
economia de {C}produ\u00e7\u00e3o{/}.  A recolha d\u00e1 lugar \u00e0 agricultura, e a cria\u00e7\u00e3o de 
gado substitui progressivamente a ca\u00e7a. O homem liga-se ao sal\u00e1rio e 
torna-se sedent\u00e1rio. Isto permite-lhe observar o ritmo e as condi\u00e7\u00f5es de 
desenvolvimento de vegetais e animais, fazendo evoluir o seu modo de 
vida. Uma das primeiras comunidades agr\u00edcolas sedent\u00e1rias agrupa-se por 
estes lados, estabelecendo-se a oeste da fonte, chamada "de Eliseu" em 
mem\u00f3ria da sua purifica\u00e7\u00e3o pelo Profeta [2Rs_2,19] - [2Rs_2,22].
Na parte ocidental do {C}Tell,{/} um muro grosso de pedra \u00e9 flanqueado por 
uma torre redonda de pedra de 8,5 metros de di\u00e2metro e 8 metros de 
altura. Fica-se maravilhado diante do seu estado de conserva\u00e7\u00e3o. Basta 
pensarmos que tem aproximadamente uns 10.000 anos de antiguidade e que as 
pir\u00e2mides do Egipto est\u00e3o mais pr\u00f3ximas de n\u00f3s no tempo do que o est\u00e3o 
desta torre. Uma escada \u00edngreme disposta no interior da torre, conduz l\u00e1 
acima, onde se destaca uma pedra claramente maior que as outras, que 
tinha uma fun\u00e7\u00e3o provavelmente de car\u00e1cter sacrificial. N\u00e3o se sabe ao 
certo que papel desempenhava esta torre. Parece, no entanto, que nesta 
plan\u00edcie que \u00e9 como o corredor do rio Jord\u00e3o, a torre era uma esp\u00e9cie de 
lugar alto no cimo da qual se ofereciam sacrif\u00edcios rituais.
O lugar abandonado durante muitos s\u00e9culos, conheceu a partir do ano 7 500 
a.C. um per\u00edodo de expans\u00e3o. Neste per\u00edodo pode-se falar apenas de 
comunidades agr\u00edcolas e n\u00e3o de cidade propriamente dita.
Nos flancos das torres v\u00eaem-se estruturas cil\u00edndricas que provavelmente, 
devem ter sido silos. Pode perceber-se sem dificuldade a vertigem que se 
apoderou destes homens, que, depois de ter observado a natureza e as suas 
leis durante mil\u00e9nios, se lan\u00e7avam \u00e0 aventura louca da agricultura e viam 
os suas primeiros desejos coroados de \u00eaxito. Nada mais natural, portanto, 
que confiar o fruto das suas colheitas - esse grande tesouro - a 
divindades benfeitoras. 
O homem bem depressa esquecer\u00e1 esta atitude de reconhecimento. E o 
Deuteron\u00f3mio coloca Israel \u00e0 defesa diante da tenta\u00e7\u00e3o de acreditar s\u00f3 na 
efic\u00e1cia do pr\u00f3prio trabalho: {C}Jav\u00e9, teu Deus vai introduzir-te numa 
terra boa. Terra cheia de torrentes de \u00e1gua e de fontes profundas que 
jorram no vale e na montanha. Terra de trigo e de cevada, de vinhas, 
figueiras e rom\u00e3zeiras, terra de oliveiras, de azeite e de mel. Terra 
onde comer\u00e1s p\u00e3o com abund\u00e2ncia, pois nela nada te faltar\u00e1... Por isso 
guarda-te de esquecer Jav\u00e9 teu Deus pela boa terra que te deu... 
Portanto, n\u00e3o v\u00e1s pensar: \u00abFoi a minha for\u00e7a e o poder das minhas m\u00e3os 
que me conquistaram estas riquezas{/}\u00bb [Dt_8,7] - [Dt_8,9]; [Dt_8,10]; 
[Dt_8,17] - [Dt_8,18].
{K}JERIC\u00d3: UMA CIDADE DA IDADE DO BRONZE{/}

O processo da urbaniza\u00e7\u00e3o que se espalha a partir do IV mil\u00e9nio a.C. por 
todo o Pr\u00f3ximo Oriente, permite-nos falar agora de Jeric\u00f3 como de uma 
verdadeira cidade. J\u00e1 no III mil\u00e9nio se encontra rodeada de gigantescas 
fortifica\u00e7\u00f5es.  Os muros, de adobe, s\u00e3o constru\u00eddos nessa altura por 
sec\u00e7\u00f5es independentes, capazes de resistir a um sismo, coisa muito 
frequente nesta regi\u00e3o de Ghor. Um muro duplo e torres em ferradura, e 
depois rectangulares, contribuem para refor\u00e7ar o sistema de defesa.
Jeric\u00f3 \u00e9 destru\u00edda nos finais do III mil\u00e9nio. O lugar \u00e9 de novo ocupado 
por uma popula\u00e7\u00e3o de semi-n\u00f3madas e pode-se verificar neste per\u00edodo uma 
mudan\u00e7a nos costumes funer\u00e1rios. Numa sociedade urbana, os t\u00famulos 
colectivos abrigam v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de uma mesma fam\u00edlia, enquanto que 
entre as popula\u00e7\u00f5es itinerantes os mortos s\u00e3o sepultados individualmente 
em t\u00famulos em forma de po\u00e7os verticais cavados nas rochas formando, deste 
modo, enormes cemit\u00e9rios. 
{K}A PASSAGEM DOS HICSOS{/}

Durante o per\u00edodo que vai de 1800 a 1550 a.C., Jeric\u00f3 \u00e9 a cidade mais 
importante do vale do Jord\u00e3o. \u00c9 protegida por uma muralha. Nas pequenas 
casas espalhadas ao longo de duas ruas escalonadas, descobriram-se rodas 
de moinho, cereais e tornos de oleiro que testemunham a presen\u00e7a de um 
artesanato local. Com a sociedade urbanizada, faz-se o retorno aos 
sepulcros m\u00faltiplos. Estes fornecem-nos uma informa\u00e7\u00e3o preciosa no que se 
refere ao modo de vida da popula\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, devido \u00e0 extraordin\u00e1ria 
conserva\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias org\u00e2nicas: m\u00f3veis de madeira, camas, escanhos, 
mesas de tr\u00eas p\u00e9s e utens\u00edlios variados, sem contar com as vasilhas de 
alabastro. Sabe-se tamb\u00e9m que esta florescente cidade sofreu os estragos 
de um inc\u00eandio por volta do ano de 1550 a.C. Este desastre coincide com a 
expuls\u00e3o dos hicsos, perseguidos na Palestina pelos eg\u00edpcios. 
{K}OS MUROS DE JERIC\u00d3 CA\u00cdRAM DE FACTO?{/}

Esta \u00e9 uma pergunta que n\u00e3o passou de moda e que permite ao incr\u00e9dulo 
zombar da veracidade dos Livros Sagrados e ao apologista inventar mil e 
um estratagemas atrav\u00e9s dos quais alguns homens tocando trombetas puderam 
ser capazes de derrubar os muros de uma fortaleza.
De facto, Jeric\u00f3, foi praticamente abandonada durante s\u00e9culos e n\u00e3o podia 
constituir sen\u00e3o um pequeno povoado na \u00e9poca de Josu\u00e9. Existe, portanto, 
uma contradi\u00e7\u00e3o aparente entre as refer\u00eancias arqueol\u00f3gicas e o texto 
b\u00edblico. Talvez seja preciso p\u00f4r a seguinte pergunta: Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o 
desta narrativa? O texto \u00e9 bonito, seguindo o ritmo dos sete dias da 
cria\u00e7\u00e3o, como um eco do ritmo primordial em que o s\u00e9timo dia representa a 
culmina\u00e7\u00e3o. Aqui a tomada de Jeric\u00f3 pelo invasor israelita n\u00e3o pertence \u00e0 
hist\u00f3ria factual de Israel, mas \u00e0 hist\u00f3ria da sua f\u00e9. A origem desta 
grandiosa liturgia deve procurar-se no rito que se celebrava em Guilgal, 
em redor do c\u00edrculo de pedras depositadas por Josu\u00e9, para comemorar as 
travessia do Jord\u00e3o a p\u00e9 enxuto. Naquele dia, de facto, {C}Josu\u00e9 colocou em 
Guilgal as doze pedras que tinham tirado do Jord\u00e3o, e disse aos 
Israelitas: \u00abAmanh\u00e3 quando os vossos filhos perguntarem aos pais o que 
significam estas pedras, dir-lhes-eis: \u00abIsrael atravessou o Jord\u00e3o a p\u00e9 
enxuto. Jav\u00e9 vosso Deus secou a \u00e1gua do Jord\u00e3o diante de v\u00f3s, at\u00e9 o 
terdes atravessado, da mesma forma que Jav\u00e9 vosso Deus fez ao Mar 
Vermelho, que Ele secou diante de n\u00f3s at\u00e9 o termos atravessado\u00bb{/} 
[Js_4,20] - [Js_4,24].
Em Jeric\u00f3 os israelitas d\u00e3o gra\u00e7as perante a ac\u00e7\u00e3o milagrosa de Deus que 
acaba de lhes dar a vit\u00f3ria. A primeira cidade encontrada - em ru\u00ednas - 
depois de atravessar o Jord\u00e3o, \u00e9 a primeira etapa do cumprimento das 
promessas feitas aos patriarcas. A narrativa termina com o inc\u00eandio da 
cidade e a maldi\u00e7\u00e3o de Josu\u00e9: {C}Nesse tempo Josu\u00e9 fez um juramento: \u00abSeja 
maldito por Jav\u00e9 quem reconstruir esta cidade: os alicerces custar-lhe-\u00e3o 
o primog\u00e9nito e as portas custar-lhe-\u00e3o o seu filho mais novo{/} [Js_6,26] 
Em meados do s\u00e9culo IX a.C. no tempo de Acab, esta maldi\u00e7\u00e3o ir\u00e1 cair 
sobre um certo Jiel de Betel [1Rs_16,34]. Este homem apenas renovava os 
sacrif\u00edcios de funda\u00e7\u00e3o praticados pelos povos cananeus.
{K}A JERIC\u00d3 HERODIANA{/}

No s\u00e9culo II a. C. a cidade estendia-se at\u00e9 sudeste, pelas ribeiras de 
Wadi Qelt. Os reis asmoneus fizeram dela a sua resid\u00eancia de Inverno, 
felizes por deixarem a capital e as suas montanhas durante a esta\u00e7\u00e3o fria 
para desfrutar de um clima mais benigno. Alexandre Janeu (103-76 a.C.) 
empreendeu a constru\u00e7\u00e3o de um primeiro pal\u00e1cio. Acrescentou duas 
piscinas, rodeadas em tr\u00eas dos seus flancos por uma vasta esplanada. 
Jardins e banhos completavam as instala\u00e7\u00f5es.
O pal\u00e1cio estava pronto para alojar os novos ocupantes: foi o que 
aconteceu nos finais do s\u00e9culo I a. C. A partir do encontro com Cle\u00f3patra 
VII em 41 a. C. o tri\u00fanviro Marco Ant\u00f3nio (83-30 a. C.). apaixonou-se 
pela rainha do Egipto. Bem depressa esta convenceu o romano a casar com 
ela e ceder-lhe parte das suas possess\u00f5es: Creta, Chipre e Fen\u00edcia 
passaram da autoridade de Roma para o Egipto. Marco Ant\u00f3nio  dar-lhe-ia 
tamb\u00e9m  a franja costeira, desde o L\u00edbano at\u00e9 Gaza e depois Jeric\u00f3 com as 
suas palmeiras, as suas balsameiras e os seus frutos tropicais: toda a 
esp\u00e9cie de bens que garantiam a Cle\u00f3patra um rendimento muito elevado. 
Ela soube tirar partido destes territ\u00f3rios arrendando-os a Herodes o 
Grande que tinha acabado de receber de Oct\u00e1vio a coroa da Palestina. 
Sem perder um instante, Herodes ampliou esta luxuosa resid\u00eancia. Foi 
mandado edificar um primeiro pal\u00e1cio que desapareceu com o sismo de 31 
a.C. Na mesma altura Marco Ant\u00f3nio e Cle\u00f3patra, vencidos por Oct\u00e1vio, 
suicidavam-se. 
Herodes passou assim da condi\u00e7\u00e3o de arrendat\u00e1rio \u00e0 de propriet\u00e1rio. 
Construiu um segundo pal\u00e1cio sobre as ru\u00ednas do edif\u00edcio asmoneu, que 
mandou cobrir com uma grossa camada de terra. Sobre esta terra instalou 
uma resid\u00eancia que dominava todo o palmar e construiu uma grande piscina 
para substituir as antigas. Foi precisamente neste reservat\u00f3rio que 
mandou afogar anos mais tarde o sumo sacerdote Arist\u00f3bulo II - seu jovem 
cunhado - cuja popularidade lhe fazia sombra.
Nos finais do s\u00e9culo I a.C. foi constru\u00eddo um terceiro pal\u00e1cio dum e 
doutro lado do Wadi Qelt, completando assim um sumptuoso complexo 
residencial. Foi nesta resid\u00eancia de Inverno que Herodes morreu. E para 
condizer com o seu instinto cruel e sem piedade que o animou durante o 
seu longo reinado, deixou disposto que ap\u00f3s a sua morte fossem 
assassinados todos os judeus not\u00e1veis. Felizmente para eles, esta 
sanguin\u00e1ria disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi executada.
{K}JESUS EM JERIC\u00d3{/}

Para al\u00e9m do velho sic\u00f4moro de{N} Zaqueu{/}, que \u00e9 localizado 
humoristicamente num jardim na beira do caminho, n\u00e3o restam mais 
vest\u00edgios da Jeric\u00f3 da \u00e9poca de Jesus, para al\u00e9m das muralhas da cidade 
nos tempos de Josu\u00e9. 
No entanto, foi aqui que Jesus curou o cego {N}Bartimeu{/} [Lc_18,35] e 
salvou o publicano {C}Zaqueu{/} [Lc_19,1]. Jesus revela aqui o car\u00e1cter 
insubstitu\u00edvel da luz que Ele traz e a novidade dos caminhos da salva\u00e7\u00e3o. 
Estes dois relatos, situados imediatamente ao lado do \u00faltimo an\u00fancio da 
Paix\u00e3o, s\u00e3o como uma catequese dirigida aos disc\u00edpulos que rejeitam o 
esc\u00e2ndalo de um Messias crucificado.
{K}O MOSTEIRO DA QUARENTENA{/}

A oeste da antiga Jeric\u00f3, uma parede rochosa do monte da Quarentena 
sustenta, como se estivesse suspenso nos seus flancos, o mosteiro grego 
do mesmo nome que data dos finais do s\u00e9culo IV d. C. Uma muralha em 
ru\u00ednas rodeia o lugar que se presume ter sido a fortaleza de {N}Doq{/} onde 
Sim\u00e3o Macabeu foi assassinado em 134 a.C.  [1Mc_16,1]. No interior deste 
recinto foi edificada uma igreja, para comemorar provavelmente as 
tenta\u00e7\u00f5es de Jesus no deserto. Contudo, nada nos permite afirmar que 
Jesus se tenha retirado para estas paragens. 
{K}- L\u00c1QUIS{/}

Os baixos-relevos do pal\u00e1cio real de Ninive imortalizaram a tomada de 
L\u00e1quis pelo rei Ass\u00edrio{N} Senaquerib{/} em 701 a.C. L\u00e1quis, situada num 
promont\u00f3rio rochoso entre Gaza e Hebron, fazia parte das fortalezas que 
encerravam o invasor na passagem para Jerusal\u00e9m. Esta fortaleza foi 
ocupada desde o III mil\u00e9nio a.C.
{K}UMA PODEROSA CIDADE CANANEIA 1580-1220 A.C.{/}

Dos tr\u00eas templos sobrepostos, constru\u00eddos no fosso de defesa contra os 
hicsos, restam poucos vest\u00edgios. Recentemente, ao lado de objectos 
tipicamente cananeus, encontraram-se escaravelhos eg\u00edpcios e pe\u00e7as 
lavradas de marfim que testemunham o controlo que os eg\u00edpcios exerceram 
no local at\u00e9 \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o total no ano de 1220 a.C. Dois importantes 
acontecimentos assinalam esta \u00e9poca: a chegada dos{N} povos{/} do{N} mar{/} (os 
filisteus) e a entrada das tribos em Cana\u00e3 sob a orienta\u00e7\u00e3o de Josu\u00e9. 
Ou\u00e7amos o que nos diz o Antigo Testamento: {C}Ent\u00e3o Josu\u00e9 passou, com todo 
o Israel, de Lebna para L\u00e1quis. Acampou em frente e come\u00e7ou a combat\u00ea-la. 
Jav\u00e9 entregou L\u00e1quis na m\u00e3o de Israel, que no dia seguinte, tomou a 
cidade e passou ao fio da espada todos os habitantes, consagrando ao 
exterm\u00ednio todas as pessoas que nela viviam, conforme tudo o que j\u00e1 havia 
feito com Lebna.{/} [Js_10,31] - [Js_10,32].
{K}A FORTALEZA ISRAELITA{/}

Foi a pra\u00e7a forte mais importante do reino de Jud\u00e1, depois de Jerusal\u00e9m. 
A partir do reinado de Robo\u00e3o (928-911 a.C), os pal\u00e1cios sucedem-se no 
topo da colina dominando a cidade e os seus arredores. Robo\u00e3o lan\u00e7a a 
rota norte-sul de Sefel\u00e1 com cidades fortificadas como Azeca, Hebron e 
L\u00e1quis. {C}Refor\u00e7ou a defesa das cidades e colocou um comandante em cada 
uma, assim como dep\u00f3sitos de alimentos, azeite e vinho.{/} [2Cr_11,11]. No 
entanto, ser\u00e3o os sucessores de Robo\u00e3o: As\u00e1 e Josaf\u00e1, que construir\u00e3o 
fortifica\u00e7\u00f5es verdadeiramente monumentais, as quais, devido \u00e0s escava\u00e7\u00f5es 
arqueol\u00f3gicas, vieram de novo \u00e0 luz. 
{K}A TOMADA DE L\u00c1QUIS POR SENAQUERIB EM 701 A.C.{/}

Depois da queda da Samaria, a amea\u00e7a de uma invas\u00e3o ass\u00edria sobre o reino 
de Jud\u00e1, e particularmente sobre Jerusal\u00e9m, mostrava-se iminente.
{N}Ezequias{/} (716-685 a.C.) tomou a iniciativa de uma revolta contra a 
Ass\u00edria com o apoio do Egipto. Tentou persuadir as cidades filisteias que 
tomaram partido na causa e se uniram \u00e0 revolta. Mas Gaza e Azoto tinham 
sido severamente castigadas por Sargon II pelas suas anteriores revoltas 
e n\u00e3o tinham inten\u00e7\u00e3o nenhuma de repetir a experi\u00eancia. Contudo o rei 
Sidqa de Ascal\u00e3o aceitou juntar-se ao grupo. Padi, rei de Acaron, que se 
recusou a entrar na coliga\u00e7\u00e3o, foi conduzido preso a Jerusal\u00e9m perante 
Ezequias. A reac\u00e7\u00e3o ass\u00edria n\u00e3o se fez esperar. O ex\u00e9rcito de Senaquerib 
atravessou a Galileia e a Samaria. Apoderou-se das cidades filisteias da 
costa e cercou a cidade de L\u00e1quis. Senaquerib tomou a fortaleza e 
transformou-a no seu quartel general. Para comemorar esta vit\u00f3ria mandou 
representar a tomada da cidade nos muros do seu pal\u00e1cio em N\u00ednive, com 
uma tal precis\u00e3o e uma riqueza de pormenores incr\u00edvel: uma verdadeira 
banda desenhada onde se podem apreciar a batalha com as diferentes 
divis\u00f5es das tropas e a maquinaria de guerra, a decora\u00e7\u00e3o da fortaleza 
escrupulosamente reconstru\u00edda, e isto desde o primeiro assalto at\u00e9 ao 
cortejo de deportados depois da tomada da cidade. 
A tomada de L\u00e1quis foi apenas uma primeira etapa para Senaquerib. Dali, 
propunha-se continuar com o ataque a Jerusal\u00e9m. S\u00f3 uma interven\u00e7\u00e3o 
milagrosa de Deus poderia, ent\u00e3o, salvar a Cidade Santa, e esta aconteceu 
[2Rs_18,12] - [2Rs_19,37]. Quando tudo parecia perdido, Deus veio ajudar 
o seu povo, renovando assim os milagres do \u00eaxodo.
Descobriram-se na cidade imensas vasilhas com o bras\u00e3o real, que serviram 
de reserva de alimento para o ex\u00e9rcito de Ezequias, permitindo-lhe 
aguentar um longo e dif\u00edcil cerco. Centenas de pontas de flechas feitas 
em ferro, descobertas a n\u00edvel das muralhas e da rampa de assalto dos 
ass\u00edrios, mostram a viol\u00eancia dos combates.
A cidade foi destru\u00edda, ficando sepultada sob uma espessa capa de cinzas. 
Reconstru\u00edda rapidamente no s\u00e9culo VII a.C., sobreviveu at\u00e9 ao 
desmoronamento do Reino de Jud\u00e1. Teve ent\u00e3o de inclinar-se perante o 
ex\u00e9rcito de Nabucodonosor. As famosas \u00abcartas de L\u00e1quis\u00bb, encontradas 
perto das portas da cidade, s\u00e3o, na sua maior parte, as missivas 
dirigidas ao comandante da pra\u00e7a de L\u00e1quis em tempo de Sedecias e do 
profeta Jeremias.
{K}- MARESA{/}

Situada no extremo norte de Sefal\u00e1, Maresa \u00e9 citada em Josu\u00e9 15,44, na 
lista de cidades entregues \u00e0 tribo de Jud\u00e1, no momento da divis\u00e3o da 
terra. O segundo livro das Cr\u00f3nicas menciona Maresa entre as cidades 
fortificadas por Robo\u00e3o [2Cr_11,8], mas ao que parece os trabalhos de 
fortifica\u00e7\u00e3o aconteceram numa \u00e9poca anterior, antes da invas\u00e3o do fara\u00f3 
Sisac, e ningu\u00e9m sabe o que foi que ficou depois da campanha eg\u00edpcia. 
Sefal\u00e1 ser\u00e1 ainda o lugar de passagem de ass\u00edrios e babil\u00f3nios para o 
pa\u00eds. E todas as suas cidades ser\u00e3o destru\u00eddas no momento da conquista da 
Palestina por Senaquerib no ano 701 a.C.
Nos finais dos s\u00e9culos VI, a cidade passa para as m\u00e3os dos edomitas e 
torna-se a capital de Idumeia. Muito provavelmente serviu de enclave para 
o com\u00e9rcio de escravos com o Egipto. Estabeleceu-se tamb\u00e9m uma importante 
col\u00f3nia de sid\u00f3nios, origin\u00e1rios da Fen\u00edcia. Maresa foi destru\u00edda pelos 
partos no ano 4 a.C.
{K}- QUMRAN{/}

A uma altura de 300 metros e elevada sobre o {N}Mar Morto{/}, Qumran 
desenvolve-se sobre um planalto ao norte do wadi do mesmo nome. Uma 
parede alta de calc\u00e1rio vermelho, povoada de grutas naturais, domina o 
lugar. No s\u00e9culo II a.C., um grupo de ess\u00e9nios, desavindos com o clero do 
Templo de Jerusal\u00e9m, veio para este lugar \u00e0 procura de solid\u00e3o e 
recolhimento. O lugar tinha motivado muito pouco interesse aos 
arque\u00f3logos at\u00e9 \u00e0 Primavera de 1947, data da descoberta fortuita dos 
c\u00e9lebres \u00abManuscritos do Mar Morto\u00bb.
{K}A DESCOBERTA{/}

No dia 1 de Abril de 1947, enquanto procurava uma cabra extraviada, um 
jovem pastor da tribo Ta'amireh, Mohamed el-Dib, lan\u00e7ou por acaso uma 
pedra para o interior de uma cavidade do alcantilado rochoso. O eco 
produzido pelo pedra, emitiu um som semelhante ao de objectos partidos. 
Intrigado, o jovem pastor entrou na gruta: o piso achava-se atapetado de 
vasos de barro. Havia, al\u00e9m disso, oito vasilhas com as respectivas 
tampas. Uma delas guardava v\u00e1rios rolos de pergaminho envoltos num pano 
de linho. Os rolos continham escritos antigos. Depois de muitas 
perip\u00e9cias, os valiosos rolos chegaram \u00e0s m\u00e3os dos arque\u00f3logos, e mais 
tarde \u00e0s dos exegetas, que bem depressa se tinham apercebido da 
import\u00e2ncia excepcional desta descoberta. Iniciou-se uma procura met\u00f3dica 
dentro de um raio de uns 10 quil\u00f3metros ao redor do famoso esconderijo. 
Entretanto as grutas naturais, como tamb\u00e9m as escavadas no calc\u00e1rio, 
entregando manuscritos cada vez mais numerosos. As escava\u00e7\u00f5es realizadas 
sobre o terra\u00e7o em volta das ru\u00ednas, insignificantes \u00e0 primeira vista, 
revelaram a presen\u00e7a de edifica\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. Muito rapidamente se 
comprovaria que estas constru\u00e7\u00f5es foram obra dos ess\u00e9nios quase na sua 
totalidade.
{K}O MOVIMENTO ESS\u00c9NIO DE QUMRAN{/}

A hist\u00f3ria dos ess\u00e9nios era conhecida desde a antiguidade pelos textos de 
F\u00edlon de Alexandria, Fl\u00e1vio Josefo e Pl\u00ednio o Velho. Este \u00faltimo, na sua 
"Hist\u00f3ria Natural" (V, 17, 73),  definia-os assim: {C}\u00abPovo extraordin\u00e1rio, 
o mais extraordin\u00e1rio que possa existir, sem mulheres, sem amor, sem 
dinheiro, e vivendo na companhia das palmeiras... Assim, desde h\u00e1 
milhares de s\u00e9culos, inacreditavelmente, subsiste um povo eterno, onde 
ningu\u00e9m nasce\u00bb.{/}  Apesar dos not\u00f3rios exageros desta descri\u00e7\u00e3o, marcada 
pela imagina\u00e7\u00e3o e pela \u00e1gil pena do autor, n\u00e3o \u00e9 menos certo que os 
ess\u00e9nios tinham formado desde o s\u00e9culo II a.C. uma sociedade de "{C}puros{/}" 
segregados do mundo, praticando a ascese e a ora\u00e7\u00e3o.
A sua origem revela simultaneamente uma crise religiosa e uma crise 
pol\u00edtica. No ano 151 a.C. Alexandre Balas, um impostor, rouba o trono da 
S\u00edria, e a Palestina \u00e9 uma das suas prov\u00edncias. Um ano mais tarde, 
confere a{N} J\u00f3natas{/}, irm\u00e3o e sucessor de Judas Macabeu, a dignidade de 
Sumo Sacerdote [1Mc_10,20], nomeando-o al\u00e9m disso chefe militar e 
governador da Judeia. Partid\u00e1rio do helenismo, isto \u00e9, da cultura grega, 
J\u00f3natas abandona ent\u00e3o a pol\u00edtica independentista  e de reforma religiosa 
a que o seu pai e o seu irm\u00e3o se tinham dedicado. Perante esta situa\u00e7\u00e3o 
de deriva, o meio sacerdotal conservador judeu n\u00e3o tarda em reagir: a 
seculariza\u00e7\u00e3o em curso desnaturaliza os fundamentos do juda\u00edsmo. E para 
c\u00famulo o que acaba de aceitar tal cargo n\u00e3o cumpre com as suas condi\u00e7\u00f5es. 
De facto, J\u00f3natas pertencia a uma fam\u00edlia de sacerdotes, mas n\u00e3o tinha 
sa\u00eddo da descend\u00eancia de Sadoc. A somar \u00e0s queixas que pesavam sobre o 
novo sumo sacerdote estava a substitui\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio lit\u00fargico 
tradicional pelo calend\u00e1rio helen\u00edstico.
{K}O \u00caXODO PARA QUMRAN{/}

Perante o esc\u00e2ndalo do Templo manchado por um sacerdote ileg\u00edtimo e 
indigno, um pequeno grupo integrado por doze laicos, simbolizando as doze 
tribos de Israel, e tr\u00eas sacerdotes representando os tr\u00eas cl\u00e3s lev\u00edticos, 
exilam-se em Qumran entre 140 e 130 a.C. Eis como se exprime a regra da 
comunidade no que se refere a este assunto: {C}Separaram-se dos perversos e 
deixaram a sua casa para irem para o deserto afim de ali prepararem o 
caminho de Deus conforme o que est\u00e1 escrito: \u00abNo deserto, preparem o 
caminho do Eterno, endireitem na estepe um caminho para o nosso Deus\u00bb.{/}  
(Regra da Comunidade, coluna VIII). 
\u00c9 assim que, seguindo o Mestre de Justi\u00e7a, fundador e mestre do 
movimento, que por uma gra\u00e7a especial compreende os mist\u00e9rios escondidos 
nos Livros Sagrados, nasce a comunidade de Qumran fundada sobre a 
Alian\u00e7a, da qual o grupo se acha o \u00fanico deposit\u00e1rio. Ao retirar-se para 
este lugar \u00e1rido nas margens do Mar Morto, os ess\u00e9nios revivem a 
experi\u00eancia dos \u00abpais\u00bb e a travessia do deserto antes da entrada na Terra 
Prometida. Convencidos de que representam o verdadeiro Israel, o {C}pequeno 
resto{/}, \u00fanico herdeiro das promessas messi\u00e2nicas, preparam o novo Israel 
que ser\u00e1 a resposta ao des\u00edgnio da salva\u00e7\u00e3o de Deus. S\u00f3 a vida 
comunit\u00e1ria, quase mon\u00e1stica, consagrada \u00e0 leitura das Escrituras, \u00e0 
ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 medita\u00e7\u00e3o da Lei e dos Profetas lhes permitir\u00e1 viver o 
reencontro com Deus. Durante quase tr\u00eas s\u00e9culos, estes sacerdotes e 
leigos voluntariamente retirados para as proximidades do Mar Morto 
copiaram e voltar\u00e3o a copiar os Livros Sagrados, ao mesmo tempo que 
redigir\u00e3o textos originais. 
{K}ETAPAS DIFERENTES DE OCUPA\u00c7\u00c3O{/}

As escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas permitiram seguir pormenorizadamente a 
hist\u00f3ria e a vida da {C}Comunidade da Alian\u00e7a{/}.  Quando os seus fundadores 
chegaram \u00e0s margens do Mar Morto, encontraram uma torre e uma cisterna 
mais ou menos em estado de abandono: eram os testemunhos dos trabalhos 
empreendidos no s\u00e9culo VIII a.C. pelo rei Ozias {C}que construiu torres no 
deserto e cavou numerosas cisternas{/} [2Cr_26,10] provavelmente para 
instalar pequenas guarni\u00e7\u00f5es nesta regi\u00e3o fronteiri\u00e7a. Em redor destes 
elementos edificou-se em meados do s\u00e9culo II a.C. a primeira instala\u00e7\u00e3o 
comunit\u00e1ria.
Por volta do ano 135 a.C., no reinado de Jo\u00e3o Hircano I, o enclave 
aumentou e desenvolveu um sistema hidr\u00e1ulico. Nesta \u00e9poca o local adquire 
o aspecto que tem hoje. Podem tamb\u00e9m ser apreciados os vest\u00edgios  de uma 
violenta destrui\u00e7\u00e3o: sem d\u00favida o terramoto do ano 31 a.C.
No reinado de Arquelau (4 a.C.-6 d. C.) os edif\u00edcios danificados s\u00e3o 
reparados e a torre \u00e9 consolidada com um terra\u00e7o de pedra. Setenta anos 
mais tarde, os passos da 10\u00aa legi\u00e3o fazem-se sentir nas margens do Mar 
Morto. Roma tinha enviado Vespasiano para reprimir a primeira revolta 
judaica. Este, depois de terminar a sua miss\u00e3o na Galileia, envia as suas 
tropas para a plan\u00edcie costeira por um lado, e pelo vale do Jord\u00e3o por 
outro. Ao chegar a Qumran os legion\u00e1rios massacram a comunidade e 
saqueiam as instala\u00e7\u00f5es (68 d.C.).
Uma guarni\u00e7\u00e3o romana ir\u00e1 ocupar o lugar at\u00e9 ao termo do s\u00e9culo. Os 
partid\u00e1rios de Bar Kochba vir\u00e3o mais tarde a refugiar-se ali na \u00e9poca da 
segunda revolta judaica (132-135 d.C.). Mas ser\u00e1 necess\u00e1rio esperar cerca 
de dois mil anos para que as p\u00e1s dos arque\u00f3logos arranquem dos seus 
sonhos as ru\u00ednas de Qumran e o seu assombroso segredo.  
{K}UM PLANO FUNCIONAL{/}

O plano de conjunto revela a preocupa\u00e7\u00e3o de responder \u00e0s necessidades e 
exig\u00eancias da vida comunit\u00e1ria de um importante grupo desejoso de viver 
em autarquia sobre esta afastada plataforma. 
Perto da entrada, sobre o caminho subindo pelas margens do Mar Morto, uma 
torre controla os acessos. A torre prolonga-se para o sul por um edif\u00edcio 
cuja planta consistia numa sala rodeada de assentos baixos; talvez se 
tratasse de uma sala de reuni\u00f5es e do "scriptorium" (sala onde se 
escreve). Ali se descobriu o {C}escrit\u00f3rio{/} dos escribas, uma mesa comprida 
de barro cozido rebocada com gesso, com os seus tinteiros de bronze. Al\u00e9m 
disso, neste complexo, tinham-se disposto salas de servi\u00e7o com cozinha e 
tinturaria. Uma sala alongada parece ter sido o refeit\u00f3rio.
As oficinas s\u00e3o agrupadas. Na parte sul encontram-se as oficinas de 
olaria admiravelmente conservadas: um tanque, uma cuba de amassar para a 
argila, uma roda e dois fornos de tamanho diferente - o maior deve ter 
servido para cozer as vasilhas que conservaram de maneira inestim\u00e1vel os 
manuscritos. No sector oeste encontrava-se o moinho, a padaria com os 
seus fornos, as reservas de gr\u00e3o e de fruta, bem como uma cavalari\u00e7a. O 
sistema hidr\u00e1ulico era a espinha dorsal do enclave. Por toda a parte h\u00e1 
cisternas e tanques de decanta\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m de numerosos canais que 
alimentam os dep\u00f3sitos j\u00e1 mencionados. 
{K}O CEMIT\u00c9RIO E A GRANJA{/} 
Separado da cidade dos vivos por um longo muro de pedras que se eleva 
sobre o barranco, o dom\u00ednio dos mortos compreende n\u00e3o menos de 1.100 
t\u00famulos. Os mortos na sua grande maioria s\u00e3o homens. Encontram-se 
sepultados em "loculi" cavados a menos de um metro de profundidade, sem 
vest\u00edgios de ofertas nem moedas, como o pedia o costume judaico da \u00e9poca. 
Mais abaixo foram encontrados alguns esqueletos de mulheres e de 
crian\u00e7as, o que parece contradizer a Regra da Comunidade e os testemunhos 
da \u00e9poca, j\u00e1 que a citada Regra se destinava a c\u00e9libat\u00e1rios que tinham 
escolhido viver num perfeito estado de pureza ritual. Talvez se tratasse 
de fam\u00edlias pr\u00f3ximas \u00e0 Comunidade, pois  a \u00abRegra Anexa\u00bb menciona 
mulheres e crian\u00e7as nos arredores do \u00abmosteiro\u00bb.
A tr\u00eas quil\u00f3metros ao sul de Qumran, o grande o\u00e1sis de Ain-Fesja, povoado 
de tamareiras, assegurava a subsist\u00eancia da Comunidade. Fontes abundantes 
irrigavam as culturas. Estes mananciais eram igualmente necess\u00e1rios para 
a curti\u00e7\u00e3o de peles que, transformadas em pergaminhos, eram usadas pelos 
escribas.
{K}A BIBLIOTECA DE QUMRAN{/} 
A descoberta dos manuscritos de Qumran constituiu, por certo, um dos 
achados arqueol\u00f3gicos mais valiosos do s\u00e9culo XX. As grutas devolveram \u00e0 
luz a biblioteca destes homens que, nos momentos de perigo, se retiravam 
para as ermidas naturais do alcantilado. As grutas 1 e 4 continham os 
documentos da comunidade que ter\u00e3o sido escondidos \u00e0 pressa, quando o 
lugar foi destru\u00eddo e abandonado. Foram pacientemente reunidos milhares 
de fragmentos de todos os tamanhos mas apenas onze rolos est\u00e3o 
praticamente completos. Entre eles, dois correspondem a Isa\u00edas e um aos 
Salmos. Os manuscritos foram geralmente escritos em {N}pergaminho{/}, em{N} 
escrita{/} hebraica quadrada, principalmente os que correspondem aos livros 
b\u00edblicos. Mas podem tamb\u00e9m ser apreciados exemplares escritos em aramaico 
ou em caracteres hebraicos de formas mais antigas.
Os documentos podem classificar-se em tr\u00eas categorias: manuscritos 
b\u00edblicos, ap\u00f3crifos do Antigo Testamento e os escritos pr\u00f3prios da 
comunidade.
{K}OS LIVROS DA B\u00cdBLIA{/}

Se confrontarmos os textos b\u00edblicos na l\u00edngua hebraica aqui descobertos 
com as c\u00f3pias que se tinham at\u00e9 essa data - e das quais as mais antigas 
datam do s\u00e9culo IX d.C. - fica-se admirado pela sua semelhan\u00e7a. o que 
manifesta o trabalho extraordinariamente consciencioso dos escribas que, 
por meio do seu trabalho meticuloso, garantiram a transmiss\u00e3o perfeita do 
Livro Sagrado. A descoberta destes manuscritos permitiram, al\u00e9m disso, 
confirmar o texto hebreu do Antigo Testamento, pois demonstra que a 
composi\u00e7\u00e3o do texto que n\u00f3s lemos nas nossas b\u00edblias tinha terminado 
praticamente  nos princ\u00edpios do s\u00e9culo I a. C. 
Todos os livros hebraicos do antigo Testamento, excepto o de Ester, est\u00e3o 
reproduzidos. H\u00e1, al\u00e9m disso, catorze c\u00f3pias do Deuteron\u00f3mio, doze de 
Isa\u00edas e uma dezena de c\u00f3pias dos Salmos. O livro de Daniel era muito 
lido em Qumran: encontraram-se sete exemplares. Isto deve-se a este livro 
ter sido composto no ano 164 a.C., pelo que estas c\u00f3pias se distanciam 
apenas cinquenta anos do seu original. Sobre o livro de Coelet o 
manuscrito de Qumran afasta-se apenas cem anos da vers\u00e3o original.
{K}VARIEDADE DE AP\u00d3CRIFOS{/}

Os ap\u00f3crifos do Antigo Testamento s\u00e3o livros que n\u00e3o foram inclu\u00eddos na 
B\u00edblia, mas que se inserem dentro da tradi\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento. A 
literatura apocal\u00edptica tem aqui um papel destacado. A corrente 
apocal\u00edptica, com a sua vis\u00e3o de um mundo sob o dom\u00ednio do dem\u00f3nio e de 
uma hist\u00f3ria cujos acontecimentos j\u00e1 est\u00e3o escritos nos livros 
celestiais, concordam com as cren\u00e7as e a teologia da Comunidade, do mesmo 
modo, que o seu esoterismo que reserva a verdade apenas aos iniciados, e 
que a sua esperan\u00e7a na vit\u00f3ria no fim dos tempos.
{C}O livro dos{/} {N}Jubileus{/} apresenta a hist\u00f3ria sagrada da Cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 
teofania do Sinai. A narrativa desenrola-se em 49 per\u00edodos de 49 anos 
cada um.  O autor imagina-as para encontrar nos acontecimentos das 
origens, e de prefer\u00eancia na \u00e9poca patriarcal, a justifica\u00e7\u00e3o das leis e 
costumes do seu tempo. Esta ordem, nascida da Lei dada ao povo de Israel 
no quadro da Alian\u00e7a, era, para al\u00e9m disso, garantida por um calend\u00e1rio 
solar cuja observ\u00e2ncia rigorosa regia, cada ano nas suas pr\u00f3prias datas, 
as festas religiosas e os sabbats. 
{C}O livro de{/} {N}Henoc,{/} um dos maiores apocalipses judeus, narra as viagens 
deste patriarca mencionado no G\u00e9nesis pelo al\u00e9m, e narra ainda as suas 
vis\u00f5es do confronto entre os anjos e os dem\u00f3nios. 
{C}O{/} {N}Testamento{/} {C}dos Doze{N} Patriarcas{/} re\u00fane as recomenda\u00e7\u00f5es dos doze 
filhos de Jacob aos seus descendentes exortando-os a observar a Lei e a 
submeter-se \u00e0 tribo sacerdotal de Levi chamando-os \u00e0 santidade. Este 
ideal elevado tinha inspirado o grupo, autor deste livro onde se encontra 
o tema qumraniano dos dois Messias.
{K}ESCRITOS PR\u00d3PRIOS DA COMUNIDADE{/}

A Literatura da Comunidade \u00e9 muito abundante.
{C}A Regra da Comunidade{/} \u00e9 o documento mais importante, que foi descoberto 
na gruta 1 praticamente intacto. Pode ser comparado \u00e0s regras mon\u00e1sticas. 
Cont\u00e9m o ritual anual da renova\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a e o c\u00f3digo penal da 
Comunidade. Uma parte doutrinal exp\u00f5e a teoria dos dois Esp\u00edritos. 
Estavam-lhe associadas a Regra para a congrega\u00e7\u00e3o de Israel nos \u00faltimos 
dias e uma s\u00e9rie de B\u00ean\u00e7\u00e3os.
Em 1910 tinham sido descobertos dois manuscritos do s\u00e9culos X e XII d.C. 
que revelaram ser c\u00f3pias de um manuscrito anterior \u00e0 ru\u00edna do Templo no 
ano 70 da nossa era. Os sacerdotes filhos de Sadoc tinham ali um lugar 
destacado. Falava-se tamb\u00e9m da \u00abNova Alian\u00e7a no pa\u00eds de Damasco\u00bb: era 
evidente que a comunidade cuja regra se acabava de descobrir estava 
relacionada com os ess\u00e9nios conhecidos j\u00e1 por F\u00edlon de Alexandria e por 
{N}Fl\u00e1vio Josefo{/}. Os manuscritos de Qumran, e muito particularmente a 
Regra da Comunidade, vieram confirmar estas intui\u00e7\u00f5es.
{C}A Regra da Guerra{/} deve assegurar a vit\u00f3ria dos \u00abFilhos da Luz\u00bb sobre os 
\u00abFilhos das Trevas\u00bb. Ensina a estrat\u00e9gia guerreira que deve ser seguida 
para conseguir a conquista do mundo. {C}O Rolo dos{/} {N}Hinos{C}{/} de louvor a 
Deus, \u00e9 uma ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pela miseric\u00f3rdia divina que concede ao homem 
a salva\u00e7\u00e3o, apesar da sua fragilidade. Todo o conte\u00fado do livro exprime o 
desejo profundo de comunh\u00e3o com Deus.
{C}Os Coment\u00e1rios{/} (ou Pesharim) dos livros de Habacuc, Miqueias, Naum e 
Isa\u00edas, misturam a explica\u00e7\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o minuciosa dos textos em 
fun\u00e7\u00e3o da escatologia e da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea da Comunidade.
{C}O Rolo do{/} {N}Templo{/} inspira-se em grande parte no Deuteron\u00f3mio. As leis 
que tinham sido transmitidas ao povo por meio de Mois\u00e9s, s\u00e3o aqui 
enunciadas directamente por Deus, na primeira pessoa e dirigidas \u00e0 
Comunidade deste Novo Israel.
Os Rolos de Bronze, por fim, estabelecem um lista de esconderijos, na sua 
maior parte agrupados \u00e0 volta de Jerusal\u00e9m, e que esconderiam um fabuloso 
tesouro, t\u00e3o misterioso que toda a procura at\u00e9 hoje n\u00e3o teve qualquer 
resultado.
Esta literatura esclarece a evolu\u00e7\u00e3o do mundo judeu no in\u00edcio da era 
crist\u00e3. Al\u00e9m disso, serve de certo modo, como liga\u00e7\u00e3o entre os \u00faltimos 
livros da B\u00edblia judaica e os escritos do Novo Testamento. Por outro 
lado, estes manuscritos d\u00e3o um testemunho directo sobre a vida e as 
doutrinas deste grupo ess\u00e9nio retirado em Qumran, afastado do Templo e da 
Cidade Santa.
{K}O DUALISMO ESS\u00c9NIO{/}

Para atingir a comunh\u00e3o com Deus, os membros da comunidade devem vencer a 
fraqueza do homem perante o mal. No cora\u00e7\u00e3o de qualquer homem confrontam-
se os dois esp\u00edritos que disputam entre si o mundo: o esp\u00edrito das Trevas 
e o esp\u00edrito da Luz, as for\u00e7as do Mal e as for\u00e7as do Bem. Nesta luta 
c\u00f3smica o pr\u00f3prio Deus assegurar\u00e1 o triunfo do Bem, n\u00e3o sem o concurso 
dos filhos da Luz que se devem comprometer numa guerra de exterm\u00ednio, 
cuja estrat\u00e9gia \u00e9 detalhadamente analisada na \u00abRegra da Guerra\u00bb.
{K}A LITURGIA DA NOVA ALIAN\u00c7A{/}

O ideal altamente espiritual de todos os membros era alimentado e 
sustentado por uma observ\u00e2ncia estrita das regras sociais e religiosas, 
pelos ritos de purifica\u00e7\u00e3o (que s\u00e3o testemunhados pela grande quantidade 
de tanques encontrados), por ritos relacionados com a convers\u00e3o do 
cora\u00e7\u00e3o, e finalmente, por assembleias lit\u00fargicas durante as quais o 
convite sagrado do p\u00e3o e do vinho doce simbolizava uma \u00abpregusta\u00e7\u00e3o\u00bb do 
banquete escatol\u00f3gico. 
As festas solenes regiam-se pelo {C}calend\u00e1rio lunissolar{/}, que garantia a 
harmonia da liturgia terrestre com o louvor celeste. Esta vida de ora\u00e7\u00e3o 
comunit\u00e1ria constitu\u00eda em si mesma as prim\u00edcias da vida ang\u00e9lica, 
prometida no Fim dos Tempos.
A festa do Pentecostes era considerada de uma import\u00e2ncia excepcional. 
Esta comunidade da \u00abNova Alian\u00e7a\u00bb, cujos membros recebiam o Esp\u00edrito de 
Santidade e por Ele, o acesso aos mist\u00e9rios divinos, devia solenizar o 
dia em que se venerava a entrega da Lei a Israel sobre o Sinai. A 
liturgia inspirava-se na renova\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a, tal como \u00e9 relatada no 
Deuteron\u00f3mio: {C}Estas s\u00e3o as palavras conclusivas da Alian\u00e7a que Jav\u00e9 
mandou fazer a Mois\u00e9s com os Israelitas, na terra de Moab... Mois\u00e9s 
convocou todo o Israel, e disse: \u00abV\u00f3s mesmos vistes tudo o que Jav\u00e9 fez 
na terra do Egipto contra o fara\u00f3, contra os seus ministros e contra todo 
o seu pa\u00eds...  Observai as palavras desta alian\u00e7a e ponde-as em pr\u00e1tica, 
para serdes bem sucedidos em tudo o que fizerdes... Chegou a hora de 
entrardes na alian\u00e7a de Jav\u00e9 vosso Deus e aceitar o pacto sob condi\u00e7\u00e3o, 
que Jav\u00e9 vosso Deus assume hoje convosco... Deste modo, Ele hoje vai 
fazer de v\u00f3s o seu povo, e Ele mesmo Se tornar\u00e1 o vosso Deus, como jurou 
e prometeu aos vossos antepassados Abra\u00e3o, Isaac e Jacob.{/} [Dt_28,69] - 
[Dt_29,1]; [Dt_29,8]; [Dt_29,11]; [Dt_29,12].
Apesar da sua aut\u00eantica profundidade espiritual e do ideal de santidade 
que os animava, esta comunidade dos \u00abPuros\u00bb quase n\u00e3o teve influ\u00eancia, 
nem sobre o juda\u00edsmo palestino, nem sobre o cristianismo nascente. 
Estavam t\u00e3o convencidos da sua voca\u00e7\u00e3o superior que se consideravam o 
grupo dos \u00fanicos que seriam salvos, \u00fanicos preparados para interpretar as 
Escrituras e fecharam-se num isolamento absoluto.
O dualismo sect\u00e1rio que constitu\u00eda a base da Teologia de Qumran, o 
combate sem piedade dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas 
destinados ao exterm\u00ednio, permitem captar o alcance da sua 
intransig\u00eancia.
Podem ver-se v\u00e1rios paralelos entre os escritos ess\u00e9nios e os textos do 
Novo Testamento. Foram-lhes tirados alguns elementos e depois revistos. 
Isto n\u00e3o impede que a f\u00e9 crist\u00e3 conserve toda a sua originalidade sobre 
as cren\u00e7as e as pr\u00e1ticas da Comunidade da Alian\u00e7a. O Messias Filho de 
Deus anuncia o Reino de Deus j\u00e1 presente na terra. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom 
gratuito do amor de Deus, e todos os homens s\u00e3o chamados a participar do 
banquete do Fim dos Tempos.
