{2}PRIMEIRA CARTA DE S\u00c3O JO\u00c3O{/}
{C}O DINAMISMO DA F\u00c9 \u00c9 O AMOR{/}

O autor da primeira carta de S. Jo\u00e3o \u00e9 o mesmo do 4.\u00ba Evangelho, ou talvez um disc\u00edpulo dele. Escrita provavelmente no fim do s\u00e9c. I, foi dirigida \u00e0s comunidades crist\u00e3s da \u00c1sia Menor, que passavam por s\u00e9ria crise, provocada por um grupo de dissidentes carism\u00e1ticos. Estes propunham uma {N}doutrina gn\u00f3stica{/}, que afirmava que o homem se salva gra\u00e7as a um conhecimento religioso especial e pessoal. Negavam que Jesus era o Messias e gloriavam-se de conhecer a Deus, de O amarem e estarem em \u00edntima uni\u00e3o com Ele; afirmavam-se iluminados, livres do pecado e da baixeza do mundo; n\u00e3o davam import\u00e2ncia do amor ao pr\u00f3ximo e talvez at\u00e9 odiassem e hostilizassem a comunidade. O grupo fora rejeitado, mas algumas comunidades ficaram inseguras e confusas.
A carta mostra que \u00e9 vazio e sem valor qualquer espiritualismo que n\u00e3o se traduza em comportamento pr\u00e1tico. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel amar a Deus sem amar o pr\u00f3ximo e sem formar comunidade: se Deus \u00e9 Pai, os homens s\u00e3o filhos e fam\u00edlia de Deus, e consequentemente todos devem amar-se como irm\u00e3os. Deus manifestou o seu amor por meio de Jesus, que tornou poss\u00edvel o amor entre os homens. Da\u00ed o perigo de negar que Jesus \u00e9 o Messias, o Filho de Deus, que viveu e deu a sua vida pelos homens. Por outro lado, somente pela fidelidade ao exemplo e mandamento de Jesus \u00e9 que o homem tem vida plenamente humana. 
O centro da carta \u00e9 o amor, que traduz a f\u00e9 em vida concreta. Amar o pr\u00f3ximo significa conhecer a Deus, viver na luz, estar unido a Deus e aos irm\u00e3os, n\u00e3o pertencer ao mundo e cumprir os mandamentos. Portanto, amar a Deus \u00e9 praticar a justi\u00e7a, \u00e9 ser filho de Deus, obter o perd\u00e3o dos pecados e libertar-se do medo.

{2}SEGUNDA CARTA DE S\u00c3O JO\u00c3O{/}
{C}VIVER NA VERDADE{/}

Esta carta dirige-se a uma comunidade personificada como \u00abSenhora eleita\u00bb, repetindo frases da primeira carta de S. Jo\u00e3o. Trata-se de uma comunidade amea\u00e7ada de perder o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e da vida crist\u00e3. Alguns pregadores \u00abavan\u00e7ados\u00bb negavam que Jesus fosse o Messias enviado por Deus e deixavam de lado o mandamento do amor m\u00fatuo, rompendo consequentemente a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. Em poucas palavras, pregavam um conhecimento elevado que n\u00e3o necessitava da f\u00e9 em Jesus nem do seu evangelho de amor. O Anci\u00e3o \u00e9 radical: pro\u00edbe que a comunidade mantenha qualquer relacionamento com esses impostores. Trata-se sem d\u00favida de pessoas que pertencem ao grupo combatido pela primeira carta de S. Jo\u00e3o.
O remetente assina \u00abAnci\u00e3o\u00bb (= presb\u00edtero) e os destinat\u00e1rios encontram-se na \u00c1sia Menor. O autor e a \u00e9poca s\u00e3o os mesmos da primeira carta de S. Jo\u00e3o.

{2}TERCEIRA  CARTA  DE  S\u00c3O  JO\u00c3O{/}
{C}COOPERADORES  DA  VERDADE{/}

Esta \u00e9 uma carta de encorajamento, que apresenta uma situa\u00e7\u00e3o e pessoas bem concretas. O \u00abAnci\u00e3o\u00bb \u00e9 certamente respons\u00e1vel por um grupo de comunidades, e encontra a oposi\u00e7\u00e3o de Di\u00f3trefes, o bispo de uma Igreja local, a quem acusa de ser dominador e de ter uma l\u00edngua feroz. O Anci\u00e3o enviou alguns mission\u00e1rios que se hospedaram em casa de Gaio, mas Di\u00f3trefes n\u00e3o permitiu que eles tivessem acesso \u00e0 comunidade local; agora torna a envi\u00e1-los e pede a ajuda de Gaio. Dem\u00e9trio, portador da carta, talvez seja um desses mission\u00e1rios. Note-se que a cr\u00edtica ao bispo Di\u00f3trefes n\u00e3o \u00e9 a respeito de uma doutrina errada, mas de um esp\u00edrito autorit\u00e1rio, que toma decis\u00f5es sem consultar a comunidade.
