{2}BARUC{/}
{C}ARREPENDIMENTO E CONVERS\u00c3O{/}

Tal como se apresenta hoje nas nossas B\u00edblias, o livro de Baruc \u00e9 composto de textos com g\u00e9neros liter\u00e1rios diferentes. Depois de uma {N}introdu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica {/}[Br_1,1] a [Br_1,14], a {N}primeira parte, em prosa, {/}cont\u00e9m uma confiss\u00e3o de pecados e uma s\u00faplica [Br_1,15] a [Br_3,8]. A {N}segunda parte, em poesia, {/}cont\u00e9m uma exorta\u00e7\u00e3o no estilo dos livros sapienciais [Br_3,9] a [Br_4,4] e um or\u00e1culo sobre a restaura\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e do povo [Br_4,5] a [Br_5,9]. Por fim, uma {N}carta, {/}atribu\u00edda ao profeta Jeremias [Br_6,1]. O certo \u00e9 que estes textos n\u00e3o s\u00e3o de Baruc, o secret\u00e1rio de Jeremias, mas foram escritos provavelmente no s\u00e9culo II a.C.
O livro tem o m\u00e9rito de nos dar uma ideia aproximada do sentimento religioso dos israelitas dispersos pelo mundo ap\u00f3s a ru\u00edna de Jerusal\u00e9m e a perda de quase todas as suas institui\u00e7\u00f5es. Mostra como conservaram viva a consci\u00eancia de ser um povo adorador do verdadeiro Deus. Ao mesmo tempo, mostra a consci\u00eancia que tinham do desastre nacional: n\u00e3o o atribuem \u00e0 infidelidade de Jav\u00e9; pelo contr\u00e1rio, reconhecem que os males se originaram por culpa deles pr\u00f3prios: desprezaram a palavra dos profetas, rejeitaram a justi\u00e7a e a verdadeira sabedoria. Mas, ao lado desta consci\u00eancia dos seus pecados, conservam uma viva esperan\u00e7a, pois acreditam que Deus n\u00e3o abandona o seu povo e continua fiel \u00e0s promessas. Se houver arrependimento e convers\u00e3o, poder\u00e3o confiar no perd\u00e3o divino: ser\u00e3o reunidos de novo em Jerusal\u00e9m, que \u00e9 para sempre a cidade de Deus.
A carta do cap\u00edtulo sexto leva-nos aos templos pag\u00e3os, cujos \u00eddolos est\u00e3o empoeirados e carcomidos pela tra\u00e7a. Esses \u00eddolos, apresentados de forma atraente e grandiosa, n\u00e3o t\u00eam vida, nem s\u00e3o capazes de produzir vida: \u00abN\u00e3o podem salvar ningu\u00e9m da morte, nem podem livrar o fraco da m\u00e3o do poderoso. N\u00e3o s\u00e3o capazes de devolver a vista ao cego, nem de livrar do perigo homem nenhum; n\u00e3o t\u00eam compaix\u00e3o pela vi\u00fava, nem prestam ajuda nenhuma ao \u00f3rf\u00e3o. Esses deuses de madeira prateada ou dourada parecem pedras tiradas da montanha: quem se ocupa deles s\u00f3 vai passar vergonha. Como, ent\u00e3o, pensar ou dizer que s\u00e3o deuses?\u00bb [Br_6,35] a [Br_6,39].
O livro de Baruc \u00e9 deuterocan\u00f3nico (cf. Introdu\u00e7\u00e3o ao AT).
