{2}SABEDORIA{/}
{C}A JUSTI\u00c7A \u00c9 IMORTAL{/}

Na ordem cronol\u00f3gica, Sabedoria \u00e9 o \u00faltimo livro do AT. O t\u00edtulo \u00abSabedoria de Salom\u00e3o\u00bb, embora ajustado ao facto de ser este rei a falar nos cap\u00edtulos [Sb_7,1] a [Sb_9,1], \u00e9 fict\u00edcio, pois o seu autor, um judeu de Alexandria, escreveu o livro pelo ano 50 a.C. Mais uma vez um livro sapiencial \u00e9 atribu\u00eddo a Salom\u00e3o, o s\u00e1bio por excel\u00eancia em Israel.
Para ser correctamente avaliado, o livro deve ser entendido no contexto em que surgiu. Alexandria era um importante centro pol\u00edtico e cultural grego, e contava com cerca de 200.000 judeus entre os seus habitantes. A cultura grega, por\u00e9m, com as suas filosofias, costumes e cultos religiosos de uma parte, e com a hostilidade dos pag\u00e3os e \u00e0s vezes persegui\u00e7\u00e3o aberta de outra, constitu\u00eda uma amea\u00e7a constante \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 cultura do povo judaico que habitava no Egipto. Muitos deixavam os costumes e at\u00e9 mesmo a f\u00e9, perdendo a pr\u00f3pria identidade para se conformarem a uma sociedade id\u00f3latra e injusta. S\u00e3o os \u00edmpios da B\u00edblia.
Profundamente conhecedor das Escrituras, em contacto quotidiano com no\u00e7\u00f5es gregas, o autor enfrenta a situa\u00e7\u00e3o e escreve um livro que procura refor\u00e7ar a f\u00e9 e activar a esperan\u00e7a dos judeus, impregnados do helenismo, e n\u00e3o esquece os gregos a quem quer mostrar a superioridade da sabedoria judia.
Sobre a Sabedoria, prolonga a personifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 presente em [Pr_1,1] a [Pr_9,1], acentua a sua ac\u00e7\u00e3o criadora [Sb_7,12] [Sb_7,22]; [Sb_8,5] a [Sb_8,6] e a sua fun\u00e7\u00e3o c\u00f3smica [Sb_7,24]; [Sb_8,1], identifica-a com a revela\u00e7\u00e3o divina e rel\u00ea a Hist\u00f3ria a essa luz [Sb_10,1] a [Sb_19,1] detendo-se demoradamente nos contrastes do \u00eaxodo.
Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a, confrontado com o drama do justo que morre sem ter gozado a sua recompensa, este livro d\u00e1 um salto qualitativo ao desvendar que aos justos, para al\u00e9m da morte f\u00edsica, s\u00e3o reservadas vida e pr\u00e9mio junto de Deus [Sb_2,22]; [Sb_3,1] a [Sb_3,9]; [Sb_4,7] a [Sb_4,14]; [Sb_5,15] a [Sb_5,23]. Dois termos bem gregos exprimem a ideia da recompensa futura: {N}imortalidade{/} [Sb_1,15]; [Sb_4,4]... e {N}incorruptibilidade {/}[Sb_2,23]; [Sb_6,18] a [Sb_6,19]. Foi a maneira de integrar na corrente sapiencial a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o corporal, que contava cem anos na corrente irm\u00e3 (cf. [Dn_12,2] a [Dn_12,3]; [2Mc_7,9]); foi o caminho encontrado para sair da crise dolorosa, interpretada exemplarmente por Job e pelo Eclesiastes.
O livro todo est\u00e1 bem resumido em 1,15: \u00abA justi\u00e7a \u00e9 imortal\u00bb. De facto, o autor identifica a sabedoria com a justi\u00e7a e mostra que ela \u00e9 o guia da vida [Sb_1,16] a [Sb_5,23] e o princ\u00edpio da liberta\u00e7\u00e3o.
