{2}PRIMEIRO E SEGUNDO LIVRO DOS REIS{/}
{C}DA GL\u00d3RIA \u00c0 RU\u00cdNA{/}

Os livros dos Reis relatam acontecimentos que v\u00e3o de 971 a 561 a.C., continuando a hist\u00f3ria da monarquia iniciada com Saul e David. Depois de Salom\u00e3o, o imp\u00e9rio divide-se (931 a.C.) em dois reinos: o reino de Israel, com sede em Samaria, que caiu em poder da Ass\u00edria em 722 a.C., e o reino de Jud\u00e1, com sede em Jerusal\u00e9m, que caiu em poder de Babil\u00f3nia em 586 a.C. Mais do que uma rela\u00e7\u00e3o pormenorizada de acontecimentos, estes livros fornecem uma {N}reflex\u00e3o cr\u00edtica {/}sobre a Hist\u00f3ria do povo e dos reis que o governaram: a fidelidade a Deus leva \u00e0 b\u00ean\u00e7\u00e3o e \u00e0 prosperidade; a infidelidade leva \u00e0 maldi\u00e7\u00e3o, \u00e0 ru\u00edna e ao ex\u00edlio (cf. [2Rs_17,7] a [2Rs_17,23]).
No in\u00edcio, encontramos de novo uma teologia da autoridade pol\u00edtica: o rei deve ser fiel a Deus [1Rs_2,3] e governar com sabedoria e justi\u00e7a, servindo o povo [1Rs_12,7], que pertence unicamente a Deus [1Rs_3,8] a [1Rs_3,9]. Mas os reis s\u00e3o sempre infi\u00e9is, pois fazem \u00abo que Jav\u00e9 reprova\u00bb: praticam a idolatria; \u00abvendem\u00bb a na\u00e7\u00e3o aos estrangeiros; perseguem os profetas; dividem, exploram e oprimem o povo. Como consequ\u00eancia, Israel e Jud\u00e1 s\u00e3o levados \u00e0 ru\u00edna.
O Templo e o profetismo t\u00eam um papel importante nesta Hist\u00f3ria. O Templo \u00e9 o lugar da reuni\u00e3o de todo o povo para o encontro com Deus, em todas as circunst\u00e2ncias da vida nacional [1Rs_8,1]. A reforma de Josias procura reunir novamente todo o povo a partir do culto no Templo [2Rs_22,1] a [2Rs_23,1]. Os profetas s\u00e3o aqueles que mant\u00eam viva a consci\u00eancia do povo, os vigias das rela\u00e7\u00f5es sociais e os grandes cr\u00edticos da ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos reis. A sua inten\u00e7\u00e3o de fazer respeitar a justi\u00e7a e o direito est\u00e1 sempre em primeiro plano, e eles ocupam-se tanto de religi\u00e3o como de moral e pol\u00edtica, pois tudo deve estar submetido a Deus, o \u00fanico rei sobre o povo (cf. [Is_6,5];[Is_44,6]; [Zc_14,16]).
As decep\u00e7\u00f5es com a monarquia multiplicaram-se e, com a queda dos reinos de Israel e de Jud\u00e1, volta o antigo ideal igualit\u00e1rio das tribos, formulado agora por Jeremias como Nova Alian\u00e7a: uma sociedade sem media\u00e7\u00f5es, onde o pr\u00f3prio povo se governa a si mesmo, gra\u00e7as ao conhecimento de Deus ([Jr_31,31] a [Jr_31,34]). De facto o poder pertence \u00e0 ess\u00eancia de Deus, e n\u00e3o \u00e0 ess\u00eancia da humanidade. A humanidade \u00e9 formada de pessoas {N}relativas, {/}isto \u00e9, de seres que se descobrem, se desenvolvem e se realizam dentro de rela\u00e7\u00f5es que, para serem verdadeiramente humanas, devem ser de partilha e fraternidade.
A B\u00edblia mostra que o Reino de Deus, que aparece sempre no horizonte da Hist\u00f3ria, \u00e9 o advento da humanidade unida e democr\u00e1tica, onde n\u00e3o h\u00e1 pobres e ricos, nem fracos e poderosos, mas a partilha e a fraternidade. O sentido \u00faltimo da exist\u00eancia de qualquer autoridade \u00e9 servir ao advento do Reino de Deus, o que significa tamb\u00e9m ter a voca\u00e7\u00e3o de diminuir-se a si mesma, at\u00e9 se tornar desnecess\u00e1ria e desaparecer. A marcha da Hist\u00f3ria caminha para a comunh\u00e3o e a partilha entre os homens, e todas as formas de absolutismo significam um retrocesso no processo hist\u00f3rico. Retrocesso voltado para o fracasso, pois a Hist\u00f3ria caminha para a meta que Deus fixou: o Reino.
