{2}ABDIAS{/}
{C}CONTRA A FALTA DE SOLIDARIEDADE{/}

Nos vinte e um vers\u00edculos que comp\u00f5em o seu \u00ablivro\u00bb, Abdias aborda uma quest\u00e3o s\u00e9ria e importante: a necess\u00e1ria solidariedade entre irm\u00e3os, sobretudo quando algum experimenta um mau bocado. O povo estava a ser pilhado e destru\u00eddo pelos babil\u00f3nios. Ent\u00e3o Abdias reparou que Edom, pa\u00eds-irm\u00e3o (cf. [Gn_25,19] [Gn_25,28]; [Gn_36,1]), em vez de ajudar o mais fraco, pendeu para o lado do mais forte. Mais, Edom tirava proveito da situa\u00e7\u00e3o: aproveitou para conquistar terras, participar na pilhagem, matava e perseguia e denunciava os que estavam escondidos e pediam protec\u00e7\u00e3o (vv. 11-14). A tradi\u00e7\u00e3o sobre a queda de Jerusal\u00e9m afirma que Edom, sem ter esquecido os diferendos antigos (cf. [2Rs_8,20] [2Rs_8,22]) e com \u00ab\u00f3dio eterno\u00bb [Ez_35,5], se entregou com alegria selvagem \u00e0 pilhagem da cidade (cf. [Lm_4,22]; [Sl_137,7]).
Al\u00e9m disso, os edomitas consideravam-se invenc\u00edveis (v. 3), orgulhavam-se da sabedoria e for\u00e7a guerreira. O profeta mostra que a esses valores tamb\u00e9m podem suceder a insensatez e a cobardia (vv. 5-9). A verdade \u00e9 que Edom foi conquistado pelos Nabateus no ano 312 a.C. Jud\u00e1 tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 inocente e, por isso, atravessa uma das situa\u00e7\u00f5es mais tr\u00e1gicas da sua Hist\u00f3ria.
Os vv. 2-9 parecem-se com [Jr_49,7] [Jr_49,22], sem que a cr\u00edtica tenha chegado a conclus\u00f5es sobre a preced\u00eancia de uma ou outra vers\u00e3o. No conjunto, o texto \u00e9 um grito apaixonado de vingan\u00e7a na linha dos or\u00e1culos contra as na\u00e7\u00f5es. A justi\u00e7a terr\u00edvel e o poder de Jav\u00e9 tamb\u00e9m integram o movimento prof\u00e9tico; de per si e sobretudo quando postos ao servi\u00e7o duma perspectiva nacionalista, representam um momento passageiro e o seu aspecto mais caduco.
