{N}1,{/}1 A chegada ao Sinai onde se celebrou a Alian\u00e7a (Ex 20 e 33-34) aconteceu no segundo m\u00eas depois da sa\u00edda do Egipto (Ex 19,1 situa-a no terceiro m\u00eas do ano, tendo a sa\u00edda sido no dia 14 do primeiro m\u00eas do ano). A lei tinha-lhes sido dada no Pentecostes, quer dizer, no quinquag\u00e9simo dia depois da P\u00e1scoa.

{N}1,{/}2 Fala-se do Horeb que \u00e9 identificado com o Monte Sinai e afirma-se que normalmente s\u00e3o onze dias de marcha at\u00e9 ao o\u00e1sis de Cades Barne. Segundo os N\u00fameros (cap 13-14) \u00e9 a\u00ed que o povo se nega a empreender a conquista de Cana\u00e3, e ali ter\u00e1 de permanecer durante trinta e oito anos. 
Depois, conduzidos por Mois\u00e9s, partem para Moab para entrar em Cana\u00e3 pelo leste. Atravessaram a seguir Arab\u00e1, a grande depress\u00e3o onde corre o rio Jord\u00e3o e, mais a sul, se situa o Mar Morto. Encontraram-se ent\u00e3o com Seon, rei dos amorreus de Hesebon, na outra margem do Jord\u00e3o e mataram-no. Segundo nos dizem, fizeram o mesmo com outro rei chamado Og que devia ter estado mais a norte, na meseta de Bas\u00e3, mas cuja historicidade \u00e9 muito duvidosa. Ficam em paz durante algum tempo nas colinas de Moab, e \u00e9 a\u00ed que Mois\u00e9s se torna o legislador de Israel, nos \u00faltimos tempos antes de morrer.
Sabe-se que a Hist\u00f3ria nos d\u00e1 uma vis\u00e3o um pouco diferente desta marcha. Vejam-se os coment\u00e1rios de Ex 17,8.

{N}2,{/}1 Nesta hist\u00f3ria da caminhada pelo deserto, os vers\u00edculos 11-12 e 20 recordam-nos que os edomitas, os amonitas e os moabitas, que iam ser os vizinhos de Israel, entraram na Hist\u00f3ria quase ao mesmo tempo que eles. Eram tamb\u00e9m n\u00f3madas que se instalaram em terras habitadas por amorreus e horitas. 

{N}4,{/}5 {N}A SABEDORIA DA B\u00cdBLIA{/}
{C}\u00abQue povo \u00e9 t\u00e3o s\u00e1bio e inteligente como esta grande na\u00e7\u00e3o?\u00bb{/} . Este livro \u00e9 contempor\u00e2neo do cap 20 do \u00caxodo e dos nossos Dez Mandamentos. Foi escrito oito s\u00e9culos antes de Cristo e j\u00e1 nele lemos esta afirma\u00e7\u00e3o: Deus deu-nos uma tal sabedoria que n\u00e3o foi comunicada aos outros povos. Qualquer um poderia sorrir \u00e0 dist\u00e2ncia e pensar que, do campan\u00e1rio da sua aldeia, o escritor sagrado via apenas um recanto do mundo e que com prazer ignorava quer as milen\u00e1rias culturas eg\u00edpcias e mesopot\u00e2micas que o tinham precedido quer as grandes culturas e religi\u00f5es da long\u00ednqua \u00c1sia.
E no entanto, estava consciente de ser o deposit\u00e1rio de leis surpreendentes:
- a afirma\u00e7\u00e3o de Jav\u00e9, Deus \u00fanico, o qual n\u00e3o Se pode representar;
- a f\u00e9 no Deus Justo que exige a fidelidade interior e a pr\u00e1tica da justi\u00e7a acima de qualquer outra forma de culto;
- a obriga\u00e7\u00e3o rigorosa do s\u00e1bado como o meio para preservar a liberdade e a dignidade das pessoas;
- a protec\u00e7\u00e3o da vida humana e o respeito pelo estrangeiro, que frequentemente era antes um forasteiro, quer dizer, um israelita que vivia no territ\u00f3rio de uma tribo que n\u00e3o era a sua. 
- a rejei\u00e7\u00e3o de qualquer licenciosidade sexual. 
O autor do livro via j\u00e1 o benef\u00edcio destas leis que s\u00f3 seria apreciado em toda a sua amplitude quando todas as culturas vizinhas tivessem desaparecido.
Mas se o orgulho de serem os detentores de uma sabedoria superior podia fazer nascer em Israel o sentimento de serem privilegiados, pode-se tamb\u00e9m inverter a ordem dos termos: a certeza de ter sido chamado por Deus com um destino \u00fanico era um dos pilares da sabedoria de Israel. Todo o edif\u00edcio da Lei teria ca\u00eddo se n\u00e3o se tivesse acreditado na alian\u00e7a de Jav\u00e9 com Israel (4,13; 4,20). O Deuteron\u00f3mio inspirou-se fortemente na prega\u00e7\u00e3o dos primeiros profetas da escola de Elias, e vai repetir-nos de mil maneiras que s\u00f3 h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o para Israel na fidelidade \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o. 
Encontramos aqui um tra\u00e7o caracter\u00edstico da identidade do povo da B\u00edblia. Hoje em dia, temos portanto que abrir os olhos diante das religi\u00f5es do mundo e ver como atrav\u00e9s delas Deus fez uma obra de salva\u00e7\u00e3o em todas as culturas. \u00c9 muito importante reconhecer que nem a religi\u00e3o de Israel nem o cristianismo foram princ\u00edpios absolutos, mas que as suas doutrinas tiveram antecedentes noutras religi\u00f5es. Contudo, depois de todos esses aspectos terem sido esclarecidos e de se ter tentado elaborar uma \u00abgenealogia das religi\u00f5es\u00bb, nada se ter\u00e1 ainda dito sobre o que \u00e9 essencial na revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica: desta revela\u00e7\u00e3o foi encarregue o \u00fanico povo a que Deus Se deu a conhecer face a face. Enquanto outros se dizem testemunhas do indiz\u00edvel de Deus, aqui Deus diz-Se e torna-Se pr\u00f3ximo. Em toda a parte as outras religi\u00f5es prop\u00f5em leis divinas, falam da sabedoria e procuram o Absoluto, mas em nenhuma parte por\u00e3o no centro da procura, ou do servi\u00e7o, ou da obedi\u00eancia, um conhecimento de Deus face a face (4,7; 4,35; Cl 2, 8-10).
\u00c9 verdade que o Deuteron\u00f3mio disse: \u00abOuvistes o som das palavras, mas n\u00e3o vistes nenhuma figura\u00bb (4,12; 5,24). Mas nessas palavras existe apenas uma rejei\u00e7\u00e3o a qualquer imagem e tamb\u00e9m o chamamento \u00e0 f\u00e9; n\u00e3o negam que Deus Se tenha manifestado.  O discurso que o autor atribuiu a Jav\u00e9 \u00e9 constantemente a palavra de um Deus que Se revela aos que ama e que O amam (4,37; 7,8; 6,4). Passemos ao Novo Testamento e teremos o Discurso depois da Ceia, de Jo\u00e3o cap. 14-17. Isto n\u00e3o tem equivalentes nem antecedentes em nenhuma religi\u00e3o.

{N}4,{/}9 Encontrar-se-\u00e1 esta advert\u00eancia em 4,25; 6,12; 8,11. O autor do livro p\u00f5e aqui na boca de Mois\u00e9s o que a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia lhe dita. A indiferen\u00e7a  religiosa dos seus contempor\u00e2neos deve-se em parte a que essa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o viu as maravilhas de Deus nem quer sequer recorda a experi\u00eancia dos seus pais.  Isso n\u00e3o \u00e9 apenas efeito  do tempo que passa, porque nessa \u00e9poca as tradi\u00e7\u00f5es podiam transmitir-se oralmente durante s\u00e9culos sem perder o seu valor de actualidade. O que acontece \u00e9 que se esqueceu a experi\u00eancia do Sinai porque as pessoas j\u00e1 n\u00e3o vivem como antes. Houve uma mudan\u00e7a cultural, Israel j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma comunidade de n\u00f3madas mas um povo de agricultores agrupados numa na\u00e7\u00e3o. Ao instalar-se no territ\u00f3rio passaram de uma grande precaridade nas condi\u00e7\u00f5es de vida  para uma certa estabilidade: agora est\u00e3o nas suas pr\u00f3prias quintas e n\u00e3o em terras estrangeiras; plantaram e implantaram-se; colhe-se e guarda-se a colheita segura. 
Era, portanto, preciso recordar-lhes o que foi a primeira experi\u00eancia de salva\u00e7\u00e3o de Deus e ao mesmo tempo fazer-lhes sentir que mesmo nessa terra que julgavam possuir n\u00e3o estavam seguros de nada. \u00c9 o que diz o par\u00e1grafo 11,10: Porque a terra que v\u00e3o possuir... No Egipto tinham que sofrer mas podiam contar com o seu pr\u00f3prio esfor\u00e7o. Na Palestina, em contrapartida, nada se pode fazer para que a \u00e1gua caia do c\u00e9u, pelo contr\u00e1rio, a\u00ed tudo depende de Deus que tanto pode fechar como abrir o c\u00e9u. N\u00e3o se deve portanto adormecer nem a f\u00e9 nem a fidelidade, porque Deus prometeu enviar a chuva se se for fiel, j\u00e1 que Ele \u00e9 dono da natureza.

{N}7,{/}1 Os cap\u00edtulos 7 e 8 real\u00e7am a identidade de Israel face \u00e0s na\u00e7\u00f5es que a rodeiam. No vers\u00edculo 1 traduzimos por{C} povos{/} a palavra \u00abgoyim\u00bb que se encontrar\u00e1 ao longo de toda a B\u00edblia e que designa quase sempre os povos ou na\u00e7\u00f5es estrangeiras. Outra palavra hebraica que tem um sentido muito pr\u00f3ximo designa habitualmente Israel: traduz-se normalmente por \u00abo povo\u00bb. Quando na B\u00edblia se diz \u00abo povo\u00bb sem mais nada, quer dizer Israel. Falaremos portanto, muito frequentemente, da oposi\u00e7\u00e3o entre o {C}povo e as na\u00e7\u00f5es. {/}O Deuteron\u00f3mio afirma a identidade de Israel opondo-a aos outros elementos que povoam a terra da Palestina. Sabe-se que mesmo depois da conquista de Josu\u00e9, e durante todo o tempo dos Reis, essa popula\u00e7\u00e3o cananeia n\u00e3o israelita, privada ent\u00e3o do poder, se manteve muito numerosa. A Hist\u00f3ria b\u00edblica normalmente ignora-a a n\u00e3o ser quando se trata de defender-se dos costumes e pr\u00e1ticas religiosas enraizadas desde h\u00e1 muitos s\u00e9culos e que muitos israelitas adoptaram sem escr\u00fapulos. \u00c9 por isso que o Deuteron\u00f3mio p\u00f5e na boca de Mois\u00e9s a ordem de \u00abcondenar ao an\u00e1tema\u00bb, isto \u00e9, de exterminar a todos os que ocupavam o pa\u00eds antes deles: \u00e9 uma maneira de dizer que tudo teria sido mais simples para Israel se os ocupantes do territ\u00f3rio tivessem desaparecido para que Israel n\u00e3o tivesse constantemente diante de si esses maus exemplos.
Esses maus exemplos ser\u00e3o tanto a liberdade sexual como o culto aos \u00eddolos: a identidade do povo de Deus implicar\u00e1 a rejei\u00e7\u00e3o quer de um quer do outro. O cap\u00edtulo 8 denunciar\u00e1 o erro e o pecado que s\u00e3o a base de todos os outros: \u00e9 a sufici\u00eancia do homem que julga que s\u00f3 deve a si mesmo o n\u00edvel de vida que soube alcan\u00e7ar: j\u00e1 se falou sobre isso a prop\u00f3sito de 4,9.

{N}7,{/}6 {N}FOSTE ELEITO{/}
{C}Ele escolheu-te dentre todos os povos da terra para que sejas o seu pr\u00f3prio povo.{/} Ouve-se frequentemente esta pergunta: porque \u00e9 que Deus escolheu Israel em vez de qualquer outro povo? Devemos lembrar-nos que Deus n\u00e3o est\u00e1 na situa\u00e7\u00e3o de um jurado que escolhe entre diversos candidatos e que s\u00f3 pode avaliar os seus m\u00e9ritos e as suas aptid\u00f5es. A escolha de Israel fez-se na eternidade, mesmo antes da Hist\u00f3ria ser posta em marcha e de se diversificarem os povos. Por esse motivo a B\u00edblia faz remontar as suas genealogias at\u00e9 ao primeiro Ad\u00e3o (Gn 5,1; Lc 3,38).
P\u00f5e-se agora aos crist\u00e3os uma quest\u00e3o mais grave. Embora o judeu actual esteja consciente da sua originalidade no meio dos outros povos, pelo simples facto de ter nascido de pais judeus, em contrapartida a um crist\u00e3o custa-lhe dizer em que \u00e9 diferente dos outros, e mais ainda como foi escolhido por Deus. Ao contr\u00e1rio do primeiro caso, o que faz um crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ter nascido nesta ou naquela fam\u00edlia, neste ou naquele povo. \u00c9 certo que nos pa\u00edses da Europa e da Am\u00e9rica at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, era-se crist\u00e3o de nascimento e chegava-se quase necessariamente ao baptismo. Os pais decidiam da f\u00e9 dos seus filhos e ao faz\u00ea-lo continuavam uma longa tradi\u00e7\u00e3o que ningu\u00e9m poderia criticar.  No entanto, esta tradi\u00e7\u00e3o deixava na sombra uma das caracter\u00edsticas essenciais do baptismo, que \u00e9 a resposta a um chamamento. Veja-se o texto de Jeremias que anuncia a nova Alian\u00e7a: trata-se de um reconhecimento m\u00fatuo de Deus e dos seus filhos ou filhas. 
Os Actos mostram-nos como a Igreja nasceu desses judeus que reconheceram em Jesus o seu Messias e que, com Ele, quiseram ser o povo da nova alian\u00e7a. E quando se deram conta que o conjunto do povo n\u00e3o os seguia, compreenderam melhor que tinham sido escolhidos. Alguns anos depois, os gregos e os n\u00e3o-judeus que em todos os pa\u00edses se deixavam impelir pelo Evangelho tinham uma experi\u00eancia semelhante: tinha-lhes sido necess\u00e1ria uma disciplina e um catecumenato para entrar na comunidade dos eleitos de Deus, mas tinha sido Deus que os tinha feito perseverar. Cada um deles era consciente de que a gra\u00e7a de Deus fez que se encontrassem com esta ou com aquela pessoa que os atraiu para a Igreja.
Na medida em que a chegada ao baptismo foi um percurso pessoal e um p\u00f4r \u00e0 prova da f\u00e9, a celebra\u00e7\u00e3o do baptismo foi acompanhada ou seguida de uma efus\u00e3o do Esp\u00edrito, por vezes muito forte no plano da sensibilidade, que a carta aos Hebreus recorda (10,32-33; 12,18-24) e que a carta de Pedro pressup\u00f5e (1Pd cap 1). Seja qual for o momento em que o Esp\u00edrito manifesta  a sua presen\u00e7a na vida de cada um (1Cor 12,7; Gl 3,2), \u00e9 dif\u00edcil encontrar uma f\u00e9 autenticamente crist\u00e3 que n\u00e3o se apoie numa experi\u00eancia espiritual. Esse dom do Esp\u00edrito \u00e9, conforme as Escrituras, a prova mais evidente de que fomos chamados pessoalmente (Rm 8,16). 

{N}9,{/}7 Nos par\u00e1grafos seguintes o autor recordar\u00e1 os pecados de Israel: j\u00e1 se tinha referido a isso no primeiro cap\u00edtulo. Via que devia fundamentar o amor a Deus por uma consci\u00eancia muito forte das trai\u00e7\u00f5es do povo e da incans\u00e1vel paci\u00eancia de Deus. O amor abre-nos os olhos para que descubramos a injusti\u00e7a que at\u00e9 esse momento beb\u00edamos como a \u00e1gua (Job 15,16), e  em troca a consci\u00eancia do pecado faz que o amor seja mais humilde e por isso, mais aut\u00eantico (Sl 51; Lc 7,47).
E aqui est\u00e1 uma nova caracter\u00edstica do amor de acordo com a B\u00edblia: ao ser tomado como a regra do nosso viver di\u00e1rio, p\u00f5e a claro o que se chamou o \u00abestado de pecado da ra\u00e7a humana\u00bb. Neste cap\u00edtulo encontra-se a mesma certeza que se encontrar\u00e1 na ep\u00edstola  aos Romanos: a f\u00e9 segundo S. Paulo \u00e9 em primeiro lugar o acolhimento da reconcilia\u00e7\u00e3o que Deus nos oferece, e atrav\u00e9s da cruz de Jesus reconhecemos a imensidade do amor do Pai (Rm 5,6-9; Lc 20,13). 
\u00c9 certo que a recorda\u00e7\u00e3o constante do pecado pode ser uma maneira de desenvolver complexos de culpa que nada t\u00eam de saud\u00e1vel (Ne 8,9-12), mas n\u00e3o podemos ignorar que somos pecadores e que a cada momento fechamos a porta aos chamamentos do alto (Ct 5,2-6). 

{N}14,{/}1 Os cap\u00edtulos 14-16 estabelecem as bases que assegurar\u00e3o a coes\u00e3o da sociedade israelita. Para come\u00e7ar, as proibi\u00e7\u00f5es de tipo alimentar. Depois os d\u00edzimos  que permitir\u00e3o manter um culto digno de Deus. Depois vem o ano da remiss\u00e3o, o ano que trava os processos que v\u00e3o separando cada vez mais os ricos dos pobres. Por \u00faltimo as festas que ser\u00e3o para todos os homens da na\u00e7\u00e3o  a oportunidade de se reencontrarem em Jerusal\u00e9m em redor do Templo.
As proibi\u00e7\u00f5es aliment\u00edcias ser\u00e3o um meio para se separarem dos outros povos que habitam a Palestina. Ser\u00e3o completadas com outras regras que se referem ao que \u00e9 puro ou impuro e pouco a pouco ir\u00e3o marcar toda a trama da vida quotidiana. Desse modo obrigar\u00e3o o judeu, mesmo o emigrado, a que n\u00e3o se funda na massa dos n\u00e3o-judeus mas que se junte sempre com os seus \u00abirm\u00e3os\u00bb, criando-se entre eles uma solidariedade que far\u00e1 de Israel um povo sempre vivo e forte. 
Os d\u00edzimos s\u00e3o um compromisso concreto, um daqueles perante o qual muitos crentes retrocedem, com o pretexto de um sentido mais  espiritual das realidades religiosas. Uma parte do d\u00edzimo n\u00e3o \u00e9 dada totalmente (14,22-27). Gasta-se em Jerusal\u00e9m, o que provoca entradas avultadas para o Templo e para a cidade. N\u00e3o \u00e9 o caso do d\u00edzimo  de tr\u00eas em tr\u00eas anos, que \u00e9 destinado ao pobre e ao levita (28-29). N\u00e3o nos esque\u00e7amos que o Deuteron\u00f3mio fazia parte da grande reforma que p\u00f4s termo aos santu\u00e1rios de prov\u00edncia para dar exclusividade ao Templo de Jerusal\u00e9m. Queria eliminar numerosos abusos de facto, e muitos compromissos religiosos, mas tamb\u00e9m desapossou todos  os sacerdotes que viviam desses santu\u00e1rios. N\u00e3o lhes foi retirado o car\u00e1cter sagrado que se transmitia de pais para filhos, mas a comunidade devia velar pela sua sobreviv\u00eancia.
O ano da remiss\u00e3o \u00e9 j\u00e1 o que ser\u00e1 no Lev\u00edtico o ano sab\u00e1tico: um ano de remiss\u00e3o das d\u00edvidas merc\u00ea do qual cada israelita conservar\u00e1 em Israel a parte da sua heran\u00e7a.  Pretende favorecer a reconcilia\u00e7\u00e3o e a solidariedade social. 
Quanto \u00e0s tr\u00eas festas, s\u00e3o inseparavelmente um acto religioso e uma manifesta\u00e7\u00e3o nacional. \u00c9 ent\u00e3o que o povo experimenta mais profundamente a sua identidade como povo de Deus e que a f\u00e9 se reafirma com a lembran\u00e7a das interven\u00e7\u00f5es de Deus na sua hist\u00f3ria.
\u00c9 claro que todas essas leis s\u00f3 fazem sentido dentro do quadro \u00fanico da Hist\u00f3ria de Israel. Elas dever\u00e3o presidir \u00e0 reforma de Ezequias, do qual o segundo livro das Cr\u00f3nicas faz-nos o maior elogio a prop\u00f3sito da Grande P\u00e1scoa que mandou celebrar (cap 29,31). Inspiraram tamb\u00e9m a reforma de Josias um s\u00e9culo mais tarde. Mas quando os crist\u00e3os de hoje se inquietam pela queda geral da sociedade, em pa\u00edses que tinham uma identidade crist\u00e3, n\u00e3o seria demais lerem essas p\u00e1ginas: n\u00e3o se refaz um pa\u00eds sem lhe impor uma miss\u00e3o, sem lhe pedir sacrif\u00edcios que custam e sem criar institui\u00e7\u00f5es de solidariedade efectiva e de redistribui\u00e7\u00e3o. Gandhi tinha escrito entre as leis fundamentais de qualquer sociedade estes prov\u00e9rbios: n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica sem moral, nem culto sem sacrif\u00edcios. 

{N}15,{/}1 O Deuteron\u00f3mio pede nesta parte que o s\u00e9timo ano seja um ano de remiss\u00e3o. No Lev\u00edtico, escrito mais tarde, o cap. 25 distingue entre o ano s\u00e9timo, ano sab\u00e1tico, em que a terra descansa, e o ano quinquag\u00e9simo que \u00e9 o do {C}Jubileu{/} ou da remiss\u00e3o.

{N}27,{/}9 Os cap\u00edtulos 27-31 reuniram diversas conclus\u00f5es e foram, sem d\u00favida, repetidas vezes arranjados at\u00e9 \u00e0 volta do ex\u00edlio. Evidentemente que os par\u00e1grafos 9-26 querem dar outro conte\u00fado \u00e0 festa que se recordava em 27,2, festa que se celebrava no territ\u00f3rio de Efraim, pr\u00f3ximo de Siqu\u00e9m, nos montes de Ebal e Garizim (veja-se Js 8 e 24). 

{N}32,{/}1 Este c\u00e2ntico de Mois\u00e9s pretende recordar a Israel a sua voca\u00e7\u00e3o, as suas culpas, as promessas de Deus que se cumprir\u00e3o no dia que encontrar o caminho da fidelidade.
1. Esse c\u00e2ntico apresenta-se como um requisit\u00f3rio; Mois\u00e9s toma como testemunho o universo, como o fazem outros textos (Dt 30,19; Job 20,27; Sl 50,1 e 6).  

{N}32,{/}8 A escolha de Israel desde o in\u00edcio da Hist\u00f3ria da humanidade.

{N}32,{/}10 A subida do deserto aos montes da Palestina: a videira e o trigo s\u00e3o as riquezas do sedent\u00e1rio.

{N}32,{/}17 Ofereceram sacrif\u00edcios aos dem\u00f3nios. Frequentemente os \u00eddolos s\u00e3o considerados  como obras mortas. Mas, \u00e0s vezes, o \u00eddolo \u00e9 visto como uma armadilha que permite um dem\u00f3nio fazer-se adorar atrav\u00e9s dela (Br 4,7; Sl 106,37 e 1Cor 10, 20). 

{N}32,{/}21 A Justi\u00e7a de Deus torna ciumentos os que provocaram o seu ci\u00fame. 25: Veja-se Ez 7,15

{N}32,{/}26 Deus serve-Se dos seus inimigos para castigar o seu povo, n\u00e3o os deixar\u00e1 gozar do seu triunfo: Is 10,5-7.

{N}32,{/}28 Israel acabar\u00e1 por compreender a raz\u00e3o das suas desgra\u00e7as? Quando \u00e9 que perceber\u00e1 que os deuses e a cultura estrangeira apenas o alienam?

{N}32,{/}34 Jav\u00e9 ter\u00e1 a sua hora e resgatar\u00e1 o seu povo desterrado.

{N}32,{/}40 Ju\u00edzo de Jav\u00e9: contra os inimigos do seu povo e daqueles do seu povo que s\u00e3o seus inimigos. 

