{2}JONAS{/}
{C}DEUS N\u00c3O CONHECE FRONTEIRAS{/}

Jonas figura entre os livros prof\u00e9ticos, em parte, porque existiu em Israel um profeta com o mesmo nome (cf. [2Rs_14,25]. Em vez do conjunto de or\u00e1culos, caracter\u00edstica prof\u00e9tica, este livrinho apresenta uma narrativa seguida, com tr\u00eas cenas, uma hist\u00f3ria maravilhosa repleta de imagens, um relato \u00abexemplar\u00bb, \u00e0 maneira de Rute ou de Job, procurando inculcar pedagogicamente a mensagem.
Para tanto, o autor n\u00e3o recua perante elementos carregados de simbolismo, como por exemplo: \u00abtr\u00eas dias e tr\u00eas noites\u00bb medem a estadia no ventre do peixe [Jn_2,1] e sugerem a grande extens\u00e3o da cidade [Jn_3,3]; j\u00e1 eram conhecidos outros 40 dias de jejum [Jn_3,5] ou de marcha (cf. [1Rs_19,8]; e os cento e vinte mil habitantes [Jn_4,11] era igualmente cifra simb\u00f3lica conotada com o povo de Deus e com o universalismo (cf. [Ap_7,4]).
A obra nasceu certamente no p\u00f3s-ex\u00edlio para contrariar o nacionalismo exagerado e exclusivista (cf. [Esd_4,1] [Esd_4,3]; [Ne_13,3]), em que se afundava o povo judeu. O autor foi corajoso: a \u00fanica personagem mesquinha \u00e9 o profeta israelita, que tenta em v\u00e3o evadir-se ao desempenho da Palavra divina e, por outro lado, fica despeitado perante a efic\u00e1cia da convers\u00e3o que poupou N\u00ednive ao castigo (caps. 1 e 4); os pag\u00e3os, marinheiros ou ninivitas, s\u00e3o os bons da fita, pois captam a presen\u00e7a do Senhor e escutam o seu apelo.
Esta \u00e9 a mensagem principal do livro. Jav\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um Deus nacional, mas um Deus de toda a humanidade; um Deus benevolente e compassivo ([Jn_4,2]; [Ex_34,6] [Ex_34,7]), que n\u00e3o Se alegra com a perda das suas criaturas (cf. [Sb_1,12] ss) nem considera nunca ningu\u00e9m irremediavelmente perdido (cf. [Lc_5,1]). O universalismo da salva\u00e7\u00e3o, mais amplo aqui do que nas imedia\u00e7\u00f5es do p\u00f3s-ex\u00edlio, \u00e9 marco saliente no percurso temporal da revela\u00e7\u00e3o.
H\u00e1 tamb\u00e9m no livro uma reflex\u00e3o subjacente sobre a experi\u00eancia \u00edntima do profeta, com altos e baixos, convic\u00e7\u00f5es, hesita\u00e7\u00f5es e despeitos. A compara\u00e7\u00e3o de Jonas [Jn_3,10] e [Jn_4,3] [Jn_4,8] [Jn_4,9] com Jeremias [Jn_18,7] [Jn_18,8] e [Jn_20,14] [Jn_20,18], respectivamente, mostra que estamos a boa dist\u00e2ncia desses outros desempenhos prof\u00e9ticos.
O livro de Jonas faz liga\u00e7\u00e3o directa com a novidade evang\u00e9lica. O \u00abcaso Jonas\u00bb preanuncia que os pag\u00e3os acolheriam Jesus com mais espontaneidade do que os membros do povo de Deus (cf. [Lc_11,29] [Lc_11,32]). O \u00absinal de Jonas\u00bb representa de algum modo a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus: tr\u00eas dias no ventre do peixe, tr\u00eas dias no seio da terra, para reganhar vida e luz (cf. [Mt_13,29] [Mt_13,41] e paralelos). Por fim, \u00e9 prov\u00e1vel que parte da antiga f\u00f3rmula conservada em [1Cor_15,4] \u00abFoi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras\u00bb, seja eco directo de Jonas.
